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segunda-feira, maio 06, 2024

ASCENSO FERREIRA, HAGAR PEETERS, NITA FARAHANY & KRISTÍN ÓMARSDÓTTIR

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Para os que foram e os que ficaram (2012), Ressonâncias (2016) e Rascunhos (2019), da pianista e compositora Louise Woolley.

 

VOU DANADO COM ASCENSO... - Navegante errante voo do lugar donde venho e quanto mais rodo por aí e acolá não saio do lugar. Inventei desde menino de singrar tão vasto pelo mundo afora, mas pronde fui findei mesmo foi de volta, parece até que nem saí. Estou por aqui e queria era correr distâncias a desbravar quebradas insólitas, mas fui reduzido entre os filhos da cana que enterraram meus ancestrais e só no pé do ouvido Anne Carson: É mais fácil contar uma história de como as pessoas ferem umas às outras do que daquilo que as une... Mesmo assim a todos saudei e o mais perto que pude foi do que não mais havia, porque era só desolação. É que nunca tive medo de nada, mesmo que tudo se parecesse tão amedrontador quanto imoral ou obscuro. Nem de envelhecer de véspera, porque da janela eu sei quanto maio fez parte duma história e nada mais se completava na mudez do silêncio. Aprendi com Conceição Evaristo: Combinaram de nos matar. Mas, combinamos de não morrer... E apanhei o que restou sem deixar a tarde desaparecer de vez pela escuridão insone, com suas flores acesas em oferenda, guardando os que nem me despedi ao partir e que era quase um poema de amor na manhã em que o vento dançava com os que nasceram e nem sabiam dos que padeceram sobre tantos nomes que não diziam nada. Quando havia depois era sempre esquecer e tudo não parava de acabar tão depressa e nada mais demorava porque na noite doía muito acordar e, no fim das contas, valia Geraldine Brooks: Se há uma classe de pessoa em quem nunca confiei totalmente, é daquele que não conhece dúvidas... E se o tempo urgia nos meus passos supostamente fugitivos a tecerem caminhos entre destroços e ausências, recusas e aceitações, as minhas pegadas estavam na minha pele roubada do chão que pisei, pedras e palavras nos talhos dos sentimentos, sílabas alvoroçadas pelas voçorocas da carne na imprecisão do verso perdido. Já era bem tarde os arranhões pelo corpo e o sangue no muro que jamais reconheci, porque amanhecia e estava só com tudo incerto e o tempo se rasgava nas vozes que eram de todos e viviam em mim. Até mais ver.

 

LOCAL DE ANTECIPAÇÃO

Imagem: Acervo ArtLAM.

A casa do exílio \ é uma casa com portas \ que se abrem e fecham em ambas as direções, \ de modo que a chegada e a partida \ ocorrem num único movimento fluido, \ como acontece com uma porta giratória, \ no centro da qual o exilado \ espera para ser encerrado. \ A casa não é uma morada, \ mas um lugar de antecipação. \ Todas as salas são salas de espera. \ O sofá da sala de estar \ oferece apenas uma breve pausa \ para andar de um lado para o outro. \ A literatura nas estantes \ é feita de formas \ e não contém poesia, \ apenas ordenanças \ Por mais finais que sejam as ordens, \ tão indefinidos são os dias. \ As janelas são janelas \ através das quais se traça uma paisagem \ que em breve deixará de ser visível \ e onde \ se trai a vista de origem. \ Quando o exilado sai de casa \ segue as placas que indicam 'saída', \ que encontrará onde quer que chegue.

Poema da escritora holandesa Hagar Peeters, autora de obras poéticas: Genoeg gedicht over de liefde vandaag (Podium, 1999), Koffers zeelucht (De Bezige Bij, 2003), Nachtzwemmen (Perdu, 2005), Loper van licht (De Bezige Bij, 2008), Wasdom (De Bezige Bij, 2011) e De schrijver is een alleenstaande moeder (De Bezige Bij, 2019).

 

POVOS DOS CISNES - [...] Um livro que não trata de nada nunca o decepciona. Livros que buscam conclusão e encerramento correm o risco de decepcionar seus leitores. As conclusões amortecem o impulso de inovar e de imaginar. [...]. Trecho extraído da obra Swanfolk (Harvill Secker, 2022), da escritora e dramaturga islandesa Kristín Ómarsdóttir, autora do poema Manhã sem cabeça, extraído do livro Waitress in Fall (Carcanet & Partus Press, 2018): Certa manhã, você recebe no correio \ a cabeça de um homem \ molhado de sangue \ na soleira da porta \ como o leite aqui antes, \ como os jornais matinais de tempos passados, \ como as cartas nos envelopes \ e o som do motor de um carro fica distante \ quem me deseja mal? \ você pensa ao mesmo tempo que \ toca seu pescoço \ o sol e os cantos matinais dos pássaros \ esvaziam o que resta da consciência. Veja mais aqui.

 

