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quinta-feira, agosto 23, 2018

NAZIK AL-MALAIKA, SCHILLER, AGNÈS VARDA, MENOTTI DEL PICCHIA, ANTÔNIO MENESES, READ, KIM SUNG JIM & INJUSTIÇA


O RISO DELA - Imagem do artista coreano Kim Sung Jim. - Quando ela está triste, nada tem a menor graça: chuva na escuridão, destroços no caminho, velas ao vento. Fico todo à deriva nas insossas horas, fel nas palavras, janelas de portas fechadas no ermo das coisas. Quando ela se aparta recôndita, bandeira arriada, olhos no chão, aperto na alma estrangulando o coração. Quando ela vira as costas e sai às pressas, leva mais que a metade de mim não sei para onde e me perco de tudo, sou alma penada sem vez pra viver. Quando ela se tranca cofre lacrado, sou refém aprisionado no que não tem mais saída, escondida das minhas vistas em fuga pros astros a me deixar sem teto nem piso e tímida intimida o afeto e me deixa sozinho ao desencanto, desguarnecido da alheia estima, clarão que se apagou, as mãos minguadas no instante nublado. Mas quando ela sorri, tudo se enaltece e me embriaga, porque o riso dela é alameda pro passeio aprazível pela brisa da tarde e vegetissombras perfumadas pelo natural eflúvio dos frufolhas e rosabores; é a margem de rio porto seguro das manhãs ensolaradas no mormaço estival de todos sonhacordares; é a ponte entre o íntimo e o anímico a reverberar apaziguamento para todas as revelações cósmicas; é alvo que se acerta no afã da pontaria, gesto que desarma a ruindade do coração humano. O riso dela é o Sol que reina no esplendor das manhãs, flor que desabrocha para alegria dos jardins, brilho de estrela radiante iluminando o céu, cachoeira que deságua irrigando o mundo, vulcão eruptivo no espetáculo da Terra, onda que se joga rebentando pro baque nos arrecifes, correnteza que leva o rio pro mar. O riso dela cabe na palma da mão e no oco do mundo, irradiando luz por todos os quadrantes e anima meu coração para labuta de todos os dias e guerras de sobrevivência. O riso dela são fogos de artifícios nas festas que em mim se agigantam como girândolas de todas as comemorações. Não há quem não se renda, lábios entreabertos desnudando a fisionomia, a largada pro bem sentir, a chegada pra se sentir bem. O riso é dela, o prêmio é meu; sou o espelho da alegria folgando acorçoo até os seios de Nut a descobrir quantas galáxias se aninham no seu corpo, porque sou mais que a imensidão mais longínqua. Isso só por ela sorrir e com seu lindo sorriso esqueço de mim pra ser só dela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violoncelista Antônio Meneses: Sonata de Schubert, Concerto para violoncelo de Shostakovich, Concerto para violoncelo de Edward Elgar & Suíte Brasileira de Mehmari & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] A natureza essencial da arte não se há de encontrar nem na produção de objetos destinados a satisfazer necessidades práticas, nem na expressão de ideias religiosas ou filosóficas, mas na capacidade do artista para criar um mundo sintético e de existência própria, que não é das necessidades e desejos práticos, nem o dos sonhos e da fantasia, mas um mundo composto por essas contradições: uma representação convincente da totalidade da expressão, ou seja, por conseguinte, um modo de encarar a percepção individual de algum aspecto da verdade universal. [...]. Trecho extraído da obra Arte e alienação: o papel do artista na sociedade (Zahar, 1983), do poeta e crítico de arte britânico Herbert Read (1893-1968). Veja mais aqui.

