sexta-feira, junho 05, 2020

EDITH AZAM, EMMA AMOS, TAMIKA MALLORY, NINA RIZZI, CHAIRIM ARRAIS & PALLY SIQUEIRA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: NÃO CONSIGO RESPIRAR - Nesse tempo indigesto de tanger manada com apito de cachorro, tem quem fique engasgado e em tempo de estuporar a caixa dos peitos, assim como eu, ora, ora. Sei que voltou a ter vigência aquela de que abaixo do queixo tudo é perna, mas não estão livrando nem a cara para a canelada, meu! Está tudo muito irrespirável para quem nunca se enquadrou nos moldes políticos para ocupação de cargos públicos, quanto mais num reino de critérios para lá de escusos como este, que não dá para fungar quanto mais encher o pulmão numa poluição sem precedentes. Ora, basta considerar que para ocupar qualquer ministério do planalto, basta ter farda e dar continência, pois para a pasta da saúde, pelo visto, não precisa de formação médica; para a educação, basta ser escroque que não saiba ler nem escrever; pro meio ambiente, que seja um simples dendroclasta burocrático; que procurador se digne a chalerar na defesa do maioral; que a representação da mulher seja feita por uma machista, ou que o representante dos descendentes palmarinos seja um antipatizante racista. Time deste é o mesmo que premiar predador de motosserra no Dia Mundial do Meio Ambiente, diga lá se não é? Só sendo. Como se, na vergasta do carrasco, a gente repetisse Baudelaire: está-me empurrando, como se eu fosse um boi, com seu duplo aguilhão: "Vai, anda, burrico! Vai, sua, escravo! Vai, vive, maldito!” Assim não tem quem consiga respirar com um joelho desse na goela, né?! DOIS: OU SAI PRA VIDA OU SEGURA A ESPERANÇA PELO RABO – Ficar só no eita com os apupos internacionais e as lapadas do noticiário, não dá em nada. É como se entrar em combate só com nota de repúdio, braços cruzados e bunda na poltrona: xô, pra lá! Nem ficar de queixo caído porque, apesar dos escândalos e arbitrariedades, ninguém faz nada e passa a bola pro outro escapulindo o procto da reta, no cúmulo da desonra. Ah, não, se não tiver iniciativa de ação, nem só com indignação se questiona direito. O pior é a constatação de Lorca martelando no juízo: O mais terrível dos sentimentos é o sentimento de ter a esperança perdida. Olha à direita e à esquerda do tempo, e que o teu coração aprenda a estar tranquilo. Como não me preocupei de nascer, não me preocuparei de morrer. Ao poeta a dor da reação depois de morto. Para mim, viver é ação enquanto é tempo. TRÊS: SE VIVO, NÃO É PARA DEFUNTAR – Cá com meus botões, conversada pelos cotovelos naquela do Rubião: Não morri, conforme esperava. Maiores foram as minhas aflições, maior o meu desconsolo. Muito poderia contar das minhas preferências, da minha solidão, do meu sincero apreço pela espécie humana, da minha persistência em usar pouco cabelo e excessivos bigodes. Mas, o meu maior tédio é ainda falar sobre a minha própria pessoa. Principalmente quando a gente dá de cara ao que foi reduzida uma considerável parcela da humanidade: quem não se arrumar nos ajeitados com o negacionismo de terraplanista, que vá se catar nas quenturas dos quintos dos infernos e passe bem! Tem quem se preste a tal, e como tem! Eu que não vou nessa digo e repito reiteradamente: vamos aprumar a conversa, gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Queria garantir que as vozes das mulheres negras fossem defendidas, exaltadas e que nossos problemas fossem resolvidos, mas isso não poderia acontecer a menos que sentássemos à mesa [...] Eles estão com raiva e existe uma maneira fácil de impedir; prenda os policiais. Denuncie os policiais. Denuncie todos os policiais. Não apenas alguns deles, não apenas aqui em Minneapolis. Denuncie-os em todas as cidades da América onde nosso povo está sendo assassinado [...] Apresentar uma oportunidade para as pessoas não apenas ficarem tristes e frustradas, mas sentirem que há poder em números e em ser organizado [...]. Trechos do discurso da ativista estadunidense Tamika Mallory, que foi uma das principais organizadoras da Marcha das Mulheres de 2017, defendendo o controle de armas, o feminino e o movimento Black Lives Matter.