BATALHA PELO CÉREBRO - [...] uma sociedade interessada em uma liberdade cognitiva robusta provavelmente buscaria proteger seus cidadãos contra a detecção injustificada de evidências automáticas, memorizadas e proferidas no cérebro [...]. Trecho extraído da obra Incriminating thoughts (Stan. L. Rev., 2012), da neurocientista, pesquisadora e professora iraniana Nita Farahany, que no seu livro The Battle for Your Brain: Defending the Right to Think Freely in the Age of Neurotechnology (St. Martin's Press, 2023), expressa: [...] Em 2019, o Wall Street Journal informou que uma escola primária em Jinhua exigia que os seus alunos do quinto ano usassem auscultadores EEG, que forneciam dados aos seus professores, pais e ao estado. O fabricante e fornecedor dos dispositivos com sede nos EUA, BrainCo, já havia enviado mais de vinte mil deles para a China. Com cerca de uma polegada de largura e feitos de plástico preto, os fones de ouvido Focus 1 (ou Fu Si) são usados pelos estudantes. Uma luz no meio brilha em vermelho, amarelo ou azul para sinalizar o envolvimento do aluno. Dados mais intensos das ondas cerebrais são enviados em tempo real para o computador do professor, cujo software gera alertas em tempo real sobre os níveis de atenção dos alunos. Os professores que supervisionam o programa acreditavam que a monitorização do cérebro melhorava substancialmente o envolvimento dos seus alunos. Um aluno concordou, dizendo que “ficou mais atento nas aulas. Todas as minhas tarefas retornam com notas perfeitas.” Outros alunos são menos otimistas, tendo sido punidos pelos pais por seus baixos índices de atenção. [...] Imagine o futuro do trabalho quando a monitorização do cérebro se tornar mais omnipresente se estas leis e normas não estiverem em vigor. Depois de um ano marcante na empresa, a gerente de divisão Sue liga para a funcionária Pat para oferecer-lhe uma renovação de contrato com um aumento salarial de 2%. Sue sabe que a empresa poderia facilmente pagar e estaria disposta a pagar até 10% para mantê-la, mas espera que Pat aceite menos. Pat atende a ligação de Sue usando os fones de ouvido intra-auriculares de EEG fornecidos pela empresa. Pat mantém a voz uniforme durante toda a ligação para não revelar suas emoções e promete conversar com Sue no dia seguinte. O tempo todo, Sue observa a atividade cerebral de Pat e decodifica sua reação emocional às notícias. A atividade cerebral de Pat revelou alegria ao saber do aumento salarial de 2% e permaneceu alegre durante todo o dia. No dia seguinte, Pat liga para Sue e diz que esperava um aumento maior. Mas Sue não pode ser enganada; ela sabe que Pat ficou feliz com o aumento de 2%; além disso, ela agora vê que Pat está com medo ao fazer seu pedido por um maior. Sue responde que 2% é o melhor que a empresa pode fazer e Pat aceita a oferta. A tentativa de Pat de negociar um salário melhor terminou antes de começar. Mesmo o mais convicto libertário da liberdade contratual questionaria a justiça desta negociação. [...] Algum dia, os empregadores poderão eliminar a organização do trabalho pela raiz, monitorizando a crescente sincronia cerebral dos funcionários. Um estudo recente acompanhou os sinais EEG de estudantes do ensino secundário ao longo de um semestre e descobriu que a sua actividade cerebral tornou-se mais sincronizada à medida que se concentravam em tarefas colectivas.106 Por outras palavras, apenas observando os padrões de actividade cerebral entre os funcionários, poderia ser possível para saber quem está planejando algo juntos, como organizar um sindicato. Aqueles que estão menos envolvidos com o grupo podem ser identificados de forma semelhante pela sua menor sincronia entre cérebros. [...] Os programas de bem-estar oferecem benefícios importantes, mas estas políticas de dados sublinham os riscos de privacidade menos visíveis e mais perigosos que representam. A maioria está isenta das regulamentações tradicionais de privacidade de dados de saúde. A Lei de Portabilidade e Responsabilidade de Seguros de Saúde de 1996 (conhecida como HIPAA), por exemplo, protege as informações de saúde identificáveis dos indivíduos nos Estados Unidos. Mas não se aplica quando os empregadores oferecem programas de bem-estar no local de trabalho diretamente, e não em conexão com os seus planos de saúde coletivos. Sem leis que os impeçam de utilizar os dados recolhidos através de programas de bem-estar, os empregadores podem explorar os dados que recolhem, o que muitos fazem com abandono. Os empregadores aprendem tudo o que os funcionários partilham nos questionários e inquéritos online que completam como parte destes programas, do que medicamentos prescritos que utilizam para saber se votaram e quando pararam de aviar as suas receitas de controlo de natalidade. E os empregadores estão a utilizar esses dados de formas cada vez mais intrusivas. [...] À medida que a neurotecnologia e os algoritmos que a decodificam continuam a melhorar, os sistemas baseados em EEG se tornarão o padrão ouro no monitoramento da fadiga no local de trabalho. Não apenas os empregadores, mas a sociedade como um todo poderão em breve decidir que os ganhos em segurança e produtividade compensam bem os custos na privacidade dos funcionários. Mas o quanto ganhamos com os wearables cerebrais no local de trabalho depende em grande parte de como os empregadores aproveitam a tecnologia. Os funcionários receberão feedback em tempo real dos dispositivos para que possam agir por conta própria? Os gestores monitorarão diretamente a incidência de fadiga dos funcionários? Em caso afirmativo, utilizarão essas informações para melhorar as condições no local de trabalho? Ou justificará ações disciplinares, cortes salariais e demissões de funcionários que sofrem de fadiga com mais frequência? [...]. Um relatório recente afirma que o governo chinês já está a utilizar IA e neurotecnologia de ponta para analisar expressões faciais e ondas cerebrais para ver se uma pessoa está atenta ao “pensamento e à educação política” [...]. Os estudos da autora se debruçam sobre as ramificações das novas tecnologias na sociedade, no direito e na ética, defendendo o direito de pensar livremente na era da neurotecnologia.

 

VOU DANADO COM ASCENSO...

Poema Ao Povo, extraído da obra Eu voltarei ao Sol da primavera (FCCHBF/SEC/DSE/DC, 1985), com a poesia de Ascenso Ferreira (1895-1965), organizado pela bibliotecária e professora Jessiva Sabino de Oliveira

ASCENSO FERREIRA

O poeta Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965) integrou o movimento modernista de 1922. Veja mais aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

UM OFERECIMENTO: SANTOS MELO LICITAÇÕES

Veja detalhes aqui.

&

Tem mais:

Semana Ascenso Ferreira na Biblioteca Fenelon Barreto

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Curso: Arte supera timidez aqui.

Poemagens & outras versagens aqui.

