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quinta-feira, abril 25, 2019

ERICH FROMM, LEDO IVO, RUTH MEZECK, MONA KUHN & DO OURO AO PÓ!


DO OURO AO PÓ – Meu nome é Atilardisio Silva Terceiro, o Tezinho para os íntimos. Esse era o nome do meu avô, seu Titido, homem de negócio, sisudo, austero. Ele tinha para mais de 10 irmãos, se virou sozinho desde muito jovem, vendendo bolo de goma, sandálias, brebotes em tolda na feira. Família, para ele, só no retrato e em funerais. Sumia toda noite na ponta dos pés, transações com fornecedores e fisco até de madrugada – as más línguas insinuavam barriga verde e lupanar, coisas de fofoca, ao que parece, nunca me disseram a verdade. Os irmãos arriavam a ripa, tratavam-no por traidor. Outras diziam dele, nunca deixou cair a pose, muito embora gostasse de um rabo de saia e de sodomitas. Só sei que ele se engraçou da minha avó, uma linda jovem chamada Nitinha – ela odiava o nome de registro e batismo: Norinete. Casaram e ele prosperou longe dos parentes, não sei ao certo como, apenas que conseguiu depois de muito esforço abrir a Loja do Titido, um estabelecimento comercial que vendia de tudo. Com o tempo já mais de uma centena, uma rede de lojas pelo interior afora. Do casal nasceu meu pai, Atilardisio Segundo, o Sessé, filho único que nunca deu um murro numa cocada, nem estudou nem quis nada com a vida já que ela, para ele, já estava ganha: era só pegar o que quisesse e gastar com apostas, caprichos e relações escusas. Perto dos 30 anos, meu pai casou-se com uma ricaça fútil: a minha mãe que não descia do salto alto nem para me parir. Tornei-me o brinquedinho predileto dela e da minha avó. Do meu avô só sei de ouvir dizer: morreu de forma duvidosa, não se sabe por conta dos desmandos do meu pai, ou se bateu as botas nos regalos de umas coxas taradas de mulher da vida. Só sei que nada me faltava até então: aparelhos tecnológicos, caboetas, posses e jeitinhos. Usei e abusei, como meu pai: ofício algum na vida, só gastar por prazer. Sempre tive ao alcance da mão tudo que quisesse. Minha mãe sempre tirânica ralhava que eu era escritinho ao meu pai, tal e qual. Nunca notei essa semelhança, na verdade, pois, igual a ele, para mim, só no nome, já que ele era sabido demais, malicioso. Minha indignação com ele se deu quando descobri quem era aquela mulher toda espaçosa e elegante que ele chamava de Jacinto. Isso às gargalhadas com seus comparsas insuportáveis, Adolfo Dias e Oscar Alhada, que não saiam lá de casa nem do escritório dele. Só no dia que peguei na folha de pagamento é que entendi: havia uma soma mensal para Jacinto Leite Aquino Rego. Na verdade, nunca gostei mesmo dos meus pais. Principalmente quando ele acabou com tudo e virou a cara para a política, elegendo-se prefeito numa cidadezinha interiorana. Meu pai virou pilhéria, além de um salafrário. Nem tenho notícia dele – só daquela da tevê anunciando o afastamento dele do cargo -, nem quero saber se já foi preso ou se está corrido de tanto meter a mão na prefeitura. Nem da minha mãe, uma dondoca chata que, tenho certeza, está endoidando ainda mais a sogra até matá-la de raiva. Até me esquecia do enlouquecimento de vez da minha avó, sabia que ela já não vinha boa da bola desde um dia lá de uma coisa que só soube muitos anos depois. Tinha ciência que havia perdido um seio por doença, o que a desgraçara para o resto da vida. Contudo, outra causa remoía no seu juízo e eu não fazia a menor ideia: o flagra do marido aos amores com um sobrinho dela. Fatídico. Desde então minha mãe me deixou aos cuidados das babás, as quais embuchei, bancando abortos para não queimar meu filme. São minhas guarda-costas, agenciam serviçais e administram as que pensam que namoram comigo, afora propiciarem acesso a baratos incalculáveis. Dos meus pais e avós guardo nenhum afeto, hoje muito menos, me abandonaram nesta cela infecta, nem me visitam. Só das minhas protetoras que sobrevivo na minha solidão, elas que me visitam e me mimam atrás dessas grades, aprendendo todo dia o que é a vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] O mundo é um grande objeto de nosso apetite, uma grande maçã, uma grande garrafa, um grande seio; nós somos os lactentes, os eternamente expectadores lactentes – e lactentes eternamente desapontados. [...] O caráter acumulador, o caráter de marketing que se adapta à economia de mercado ao se tornar apartado de emoções autenticas, da verdade e de convicções, tudo se transforma em mercadoria, não só as coisas, mas a própria pessoa, sua energia física, suas aptidões, seu conhecimento, suas opiniões, seus sentimentos, até mesmo seus sorrisos. [...] Essas pessoas não são capazes de se afeiçoar, não porque sejam egoístas, mas porque sua relação com outros e consigo mesmas é muito tênue [...] O catáter produtivo que ama e cria, e para o qual ser é mais importante do que ter. um caráter produtivo como esse não encontra estímulo na economia de mercado. Na verdade, constitui uma ameaça a seus valores. [...]
Trechos extraídos da obra The Sane Society (A sociedade sã - Reissue, 1990), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980), em que o autor apresenta a sua filosofia social e política, analisando a moderna sociedade capitalista industrial e seus cidadãos vistos como necessariamente alienados, comercializados e conformados, tratando, por consequência das patologias da sociedade que contribuem para a doença dos indivíduos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