ARTE & POPULAÇÃO - [...] Nas classes mais baixas e numerosas, são expostos impulsos grosseiros e sem lei, que, pela dissolução do vínculo da ordem civil, se libertam e buscam, com furor indomável, sua satisfação animal. [...] Sua dissolução já é sua justificação. A sociedade desregrada recai no reino elementar em vez de ascender à vida orgânica. Do outro lado, as classes civilizadas dão a visão ainda mais repugnante da languidez e de uma depravação do caráter, tanto mais revoltante porque sua fonte é a própria cultura. [...] E não vemos aqui apenas sujeitos isolados, mas também classes inteiras de pessoas que desenvolvem apenas uma parte de suas potencialidades, enquanto as outras, como órgãos atrofiados, delas mal se vêm esboçar débeis indícios. [...] Eternamente acorrentado a um pequeno fragmento do todo, o homem só pode configurar-se a si mesmo como fragmento; ouvindo eternamente o mesmo ruído monótono da roda que ele aciona, não desenvolve a harmonia de seu ser e, em lugar de imprimir a humanidade em sua natureza, torna-se mera reprodução de sua ocupação, de sua ciência. [...]. Trechos extraídos da obra A educação estética do homem: numa série de cartas (Iluminuras, 1995), do poeta, dramaturgo, filósofo e historiador alemão Friedrich Schiller (1759-1805). Veja mais aqui.

NATAL - Já o burrinho ruma para a manjedoura. A estrela – seria, este ano, aquele enigmático cometa com nome japonês? – fulge no céu.  Bate um pastor na porta da choça do compadre: “Olá Esdras! Acorda, camarada! Vamos para Belém!” As ovelhas balam. Toda a terra é um advento. Até flores estranhas rebentam nos cálices e as corolas atônitas perscrutam na noite um milagre. Os lírios do vale já devassaram o mistério e murmuram com seus lábios imaculados: — Vai nascer Deus! Aí está. Vai nascer Deus. “Fenômeno de rotina” – dirá um político despistando um repórter. “Nada demais, senhor jornalista. Todos os anos nasce Deus”. O repórter, apressado e superficial, registra a declaração numa caderneta e telefona os seus apontamentos para o redator de plantão. “O doutor Chuvisco disse que não há novidade: o nascimento de Deus é fenômeno de rotina”. O redator aceita essa explicação bocejando e gosta da palavra “rotina” aplicada ao mistério do Natal, porque a palavra está na moda. E ninguém dá pela transcendência do prodígio. Meu vizinho, Felisbino de Freitas Trancoso, excelente pai de família, saiu cedo para a fila das castanhas. D. Ordália Lopes, que é sentimental e fidelíssima, mesmo porque pesa perto de seis arrobas, comprou uma gravata de seda italiana e uns suspensórios de matéria plástica para presentear o marido. Tenho uma sensível admiradora que me mandou um cromo – sempre fui louco por cromos! – representando o presepe.  Ali tudo é lindo: Jesus, tenro e sorridente, de cabelo cacheadinho e grandes olhos azuis abertos, como se um pimpolho que nasce, geralmente tão cheio de rugas e tão feio, pudesse ter aquele tamanho e aquela cabeleira de ouro… São José é um carpinteiro alinhado de túnica e talvez tenha saído nesse instante de uma arca. Maria Santíssima é um amor. — No Natal do ano passado – diz-me a D. Celestina – meu marido me deu uma geladeira. Fico pensando dentro da noite mágica: “No Natal do ano passado…” Há perfumes no ar que vêm dos cedrinhos do Jardim América e, por causa das árvores do Natal, a gente liga o cheiro da resina ao oriente místico, à chegada daquela divina mãe grávida, morta de canseira na sua marcha ao lado do velho e santo marido, até a cocheira que serviu de berço à salvação do mundo. A imaginação trabalha. Percebe que nos palácios distantes, acordadas pelo fulgor da estrela, os reis poderosos preparam suas caravanas de mirra, ouro e incenso, para ver a criança estranha que uma vaca aquece com seu hálito e um burrinho manso humaniza com a bondade que irradia dos seus olhos… — “Jornal da noite!” “Jornal da noite!” – berra um garoto sobraçando os últimos vespertinos. Compro uma folha. Não preciso ler pois a manchete metralha os meus olhos: “Dez mil árabes e cinco mil judeus em luta mortal na Palestina. Milhares de mortos e feridos…” Os sinos de Natal bimbalham. “Glória a Deus na altura e paz na terra aos homens de boa vontade.” Nasceu um Deus! Este ano nasceu outra vez um Deus! E me ocorre, fulmineia a interrogação trágica: — mas por que nasce um Deus todos anos? Um arrepio me percorre o corpo.  O calendário salta-me à memória pontilhada de guerras, brigas, roubos, bombas atômicas, crises econômicas, manobras políticas ditadas pela cobiça e ambição. No meio dessas memórias os sinos bimbalham. “Paz!” “Paz!” – brada Cristo, o Cristo que nascendo todos os 25 de dezembro há mil novecentos e quarenta e sete anos! Então, percebo a razão do Natal!  Dada a cruel desmemória dos homens é preciso que todos os anos nasça um Deus! Conto extraído da obra Entardecer (MPM, 1978), do poeta, jornalista, advogado e pintor brasileiro Menotti Del Picchia (1892-1988). Veja mais aqui.

