Mostrando postagens com marcador Dramaturgia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dramaturgia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, novembro 06, 2013

ADÉLIA PRADO, TCHÉKOV, KIPLING, KEN WILBER, QUARUP & ACÁCIA BRAZIL

 

A HARPA DE ACÁCIA – O encanto esbanjado no seu jeito altivo da beleza fluminense diante da burma na busca da felicidade do seu espírito inquieto de geminiana pelas frágeis certezas deste mundo. Era desde a harpa dourada no cartão postal e a chegada de Lea Bach no Teatro Cassino Beira-Mar. Os seus dedos macios deslizavam pelas cordas de tripas de lince da saung gauk, em cada degrau da escada pequena ou de cerimônia, para glória de conduzir os herois dos Edas na pira fúnebre, ou como uma deusa psicagoga mensageira nórdica no modo do sono e todos dormiam irresistivelmente no encontro entre o céu e a terra. Era mais: a voz do Buda e exaltava a vida com o célebre e sagrado canto do harpista para Antef: Rejeita para longe de ti os cuidados, procura a diversão até que venha aquele dia de embarcar para a terra que ama o silêncio... E ela era Helena para inspirar meu coração Páris. Era Cleópatra a me seduzir com seus encantos. Como a deusa mãe celta ordenava as estações do ano e eu singrava de inverno a verão. E prosseguia como se lesse no papiro Harris 500: Segue teu desejo por mais que vivas. Põe mirra em tua cabeça, veste linho fino, unta a ti mesmo com as genuínas maravilhas de um deus. Aumenta teus deleites, que teu coração não se entristeça! Segue teu desejo e os prazeres a que aspiras, faze tuas coisas na terra ao pedido de teu coração... E eu me sentia como as insignias do Brian Boru, como a Irlanda e Gales. O apogeu para o júbilo da minha alma: Faz um dia feliz. Ponha junto o incenso e o óleo fino para tua narina, guirlandas de lótus e de flores sobre teu peito, ao passo que tua irmã, doce ao teu coração, está sentada ao teu lado... E ela se tornou a Cameratta de Odette na pintura de Bracet. Veja mais abaixo e aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Meu coração bate desamparado onde minhas pernas se juntam. É tão bom existir!... Pensamento da escritora, professora e filósofa Adélia Prado. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Se uma só pessoa for tocada por essa beleza, alcancei meu objetivo... Pensamento da harpista Acácia Brazil de Mello (1921-2008). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

AOS DRAMATURGOS – [...] Tente ser original na sua obra e tão diligente quanto lje seja possivel, mas não tenha medo de se mostrar pateta. Devemos ter liberdade de pensamento e só é um pensador emancipado aquele que não tem medo de escrever patetices. [...] a brevidade é irmã do talento. Lembre-se, a propósito, de que declarações de amor, de infidelidades de maridos e esposas, viúvos, órfãos e outras desditas vêm sendo descritas desde há muito. [...] e o principal é que o pai e a mãe devem comer. Escreva. As moscas purificam o ar, e as obras, a moral. [...]. Trecho extraído da obra Letters on the Short Story, the Drama and other Literary Topics (L. S. Friedland, 1924), do dramaturgo e escritor russo Anton Tchékov (1860-1904). Veja mais aqui e aqui.

  

QUARUP – [...] Quase de si mesma a ubá se encostou à margem direita do furo e Nando e Francisca slaatram enlaçados pela cintura. Mais para dentro da mnargem havia orquídeas claras, quase brancas. Nando e Francisca não falaram. Apenas se voltaram um para o outro, braços abertos, e o breve instante em que se separaram foi para deixarem cair no chão as roupas sobre as quais se deitaram debaixo de orquideas pálidas, separados do rio por um cortinado de orquideas coloridas. Quando veio o prazer Francisca o fechou em lábios e pétalas quentes sem nenhuma palavra e Nando descobriu o gozo que é profundo e continuo como mel e seiva que se elaboram no interior das plantras. Se de quando em quando separavam boca ou ventre era para melhor se verem um instante e constatrem com assombro que eram ainda duas pessoas, de novo se perdiam um no outro sem mais saber com que lábios sentiam os lábios do outro ou quem possuia e quem era possuido, ambos sem rumo que não fosse o outro pois viviam um no outro e se detestariam quando uma vez mais estivessem sozinhos depois de haverem vivido tamanha soma da vida. Entraram na água fresca do furo, cheios ainda de desejo, não desejo de fome que estavam saciados mas desejo de moradia um no outro pois nenhuma razão reconheciam como válida para serem dois. Ainda pingavam águas nus e sorridentes quando Nando constatou desapontado que seu proprio sexo não estava no ventre lixo e flexivel de Francisca e que nem no seu peito de homem floriam os pequenos seios dela. [...]. Trechos extraídos da obra Quarup (Civilização Brasileira, 1967), do jornalista e escritor Antonio Callado (1917-1997). Veja mais aqui.

 

CARTA DE PRINCÍPIOSSe te sentes, hoje, como a adolescente que já foste, \ ou que, talvez, nem tenhas, de fato sido; \ se, ao andares pela rua, és abordada por um homem, \ que quer... saber as horas ou teu relógio roubar; \ se és chamada de tia, pelo rapaz que é um tesão, \ e de jovem, pelo guardador, espertalhão; \ se observas, impotente, a eficiente ação da gravidade, \ no indefeso espaço de teu corpo; \ se andas de táxi e a aflição, com rádio aos berros, \ é bem maior que o medo de um estupro; \ se teu companheiro, de certo fazendo graça, \ fala em trocar-te por duas de vinte; \ se olhas, distraída, ao espelho e, curiosa \ perguntas, quem será essa senhora; \ se, entre a austeridade e o ridículo, \ o comprimento de tua saia oscila; \ se achas cada vez pior a impressão do jornal e, \ ao alongares os braços, não resolves a questão; \ se passas a acalentar a ideia de uma plástica, \ tão criticada, nas outras, até então; \ se já duvidas de tudo que a razão teima em provar-te, \ mas és capaz de, sempre, acolheres nova ilusão; \ se, no momento mais solene, tudo colocas em questão, \ sendo capaz de rir dos outros, e, ainda, de ti mesma; \ se és capaz de, frente a teu pensar, tão pouco linear, \ de ti, não cobrares coerência, apesar das insistências; \ se aguentas a perda do viço, dos pelos e dos apelos, \ sem, mesmo assim, o gozo da vida tu perderes; \ se, do rock ou similar, já não lembras dos teus ídolos, \ mas continuas a dançar, se possivel conforme a música; \ se teu tesão, na imaginação mais forte que na ação, \ ainda assim te guia, na busca de novo pão; \ se assim é contigo ou, mais ou menos, te parece, \ és mulher, minha guerreira, e quarenta já mereces. Poema do escritor britânico Rudyard Kipling (1865-1936). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

