Mostrando postagens com marcador Melanie Klein. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Melanie Klein. Mostrar todas as postagens

domingo, setembro 26, 2021

JODOROWSKY, BENEDICTE HOUART, BECKETT & A VIDA DOIDA!

 

 

TRÍPTICO DQP – Um escrito escrito para mim e mais ninguém... - Ao som do Recital Almeida Prado (2018), do Duo formado por Helenice Audi e Constança Almeida Prado Moreno. – Encontros de agora com o sorriso entre sílabas e vírgulas e espanto, sabe-se lá, que tempo é este, não sei, aliás, sou o próprio verbo que me constitui e me desconstrói, para me perder ou me reencontrar solto, como se estivesse envolvido na trama de The Dance of Reality (2013) e findasse na Endless Poetry (2016), do cineasta poeta chileno Alejandro Jodorowsky, que insiste ao pé do meu ouvido: Nós não somos. Nós estamos sendo. Pare de querer ser rocha. Aceite ser rio. Para se definir: conceda a si mesmo todas as possibilidades de ser, mude caminhos quantas vezes achar necessário... Assim faço e me restabeleço diante da plenitude do frívolo, quanta fragilidade, tal é a decadência: não há modéstia capaz de ocultar a ignorância, a vulgaridade e a grosseria – tudo vai muito mal, convalescença que não tem sequer previsão de alta, quanto mais verossimilhanças, delírios, peripécias repugnantes. Há tantos que matam a memória, destroem livros e fotografias apenas dos momentos de agora, dinamitando a lembrança antiga e tantos sentimentos resistentes. Como podem, nenhum segredo doloroso à tona e a recusa de ter nascido na culpa dos outros e de quem os pariu, ajuste de contas na lente do esquecimento sem o mínimo arrependimento, ora bolas. Nem se queira saber, afinal a chave de ouro está nas mãos dos asquerosos desconhecidos que sequer atinam o que se deu dez minutos atrás e fabricam os meus desencontros de ontem. Mesmo assim, refaço-me a todo instante, inconsútil. Não pode ser de outro jeito, não há nenhuma celebração ou triunfo, nem pude ver ou ler, só soube perder nas comarcas do mundo, onde cruzava com quem só sabia ganhar e nunca perder firmando os dentes na garganta alheia. Já tive dias contados, reencontros amanhã, depois da fábula derrotada e do cárcere das intrigas, mananciais de desgraças. Sou-me o que me resta, o que sobrou ora de um tosco irritadiço, às vezes, ou doutra, uma brisa amena erradia. E se aquela rua, se for mesmo rua, sou eu que vou sem querer e sem mais ter o que dizer e resiste ao inespecífico e o que é a cidade senão rugidos de desejos que canto ou digo e me perco de um desencontro até reencontrar o que sou e refaço-me a todo instante reiteradamente. Só assim.

 


Verba volant, scripta manent... - Imagem: A bela adormecida do artista Daaniel Araujo. – De tanto me refazer perco a conta e é plena noite, o que já é um bom começo, motivo algum para pregar os olhos: o mundo parece mudo a esta hora. Só o testemunho do que poderia ser denominado de as Feridas emocionais (1988), do dramaturgo britânico Nicholas Writght, naquela casa desconhecida que presencio estrangeiro todos os momentos conturbados e tão delicados: uma mãe perdeu o filho e recebe a visita da filha, dita predileta, na eclosão dos conflitos entre a competição, o silêncio e os traumas. Não sei como cheguei aqui nesta cena, ao meu lado na plateia, a verdadeira mãe é Melanie Klein que me diz secretamente: Quem come do fruto do conhecimento, é sempre expulso de algum paraíso. Esse estado de solidão interna, eu acredito, resulta do anseio onipresente de um estado interno perfeito inatingível. E senti na pele a sua solidão e me revirei como se quisesse sair do labirinto cotidiano onde de nada emerge o aprazível, só situações aversivas. Tanto é que, na poltrona ao lado, a Nise da Silveira me sorriu: As coisas não são ultrapassadas tão facilmente, são transformadas. Para navegar contra a corrente são necessárias condições raras: espírito de aventura, coragem, perseverança e paixão. Não sou muito do passado. Sou do futuro. Quem olha demais para trás, fica. E não fiquei quieto, ambas me viram um tanto atônito, a ponto de dizer-lhes que foi por isso mesmo que me arrisquei a vida toda como se qualquer risco fosse adivinhar a sorte desvendada – estranha sorte das meras coincidências no móbile dos afetos. Era hora de voltar pra minha vida.

 


Um dia, o abismo da dor... - Imagem: Rumba, do artista cubano radicado no Recife, David Alfonso. - O retorno é sempre difícil, às vezes nem percebo. Sempre foi por pouco, ter escapado não me deixou a mínima ideia do que fiz para merecer isto. Ninguém escapa. Além do mais, ninguém se lembra mesmo do que fez, passa batido. Não é tampouco, coexistir com o precário: abandonado, destituído. Paga-se o pato, mesmo. À própria sorte diante do iminente, inconciliável momento. Esse o meu abismo e nele a poeta belga Benedicte Houart: Já penélope não sou / nem ulisses regressa / mudo de nome noite / a noite ao sabor da saliva / dos meus amantes / de dia troco lençóis / coso bainhas / descanso os olhos / dantes tecia para / enganar a corte que / me servia de prisão / agora chamo-me eu / não tenho estado civil e / na cela que me tem cativa / tornei-me finalmente livre. Ela alumia a vida desastrada, desnudada e linda, a circular ao léu até reencontrar-me receptivo aos seus afetos, enquanto me dizia pensar em construir a própria estátua, escolhendo-me por escultor e eu jamais tive tal habilidade. E sorria diante da minha negativa, não sabia mesmo, e a mim me obrigava a tal. Construí-lhe versos para efígie, encantou-se; mas me queria mãos na massa para tê-la e dos meus versos, um a um remontados e aos ajeitos, ergueu-se imponente e lá estava ela admirada com a minha criação, a mostrar para todo mundo. Sim era ela, fruto do meu suor e paixão. Ela se deliciava para que todos vissem, só declinando de uma exposição gigantesca por conta do embate entre outros dois dos seus antigos amantes. Vi-a contida com certo desapontamento, a recitar trechos de Not I, de Samuel Beckett. Menina solta altiva traquina viva, envolvi-a nos meus braços para ouvi-la com um de seus poemas: no dia de todos os mortos quero um homem / bem vivo na minha cama / pois os mortos são muitos e / dos vivos basta um / se não chegar / dá deus outro / parecido com os demais onde é preciso / cada vivo desalinhar. E ficamos lábios abraços e inquietações, como se brincássemos o jogo dos sete erros com todos os prazos vencidos pela barbárie de todos os tempos humanos e interdições das vidas demolidas, o coração sitiado indefinidamente. Sorrimos juntos de tudo porque este tempo se perdeu e para quê a pressa, ela mais reluzente que nunca, como se me dissesse adeus e saiu porta afora depois de múltiplos gozos mútuos. Não me senti sozinho mesmo com ninguém por perto e perseguido por meus próprios rastros que quisera talvez apagados, o peso da recordação. Tivesse ido ruas soltas céu aberto sem saber o que foi ou o que seria, para quê, tédio demais, melhor o prazer do vivido e reviver. Sim, viver agora e nada mais. Até mais ver.

 

E mais:

CANTARAU & OUTRAS POETADAS

POEMAGENS & OUTRAS VERSAGENS

FAÇA SEU TCC SEM TRAUMAS – CURSO & CONSULTAS

 

Vem aí o Programa Tataritaritatá. Enquanto isso, veja mais aqui.

