quarta-feira, maio 06, 2020

SAIDIYA HARTMAN, BENEDETTI, YASMINA KHADRA, IANSÃ, SHOSHANA ZUBOFF, VERA MANTERO & JANAINA GOMES


SOU APENAS – O dia é mais que auspicioso apesar de, ora nublado, ora ensolarado; é como se a manhã nos desse o prazer de ignorar o que há e o que está por vir. A surpresa vem sempre desastrosa e quase previsível com o reino das tecnologias só para quem tem e o meu povo às cabeçadas na fuga da quarentena enlouquecedora, o noticiário desanimador, as estatísticas assombrosas e o governante cada vez mais estúpido, como se inaugurasse o desmazelo e o faz de conta na nossa tragicômica história. Todos só querem dinheiro e felicidade urgente, não têm nada a ver com isso, os outros que fizeram a meleca de tudo e empestaram a sobrevivência empenhada no crediário e vão todos à merda, quem se importa. Eu que chore pelos que doem e não sabem, pelos que se matam e não sentem, pelos que desmandam e não estão nem aí. O susto é de hora em hora, quem quer lá saber. Quantos ainda não entenderam a pandemia nem nada do que já passou por décadas e séculos de impostura e arranjados, tontos e às cegas, as capitais soam fúnebres no trânsito louco, covas apressadas nas devastações e nem se sabe do que morreram tantos entre falsidade ideológica e subnotificação. O que há de imprevidência e omissão, todos os recordes. Vão-se os tempos e nenhum espaço é seguro, tudo pela e para a última hora da morte nos arredores da minha solidão. Ah, tem quem preste e quem não preste em todo canto, os achegados que comemorem. A vida não é só agora e o que passou, nunca se sabe, pouco importa. Não há o que perdoar nem motivo para o perdão que sequer se saiba. A cidade é o meu coração em polvorosa, o Sol é quente nas filas dos bancos, dos supermercados e das lotéricas. Sou apenas o olhar para sentir, nada mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O condicionamento em escala é essencial para a nova ciência do comportamento humano de engenharia maciça [...] Somente o indivíduo não pode arcar com o ônus da justiça, assim como um trabalhador individual nos primeiros anos do século XX poderia arcar com o ônus de lutar por salários justos e condições de trabalho […] Há um século, os trabalhadores organizados para ação coletiva e, finalmente, derrubaram a balança de poder [...] os 'usuários' de hoje terão que se mobilizar de novas maneiras. [...]. Trechos extraídos da obra The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power (PublicAffairs, 2018), da escritora e filósofa estadunidense e professora Ph.D. em Psicologia Social, Shoshana Zuboff, uma das primeiras mulheres a ser professora titular na Harvard Business School. A obra trata sobre a revolução digital, a evolução do capitalismo, o surgimento histórico da individualidade psicológica e as condições para o desenvolvimento humano, em que aborda sobre o capitalismo de vigilância, poder instrumentista, a divisão da aprendizagem na sociedade, economias de ação, os meios de modificação de comportamento, civilização da informação, computador trabalho mediado, a dialética automatizar/informar, a abstração do trabalho e a individualização do consumo, porpondo a descrição de uma civilização dominada pelo Vale do Silício e seu aparato de vigilância e a ideologia do instrumentarismo.

 

OUTROS DITOS

Cinco minutos são suficientes para sonhar uma vida inteira, tão relativo é o tempo... Toda vez que você se apaixonar, não explique nada a ninguém, deixe o amor invadir você sem entrar em detalhes... Você não deve prometer nada porque promessas são grilhões horríveis, e quando você se sente preso você tende a se libertar, e isso é fatal... Afinal, a morte é apenas um sintoma de que houve vida...

Pensamento do escritor e ensaísta uruguaio Mario Benedetti (1920-2009). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