NOTURNO - A noite desliza pelos campos, / As mãos das nuvens passam pelo horizonte / E a escuridão dorme, / Em impressionante calmaria, / Sob as asas do silêncio. / Só se ouve o arrulho das pombas, / O murmúrio gemente dos córregos / E um ruído de passos na escuridão / Que caminham suavemente. / Sento, entregando-me à calma da noite, / Contemplo a cor da triste escuridão, / Lanço meus cantos ao espaço / E choro por todos os corações ingênuos. / Ouço o sussurro das palmeiras, /A chuva que cai na noite, / Os gemidos de uma rola na escuridão / Que canta longe entre os galhos / E a queixa distante de um moinho / Que geme na noite e chora de fadiga. / Seus gritos atravessam meus ouvidos / E vai morrer por trás das colinas. / Escuto... só se ouve as plantas. / Olho... só se vê a escuridão. / Nuvens, silêncio e uma noite triste. / Como não me sentir aflita? / A vida para mim é como esta noite: / Trevas, melancolia, desesperança, / Enquanto os demais sonham com clareza / Numa profunda e impressionante noite. / Choro contínuo da natureza, / Silêncio da escuridão, gemido dos ventos, / Suspiros da brisa noturna, / Lágrimas de orvalho nos olhos da manhã. / Vejo nas ribeiras da desgraça / A multidão dos aflitos, / O cortejo dos famintos / Afugentados pelos uivos do destino, / Sem poder pronunciar palavras de despedida. / Escuto: só os soluços / Mandam seu eco aos meus ouvidos / Por detrás das fortalezas e sobre os campos. / Então, quem pode cantar comigo? / No futuro levarei minha lira, / Chorarei a desgraça do universo / E declamarei minha compaixão pelo seu infortúnio / Aos ouvidos do cruel tempo. Poema da poeta iraquiana Nazik Al-Malaika (1923-2007). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da cineasta, fotógrafa e professora belga, radicada na França, Agnès Varda merece destaque. Desta feita quero apenas destacar dois filmes dela: Cléo from 5 to 7 (1962) e Response de femmes: notre corps, notre sex (1975).
Veja mais aqui.

AGENDA
Festival Internacional de Teatro em Canoas (8º Festia), de 31/08 a 9/09 UTC – Canoas & muito mais na Agenda aqui.
&
Dia Internacional de Combate a Injustiça aqui, aqui, aqui & aqui


segunda-feira, março 23, 2015

FROMM, KUROSAWA, SCLIAR, RIMSKY-KORSAKOV. DEL PICCHIA, FLANDRIN & SANHA!!!