 


segunda-feira, março 30, 2020

MELANIE KLEIN, SABINE MEYER, OLGA GRIGORIEVA-KLIMOVA, MONIQUE ARAGÃO, ALCINEIA MARCUCCI & RAIZA FIGUERÊDO


O REINO DA PATAFÍSICA NÃO SERIA O DO FECAMEPA DE SEMPRE? - Desdantes De Gaule, quantos de quem no meio de tantas pragas seculares? Talqualmente hoje do Fecamepa, em que não só Fabos & Cafos digladiam, outras trepeças parasitárias que mais parecem viróticas pestilências emergem na desgraça dobrada, coisa do tipo clones da porra que são coisominions & coisonárias que se travestem em funcrivãns (homúnculos fundamentalistas evangélicos, os fun-funs de puns e caracus, os que têm grana e nenhum cérebro, e ainda tem os et cétera – desculpe, não deu para catalogar todo tipo de doideira) e outras criaturas horrorosas com suas feiuras e blocos do eu sozinho e outras porras mais, não bastando os estranhíssimos peixe geada da Nova Zelândia, o chupacabra de Rosário, o ET de Cerro Azul do Panamá, o feio canadense e a lampreia-marinha-vampira de Ohio, o gremlim Aye-aye, o Gobi Jerboa, o saiga tatarica do Gobi, o vampírico Elaphodus cephalophus, o Hemicentetes semispinosus de Madagascar, o ocapi do Congo, o diabo espinhoso da Austrália, o peixe papagaio azul, o narval do Ártico, o do batom-vermelho de Galápagos, o pênis anfíbio Atretochoana eiselti, o dumbo pokémon Grimpoteuthis, o porco do mar, a lesma azul, o isópode gigante e outros que nasceram dum sêmen de punheta fecundado no esterco dum pangaré cruzando com vira-lata e por ai afora vai, haja pandemônio. E com um detalhe: tudo aqui! Eita, o negócio é mais que sério, ou não? Peraí! Deu o créu: o Brasil deixou de ser o paraíso - El Dorado, Canaã, éden terrestre dos antiquíssimos – para ser a verdadeira Boceta de Pandora, foi? Desde quando? Acabei de crer: a felicidade de um energúmeno é dar de cara com outro de braços dados pro churrasco. Era e é. Vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O impulso de controlar outras pessoas é, como sabemos, um elemento essencial na neurose obsessiva. A necessidade de controlar outras pessoas pode até certo ponto ser explicada por um impulso defletido de controlar partes do self. Quando essas partes foram excessivamente projetadas para dentro de uma outra pessoa, elas só podem ser controladas através do controlar a outra pessoa. Uma raiz dos mecanismos obsessivos pode, então, ser encontrada no tipo particular de identificação que advém dos processos projetivos infantis. Essa conexão pode também lançar alguma luz sobre o elemento obsessivo que tantas vezes entra na tendência à reparação. Pois o sujeito é levado a reparar ou restaurar não apenas um objeto em relação ao qual ele vivencia a culpa, mas também a reparar ou restaurar partes do self. [...] Trechos de Notas sobre alguns mecanismos esquizoides, extraídos das Obras completas de Melanie Klein (Imago, 1946-1997), da psicanalística austríaca Melanie Klein (1882-1960). Veja mais aqui.

A INSEGURANÇA – Águas vêm e vão / O vento passa / O tempo apressado / Tudo leva! / Num efeito dominó / Tudo vira pó! / A dor, / A ambição de domínio, / O ego dos nobres, / A migalha dos pobres. / Só não leve tão afoito / O sorriso do menino / A esperança de dias melhores / Embalada no balanço / De um parque qualquer! / Não leve a semente / Que pairou de repente / Num ventre de mulher! / Os idosos inocentes / Que andam lentamente / Descalços de pressa! / Que no labirinto da vida / O amor encontre a paz / Derrubando muros e fronteiras / E as falsas promessas! / Que os sinônimos do bem / Se espalhem pelos continentes / Na mesma sintonia / Das crianças que não mais acreditam / Em "felizes para sempre" / Mas em dias melhores e diferentes / Sem tanta fome, pandemia e guerra / Para o futuro que as espera / Diante da agitação violenta / Da atmosfera! / Que no futuro o vírus que mais se propague seja o amor! Poema da professora de arte Alcineia Marcucci, que edita o blog Confissões de uma alma e se assim se apresenta: Sou um tiro no escuro das latarias novas ou velhas, variando conforme a lua, despida, coberta ou crua, embaralhada entre os ponteiros que giram na contra mão das linhas do meu destino. Sou o esqueleto que vive e pinta, a alma que se mistura nas tintas liquidificada nas faces que derramo nas telas pálidas que famintas de cores devoram minhas faces e fases num ritmo desenfreado, num vulcão com sede de algo que me dê a ilusão de estar viva. Veja mais aqui.

A MÚSICA DE SABINE MEYER
Curtindo a arte da clarinetista clássica alemã Sabine Meyer. Veja mais aqui & aqui.
&
MONIQUE ARAGÃO
A arte da pianista, compositora e escritora Monique Aragão, professora de música formada pela UFRJ, e que já lançou os álbuns Suíte do Rio (2004), Marcas da Expressão (1999), Os Olhos de Cristal (1997), Ventos do Brasil (1995), Canoas (1993) e Monique Aragão (1991). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora russa da Crimeia, Olga Grigorieva-Klimova. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
Eu sou aquela que escreve poesia, mas também há um impulso de cronista em mim. Fui rabiscando histórias na cidade onde nasci, Salgueiro, sertão de Pernambuco, e depois em Recife, onde vim correr atrás de sonhos. Na adolescência, fiz diários, poesias e ganhei um concurso de redação. Minhas turmas do colégio e da faculdade sempre me pediam para escrever mensagens de formatura. Na família, eu também sou aquela que diz umas palavras nos aniversários. Habitam em mim muitos eus: escritora, professora, cientista ('escrevedora' de tese de doutorado), psicóloga e quiçá mais alguns que pretendo desenvolver aqui na Terra. Estou cultivando o gosto por trabalhos manuais e sentir a brisa no meu rosto, andando de bicicleta me traz paz. Viagens, são para mim, experiências de encantamento com paisagens e autoconhecimento. Sou afeiçoada às montanhas, às plantas, aos pássaros e às coisas velhas (discos, livros, objetos, cadernetas, roupas...). Preciso das palavras para estar no mundo.
A poesia da psicóloga, arteterapeuta e escritora Raiza Figuerêdo.
A literatura do escritor e dramaturgo Osman Lins (1924-1978) aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte de Romero de Fugueiredo aqui.
A xilogravura de Airt0n Marinho aqui.
Galo da Madrugada, Carnaval & Frevo aqui & aqui.
Pirangi aqui.
Barra de Guabiraba aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


segunda-feira, março 30, 2015

HANNAH, VERLAINE, GOYA, THIAGO DE MELLO, KLEIN, ZÉ CELSO, VAN GOGH, CHAPMAN, MÉRY LAURENT, REDS & CANTARAU


CANTARAU – Pá! Sou som. Lá sou tom: lavratura. Na noite escura eu sou o sol. E ao redor, a voz difusa é manhã cheia. Lá vem colcheia: é um refrão de um brilho. E um estribilho dá-se no voo e tudo pode no acorçoo em novo acorde abissal. Faz-se sarau na pedra dura. E a estrutura vai-se sem nau. De mim eu sigo o meu devir pra ir de si a migo. E vou a vau: a pontaria. A cantoria é meu aval. E como tal vem um fonema, quando o poema toma grau. Bingo! Um cantarau nasceu domingo (Cantarau, Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui. E muito mais aqui & aqui.

Imagem: La Maja Desnuda, do pintor e gravador espanhol Francisco de Goya (1746-1828). Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Ouvindo Collection (2001) da cantora e compositora estadunidense Tracy Chapman. Veja mais aqui e aqui.