PERDER A MÃE, DE SAIDIYA HARTMAN

[...] Se eu esperava me desviar da sensação de ser uma estrangeira no mundo ao vir para Gana, a decepção me esperava. E suspeitei disso muito antes de chegar lá. Ser uma estrangeira não se refere unicamente a familiaridade, pertencimento e exclusão, pois também envolve uma relação particular com o passado. Se o passado é outro país, então sou sua cidadã. Eu sou a relíquia de uma experiência que a maioria preferiu não lembrar, como se a pura vontade de esquecer pudesse resolver ou decidir a questão da história. Eu sou a lembrança de doze milhões que cruzaram o Atlântico e de que o passado ainda não acabou. Eu sou a prole dos cativos. Eu sou o vestígio dos mortos. E a história é como o mundo secular cuida dos mortos [...] Não se pode perguntar “Quem é Vênus?” porque seria impossível responder a essa pergunta. Há centenas de milhares de outras garotas que compartilham suas circunstâncias, e essas circunstâncias geraram poucas histórias. E as histórias que existem não são sobre elas, mas antes sobre a violência, o excesso, a falsidade e a razão que se apoderaram de suas vidas, transformaram-nas em mercadorias e cadáveres e identificaram-nas com nome lançados como insultos e piadas grosseiras. O arquivo, nesse caso, é uma sentença de morte, um túmulo, uma exibição do corpo violado, um inventário de propriedade, um tratado médico sobre gonorreia, umas poucas linhas sobre a vida de uma prostituta, um asterisco na grande narrativa da História [...]. O romance de resistência que fracassei em narrar e o evento de amor que me recusei a descrever levantam questões importantes sobre o que significa pensar historicamente sobre assuntos ainda contestados no presente e sobre a vida erradicada pelos protocolos de disciplinas intelectuais. O que é necessário para imaginar um estado livre ou para contar uma história impossível? [...] É preciso que o futuro da abolição seja performado primeira na folha de papel? Ao me afastar da história dessas duas garotas, será que eu estava sustentando as regras da corporação histórica e as “certezas fabricadas” de seus assassinos e, ao fazê-lo, eu não tina selado seu destino? Não tinha também relegado as duas ao esquecimento? No final das contas, foi melhor deixá-las como as encontrei? [...]

Trechos extraídos da obra Perder a mãe: uma jornada pela rota atlântica da escravidão (Bazar do Tempo, 2021), da escritora e professora estadunidense Saidiya Hartman.

 

O QUE O DIA DEVE A NOITE, DE YASMINA KHADRA

[...] A vida é um trem que não para em nenhuma estação; ou você salta para longe ou fica parado na plataforma observando-o passar. [...] Aquele que perde a mais bela história de sua vida será tão velho quanto seus arrependimentos e todos os suspiros do mundo não serão capazes de acalmar sua alma. [...] Para um homem pensar que pode cumprir seu destino sem uma mulher é um mal-entendido, um erro de cálculo; é imprudente e tolo. Certamente uma mulher não é tudo, mas tudo depende dela. [...] Se você quer que sua vida seja uma pequena parte da eternidade, que seja lúcido mesmo no coração da loucura, ame... Ame com todas as suas forças, ame como se fosse tudo o que você sabe fazer, ame o suficiente para deixar os próprios deuses com ciúmes... pois é no amor que toda feiura revela sua beleza. [...].

Trechos extraídos da obra What the Day Owes the Night (Vintage, 2011), do escritor argelino Yasmina Khadra (Mohammed Moulessehoul). Veja mais aqui.

 

IANSÃ - DO SOPRO, A TEMPESTADE
[...] O sopro forte de Iansã muitas vezes derrubava árvores, arrancava o teto de palha das casas, levantava redemoinhos, provocava chuva e até destruía plantações. Com a chuva chegavam os raios, anunciados pelas trovoadas. O povo teve muito medo desse novo fenômeno e deu-lhe o nome de tempestade. Até hoje, quando o céu escurece durante o dia, e os trovões anunciam o fogo do raio, homens e mulheres pedem proteção a Iansã. [...].
IANSÃ - DO SOPRO, A TEMPESTADE - Trecho extraído da obra Contos e lendas afro-brasileiros: a criação do mundo (Companhia das Letras, 2007), de Reginaldo Prandi. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Para mim a dança não é um dado adquirido. Acredito que quanto menos o adquirir mais próxima estarei dela. Uso a dança e o trabalho performativo para perceber aquilo que necessito de perceber. Deixei de ver sentido num performer especializado numa disciplina (um bailarino ou um ator ou um cantor ou um músico) e passei a ver sentido num performer especializado no todo. A vida é um fenômeno terrivelmente complicado e rico e vejo o trabalho que faço como uma luta contínua contra o empobrecimento do espírito, o meu e o dos outros, luta que considero essencial agora e sempre.
VERA MANTERO - A arte da premiada bailarina e coreografa portuguesa Vera Mantero, que tem se apresentado em palcos da Europa, Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura. Entre os seus trabalhos, destacam-se os solos Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois (1991), Olympia (1993), uma misteriosa Coisa, disse o e.e.cummings (1996), O que podemos dizer do Pierre (2011), Os Serrenhos do Caldeirão, exercícios em antropologia ficcional (2012) e Pão Rico (2017), entre outros. Entre os anos 2013/2014 criou as instalações performativas Oferecem-se Sombras e Mais Pra Menos Que Pra Mais. Veja mais aqui e aqui. E mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Atriz que se descobriu bailarina, desabrochou professora, tornou-se mãe e hoje sonha com os pés no chão. Comecei a fazer teatro aos 12 anos e dança aos 16, mas esse tema não havia passado pela minha cabeça. Essa conscientização é algo mais recente. Venho de uma família onde esse debate é muito velado e eu tinha vergonha de dizer que era da favela. Despertei esse olhar diferente ao fazer mestrado e me questionar por que não havia autores negros na minha dissertação. A partir daí, tive uma necessidade voraz de falar sobre isso e entender o quanto de violência passei.
A arte da bailarina e atriz Janaina Gomes, que idealizou a performance Como manter-se preta e viva, fundou o Coletivo Cênico Tenda Vermelha e integra o Carne – Coletivo de Arte Negra e edita os blogs BailarinaJana e 5MinutosPorDia.
Tempo dos Flamengos: influência da ocupação holandesa na vida e na cultura do norte do Brasil, do advogado e historiador José Antonio Gonsalves de Mello (1916-2002) aqui
Contos populares brasileiros: Pernambuco, organizado por Roberto Benjamin aqui.
A arte da artista visual Maria Rosa Nunes aqui.
A música do álbum Paleolítica humana (Independente, 2015), do cantor, compositor e músico Nado Rodrigues aqui.
A arte da dançarina, cantora e compositora Lia de Itamaracá (Maria Madalena Correia do Nascimento) aqui.
&
A noite do Recife aqui.


