Ao som dos álbuns Apimentada (2018) e Nossa Melhor Visão de Mundo (2023), da compositora, pianista e professora Deborah Levy, como parte de um olhar sensível ao processo da humanidade no momento difícil da pandemia, baseado numa visão holística da artista que provoca, por meio da música, a reflexão sobre uma nova visão de mundo. Ela é Bacharel em Música Popular Brasileira - Arranjo Musical na UNIRIO em 2005 e completou o Mestrado na mesma instituição em 2016, com a dissertação O Brazilian Jazz no eixo Rio-São Paulo na década de 1980.
Manguaba & o outro lado da
existência... - Lugaroutro,
mais um dia, nada demais, parecia. Não fosse a margem da lagoa o espetáculo, as
águas transbordariam por meus olhos, peito inchado além das vontades e fruindo
dos diferentes lugares e instantes dali. Na verdade, me sentia como se renascesse
em cada momento, do tamanho de tudo que via: o universo unânime e todas as
coisas imortais, o repertório da diversidade da causa primordial e na tarde
crepuscular o amanhecer do dia se realizasse imorredouro – e fechasse os olhos para
apreender o infinito, livre do que seria a morte e de qualquer lembrança. Dei-me
a oportunidade de reviver ali a estadia na Ilha do Sol, com os fios de ouro dos
dias estivais e a dançarina Dora de Cachoeiro do Itapemirim era Luz del Fuego, mãos e pernas no alvoroço da vida à flor d’água da Manguaba. Aquilo
durava pouco, mas deixava marcas perenes. Por certo não haveria aquela quarta-feira
de 19 de julho, muito menos a atroz vingança usurpando todas as margens de erro
e ela não teria sido violentada e, seu corpo amarrado pelas pedras, jamais
seria lançado ao mar para ser encontrado só dias depois. Jamais aconteceria e,
no lugar de sua dança, uma fonte milagrosa brotaria para lavar as heresias
civilizatórias e eu escaparia do presente inapreensível no simultâneo desconhecido,
das sucessões de golpes inquisitoriais, da direção das vãs incertezas: a vida não
se renderia coagida aos silêncios e olhares graves. As horas não seriam agora os
que já foram, nem me perderia vencido pela tentação dos fins sinistros da
vontade cega - quem à luz da razão enxergasse a hipocrisia e a loucura, o
sacrifício de sobreviver aos flagelos mais imprevisíveis, aos disfarces de altruísmo
pela dissonância cognitiva geral. Tudo era mais que impensável e poderia sorrir
jeito que fosse, até por teimosia, a provar do que melhor ou pior entre a
sabedoria e a insensatez. Quem perderia tempo, cada escolha não seria em
detrimento de outras alternativas disponíveis. Afinal, a ausência de erros não
confirmaria quaisquer acertos, porque até os clamorosos passavam, o difícil era
ter de superá-los e distingui-los entre hediondos e fúteis. Quem proscrito suspenso
no quase, emoções represadas, sentimentos rasurados, fronteiras borradas, teria
a coragem de enfrentar o que o cimento escondia, valendo-se de buracos nas
paredes e muros, sem que precisasse aquilatar do ínfimo ou sintomático, ou do
sucessivo na analogia do infiel. Viver é acordar dum sonho à beira do abismo. E
viva! Até mais ver.
Malika Oufkir: Cada dia é um milagre que me intoxica. Eu quero mais. Saúdo cada manhã como um novo prazer. E ainda assim estou profundamente ciente de todos os artifícios da vida... Veja mais aqui & aqui.
Han Kang:
Estou lutando sozinha, todos os dias. Luto com o inferno que sobrevivi.
Luto com o fato da minha própria humanidade. Luto com a ideia de que a morte é
a única maneira de escapar desse fato... Veja mais aqui
& aqui.
Camille Paglia: Regra da arte: a hipocrisia mata a
criatividade!... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
NENHUM OUTRO LUGAR PARA IR
Imagem: Acervo ArtLAM.
Apague as luzes. \ Use outra camada. \ (Parece um pai.) \ (Parece
uma mãe.) \ Você diz "de segunda mão". \ Eu digo retrô. \ Andar. \ Bicicleta.
\ Ande um pouco mais. \ Reciclar. \ (Veja o que eu fiz lá, \ bicicleta—reciclar?)
\ Seu nome em Sharpie \ em uma boa garrafa de água. \ Mochila. Novos hábitos. \
Não, obrigado, não preciso de uma bolsa. \ O que mais. \ Oh sim. \ Conte a dez amigos
\ quem pode contar a dez amigos \ quem pode contar a dez amigos... \ Faça
barulho suficiente, \ talvez os adultos \ finalmente ouvirão \ o grito no
título.
Poema da escritora estadunidense Linda Sue Park.