KEN WILBER - PSICOLOGIA INTEGRAL – A meta de uma Psicologia Integral é levar em conta e abarcar todos os aspectos legítimos da consciência humana. Trata-se de um livro que apresenta um dos primeiros modelos realmente integrativos da consciência, da psicologia e da terapia, fundamentando-se em centenas de fontes orientais e ocidentais, antigas e modernas, para criar um modelo psicológico que inclui ondas e correntes de desenvolvimento, estados de consciência e do eu, e analisa o curso da cada um deles, desde o subconsciente, passando pelo auto-conhecimento e indo até o superconsciente. Psicologia Integral é o trabalho sobre psicologia mais ambicioso do autor que já passou a ser considerado como um marco no estudo do desenvolvimento humano. UMA TEORIA DE TUDO – A obra Uma teoria de tudo é uma visão concisa e abrangente do pensamento revolucionário de Ken Wilber e da sua aplicação no mundo atual. Em linguagem clara, não técnica, o autor apresenta os modelos mais atuais que integram os domínios do corpo, da mente e da alma e do espírito, demonstrando como essas teorias podem ser aplicadas nos problemas do mundo real, nos campos da economia, da política, da medicina e da educação. Ele também apresenta práticas diárias que podem ser usadas pelos leitores a fim de aplicar essa visão integral no seu dia-a-dia. O OLHO DO ESPÍRITO – A obra O olho do espírito aborda temas desde temas acerca da psicologia Integral, a antropologia integral e seus defeitos fatasioso, o psicológico e espiritual, acelerando a ascensão e a descida a Deus, onde exatamente está o fundamento, a clareza cristalina da persepção sempre presente, enfim, trata de como seria viver numa cultura verdadeiramente integral, uma cultura que aceitasse sem reservas a existência do corpo, da mente, da alma e do espírito, apresentando, por meio do modelo do espectro da consciência para renovar completamente a visão de campos do conhecimento tão importantes quanto a psicologia, a espiritualidade, a antropologia, os estudos culturais, a arte, a teoria literária, a ecologia, o feminismo e a transformação planetária. UNIÃO DA ALMA E DOS SENTIDOS – A obra União da alma e dos sentidos: integrando ciência e religião, o autor observa que no mundo moderno, não há nenhum tópico mais polêmico e atual do que a relação entre a ciência e a religião – a ciência forneceu os métodos para descobrir a verdade, enquanto a religião ainda é a maior força criadora de sentido. Todavia, ambas ainda são consideradas mutuamente excludentes, com consequências angustiantes para a humanidade. Este livro mostra como se pode começar a pensar na ciência e na religião de maneira a tornar possíveis sua reconciliação e unidade, de forma aceitável para ambas as partes. Nesta obra, o autor visa levar o leitor comum a um acordo mútuo entre o mundo subjetivo e espiritual da sabedoria antiga e o mundo objetivo e empírico do conhecimento moderno. UM DEUS SOCIAL – Nesta obra o autor visa incorporar uma dimensão transpessoal à teoria sociológica, procurando criar uma estrutura de desenvolvimento através da qual os diversos níveis de interação social podem ser avaliados, e estabelecendo o âmbito de vários padrões epistemológicos - sensoriais, intelectuais e contemplativos - e os meios para analisá-los. Aborda o problema dos antecedentes no que diz respeito à religião, a hierarquia da organização, o individuo composto, alguns empregos da palavra crença, fé, experiência e adaptação, a sociologia da religião, o conhecimento e os interesses humanos, entre outros assuntos. O ESPECTRO DA CONSCIÊNCIA – Nessa obra o autor aborda os temas da evolução e da involução sob os pontos de vista dos dois modos de conhecer, a realidade como consciência, o tempo e a eternidade, o espaço e o infinito, a evolução do espectro, resenhando as tradições, a integração da sombra, o grande filtro, o homem como centauro, uma terra de ninguém e aquilo que é sempre já. O PROJETO ATMAN – Na obra O projeto Atman: uma visão transpessoal do desenvolvimento humano, trata acerca do desenvolvimento da evolução como transcendência com o objetivo de alcançar Atman, que é a Consciência de Unidade Essencial é só Deus. O autro considera que todos os impulsos servem a este Impulso, todos os desejos dependem deste Desejo e todas as forças subordinadas a esta Força. E é a este movimento, em seu conjunto, que o autor denomina de projeto Atman, o impulso de Deus para Deus, de Buda para Buda, de Brahman para Brahman, impulso esse originado no psiquismo humano e cujos resultados vão do enlevado até o catastrófico. KEN WILBER – O filósofo e pensador norte-americano Ken Wilber é o criador da Psicologia Integral e do Movimento Integral, que concentra as ideias básicas da integração de todas as áreas do conhecimento. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIA
WILBER, Ken. Uma teoria de tudo. São Paulo: Cultrix, 2003
______. Psicologia integral. São Paulo: Cultrix, 2007.
______. O olho do espírito. São Paulo: Cultrix, 2001.
______. União da alma e dos sentidos: integrando ciência e religião. São Paulo: Cultrix, 2001.
______; Um deus social. São Paulo: Cultriz, 1987.
______. O Espectro da Consciência. São Paulo: Cultrix, 1990.
______. O Projeto Atman: uma visão transpessoal do desenvolvimento humano. São Paulo: Cultrix, 1999,


Veja mais sobre:
Boi de fogo aqui.

E mais:
Poetas do Brasil, Gregório de Matos Guerra, Sheryl Crow, Dalinha Catunda, Yedda Gaspar Borges, Iracema Macedo, Fidélia Cassandra, Jade da Rocha, Psicodiagnóstico, Controle & Silêncio Administrativos aqui.
Eliete Cigarini, Abuso Sexual, Condicionamento Reflexo & Operante aqui.
Poetas do Brasil, Satyricon de Petrônio, Decameron de Boccaccio, Jorge de Lima, Laura Amélia Damous, Sandra Lustosa, Arriete Vilela, Sandra Magalhães Salgado, Celia Lamounier de Araújo & Simone Moura Mendes aqui.
Anna Pavlova, a Psicanálise de Freud & Adoção aqui.
A magia do olhar de quem chega aqui.
A mulher chinesa aqui.
Tarsila do Amaral, Psicopatologia & Transtornos de Consciência, Direito, Consumidor & Internet aqui.
José Saramago, Hannah Arendt, Luís Buñuel, Sérgio Mendes, Catherine Deneuve, Frederico Barbosa, Barbara Sukova, Os Assassinos do Frevo & Gilson Braga aqui.
Skinner, Walter Smetak, Costa-Gavras, Olga Benário, Kazimir Malevich, Irene Pappás, Camila Morgado & Pegada de Carbono aqui.
Marcio Baraldi & Transversalidade na Educação aqui.
Padre Bidião & as duas violências aqui.
A literatura de Rubem Fonseca aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o banguelo vê esmola grande fica mais assanhado que pinto no lixo aqui.
Big Shit Bôbras & o paredão: quem vai tomar no cu aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA;
Leitora Tataritaritatá!!!!
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui& maisaqui e aqui.