Diário TTTTT aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


segunda-feira, janeiro 06, 2020

CARMA, ILSE LOSA, ANNA FEDOROVA, TANYA SHATSEVA, IZABEL MARQUES & ARTE PERNAMBUCANA



CARMA, PARA SEMPRE – Nasci no seu sorriso: um rio que se fizera mares, oceanos e tudo de infinito. Ela que sempre foi em mim Araci e me ensinou o dia de todas as horas e acontecências; que foi Coaraci e me deu o brilho do Sol de todas as luzes e cores; que foi Tatá-manha para que eu soubesse do fogo, queimares e brilhos; que foi Dandalunda, Iemanjá, a mãe Dandá e Cotaluna, para que eu soubesse das águas nas cuias das mãos de todas as sedes e procederes; que foi Caamanha para que eu soubesse do mato e todos os poderes; que foi Jaci e me ensinou da Lua os frutos de todos sabores da boca e pomares - e o juazeiro que não perde as folhas na seca nem no inverno; que foi Murucututu com todas as cantigas de ninar no céu estrelado e escuridão; que foi Sacu-manha para me aquecer de todos os frios nas geleiras do abandono; que foi Iá-Quererê e me levou para ver o arco-íris beber das águas do rio: carangueijo ao atá quer brincar! Eu era menino, sempre fui e até hoje. E ela ria para me ensinar Caapepena e todas as lições do fio de Cloto, do fuso de Laquesis e do nó de Átropos: tudo para que eu visse a princesa deitada no casco do guajá e me protegesse de mandingas e de tantos quebrantos, do calor extremo – ela dava três assobios longos e logo ventava forte: ora, é só deixar os patos passarem. E eu ria ou chorava. E mais ríamos com as minhas atrapalhadas. Assim me dizia e eu ria, crescendo, maturando. Foi ela ainda eu tabaréu que me fez curado de cobra com ensalmos que curam de amor e com todas as manobras e trajetos; e me disse para não mais olhar para trás e encarar as pelejas, a distinguir o que era coisa feita e o canzuá de quimbe, dos que não se viram no espelho e logo morreram de pecado mortal: do tanto que foi o pote à fonte e um dia se quebrou - quem não pode com ele não pega na rodilha. Aconselhava e sorria, quase nem levava a sério, mas levava e eu nem sabia. Foi dela que soube de Luzia que arrancou os olhos e os deu ao amor, e Obá a orelha para agradar seu senhor. Ela alisava meus cabelos e cafunés me dizia para que eu não vacilasse de olho aberto para as hamadríadas nos carvalhos, o lúgubre agouro do Jucurutu, o não-sei-que-diga escondido e os que mijavam nas covas, enquanto se viam nas quadras de punição; de Priprioca e a casa de Piripiri, o tajá e o tamacoare, valia dela a dendrofilia: o respeito eterno pela Natureza & todas as coisas. É dela o que foi e está em mim, o melhor de tudo, o que era panaceia e o que era espinha de bagre, das riquezas do lago encantado do Grongonzo, dos dias de Logunedé, das jornadas por promessas com quadras decoradas a desatar o que deu nó com dois dedinhos de prosa nas ligeiras: paca, mondé, sururu, porco-do-mato e tatu. Ou dedo-mindinho, seu vizinho... cadê o bolinho daqui? Eu ria. O rato comeu: lá vai o gato atrás do rato e a futucada no sovaco. Esse menino tem cotoco, não para quieto! Eu contava, somava e dividia; e ela sorria com instruções para as redondilhas e o Lunário Perpétuo, até a liberdade do verso livre: o melhor poeta um coco, o melhor vate um papão, tudo para que me tornasse canoeiro patenteado, livre de efifás das que não mostram os panos, enfim, para que eu encontrasse a dama-de-branco e ficasse rico e amado. Não fui, acho que não. Não sei, nem saberia. Ela sabia tudo. Sempre tive mais que o merecido. Dela, a graça divina e o que aprendi. Fiz uma canção para ela e foi pouco. Um poema e mais. Nada me satisfez nem poderia, porque ela era Carma, a Ci, a mãe de todas as mães com as manhecências do seu sorriso que ficou em mim para sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] a nostalgia de um passado histórico se cultiva na infância, tal como os usos e os costumes. O estrangeiro, quando muito, pode admirar, gostar, achar curioso, mas não se enternece nem se orgulha. As lutas e glórias dum país que não é o seu permanecem-lhe alheias porque a infância foi-lhe povoada de outras lutas e glórias, e a sua nostalgia é, por consequência, outra também. [...] Um filho é continuação. Ou chegada? Procura chegar, José! Procurei chegar, Nils, procurei deveras. Mas sabes tu o que quer dizer chegar? O amor a outros seres, a continuação em outros seres, a ilusão de segurança e de estabilidade ou somente uma estação intermédia na eterna fuga do homem? Não sei, não sei. [...]. Trechos extraídos da obra O mundo em que vivi (Afrontamento, 1987), da escritora e tradutora portuguesa Ilse Losa (1913-2006), que em outra de suas obras, Sob céus estranhos (Portugália, 1962), assinalou: [...] não se volta tão depressa para uma terra onde por toda a parte ainda há cheiro a crime, sobretudo quando esse crime nos diz respeito. [...] sou estrangeiro, o estrangeiro é tolerado, ai daquele que se atreve a integrar-se!, se ao menos me naturalizassem, diabo!, […] o nosso menino não será estrangeiro, é o que lhe vale, tenho de me deixar ficar por isso… ficar… linda palavra… […] ficar, quem me garante que possa ficar, quem garante seja o que for, quem garante que a Teresa não morra de parto? [...].

DESTAQUE: NA CURVA DOS QUE NÃO CHEGARAM A IR.... DÁ NISSO.... - Bem que se diz, que os velhos são teimosos e turrões... passei toda a vida só constatando esse fato sem contudo , dá muita atenção ao fato, afinal eu era jovem! Mas as coisas mudam, a vida nos transfigura os traços a cada dia, sem contar com o que sentimos profundamente dentro da gente. Passei esse Dezembro todo me perguntando o que estaria havendo comigo?! Uma tristeza tão grande, uma apatia, um alheamento temporal como se eu estivesse vivendo uma realidade paralela, como alguém, que é forçado vez ou outra, a vigiar fatos como quem assiste a um filme sem envolvimento, sem "raport " com seus atores ou mesmo a história contada ! Quem de tanto assistir a um determinado gênero de ficção, não fica craque em adivinhar como terminam as tramas? O filme assistido por nós esse ano que passou, foi revoltante, foi aviltante, xexelento... aí deu nisso... dizem que hoje a gente entra em 2020, tanta loucura, tantos gastos por uma passagem tão fugaz? Aliás, fugacidade está sendo a palavra de ordem... e não consigo deixar de pensar que nós estamos em uma queda livre, vertiginosa com um conceito de tempo totalmente desvirtuado ou acertado? Sei lá! Esse pra mim é um dia como qualquer outro, vou vivê-lo com a disposição que vivi todos os outros dias de exílio como alguém que chegou nesse local, cheia de entusiasmo pra cumprir uma missão, mas a lembrar por todos os momentos que o Lar está á anos Luz de distância, onde com certeza o meu Amor está, sinto tanta saudade dele e ele com certeza sente muita falta de mim... por isso esse ano ficarei no compasso da minha verdade, quietinha no meu canto, sem nada de especial, pois há muito me falaram abruptamente que Papai Noel não existia e esse ano eu soube de algo bem pior: Essa história de ano tal e qual é só convenção e que aqui a gente está imersa numa grande ficção, com protagonistas do Bem e Vilões do outro lado a sustentarem a trama até o final.... e se há alguma coisa a desejar hoje é um feliz passar de página desse livro pra um novo capítulo desse pastelão, tchin....tchin....Texto da escritora, arteterapeuta e contadora de histórias Izabel Marques. Veja mais aqui.

A MÚSICA DE ANNA FEDOROVA
Adoro viajar e adoro minha vida como uma pianista de concerto. A vida é sempre cheia de aventuras, novos conhecimentos, novas impressões e emoções. A única coisa com a qual sofro é o constante transporte de malas pesadas… Sim, eu adoro Villa-Lobos! Eu acho que primeiro tive conhecimento dele através de suas obras para violão, há sete ou oito anos.
ANNA FEDOROVA - A arte da pianista ucraniana Anna Fedorova que atua como solista, musicista de câmara e com orquestras sinfônicas por todo planeta. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Eu gosto muito de ciência e tecnologia, bem como de mitologia e idéias metafísicas. Na verdade, algumas teorias científicas modernas são quase surreais, especialmente na física quântica, parecem ainda mais impressionantes do que qualquer fantasia esotérica inventada. Eu amo misturar a atenção plena do racional e a beleza dos mundos irracionais. Há também um tema de morte digital nas peças, flutua através de códigos, um verdadeiro mundo da vida após a morte.
TANYA SHATSEVA - A arte da artista visual russa Tanya Shatseva que cria pinturas acrílicas e ilustrações no gênero do surrealismo pop. Veja mais aquiaqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A bibliotecária Jessiva Sabino de Oliveira, organizadora da antologia Eu voltarei ao sol da primavera: Ascenso Ferreira (FCCHBF/SEC/DSE/DC, 1985), na imagem do artista plástico José Rodrigues aqui, aqui e aqui.
A arte do artista plástico João Câmara aqui, aqui & aqui.
A música do cantor & compositor Paulo Diniz aqui.
A história dos caetés aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte da atriz Geninha da Rosa Borges – a Grande Dama do Teatro Pernambucano aqui.