A POESIA EDITH AZAM
I - Eu morro de amor e pombas, / Eu morro de memória e invenção, / Eu morro das lágrimas de um narciso, / mas o céu uma vez, / mas o céu uma vez ... / Estou cansado das urtigas azuis, cansado das estátuas que suam, / cansado do horror dos porões e dos cheiros dos túneis, / Estou cansado de te amar, especialmente quando você não me ama, / Estou cansado do meu cérebro, estou cansado de não estar. / Eu morro na gargalhada do vento, / Eu morro de mordida e alegria, / Eu morro até perder a cabeça / mas o céu uma vez, / mas o céu uma vez ... / Eu morro em violetas selvagens, / Eu morro no coração de um esquimó, / Eu morro de amor no gelo, / Eu morro e gostaria de me esconder. / mas nas minhas veias, céu. / Rachadura desses sofrimentos que engolimos, desses sofrimentos que nos estrangulam / Eu quebrei nos portões da consciência Eu quebrei meu irmão queimado / e eu morro de tanto medo que tremo / Eu nunca entendo nada sobre o riso de pássaros zombando / crack do meu crack não-suicida em bilhões de lascas / Eu cortei minha respiração em papel carbono / finalmente cortei as âncoras e as tintas meu sangue / Cortei pedaços de vidro e fiz versos amassados, depois esfreguei meu corpo / e eu tenho isso em todo lugar no meu rosto, eu tenho igualmente no meu coração para que você nunca esqueça / e que ninguém cancelará que estou cansado de você. / Eu sinto o céu quebrar ... / Eu morro de amor e pombas, / Eu morro de embriaguez e de invenção, / Eu morro em uma batida de asas, / mas o céu uma vez, mas, / Céu uma vez, mas o, / Céu uma vez, mas céu, / uma vez, mas o céu uma vez, / uma vez, mas o céu uma vez, / mas o céu na cara porque eu não terminei de te amar, / porque a vida das rosas é preciosa para mim; / também por causa das noites nas estrelas, as horas inteiras perto de você: / mas o céu uma vez, / Céu no vazio de seus braços, / Céu todo contra mim: / e nas minhas veias...
II – Um tolo fala por mim sozinho. / um tolo fala só por mim, diz o que sinto falta de dizer - / falar em voz alta tão alta, eu me sinto quadrado - / fale em voz alta e eu repito / Repito suas palavras mandíbulas - / Eu repito - / cuspir ossos - / Eu repito - / cuspir ossos - / agravar - / agravar empurra os limites - / a implicação é tremenda - / tremor perfeito - da falta de dizer - / a falta de dizer - / a falta de dizer que me mantém de pé - / Eu fico em silêncio. / Eu grito o choro branco, a flecha. / esmague o sol nas suas mãos: / a linha da frente cruza - / Repito as palavras mandíbulas - / as palavras, que me dizem tudo sobre mim, / Eu a devolvo em uma mastigação selvagem - / um tolo fala por si mesmo e isso me queima / um louco fala por si e por mim? / e repito por dentro / Repito e tudo dentro de mim, / divisões e quadrados - / o crack é a falta de dizer - / a escassez de dizer me perturba - / Eu queimo dentro da minha cabeça, atrás do meu rosto / há um golpe de bastão - / o grito de um louco que se queima - / sim doloroso - / sim doloroso - / o louco grita, grita - / dentro de mim um louco que explode / que range de deficiência em todo lugar / a falta de dizer / a falta de dizer / a falta de dizer!
III – É um bloco de anotações antigo / Eu levo de volta para você. / Muitas vezes na cabeça: seu nome. / Gire continuamente, / é fofo, / e água Perrier, bolhas - / há esquilos no parque, / esquilos, / o clima… / Eu escrevo, / Eu li poesia e... / Eu tento refletir em boa cópia. / Eu reflito: já é algo. / Então, esse bloco de anotações antigo, / essas coisas que eu quero perto de você. / Eu tenho a marca no meu pulso, / age como um leve sorriso. / Ninguém fala à mesa, / na mesa, não há conversa. / Os almoços à mesa são glaucosos, / e então... é mais profundo que isso - / é o jeito de murmurar oito minutos / a almôndega; / é a cabeça que treme; e depois, / O corpo inteiro; / é quem gagueja / é o outro que provoca; / sou eu ... não estou mais com fome. / Então eu volto a ler - / Eu te amo - / Medicamentos, medicamentos ... / Tenho medo de tomar remédios, / medicamentos, meu estômago cai: / e depois o mesmo quando escrevo para você: me repito 100 vezes / ainda cai em mim: / Perrier em cima da mesa / clique em bolhas de clack. / Eu penso na sua voz: / ao telefone. / Eu acho que, / Eu não penso mais. / Não sei que horas são / não é tarde. / Eu ouço um CD: / de Mauricette - / Eu quero estar perto de você, / também quer carne vermelha / Eu te amo. / Não diga nada, eu sei ... / não diga nada… / As bolhas de Perrier ... / Eu te amo: faz bolhas ... / O que eles chamam de Moise aqui / hoje ele teve visões: / ele me repetiu 5 vezes: / Eu vi um hotel no meu quarto. / Eu vi um hotel / no meu quarto. / Eu vi / um hotel / no meu quarto. / Eu vi um hotel no meu quarto. / Eu vi um hotel no meu quarto. / Cinco vezes ele me disse. / Cinco vezes eu não sabia o que responder - / A mesma coisa no bar: eu não sabia dizer nada. / Quando a menina me contou sobre sua vida: / Eu não disse nada. / Eu não respondo. / Em breve. / Sobras - / Eu avanço na minha cabeça para curar sua queimadura - / Eu digo coisas ao meu psiquiatra, / Perrier em cima da mesa... / Eu tento dizer a ele... / meu psiquiatra tem olhos azuis / ela olha para mim: não ouso. / Eu olho para o pé da mesa. / Eu digo coisas olhando / sempre sempre / o pé da mesa - / meus olhos não têm mais coragem. / Meus olhos estão completamente cheios de eletricidade - / À noite tenho garganta seca. / Medicamentos, medicamentos ... / Levanto-me para desligar o aquecimento, / isso faz meu remédio vacilar. / Clique nas bolhas do clack ... / depois volto para a cama: / Eu te amo - / Para dormir, coloquei os tampões. / Pressione-os bem fundo na cabeça: / é dito… / dizem que eles absorvem os ruídos e então, / pesadelos, / mas ontem à noite eu sei, / meu vizinho olhou para M6, / e na minha cabeça quando eu dormi, / uma mulher atirou machados. / Eu odeio a mulher do parafuso: / Eu sei que está enrolado no meu crânio, / Tenho pena dela, / isso me dá nojo. / Tem um cadeado no coração.