terça-feira, maio 05, 2020

MERYL STREEP, NELLIE BLY, KATHARINA HEISE, PATRÍCIA FRANÇA & FECAMEPA


O FECAMEPA ENTRE EMPERRO & MÁ-VONTADE - OS ZÉS NA FILA DOS 600 DO COISO - Pitoco também é Zé e feliz, pelo menos é o que ele diz, o primeiro da fila. Atrás dele uma multidão. Ele esperava desde ontem de tarde ali, montando guarda, abrir a porta e saber se podia pegar o que lhe era devido. Ele, como outros tantos Zés, o Imperador, Cravo, Bestão, Corninho, Bilola, Bunito, Dinaldo, Gogo, Fulano, muitos anônimos da silva e todos Josés da mesma sina. Afora Marias e desconhecidos Joões e Manoés de serão, em cima da ocasião. Ali os pariceiros, longe um do outro, alguns de máscara e outros nem tanto, peiticavam tirando onda, maior mangação: cara dum cu de outro. Todos esperavam sua vez de ser atendido e, depois, correr para o caixa automático e sacar o auxílio emergencial prometido. Parecia festa. Com a demora, as insatisfações. Como é mesmo, hem? Essa grana sai ou não sai? Rapaz, já me cadastrei e ainda está em análise. Eu mesmo quero saber direito por que ainda não recebi! Eu vim para me cadastrar. Oxe, não é aqui não, besta. Pronto. Eu já dei três viagens aqui e arrastei a mala, quero só ver hoje! Tu és um pé-frio desgraçado! Sou não. É. Agora deu. DORO EMBANANA TUDO – O Doro não era um Zé de nome, mas como se fosse mais um na vida. Lá no rabinho da fila, gritou patacoadas botando os outros da laia que estavam mais adiante. Era gente como a praga. Doro conferiu: Pelo jeito num chegará hoje a minha vez. Armou da sua: Tossiu uma, duas vezes; todo mundo virou-se pra ele, fez que não viu. Espirrou escandalosamente. Pronto, lugar mais limpo. Sabia que seria providencial e rumou para o interior do estabelecimento. Lá dentro, entupido. Deu outra espirrada. Quase foi levado porta afora no meio da correria. Ao se aproximar do caixa automático, chega a polícia mascarada, apontaram para ele: É aquele ali. Foi arrastado pelo cós da calça: atentado à saúde pública. Motivo? Uns três morreram do coração, duas mulheres tiveram um troço e um incontável número de pessoas que ainda passavam mal do lado de fora. Três dias depois ele passava. E aí, Doro, recebeu? Agora, só para o ano. ZÉ PEIUDO SE APROVEITAVA DA SITUAÇÃO – Tudo restabelecido, organizado. Zunzunzum. O que esse cara está fazendo por aqui? Oxe, Zé Peiúdo aproveitava e prometia disso e daquilo para todos. Não escondia sua ganância anunciando um queima brabo nos estoques que todos sabiam mais que cediço, ora, ora. Quem não sabia do seu pano de amostra é que caía na esparrela. Lá ia ele no maior papo furado, engalobando e furando a fila. Aos apupos, conseguiu chegar ao caixa e ao inserir o cartão o sistema saiu do ar. Teve gente que ficou ali plantado mais de três horas e nada. Via-se na face fechada de todos que restava apenas uma revolta incontida no peito de cada um. Só amanhã no Fecamepa. E eu também, até. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: O que, exceto a tortura, poderia gerar insanidade mais rápido do que este tratamento? Aqui uma classe de mulheres foi enviada para ser curada. Gostaria que os médicos especialistas, que me condenaram por minhas ações, que provaram suas habilidades, que peguem mulheres perfeitamente saudáveis e sãs, que calem suas bocas e as façam sentar das seis da manhã às 8 da noite em bancos duros, que não deixem que elas falem ou se movam durante essas horas, sem dar-lhes nada para ler ou conhecimento sobre o mundo lá fora, dando-lhes comida de péssima qualidade e um tratamento brutal, e vejam quanto tempo levará para que elas se tornem loucas. Dois meses as destruiriam mental e fisicamente. Pensamento da jornalista, inventora, escritora e voluntária estadunidense Nellie Bly (pseudônimo de Elizabeth Cochran Seaman – 1864-1922), que foi a pioneira nas reportagens investigativas, fingindo insanidades para estudar uma instituição para tratamento de doentes mentais. É autora do livro Ten Days in a Mad-House (1877), baseado em artigos escritos por ela e publicados pelo New York World, que inspirou o filme Fuga do hospício: A história de Nellie Bly (2015), dirigido por Timothy Hines e estrelado por Caroline Barry no papel título. Outra versão cinematográfica, Escaping the Madhouse: The Nellie Bly story (2019), estrelado por Christina Ricci e dirigido por Karen Moncrieff. A versão teatral, Ten Days in a Mad-House (2018), foi escrita por Tony Bezner. Ela também viajou por 72 dias simulando a ficção de Júlio Verne: Eu quero dar a volta ao mundo em 80 dias ou menos. Eu acho que posso vencer o recorde de Phileas Fogg. Posso tentar? Durante toda sua vida foi marcada por brigas com homens para provar a sua capacidade. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