quinta-feira, março 07, 2013

BRECHT, SARAMAGO, CLARICE LISPECTOR, TRUMAN CAPOTE & TEATRO

 

EU & O TEATRO – Era eu aluno do Ginásio, lá pelo início dos anos 1970, quando vi pela primeira vez no auditório a encenação de um drama. Fiquei maravilhado e disse pra mim na hora: É isso que quero fazer! Corri pra Biblioteca e recorri à salvadora da pátria de todas as minhas inquirições, professora Jessiva, querendo saber tudo o que ocorrera naquela tarde da escola. Aí ela pacientemente me explicou que aquilo era Teatro e logo me dispôs obras na área do Hermilo: Manual do encenador, História do Teatro e outras mais. Foi quando vi um jogral com as obras do Ascenso e fiquei fascinado! No início das arteirices fui logo pras leituras de textos de peças teatrais, afora outras sobre a temática da dramaturgia, da carpintaria e espaço cênico, da preparação do ator e por aí vai. Foi quando dei de cara com o amigo Luiz Barreto que me apresentou as peças do pai dele, Fenelon Barreto. Das tantas peças, todas manuscritas com muito esmero e artesanalmente encadernadas, logo escolhi a intitulada O náufrago do Mafalda, porque pensei que fosse uma comédia como as que muito ouvira falar do Lelé Correia. Mas ele fincou pé no maior sucesso dele: Adoração. Ele venceu e juntamos atores experientes que já haviam tanto trabalhado com o pai dele, como com Miguel Jasseli – este professor do Hermilo - e com o Lelé. Elenco bom, paciente, todos levados pela minha astúcia de dirigir e compor as músicas com Fernandinho Melo. Oxe! A gente estava de vento em popa ensaiando pelas noites e finais de semana no Tribunal do Júri, cedido pelo então Promotor de Justiça, Laércio de Castro Duá Pacheco. Ia tudo bem até o dia em que a família botou gosto ruim e transformou este evento num angu de caroço, coisa que até hoje eles nem resolveram. O negócio da China gorou, cada um pro seu lado e quase perco a infante reputação, não fosse a ousadia de escrever o meu primeiro texto, Em busca de um lugar ao Sol, hoje reduzido apenas ao título de O Prêmio, que foi encenado na quadra do Colégio Diocesano, numa festa para lá de cheia de gente e aplausos. Aí tomei gosto pela coisa e meti as catanas escrevendo o meu segundo texto teatral, A viagem noturna do Sol, que foi generosamente encampada pelo amigo José Manoel Sobrinho & a trupe TTTrês Produções, em 1983, na Sala Clênio Wanderley, na Casa da Cultura do Recife. Oxente! Peito cheio, já me achava o tampa das cenas. Escrevi mais uns tantos textos, todos intermináveis, até ser peitado pelo memorável Paulo Cavalcanti para adaptar e encenar João sem Terra, de Hermilo. Depois de um bocado de hesitações topei e foram finais de semana por três anos trabalhando duro. Estava formado o grupo palmarense de teatro, Terra. Com isso, outros grupos locais apareceram e nos juntamos para criar a Associação Teatral Palmares (Atep) e, por conta disso, me tornei Diretor Regional da Federação de Teatro Amador de Pernambuco (Feteape). Logo em seguida escrevi esquetes e entrei na embalada de montar o Circo Itinerante, experiência rica que me desaprumou pro resto da vida. Veio então a Revista A Região e com ela as Edições Bagaço, pelas quais adaptei os livros infantis que culminaram com o Brincando com Elita. Depois disso caí no mundo e fui parar em Maceió, realizando esquetes e contação de histórias com o meu segundo livro infantil, Falange, falanginha, falangeta (veja aqui e aqui), pelas escolas, palcos e espaços que aparecessem. Foi, então, ocasião em que escrevi o texto teatral infantil O Lobisomem Zonzo, premiado e encenado por aí afora. A partir de então desenvolvi o projeto Brincarte, encampado pelo tabloide que editei por vários anos, o Nascente: PublicaçãoLítero-Cultural. Daí criei a Turma do Brincarte (Veja aqui e aqui) que encenou o meu quarto livro infantil, O Cravo e a Rosa. E comecei a realizar o projeto Brincar com Arte (veja aqui, aqui e aqui), realizando entre apresentações e oficinas, a palestra Brincar para aprender. Por consequência, foi a vez do Alvoradinha – calango verde do mato bom, ocasião em que se deu o meu reencontro com o artista plástico e ator, Rolandry Silvério, apoiados pela iniciativa empresarial do amigo Marcos Palmeira. Viajei muito pelo Brasil afora até chegarem as temporadas teatrais do Teatro Linda Mascarenhas, em Maceió, resultando na gravação do DVD de mais um livro infantil que transformei em teatro: Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas. Muita arteirice no balaio, até chegar nos debates e encenações sobre Psicologia Social e Educação, bem como do projeto de extensão do curso de Psicologia do Cesmac, que resultou n’O Jacaré e a Princesa, pelo qual retomei o projeto do Nitolino no Circo Itinerante Brincarte, realizando apresentações em praças, palcos, espaços improvisados, tendas, feiras de livros, festas de aniversário, bienais em todo país, carros de som pelas ruas e o escambau. O que uma experiência juvenil não faz com a gente, hem. Tudo isso culpa daquela apresentação dramática no auditório do Ginásio Municipal dos Palmares. Veja abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O propósito do teatro é fazer o gesto recuperar o seu sentido, a palavra, o seu tom insubstituível, permitir que o silêncio, como na boa música seja também ouvido, e que o cenário não se limite ao decorativo e nem mesmo à moldura apenas - mas que todos esses elementos, aproximados de sua pureza teatral específica, formem a estrutura indivisível de um drama. Pensamento da escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: A vida é uma peça de teatro razoavelmente boa com um terceiro ato mal escrito. Pensamento do escritor e jornalista estadunidense Truman Capote (1924-1984). Veja mais aqui e aqui.

 

MEMORIAL DO CONVENTO - [...] são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem um coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu [...] Talvez as lágrimas não sejam mais do que isso, o alívio de uma ofensa [...]. Trechos extraídos da obra Memorial do Convento (Difel, 1983), do escritor, teatrólogo, jornalista e dramaturgo português José Saramago (1922-2010), autor das peças teatrais A noite (1979), Que farei com este livro: (1980), A segunda vida de Francisco de Assis (1987), In Nomine Dei (1993) e Don Giovanni ou O dissoluto absolvido (2005). Veja mais aqui e aqui.