NATAL DO NITOLINO – Neste final de ano haverá apresentação do espetáculo do Nitolino com doação de livros infantis para as crianças das comunidades carentes de Maceió.


VOCÊ PODE PARTICIPAR!!!!!


DOAÇÃO DE 5 REAIS – Com a doação de 5 reais você proporciona a doação de um livro infantil para as crianças das comunidades carentes de Maceió. É só depositar nas contas:

BANCO DO BRASIL – Ag. 3332-4 -  c/c 9051-4
Em nome de Luiz Alberto Machado.

Participe do Natal do Nitolino e faça uma criança maceioense feliz!!!!!!
Veja detalhes aqui.

quinta-feira, março 07, 2013

BRECHT, SARAMAGO, CLARICE LISPECTOR, TRUMAN CAPOTE & TEATRO

 

EU & O TEATRO – Era eu aluno do Ginásio, lá pelo início dos anos 1970, quando vi pela primeira vez no auditório a encenação de um drama. Fiquei maravilhado e disse pra mim na hora: É isso que quero fazer! Corri pra Biblioteca e recorri à salvadora da pátria de todas as minhas inquirições, professora Jessiva, querendo saber tudo o que ocorrera naquela tarde da escola. Aí ela pacientemente me explicou que aquilo era Teatro e logo me dispôs obras na área do Hermilo: Manual do encenador, História do Teatro e outras mais. Foi quando vi um jogral com as obras do Ascenso e fiquei fascinado! No início das arteirices fui logo pras leituras de textos de peças teatrais, afora outras sobre a temática da dramaturgia, da carpintaria e espaço cênico, da preparação do ator e por aí vai. Foi quando dei de cara com o amigo Luiz Barreto que me apresentou as peças do pai dele, Fenelon Barreto. Das tantas peças, todas manuscritas com muito esmero e artesanalmente encadernadas, logo escolhi a intitulada O náufrago do Mafalda, porque pensei que fosse uma comédia como as que muito ouvira falar do Lelé Correia. Mas ele fincou pé no maior sucesso dele: Adoração. Ele venceu e juntamos atores experientes que já haviam tanto trabalhado com o pai dele, como com Miguel Jasseli – este professor do Hermilo - e com o Lelé. Elenco bom, paciente, todos levados pela minha astúcia de dirigir e compor as músicas com Fernandinho Melo. Oxe! A gente estava de vento em popa ensaiando pelas noites e finais de semana no Tribunal do Júri, cedido pelo então Promotor de Justiça, Laércio de Castro Duá Pacheco. Ia tudo bem até o dia em que a família botou gosto ruim e transformou este evento num angu de caroço, coisa que até hoje eles nem resolveram. O negócio da China gorou, cada um pro seu lado e quase perco a infante reputação, não fosse a ousadia de escrever o meu primeiro texto, Em busca de um lugar ao Sol, hoje reduzido apenas ao título de O Prêmio, que foi encenado na quadra do Colégio Diocesano, numa festa para lá de cheia de gente e aplausos. Aí tomei gosto pela coisa e meti as catanas escrevendo o meu segundo texto teatral, A viagem noturna do Sol, que foi generosamente encampada pelo amigo José Manoel Sobrinho & a trupe TTTrês Produções, em 1983, na Sala Clênio Wanderley, na Casa da Cultura do Recife. Oxente! Peito cheio, já me achava o tampa das cenas. Escrevi mais uns tantos textos, todos intermináveis, até ser peitado pelo memorável Paulo Cavalcanti para adaptar e encenar João sem Terra, de Hermilo. Depois de um bocado de hesitações topei e foram finais de semana por três anos trabalhando duro. Estava formado o grupo palmarense de teatro, Terra. Com isso, outros grupos locais apareceram e nos juntamos para criar a Associação Teatral Palmares (Atep) e, por conta disso, me tornei Diretor Regional da Federação de Teatro Amador de Pernambuco (Feteape). Logo em seguida escrevi esquetes e entrei na embalada de montar o Circo Itinerante, experiência rica que me desaprumou pro resto da vida. Veio então a Revista A Região e com ela as Edições Bagaço, pelas quais adaptei os livros infantis que culminaram com o Brincando com Elita. Depois disso caí no mundo e fui parar em Maceió, realizando esquetes e contação de histórias com o meu segundo livro infantil, Falange, falanginha, falangeta (veja aqui e aqui), pelas escolas, palcos e espaços que aparecessem. Foi, então, ocasião em que escrevi o texto teatral infantil O Lobisomem Zonzo, premiado e encenado por aí afora. A partir de então desenvolvi o projeto Brincarte, encampado pelo tabloide que editei por vários anos, o Nascente: PublicaçãoLítero-Cultural. Daí criei a Turma do Brincarte (Veja aqui e aqui) que encenou o meu quarto livro infantil, O Cravo e a Rosa. E comecei a realizar o projeto Brincar com Arte (veja aqui, aqui e aqui), realizando entre apresentações e oficinas, a palestra Brincar para aprender. Por consequência, foi a vez do Alvoradinha – calango verde do mato bom, ocasião em que se deu o meu reencontro com o artista plástico e ator, Rolandry Silvério, apoiados pela iniciativa empresarial do amigo Marcos Palmeira. Viajei muito pelo Brasil afora até chegarem as temporadas teatrais do Teatro Linda Mascarenhas, em Maceió, resultando na gravação do DVD de mais um livro infantil que transformei em teatro: Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas. Muita arteirice no balaio, até chegar nos debates e encenações sobre Psicologia Social e Educação, bem como do projeto de extensão do curso de Psicologia do Cesmac, que resultou n’O Jacaré e a Princesa, pelo qual retomei o projeto do Nitolino no Circo Itinerante Brincarte, realizando apresentações em praças, palcos, espaços improvisados, tendas, feiras de livros, festas de aniversário, bienais em todo país, carros de som pelas ruas e o escambau. O que uma experiência juvenil não faz com a gente, hem. Tudo isso culpa daquela apresentação dramática no auditório do Ginásio Municipal dos Palmares. Veja abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - O propósito do teatro é fazer o gesto recuperar o seu sentido, a palavra, o seu tom insubstituível, permitir que o silêncio, como na boa música seja também ouvido, e que o cenário não se limite ao decorativo e nem mesmo à moldura apenas - mas que todos esses elementos, aproximados de sua pureza teatral específica, formem a estrutura indivisível de um drama. Pensamento da escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: A vida é uma peça de teatro razoavelmente boa com um terceiro ato mal escrito. Pensamento do escritor e jornalista estadunidense Truman Capote (1924-1984). Veja mais aqui e aqui.