EDITH AZAM - Poemas da escritora francesa Edith Azam, autora de obras como Un objet silencieux (Le suc et l'Absynthe, 2006), Opium le ciel et vent (Le suc et l'Absynthe, 2006). Létika Klinik (Le dernier télégramme, 2007), Mercure (Castell, 2007), Tellement belle garçon belle (Le frisson esthétique, 2007), Tiphasme est Phasme (Inventaire / Invenção, 2007), Amor barricade amor (atelier de l'agneau 2008) e Le Paradis une fois, La voix, Qui passe (edições do soir au matin, 2009).
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DOIS POEMAS DE NINA RIZZI
AINDA A QUEDA DO CÉU - oi, mãe te escrevo do norte, tô na Amazônia / na vinda cruzei o interior do ceará / e passei em frente um rio chamado chorozinho / parece uma metáfora tão triste pra estes tempos / sei que não é boa hora pra falar de tristezas / que deveria te escrever e acalmar seu coração de mãe / que é importante amar e rir e gozar e espalhar flores / eu lembro a vendedora de flores que você foi / ainda sinto o cheiro das roupas da lavadeira que você foi / lembro o cheiro gostoso da doceira que você foi / sim eu sei que a alegria é uma resistência eu sei sim / mas mãe, eu fico aqui olhando as rasuras / eu conto doismilidezenove três anos de golpe / quinhentos e dezenove anos de golpe / eu ouvi aqui que cada dormente é uma alma / dormente, mãe, são aqueles paus que ficam debaixo / dos trilhos das ferrovias e os indígenas iam à noite arrancar / os dormentes porque a estrada de ferro era construída / em suas terras e então os donos do poder colocavam coisas / pra dar choques nos indígenas e de manhã / eles estavam agarrados nos dormentes / todos mortos / cada dormente uma alma, mãe / e agora eu te escrevo essa cartinha e tem uma tv ligada / e o governador tá falando de boca cheia que precisam desapropriar / as terras indígenas porque eles não plantam e as pessoas precisam comer / e ele tem sangue nas mãos e no bigode, mãe / os padres e as caravelas de há quinhentos e dezenove anos / são a bancada evangélica e da bala de hoje / ah sim, mãe vou te contar uma coisa bonita / um feitiço indígena os cabelos de betânia o cheiro dos cabelos de Betânia / todas essas mulheres juntas e nadando fundo contando suas histórias / e foi muita sorte eu ter conseguido ver o rio madeira porque / a construção da hidrelétrica fez tudo desbarrancar / não seria mesmo lindo se o rio lavasse tudo, mãe?
CECILIANA - escorre o óleo do mundo — lima / de rícino, refino / mínima grama ou toda / canteiro, fecundo / a poesia é de quem / precisa, disse o carteiro / lhe ria. além a lama / ternas de exílio e poda / te revisito, o mundo — olha / entre as pernas.
NINA RIZZI - Poemas da historiadora, tradutora e poeta Nina Rizzi, (Campinas/SP, 1983), autora de obras como Tambores pra N'zinga (Orpheu/Multifoco, 2012), Caderno-goiabada (Ellenismos, 2013), Susana Thénon: Habitante do Nada (Ellenismos, 2013), A Duração do Deserto (Patuá, 2014), e Geografia dos ossos (Douda Correria, Portugal). Ela edita o blog NinaaRizzi. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Estou frustrada pelo fato de estar presa a mais pinturas... Estou produzindo sem motivo. Ninguém nunca os viu.
EMMA AMOS – A arte da pintora e gravadora afro-americana pós-moderna Emma Amos (1937-2020). Veja mais aqui.
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A ARTE DE CHAIRIM ARRAIS
Ui, eu não sou a favor das cotas! Não acho que obrigando editoras a publicar quadrinho nacional é sinônimo de coisa boa no mercado. Mas, a possibilidade de auxílios e outros meios de ajuda às editoras eu acho interessante para editoras que publiquem uma certa porcentagem de produto nacional. O mercado de quadrinhos no Brasil é complicado, até porque, nós mesmo, artistas e leitores não nos ajudamos muito, né? Sempre discuti que quando você vai à banca, vê um quadrinho nacional desconhecido e um americano ou um mangá, com qual deles você gasta seu dinheiro? Não generalizando, mas a maioria deixa o brasileiro criando pó nas bancas. Acho que não apenas o governo deveria fazer algo, mas nós também, nos ajudar mais, apreciar mais o que fazemos, dando valor ao nosso próprio trabalho e de amigos brasileiros.
CHAIRIM ARRAIS - A arte da quadrinista e ilustradora Chairim Arrais, que lançou o RED+18 Além do Vermelho, e edita os blogs Chairim, Chairim-Arrais e Loja Integrada. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da atriz e artista plástica Pally Siqueira, que estuda psicologia e já atuou no filme Big Jato, de Chico de Assis, e já atuou em novelas da Rede Globo.
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Orquestra de Rua Recife Olinda aqui.
Dicionário Poético Militante (NEP/MMM, 2018), do poeta e jornalista Marcelo Mário de Melo aqui.
Exposição Em-Cantos de Palmares, do artista plástico José Durán y Duran aqui.
A obra de José Arlindo Gomes de Sá aqui e aqui.
Tempo de Resistência: lembranças do período mais negro da História do Brasil (2003), dirigido por André Ristum e baseado no livro homônimo de Leopoldo Paulino (Oswaldo Cruz, 2001) aqui.
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Cambão Torto, Amaraji aqui.