MERYL STREEP
O desrespeito estimula o desrespeito. A violência incita a violência. E, quando os poderosos usam sua posição para intimidar os outros, todos nós perdemos.
MERYL STREEP - A arte da premiadíssima atriz estadunidense, Meryl Streep, que estreou profissionalmente na peça teatral Trelawny of the Wells (1975), no Vassar Drama Department, e na televisão no telefilme The Deadliest Season (1977). Estreou no cinema com o filme Julia (1978) e, em seguida atuou no Kramer vs. Kramer (1979) seguidos de tantos outros de sua grandiosa carreira. Ela ganhou o Oscar por três vezes, acumulando 8 Globo de Ouro, 3 Emmys, 2 Screen Actors Guild Awards, melhor atriz no Festival de Cannes e de Berlim, 5 New York Films Critics Circle Award, 2 BAFTA, dois Australian Film Institut Award, entre outros prêmios. Ao longo de sua carreira lançou dez álbuns com as trilhas sonoras de filmes ou com músicas para crianças, afora 17 audiobooks de clássicos da literatura. Apoia instituições como o Centro para Saúde e o Meio Ambiente Global, da Harvard Medical Scholl, o Scenic Hudson, a Coalizão pela Saúde Infantil, o Equality Now, o National Women's History Museum, o The Public Theatre, e a grife Gucci que encampa campanhas para empoderamento das mulheres em todo planeta. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da escultora e ilustradora alemã Katharina Heise (1891-1964), que durante a tomada do poder nazista, sua arte foi declarada degenerada e banida de museus, sendo que grande parte de sua arte pública foi destruída. Ela também foi proibida de participar de exposições ou de comissões. Depois que seu estúdio foi destruído por um bombardeio aliado, ela voltou para a casa dos pais em Bad Salzelmen e continuou trabalhando isoladamente. Imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, ela criou obras comemorativas das vítimas do fascismo, incluindo um busto de Anne Frank. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
O que eu sei é que o cinema pernambucano é um dos melhores do mundo. Tenho muito orgulho. Mas ninguém me chama. Não sei o que é. Acho que foi uma praga da Bruxa da Branca de Neve (risos). Nunca me chamaram nem para a Paixão de Cristo, que convida atores do Rio de Janeiro, figuras importantes, mas nunca me chamaram. Mágoas à parte, destacaria que temos muita cultura. Preciso entender que tenho o rosto e o corpo de uma mulher de 40 e poucos anos. Mas ainda fico muito bolada. Acho cruel olhar para mim mesma e me ouvir. Falo para quem está do lado: “Olha o meu pescoço, cheio de ossinhos!”, “Veja só: um lado está maior que o outro” (risos).
A arte da premiada atriz Patrícia França, que começou sua carreira no teatro ainda criança, levando a uma duradoura carreira no cinema e na televisão.
Maxambimbas e maracatus, do jornalista, escritor e professor Mario Sette (1886-1950) aqui.
A música do premiado cantor, compositor, arranjador, instrumentista, poeta e professor Armando Lôbo aqui.
A literatura da escritora Lourdes Sarmento aqui.
A arte da poeta, ilustradora, fotógrafa e designer Ayssa Bastos aqui.
Artistas de Pernambuco aqui.
A mora de ferro aqui.