 

MEMORIAL DO CONVENTO - [...] são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem um coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu [...] Talvez as lágrimas não sejam mais do que isso, o alívio de uma ofensa [...]. Trechos extraídos da obra Memorial do Convento (Difel, 1983), do escritor, teatrólogo, jornalista e dramaturgo português José Saramago (1922-2010), autor das peças teatrais A noite (1979), Que farei com este livro: (1980), A segunda vida de Francisco de Assis (1987), In Nomine Dei (1993) e Don Giovanni ou O dissoluto absolvido (2005). Veja mais aqui e aqui.

 

TRES POEMASNADA É IMPOSSÍVEL DE MUDAR: Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.\ E examinai, sobretudo, o que parece habitual. \ Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, \ pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, \ de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar. O VOSSO TANQUE GENERAL, É UM CARRO FORTE: Derruba uma floresta esmaga cem\ Homens, \ Mas tem um defeito \ – Precisa de um motorista \ O vosso bombardeiro, general \ É poderoso: \ Voa mais depressa que a tempestade \ E transporta mais carga que um elefante \ Mas tem um defeito \ – Precisa de um piloto. \ O homem, meu general, é muito útil: \ Sabe voar, e sabe matar \ Mas tem um defeito \ – Sabe pensar. A EMIGRAÇÃO DOS POETAS: Homero não tinha morada \ E Dante teve que deixar a sua. \ Li-Po e Tu-Fu andaram por guerras civis \ Que tragaram 30 milhões de pessoas \ Eurípedes foi ameaçado com processos \ E Shakespeare, moribundo, foi impedido de falar. \ Não apenas a Musa, também a polícia \ Visitou François Villon. \ Conhecido como “o Amado” \ Lucrécio foi para o exílio \ Também Heine, e assim também \ Brecht, que buscou refúgio \ Sob o teto de palha dinamarquês. Poemas do dramaturgo, encenador e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Veja mais aqui e aqui.

 


O TEATRO - A palavra teatro abrange ao menos duas acepções fundamentais: o imóvel em que se realizam espetáculos e uma arte específica, transmitida ao público por intermédio do ator. Teatro implica a presença física de um artista, que se exibe para uma audiência, onde o público e o ator estão um em face do outro, durante o desenrolar do espetáculo.
O teatro é uma das expressões mais antigas do espírito lúdico da humanidade: em todas as épocas e entre todos os povos existe o desejo de desempenhar temporariamente o papel de outrem, fantasiar-se e falar à maneira dele. Esse 'outro' pode ser um deus, o que explica a origem de determinas representações em atos litúrgicos. Mas também pode ser o próximo, que se deseja ridicularizar: é uma das raízes dos jogos carnavalescos e da comédia, sem que se exclua, também para esta, uma origem litúrgica.
Os personagens centrais de uma representação teatral são evidentemente os atores. A partir de 1890, foi incluído o papel do encenador ou diretor.
Acima da arte do ator individual está o ideal do elenco, chefiado pelo encenador, que inspira e dirige a maneira de interpretação da obra no palco.
Outros profissionais hoje integram a atividade teatral além dos atores e diretores do espetáculo, como cenógrafos, músicos, figurinistas e contra-regra.

A RELAÇÃO TEATRO E LITERATURA - Com exceção de certas representações mudas (a exemplo da pantomina, os títeres) ou improvisadas (a exemplo da commedia dell'arte), o teatro não é uma arte totalmente autônoma: precisa, como base, de textos literários elaborados. Esses textos literários formam, em seu conjunto, a literatura dramática: a tragédia, a comédia, o drama, o teatro infantil, etc. Fazem parte, indubitavelmente, da literatura, como um dos seus mais importantes gêneros. Mas não são só exclusivamente literatura: precisam, para sua plena realização, da representação no palco. Não é suficiente a leitura, a não ser nos casos de poemas dramáticos, não destinados para o palco (como a segunda parte do Fausto de Goethe ou Manfred de Byron). Grande parte da literatura dramática do passado não pode ser hoje plenamente apreciada, porque as respectivas peças não podem, por este ou aquele motivo, ser representadas no teatro moderno (a exemplo do teatro espanhol do séc. XVII, certas peças da época elisabetana, etc.). Contra essa relação indissolúvel entre teatro e literatura já se pecou muito, e dos dois lados. No século XIX, por exemplo, as peças de Shakespeare foram tratadas, pela crítica literária, como se fossem poemas ou romances destinados à leitura, enquanto os teatros se contentaram com versões abreviadas ou reelaboradas, mutilando os textos; só no começo do séc. XX, Harley Granville-Barker restabeleceu o equilíbrio, explicando os textos pelos seus prefácios críticos e pela interpretação integral no palco, prestando serviço imenso ao teatro e à crítica. É mais perdoável, porém, o freqüente pecado contrário: o dos profissionais de teatro que preferem muitas vezes encenar textos dramáticos de valor literário duvidoso, pelas oportunidades que oferecem à exibição no palco.