O TEATRO DE RUTH MEZECK
A arte da atriz, palhaça, performer e blogueira do Teatro Etc & Tal, Ruth Mezeck, que está no III Bolina – Festival Internacional de Palhaças, com o seu espetáculo A mulher aquela, dia 06 de maio, às 21hs, em Portalegre, Portugal. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da fotógrafa contemporânea Mona Kuhn
Veja mais aqui, aquiaqui.
&
A OBRA DE LEDO IVO
O que sobra é obra, o resto soçobra.
A obra do premiadíssimo escritor e ensaísta alagoano Ledo Ivo (1924-2012) aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


terça-feira, março 13, 2018

SHAW, ERICH FROMM, KARL GJELLERUP, ELVIRA DE LAMARTINE, SÁNCHEZ VÁZQUEZ, CHORO DAS TRÊS & PIANORQUESTRA

O POETA & A MUSA - Imagem: art by Catherine La Rose. - O poeta viu a musa na esquina do tempo e com ela sonhou todos os sonhos possíveis & impossíveis, coisas do mais profundo coração. Dela zis poemas do amor maior. Todavia, uma coisa era sonhar, outra era tê-la em suas mãos. E para tê-la, teria de enfrentar luta renhida com outros pretendentes, muitos. E entre eles, um mais forte que o outro, músculos, golpes, posses e soberba. O poeta, coração na mão, só sabia cantar, não sabia nada mais que isso. Revestiu-se de Quixote e, no primeiro combate, o que nem esperava: findou estirado no chão, feridas na carne e na alma. Orgulho aos cacos, baixo semblante, era difícil sorrir, muito menos sonhar. Foi admoestado a desistir, principalmente porque a sua Penélope se engraçava por um dos campeões e vidrava com a exposição dos que se exibiam, não lhe restava nada mais que renunciar a esse amor e seguir sua vida de encantar as pessoas com a sua poesia. Saiu juntando, abatumado, todos os seus muafos e decidiu-se: de que servia viver ou ter uma vida de glórias se ela não estava na sua vida. Esforço além das próprias forças, partiu pro enfrentamento, um a um dos pretendentes da sua Penélope, todos desafiados por sua louca quimera. Veio, então, o segundo combate, quase perdeu a vida. Quase nada restou de seu amor próprio, só ela valia a pena. Refeito, tomou fôlego e foi ao terceiro, nocauteado. Exangue, quase um trapo, não se rendeu e foi ao ringue pro quarto combate. Estendido agonizante, nova derrota de quase perder a voz e a poesia. Nada mais restava. O desconforto das dores, capenga, um trapo de gente mais morto que vivo, apenas um alento e quase sem ânimo algum, reagiu, invadiu as dependências qual cocho miserável por todo campeonato, misturou-se entre os anônimos e conseguiu se aproximar o máximo que pôde da sua musa. Lá estava ela, exultante, aplaudindo os vitoriosos pretendentes, esmagando seus desafiadores. Ela sequer lhe viu, nunca veria. Contudo, a presença dela revigora seu ser, a ponto de esquecer as lesões que lhe condoíam. Ali, fitando sua amada, alguém que lhe conhecia, admirou-se de sua persistência e foi ter com ela: Penélope, eis aqui um grande