segunda-feira, maio 04, 2020

AMOS OZ, ESTHER SCLIAR, KATE DECICCIO, MARIE CARANGI & SOFIA FREIRE


AGORA SIM: O CENTRÃO DO FECAMEPA, ALEA JACTA EST - Gente, estamos na maior enrascada! Das duas, uma: a de enfrentar a pandemia; a outra, a praga do Coisonário com seus fanáticos e Centrão! Da primeira peste, já estamos careca de saber; a segunda, de ruim de engolir de tão indigesta, agora com a quase secular reunião daqueles que jogam conforme a grana e os cargos apareçam. É assim que o Centrão joga e somos tão enganados com seu modo de agir e lábia, que de eleição em voto, gente sempre cai na esparrela de elegê-los para o Congresso Nacional, junto com outras trepeças igualmente venenosas nos estados e municípios. Não se trata dos hoje lendários da gangue do açougueiro Dick Turpin, nem a trupe Quantrill do Jesse & Frank James, muito menos os fora-da-lei Billy the Kid, Butch Cassidy, Sundance Kid, John Dillinger, dos românticos Bonnie & Clyde, ou de Ali Baba e seus quarentas ladrões – esses estão hoje supostamente no reino da ficção, mas foram de carne e osso para aflição das vítimas. Sim, não só feito esses e muito mais peçonhentos, até mais que aqueles arrolados na História Universal da Infâmia de Borges. São todos igualmente Inimigos nº 1, facínoras e filhotes dos Anões do Orçamento - quem lembra? -, porqueiras de gente fraudadores dos recursos orçamentários públicos, e que compõem a visível mão invisível com o Baixo Clero – do qual o Coiso fazia (!?!) parte com os filhotes do Biu e, posteriormente, comandados pelo Cunha, lembra? -, movidos por interesses pessoais ou provincianos, ou os dois ao mesmo tempo para o umbigocentrismo – essa a forma de participarem do processo político no Parlamento. Compõem estes os nanicos partidos como Prog-PêPê, Êmedêbê, Pêeseedêbê, Dêm-o (Arena, PêDêesse), Pêtêbê, Pêele, Rep-RR. Pêbê, Pêpê, Pêpêtês, Rep-USA, Solidês & outros Pum, Ploft e PQP da moléstia desgracenta, as pragas com suas alicantinas deliquescentes que compram os votos & fisiologicamente imoderados pelo compadrio dos seus, se acham donos da vida de toda população brasileira. Para eles o Coisonário aparece com o anel duplo de Giges e Polícatres, e como não há mais juízes em Berlim, lascou! Todos amarram o burro à vontade do dono, quer dizer, o próprio com os seus exemplos de irresponsabilidade sem rebuço, ou seja, além da queda, coice – deles e de quem vota neles, né? Melhor dizendo, do Fiuza até agora todos tomam no centro do cu! Valha-nos! Se manobras sobram, agora também subnotificações que não só ocultam cadáveres como quem está vivinho da silva – eles são peritos em fazer desaparecer o que querem e jogar à tona o que ninguém quer. Como a gente tem a vocação clorótica pseudopatafísica de eleger e reeleger coisas do tipo, vamos levando nas coxas um país de mal-educados e insensíveis que vão para frente do Planalto gritar contra o que nem sabem e defender a desmoralização da nossa ainda lerda democracia do Fecamepa: Amende honorabile in figuris. Vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Os fatos têm a tendência de obscurecer a verdade. Precisamos de um senso de justiça, mas precisamos também de senso comum, de imaginação, de uma capacidade profunda de imaginar o outro, às vezes de nos colocarmos na pele do outro. Precisamos da capacidade racional de nos comprometer e, às vezes, de fazer sacrifícios e concessões. Toda a boa literatura nos transforma em homens e mulheres de outras culturas, de outros países, de diferentes religiões, diferentes tempos e nos faz sentir em casa em lugares muito distantes. É esse o milagre e a magia da literatura. A única maneira de manter uma fantasia intacta é não vivê-la. Agora acredito que todas as jornadas são ridículas: a única da qual você não volta sempre de mãos vazias é a jornada interior. Nunca lutaria por supostos interesses nacionalistas. Mas lutaria e luto como um diabo pela vida e pela liberdade. Por nada mais. Pensamento do premiado escritor e pacifista israelense Amos Oz (pseudônimo de Amos Klausner – 1939-2018), que foi cofundador do movimento pacifista Paz Agora. Veja mais aqui & aqui.