SANHA – Estava eu na segunda metade dos anos 1980, quando compus a música Sanha. Música e letra saíram duma vez, após assistir um festival de filmes do cineasta grego Costa-Gavras e a leitura do poema Os homens ocos, de T. S. Eliot. Eram tempos difíceis e de redemocratização. Não conseguia conciliar a rudeza dos que se instalaram no poder abusando da repressão e desumanidade, com os meus sonhos libertários de um mundo melhor paratodos. A canção – música e letra – saíram porque eu sangrava a dor de ver a liberdade adiada e sempre preterida. A letra da música fiz constar na parte das canções do meu livro Primeira Reunião (Bagaço, 1992). Já por volta de 1996, eu empunhava o violão a cantá-la, quando o saudoso cantor Auri Viola ouviu e pediu para gravá-la. Anos depois, realmente, ele gravou com um belo arranjo que me fez inseri-la no meu show Tataritaritatá. Veja mais aqui, aqui e aqui. E veja mais dicas de livros & artes aqui & aqui.

Imagem do pintor francês Jean-Hippolyte Flandrin (1809-1864)

Ouvindo: Sheherazade, do compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908), com a Philadelphia Orchestra, conducit Leopoldo Stokowski.

NATUREZA E CARÁTER DO HOMEM – O livro Análise do Homem (Zahar, 1978), do psicanalista, filósofo e sociólogo alemão Erich Fromm (1900-1980), trata sobre a ética humanista, a ciência aplicada da arte de viver, a natureza e caráter do homem, a personalidade, a orientação receptiva, orientação exploratória, orientação acumulativa, orientação mercantil, orientação produtiva, o prazer e a felicidade, o problema moral de hoje, entre outros assuntos. Da obra destaco: [...] O homem é o mais inerme dos animais, mas essa mesma debilidade biológica é a base de sua força, a causa principal do desenvolvimento de suas qualidades especificamente humanos. [...] Tendo consciência de si mesmo, percebe sua impotência e as limitações de sua existência. Ele visualiza seu próprio fim: a morte. Nunca se vê livre da dicotomia de sua existência: não pode livrar-se de sua morte, mesmo que o quisesse; não pode livrar-se de seu corpo, enquanto estiver vivi – e seu corpo faz com que ele queira estar vivo. [...] O homem é sozinho e, ao mesmo tempo, relacionado com outros. Ele é sozinho por ser uma entidade original, não-idêntica a outrem, e cônscio do próprio eu como uma entidade independente. Ele tem de ficar sozinho quando precisa julgar, ou tomar decisões exclusivamente baseado no poder seu raciocínio. E, no entanto, ele não suporta ficar sozinho, desligado de seus semelhantes. Sua felicidade depende da solidariedade que sente com os outros homens, com as gerações passadas e futuras. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A MULHER QUE ESCREVEU A BÍBLIA – O romance A mulher que escreveu a Bíblia (Companhia das Letras, 1999), do escritor e médico gaúcho Moacyr Scliar (1927-2011) é uma deliciosa obra de ser lida. Do livro destaco: Salomão esperava-me, reclinado no largo leito. Foi infinitamente gentil comigo: fez com que eu me deitasse a seu lado, acariciou-me, perguntou-me o que eu esperava dele. Na verdade, eu queria que me deixasse dormir, mas jamais formularia um pedido tão extravagante. Por isso: - Tua boca cubra-me de beijos – eu disse, mas um tanto receosa: funcionaria a fórmula mágica? Não estaria eu correndo o risco de uma nova decepção? A formula mágica funcionou. Deus, funcionou mesmo. O cara era bom de cama; e eu, estreando, não me saí mal. Meu ventre era como uma taça, e dessa taça ele sorveu, abundante, o vinho da paixão. Não foi a prosaica noite de núpcias que eu esperava: foi uma celebração, um verdadeiro banquete de sexo, todas as posições, todas as variações sendo experimentada. De zero a dez, nota oito, com desconto dado por minha modéstia. Levantei-me de madrugada. Ele dormia ainda, sonhando – com quê, eu nunca descobriria, e nem queria saber: preferia o mistério. Beijei-o pela última vez e saí. Caminhei sem ruídos pelos corredores, cheguei ao jardim. De seus abrigos, fitavam-me os pombos. Sem dificuldade, pulei o muro do palácio. Corri pelas ruas da cidade adormecida, em direção ao sul, ao deserto. Ia atrás de um certo pastorzinho. Se me apressasse, poderia encontra-lo em dois ou três dias. À altura de certa montanha. E de suas enigmáticas, mas promissoras, cavernas. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