 

TRES POEMASNADA É IMPOSSÍVEL DE MUDAR: Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.\ E examinai, sobretudo, o que parece habitual. \ Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, \ pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, \ de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar. O VOSSO TANQUE GENERAL, É UM CARRO FORTE: Derruba uma floresta esmaga cem\ Homens, \ Mas tem um defeito \ – Precisa de um motorista \ O vosso bombardeiro, general \ É poderoso: \ Voa mais depressa que a tempestade \ E transporta mais carga que um elefante \ Mas tem um defeito \ – Precisa de um piloto. \ O homem, meu general, é muito útil: \ Sabe voar, e sabe matar \ Mas tem um defeito \ – Sabe pensar. A EMIGRAÇÃO DOS POETAS: Homero não tinha morada \ E Dante teve que deixar a sua. \ Li-Po e Tu-Fu andaram por guerras civis \ Que tragaram 30 milhões de pessoas \ Eurípedes foi ameaçado com processos \ E Shakespeare, moribundo, foi impedido de falar. \ Não apenas a Musa, também a polícia \ Visitou François Villon. \ Conhecido como “o Amado” \ Lucrécio foi para o exílio \ Também Heine, e assim também \ Brecht, que buscou refúgio \ Sob o teto de palha dinamarquês. Poemas do dramaturgo, encenador e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Veja mais aqui e aqui.

 


O TEATRO - A palavra teatro abrange ao menos duas acepções fundamentais: o imóvel em que se realizam espetáculos e uma arte específica, transmitida ao público por intermédio do ator. Teatro implica a presença física de um artista, que se exibe para uma audiência, onde o público e o ator estão um em face do outro, durante o desenrolar do espetáculo.
O teatro é uma das expressões mais antigas do espírito lúdico da humanidade: em todas as épocas e entre todos os povos existe o desejo de desempenhar temporariamente o papel de outrem, fantasiar-se e falar à maneira dele. Esse 'outro' pode ser um deus, o que explica a origem de determinas representações em atos litúrgicos. Mas também pode ser o próximo, que se deseja ridicularizar: é uma das raízes dos jogos carnavalescos e da comédia, sem que se exclua, também para esta, uma origem litúrgica.
Os personagens centrais de uma representação teatral são evidentemente os atores. A partir de 1890, foi incluído o papel do encenador ou diretor.
Acima da arte do ator individual está o ideal do elenco, chefiado pelo encenador, que inspira e dirige a maneira de interpretação da obra no palco.
Outros profissionais hoje integram a atividade teatral além dos atores e diretores do espetáculo, como cenógrafos, músicos, figurinistas e contra-regra.

A RELAÇÃO TEATRO E LITERATURA - Com exceção de certas representações mudas (a exemplo da pantomina, os títeres) ou improvisadas (a exemplo da commedia dell'arte), o teatro não é uma arte totalmente autônoma: precisa, como base, de textos literários elaborados. Esses textos literários formam, em seu conjunto, a literatura dramática: a tragédia, a comédia, o drama, o teatro infantil, etc. Fazem parte, indubitavelmente, da literatura, como um dos seus mais importantes gêneros. Mas não são só exclusivamente literatura: precisam, para sua plena realização, da representação no palco. Não é suficiente a leitura, a não ser nos casos de poemas dramáticos, não destinados para o palco (como a segunda parte do Fausto de Goethe ou Manfred de Byron). Grande parte da literatura dramática do passado não pode ser hoje plenamente apreciada, porque as respectivas peças não podem, por este ou aquele motivo, ser representadas no teatro moderno (a exemplo do teatro espanhol do séc. XVII, certas peças da época elisabetana, etc.). Contra essa relação indissolúvel entre teatro e literatura já se pecou muito, e dos dois lados. No século XIX, por exemplo, as peças de Shakespeare foram tratadas, pela crítica literária, como se fossem poemas ou romances destinados à leitura, enquanto os teatros se contentaram com versões abreviadas ou reelaboradas, mutilando os textos; só no começo do séc. XX, Harley Granville-Barker restabeleceu o equilíbrio, explicando os textos pelos seus prefácios críticos e pela interpretação integral no palco, prestando serviço imenso ao teatro e à crítica. É mais perdoável, porém, o freqüente pecado contrário: o dos profissionais de teatro que preferem muitas vezes encenar textos dramáticos de valor literário duvidoso, pelas oportunidades que oferecem à exibição no palco.

A TRAGÉDIA - Aceita-se geralmente que a tragédia é de origem grega, embora vários tipos de jogos dramáticos tenham surgido antes em outras culturas.  Depois de passar por várias fases primitivas no séc. VI, a tragédia alcançou a sua forma clássica no séc. V ªC., com as obras de Ésquilo, Sófocles e Eurípides. Há muitas hipóteses divergentes quanto a isso. Segundo Aristóteles, a tragédia se originou de um ritual dedicado ao deus do vinho e da fertilidade.  Como muitos deuses que representam as forças vitais da natureza, Dioniso morre no outono e ressurge na primavera. Explicam-se assim tanto os aspectos alegres e cômicos da comédia como os tristes e trágicos da tragédia nos rituais a ele devotados.
Na sua Poética, Aristóteles construiu a primeira estética da arte dramática, onde acham-se definidos o pensamento, a fábula, o caráter, a linguagem, a melodia e a encenação - os seis elementos essenciais da obra teatral. Aristóteles ainda defende a tese de que a tragédia é o resultado de um processo de transformação, cujo ponto de partida teriam sido pequenos autos de sátiros. Embora burlescas, tais farsas bucólicas nada têm que ver com a comédia e tampouco com a sátira, termo latino que ainda hoje define o conhecido gênero literário sarcástico-polêmico. Esses autos teriam sido em seguida decantados do seu teor sensual e rudemente alegre.  Também afirma que a tragédia teria nascido do ditirambo, canto hínico e fervoroso de um coro dançante, acompanhado pela flauta, com o qual, a partir de certo momento, se celebrava de preferência Dioniso.
A escola de Cambridge que se orienta pelos estudos antropológicos de Jane Ellen Harrison e William Ridgeway, este último rebate Aristóteles, defendendo que a tragédia teria nascido de danças mímicas de atores mascarados, em homenagem a heróis mortos; a origem não estaria, portanto no culto a Dioniso, mas num ritual fúnebre.
O primeiro tragediógrafo foi Ésquilo, iniciando a fase clássica da tragédia e escrevendo de 79 a 90 peças, restando apenas 7 para a posteridade. A sua dramaturgia afigura-se por vezes como uma espécie de teodicéia ou justificação dos deuses em face do mal, da culpa e do sofrimento dos homens. Em sua obra, o homem parece ainda conviver com os deuses. Em seguida Sófocles. Este e Ésquilo possuíam uma cosmovisão teocêntrica. Para Sófocles o homem vive solitário, distanciado dos poderes divinos, já se infiltrando certo ceticismo, a relação entre culpa e punição se rompe; a ação dos deuses é insondável. Suas peças abordam o destino individual do herói e seus personagens se destacam como indivíduos.
Na obra de Eurípedes, o terceiro dentre eles, a sua cosmovisão é antropocêntrica, influenciada pelo pensamento dos sofistas, não vendo mais na divindade e sim no homem a medida de todas as coisas. Na sua obra não surgem apenas problemas políticos mas também sociais. Assim como os trágicos que o antecederam, ele escreveu sobre os deuses e heróis da Grécia; mas desmitifica Teseu e Agamenon, Apolo e Artêmide, Menelau e Demofonte, ganhando todos uma dimensão humana até então inédita.
Eurípedes tudo discute: mitos, tradições religiosas, moral, costumes. Sua preocupação fundamental é o homem. Ataca a família, não porque se oponha ao Estado, mas porque ela violenta a liberdade individual. Ele vê o homem sozinho, com sua visão, seu sofrimento, seus pensamentos. O homem com liberdade de agir, não é mais um instrumento de desígnio dos deuses. O homem livre é responsável pelos seus atos; nas tragédias de Eurípedes, a consciência e o arrependimento são o corolário da liberdade de agir. Orestes e Electra sentem culpa e arrependem-se, consumando o matricídio. A intervenção do deus ex machina, (literalmente, o deus que sai da máquina; figuradamente, acontecimento totalmente imprevisto) muito mais tarde, vai permitir que levem uma vida apenas suportável. Ele foi dos primeiros a tratar do amor em suas tragédias: cantou o amor conjugal, o amor materno, o amor arrebatado. Sua galeria de personagens femininos é enorme: as mulheres são verdadeiras heroínas. Ao contrário dos homens, em geral desagradáveis e de caráter fraco, nelas concentram nobreza, ternura, piedade. Freqüentemente sacrificam-se para salvar marido, filhos ou pátria, exaltando-lhes a abnegação, a renúncia.
Eurípedes foi um homem do seu tempo. De todas as peças que nos chegaram, apenas Alceste é anterior à guerra de Esparta. Patriota, ele vê Atenas como o único lugar onde encontram refúgio os oprimidos.
Por fim, para definir a tragédia grega basta, em essência, a situação trágica, trazendo atroz angústia, mas admitindo uma solução satisfatória. Muito mais freqüente, porém, é o conflito trágico em si concluso - um conflito sem saída. Esmagado pela fatalidade ou por forças desencadeadas por ele mesmo, o herói sucumbe, não raro porque por certo excesso, ou por soberbia desmedida, desequilibrou a medida, a lei ou a harmonia da pólis e do universo; a lei natural e a lei moral se identificam na concepção mítica. Todavia, os três autores diferenciam-se na sua atitude em face dos deuses.