poeta, ele tem uma canção para você. Ela admirou a deferência e se pôs a ouvir a canção exaltada do amor maior. Ele reuniu toda força que porventura lhe restasse, para saudar a ventura de estar diante da mulher amada. Todos se comoveram, a multidão voltou-se para ser sua plateia, a ponto de suspender a competição. Encantada, ela aplaudiu efusivamente. O público inteiro o aplaudiu de pé. Com o término de sal canção, jogou o violão às costas e saiu solfejando a sua canção, cabisbaixo, abandonando o seu sonho e a si próprio além da cidade, para se perder por estradas sem fim. Das lutas, ninguém mais sabe; a sua Penélope morrera há muito tempo, não havia mais nada, tudo perdido no tempo, apenas o poema de amor do poeta restou como história contada até hoje. (baseada na fábula Chagrin D’Amour, do Livro das Fábulas, de Hermann Hesse). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do conjunto musical instrumental Choro das Três, criado em 2202 e formado pela irmãs, a flautista Corina, a pianista, bandolinista e clarinetista Elisa e a violonista Lia Meyer Ferreira, juntamente com o pai Eduardo Ferreira no pandeiro e percussão: Live at Colorado Brazilfest, Live in Bellinghan & Europe Tour Concert Italia; o grupo instrumental PianOrquestra, criado em 2003 e formado pela percussionista Massako Tanaka e pelos pianistas Marina Spoladore, Priscila Azevedo, Anne Amberget & Cláudio Dauelsberg: Pagode preparado, Lucy & Todas as Bossas; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Por realização da moral entendemos a encarnação dos princípios, valores e normas numa dada sociedade não só como tarefa individual, mas coletiva, isto é, como processo social no qual as diferentes relações, organizações e instituições sociais desempenham um papel decisivo. [...] Pensamento extraído da obra Ética (Civilização Brasileira, 1970), do filósofo, professor e escritor espanhol Adolfo Sánchez Vázquez (1915-2011). Veja mais aqui.

ARTE DE AMAR – [...] O homem é dotado de razão; é a vida consciente de si mesma; tem consciência de si, de seus semelhantes, de seu passado e das possibilidades de seu futuro. Essa consciência de si mesmo como entidade separada, a consciência de seu próprio e curto período de vida, do fato de haver nascido sem ser por vontade própria e de ter de morrer contra sua vontade, de ter de morrer antes daqueles que ama, ou estes antes dele, a consciência de sua solidão e separação, de sua impotência ante as forças da natureza e da sociedade, tudo isso faz de sua existência apartada e desunida uma prisão insuportável. Ele ficaria louco se não pudesse libertar-se de tal prisão e alcançar os homens, unir-se de uma forma ou de outra com eles, com o mundo exterior. [...]. Trecho extraído da obra A arte de amar: o amor como força vital (Pergaminho, 2008), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980). Veja mais aqui e aqui.