CANÇÃO DO MEU SONHO ERRANTE – No livro Chuva de Pedra (José Olympio, 1974), do poeta, jornalista, advogado e pintor brasileiro Menotti Del Picchia (1892-1988), destaco o belíssimo poema Canção do meu sonho errante: Eu tenho a alma errante / e vago na terra a sonhar maravilhas... / não paro um momento! / Eu busco inquieto o meu sonho inconstante / e sou como as asas, as velas, as quilhas, / as nuvens, o vento... / Eu sou como as coisas inquietas: o veio / que canta na leira; a fumaça que voa / na espira que sobe das achas: o anseio / dos longos coqueiros esguios; / a esteira de prata que deixa uma proa / no espelho dos rios. / Eu tenho a alma errante... / Boêmio, o meu sonho procura a carícia / fugace, procura / a gloria mendaz e preclara. / Sou como a vela fenícia / ao largo, uma vela distante.../ Eu tenho a alma errante... / E sinto uma estranha delícia / em tudo que passa e não dura, / em tudo que foge e não para... Veja mais aqui, aqui e aqui.



YUME – O filme japonês Yume (Sonhos, 1990) do cineasta Akira Kurosawa (1910-1998), reúne uma série de histórias que são baseadas em seus sonhos nos mais diferentes momentos de sua vida: um raio de sol através da chuva, o jardim das pessegueiras, a tempestade, o túnel, corvos, Monte Fuji em vermelho, o demônio que chora e o vilarejo dos moinhos. Maravilhoso e imperdível. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.



Veja mais sobre:
O nome da rua, a pintura de Alfredo Volpi, a música de Air &Alessandro Baricco, a arte de Xue Yanqun & Poemiudinho aqui.

E mais:
O queijo e os vermes de Carlo Ginzburg, O cortiço de Aluísio de Azevedo, a música de Arrigo Barnabé & banda Sabor de Veneno, a poesia & arte de Mano Melo, a arte de Ítala Nandi, a pintura de Otto Lingner, Acontece Curitiba & Claudia Cozzella, a fotografia de Robert Doisneau &  Programa Tataritaritatá aqui.
Atos ilícitos & excludentes de ilicitude aqui.
A poesia de Raymundo Alves de Souza aqui.
A mulher fenícia & a cura do inhame aqui.
Felicidade de Eduardo Giannetti, Amores & arte de amar de Ovídio, Taras Bulba de Nikolai Gógol, Diana/Ártemis, a música de Xangai, a escultura de Jean Antoine Houdon, a gravura de Agostino Carracci, o cinema de Bob Rafelson & Theresa Russel aqui.
Jacques Lacan & Slavoz Žižek, o teatro de Peter Brook, a música de Modest Mussorgsky, o cinema de Charlotte Dubreuil & Marie-Christine Barrault, a fotografia de Tan Ngiap Heng & a poesia de Cicero Melo aqui.
As águas de Alvoradinha, A semente da mostarda de Bhagwan Shree Rajneesh, a literatura de Milan Kundera, a poesia de John Keats, o Texto/contexto de Anatol Rosenfeld, a música de Jorge Ben-Jor, O amor de Endimião & Selene, o cinema de Philip Kaufman & Lena Olin, a pintura de Anthony van Dyck, A viola emprenhada de Teco Seade, a literatura infantil de Socorro Cunha & Maria Mulher de João Lins aqui.
O equilíbrio mortevida do malabarista, a poesia de Vladimir Maiakovski, William Blake, Dante Alighieri, a entrevista de Silviane Bellato, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Educação de Antonio Dias Nascimento & Tânia Maria Hetkowski, a pintura de José Manuel Merello & Camila Soato & Victoria Soyanova, a dança de Svetlana Zakharova, Teatro de Anônimo, Billion Dollar Crop, a música de Nádia Figueiredo & as bossalidade da Nega besta aqui.
Todo dia é dia da criança, A formação social da mente de Lev Vygotsky, Escritas das crianças de Paulo Freire, Os jogos infantis de Eliza Santa Roza, Paracoera de Lauro Palhano, O futuro das crianças de Clara Bellar, a escultura de Protásio de Morais & Dona Irinéia, a xilogravura de Amaro Francisco, a arte naif de Ronaldo Mendes, a entrevista da professora Rachel Lucena, Cordel na Escola, Galeria do Dim, O lobisomem zonzo & Luciah Lopez aqui.
O que tiver de ser, será, A sociedade dos indivíduos de Norbert Elias, a música de Lola Astanova, Caminhos da transdisciplinaridade Maria Lúcia Rodrigues, a escultura de Zhang Yaxi, A morte como efeito colateral de Ana Maria Shua, Teatro Tá na Rua, o cinema de Cristoph Stark & Lavínia Wilson, a entrevista de Clara Redig, Brincar para aprender, a gravura de Gustav Klimt, a pintura de Mino Lo Savio & Pavlos Samios, a dança de Nadja Sadakova & A sedução da serpente aqui.
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História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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quarta-feira, outubro 08, 2008