A MÚSICA DE ESTHER SCLIAR
Não devemos fazer uma música estritamente nacionalista, o que já foi feito. Até então a nossa música tem se inspirado no folclore, revestindo-o somente harmonicamente, permanecendo o espírito da música o mesmo. Não se tem utilizado as grandes formas (Sonatas, Sinfonias, Suítes...) o que seria de ótimo aproveitamento para a dramatização da mesma, formando um caráter universal dentro do espírito brasileiro.
ESTHER SCLIAR - A música da pianista, musicóloga, maestrina, professora e compositora Esther Scliar (1926-1978), que lecionou teoria musical, percepção, análise, morfologia e didática do ensino musical nos seminários de música Pró Arte do Rio de Janeiro, onde passou a ser coordenadora das matérias teóricas, atividade que desenvolveu até 1976. Sobre sua obra e vida, encontra-se à disposição a dissertação de mestrado Esther Scliar- um olhar perceptivo (EdUSP, 2002), de Aída Machado, e o artigo A sonata para piano de Esther Scliar (1926-1978): linguagem harmônica e esquema formal, de Joana Cunha de Holanda e Cristina Capparelli Gerling. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Meu trabalho é motivado por meus interesses em contar histórias autênticas, construir uma comunidade e o poder de contrariar narrativas. Eu acho que fazer arte em nome da desconstrução do complexo industrial prisional é uma das melhores coisas que podemos fazer para curar nossas comunidades. Abordo a educação artística para os jovens como uma ferramenta para lidar melhor com a autoestima, desenvolver a confiança e a conexão.
KATE DECICCIO – A arte da educadora, artista e ativista estadunidense Kate DeCiccio. Veja mais aqui.
&
A ARTE DE MARIE CARANGI
A arte da artista visual e ilustradora Marie Carangi, que é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UFPE, trabalha misturando camadas de textura em movimento, corpo e som através da intersecção entre a performance, o vídeo, a fotografia, a arte sonora e o objeto. É criadora da Teta Lírica & Teta Single e do Corte Estilo Guilhotina, participando de exposições coletivas e mostras de performance no Brasil e no exterior. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Sou feminista, assim como minha mãe e minha irmã, mas o disco não tem o apelo panfletário. Ele traz um significado ao falar desse redescobrimento do feminino e dar voz a essas cinco autoras. Tentei colocar a presença feminina na produção. Quando comecei a trabalhar com música, percebi a ausência das mulheres, sem destaque na produção e técnica e até na literatura. Tentei trazer elas para junto, pois juntas fazemos a força. Não tenho a mínima ideia de como definir a música que eu faço.
A arte da pianista, cantora e compositora, Sofia Freire, autora dos álbuns Garimpo (2015) e Romã (2017).
A arte do escultor, pintor, ceramista e gravurista Abelardo da Hora (1924-2014) aqui, aqui & aqui.
O fim do nordeste e outros mitos, do filósofo Michel Zaidan Filho aqui.
Tempo de Pernambuco – ensaios críticos, do advogado, crítico literário, tradutor e escritor Oscar Mendes (1902-1983) aqui e aqui.
A poesia de Janice Japiassu aqui.
A música do pianista e compositor Vitor Araújo aqui.
A arte de Sandro Maciel aqui.
A obra do cineasta Simião Martiniano (1932-2015) aqui.
As abusões da mata de Xareta aqui.