MINNA – [...] Passei o dia, ora lendo ora me entregando à fantasmagoria das lembranças ou fazendo variações sobre os seguintes temas: “Agora ela já deve ter recebido minha carta... deve haver ainda um trem em Meissen (para ter certeza pedira um jornal à senhorita) e ela só tem um quilômetro a andar, até à estação. Talvez, sim, muito provavelmente, ela chegará esta noite, e é possível, sim, é quase certo que eu a encontrarei em casa de Hertz, para onde deve imediatamente ir. Ela ficará emocionada, a maternal Sra. Hertz a tratará como se fôssemos noivos, e talvez o velho esteja consciente e se alegre por ver-nos reunidos. Quando ficar tarde, ela deverá voltar para casa. Acompanhá-la-ei evidentemente – será, por assim dizer, necessário – e tudo se passará como deve ser, naturalmente, tal como se jamais tivesse existido um Stephensen. Por duas vezes – à passagem do carteiro – fiquei inquieto; jamais apaixonado algum aguardou carta com maior impaciência do que eu naquele dia. Mas passavam-se as horas sem nenhum resultado e, após a última distribuição, senti uma espécie de alivio. O quarto estava completamente às escuras, e eu me preparava para ir à casa de Hertz. Súbito, entreabriram a porta: “Aqui está uma carta para o senhor” – disse a empregada, entregando-me um papel branco. O medo me imobilizou. Naquela hora? Não era possível! O envelope era muito grande e rijo, o que me tranqüilizou. Acendi um fósforo e dei um grito: era a letra de Minna! [...]. Trecho extraído da obra Minna (Delta, 1963), do dramaturgo e novelista dinamarquês Karl Gjellerup (1857-1919), Prêmio Nobel de Literatura de 1917.

À ELVIRA - Quando, comtigo a sós, as mãos unidas, / Tu, pensativa e muda; e eu, namorado, / Ás volupias do amor a alma entregando, / Deixo correr as horas fugidias; / Ou quando ás solidões de umbrosa selva / Comigo te arrebato; ou quando escuto / — Tão só eu, — teus ternissimos suspiros; / E de meus labios solto / Eternas juras de constancia eterna; / Ou quando, emfim, tua adorada fronte / Nos meus joelhos tremulos descansa, / E eu suspendo meus olhos em teus olhos, / Como ás folhas da rosa avida abelha; / Ai, quanta vez então dentro em meu peito / Vago terror penetra, como um raio! / Empallideço, tremo; / E no seio da gloria em que me exalto, / Lagrimas verto que a minha alma assombrão! / Tu, carinhosa e tremula, / Nos teus braços me cinges, — e assustada, / Interrogando em vão, comigo choras! / Que dôr secreta o coração te opprime? / Dizes tu, Vem, confia os teus pezares.... / Falla! eu abrandarei as penas tuas! / Falla! eu consolarei tua alma afflicta! / Vida do meu viver, não me interrogues! / Quando enlaçado em teus niveos braços / A confissão de amor te ouço, e levanto / Languidos olhos para ver teu rosto, / Mais ditoso mortal o céo não cobre! / Se eu tremo, é porque n'essas esquecidas / Afortunadas horas, / Não sei que voz do enleio me desperta, / E me persegue e lembra / Que a ventura co' o tempo se esvaece, / E o nosso amor é facho que se extingue! / De um lance, espavorida, / Minha alma vôa ás sombras do futuro, / E eu penso então: Ventura que se acaba / Um sonho vale apenas. Poema do escritor francês Alphonse de Lamartine (1790-1869).

PIGMALIÃO DE SHAW
Elisa (desafiando-o, sem opor resistência) – Pode estrangular-me! Não tem importância. Eu tinha a certeza de um dia você acabaria me batendo (ele larga-a, furioso por ter descido à violência, e recua tão precipitadamente que troça e cai sentado no canapé) – Ah! Ah! Agora sei lidar com você. Como fui boba! Deveria ter pensado nisso há mais tempo! Agora você já não poderá tirar o que me ensinou! E você mesmo afirmou que tenho ouvido melhor do que o seu! E depois eu sei ser amável com as pessoas, coisa que você não sabe. Ah! Ah! Professor Mascarenhas! Agora, eu já não me incomode nem isto com a sua brutalidade nem com o seu palavreado. Vou pôr um anuncio nos jornais dizendo que a famosa dama que você apresentou à alta sociedade não passa de uma florista de rua, e que essa florista ensinará a quem quiser tudo o que aprendeu com você! Tenho certeza de que dentro de pouco tempo estarei rica e independente! E dizer que durante meses e meses andei rastejando a seus pés, sofrendo injurias, humilhações, espezinhamentos, quando podia ter dito apenas isto para ficar no mesmo nível que você! Eu merecia apanhar por ter sido tão burra! [...] Elisa – Ah! Agora está todo mansinho porque já não tenho mais medo, porque posso perfeitamente passar sem a sua ajuda! [...].
Trecho do Ato V da comédia em cinco atos Pigmalião (1913), do dramaturgo, escritor e jornalista irlandês Bernard Shaw (1856-1950). Veja mais aqui e aqui.