BAUDELAIRE, HENRY JAMES, MENOTTI DEL PICCHIA, BLANCHOT, KUBIN, TATIANA COBBETT & LITERÓTICA

 
A arte do escritor e ilustrador checo Alfred Kubin (1877-1959).

LITERÓTICA: O REINO DA SURPRESA – O beijo, primeiro degrau. Antes disso, à porta do cinema apareceu a menina azul e o filme que ela não viu. Um sábado cheio de pernas: primeiro encontro, conversa de almoço. Isso e aquilo. As palavras escapulindo, o mundo girando. Ela era só o olhar e um silêncio. Eu, um tagarela, depondo tudo, debulhando segredos. Ela permeável. O que eu disse? Sei lá, fiquei nu. Dali uma semana, era o primeiro beijo e o dia se iluminou. Era o reino da surpresa. E vingava a emoção. Nunca havia saboreado prazer tão imenso, intenso, inteiro, carregado. Tudo inteiramente maior na franzinice dela. Surpresa aos montes: o beijo, o toque, a pele, a entrega total. Tudo integralmente entregue, inteiramente possuído. Nunca houvera. Foi tudo como a minha fome de séculos se apossasse dos seus pés miúdos, engolisse suas pernas, mastigasse suas coxas, deglutisse seu ventre de carne saborosa e me empazinasse com seus seios de caldo mágico e dorso de cordilheiras deliciosas e ruminasse seu corpo de precipícios milenares e me apoderasse de sua alma nua de serva submissa que se deixava escrava completa ao meu bel prazer. E usei antropofagicamente do expediente de tê-la, retê-la, recolhê-la, recomê-la sucessivas vezes até ginofagicamente assentá-la, liquidá-la, enfincá-la e entronizá-la lânguida posse exaurida nos desejos do meu coração atordoado. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - A imaginação disseca o todo da criação de acordo com leis que têm a sua origem no mais fundo das profundezas da alma, e depois junta e organiza os pedaços, criando um novo mundo a partir deles. Pensamento do escritor, tradutor, crítico de arte e poeta francês, Charles Baudelaire (1821 - 1867). Veja mais aqui e aqui.

A VISÃO & O INVISÍVEL – [...] o que se revela não se entrega à visão, mas também não se refugia na simples invisibilidade [...]. Inversão finita da dispersão, movimento não dialético, onde a contrariedade é estranha à oposição, à conciliação e onde o outro nunca é igual ao mesmo. [...]. Trechos extraídos da obra Conversa infinita: a palavra plural (Escuta, 2001), do escritor, ensaísta, romancista e crítico literário Maurice Blanchot (1907-2003). Veja mais aqui.