quinta-feira, junho 04, 2020

ALICE WALKER, ELENA GARRO, EMIL OTTO HOPPÉ, ISOLDA NASCIMENTO & VIDAS IMPORTAM



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: VIDAS IMPORTAM! - Toda a vida é sagrada. Viver é um direito de todo ser. A mim e ao outro, ou outrem, o mesmo direito, a mesma vida. Cada um a sua história: nascer para perpetuar a espécie, viver para inventar mundos e tempos, morrer para compor o inventário humano. Guardo comigo a reflexão da Paulina Chiziane: A vida é como a água, nunca esquece o seu caminho. A água vai para o céu, mas volta a cair na terra. Vai para o subterrâneo, mas volta à superfície. A vida é um eterno ir e voltar. O corpo é apenas uma carcaça onde a alma constrói a sua morada... Aqui o meu e o seu lugar, e o que sou de mim em todos nós, Txai no meu Canto Mapuche, na minha alma caeté! DUAS: O QUE SOU DE TODOS - Não há nada em mim que seja só meu. Foi preciso o amor dos meus pais para que eu existisse, assim como se faz necessária a convivência amorosa para que continue a existir com todos indiscriminadamente. Não há outra alternativa a não ser no amor. Aprendi com Giacomo Casanova: Só é necessário ter coragem e força, sem autoconfiança é inútil. Ódio, no decurso do tempo, mata o infeliz desgraçado que deleita em enfermá-lo no seu seio. Por isso, recito em todo espaço e lugar Vida Verde Viva: o direito de viver e deixar viver! TRÊS: SOMOS TODOS UM – Nasci aqui, mas poderia ter sido em qualquer outro lugar. Assim sou na Austrália, Groenlândia ou na Antarctica, em qualquer dos trópicos, em qualquer ilha remota do planeta, em qualquer rincão. Seja onde for é o meu lugar, nas águas, ventos ou chão. Persigo o que disse Franz Kafka: Não é necessário sair de casa. Permaneça em sua mesa e ouça. Não apenas ouça, mas espere. Não apenas espere, mas fique sozinho em silêncio. Então o mundo se apresentará desmascarado. Em êxtase, se dobrará sobre os seus pés. Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece. Com isso canto a minha Crença, assim sou porque somos todos UM! E vamos aprumar a conversa, gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Todo dia ela lê, ela estuda, ela pratica caligrafia, e tentar fazer a gente pensar. Na maioria dos dia eu tô muito cansada pra pensar. Mas Paciência é o outro nome dela. [...] É um milagre como os branco conseguem afligir tanto a gente. [...] Nós não somos brancos. Não somos europeus. Somos pretos que nem os africanos. E nós e os africanos estaremos trabalhando juntos por um objetivo comum: uma vida melhor para os negros do mundo todo. [...] Minha pele é escura. Meu nariz é apenas um nariz. Meu lábio é só um lábio. Meu corpo é só um corpo de mulher passando pelas mudança da idade. Nada especial aqui para alguém amar. Nada de cabelos enrolado cor de mel, nada de bunitinho. Nada novo ou jovem. Mas meu coração deve ser novo e jovem pois parece que ele floresce com a vida. [...]. Trechos da obra A cor púrpura (José Olympio, 2009), da premiada escritora e ativista estadunidense Alice Walker, que trata de questões de discriminação racial e sexual, contando a história de uma mulher negra que foi estuprada pela pai, espancada pelo marido, passando por problemas como pobreza, falta de educação, ausência do Estado e da lei. O volume, ao lado da obra O sol é para todos (José Olympio, 2006), da premiada escritora estadunidense HarperLee (1926-2016), compõem o projeto Vidas negras importam (Jose Olympio, 2019).

O TEATRO DE ELENA GARRO
Uma geração sucede a outra e cada uma repete os atos da anterior. Apenas um instante antes de morrer, ela descobre que era possível sonhar e pintar o mundo à sua maneira, e em seguida acorda e começa um desenho diferente. O amor não existe. Só existe um mundo que trabalha, que vai, que volta, que ganha dinheiro, que usa relógio, que conta os minutos e os centavos e acaba apodrecendo em um buraco, com uma pedra em cima que leva o nome do infeliz. Gostaria de não ter memória ou de me tornar um pó piedoso para escapar da condenação de me olhar. Aqui a ilusão se paga com a vida. Na profundidade da mentira sempre há algo perverso.
ELENA GARRO - A arte da premiada dramaturga, escritora, jornalista e roteirista Elena Garro (1916-1998), que participou do movimento do Realismo Mágico, tendo desenvolvido uma obra independente posteriormente. Veja mais aqui.

A ARTE DE EMIL OTTO HOPPÉ
A arte do fotógrafo e topógrafo alemão Emil Otto Hoppé (1878-1972). Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da fotógrafa Isolda Nascimento, que é bacharel em fotografia e atua nas áreas de moda e fotografia artística.
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A obra da poeta Aglaura Catão aqui & aqui.
A música do SaGrama aqui.
A poesia de Rogério Generoso aqui.
A arte do artista visual Ghugha Távora aqui.
Articulação de Mulheres da Mata Sul aqui.
Mapa Cultural de Pernambuco aqui.
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As tribos de Águas Belas aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quarta-feira, junho 03, 2020