A CONDIÇÃO HUMANA – O livro A condição humana, da filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975), trata da condição humana desde a Grécia Antiga até a modernidade europeia, por meio de um relato minucioso acerca da evolução e desenvolvimento histórico dos contextos da essência humana,  a partir de uma análise acerca da Vita Activa e a condição humana, a distinção entre o labor e o trabalho e ação, o político, o público, o privado, o social, a questão proletária, a degradação e a banalização de conceitos, o homem moderno, cada vez mais alienado e apolítico, a crescente apolitização do homem, a condição humana diz respeito às formas de vida que o homem impõe a si mesmo para sobreviver, como condições que tendem a suprir a existência do homem e que variam de acordo com o lugar e o momento histórico do qual o homem faz parte, o condicionamento pelos atos e pelo que se pensa e sente, condicionamento pelo contexto histórico delineado pela cultura, amizades e família, o labor como processo biológico necessário para a sobrevivência do indivíduo e da espécie humana, o trabalho como atividade de transformar coisas naturais em coisas artificiais, a ação como necessidade do homem em viver entre seus semelhantes numa natureza eminentemente social, a “Vita Activa” como ocupação, inquietude e desassossego, a religião cristã e as concepções gregas na vulgarização da dignidade humana, as dicotomias de trabalho entre improdutivo e produtivo, qualificação e não qualificação, intelectual e manual, a visão marxista do trabalho produtivo, o processo de industrialização, o trabalho intelectual em contraposição ao trabalho manual, a ideologia do qualquer coisa que se faça tem que ser necessariamente produtivo, tudo deve ser transformado em mercadoria, o valor de troca, a força de trabalho como aquilo que o homem possui por natureza e que só cessa com a morte, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.


A PSICANÁLISE KLEINISTA - A psicoterapeuta austríaca Melanie Klein (1882-1960) foi o principal expoente do pensamento da segunda geração psicanalítica, desenvolvendo o kleinismo, transformando totalmente a doutrina freudiana, criando, por sua vez, a psicanálise da criança e uma nova técnica de tratamento e de analise didática. Em 1924, ela começou uma segunda análise e apresentou num congresso de Salzburgo suas ideias sobre a organização do desenvolvimento sexual, sobre a psicanalise de crianças pequenas, na qual começava a questionar certos aspectos do complexo de Édipo. Em 1929 ela trata de uma criança autista Dick, um caso célebre: aos cinquenta anos, ele não tinha mais nada a ver com o menino fechado de outrora. Em 1932, ela publicou seu livro A psicanalise de crianças, no qual expõe a estrutura de seus futuros desenvolvimentos teóricos, sobretudo o conceito de posição esquizo-paranoide e posição depressiva, assim como a sua concepção ampliada de pulsão de morte. Posteriormente, em 1955, escreveu Um estudo sobre a inveja e a gratidão, no qual desenvolveu o conceito de inveja que articulava com uma extensão da pulsão de morte. O kleinismo é uma escola comparada ao lacanismo, constituindo-se em um sistema de pensamento a partir de suas ideias, modificando inteiramente a doutrina e a clínica freudiana. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.


FOGO DE FRÁGUA – No livro Vento Geral (Companhia das Letras, 1984) do premiadíssimo e traduzido poeta amazonense Thiago de Mello, destaco entre outros tantos e belos poemas do autor, o Fogo de Frágua: Sei que sou porque já fui / quando for no que serei. / O futuro se urde em mim / agora (quando? passou) / no centro fugaz da frágua / do presente, cujo fogo / se acende nas brasas / — que nunca se apagam — / e nas cinzas invisíveis / — que nunca se estriam — / de tudo que já passou. / Sei que sou porque já fui / quando for no que serei. Veja mais do poeta aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

A VIDA TODA E NÃO VENDER UM QUADRO SEQUERImagem: Nude woman reclining seen from the back (1887), do pintor Vincent Van Gogh. - O pintor pós-impressionista holandês, Vincent Van Gogh (1853-1890), abandonou gradualmente as escuras tintas nórdicas e a conquista da luminosidade mediterrânea, ao mesmo tempo em que seu espírito, longe do equilíbrio latino, se escureceu. Em Paris encontra um novo estilo, quase primitivista, para pintar interiores, com personagens pequeninos que se tornaram verdadeiros milagres da pintura por alusão, conferindo a mais profunda significação a ambientes triviais. Na sua fase final, tornam-se antes raros os personagens humanos, aparecendo a natureza com todos os seus mistérios. Sua vida, enfim, corresponde em tudo à lenda popular do gênio incompreendido: nunca na vida conseguiu vender um único quadro. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

PARA SER CALUNIADO: NO INTERNATO– No livro Para ser caluniado: poemas eróticos (Brasiliense, 1985), do poeta francês Paul Verlaine (1844-1896), destaco o poema No internato: Com quinze e dezesseis anos de idade, / No mesmo quarto cada uma dormia / Em noite de setembro, tão sombria; / Rubores; olho azul; fragilidade. / Cada uma delas, pondo-se à vontade, / Da fina camisola se despia. / A mais nova, seus braços estendia, / E, mãos aos seios, beija-lhe a amizade./ Depois se ajoelha, e, depois, louca / Cola a cabeça ao ventre, e com a boca, / Entre as sombras, mergulha no ouro louro; / E enquanto isso, a menina vai, querida, / Com os dedos contar bailes vindouros, / E inocente sorri, enrubescida. Já nas Obras Poéticas (Aguilar/Crisol, 1947) destaco o Arte Poética, na tradução de Augusto de Campos: Antes de tudo, a Música. Preza / Portanto, o Ímpar. Só cabe usar / O que é mais vago e solúvel no ar / Sem nada em si que pousa ou que pesa. / Pesar palavras será preciso, / Mas com certo desdém pela pinça: / Nada melhor do que a canção cinza / Onde o Indeciso se une ao Preciso. / Uns belos olhos atrás do véu, / O lusco-fusco no meio-dia / A turba azul de estrelas que estria / O outono agônico pelo céu! / Pois a Nuance é que leva a palma, / Nada de Cor, somente a nuance! / nuance, só, que nos afiance / o sonho ao sonho e a flauta na alma! / Foge do Chiste, a Farpa mesquinha, / Frase de espírito, Riso alvar, / Que o olho do Azul faz lacrimejar, / Alho plebeu de baixa cozinha! / A eloquência? Torce-lhe o pescoço! / E convém empregar de uma vez / A rima com certa sensatez / Ou vamos todos parar no fosso! / Quem nos dirá dos males da rima! / Que surdo absurdo ou que negro louco / Forjou em joia este toco oco / Que soa falso e vil sob a lima? / Música ainda, e eternamente! / Que teu verso seja o voo alto / Que se desprende da alma no salto / Para outros céus e para outra mente. / Que teu verso seja a aventura / Esparsa ao árdego ar da manhã / Que enche de aroma ótimo e a hortelã…/ E todo o resto é literatura. Veja mais aqui, aquiaqui.


VENTO FORTE PARA UM PAPAGAIO SUBIR - O ator e diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa é um dos mais importantes nomes do teatro brasileiro por sua forma orgiástica e antropofágica de realizar suas encenações. Realizou em 1967 a encenação do espetáculo-manifesto que se tornou emblemático do movimento Tropicália, O Rei da Vela, de Oswald de Andrade e, em 1969, Roda Viva, de Chico Buarque. Atualmente tem desenvolvido trabalhos para teatro, cinema, eventos culturais, artísticos e políticos, comandando o Teatro Oficina, a exemplo sua participação em Encarnação do Demônio (2008), de José Mojica Marins, e na encenação da sua peça Vento forte para um papagaio subir (2008), tendo ao longo das últimas décadas construindo um dos mais originais percursos dos palcos brasileiros. Veja mais aqui e aqui.


CORDEL (D) MADRUGADA - O poeta e ativista cultural do Grupo Artistas da Proa, Paulo Cesar Barros tem desenvolvido um extraordinário trabalho de dinamização e difusão da poesia e das artes na cidade de Três Corações (MG), meritório de aplausos e reconhecimentos. Em consonância com a manifestação de apoio e aplausos da querida Meimei Corrêa, destacamos aqui os seus versos Cordel (d)madrugada: Que haja mais amor, mais Poesia Dia e noite, noite e dia. Assim... Ainda que os caminhos sejam de pedras As dores nos causem agonia E pra muitos tudo seja mera Utopia Sempre será possível Viver Loucas e Belas Fantasias. Veja mais aqui.