Recepcionando o cantor, compositor e poeta Zé Ripe, o artista plástico e gráfico Jamilton Barbosa Correia e o radialista e compositor Atonmirio de Barros na Biblioteca Fenelon Barreto & muito mais na Agenda aqui.
&
Todo dia o primeiro passo, a poesia de Gilberto Mendonça Teles, a música de José Orlando Alves, a fotografia de David Ngo, Núbia Vítor de Souza, a arte de Lia Rodrigues & Belle Chere aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

sábado, junho 10, 2017

FALANDO DE AMOR, FROMM, GOETHE, EDITH WHARTON, DYLAN THOMAS, ALEXANDRA GORCZYNSKI & A VIDA, SERES & COISAS.

A VIDA, SERES & COISAS – Aciona o botão, tudo funciona! Contata-se: a engenhosidade humana é magnífica. Tudo começa com ideia, noites a fio, asas à imaginação, a forma, planos feitos e refeitos para corporificar o pensado, teoria e prática se complementam: quanto mais saber, melhor fazer, esse o riscado. Vai-se ao jeito, tira isso, bota aquilo, não deu certo, torna a ajeitar, recomeça, borrachas e riscos, remonta, aprimora, cálculos e conferências, enfim, na horagá, o toque e tudo pronto, a botada, expectativas misturadas aos ânimos e desânimos, cansaço, tudo às mil maravilhas. É hora da festa, chega dá gosto de ver, louros e aplausos, comemorações. E a vida prossegue. Um dia lá pras tantas, enguiça; não há de ser nada, reparos, ajustes, reposições, daí a pouco, tudo volta ao normal, alívio com o funcionamento. E a vida segue adiante. Desgastes, afolosamentos, lubrificações, novas reposições, consertos, adaptações, gambiarras, reajustes, engrenagens, ignições, interruptores, chaves e maçanetas, simulações, abordagens, controle, contagens, esperimentações, amostragens, a prova dos nove e a hora do vamos ver, o funcionamento dos relógios no tempo, a fiação elétrica, os motores pras ruas, águas e ares, a mimese da divindade. A vida segue, um dia pifa de vez e não mais, substituições e aumento do lixo: nada se perde e tudo se transforma, o tempo passa, a erosão do espaço, o reaproveitamento, do físico pro metafísico e vice-versa. Assim com os seres, as coisas. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

POEMA PARA LEA
quando a gente ama 
não reclama
da cama
do berço dos braços
do suor em bagaços
deitado
em cima da gente
quando a gente ama
a gente se sente
demente
& se faz descrente
do mundo inteiro
quando a gente ama
dançam na gente
garras de chama
& a boca gemente
de gozar se derrama
na gente-semente
na gente somente
quando a gente ama
Poema para Léa, música de Paulo Diniz sobre poema de Juareiz Correya, inserida no álbum Vamos que eu já vou (Emi-Odeon, 1977), de Wanderléa, com arranjos de Egberto Gismonti. O poema faz parte da obra Americanto amar América & outros poemas (Nordestal, 1975), de Juareiz Correya. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
A sexta é dia da deusa, da musa, rainha, poeta, mulher, a literatura de Goethe & Machado de Assis, O gozo fabuloso de Paulo Leminski, a música de Alexandra Stan, o Parque Barigui de Curitiba & a arte de Luciah Lopez aqui.