ALBA ZALUAR, TAMARA KARSAVINA, AL MAÇUDI & FLÁVIA BARROS



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: ENTRE NOTÍCIAS FALSAS & ESPETACULARIZAÇÃO - Lá vou eu entre as polarizadas encrencas das notícias falsas e a espetacularização escusa dos meios de comunicação de massa! Ter discernimento é fundamental! Cá comigo: é muito difícil manter qualquer diálogo com sectários desinformados ou fanáticos. Maior perda de tempo mesmo. Pense num revestrés! Aprendi com Madeleine de Scudéry: As ações são muito mais sinceras do que as palavras. A desconfiança é a mãe da segurança. Por muito boa que seja a cabeça, quase nada pode contra o coração. Pois é, cair na onda ignorando os interesses subjacentes é o mesmo que ser enganado noitedia e não admitir o que a língua do boato mande ver aos berros ululantes ou cochichos sabotadores. O melhor é se ligar na situação. DUAS: ESCAPANDO DAS FULERAGENS E BOATARIA – Tem jeito nada. É feito apelido: ou derrete os chifres ou deixa correr, melhor. Já arrastei muita mala de perder a viagem que só. Cada uma. Foi quando aprendi checar direitinho a cor da chita, naquela dum olho aberto e outro fechado, rindo pra não expor o toitiço pro sal pisado, aí é que dava no que não era nada: não era a reveladora do Israel Pedrosa, só aquela que mais parecia com a do cavalo quando foge ou a que fica depois da ação dos larápios mais contumazes. Ou seja: nada. A sensação que eu tinha depois de sacar direitinho, era a mesma do José Lins do Rego: Chego a esta casa sem arrependimentos pelo que fiz, nem temor de falar como sempre falei, com a língua solta que Deus me deu. Apois, tá! Só cuspi pra cima e saí de baixo, estou sempre pronto para outra, naquela de um pé na frente e outro atrás. Oxente! TRÊS: CALOR NO SOVACO & A CATINGA COME NO CENTRO – É cada inhaca, vixe! Entre cruzados de sacanagens e sapateadas para arrumação na teta do erário público, eu mesmo que não saio mais engalobado, já passei da conta, vacinado. Saco na hora, mesmo que passem puxando mais de cem. Não me engana mais não. Cuido para não morrer do coração. Xô pra lá, catingoso! Por isso vou entoando o Libelo da Primavera de Ginsberg: só a poesia torna a vida suportável!!!!! E vamos aprumar a conversa, gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Nas redes da reciprocidade partilhada, valem a memória e a confiança articulados entre si. É a confiança que, em última análise, garante o circuito da reciprocidade positiva e afasta o fantasma da guerra ou do conflito destruidor e letal, mesmo que esporádico. Como não há garantia de que as dádivas serão retribuídas, ainda que seja uma palavra de apoio do doador ao receptor, e receber o presente um gesto de tolerância ou aceitação, é a fidúcia entre parceiros que mantém a aposta na dádiva, ou seja, a expectativa num tempo que se dilata indefinidamente à espera de uma ocasião em que o receptor esteja pronto a retribuir. É a confiança ou o crédito prolongados, portanto, que eliminam a possibilidade de que se instaure a inimizade e a guerra. [...] O esquecimento vem a ser, então, um rompimento com esse pacto nunca explicitado do circuito de trocas. Como não está baseada num conhecimento total, que a tornaria inútil, a confiança precisa dos mecanismos da memória individual e coletiva para se estabelecer. [...] Diante desse quadro complexo de objetividades e subjetividades, do material e do simbólico, das relações entre a sociedade e o Estado na alta modernidade, o atual jogo político no Brasil revela toda a sua pequenez, reducionismo, ineficácia e infelicidade. Os brasileiros, a despeito deles mesmos, estão deprimidos. Tanto a fazer para conquistar a confiança dos eleitores e dos contribuintes no Executivo e no Legislativo que pressupõem de alguma forma a sua participação, infelizmente ainda muito adscrita às eleições que agora sabemos ser manipuladas e gerenciadas por grandes grupos econômicos! Trechos extraídos do ensaio Confiança e memória: antídotos da violência (Sociofilo, 2017), da antropóloga Alba Zaluar (1942-2019), que atuou na área de antropologia urbana e antropologia da violência e foi professora titular de Antropologia do Instituto de Medicina Social e professora de antropologia no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, fundadora do Núcleo de Pesquisa em Violências (Nupevi), cujos temas de estudo variam entre violência doméstica, segurança pública e tráfico de drogas. Foi uma das primeiras a estudar a Cidade de Deus. Ela é autora de obras tais como: Cidadãos Não Vão ao Paraíso (1994), Condomínio do Diabo (1996), Da Revolta ao Crime S.A. (1996), Um Século de Favela (1998), A Máquina e a Revolta (1999), Violência, Cultura, Poder (2000) e Integração Perversa: Pobreza e Tráfico de Drogas (2004).

MÁRTIRES DO AMOR
Uma cantora de alaúde começou a cantar: “Cada dia que passa, um rompimento! O tempo se escoa e nossa cólera não se aplaca; quem me dirá se essa desgraça só atinge a mim ou é comum a todos aqueles que amam?” [...] Conta-se que Yézid, filho de Abd el-Melik, presidindo, um dia, a audiência da Justiça, encontrou entre os requerimentos que lhe foram enviados, um assim concebido: “Queira o príncipe dos crentes (que Deus o glorifique) fazer vir em minha presença sua escrava tal, para que ela me cante três canções”. Yézid, enfurecido, ordenou que lhe trouxessem a cabeça do audacioso culpado; porém, ele preferiu enviar um segundo mensageiro nos traços do primeiro, com ordem de trazer o autor do pedido. Quando esse homem estava em sua presença, o príncipe perguntou-lhe o que pôde inspirar-lhe uma ação tão atrevida. “É – respondeu ele – minha crença em vossa bondade, minha confiança em vosso perdão”. O califa fê-lo sentar-se, e quando todos os omeíades até o último entre eles haviam-se afastado, ele fez vir a escrava com seu alaúde à mão. O jovem pediu-lhe esta canção [...]. A escrava cantou; em seguida, o jovem, com autorização de Yézid, reclamou esta outra canção [...] Ela cantou também. Fala, disse o príncipe ao jovem. – “Ordeno que se me traga uma ânfora de vinho”. Mal esvaziara a ânfora, ele ergueu-se bruscamente, subiu à cúpula sobre a qual o príncipe estava sentado, precipitou-se e morreu. Yézid gritou então: “Pertencemos a Deus e voltamos para ele. Eis o tolo, o insensato, que acredita que após lhe haver mostrado uma de minhas escravas eu a guardaria em minha posse! Pajens, faze sair esta menina e conduze-a à casa dos seus, se ela os tiver; senão vende-a e distribui o dinheiro em esmola por intenção o morto”. Logo ela foi trazida; atravessando a corte do palácio, ela viu um fosso escavado no meio do palácio de Yézid para receber as águas da chuva; escapou das mãos dos seus guardas, pronunciando estes versos: “Os que morrem de amor devem morrer assim; o amor não vale nada sem a morte”. Precipitou-se no pequenino abismo e morreu.
MÁRTIRES DO AMOR - Trecho da crônica do viajante, geógrafo, historiador e cronista árabe Al Maçudi  (871-956), extraída da obra Contos árabes (Cultrix, 1967), organizada e traduzida por Jamil Almansur Haddad e Jose Paulo Paes. Neste conto percebe-se a dedicação do poeta pela amada, uma verdadeira cantiga em que o amor é sentido ardentemente como uma paixão profunda e duradoura, própria de um poema de amor. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da bailarina russa Tamara Karsavina (1885-1978) que integrou o Balé de Sergei Diaghilev, tendo sido várias vezes par de Vaslav Nijinski. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Eram mais mulheres, a falta de homem sempre foi complicado. Só tinha o Fred (Salim) depois entrou o Carlos Santillan, que era um médio que veio fazer um cruso de medicina aqui em recife e era bailarino, peruano. Ele e o irmão dele dançavam num grupo profissional de danças no Peru. Aí tivemos que correr atrás de atletas formandos da escola de Educação Física, para fazer teste, para ver as possibilidades de cada um, então, com esses rapazes completamos o grupo de rapazes que já tínhamos, mais os dois que não eram da escola de Educação Física, e no fim, ficaram sete rapazes do grupo. Acho que eram mais moças, sempre mais moças.
Depoimento da bailarina, coreógrafa e professora Flávia Barros, que integrou o Corpo de Baile do Theatro Municipal do RJ e fundou o Curso de Danças Clássicas Flávia Barros, além de fundar o Grupo de Ballet do Recife e criou, juntamente com Ariano Suassuna, o Balé Armorial do Nordeste. Depoimento ao Projeto RecorDança (2004),  extraído da obra Acordes & traçados historiográficos: a dança no Recife, organizado por Ana Valeria Ramos Vicente e Roberta Ramos Marques. Noutra entrevista (RibaltaOUTSite - Satedpe, 2009), exla expressou que: Parti do que já conhecia para um trabalho difícil de técnica Fábio Coelho, Carlos Santillan, Eduardo José Freire, Edmond básica para o conhecimento e evolução dos movimentos necessários ao Janiszowsky, Evandro Paiva e Airton Tenório. Estilo de coreografia que seria mais adequado à estética armorial reconhecida pelas referências ibéricas e mouras na sua constituição. Um trabalho básico de balé, ritmo, composição coreográfica espontânea com grupos de bumba-meu-boi, de personagens como Mateus e Catirina e outros dos folguedos populares. A música do Quinteto Armorial, executada ao vivo pelo próprio quinteto foi muito adequada. Assim, trabalhamos o texto que Ariano Suassuna criou, nascendo o espetáculo Iniciação Armorial aos Mistérios do Boi de Afogados, com figurinos e cenários de Bernardo Dimenstein. A temporada no Teatro de Santa Isabel teve lotação esgotada todas as noites.
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A obra da escritora e advogada Djanira Silva aqui.
A música da cantora, compositora, percussionista, poeta e atriz Karina Buhr aqui.
Memória e ficcionalidade em Deus no pasto de Hermilo Borba Filho (UFPE, 2009), apresentada por Virginia Gisele Carvalho aqui. 
Contraponto: poder, política, economia e costumes (CEPE, 2006), do economista, professor universitário, editor e analista consultor Carlos Alberto Fernandes aqui.
Asas do Tempo (Telegráfica, 2013), do escritor Fernando Nascimento Barreto aqui. 
A arte da a artista visual, produtora cultural e pesquisadora Bruna Rafaella aqui.
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As abelhas de Cupira aqui.