REDS - O premiado drama biográfico Reds (1981) dirigido por Warren Beatty, com música de Stephen Sondheim e Dave Grusin, roteiro do diretor e Trevor Griffiths, é baseado na vida do jornalista e escritor socialista estadunidense John Reed que retratou a Revolução Russa no seu livro Dez dias que abalaram o mundo. A película foi premiada com quatro Oscars, incluindo o de melhor diretor. Imperdível. Veja mais aqui.


HOMENAGEM DO DIA
MÉRY LAURENT
Anne Rose Suzanne Louviot – a Méry Laurent (1849-1900)

A atriz e musa de Stéphane Mallarmé, Émile Zola, Marcel Proust, Edouard Manet, entre outros grandes artistas da época. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
As dez vidas e a cabeça roubada, A natureza das coisas de Bernardino Telesio, a música de Joana Holanda, a arte de Kevin Taylor, a pintura de Pedro Américo & Odilon Redon aqui.

E mais:
Dalzuíta: o infortúnio da prima da Vera aqui.
Os pipocos da loucura de Robimagaiver aqui, aqui e aqui.
A paixão avassaladora quando ela é a terrina do amor aqui.
Brincarte do Nitolino, O calor das coisas de Nélida Piñon, a poesia de Augusto dos Anjos, a música de Igor Stravinski, a pintura de Joan Miró, o teatro de Eugène Ionesco, o cinema de Graeme Clifford & Jessica Lange, a arte de Frances Farme, As emoções de Suely Ribella, Papel no Varal & Ricardo Cabús aqui.
Cordel do meio ambiente aqui.
Na avenida Jatiúca, Maceió, O império do efêmero de Gilles Lipovetsky, a História da feiúra de Umberto Eco, o Deserto do real de Slavoj Žižek, Moema, a música de Quinteto Armorial, a poesia de Juareiz Correya, a pintura de Victor Meirelles & Felicien Rops, o cinema de Michael Winterbottom & Anna Louise Friel aqui.
Quando o futuro chega ao presente, Escritos de Michel Philippot, as Fronteiras do Universo de Phillip Pullman, As contantes universais de Gilles Cohen-Tannoudj, a música de Antonín Dvořák & Alisa Weilerstein, a pintura de Willow Bader, a arte de Lorenzo Villa, a fotografia de Katyucia Melo & a poesia de Bárbara Samco aqui.
Mais que tudo o amor, a poesia de Pablo Neruda, o teatro de Antonin Artaud, o pensamento de Pierre Gringore, a música de Ana Rucner, a fotografia de Daniel Ilinca, Mariza Lourenço & Luciah Lopez aqui.
Brincando com a garotada, Lagoa Manguaba, a música de Maria Josephina Mignone, a poesia de & William Blake & Joana de Menezes, a literatura de Luiz Antonio de Assis Brasil, a pintura de Thomas Saliot & Tempo de amar de Genésio Cavalcanti aqui.
Doro: querem me matar, O bom dia para nascer de Otto Lara Resende, a comunicação interpessoal de John Powell, a poesia de Gilberto Mendonça Teles, o teatro de Patrícia Jordá, a arte de Carmen Tyrrell, a música de Mona Gadelha, a Pena & Poesia de Luiz de Aquino Alves Neto aqui.
Andarilho das manhãs e luares, O Homo ludens de Johan Huizinga, Todas as coisas de Quim Monzó, a psicanálise de Françoise Dolto, a música de Gustav Holst, a pintura de Ludwig Munthe, a arte de Elena Esina & Tom Zine aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


terça-feira, novembro 27, 2007

SUSAN NEIMAN, ODYSSÉAS ELÝTIS, HEATHER POZZESSERE, ADORNO, MELANIE KLEIN, REF, PAIXÃO, DORO & AQUÁRIO


A arte do desenhista franco-belga René Follet, o REF (1931-2020), Veja mais aqui.  

DITOS & DESDITOS - Os outros veem você como você se vê. Equilíbrio não significa evitar conflitos, envolve a força para tolerar emoções dolorosas e ser capaz de lidar com elas. Fantasias inocentes estão sempre presentes e sempre ativas em todo indivíduo, existindo desde o começo da vida. É uma função do eu. De fato, não podemos traduzir a linguagem do inconsciente para a consciência sem empresta-lhe palavras do nosso domínio consciente. Quem come do fruto do conhecimento, é sempre expulso de algum paraíso. Pensamento da psicanalística austríaca Melanie Klein (1882-1960). Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: Liberdade não pode simplesmente significar fazer o que mais lhe impressionar no momento: dessa maneira você é escravo de qualquer capricho ou fantasia passageira. A verdadeira liberdade envolve controle sobre sua vida como um todo, aprendendo a fazer planos, promessas e decisões, a assumir a responsabilidade pelas consequências de suas ações. A razão impulsiona sua pesquisa para entender o mundo, pressionando você a perguntar por que as coisas são como são. Por razões teóricas, o resultado dessa busca se torna ciência; por razões práticas, o resultado é um mundo mais justo. Crescer significa perceber que não é o melhor momento da vida e resolver saborear cada segundo de alegria ao seu alcance. Você sabe que cada um deles passará e não o experimenta mais como traição. Se a vida é um presente, quanto mais você participa, mais agradece. Uma grande função das artes é manter os ideais vivos em uma cultura que ainda não os realiza. Tudo o que for necessário para obter clareza, você deve começar com os olhos abertos. Pensamento da filósofa estadunidense Susan Neiman. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO PÓS-GUERRA – [...] De modo geral, qualquer pessoa que não pertença exatamente ao grupo perseguidor é uma vítima em potencial [...] Se os homens não fossem indiferentes uns aos outros, Auschwitz não teria sido possível, os homens não o teriam tolerado. Os homens, sem exceção, sentem-se hoje pouco amados porque todos amam demasiado pouco. A incapacidade de identificação foi, sem dúvida, a condição psicológica mais importante para que pudesse suceder algo como Auschwitz entre homens de certa forma educados e inofensivos. [...]. Trechos extraídos da obra Educação e emancipação (Rio de Janeiro, 1995), do filósofo e musicólo alemão, Theodor W. Adorno (1903- 1969). Veja mais aqui.

SUAVE PAIXÃO – [...] Ela adorava a festa anual que a revista onde trabalhava oferecia aos funcionários e suas famílias, na época do Natal O imenso salão era decorado com luzes coloridas e em todo canto podia ser sentido o aroma agradável dos pãezinhos e das tortas de morango. Havia outra festa nos escritórios da Elegance, no Dia de Ação de Graças, que ela também esperava ansiosa, mas a do Natal, a qual participava em companhia da amiga, era sua favorita. A maioria dos parentes dos funcionários estava presente. Todo ano, Jason McCready, o presidente da Elegance, alugava o salão de festas do hotel mais prestigiado de Boston para receber seus 161 convidados, vestidos a rigor. Nessa noite, os homens trajavam smoking e as mulheres vestidos longos. Champanhe, vinho e licor eram servidos aos adultos e para as crianças, coquetel de frutas, além de refrigerantes à vontade. Numa sala ao fundo, tinham sido colocados vários fornos microondas, fornos convencionais e toda a parafernália necessária a uma festa daquele porte. Garçons eram contratados para atender a todos. Havia, também, uma sala com televisão, videocassete e o aparelho de som, de onde vinha a música que Caryn estava ouvindo naquele momento. Na entrada, cada funcionário retirava, de dentro de um chapéu, um papel com o nome da pessoa para quem daria o presente que havia levado. A árvore de Natal já estava devidamente montada e uma pessoa era encarregada de colocar embaixo dela todos os brinquedos que McCready sempre comprava nessa ocasião, para entregar aos filhos de seus funcionários. — Ei, menina, você está muito quieta! Isto é uma festa, lembra-se? Caryn arregalou os olhos. Depois, sorriu. Logo que começara a trabalhar na Elegance, ela ficava ressentida toda vez que June, a diretora de vendas da revista, a chamava de menina. Mas depois começou a perceber que June usava aquela palavra com carinho. Depois de alguns meses de convivência, ambas tinham se tornado amigas inseparáveis. E já haviam se passado cinco anos. [...]. Trechos extraídos da obra Suave paixão (Círculo de Livro, 1994), da escritora estadunidense Heather Pozzessere.