A VOLTA DO PARAFUSO – [...] Olhava para todos os lados à procura de uma luz, de alguma pista que indicasse o que devia fazer. Por fim atirou-se em meus braços e gritou, com todas as forças, o nome que provava que eu estivera certa desde o começo: — Onde está Peter Quint? Vá-se embora, demônio! — Acalme-se, meu amor. Você agora não é mais dele. Ficaremos juntos, você e eu. Ele voltará para a eternidade, confie em mim! — disse eu. O menino debatia-se, mas apertei-o firme contra o peito, a cabeça afundada em meu colo. Tentava assim minimizar, a todo custo, a queda que estava sofrendo. Enlacei-o com todo o amor que podia lhe dar, mas, ao final de um minuto, percebi o que de fato havia ocorrido: em meio à atmosfera calma que agora se instalara na sala de estar, eu segurava um coraçãozinho finalmente livre, é certo, mas que parara de bater. [...]. Trecho da obra A volta do parafuso (Ridel, 2006), do escritor estadunidense Henry James (1843-1916). Veja mais aqui.

O VOO – Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti. / Não indagues se nossas estradas, tempo e vento, / desabam no abismo. / Que sabes tu do fim? / Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o / de estrelas. / Conserva a ilusão de que teu vôo te leva sempre / para o mais alto. / No deslumbramento da ascensão / se pressentires que amanhã estarás mudo / esgota, como um pássaro, as canções que tens / na garganta. / Canta. Canta para conservar a ilusão de festa e / de vitória. / Talvez as canções adormeçam as feras / que esperam devorar o pássaro. / Desde que nasceste não és mais que um vôo no tempo. / Rumo do céu? / Que importa a rota. / Voa e canta enquanto resistirem as asas. Poema do poeta, jornalista, advogado e pintor brasileiro Menotti Del Picchia (1892-1988). Veja mais aqui e aqui.

A arte do escritor e ilustrador checo Alfred Kubin (1877-1959).


MUSA DA SEMANA: TATIANA COBBETT – ela é cantora, compositora e bailarina.

É formada pela Escola de Danças Clássicas do Teatro Municipal do RJ e trabalhou 12 anos na companhia paulista Balé Stagium, percorrendo o Brasil, América Central, América Latina e alguns países da Europa.

Ela é autora e atuou como intérprete do musical "Mulheres de Hollanda" com direção de Naum Alves de Sousa.

Atuou como diretora e concepção dos espetáculos Alma Flamenca, Grito das Flores, Esta Terra Portugal, Festival Três Bandeiras, Partituras da Itália nas Vozes do Rio e dos Shows de Badi Assad, Carlinhos Antunes, Tutti Baê, Janet Machnaz e Joel Brito entre outros.
Desde 2000, desenvolve parceria com o músico/cantor/compositor gaúcho - Marcoliva - um trabalho de composições próprias registradas no cd Parceiros. Ela também publicou o livro de poemas e letras, intitulado - Básicas Composições. E está desenvolvendo o projeto Bendita Companhia, com o músico Marcoliva.
Ela aniversaria no próximo dia 13 de outubro. Daqui meus parabéns, Tatiana.


VEJA MAIS:
MUSA DA SEMANA




Veja mais sobre:

Jung & Holística, André Malraux, Leilah Assumpção, Haroldo Marinho Barbosa, Antonín Mánes, Coletivo Chama, Viúvas de marido vivo, Maria de Fátima Monteiro, Pedro Cabral Filho & Goretti Pompe aqui.

E mais:
Quintal dos milagres aqui e aqui.
Cordel Aos poetas clássicos, de Patativa do Assaré aqui.
A poesia de Clauky Boom aqui.
Moro num pais tropicaos, de Marcio Baraldi aqui.
Cordel Eu vi o brasí jogá, de Zé Brejêro aqui.
As olimpíadas do Fecamepa aqui.
A arte de Ana Luisa Kaminski aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...