terça-feira, junho 02, 2020

BERNHARD LEITNER, HILDEGARD ANGEL, MESTRE NICOLA & SOLDADOS DO ARAGUAIA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: SOU ENTRE OS 70 NO COMBATE DA SEGUNDA PRAGA – Sou entre os setenta que não foge à luta pela democracia e preservação da Amazônia com meus povos indígenas e os que estão em todas as regiões do Oiapoque ao Chuí! Sou dos setenta que fecharam pela vida e não arredam o menor milímetro de combater o trem louco de qualquer desgoverno negacionista! Sou com os setenta que empunharam o estandarte da liberdade por um país melhor para todos! Sou mais um com todos os setenta que primam pela vida e pelo amor, para erradicar o ódio dos que apelam contra a vida e sou porque já dizia Marquês de Sade: Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes. Vamos nessa! DUAS: DA ESCOLHA ENTRE A VERDADE & A MENTIRA - Mentira para mim sempre foi conversa de resenheiros para matar o tempo, coisas de vigias, boateiros, pescadores, caçadores e punheteiros, coisa que não saía da esquina e ficava só no trâmite das horas de jogar conversa fora. Ou era gente que queria ser maior que o próprio tamanho e não enredava ninguém, só para se sair bem na fita, coitado. Nada que não fosse aqui ou ali descoberto para deixar a cara mais lisa mais que desmascarada. Ah, não, tinha que estar vivo para um dia testemunhar uma fraude vencer para muitos numa verdadeira desmoralização humana. Nunca que eu pudesse imaginar que um embuste prevalecesse suplantando a Justiça e o senso de humanidade por tanto tempo. Não dá para acreditar. Cagliostro que o diga: O céu esquece, ou tolera, esperando você reformar. Nunca será tarde demais. TRÊS: ENTRE ACOCHOS & APERREIOS – Quem não teimou pela vida para alcançar seus anseios, nem me diga, já vi de sustentar no peito anos e décadas sem arriar o badalo nem arredar um risco no chão, de segurar na asa do bule pegando fogo, de não abrir nem prum trem, ora essa! Já fiz e vi, do muito, que não me diga quanta revolva de espremer o punho, de entortar a espinhela e segurar no batente nem que chovesse canivetes. Sim, já fiz e vi, como num verso de Ana Cristina César: Eu não sabia / que virar pelo avesso / era uma experiência mortal. Nada como um dia atrás do outro para enfim a remissão. De um jeito ou de outro, vamos aprumar a conversa, gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O constrangimento diante do olhar de uma sociedade que, em vez ser de piedade, era acusatório, de desprezo para com a minha mãe, como se ela fosse uma transtornada, uma louca, por desafiar o poder e procurar o filho. A ordem vigente era o conformismo, a aceitação, o adesismo, jamais o destemor e a coragem de questionar. [...]. Trecho de depoimento da jornalista e atriz de teatro, cinema e televisão, Hildegard Angel, filha da estilista Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel Jones, fundadora do Instituto Zuzu Angel. Veja mais aqui e aqui.