UM DÍSTICO POÉTICO - A lei que eu sou não me subjugará. Escrevo para que a morte não tenha a última palavra. do poeta grego e Prêmio Nobel de Literatura de 1979, Odysséas Elýtis (1911-1996). Veja mais aqui.



PAIXÃO (Imagem: arte de Ísis Nefelibata) - Falar em química da paixão e do amor em nossos dias, confronta a dicotomia da racionalidade com a emotividade. Principalmente pela atitude experimentalista e pelo sucesso tecnológico que propiciaram um desigual conforto humano. Contudo, enquanto o conforto passa a ser a razão da saga humana hoje, engendrou-se o desconforto para o conhecimento, que impôs a si mesmo limites metodológicos e restrições de incidência, que o paralisaram em campos onde o experimento não pode operar. Nesses campos do amor e da paixão, a ciência cotidiana não entra e os considera o limbo da metafísica, o exagero da imaginação artística e a perfumaria opressora dos mitos superados. Dessa forma, falar de amor e de paixão em tempos de banalização e vulgarização das relações afetivas e sexuais, requer um exercício ético sem preconceitos. Se no interior da própria ciência, a razão se autotematiza, no cotidiano, a opacidade continua. Há um mundo operatório que dá conta dos interesses e racionaliza as correlações de força vigentes, mantendo e justificando as disparidades, aquietando as consciências, criando virtualidades consoladoras e simulacros generosos, galvanizando as atenções e os esforços. Para um mundo limpo, tão limpo como as máquinas, cuja sujeira é permitida por não ter o odor e a organicidade dos seres vivos, uma razão limpa, sem as instabilidades do afeto e os riscos da paixão. Enquanto isso, uma corrente inglória e contumaz, insiste na afetividade em detrimento do mecanicismo desumano. Para que essa razão analítico-instrumental sobreviva, será sempre preciso separá-la do afeto. A inteligência mais alta é aquela que tem a eqüidistância dos eunucos e a limpidez da água destilada. Isto significa uma muralha construída entre a razão e a paixão, entre a cognição e a afetividade, a se tomar a terminologia piagetiana. O mundo do dado, como se insurgindo, não cansou, na história, de mostrar que onde a razão brilha, há uma coexistência com a paixão, onde ela desvela, ali está morando o afeto. Isso pode ser observado, tanto individual, quanto coletivamente.
A paixão, em Nietzsche, martela e fragmenta, atingindo a transmutação de todos os valores. Em Marx, subverte, denunciando a injustiça das estruturas econômicas e sociais. Em Freud, revela o inconsciente; e, no feminismo, desprivatiza o privado para denunciar a desigualdade entre os sexos. E isso quer dizer que não há Einstein sem a paixão pelo Universo, nem Mozart, sem a paixão pela Música, nem Marx, sem a paixão pelos desvalidos, nem Picasso, sem a paixão pela forma, cor e textura, nem movimentos sociais, sem a paixão pela transformação. Daí, conforme Gutiérrez (1998:80), "(...) paixão é criatividade: sem paixão não há poema, quadro, catedral, transformação social ou literatura. E é da paixão amorosa que trata a literatura, especialmente a romântica". Em Goethe, com Werther, é a mais alta representação do amor impossível, do amor infinito e da morte. Onde a paixão é excesso, transgressão. E que as transgressoras, adúlteras, ou não, como as heroínas na história da ópera, sofrem sempre algum tipo de punição. A paixão sem qual o mundo é insípido, a paixão que alimenta e fecunda e sem a qual se perde a própria flor da vida, tendo as características do que, para Kant, é o sublime, pois em termos kantianos o sublime é noturno, tempestuoso, misterioso. Mas afastar a razão da paixão é útil para efetivar uma dominação sutil: a dominação que estimula a produção com a diminuição de angústias e tensões, a dominação dos controles mais fáceis, dada a previsibilidade dos seres com sentimentos pequenos e pouco intensos, a dominação da criação de necessidades para amortecer dúvidas e tecer existências lineares, que procuram se apropriar de mercadorias, em si, desnecessárias. Além disso, nessa teia de poderes estabeleceu-se uma outra dualidade: a do amor, de um lado, e o da paixão, de outro. Para o amor foram carreadas todas as qualidades superiores: o amor é construtivo, o amor é solidário, o amor é doação, o amor é o sentimento da união serena e estável.
À paixão foram reservados os estigmas do descontrole, da traição, da agressividade, da infelicidade, da imprevisão e da destruição. Assim, a paixão se tornou fonte de atos perigosos, como, no âmbito penal, o homicídio passional.
O amor-paixão que move o ser humano para pontos cruciais, que o lança para os abismos, ou que o abre para iluminações, é entrega plenificadora ou destruidora. Seu sentido plenificador ou destruidor está dependente do valor, está ligado aos projetos, está demarcado por trajetórias individuais, sociais ou culturais. Ele é demasiadamente humano. Por isso, é perigoso para a sociedade de controle. Somente humano. No entanto, é preciso entender que o amor e a paixão fazem parte da vida humana porque estão sempre presentes nos sentimentos humanos. Para os poetas arrebatados a paixão não é, sente-se! E sente-se a cada momento, a cada beijo, a cada carinho, a cada sofrimento. Paixão é o que se cria fechados no mundo onde se balbucia palavras divinas que os beijos inocentemente interrompem! Paixão é a contemplação mística de olhar os olhos enobrecidos de prazer, de vida. Por isso e muito mais, a química do amor e da paixão é muito estudada hoje, pois o corpo produz substâncias que são como drogas que agem na pessoa quando está apaixonada.
Numa primeira tentativa conceitual empírica, a paixão pode ser entendida como um sentimento que desestrutura o indivíduo, pois ele deixa de lado o seu próprio eu para satisfazer as vontades e desejos do outro. Isso porque o apaixonado se anula, esquece de si mesmo para viver a vida do outro. Afasta-se dos amigos, da família e as vezes da própria sociedade. Ou seja, a paixão é a forma de amor que recusa o imediato e foge do próximo: aspira à distância e a inventa na medida de sua necessidade, para melhor se renovar e se exaltar. Esta definição está conforme com os preceitos do filosofo francês Denis de Rougemont, autor de "Os mitos do amor". A paixão, por outro lado, é uma projeção narcisística: ama-se, no outro, a projeção de si mesmos, enquanto o casamento, por seu lado, elimina o aspecto nascisístico da relação (Bolsanello, 1979). O apaixonado projeta e enxerga no outro tudo que ele deseja ter ou ser. A paixão não dura a vida toda. Ela chega numa encruzilhada onde encontra dois caminhos a seguir: acabar ou transformar-se num grande amor. Por outro lado, Jung (1980), observa que o encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas serão transformadas. Por isso, entende-se que a paixão é aquela euforia, aquele tormento, as noites insones e os dias inquietos. Em êxtase ou tomados pela apreensão, sonhando acordados durante os afazeres, esquecendo as coisas, perdendo a noção do espaço, ficando sentados ao lado do telefone ou planejando o que vamos falar, obcecados, ansiando pelo próximo encontro com a pessoa amada. Sob esse entorpecimento, o riso deixa tonto, enfrenta-se riscos absurdos, diz-se tolices, ri-se demais, revela-se segredos bem guardados, conversa-se a noite inteira, anda-se pela madrugada e, o tempo todo, abraçam-se e beijam-se, esquecidos do mundo inteiro enquanto estão tomados pela febre e sem fôlego, plenos de êxtase (Fisher, 1995). Numa outra visão, Freud considerou a paixão como um desejo sexual bloqueado ou postergado. Daí, muitos consideraram a paixão uma experiência mística, intangível, inexplicável e até sagrada, que desafia as leis da natureza e a investigação científica. Há toda uma mística, desde Iansã, que é o orixá de um rio conhecido como Níger, cujo nome original em iorubá é Oyá. Deusa da espada do fogo, dona da paixão, Iansã é a rainha dos raios, dos ciclones, furacões, tufões, vendavais.  