COMÉDIA - Comédia é o gênero teatral subordinado à noção de comicidade, humor, riso, sátira e leveza, teatro de comédia é um tipo de teatro declamado, em oposição ao teatro musicado e ao teatro de revista. O termo comédia abrange uma variedade extremamente ampla de manifestações teatrais; os limites do gênero, através dos tempos, têm sido flutuantes, e qualquer definição rígida deve ser aceita com reservas. As conceituações clássicas insistem em atribuir à comédia uma noção de vulgaridade e pouca elevação moral, em oposição à tragédia, o gênero nobre. Originada da parte mais alegre do ditirambo - o cântico improvisado das primitivas procissões dionisíacas - a comédia encerrava os festivais atenienses mostrando aos espectadores que o teatro é uma grande brincadeira.
Na sua Poética, Aristóteles afirma: a comédia é uma imitação de caracteres  de tipo mais baixo, mas não na plena aceitação da palavra mal, pois o ridículo é apenas uma subdivisão do feio, e consiste num defeito ou feiúra que não são dolorosos nem destrutivos. Segundo ele, a comédia tende a representar os homens piores e a tragédia melhores do que são. Entretanto, estudiosos contemporâneos frisam que as palavra usadas por Aristóteles para bom e mau, têm uma conotação de pesado e leve, e devem portanto, ser interpretadas menos no sentido de uma discriminação moral do que para insinuar, ao contrário, do caráter hierático da tragédia, o toque de leveza que constitui um marco característico da comédia. De qualquer modo, a idéia original, que vincula a comédia ao conceito de vulgaridade e à representação de tipos e de atos de baixo padrão, sofreu progressiva transformação através dos tempos.  
Nos fins do séc. XIX, os principais teóricos do teatro já reconheciam que virtualmente qualquer conflito dramático está aberto à interpretação cômica.
A trajetória histórica da comédia poderia, portanto, ser representada por uma curva ascendente, através da qual um gênero originalmente vinculado a uma conotação moral depreciativa se impõe progressivamente à opinião pública pelo seu potencial intelectual, e até mesmo pela sua eventual contribuição para a formação moral dos espectadores. Diz Aristóteles que, enquanto a tragédia surgiu das celebrações ditirâmbicas, as origens da comédia podem ser encontradas nas cerimônias e canções fálicas. Por mais impreciso que seja nosso conhecimento desses rituais primitivos, parece fora de dúvida que a comédia deriva da celebração ritual da fertilidade, e que as suas raízes estão intimamente ligadas à idéia das fontes de vida, da energia sexual que dá origem à vida, do ciclo vital que transcende os limites temporais da condição humana e garante a perpetuação da espécie. Apesar das dicotomias, a comédia antiga constituía um gênero tão nitidamente cristalizado quanto a tragédia, com a qual possuía consideráveis semelhanças estruturais.
Um novo triunvirato aparece na Grécia antiga: Cratino, Êupolis e Aristófanes, nascido dos concursos das dionísias atenienses. Todos os conflitos da atualidade ática refletem-se, através de alusões mordazes e de invectivas diretas, nas obras deles, principalmente de Aristófanes.
Na comédia Romana merecem destaque Plauto e Terêncio.           Em seguida, o português Gil Vicente tornou-se um dos principais elos entre a Idade Média e a Renascença. Na Espanha, Lope de Veja, autor de 1.200 obras teatrais, é o maior representante da dramaturgia do Século de Ouro. Seguem-se Tirso de Molina e Calderón. Na Inglaterra basta o acervo de comédias de William Shakespeare para consagrar a comédia elisabetana. Na França, o teatro renascentista-humanista do séc. XVII, floresce a comédia francesa, com Moliére, introduzindo uma comédia farsesca influenciada pela Commedia dell'Arte. Na Itália a Commedia dell'Arte dominou os palcos com notável vitalidade e comunicação popular com Goldoni, no séc. XVIII. Com graça, Goldoni criticava nas suas comédias a sociedade do seu tempo. Ao mesmo tempo que Goldoni reformava a comédia, Lessing tornava-se o primeiro grande dramaturgo alemão, precursor na história da comédia alemã.
O ponto alto da comédia francesa do séc. XVIII é a obra de Marivaux, com suas comédias trabalhadas como um miniaturista que, pela extrema graça e delicadeza, lembram a música de Mozart, a pintura de Watteau: comédias galantes, inspiradas na forma pela commedia dell'Arte e pelos clássicos italianos.
Com o Romantismo, no séc. XVIII, surgem na França, as comédias de Beaumarchais e as do poeta Alfred Musset.
No século XIX o grande nome é o russo Nikolai Gogol. A partir deste muitos autores como Oscar Wilde, Bernard Shaw, Anton Tchekhov, Luigi Pirandello, Eugene O'Neill formaram o panteão da comédia.
No séc. XX, aparece Bertlt Brecht que afirmava: "Deus passa o dia inteiro rindo de si mesmo" e no seu próprio teatro, o riso e a comédia ocupam lugar importante. O objetivo principal desse teatro brechtiano reside em levar o espectador ao reconhecimento lúcido  das injustiças da estrutura social; por mais sério e grave que seja o processo que leva a esse reconhecimento, sua dialética seria incompleta sem os efeitos da comédia, através dos quais Brecht corta os perigos do envolvimento emocional e propicia o surgimento de uma atitude distanciada por parte do espectador em relação aos acontecimentos representados em cena. Talvez nenhum outro dramaturgo tenha explorado com a mesma lucidez que Brecht o potencial didático da comédia, o valor crítico do humor e do riso.
Um outro nome de relevo é Samuel Beckett, cujos personagens, tristes palhaços e lamentáveis trapos humanos, resistem estoicamente ao absurdo de um universo hostil e árido, que os condena a uma existência quase negativa.