A TRAGÉDIA - Aceita-se geralmente que a tragédia é de origem grega, embora vários tipos de jogos dramáticos tenham surgido antes em outras culturas.  Depois de passar por várias fases primitivas no séc. VI, a tragédia alcançou a sua forma clássica no séc. V ªC., com as obras de Ésquilo, Sófocles e Eurípides. Há muitas hipóteses divergentes quanto a isso. Segundo Aristóteles, a tragédia se originou de um ritual dedicado ao deus do vinho e da fertilidade.  Como muitos deuses que representam as forças vitais da natureza, Dioniso morre no outono e ressurge na primavera. Explicam-se assim tanto os aspectos alegres e cômicos da comédia como os tristes e trágicos da tragédia nos rituais a ele devotados.
Na sua Poética, Aristóteles construiu a primeira estética da arte dramática, onde acham-se definidos o pensamento, a fábula, o caráter, a linguagem, a melodia e a encenação - os seis elementos essenciais da obra teatral. Aristóteles ainda defende a tese de que a tragédia é o resultado de um processo de transformação, cujo ponto de partida teriam sido pequenos autos de sátiros. Embora burlescas, tais farsas bucólicas nada têm que ver com a comédia e tampouco com a sátira, termo latino que ainda hoje define o conhecido gênero literário sarcástico-polêmico. Esses autos teriam sido em seguida decantados do seu teor sensual e rudemente alegre.  Também afirma que a tragédia teria nascido do ditirambo, canto hínico e fervoroso de um coro dançante, acompanhado pela flauta, com o qual, a partir de certo momento, se celebrava de preferência Dioniso.
A escola de Cambridge que se orienta pelos estudos antropológicos de Jane Ellen Harrison e William Ridgeway, este último rebate Aristóteles, defendendo que a tragédia teria nascido de danças mímicas de atores mascarados, em homenagem a heróis mortos; a origem não estaria, portanto no culto a Dioniso, mas num ritual fúnebre.
O primeiro tragediógrafo foi Ésquilo, iniciando a fase clássica da tragédia e escrevendo de 79 a 90 peças, restando apenas 7 para a posteridade. A sua dramaturgia afigura-se por vezes como uma espécie de teodicéia ou justificação dos deuses em face do mal, da culpa e do sofrimento dos homens. Em sua obra, o homem parece ainda conviver com os deuses. Em seguida Sófocles. Este e Ésquilo possuíam uma cosmovisão teocêntrica. Para Sófocles o homem vive solitário, distanciado dos poderes divinos, já se infiltrando certo ceticismo, a relação entre culpa e punição se rompe; a ação dos deuses é insondável. Suas peças abordam o destino individual do herói e seus personagens se destacam como indivíduos.
Na obra de Eurípedes, o terceiro dentre eles, a sua cosmovisão é antropocêntrica, influenciada pelo pensamento dos sofistas, não vendo mais na divindade e sim no homem a medida de todas as coisas. Na sua obra não surgem apenas problemas políticos mas também sociais. Assim como os trágicos que o antecederam, ele escreveu sobre os deuses e heróis da Grécia; mas desmitifica Teseu e Agamenon, Apolo e Artêmide, Menelau e Demofonte, ganhando todos uma dimensão humana até então inédita.
Eurípedes tudo discute: mitos, tradições religiosas, moral, costumes. Sua preocupação fundamental é o homem. Ataca a família, não porque se oponha ao Estado, mas porque ela violenta a liberdade individual. Ele vê o homem sozinho, com sua visão, seu sofrimento, seus pensamentos. O homem com liberdade de agir, não é mais um instrumento de desígnio dos deuses. O homem livre é responsável pelos seus atos; nas tragédias de Eurípedes, a consciência e o arrependimento são o corolário da liberdade de agir. Orestes e Electra sentem culpa e arrependem-se, consumando o matricídio. A intervenção do deus ex machina, (literalmente, o deus que sai da máquina; figuradamente, acontecimento totalmente imprevisto) muito mais tarde, vai permitir que levem uma vida apenas suportável. Ele foi dos primeiros a tratar do amor em suas tragédias: cantou o amor conjugal, o amor materno, o amor arrebatado. Sua galeria de personagens femininos é enorme: as mulheres são verdadeiras heroínas. Ao contrário dos homens, em geral desagradáveis e de caráter fraco, nelas concentram nobreza, ternura, piedade. Freqüentemente sacrificam-se para salvar marido, filhos ou pátria, exaltando-lhes a abnegação, a renúncia.
Eurípedes foi um homem do seu tempo. De todas as peças que nos chegaram, apenas Alceste é anterior à guerra de Esparta. Patriota, ele vê Atenas como o único lugar onde encontram refúgio os oprimidos.
Por fim, para definir a tragédia grega basta, em essência, a situação trágica, trazendo atroz angústia, mas admitindo uma solução satisfatória. Muito mais freqüente, porém, é o conflito trágico em si concluso - um conflito sem saída. Esmagado pela fatalidade ou por forças desencadeadas por ele mesmo, o herói sucumbe, não raro porque por certo excesso, ou por soberbia desmedida, desequilibrou a medida, a lei ou a harmonia da pólis e do universo; a lei natural e a lei moral se identificam na concepção mítica. Todavia, os três autores diferenciam-se na sua atitude em face dos deuses.