sexta-feira, maio 01, 2020

MIKE DAVIS, GEORGIA O'KEEFFE, ROA BASTOS, FERNANDA FATURETO, HELENA ROCIO JANEIRO & FERNANDA LIMÃO


A VIDA É LINDA, MESMO COM OS QUE QUEREM TORNÁ-LA DOLOROSA PARATODOS – UMA: DIÁRIO DE QUARENTENA – Não estou no topo do monte, Caetano, linda canção na inesquecível voz de Nina e Bethânia. Estou no pico da pandemia e choro o mundo de Pasolini. A dor é grande, a corrupção é maior, desgraça o meu país com seus tentáculos planetários, por farsantes lava que não passam de vaza-jatos de indignação, enquanto o energúmeno debocha dos mortos, enfermos e desvalidos do meu coração Brasil. A esta altura, Delacroix dá o tom da miséria: O homem é um animal sociável que detesta os seus semelhantes. Desaprendo da vida e da arte, como se não houvesse quase alternativa além do choro e consternação, quando ele pondera: Primeiro aprenda a ser um artesão. Isso não impedirá você de ser um gênio. O segredo para não ter tédio, pelo menos para mim, é ter ideias. A adversidade restitui aos homens todas as virtudes que a prosperidade lhes tira. E quase não há outra forma de viver, a não ser entoando a lacrimejante Nênia de abril. DUAS: E DAÍ? – Prestes aos sessenta, eu tinha que viver para ver a ascensão de um aloprado Coiso indiferente a um flagelo planetário sem precedentes, promovendo a massificação da morte. E o pior: ver muitos que apoiam o traste inepto e outros tantos hesitantes – tirando o cu da reta e empurrando pro outro num toma lá que não sou o culpado, como se fosse uma batata quente no colo da covardia dos medrosos – e ninguém dá um basta nisso, todos coniventes em todos os Poderes da República, lenientes, intimidados. Estou indignado, envergonhado, decepcionado, recitando uns versos de Jorge de Lima: ...há as naus que não chegam mesmo sem ter naufragado: não porque nunca tivessem quem as guiasse no mar ou não tivessem velame ou leme ou âncora ou vento ou porque se embebedassem ou rotas se despregassem, mas simplesmente porque já estavam podres no tronco da árvore de que as tiraram. É revoltante, parece mais que o que falta aos brasileiros é humanidade! TRÊS: VENTOS DE MAIO - Não sei o que vai ser de todos nós amanhã, a esperança é uma tênue asa perdida ao sabor dos ventos, o olhar absorto, a vida por um triz. Quem sabe, não sei, tudo chegue a bom termo num futuro ainda imprevisível, restarão a saudade dos que sucumbiram nos estardalhaços do horror. A mim resta cantarolar com Milton Nascimento: Sol, girassol, e meus olhos ardendo de tanto cigarro. Quase que eu esqueci que o tempo não para, nem vai esperar. Vento de maio, rainha dos raios de Sol, vai no teu pique, estrela cadente, até nunca mais. Não te maltrates, nem tentes voltar ao que não tem mais vez. Não lembro teu nome, nem sei, estrela qualquer lá no fundo do mar... e a saliva é o sangue com o coração na mão saindo pela boca, como se fosse pela última vez. Não sei. Vou ali tomar uma carburando a dor de todos e até segunda-feira. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Há uma explicação alternativa da medicina social para entender a propagação das pragas: os determinantes socioeconômicos das epidemias são a pobreza, a aglomeração, a falta de saneamento e de medicamentos. Agora, toda a infraestrutura internacional de detecção de doenças e a resposta internacional coordenada caiu por terra. A OMS praticamente desmoronou. Hoje, tem um papel absolutamente marginal. Nunca foi financiada adequadamente. Grandes países como os Estados Unidos jamais cumpriram com as contribuições que disseram que fariam. A OMS precisou recorrer aos filantropos e grupos de pressão dos países mais poderosos. Em conjunto, estes setores proporcionam cerca de 80% de seu orçamento. A instituição se viu obrigada a suplicar aos Estados Unidos, China e a certos filantropos que não sabem o que fazer com o seu dinheiro. Isto se tornou evidente nos últimos três ou quatro meses. [...] Os principais países capitalistas acreditam que podem proteger o comércio mundial, com vacinas e alguma nova forma de organização internacional da saúde. Mas não demonstram nenhum interesse em solucionar o grande tema que preocupa a medicina social: a miséria e a pobreza em escala mundial. Estarão as vacinas disponíveis para as populações da África e o sul da Ásia? É muito difícil que o capitalismo, com o seu DNA que é apenas lucro, faça chegar com rapidez a vacina (se conseguir desenvolvê-la) aos pobres e condenados da terra. [...] De fato, o que o capitalismo global fará é aprofundar ainda mais o abismo entre as duas humanidades. É claro, isso também é certo dentro de muitos países capitalistas do “primeiro mundo”, onde a doença ataca de preferência as vítimas do racismo e pobreza. [...] Neste momento, ao menos nos Estados Unidos, existe uma oportunidade extraordinária para avançar em um programa progressista, que parte da atenção à saúde como um direito humano e uma cobertura universal. Também chegou o momento de lutar por demandas essencialmente socialistas, como a nacionalização das grandes farmacêuticas e de outros serviços básicos para a sobrevivência. [...]. Trechos do artigo O capitalismo em uma era de pragas e catástrofes (Observatório de la crisis/Revista IHU, 28/04/2020), do historiador e sociólogo estadunidense Mike Davis. Veja mais aqui e aqui.