A COMMEDIA DELL'ARTE: TEATRO DO POVO - A commedia dell'arte vulgarizou a trama, as intrigas e as situações, aproveitando máscaras e trajes carnavalescos e os grandes recursos da pantomina popular. Permitindo ao ator os ilimitados recursos da improvisão, o gênero faz do intérprete o mais importante elemento do espetáculo teatral. O ator é um dos elementos do espetáculo, harmonizado com os demais. A harmonia rompe-se, pelo excesso ou pela deficiência de qualquer dos elementos. A omissão do intérprete conduz em geral ao chamado teatro literário, do encenador ou dos acessórios. O reinado absoluto do ator confundiu-se com a Commedia dell'Arte, que se afirmou do séc. XV ao XVII, na Itália, expandindo-se por toda Europa e exercendo decisiva influência na posteridade.
O fundamento da Commedia dell'Arte é a improvisação, isto é, o ator torna-se o autor do espetáculo que vai oferecendo. Mesmo a existência de lazzi, achados cômicos, e a preservação de canovacci, roteiros seguidos pelos intérpretes, não invalidam a idéia de que os diálogos se conjugavam de acordo com a fantasia do momento. Essa liberdade criadora, paradoxalmente, confinava-se por outra limitação: os intérpretes fixavam-se sempre numa máscara, especializando-se em determinado papel, pelo qual ficavam famosos até a morte. Com base num esquema, os cômicos davam largas à imaginação. Mas, na realidade, eles acabaram por ser os autores de um só tipo, o que equivale a repetição e pobreza. Por isso a Commedia dell'Arte morreu da indigência do texto, motivo de desequilíbrio do espetáculo.
A reforma de Goldoni não representou, como se costuma pensar, o restabelecimento do primado literário. Pode-se ainda admitir que o dramaturgo italiano tivesse feito valer a supremacia da boa peça sobre a má peça improvisada pelos cômicos dell'Arte. O valor maior de Goldoni residiu no gênio em criar ótimas personagens, que favoreceram a plena expansão do comediante. O chamado teatro literário esmaga o intérprete. Os diálogos abundantes constrangem o ator, que se sente mal em cena. Se o dramaturgo não previu a necessidade da interpretação, deveria escrever ensaios ou romances. O teatro literário é menos teatral que todos os abusos cometidos pela Commedia dell'Arte. Imaginar também o intérprete coibido pelo dirigismo excessivo do encenador ou pelo acúmulo de acessórios é apequená-lo no palco, exatamente onde ele deve ser o centro da atenção.
A Commedia dellÁrte, entre outras virtudes, teve a de marcar em definitivo que o ator é a base do teatro.

O PARADOXO DE DIDEROT - Muitos atores recusam e teóricos discutem, mas o ponto de partida para quaisquer conjeturas sobre a interpretação é o Paradoxe sobre o comediante, de Denis Diderot. Argumenta-se que o filósofo tinha um conhecimento exterior dessa arte, porque nunca pisou num palco. O título do ensaio deixa bem claro que se trata de paradoxe sobre o comediante, e não do comediante. As considerações racionais não roubam a força do postulado de Diderot, que soube pôr o dedo na ferida. Uma afirmação categórica resume a tese: "É a extrema sensibilidade que faz os atores medíocres; é a sensibilidade medíocre que faz a multidão dos maus atores; e é a falta absoluta de sensibilidade que prepara os atores sublimes. As lágrimas do comediante descem de seu cérebro; as do homem sensível sobem do seu coração". (Diderot: 1979:22). Não cabe dúvida: o grande desempenho estriba-se para o enciclopedista, na ausência total de sensibilidade. A experiência mostra que o ator extremamente sensível e não favorecido pela inteligência se perde no emaranhado emocional, sem atingir o público. Seu problema é o de transmitir uma emoção, não se contentando em senti-la.

O TEATRO BURGUÊS - A predileção por tudo o que é essencial manifestou-se até mesmo nos instantes mais ousados do novo drama, o drama burguês. Sobrecarregado de problemas desconhecidos para as velhas formas, esse teatro exprimia anseios romântico-emocionais e acabava insistindo nas convenções herdadas do classicismo. Sem compreender a verdadeira diferença entre tragédia e tristeza, o público preferia o desenlace mais satisfatório. Os fundadores do drama burguês, Diderot, Lessing e George Lilo, que haviam escrito na fase área do Iluminismo peças que apresentavam o indivíduo condicionado pela realidade do cotidiano. Shiller e Goethe desenvolviam o classicismo alemão, criando dramas burgueses e tragédias político-históricas movidos por intenções idealistas. Considerando a popularidade adquirida uma ameaça de vulgarização, alguns críticos e autores passaram a propugnar por um teatro de elite. Foi quando a técnica do palco, a ação e as personagens perderam a simplicidade e foram se distanciando do teatro popular, enquanto os críticos discutiam se a culpa não deveria ser atribuída ao mundo moderno, que oferece à tragédia menos assunto do que as épocas passadas. Em seguida ocorreu o naturalismo de Émile Zola e as idéias naturalistas estenderam-se por toda Europa e culminaram na obra de Henrik Ibsen, um norueguês que superou os seus pressupostos e imprimiu a seu teatro traços realistas.

O ESTRANHAMENTO BRECHTIANO - O ideal da fusão ator com a personagem opõe-se a teoria de Brecht, que preconiza, ao contrário, um afastamento, no seu famoso "Organon". O conceito do dramaturgo alemão não se separa da tese geral sobre os objetivos do teatro, e se nutre tanto da idéia a respeito dos propósitos da peça como da presença do público no espetáculo. O conjunto de princípios leva à formulação da teoria do teatro épico, de claro papel desmistificador dentro da sociedade de classes. A preocupação de racionalidade, que abole o transe, leva ao preceito: "Em nenhum momento o ator deve entregar-se a uma completa metamorfose. Uma crítica do gênero: ele não representava o papel tal (Lear, Jasão, Chicó, etc) , mas ele era tal (Lear, Jasão, Chicó, etc), seria para ele a pior das acusações. Ele deve contentar-se em mostrar sua personagem , ou mais exatamente, não contentar-se em vivê-la; o que não implica que permaneça frio enquanto interpreta personagens apaixonadas. Apenas, seus próprios sentimentos nunca deverão confundir-se automaticamente com os de sua personagem, de forma que o público, por seu turno, não os adote automaticamente. O público deve desfrutar nesse ponto a mais completa liberdade" (Brecht, 1978). Mostrar a personagem e não encarná-la, eis o lema brechtiano para o ator. Estão contidas só as premissas didáticas do teórico: o teatro é um dos instrumentos da revolução. Importa, em cada situação, isolar o gestus social, aquele ensinamento preciso que dá a medida dialética da história. Se o ator se confundisse mediunicamente com a personagem, manteria a atmosfera ilusória do espetáculo, prejudicando a instauração da consciência revolucionária. Daí a vantagem de piscar o comediante para o público, lembrando-lhe sempre que o espetáculo é ficção. Brecht não proíbe seu ator, nos ensaios, se ponha na pele da personagem, como um método de observação, entre outros. Ele vê na observação, aliás, parte essencial da arte do comediante. Esse raciocínio admitiria que se considerasse a utilização do método de Stanislávski um estádio anterior ao da procura do efeito de distanciamento (ou estranhamento). É evidente que, para afastar-se, é necessário estar próximo, antes de mais nada, e a técnica da aproximação se aprende no sistema stanislavskiano. A primeira teoria tem sobretudo fundo psicológico, enquanto a segunda sublinha os elementos sociais e políticos. O estranhamento brechtiano visa a não permitir que o ator se confunda com os postulados de uma ordem perempta.