COMÉDIA - Comédia é o gênero teatral subordinado à noção de comicidade, humor, riso, sátira e leveza, teatro de comédia é um tipo de teatro declamado, em oposição ao teatro musicado e ao teatro de revista. O termo comédia abrange uma variedade extremamente ampla de manifestações teatrais; os limites do gênero, através dos tempos, têm sido flutuantes, e qualquer definição rígida deve ser aceita com reservas. As conceituações clássicas insistem em atribuir à comédia uma noção de vulgaridade e pouca elevação moral, em oposição à tragédia, o gênero nobre. Originada da parte mais alegre do ditirambo - o cântico improvisado das primitivas procissões dionisíacas - a comédia encerrava os festivais atenienses mostrando aos espectadores que o teatro é uma grande brincadeira.
Na sua Poética, Aristóteles afirma: a comédia é uma imitação de caracteres  de tipo mais baixo, mas não na plena aceitação da palavra mal, pois o ridículo é apenas uma subdivisão do feio, e consiste num defeito ou feiúra que não são dolorosos nem destrutivos. Segundo ele, a comédia tende a representar os homens piores e a tragédia melhores do que são. Entretanto, estudiosos contemporâneos frisam que as palavra usadas por Aristóteles para bom e mau, têm uma conotação de pesado e leve, e devem portanto, ser interpretadas menos no sentido de uma discriminação moral do que para insinuar, ao contrário, do caráter hierático da tragédia, o toque de leveza que constitui um marco característico da comédia. De qualquer modo, a idéia original, que vincula a comédia ao conceito de vulgaridade e à representação de tipos e de atos de baixo padrão, sofreu progressiva transformação através dos tempos.  
Nos fins do séc. XIX, os principais teóricos do teatro já reconheciam que virtualmente qualquer conflito dramático está aberto à interpretação cômica.
A trajetória histórica da comédia poderia, portanto, ser representada por uma curva ascendente, através da qual um gênero originalmente vinculado a uma conotação moral depreciativa se impõe progressivamente à opinião pública pelo seu potencial intelectual, e até mesmo pela sua eventual contribuição para a formação moral dos espectadores. Diz Aristóteles que, enquanto a tragédia surgiu das celebrações ditirâmbicas, as origens da comédia podem ser encontradas nas cerimônias e canções fálicas. Por mais impreciso que seja nosso conhecimento desses rituais primitivos, parece fora de dúvida que a comédia deriva da celebração ritual da fertilidade, e que as suas raízes estão intimamente ligadas à idéia das fontes de vida, da energia sexual que dá origem à vida, do ciclo vital que transcende os limites temporais da condição humana e garante a perpetuação da espécie. Apesar das dicotomias, a comédia antiga constituía um gênero tão nitidamente cristalizado quanto a tragédia, com a qual possuía consideráveis semelhanças estruturais.
Um novo triunvirato aparece na Grécia antiga: Cratino, Êupolis e Aristófanes, nascido dos concursos das dionísias atenienses. Todos os conflitos da atualidade ática refletem-se, através de alusões mordazes e de invectivas diretas, nas obras deles, principalmente de Aristófanes.
Na comédia Romana merecem destaque Plauto e Terêncio.           Em seguida, o português Gil Vicente tornou-se um dos principais elos entre a Idade Média e a Renascença. Na Espanha, Lope de Veja, autor de 1.200 obras teatrais, é o maior representante da dramaturgia do Século de Ouro. Seguem-se Tirso de Molina e Calderón. Na Inglaterra basta o acervo de comédias de William Shakespeare para consagrar a comédia elisabetana. Na França, o teatro renascentista-humanista do séc. XVII, floresce a comédia francesa, com Moliére, introduzindo uma comédia farsesca influenciada pela Commedia dell'Arte. Na Itália a Commedia dell'Arte dominou os palcos com notável vitalidade e comunicação popular com Goldoni, no séc. XVIII. Com graça, Goldoni criticava nas suas comédias a sociedade do seu tempo. Ao mesmo tempo que Goldoni reformava a comédia, Lessing tornava-se o primeiro grande dramaturgo alemão, precursor na história da comédia alemã.
O ponto alto da comédia francesa do séc. XVIII é a obra de Marivaux, com suas comédias trabalhadas como um miniaturista que, pela extrema graça e delicadeza, lembram a música de Mozart, a pintura de Watteau: comédias galantes, inspiradas na forma pela commedia dell'Arte e pelos clássicos italianos.
Com o Romantismo, no séc. XVIII, surgem na França, as comédias de Beaumarchais e as do poeta Alfred Musset.
No século XIX o grande nome é o russo Nikolai Gogol. A partir deste muitos autores como Oscar Wilde, Bernard Shaw, Anton Tchekhov, Luigi Pirandello, Eugene O'Neill formaram o panteão da comédia.
No séc. XX, aparece Bertlt Brecht que afirmava: "Deus passa o dia inteiro rindo de si mesmo" e no seu próprio teatro, o riso e a comédia ocupam lugar importante. O objetivo principal desse teatro brechtiano reside em levar o espectador ao reconhecimento lúcido  das injustiças da estrutura social; por mais sério e grave que seja o processo que leva a esse reconhecimento, sua dialética seria incompleta sem os efeitos da comédia, através dos quais Brecht corta os perigos do envolvimento emocional e propicia o surgimento de uma atitude distanciada por parte do espectador em relação aos acontecimentos representados em cena. Talvez nenhum outro dramaturgo tenha explorado com a mesma lucidez que Brecht o potencial didático da comédia, o valor crítico do humor e do riso.
Um outro nome de relevo é Samuel Beckett, cujos personagens, tristes palhaços e lamentáveis trapos humanos, resistem estoicamente ao absurdo de um universo hostil e árido, que os condena a uma existência quase negativa.

A COMMEDIA DELL'ARTE: TEATRO DO POVO - A commedia dell'arte vulgarizou a trama, as intrigas e as situações, aproveitando máscaras e trajes carnavalescos e os grandes recursos da pantomina popular. Permitindo ao ator os ilimitados recursos da improvisão, o gênero faz do intérprete o mais importante elemento do espetáculo teatral. O ator é um dos elementos do espetáculo, harmonizado com os demais. A harmonia rompe-se, pelo excesso ou pela deficiência de qualquer dos elementos. A omissão do intérprete conduz em geral ao chamado teatro literário, do encenador ou dos acessórios. O reinado absoluto do ator confundiu-se com a Commedia dell'Arte, que se afirmou do séc. XV ao XVII, na Itália, expandindo-se por toda Europa e exercendo decisiva influência na posteridade.
O fundamento da Commedia dell'Arte é a improvisação, isto é, o ator torna-se o autor do espetáculo que vai oferecendo. Mesmo a existência de lazzi, achados cômicos, e a preservação de canovacci, roteiros seguidos pelos intérpretes, não invalidam a idéia de que os diálogos se conjugavam de acordo com a fantasia do momento. Essa liberdade criadora, paradoxalmente, confinava-se por outra limitação: os intérpretes fixavam-se sempre numa máscara, especializando-se em determinado papel, pelo qual ficavam famosos até a morte. Com base num esquema, os cômicos davam largas à imaginação. Mas, na realidade, eles acabaram por ser os autores de um só tipo, o que equivale a repetição e pobreza. Por isso a Commedia dell'Arte morreu da indigência do texto, motivo de desequilíbrio do espetáculo.
A reforma de Goldoni não representou, como se costuma pensar, o restabelecimento do primado literário. Pode-se ainda admitir que o dramaturgo italiano tivesse feito valer a supremacia da boa peça sobre a má peça improvisada pelos cômicos dell'Arte. O valor maior de Goldoni residiu no gênio em criar ótimas personagens, que favoreceram a plena expansão do comediante. O chamado teatro literário esmaga o intérprete. Os diálogos abundantes constrangem o ator, que se sente mal em cena. Se o dramaturgo não previu a necessidade da interpretação, deveria escrever ensaios ou romances. O teatro literário é menos teatral que todos os abusos cometidos pela Commedia dell'Arte. Imaginar também o intérprete coibido pelo dirigismo excessivo do encenador ou pelo acúmulo de acessórios é apequená-lo no palco, exatamente onde ele deve ser o centro da atenção.
A Commedia dellÁrte, entre outras virtudes, teve a de marcar em definitivo que o ator é a base do teatro.

O PARADOXO DE DIDEROT - Muitos atores recusam e teóricos discutem, mas o ponto de partida para quaisquer conjeturas sobre a interpretação é o Paradoxe sobre o comediante, de Denis Diderot. Argumenta-se que o filósofo tinha um conhecimento exterior dessa arte, porque nunca pisou num palco. O título do ensaio deixa bem claro que se trata de paradoxe sobre o comediante, e não do comediante. As considerações racionais não roubam a força do postulado de Diderot, que soube pôr o dedo na ferida. Uma afirmação categórica resume a tese: "É a extrema sensibilidade que faz os atores medíocres; é a sensibilidade medíocre que faz a multidão dos maus atores; e é a falta absoluta de sensibilidade que prepara os atores sublimes. As lágrimas do comediante descem de seu cérebro; as do homem sensível sobem do seu coração". (Diderot: 1979:22). Não cabe dúvida: o grande desempenho estriba-se para o enciclopedista, na ausência total de sensibilidade. A experiência mostra que o ator extremamente sensível e não favorecido pela inteligência se perde no emaranhado emocional, sem atingir o público. Seu problema é o de transmitir uma emoção, não se contentando em senti-la.