SOLDADOS DO ARAGUAIA
A gente ficou vendo fantasma.
Eu pensei em dar um tiro na cabeça.
Eu que fui treinado para ser um herói, para defender a pátria em nome do Exército Brasileiro, hoje em dia sou rejeitado pelo Exército, por aqueles que foram meus amigos e hoje em dia tudo me negaram e viraram as costas pra mim. Então, não interessa mais viver. Eu pensei em dar um tiro na cabeça porque o mesmo revólver que eu usava na guerrilha, eu tinha ainda.
Minha cabeça estourou três vezes com bomba. Saiu sangue do nariz, saiu sangue da boca, do ouvido, me deu mancha de sangue nos olhos.
SOLDADOS DO ARAGUAIA - Trechos dos depoimentos de soldados enviados para a missão no sul do Pará pelo Exército Brasileiro no começo da década de 1970, recolhidos do documentário Soldados do Araguaia (2017), dirigido por Belisario Franca, que conta a história de soldados de baixa patente enviados para o interior da selva amazônica com a missão de exterminar a guerrilha do Araguaia, de resistência à ditadura militar no Brasil dos anos 1970. As Forças Armadas recrutaram 60 jovens da região sem informá-los nada sobre a missão que seriam obrigados a cumprir e, segundo os oito depoentes do documentário, o que eles viveram foi pior do que o inferno. Quarenta anos depois do fim da guerra, eles descrevem pela primeira vez a sua versão dos fatos em frente às câmeras. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE DE BERNHARD LEITNER
O vento agora desempenha um papel importante, criando novos sons de fundo. Um dia, cheguei lá para verificar e pensei: 'O que está acontecendo? Eu posso ouvir de longe. O volume não está definido corretamente'. Mas não! Os pássaros vivem no bambu e podem captar sons. Eles captaram meus sons agudos - que eu chamo de 'espaço picante' - e eles meio que os tocaram. Eu tinha os sons de formigamento que compus, cercados pelo espaço de formigamento criado pelos pássaros. Foi uma experiência maravilhosa que tive com um dos meus trabalhos na natureza Eu posso ouvir com meu joelho melhor do que com minhas panturrilhas.
BERNHARD LEITNER - A arte do escultor, arquiteto visionário e artista austríaco contemporâneo Bernhard Leitner, pioneiro da forma de arte geralmente chamada de "instalação sonora", introduzindo o som no espaço de instalação, com esculturas que são objetos do espaço sonoro e resultado de processos de desenvolvimento longos e complexos. Em esboços e pastas de trabalho precisos, ele primeiro aborda as qualidades arquitetônicas esculturais do som na teoria. Os seus trabalhos lidam com a experiência áudio-física de espaços e objetos que são determinados em forma e conteúdo por movimentos do som, tendo como foco a relação entre as estruturas construídas do som e o corpo humano, escala variando de pequenos objetos aplicados diretamente ao corpo a espaços arquitetônicos em grande escala. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Esse é um trabalho braçal, muitas vezes desgastante, sobretudo pelas matérias-primas com que trabalho. Não há hora para começar ou terminar, mas apesar de tudo, tenho grande prazer porque estou sempre aprendendo. Até hoje, a finalização de um trabalho é sempre muito empolgante.
A arte do escultor, entalhador e artesão Jaime Nicola de Oliveira, o mestre Nicola.
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A música do violoncelista Antônio Meneses aqui.
Assuntos pernambucanos, do jornalista, advogado, escritor, historiador e ensaísta Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000) aqui.
Linha d’água, do poeta Jaci Bezerra aqui.
A obra da escritora e professora Luzilá Gonçalves Ferreira aqui.
A arte da artista plástica e ilustradora Valéria Rey Soto aqui.
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Socorro do trem de Bonito aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

