quinta-feira, janeiro 14, 2016

CRÔNICA DE AMOR POR ELA – AH, ESSES LÁBIOS, BALZAC, MOLIÈRE, LUSARRETA, TÁCITO, IRVING, FAYAD, ARGEMIRO CORRÊA & MUITO MAIS!!!!


CRÔNICA DE AMOR POR ELA: AH, ESSES LÁBIOS (Imagem: arte de Luciah Lopez) - Ah esses lábios que me chegaram saudando o meu dia tudo bem como vai para abrigar minha vida perdida dos pontos cardeais; que sorriram ensolarados para clarear os meus dias mostrando que estou vivo e que tudo prossegue como a correnteza do rio que não sabe do mar; que me trouxeram palavras tão ternas apascentando minhas feras e todo vulcão indômito que não distinguia nada entre farpas e carinhos; que me sacralizaram com uma voz anímica a banhar minha pagã ousadia de profanar meus próprios mistérios mais desconhecidos; que me beijaram as faces com o afago ausente de mãe por séculos de esconjuros; que me curaram as feridas abertas para que eu pudesse ser reintegrado entre os vivos; que me alimentaram de esperanças no meio das minhas noites inacabadas; que me mostraram o caminho pra luz quando eu só via trevas inescapáveis; que me cantaram as canções das esferas para que eu tivesse noção de que tudo vai além do que captamos pelos cinco sentidos; que chegaram aos meus lábios trazendo o contato pleno da revelação e desvelando o segredo da alma humana; que incendiaram o marasmo do meu cotidiano sobrecarregado de tédio e desesperança; que sussurraram aos meus ouvidos a poesia de tudo por ter cada coisa um sentido íntimo pra existir; e me roçaram a pele para que eu tivesse contato com a mais transcendente deificação, a descortinar o divino da minha desilusão de tudo. E que adoçaram as fatias de sentimentos a quem só sabia o amargor dos desencantos; e ferveram quenturas a quem já não tinha nada mais além que a frieza da indiferença; e soltaram as amarras vitais a quem não sabia nada mais que a caverna do egoísmo fincado no umbigo; e que dançaram com prazer com quem desaprendera dos músculos nos ossos entrevados; e que abriram as portas do cosmo a quem já não via nada além de buracos íngremes pra moradia da existência; e desvendaram o destino das ruas para quem não sabia nem das escolhas entre ameaças e temores; e distinguiram o que é pra viver a quem nunca soube de que lado está a saída; e me levaram com seu sorriso pelo enleio do prazer das descobertas mais fascinantes; e me alcançaram o coração para retomar o propósito perdido de que tudo pulsa e segue a vibrar indefinidamente para o apogeu da vida e do amor. (Luiz Alberto Machado. Veja a 2ª parte aqui. E mais aqui e aqui.

CONFIRA MAIS CRÔNICA DE AMOR POR ELA:


PICADINHO
Imagem: Nude, do artista plástico estadunidense Gladys Nelson Smith (1890 – 1980)



Curtindo o álbum Clara Sverner interpreta Eduardo Souto – O despertar da montanha (EMI, 1982), com músicas do pianista, compositor e maestro Eduardo Souto (1882-1942) com a pianista Clara Sverner.

EPÍGRAFE – Corruptissima res publica plurimae leges, frase recolhida dos Anais, do historiador, orador e político romano Públio Caio Cornélio Tácito, ou simplesmente Tácito (55-120), cujo significado é o seguinte: Muitas são as leis num Estado corruptíssimo porque, neste caso, deixaram elas de ser gerais para se tornarem casuísticas. Veja mais aqui.

O ESPECTRO DO NOIVO – No livro A lenda de Sleepy Hollow e outros relatos (Urco, 2009), do escritor, historiador e diplomata estadunidense Washington Irving (1783-1859), encontro o relato O espectro do noivo que trata de um rico senhor que queria casar sua filha com um conde que, por infelicidade, foi assassinado quando se dirigia para conhecê-la. Da obra destaco o trecho: [...] Calculem o terror do castelo! O barão trancou-se no quarto. Os convivas não puderam abandoná-lo em tamanho transe, tendo vindo como vieram, para rejubilar-se com ele; e assim vagavam pelos pátios ou faziam grupos no salão, onde escolhiam os ombros ou lamentavam os desgostos de um homem tão bom. Para distração, demoravam-se mais do que nunca à mesa, comendo e bebendo ainda mais para salvaguardarem suas almas. Mas, a situação da jovem noiva viúva era lamentável. Perder um marido antes de abraça-lo! E que belo marido! Pois se o espectro pudera ser tão gracioso e nobre, o que não seria em vida! E a noiva enchia o castelo com os seus lamentos. [...]. Veja mais aqui.