E mais:
Na volta da jurema, Arrowsmith de Sinclair Lewis, Confúcio & Alfred Doeblin, Semiologia & comunicação lingüística de Eric Buyssens, a música de Guinga, a pintura de Ida Zami, Quadrinhos & Laerte Coutinho aqui.
O espelho da alma humana de Machado de Assis aqui.
Brincarte do Nitolino, Espírito da liberdade de Erich Fromm, Corpo & tempo de Antonio Carlos Secchin, Rainha Margot de Alexandre Dumas, a música de João Gilberto, a arte de Bibi Ferreira & Judy Garland, o cinema de Jean Dréville & Isabelle Adjani, a pintura de Gustave Courbet & Welington Virgolino aqui.
Vamos aprumar a conversa, O mundo como vontade de representaçãod e Arthur Schopenhauer, A casa das belas adormecidas de Yasunari Kawabata, Ifigencia de Eurípedes, a música de Richard Strauss, Arteterapia de Selma Ciornai, Jardim das delícias de Geraldo Carneiro, a arte de Mae West, a escultura de Francisco Brennand, a ilustração de Jules Feiffer, a pintura de John Constable & Peter Paul Rubens aqui.
A entrega total dos namorados aqui.
Bloomsday, Ulysses & James Joyce aqui.
Da vida, meio a meio, Sobre o suicídio de Karl Marx, Canção do dia de sempre de Mário Quintana, A estrutura do todo de Andras Angyal, a música de Frescobaldi & Jody Pou, a fotografia de Mário Cravo Neto, a pintura de Mario Zanini & Arna Baartz aqui.
O poema nasce na solidão, Letters de Carl Gustav Jung, A psicologia educacional de David Ausubel, Manuscritos de Felipa de Adélia Prado, Salvador Dali, o cinema de Jean-Pierre Sinapi & Cristiana Reali, a música de Cynthia Makris, a pintura de Catherine Abel & a arte de Luciah Lopez aqui.
Andejo da noite e do dia, A cultura da educação de Jerome Bruner, A alegria de Giuseppe Ungaretti, O caminho interior de Graf Dürckheim, a música de Ricardo Tacuchian, a fotografia de Ana Carolina Fernandes, a coreografia de Célia Gouvêa, a pintura de Tess Gubrin & a arte de Kerry Lee aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

FALANDO DE AMOR
[...] O homem compreende o mundo, intelectual e emocionalmente, através do amor e através da razão. Seu poder de raciocínio habilita-o a penetrar a superfície e aprender a essência do seu objeto, relacionando-se diretamente com este. Seu poder de amor habilita-o a romper a muralha que o separa de outra pessoa e a compreender esta. Conquanto o amor e a razão sejam apenas duas formas diferentes de compreender o mundo e nenhuma delas possa existir sem a outra, elas são manifestações de poderes diferentes, o da emoção e o do pensamento [...].
Trecho da obra Análise do homem (Zahar, 1978), , do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980), veja mais aqui.

[...] Eu sinto que ela me ama!... ela me é sagrada. Todo desejo emudece em sua presença. Não sei o que sinto quando estou junto dela: é como se toda a minha alma estivesse subvertida. [...]
Trecho extraído da obra Werther (Abril, 1971), do poeta, filósofo e cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). Veja mais aqui e aqui.

[...] Ele a tinha em seus braços, seu rosto, como uma flor molhada para seus lábios. E todos os seus vãos temores se desfizeram como fantasmas ao amanhecer. O que o espantava agora era o fato de ter continuado a discutir com ela por cinco minutos, com todo o espaço da sala entre eles, quando teria bastado tocá-la para tornar tudo tão simples. [...].
Trecho extraído do livro A época da inocência (Companhia das Letras, 2013), da escritora e designer estadunidense Edith Wharton (1862-1937). Veja mais aqui.

Ainda que os amantes se percam / O amor persistirá / E a morte não terá nenhum domínio.
Poema do poeta inglês Dylan Thomas (1914-1953). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista multimídia Alexandra Gorczynski.
Veja mais aqui.