O TEATRO BURGUÊS - A predileção por tudo o que é essencial manifestou-se até mesmo nos instantes mais ousados do novo drama, o drama burguês. Sobrecarregado de problemas desconhecidos para as velhas formas, esse teatro exprimia anseios romântico-emocionais e acabava insistindo nas convenções herdadas do classicismo. Sem compreender a verdadeira diferença entre tragédia e tristeza, o público preferia o desenlace mais satisfatório. Os fundadores do drama burguês, Diderot, Lessing e George Lilo, que haviam escrito na fase área do Iluminismo peças que apresentavam o indivíduo condicionado pela realidade do cotidiano. Shiller e Goethe desenvolviam o classicismo alemão, criando dramas burgueses e tragédias político-históricas movidos por intenções idealistas. Considerando a popularidade adquirida uma ameaça de vulgarização, alguns críticos e autores passaram a propugnar por um teatro de elite. Foi quando a técnica do palco, a ação e as personagens perderam a simplicidade e foram se distanciando do teatro popular, enquanto os críticos discutiam se a culpa não deveria ser atribuída ao mundo moderno, que oferece à tragédia menos assunto do que as épocas passadas. Em seguida ocorreu o naturalismo de Émile Zola e as idéias naturalistas estenderam-se por toda Europa e culminaram na obra de Henrik Ibsen, um norueguês que superou os seus pressupostos e imprimiu a seu teatro traços realistas.

O ESTRANHAMENTO BRECHTIANO - O ideal da fusão ator com a personagem opõe-se a teoria de Brecht, que preconiza, ao contrário, um afastamento, no seu famoso "Organon". O conceito do dramaturgo alemão não se separa da tese geral sobre os objetivos do teatro, e se nutre tanto da idéia a respeito dos propósitos da peça como da presença do público no espetáculo. O conjunto de princípios leva à formulação da teoria do teatro épico, de claro papel desmistificador dentro da sociedade de classes. A preocupação de racionalidade, que abole o transe, leva ao preceito: "Em nenhum momento o ator deve entregar-se a uma completa metamorfose. Uma crítica do gênero: ele não representava o papel tal (Lear, Jasão, Chicó, etc) , mas ele era tal (Lear, Jasão, Chicó, etc), seria para ele a pior das acusações. Ele deve contentar-se em mostrar sua personagem , ou mais exatamente, não contentar-se em vivê-la; o que não implica que permaneça frio enquanto interpreta personagens apaixonadas. Apenas, seus próprios sentimentos nunca deverão confundir-se automaticamente com os de sua personagem, de forma que o público, por seu turno, não os adote automaticamente. O público deve desfrutar nesse ponto a mais completa liberdade" (Brecht, 1978). Mostrar a personagem e não encarná-la, eis o lema brechtiano para o ator. Estão contidas só as premissas didáticas do teórico: o teatro é um dos instrumentos da revolução. Importa, em cada situação, isolar o gestus social, aquele ensinamento preciso que dá a medida dialética da história. Se o ator se confundisse mediunicamente com a personagem, manteria a atmosfera ilusória do espetáculo, prejudicando a instauração da consciência revolucionária. Daí a vantagem de piscar o comediante para o público, lembrando-lhe sempre que o espetáculo é ficção. Brecht não proíbe seu ator, nos ensaios, se ponha na pele da personagem, como um método de observação, entre outros. Ele vê na observação, aliás, parte essencial da arte do comediante. Esse raciocínio admitiria que se considerasse a utilização do método de Stanislávski um estádio anterior ao da procura do efeito de distanciamento (ou estranhamento). É evidente que, para afastar-se, é necessário estar próximo, antes de mais nada, e a técnica da aproximação se aprende no sistema stanislavskiano. A primeira teoria tem sobretudo fundo psicológico, enquanto a segunda sublinha os elementos sociais e políticos. O estranhamento brechtiano visa a não permitir que o ator se confunda com os postulados de uma ordem perempta.

MÉTODO STANISLÁVSKI - O debate entre sensibilidade e inteligência tende a incidir no academismo. O ator deve conhecer os meios para falar ao público. As conjeturas teóricas, não experimentadas na prática, sempre resultam estéreis. Por isso o grande encenador russo Stanislávski salientou a importância da técnica, mais necessária à arte teatral que a outra qualquer. Afastou-se ele das indagações filosóficas sobre o teatro, que não têm alcance prático imediato, para dedicar-se à questão do "como?". Os livros "A preparação do ator", "A construção da personagem" e "A criação do papel", aos quais se seguiriam outros, se a morte não interrompesse  tão fecunda atividade, estabeleceram as bases do sistema ou método de Stanislávski, ainda não superado como compêndio para o comediante. Qualquer ator que deseje penetrar os segredos de sua profissão ganhará em ler Stanislávski e exercitar-se a partir de seus ensinamentos. O objetivo fundamental das pesquisas stanislavskianas é estabelecer a total intimidade entre o ator e a personagem , para que haja a identificação de ambos. Narra que os seus atores, para se impregnarem dos papéis, para entrarem na pele das personagens, escolhiam um dia para viver a vida delas, de acordo com as indicações do texto. Cada diálogo, cada observação, cada comportamento visava a reproduzir a psicologia da personagem, se o autor a surpreendesse naquela circunstância. Não pode haver mais proveitoso exercício para animação de um papel, no qual o ator elabora, em todos os pormenores, o inteiro caráter retratado. Nesse empenho, servem ao comediante tanto a aplicação lúcida como um feliz acaso. Ninguém foi mais longe do que Stanislávski na pesquisa da verdade íntima, no trabalho de interiorização, nessa procura de um colóquio alucinadamente sincero, cujo ideal é a inteira entrega do ator à personagem.

O TEATRO DE BOULEVARD - Utiliza-se a expressão teatro de boulevard a propósito sobretudo da comédia ligeira, sem pretensões intelectuais e destinada a divertir o público. Como não é fácil divertir, muitas das peças que formulam esse objetivo não fazem mais do que entediar. A verdade é que o teatro de boulevard se especializou nas comédias digestivas, que repetem indefinidamente no papel de protagonista o surrado triângulo amoroso. Cínica, amoral, desesperada na procura de um ângulo qualquer de originalidade, sem se importar com incidentes inverossímeis, e satisfazendo, no final, ao desejado repouso ou até mesmo ao moralismo burguês, essa dramaturgia manipula o antigo receituário do teatro, e o situa como comércio e não arte.