Orixá do fogo, guerreira e poderosa. Mãe dos eguns, guia dos espíritos desencarnados, senhora do cemitério. Orixá da provocação e do ciúme. Paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir, o desejo sexual. É a volúpia, o clímax. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. A frase "estou apaixonado" tem a presença e a regência de Iansã, que é o orixá que faz com que os corações batam com mais força e cria nas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das conseqüências de um ato impensado no campo amoroso. Iansã rege o amor forte, violento. Oyá é também a senhora dos espíritos dos mortos, dos eguns. É a deusa dos cemitérios. É ela que servirá de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma. Comanda a falange dos Boiadeiros. Embora tenha sido esposa de Xangô, Iansã percorreu vários reinos. Foi paixão de Ogum, Oxaguian, Exu. Conviveu e seduziu Oxóssi, Logun-Edé e tentou, em vão, relacionar-se com Obaluaiê. Em Ifé, terra de Ogum, foi a grande paixão do guerreiro. Aprendeu com ele e ganhou o direito do manuseio da espada. Em Oxogbo, terra de Oxaguian, aprendeu e recebeu o direito de usar o escudo. Deparou-se com Exu nas estradas, com ele se relacionou e aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Oxóssi, seduziu o deus da caça, aprendendo a caçar, tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal com a ajuda da magia aprendida com Exu. Seduziu o jovem Logun-Edé e com ele aprendeu a pescar. Iansã partiu, então, para o reino de Obaluaiê, pois queria descobrir seus mistérios e até mesmo conhecer seu rosto, mas nada conseguiu pela sedução. Porém, Obaluaiê resolveu ensinar-lhe a tratar dos mortos. De início, Iansã relutou, mas seu desejo de aprender foi mais forte aprendeu a conviver com os eguns e controlá-los. Partiu, então, para Oió, reino de Xangô, e lá acreditava que teria o mais vaidoso dos reis, e aprenderia a viver ricamente. Mas, ao chegar ao reino do deus do trovão, Iansã aprendeu muito mais. Aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu a ela o seu coração. O fogo é o elemento básico de Iansã. O fogo das paixões, da alegria, o fogo que queima. E aqueles que dão uma conotação de vulgaridade a essa belíssima e importantíssima divindade africana, são dignos de pena e mais dignos ainda, do perdão de Iansã. Doroty Tennov, em 1960, identificou uma constelação de características comuns à condição de se estar apaixonado, um estado que ela chama de envolvimento, alguns psiquiatras chamam de atração e outros de paixão (Fisher, 1995). O primeiro aspecto dramático dessa condição é seu início, o momento em que outra pessoa começa a assumir um significado especial. Depois, a paixão vai se desenvolvendo segundo um padrão característico, que começa com o pensamento invasivo. No começo, esses pensamentos invasivos ocorrem de maneira irregular. Mas se detém nos aspectos mais triviais da pessoa amada e a aumentar desproporcionalmente sua importância em um processo que Tennov denomina de cristalização (Fisher, 1995). A cristalização é distinta da idealização, pois a pessoa apaixonada na verdade percebe os pontos fracos da pessoa a quem idolatra. As duas características mais importantes que aparecem nas divagações dos informantes apaixonados de Tennov são duas sensações esmagadoras: a esperança e a dúvida (Fisher, 1995). A timidez, o medo da rejeição, a ansiedade e o desejo de reciprocidade, são outras sensações importantes da paixão. Acima de tudo, há um sentimento de desamparo, uma sensação de que essa paixão é irracional, involuntária, não-planejada e incontrolável. Dessa forma, a paixão passa a ser um conjunto de intensas emoções que se desencadeiam sobre as pessoas e as inundam, deixando-as à mercê dos caprichos da outra pessoa, em detrimento de tudo o que os rodeia, incluindo o trabalho, a família e os amigos. E este mosaico de sensações involuntárias só está parcialmente relacionada ao sexo (Fisher, 1995). A paixão, ainda, pode ser desencadeada, em parte, por um dos traços mais primitivos - o olfato. Cada pessoa tem um cheiro diferente. Todos têm um odor pessoal, tão característico como a voz, as mãos, o intelecto (Fisher, 1995). O corpo humano pode produzir os mais poderosos afrodisíacos olfativos. Tanto os homens quanto as mulheres têm glândulas apócrinas nas axilas, em volta dos mamilos e na virilha, que se tornam ativas na puberdade. A secreção dessas glândulas difere daquela das glândulas ecrinas, que se encontram na maior parte do corpo e produzem um líquido inodoro, porque seu exudato, junto com as bactérias existentes na pele, produz o cheiro acre e azedo da transpiração (Fisher, 1995). Os odores masculino ou feminino podem provocar fortes reações físicas e psicológicas. O cheiro de um homem ou de uma mulher podem trazer à tona muitas lembranças. Despertada a paixão, o cheiro da pessoa amada, torna-se um afrodisíaco, um estímulo contínuo ao relacionamento amoroso. Certo distanciamento é essencial para a paixão. Em geral, as pessoas não se apaixonam por alguém que conhece bem. O mistério é muito importante para o amor romântico. As dificuldades também parecem despertar essa loucura. É a caçada. Se uma pessoa é difícil de ser conquistada, isso desperta o interesse das outras. A ocasião também desempenha um papel importante na paixão. Via de regra, sente-se atraído por pessoas similares, tendendo a procurar pessoas semelhantes, o que os antropólogos chamam de união positiva entre iguais (Fisher, 1995). É a constelação de fatores que aparecem de uma vez, incluindo o momento oportuno, os obstáculos, o mistério, as semelhanças, um mapa amoroso coincidente, e até os cheiros certos, que torna a pessoa suscetível a se apaixonar. Esse violento distúrbio emocional que se chama paixão ou atração pode começar com uma pequena molécula chamada feniletilamina, ou FEA. Conhecida como a amina da excitação. A FEA é uma substancia existente no cérebro que provoca as sensações de exaltação, alegria e euforia. No aspecto biológico, os impulsos são os mesmos, com manifestações orgânicas concretas. A falta de controle desses impulsos faz a diferença, influenciando os aspectos psicológico e social, muito ligados. Na raça humana centros cerebrais superiores dominam sobre os centros sexuais e o sexo reprodução muitas vezes se curva perante a complexidade do sexo prazer e o do sexo amor. Os feromônios, certos odores nas fêmeas de animais, começam a ser estudados na espécie humana e já se conhece um pouco sobre uma detecção inconsciente dessas substâncias que estimulam a produção de outras substâncias cerebrais como a ocitocina, na hipófise, responsável pela produção de leite, contrações do parto e uma espécie de fome epidérmica: uma agradável sensação desencadeada pelas carícias em qualquer região do corpo. A ocitocina facilita a ação dos feromônios durante o contato mãe-bebê logo após a parto estabelecendo a memória olfativa. Estas lembranças precoces ficam registradas de modo indelével na mente e vão influenciar todos os relacionamentos futuros, funcionamento na sociedade e capacidade de receber e dar carinho. Este argumento é reforçado pela psicologia da evolução. Não há dúvidas que processos complexos como as fantasias e palácios são mais relevantes no estabelecimento dos encontros e, acima de tudo, o amor ágape é o grande amálgama divino indissolúvel pelo imperfeito homem, mas uma reflexão é para que os casais redescubram as agradáveis e inebriantes sensações proporcionadas pelos seus hormônios. O excesso de aromas oriundos dos banhos aromáticos, óleos, perfumes podem mascarar os feromônios. Portanto, não se deve subestimar ação hormonal: muitos casais enfrentam desgastes relacionais profundos durante a gestação ou menopausa por desconhecerem as alterações físicas provocadas pelos hormônios. Jovens maridos, que tinham um relacionamento prazeroso, muitas vezes, sentem-se desprezados durante a gestação pois as esposas já não parecem tão interessadas neles.  