PROGRAMA TATARITARITATÁ
 

domingo, junho 12, 2016

NERUDA, EDITH PIAF, FROMM, SALOMÃO, ASENCIO, JULIA WATKIN, MICHELLE WILLIAMS, CORNELIS LE MAIR & FEMEN


O AMOR DOS NAMORADOS - (Imagem: Lovers, do artista plástico estadunidense Henry Asencio) – O primeiro presente: um beijo nos seus lábios ávidos de sempre a nos premiar com o sabor das paixões avassaladoras que arrebentam o tempo e todas as lonjuras inatingíveis, todos os níveis inacessíveis, todas as funduras mais profundas e todas as coisas impossíveis, a nos fazer raízes e sermos frutos na nossa criação e recriação de todos os dias e meses e anos e décadas e séculos e milênios, amém. E nos fizemos bocas sedentas repletas de entregas para nos sentirmos laureados com o segundo presente em nos tornarmos unos tantas vezes no abraço de mãos, braços e corpos envolvidos pela aura da mais densa devoção do amor e todos os seus matizes e onirismos e embalos e encalços e danças e fragrâncias e evoluções até sermos um no outro a parte que faltava na mais farta das conjunções de seres para o acasalamento da maravilha que é amar e ser amado por todos os poros, veias, interstícios, sinapses e abstrações na pletora dos antípodas. E nos saboreamos com o terceiro presente na horagá além do temporal que não se registra, do especial que não se mede nem se contém, de todas as coisas feitas de limites que sopram ubíquas e se transformam e transmudam e se trançam e transversalizam e se rompem soltos em todas as direções e desaguam além das cachoeiras, das corredeiras, pelos cursos de todas as direções para ser inundação além de todos os tsunamis juntos pelo chão, Terra, planetas, galáxias, imensidões. E usufruímos da felicidade que sobrepuja as dimensões concebíveis e transcendemos a imanência para sermos além da dimensão de nós dois até o infinito e em nossa plena realização, nos doamos um ao outro, carne, alma, sexo, para sermos eternos na nossa mais profunda comunhão de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui e aqui.

 Imagem: Lovers, da artista plástica Julia Watkins.

 Curtindo Hymne à l’amour (LIME, 1950), de Marguerite Monnot e da inesquecível cantora francêsa Edith Piaf (1915-1963). Veja mais aqui e aqui.

PESQUISA
O livro A arte de amar (The Art of Loving - Martins Fontes, 2000), do filósofo, sociólogo e psicanalista alemão Erich Fromm (1900-1980), é dividido em quatro capítulos nos quais o autor aborda sobre a temática nos mais diversos ângulos para apresentá-lo como uma arte que precisa ser aprendida: “Analisar a natureza do amor é descobrir sua geral ausência hoje em dia e criticar as condições sociais responsáveis por essa ausência. Veja mais aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
Cem sonetos de amor (L&PM, 2013), do poeta chileno e Prêmio Nobel de Literatura de 1971, Pablo Neruda (1904-1973). Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Ah! Beija-me com os beijos de tua boca! Porque os teus amores são mais deliciosos que o vinho, e suave é a fragrância de teus perfumes; o teu nome é como um perfume derramado: por isso amam-te as jovens. Arrasta-me após ti; corramos! [...] Exultaremos de alegria e de júbilo em ti. Tuas caricias nos inebriarão mais que o vinho. Quanta razão há de te amar!
Trecho da Introdução dos Cânticos dos Cânticos – Os mais belos dos Cânticos de Salomão – Bíblia Sagrada. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Blue Valentine (Namorados para sempre, 2010), escrito e dirigido por Derek Cianfrance e estrelado pela atriz Michelle Williams.

Veja mais sobre Por você no Dia dos Namorados da Crônica de amor por ela, Luce Fabbri, Ledo Ivo, Geraldo Azevedo, Luiz Berto, Anne Frank, Solveig Nordlund, Wellington Virgolino & Carmem Verônica aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nu, do artista plástico Cornelis le Mair.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
GINOCRACIA: foto das ativistas do Grupo Femen detidas durante protesto contra o primeiro ministro tunisiano, Ali Larayedh, diante da chancelaria em Berlim.
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.


MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...