EXTENSÕES: O TEATRO ÉPICO: A composição épica é a que reúne muitas fábulas. A epopéia, assim, aparece como gênero puro, basicamente diverso da tragédia, vez que ao conceituar a tragédia, Aristóteles a diferencia, na Poética, da epopéia. Brecht quando formulou a teoria do teatro épico, estava tentando, na verdade, conciliar os gêneros que na aparência se repeliam, de acordo com a poética aristotélica. A narrativa, agindo por meio de argumento e não da sugestão, aguça o espírito crítico, ao invés de provocar o efeito ilusório. Produz-se, assim, o distanciamento, essencial à forma épica de teatro. O teatro épico visa, em síntese, a fazer do espectador um observador crítico; a despertar sua atividade; a obrigá-lo a decisões; a opor-se à ação, em de se imiscuir nela. No teatro épico os sentimentos traduzem-se por juízos e o homem é objeto de estudo, além de mudar e ser mutável.

TEATRO SOCIAL: A expressão teatro social é mais ampla, pode compreender os conceitos de teatro político e épico, mas não se esgota neles. Ela passou a ser veiculada, aliás, como antídoto ao sectarismos ideológicos dos espetáculos de propaganda. O teatro toma consciência de sua função dentro da sociedade, sem encarnar uma ideologia precisa e sem o propósito de converter ninguém a essa ou àquela causa.

TEATRO DO OPRIMIDO: Ao conceituar o teatro invisível, uma das técnicas do teatro do oprimido, Augusto Boal afirma que ele procura ordenar a realidade, torná-la cognoscível, inteligível, perceptível nas suas razões mais profundas, e não apenas na sua aparência. Esclarece o próprio Boal que o teatro do oprimido não é um teatro de classe, mas que seria definido quando trata do teatro das classes oprimidas e de todos os oprimidos, mesmo no interior dessas classes.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA
AMARAL, Maria Adelaide A Santos. Teatro vivo: introdução e história. São Paulo: Abril Cultura, 1976
ARISTÓTELES. Poética. São Paulo: Abril Cultural, 1979
BARATA, José Oliveira. Didáctica do teatro: introdução: Coimbra: Almedina, 1979.
BORNHEIM, Gerd. O sentido e a máscara. São Paulo: Perspectiva, 1975
________. Teatro: a cena dividida. Porto Alegre: L&PM, 1983
BRECHT, Bertolt. Estudos sobre teatro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978
DIDEROT, Denis. Paradoxo sobre o comediante. São Paulo: Abril Cultural, 1979
ESSLIN, Martin. Uma anatomia do drama. Rio de Janeiro: Zahar, 1978
FERGUSSON, Francis. Evolução e sentido do teatro. Rio de Janeiro: Zahar, 1964
JÚNIOR, Redondo. O teatro e a sua estética. Lisboa: Arcádia,1964
LEWIS, Robert. Método ou loucura. Rio de Janeiro: Letras e Artes, 1962.
MAGALDI, Sábato. Iniciação ao teatro. São Paulo; Ática, 1985
ROSENFELD, Anatol. Texto/contexto. São Paulo: Perspectiva, 1976
SOUZA, J. B. Mello. Teatro grego. Rio de Janeiro: W.M. Jackson, 1950
STANISLÁVSKI. Minha vida na arte. São Paulo: Anhembi, 1956.
_______. A criação de um papel. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984.
_______. A construção da personagem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983
_______. A preparação do ator. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981

OUTRAS LINKAGENS SOBRE A LITERATURA E A HISTÓRIA DO TEATRO:

HISTÓRIA DO TEATRO: ORIGENS
TRAGÉDIA GREGA
TEATRO GREGO: SÓFOCLES
TEATRO GREGO: ÉSQUILO
TEATRO GREGO: EURÍPEDES
COMÉDIA NO TEATRO GREGO
TEATRO GREGO: COMÉDIA
TEATRO ROMANO
O TEATRO LATINO
HISTÓRIA DO TEATRO – DO SEC. V AO SEC. XV.
GIANFRACESCO GUARNIERI
BERTOLT BRECH
PAPA HIGHIRTE
AUGUSTO BOAL
SABATO MAGALDI: INICIAÇÃO AO TEATRO
GERD BORNHEIM – O SENTIDO E A MÁSCARA
O TEATRO BRASILEIRO MODERNO
TRAGÉDIA MODERNA
HISTÓRIA MUNDIAL DO TEATRO
NELSON RODRIGUES
GERD BORNHEIM: A CENA DIVIDIDA
CONSTANTIN STANISLAVSKI: A CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM
OLGA REVERBEL – TEATRO NA SALA DE AULA
HERMILO BORBA FILHO
VIOLA SPOLIN – IMPROVISÃO PARA O TEATRO
BERTOLT BRECHT: ESTUDOS SOBRE TEATRO
MARCO CAMAROTTI: A LINGUAGEM NO TEATRO INFANTIL
TEATRO INFANTIL – LOBISOMEM ZONZO
TEATRO NA SALA DE AULA
O LOBISOMEM ZONZO
BRINCANDO COM ELITA
CESAR OBEID & TEATRO DE CORDEL
Confira mais sobre Teatro aqui.




Veja mais sobre:
Convite no Crônica de amor por ela, Zygmunt Bauman, Sérgio Porto, Friedrich Hölderlin, Oswald de Andrade, George Gershwin, Anaïs Nin, Kiri Te Kanawa, Lucélia Santos, Pedro Almodóvar, Parmigiano, Penélope Cruz Sanchez, Sumi Jo & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Marie Curie & Todo dia é dia da mulher aqui.
Beethoven, Eric Kandel, Hermeto Pascoal, Linda Lovelace & Nina Kozoriz aqui.
Hypatia, Mary Calkins, Oswald de Andrade, Parmigiano, Stanislaw Ponte Preta & Geraldo Azevedo aqui.
Dicionário Tataritaritatá aqui.
Galdino vive aqui.
A psicologia, os adolescentes & as DST/AIDS aqui.
Proezas do Biritoaldo: quando o balde tá entupido, a topada leva a merda pro ventilador aqui.
O vexame da maior presepada aqui.
Espera aqui.
Lavratura aqui.
A solidão de Toulouse aqui.
A lágrima de Neruda aqui.
Poema em voz alta aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitoratriz comemorando no Tataritaritatá!!!
Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.




HILDA HILST, HANNAH CRITCHLOW, DANIELLE STEEL & ONILDO ALMEIDA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Fábula hodierna ... - Dois irmãos uterinos, duas irmãs órfãs consanguíneas. Assim: Prometeu brechava fascín...