O casal se distancia e surgem mágoas. O problema é facilmente superado quando informamos que a gestante fica com o desejo sexual diminuído principalmente devido a elevação passageira da prolactina, um hormônio que estimula a lactação. A resposta sexual é normal desde que o marido continue a procurar a intimidade. Por isso, para o terapeuta familiar Robert Neuburger, a paixão altera a percepção da realidade por causa do o abandono da vigilância. Segundo ele, a paixão invade, pode fazer com que a pessoa negligencie os filhos, o trabalho, tudo. A paixão se organiza dentro da ansiedade e da urgência. O sentimento primordial é a necessidade absoluta do outro.  E esse estado precede o encontro com a pessoa que vai se transformar no objeto da paixão. Corresponde à necessidade de se sentir vivo. Geralmente, as pessoas se apaixonam quando estão se sentindo mal, insatisfeitas consigo mesmas e com os outros. Nessas situações, uma paixão faz a pessoa sentir que está vivendo intensamente. Claro que não se pode negligenciar a escolha da pessoa por quem se vai ficar apaixonado, mas o mecanismo passional vem antes. É acionado quando se começa a desejar algo que traga uma nova energia vital. A paixão toca no que existe de mais profundo na existência de cada um. É uma autoterapia excelente e um antidepressivo muito eficaz, vez que ela está ligada à vida e à morte. Ter amado passionalmente permite aceitar a morte. Mas não se deve ultrapassar a dose. Há um aspecto mortífero na paixão. Os apaixonados tendem a ir além de suas forças, com uma percepção alterada da realidade. O resto do mundo não existe mais, e isso não pode durar para sempre. Depois, tudo vai depender da maneira como a pessoa aterrissa: devagarinho, com lembranças maravilhosas, ou com amargor e arrependimento. A menos que a paixão se transforme em amor duradouro. O namoro, por exemplo, é um dos modos que o ser humano encontrou no decorrer de sua existência para descobrir-se como ser sensível, capaz de trocar emoções, sentimentos, carícias, em relação a si mesmo e ao outro. É um fenômeno conhecido por todos, podendo ser "rapidinho" descompromissado, como o "ficar", ou duradouro, envolvendo compromissos até de fidelidade. A adolescência materializa e demarca o seu aparecimento. E a morte, o seu fim. Com isso, diz-se que o ato de cativar, inspirar amor, atrair, namorar, só cessa com a finitude: a morte. Ocorre por infinitas razões: atração sexual, afinidades, paixão, curiosidades, carência afetiva, medo de ficar só entre tantos outros motivos, até buscando vivenciar essa forte emoção. O enamoramento é um estado de ser, que lança a uma experiência extraordinária, transgressora. Graças à transgressão desencadeada pela força de Eros, o deus do amor e do movimento para a mitologia grega, a libido para a psicanálise, encontra-se o fenômeno da mestiçagem entre os mais variados tipos étnicos. Nesses momentos de enamoramento, os envolvidos se percebem possuídos por uma emoção, uma força nascente, uma revelação diante do objeto de desejo, que os mobilizam a um renascimento, a uma redescoberta física, sexual, emocional e psíquica. É que a paixão tende a superar a diversidade existente entre as duas pessoa, razão de ser do próprio desejo. O interesse pelo outro está focado no que o apaixonado atribui ao outro de diferente. Assim, passa-se a atribuir ao eleito do desejo uma qualidade singular, o que é revelado pela intensidade e intimidade erótica que adquirem o seu gesto, seu toque, seu cheiro e suas carícias. Carícias erotizam para sempre o corpo. Nesses momentos, o desejo de estar no corpo do outro permite mergulhar no fantástico mundo da criatividade, liberar os horizontes do imaginário e, numa viagem sem fronteiras, possibilitar à pessoa amada o seu desvelar. Essa viagem de descoberta é vivida a dois, pois, ao permitir o desvelar-se da pessoa amada, desvelam-se também diante dela. Nessa fusão se completam e, por instantes, experimentam a eternidade. São momentos de beleza incontestável . O êxtase, a magia se presentificam. Outro aspecto interessante do enamoramento é a percepção alterada da duração do tempo: as horas passam em minutos e os minutos estendem-se como se fossem horas. O encontro ocorre quando os dois conseguem operacionalizar o tempo. Há, portanto, uma preparação criativa, uma predisposição para viver o extraordinário, as festas, os espetáculos não ocorrem todos os dias. Nessa fantástica e instável caminhada existencial, Eros mostra-se sempre paradoxal: não oferece certezas e tampouco garantia de estabilidade, e continuidade. Ao se permitir viver o processo de enamoramento, portanto, estão-se expostos a serem invadidos por fortes ventos que, por certo, irão desestabilizar a fusão , e a tão sonhada completude , que se atribui ao outro o poder de possibilitar-se a viver. Afinal, sonhos são estados de ser dos mortais. Com certeza: um consolo, um prêmio pela nossa condição de mortais. A sedução é o ponto de partida para se atingir a paixão. O outro completa, atrai e, a partir daí inicia a paixão. A palavra sedução é muitas vezes, utilizada com uma conotação negativa. No entanto, dentro de certos limites, a sedução é um processo normal e desejável nos relacionamentos humanos. A sedução é um jogo que tem como principal característica a formação de um sentimento diferente de todos os outros, que vai prendendo o seduzido sem que ele perceba. Existem, pois, diferentes maneiras de se praticar a sedução, como: fingir que não está percebendo a intenção do outro ou fingir preferências comuns. Na realidade o apaixonado não busca o outro, busca a si mesmo. O olhar sedutor transcende os limites do simples olhar, é um olhar colorido, cheio de promessas. Todo ser humano de uma maneira ou de outra se sente incompleto e deseja buscar em outra pessoa o que lhe falta. A paixão, a sedução, não se liga a matemática, não tem idade. A intensidade da emoção sentida durante a fase da paixão, por si só justifica qualquer conseqüência negativa sofrida mais tarde. A paixão da qual nasce o ciúme é o desejo de posse. É fato estranho que a emoção mais sublime conhecida pelo homem, e, bem asism, pelo animais, é o amor. As maiores coisas realizadas pelo homem, são feitas devido aos impulsos do amor. Contudo, o própiro amor pode criar expressões de duas paixões muito opostas, a saber, a paixão de dar e partilhar aquilo que se ama, e a paixão de possuir e controlar a coisa amada. Não há dúvidas que processos complexos como as fantasias e palácios são mais relevantes no estabelecimento dos encontros e, acima de tudo, o amor ágape é o grande amálgama divino indissolúvel pelo imperfeito homem, mas uma reflexão é para que os casais redescubram as agradáveis e inebriantes sensações proporcionadas pelos seus hormônios. O excesso de aromas oriundos dos banhos aromáticos, óleos, perfumes podem mascarar os feromônios. Portanto, não se deve subestimar ação hormonal: muitos casais enfrentam desgastes relacionais profundos durante a gestação ou menopausa por desconhecerem as alterações físicas provocadas pelos hormônios. Jovens maridos, que tinham um relacionamento prazeroso, muitas vezes, sentem-se desprezados durante a gestação pois as esposas já não parecem tão interessadas neles.  O casal se distancia e surgem mágoas. O problema é facilmente superado quando informamos que a gestante fica com o desejo sexual diminuído principalmente devido a elevação passageira da prolactina, um hormônio que estimula a lactação. A resposta sexual é normal desde que o marido continue a procurar a intimidade. Por isso, para o terapeuta familiar Robert Neuburger, a paixão altera a percepção da realidade por causa do o abandono da vigilância. Segundo ele, a paixão invade, pode fazer com que a pessoa negligencie os filhos, o trabalho, tudo. A paixão se organiza dentro da ansiedade e da urgência. O sentimento primordial é a necessidade absoluta do outro.  