segunda-feira, junho 01, 2020

EDGARD VARÈSE, LYUDMILA TOMOVA, TOM ZÉ, LUCIA HELENA GONDRA & DEMOCRACIAS MORREM


DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: É CADA UMA QUE NEM CONTO – Pois é, chega! Quebrei a caixa, mudei de casca, troquei de pele, juntei os trapos e as mirradas lembranças para saber o que envergonha e o desesperador: apenas o silêncio e a solidão. Tudo que fiz até agora foi em vão, tão inútil quanto saber-me nem cético, nem cínico, apenas que já estava no sangue o louco de nascença atravessando anos de desencontros pelo insólito, para me perder por tão poucos reencontros. É tarde demais, nem sei quantos remorsos, tantas travessias, a vida eclipsada pisando em falso, engolindo mosquitos, tentando me desvencilhar de socos no estômago por escapulidas nem sempre escorregadias. A despeito dos embaraços envelheci desgracioso e desajustado, nada mais, apenas menino pés alados e desajeitado, levado pela corrente ao vento entre pedras e margens da minha desordem e indignação. Queria apenas contar uma historinha simplesmente humana, e em voz alta como uma oração estranha e própria aos que se foram e saudando os vivos, fazer a minha parte, apenas, como se salvasse o planeta do lixo um tantinho assim, feito o beija-flor de Crema: é pouco, mas sou eu, não sou nada. DUAS: APRENDIZ DE FEITICIEIRO, AEQUO AMENOS – Mesmo assim, extenuado dos inúteis esforços diante das inconveniências e misérias, tanto nado contra a corrente e do estresse da normalidade para não ser apenas um código de barras, ou um animal pensante ou sei lá o quê. O normótico é tão desumano e não me basta por ser tão aborrecido e enlouquecedor. Nem ligo pras galhofas se sou um fracassado de Jung, sei que não sou mais estúpido por absoluta falta de espaço, enquanto o grotesco está na esquina e eu encaro em cima da fivela sem sair da raia. Por incrível que pareça, já fiz de tudo tanto por vocação da necessidade em alta voltagem que nem sei mais, só não quero confundir as coisas: sou a favor de tudo que não seja contra o sujeito, apenas. Com os dias contados botei todas as portas abaixo para enfrentar o flagelo das interdições, tudo desapareceu, graças. Mesmo que tenha que aturar a chatura, dou umas risadas esclarecedoras com o GregNews, ou refletindo com o Meteoro e o Normose, ou seguindo o coletivo ciberativistas Sleeping Giants, enquanto vou xexéu assobiando Quintana passarinho. TRÊS: PANTA RHEI – Tudo passa, tudo flui. O assobio segue morros e abismos, quer ser indene e distingue vis-à-vis o que vem do bem e bom, quase premonitório visionário suplantando as nuvens de cocô de alcestes coisonários com seu negacionismo da distopia transnacional e estereótipos ad bestias! Sem nem saber vai arrebentando a anomia catingosa feita de coprólitos e flatulências dos que insistem suplícios nas arenas, ah, ignoro o desprezível com suas tolices letais do cúmulo da parvoíce humana. Ainda ouço a sátira de Bernard Shaw: A democracia é um sistema que faz com que nunca tenhamos um governo melhor do que merecemos. Sorrio e persigo solfejando a Carta à República de Milton e Brant: Quero um país melhor! Se der jeito, ou se quiser, vamos aprumar a conversa, gente! Até mais ver! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Uma das grandes ironias de como as democracias morrem é que a própria defesa da democracia é muitas vezes usada como pretexto para a sua subversão. Aspirantes a autocratas costumam usar crises econômicas, desastres naturais e, sobretudo, ameaças à segurança – guerras, insurreições armadas ou ataques terroristas – para justificar medidas antidemocráticas. [...] Como não há um momento único – nenhum golpe, declaração de lei marcial ou suspensão da Constituição – em que o regime obviamente “ultrapassa o limite” para a ditadura, nada é capaz de disparar os dispositivos de alarme da sociedade. Aqueles que denunciam os abusos do governo podem ser descartados como exagerados ou falsos alarmistas. A erosão da democracia é, para muitos, quase imperceptível. [...] As democracias funcionam melhor – e sobrevivem mais tempo – onde as constituições são reforçadas por normas democráticas não escritas [...] a tolerância mútua, ou o entendimento de que partes concorrentes se aceitem umas às outras como rivais legítimas, e a contenção, ou a ideia de que os políticos devem ser comedidos ao fazerem uso de suas prerrogativas institucionais. Trechos extraídos da obra Como as democracias morrem (Zahar, 2018), dos professores e cientistas políticos estadunidenses, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, realizando uma análise crua e perturbadora do fim das democracias em todo o mundo, comparando o caso de Trump com exemplos históricos de rompimento da democracia nos últimos cem anos, tais como da ascensão de Hitler e Mussolini nos anos 1930 à atual onda populista de extrema-direita na Europa, passando pelas ditaduras militares da América Latina dos anos 1970, fazendo uma alerta: a democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes de uma revolução ou de um golpe militar; agora, a escalada do autoritarismo se dá com o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas – como o judiciário e a imprensa – e a erosão gradual de normas políticas de longa data. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A MÚSICA DE EDGARD VARÈSE
Deve-se pensar em termos de som e não em termos de notas sobre o papel. Minha linguagem é naturalmente atonal ainda que certos temas, certas notas repetidas, à maneira das tônicas, constituam eixos em torno dos quais as massas parecem se aglomerar. Deste modo o desenvolvimento musical cresce pouco à pouco graças à repetição de certos elementos que se apresentam sempre sob diferentes aspectos, e o interesse aumenta graças à oposição dos planos e graças ao movimento das perspectivas. Se os temas reaparecem, eles ocupam sempre uma função distinta num meio novo (os volumes). Quando os novos instrumentos me permitirem escrever música tal como a concebo, os movimentos das massas e o deslocamento dos planos sonoros serão claramente perceptíveis na minha obra e tomarão o lugar do contraponto linear. Eu pessoalmente gosto muito da definição de H. Wronsky: 'A música é a corporificação da inteligência nos sons'.
EDGARD VARÈSE - Trechos extraídos da obra Écrits (C. Bourgeois, 1983), do compositor francês Edgard Varèse (1883-1965), reunidos e apresentados pela professora e musicóloga canadense, Louise Hirbour. O compositor definiu os parâmetros para uma nova ética da pesquisa musical, com o rigor da firmeza artística desligada de teorias apriorísticas, com o propósito visionário de referência do estado de inquietude.
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A DEMOCRACIA DE TOM ZÉ
Democracia que me engana / na gana que tenho dela / cigana ela se revela, aiê; / democracia que anda nua / atua quando me ouso / amua quando repouso. / É o demo o demo a demo / é a democracia / é o demo o demo a demo / é a democracia. / Democracia, me abraça / com tua graça me atira / desfaz esta covardia, aiê; / democracia não me fere / mira aqui no meio / atira no meu receio. / Democracia que escorrega / na regra não se pendura / na trégua não se segura, aiô; / democracia pois me fere / e atira-me bem no meio / daquilo que mais eu mais receio. / Democracia, não me deixe / sou peixe que fora d'água / se queixa, morre de mágoa, aiê; / democracia não se dita / maldita seja se dura, / palpita pela doçura.
Democracia, do álbum No Jardim da Política (1984), parceira de Tom Zé e Vicente Barreto. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
No meu trabalho, mesclo elementos abstratos e realistas para criar clima, movimento e uma impressão do mundo ao nosso redor e dentro de nós. Minhas pinceladas estão se movendo, empurrando, emergindo e esmagando, mas nunca estão quietas e quietas. No meu trabalho recente, eu pintei o estilo alla prima, acrescentando espontaneidade, ousadia e elegância de uma só vez. Eu pinto contando histórias mágicas e evocando emoções complexas.
LYUDMILA TOMOVA – A arte da premiada pintora, ilustradora e designer editorial búlgara Lyudmila Tomova, que estudou realismo clássico na Academia de Belas Artes de Sofia e mais tarde na FIT em Nova York, onde estudou ilustração, além de sua experiência artística diversificada há mais de 20 anos. Veja mais aqui e aqui. E mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da pianista e compositora Lucia Helena Gondra, autora de frevos como Riso largado no passo rasgado, Vou de reboque, Os bordões, entre outros sambas, choros e frevos de blocos.
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A música do pianista, maestro e compositor Marlos Nobre aqui.
Outro sol se levanta, do escrito Pelópidas Soares (1922 – 2007) aqui.
Rio Una: poemas, do poeta, jornalista, economista e folclorista Jayme Griz (1900-1981) aqui.
A realidade social da ficção, do sociólogo Sebastião Vila Nova aqui.
A arte da fotógrafa, artista visual e pesquisadora Ana Lira aqui.
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A Praieira em Água Preta aqui.


GLAUCE ROCHA, KRISZTINA TÓTH, JERRY JENKINS, JACQUES VALLÉE & OLINDA.

    Imagem: Ensaio de múltiplas dimensões , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Do lançamento TTTTT e...