A POESIA DE AUGUSTO ROA BASTOS
DA MESMA CARNE - Deixei ao poente / a franja tutela da cigarra; / um povo como uma árvore ardente / madeira / que em minha caixa óssea e de memória / constrói sua guitarra / dolente / no mais vivo de minha escória. / O peito perfurado / deixa ver o pulsar / tateando as paredes / do lado mais acordado e desvalido. / (Resista, se podes) / O tronco empajezado /cresce todas as noites no vale; / geme e se desespera / quando pressente meus passos / sobre o distante asfalto da rua / em que vivo. / Obstinadamente / treme em voz alta em todos os meus pedaços. / Contendo a respiração / escuto-o entre o rumor das machadadas. / (Nenhuma pausa sequer) / Sua queixa é tão forte / que me ilumina a face / e me escurece o pensamento; / tão fino o tremor que nos separa / e esta parede silvestre tão ligeira, / que um pulsar sangrento / põe de pé minha vida a cada golpe / que destrói, longe, sua madeira.
PARA VOCÊ, FECUNDA ... – Eu / Eu feri sua estrela na água, / e um verão me domina nos seus mamilos, / suas coxas e filhos / flor e flor, estrondo de sua saia, / isso enigmas meu sangue com músicas. II - Você, minha água do verão, / você se afunda com raiva, enlouquecido, / vespa branca querida / de ancas como jacinto... Oh rio / que você já cheira a despedida! III - Longa estria, dói. / Cárie cheia de canudos e sons / meu coração dói. / Cárie de tempo. E você, que já me cheira / uma noite densa quando os ninhos amadurecem... IV - Seu verão se foi / com seus rebanhos densos. Na tarde / meu orgulho se deita / gasto e puro no frio puro / que sua beleza concebida queima...
AUGUSTO ROA BASTOS - Poemas do premiado escritor paraguaio Augusto Roa Bastos (1917-2005), conhecido também por seus ensaios, roteiros e romances. Veja mais aqui.
&
QUATRO POEMAS DE FERNANDA FATURETO
CASA - Ela, / sobreviver à casa - / era seu nome. / A casa vazia, / retornar aos irmãos que morreram. / Comunicar-se com eles - / todos em diferentes ângulos, / na casa. / Seres anônimos no mundo, / de onde vem e vão. / O esquecimento torna-se geografia / E os seres dos rios se confundem com barro, / cultivando o lugar do nascimento. / Lá brotariam dos arrozais / à espera / de um nome. / Cultivando o lugar do nascimento, / o lugar da terra: / ali podem ser.
RECITAL - Um dia em que não haverá a palavra exata. / O momento chega, em silêncio / Com a noite fresca de inverno / No interior / Da paisagem. / O dia em que a escuridão brilha. / Com feixes de luz / E solicita ao silêncio - uma trégua. / O riso à mesa, / o acaso como traço de um momento / Presente. / Mesmo ato em que, por léguas, / O encontro se fez. / Do Russo, entendo a culpa e o castigo. / Talvez faísca que se entrega / No olhar que se fixa. / Encontro e despedida: entre o instante, / a duração do presente / Como música.
SENHORAS OBSCENAS - Macondo existia só no papel / Seus leitores visitavam a região / Acordados. / Amparados pela fantasia ao dobrar mais uma página, / A ilha destinada aos solitários. / Cada palavra esquecida soletrada renasce – / O poeta já disse que o verbo delira. / Reordena-se o mundo: / Um local seco e árido habitado por sonhadores.
SEM TÍTULO - Escrever é sempre parte de um movimento maior, à deriva de imagens e palavras que nos acompanham como amuleto e espera – partida para um lugar remoto do inconsciente onde reina o sonho e a metáfora (local sagrado e indecifrável) que só pode ser lido em seu contexto do poema quando este deixa o imaginário de quem escreve para a página. Cada escritor tem sua partitura particular, transcrever esse local – materializa-lo – é tarefa de cada um que escreve. Como num ensaio de queda e redenção. O poema como resistência de quem o pensa e sente.
FERNANDA FATURETO - Poemas da escritora e jornalista Fernanda Fatureto, autora das obras Ensaios para a queda (Penalux, 2017) e Intimidade inconfessável (Patuá, 2014), com trabalhos publicados em diversas revistas brasileiras, portuguesas, espanholas e mexicanas, afora participar de diversas publicações, como do Caderno de Prosa e Poesia Subversa 2 (2019); das antologias Damas entre Verdes (2018); 29 de Abril: o verso da violência (2015); Senhoras Obscenas (2016) e Subversa 2 (2016). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A visão de outra pessoa nunca será tão boa quanto a sua própria visão de si mesmo. Viva e morra com isso, porque no final é tudo que você tem. Perca e você se perderá e tudo mais. Eu deveria ter me escutado.
GEORGIA O'KEEFFE - A arte da artista estadunidense Georgia O'Keeffe (1887-1986). Veja mais aqui & aqui. E mais aqui.
&
A ARTE DE HELENA ROCIO JANEIRO
Gosto muito da ideia de imaginar que o meu trabalho possa ter alguma coisa de poético, no sentido da poesia mais vasto, e realmente quando eu digo… Eu acho que o mundo seria muito melhor se houvesse mais poesia. E a poesia também é toda visual. São coisas bonitas. São coisas que chamam, de certa forma, a atenção à tua sensibilidade. É um bocadinho a minha maneira de ver a poesia. Uma forma imaginária de fazer com que a realidade possa ser um bocadinho mais forte. Também há coisas poéticas que são extremamente tristes, deprimentes, mas, de qualquer forma, é sempre uma exaltação do sentido, de um sentimento.
HELENA ROCIO JANEIRO - Trecho da entrevista concedida pela artista portuguesa Helena Rocio Janeiro, extraída da dissertação de mestrado Paredes do Porto: Um estudo taxonômico sobre as frases de Porto Alegre e do Porto (Porto, 2019), de Rafael Druzian de Castro. Ela cursou Artes Plásticas na ESAP e edita o blog Coração o Ditador. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Sou uma mulher incompleta / Por onde passo fica um pedaço meu / Em cada abraço, em cada passo, eu!
A arte da poeta, professora e produtora cultural, Fernanda Limão, que trabalha com intervenções literárias em diversos formatos, utilizando várias formas e espaços para disseminar sua poesia já publicada em diversas antologias brasileiras.
Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 1983), do sociólogo e pedagogo Paulo Freire (1921-1997) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A música de Claudionor Germano aqui.
Lampião, Virgulino Ferreira da Silva (1897-1938) aqui, aqui & aqui.
Cartilha do Cantador, de Aleixo Leite Filho aqui & aqui.
&
História Tataritaritatá aqui.


ANNE CARSON, FRANÇOISE VERGÈS, TAHMIMA ANAM & SETÍGONO

    Imagem: Pulsações caósmicas , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Em rota de colisão, a sorte...