MÉTODO STANISLÁVSKI - O debate entre sensibilidade e inteligência tende a incidir no academismo. O ator deve conhecer os meios para falar ao público. As conjeturas teóricas, não experimentadas na prática, sempre resultam estéreis. Por isso o grande encenador russo Stanislávski salientou a importância da técnica, mais necessária à arte teatral que a outra qualquer. Afastou-se ele das indagações filosóficas sobre o teatro, que não têm alcance prático imediato, para dedicar-se à questão do "como?". Os livros "A preparação do ator", "A construção da personagem" e "A criação do papel", aos quais se seguiriam outros, se a morte não interrompesse  tão fecunda atividade, estabeleceram as bases do sistema ou método de Stanislávski, ainda não superado como compêndio para o comediante. Qualquer ator que deseje penetrar os segredos de sua profissão ganhará em ler Stanislávski e exercitar-se a partir de seus ensinamentos. O objetivo fundamental das pesquisas stanislavskianas é estabelecer a total intimidade entre o ator e a personagem , para que haja a identificação de ambos. Narra que os seus atores, para se impregnarem dos papéis, para entrarem na pele das personagens, escolhiam um dia para viver a vida delas, de acordo com as indicações do texto. Cada diálogo, cada observação, cada comportamento visava a reproduzir a psicologia da personagem, se o autor a surpreendesse naquela circunstância. Não pode haver mais proveitoso exercício para animação de um papel, no qual o ator elabora, em todos os pormenores, o inteiro caráter retratado. Nesse empenho, servem ao comediante tanto a aplicação lúcida como um feliz acaso. Ninguém foi mais longe do que Stanislávski na pesquisa da verdade íntima, no trabalho de interiorização, nessa procura de um colóquio alucinadamente sincero, cujo ideal é a inteira entrega do ator à personagem.

O TEATRO DE BOULEVARD - Utiliza-se a expressão teatro de boulevard a propósito sobretudo da comédia ligeira, sem pretensões intelectuais e destinada a divertir o público. Como não é fácil divertir, muitas das peças que formulam esse objetivo não fazem mais do que entediar. A verdade é que o teatro de boulevard se especializou nas comédias digestivas, que repetem indefinidamente no papel de protagonista o surrado triângulo amoroso. Cínica, amoral, desesperada na procura de um ângulo qualquer de originalidade, sem se importar com incidentes inverossímeis, e satisfazendo, no final, ao desejado repouso ou até mesmo ao moralismo burguês, essa dramaturgia manipula o antigo receituário do teatro, e o situa como comércio e não arte.

EXTENSÕES: O TEATRO ÉPICO: A composição épica é a que reúne muitas fábulas. A epopéia, assim, aparece como gênero puro, basicamente diverso da tragédia, vez que ao conceituar a tragédia, Aristóteles a diferencia, na Poética, da epopéia. Brecht quando formulou a teoria do teatro épico, estava tentando, na verdade, conciliar os gêneros que na aparência se repeliam, de acordo com a poética aristotélica. A narrativa, agindo por meio de argumento e não da sugestão, aguça o espírito crítico, ao invés de provocar o efeito ilusório. Produz-se, assim, o distanciamento, essencial à forma épica de teatro. O teatro épico visa, em síntese, a fazer do espectador um observador crítico; a despertar sua atividade; a obrigá-lo a decisões; a opor-se à ação, em de se imiscuir nela. No teatro épico os sentimentos traduzem-se por juízos e o homem é objeto de estudo, além de mudar e ser mutável.

TEATRO SOCIAL: A expressão teatro social é mais ampla, pode compreender os conceitos de teatro político e épico, mas não se esgota neles. Ela passou a ser veiculada, aliás, como antídoto ao sectarismos ideológicos dos espetáculos de propaganda. O teatro toma consciência de sua função dentro da sociedade, sem encarnar uma ideologia precisa e sem o propósito de converter ninguém a essa ou àquela causa.

TEATRO DO OPRIMIDO: Ao conceituar o teatro invisível, uma das técnicas do teatro do oprimido, Augusto Boal afirma que ele procura ordenar a realidade, torná-la cognoscível, inteligível, perceptível nas suas razões mais profundas, e não apenas na sua aparência. Esclarece o próprio Boal que o teatro do oprimido não é um teatro de classe, mas que seria definido quando trata do teatro das classes oprimidas e de todos os oprimidos, mesmo no interior dessas classes.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA
AMARAL, Maria Adelaide A Santos. Teatro vivo: introdução e história. São Paulo: Abril Cultura, 1976
ARISTÓTELES. Poética. São Paulo: Abril Cultural, 1979
BARATA, José Oliveira. Didáctica do teatro: introdução: Coimbra: Almedina, 1979.
BORNHEIM, Gerd. O sentido e a máscara. São Paulo: Perspectiva, 1975
________. Teatro: a cena dividida. Porto Alegre: L&PM, 1983
BRECHT, Bertolt. Estudos sobre teatro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978
DIDEROT, Denis. Paradoxo sobre o comediante. São Paulo: Abril Cultural, 1979
ESSLIN, Martin. Uma anatomia do drama. Rio de Janeiro: Zahar, 1978
FERGUSSON, Francis. Evolução e sentido do teatro. Rio de Janeiro: Zahar, 1964
JÚNIOR, Redondo. O teatro e a sua estética. Lisboa: Arcádia,1964
LEWIS, Robert. Método ou loucura. Rio de Janeiro: Letras e Artes, 1962.
MAGALDI, Sábato. Iniciação ao teatro. São Paulo; Ática, 1985
ROSENFELD, Anatol. Texto/contexto. São Paulo: Perspectiva, 1976
SOUZA, J. B. Mello. Teatro grego. Rio de Janeiro: W.M. Jackson, 1950
STANISLÁVSKI. Minha vida na arte. São Paulo: Anhembi, 1956.
_______. A criação de um papel. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984.
_______. A construção da personagem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983
_______. A preparação do ator. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981

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