Veja mais aqui & aqui.
A VIDA & O VIVER
– [...] Viver todos os dias na presença daqueles que se recusam a
reconhecer sua humanidade exige muita coragem. [...] Você quer ver
um homem muito mau? Faça um homem comum ter sucesso além da imaginação. Vamos
ver o quão bom ele é quando pode fazer o que quiser. [...] A história
falhou conosco, mas não importa. [...] Ninguém é limpo. Viver te deixa
sujo. [...] O destino de uma mulher é sofrer. [...] A vida faz
você pagar...todo mundo paga alguma coisa [...]. Trechos
extraídos da obra Pachinko (Intrínseca,
2020), da escritora e jornalista coreana Min Jin Lee.
MINHA VIDA NA ESTRADA
- [...] Eu mesma chorava quando ficava
com raiva, então me tornei incapaz de explicar por que estava com raiva em primeiro
lugar. Mais tarde, eu descobriria que isso era endêmico entre seres humanos do
sexo feminino. A raiva é supostamente "não feminina", então a
reprimimos - até que ela transborde. Eu podia ver que não falar fazia minha mãe
se sentir pior. Esta foi minha primeira dica do truísmo de que a depressão é a
raiva voltada para dentro; portanto, as mulheres têm duas vezes mais
probabilidade de ficar deprimidas. Minha mãe pagou um alto preço por se
importar tanto, mas ser capaz de fazer tão pouco sobre isso. Dessa forma, ela
me levou a um lugar ativista onde ela mesma nunca poderia ir. [...] Às
vezes penso que a única divisão real em dois é entre as pessoas que dividem
tudo em dois e aquelas que não o fazem. [...] Quando os humanos são
classificados em vez de vinculados, todos perdem. [...] O riso é um
resgate [...]. Trechos extraídos da obra My Life on the Road (Random House, 2016), da escritora, jornalista e ativista
estadunidense Glória Steinem, que no prefácio da obra The
Vagina Monologues (Virago, 2001),
de Eve Ensler, expressou que: [...] Não é de se admirar que os
líderes religiosos masculinos digam com tanta frequência que os humanos
nasceram em pecado — porque nascemos de criaturas femininas. Somente obedecendo
às regras do patriarcado podemos renascer por meio dos homens. Não é de se
admirar que padres e ministros de saias borrifem fluido de parto de imitação
sobre nossas cabeças, nos dêem novos nomes e prometam o renascimento para a
vida eterna. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.
O DIÁRIO DE LADY TEMPESTADE
[...]
Deixou claro que só poderei engravidar se deixar de advogar. Meu estado
emocional perturba o metabolismo. É por demais cômico, luto pelos filhos dos
outros, entram em minha vida, amarguram-me a existência e ainda me privam de
ter filhos. [...] Em 1965, recebi um telefonema avisando-me que
havia uma ordem de prisão contra mim. Quando desliguei bateram na porta, era a
polícia. Abri e disse: vou me trocar. Sentaram-se na sala. No quarto fiz um
bilhete para Dona Pepe, mãe de Ivo Valença, coloquei-o numa garrafa, e desci
pela varanda recomendando meu filho recém-nascido. Tirei os lençóis do berço,
para evitar que meu bebê sufocasse. Fui mais uma vez conduzida para a
Secretaria de Segurança Pública. [...].
Trechos extraídos da obra Diários 1973-74 escritos por Mércia Albuquerque Ferreira (Potiguariana, 2023),
da advogada Mércia Albuquerque Ferreira (1934-2033), organizado por Roberto
Monte e conta que, em 1964, ao testemunhar a
tortura pública do líder Gregório Bezerra nas ruas do Recife, decidiu
dedicar-se à defesa de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985),
sendo reconhecida como a maior advogada nordestina de presos políticos, ao
atuar em aproximadamente 500 casos, defendendo indivíduos perseguidos pelo
regime militar. Por conta disso enfrentou riscos significativos e foi presa
diversas vezes. Após falecer seu acervo, composto por diários, cartas e
documentos jurídicos, foi doado ao Centro de Direitos Humanos e Memória Popular
(CDHMP), no Rio Grande do Norte. A obra inspirou o monólogo Lady Tempestade
(2024), solo da atriz Andréa Beltrão, dirigido por Yara Novaes e roteiro
da dramaturga Silvia Gomez, em cartaz no Teatro Poeira, São Paulo: Mércia
dizia que era uma contadora de histórias de pessoas que reconstruíram a
liberdade. Eu sou uma contadora de histórias. Eu acredito que contar histórias
é uma maneira amorosa de pensarmos juntos no nosso passado, nosso presente e
nosso futuro. Contar histórias amorosamente, para nunca esquecer. Para
tentarmos responder às perguntas que nos fazemos aqui e agora...
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