AS TROVAS – Sempre é tempo para se homenagear um grande poeta, a exemplo de Argemiro Corrêa, pai da poeta Meimei Corrêa, era poeta, trovador, contista e cronista. Fundou o jornal Voz da Cidade, juntamente com Jorge Beltrão, no ano de 1948, além de ser um agitador cultural que muito realizou em matéria de concursos e eventos literários na sua cidade, tornando-se conhecido como um poeta apaixonado pelas rosas e que se intitulava "O feliz cantor das rosas". Eis algumas trovas dele: I - Nos quatro versos da trova / Eu ponho a minha paixão, / Velha história - sempre nova, / E fonte de inspiração. II - Com alguém que recebeu / Seu título de doutor, / Recebi também o meu / Diploma de trovador. III - O sorriso de Maria / Tem um mistério estupendo, / Lembra o sol de um belo dia, / E a paz da tarde morrendo. IV - Tanto o bem como a maldade, / Tem linha satisfatória, / E a plantação é à vontade, / Só a colheita é obrigatória. Para melhor conhecer a dimensão do seu nome conheça um vídeo que está circulando na rede clicando aqui. Aproveite e confira mais aqui, aqui e aqui.

CELIMENA – Personagem central feminina da peça teatral O misantropo (1666 – Zahar, 2014), do dramaturgo, ator e encenador francês Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière (1622-1673), que será cortejada por Alceste que, embora apxionado, ao ver que ela seria incapaz de sacrificar por ele a espécie de vida a que se habituara. Ela também foi personagem do livro Memórias de duas jovens esposas (1841 – Portugália, s/d), do escritor do Realismo francês Honoré de Balzac (1799-1850), no qual a personagem Luísa de Macumer se expressa: Que admirável obra-prima aquela criação de Celimena no Misantropo de Molière! É a dama da sociedade do tempo de Luís XIV, como a de nossos dias, enfim, a dama mundana de todas as épocas. Esta a razão pela qual esse nome de mulher significa uma mulher de espírito frívolo, faceira, maldizente, namoradeira, dessas que colocam a vida mundana acima de tudo. Por fim, esta personagem também foi protagonista do romance Celimene sem coração (1935), da escritora, jornalista e radialista argentina Pilar Lusarreta (1903-1967). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

ONE TRUE THING – O drama One True Thing (Um Amor Verdadeiro, 1998), dirigido por Carl Franklin, é baseado no livro homônimo de Anna Quindlen e conta a história de uma mulher que é forçada a colocar sua vida em espera, a fim de cuidar de sua mãe que está morrendo de câncer. É quando ela descobre os defeitos de seu pai, um célebre romancista e professor universitário que ela sempre idolatrara, e o valor de sua mãe, a qual sempre foi desprezada pela filha em razão de sua personalidade afável e romântica. Nesse filme um destaque duplo: o primeiro é para a premiadíssima atriz estadunidense Meryl Streep; o segundo para a lindíssima atriz estadunidense Renée Zellweger. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do cartunista e desenhista estadunidense, criador da história de quadrinhos Torchy, William Ward Hess (1919- 1998), mais conhecido como Bill Ward.

DEDICATÓRIA
A edição de hoje é dedicada à escritoramiga e ambientalista Sandra Fayad. Veja aqui, aqui e aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
Veja as homenageadas aqui.
 

ARIANO, LYA LUFT, WALLON, AS VEIAS DE GALEANO, FECAMEPA, JOÃO DE CASTRO, RIVAIL, POLÍTICAS EM DEBATE & MANOCA LEÃO

A VIDA NA JANELA – Imagem: conversando com alunos do Ginásio Municipal dos Palmares - Ainda ontem flores reluziam no jardim ornando muros...