E esse estado precede o encontro com a pessoa que vai se transformar no objeto da paixão. Corresponde à necessidade de se sentir vivo. Geralmente, as pessoas se apaixonam quando estão se sentindo mal, insatisfeitas consigo mesmas e com os outros. Nessas situações, uma paixão faz a pessoa sentir que está vivendo intensamente. Claro que não se pode negligenciar a escolha da pessoa por quem se vai ficar apaixonado, mas o mecanismo passional vem antes. É acionado quando se começa a desejar algo que traga uma nova energia vital. A paixão toca no que existe de mais profundo na existência de cada um. É uma autoterapia excelente e um antidepressivo muito eficaz, vez que ela está ligada à vida e à morte. Ter amado passionalmente permite aceitar a morte. Mas não se deve ultrapassar a dose. Há um aspecto mortífero na paixão. Os apaixonados tendem a ir além de suas forças, com uma percepção alterada da realidade. O resto do mundo não existe mais, e isso não pode durar para sempre. Depois, tudo vai depender da maneira como a pessoa aterrissa: devagarinho, com lembranças maravilhosas, ou com amargor e arrependimento. A menos que a paixão se transforme em amor duradouro. O namoro, por exemplo, é um dos modos que o ser humano encontrou no decorrer de sua existência para descobrir-se como ser sensível, capaz de trocar emoções, sentimentos, carícias, em relação a si mesmo e ao outro. É um fenômeno conhecido por todos, podendo ser "rapidinho" descompromissado, como o "ficar", ou duradouro, envolvendo compromissos até de fidelidade. A adolescência materializa e demarca o seu aparecimento. E a morte, o seu fim. Com isso, diz-se que o ato de cativar, inspirar amor, atrair, namorar, só cessa com a finitude: a morte. Ocorre por infinitas razões: atração sexual, afinidades, paixão, curiosidades, carência afetiva, medo de ficar só entre tantos outros motivos, até buscando vivenciar essa forte emoção. O enamoramento é um estado de ser, que lança a uma experiência extraordinária, transgressora. Graças à transgressão desencadeada pela força de Eros, o deus do amor e do movimento para a mitologia grega, a libido para a psicanálise, encontra-se o fenômeno da mestiçagem entre os mais variados tipos étnicos. Nesses momentos de enamoramento, os envolvidos se percebem possuídos por uma emoção, uma força nascente, uma revelação diante do objeto de desejo, que os mobilizam a um renascimento, a uma redescoberta física, sexual, emocional e psíquica. É que a paixão tende a superar a diversidade existente entre as duas pessoa, razão de ser do próprio desejo. O interesse pelo outro está focado no que o apaixonado atribui ao outro de diferente. Assim, passa-se a atribuir ao eleito do desejo uma qualidade singular, o que é revelado pela intensidade e intimidade erótica que adquirem o seu gesto, seu toque, seu cheiro e suas carícias. Carícias erotizam para sempre o corpo. Nesses momentos, o desejo de estar no corpo do outro permite mergulhar no fantástico mundo da criatividade, liberar os horizontes do imaginário e, numa viagem sem fronteiras, possibilitar à pessoa amada o seu desvelar. Essa viagem de descoberta é vivida a dois, pois, ao permitir o desvelar-se da pessoa amada, desvelam-se também diante dela. Nessa fusão se completam e, por instantes, experimentam a eternidade. São momentos de beleza incontestável . O êxtase, a magia se presentificam. Outro aspecto interessante do enamoramento é a percepção alterada da duração do tempo: as horas passam em minutos e os minutos estendem-se como se fossem horas. O encontro ocorre quando os dois conseguem operacionalizar o tempo. Há, portanto, uma preparação criativa, uma predisposição para viver o extraordinário, as festas, os espetáculos não ocorrem todos os dias. Nessa fantástica e instável caminhada existencial, Eros mostra-se sempre paradoxal: não oferece certezas e tampouco garantia de estabilidade, e continuidade. Ao se permitir viver o processo de enamoramento, portanto, estão-se expostos a serem invadidos por fortes ventos que, por certo, irão desestabilizar a fusão , e a tão sonhada completude , que se atribui ao outro o poder de possibilitar-se a viver. Afinal, sonhos são estados de ser dos mortais. Com certeza: um consolo, um prêmio pela nossa condição de mortais. A sedução é o ponto de partida para se atingir a paixão. O outro completa, atrai e, a partir daí inicia a paixão. A palavra sedução é muitas vezes, utilizada com uma conotação negativa. No entanto, dentro de certos limites, a sedução é um processo normal e desejável nos relacionamentos humanos. A sedução é um jogo que tem como principal característica a formação de um sentimento diferente de todos os outros, que vai prendendo o seduzido sem que ele perceba. Existem, pois, diferentes maneiras de se praticar a sedução, como: fingir que não está percebendo a intenção do outro ou fingir preferências comuns. Na realidade o apaixonado não busca o outro, busca a si mesmo. O olhar sedutor transcende os limites do simples olhar, é um olhar colorido,  cheio de promessas. Todo ser humano de uma maneira ou de outra se sente incompleto e deseja buscar em outra pessoa o que lhe falta. A paixão, a sedução, não se liga a matemática, não tem idade. A intensidade da emoção sentida durante a fase da paixão, por si só justifica qualquer conseqüência negativa sofrida mais tarde. A paixão da qual nasce o ciúme é o desejo de posse. É fato estranho que a emoção mais sublime conhecida pelo homem, e, bem asism, pelo animais, é o amor. As maiores coisas realizadas pelo homem, são feitas devido aos impulsos do amor. Contudo, o própiro amor pode criar expressões de duas paixões muito opostas, a saber, a paixão de dar e partilhar aquilo que se ama, e a paixão de possuir e controlar a coisa amada. O amor é uma experiência consumptiva. Mergulha-se euforicamente nesta deliciosa tortura onde freqüentemente é difícil manter a concentração. Outros estudiosos identificaram algumas substâncias responsáveis pelo amor: dopamina, feniletilamina e ocitocina. Estes produtos químicos são todos relativamente comuns no corpo humano, mas são encontrados juntos apenas durante as fases iniciais do flerte. Ainda assim, com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos e toda a loucura da paixão desvanece gradualmente, quando a fase de atração não dura para sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOLSANELLO, Aurélio. Enciclopédia pedagógica de educação sexual. Curitiba: Educacional Brasileira, 1979
BRITZMAN, D. P. O que é esta coisa chamada amor. Identidade homossexual, educação e currículo. In: Educação e Realidade. Vol 21 (1), jan/jul, 1996.
FISHER, Helen. Anatomia do amor: a história natural da monogamia, do adultério e do divórcio. Rio de janeiro: Eureka, 1995
GUTIÉRREZ, Rachel. O amor sublime e os perigos da paixão. In: Feminino & masculino no imaginário de diferentes épocas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998
JACOBINA, Eloá & Kühner, maria Helena. Feminino & masculino no imaginário de diferentes épocas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998
JAGOT, Paul-C. Psicologia do amor: o institinto, a sensibilidade e a imaginação. Rio de Janeiro: Pallas, 1977
MACHADO, M.D.C. Corpo e moralidade sexual em grupos religiosos. Revista Estudos Feministas, nº 1/95, Rio de Janeiro: Escola de Comunicação/UFRJ, 1995.
PARKER, R. e BARBOSA, R. (orgs.). Sexualidades Brasileiras. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1996.
THIRÉ, Fernando. A psicologia sem mistérios. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1979
WATTS, Alan. O homem, a mulher e a natureza. Rio de Janeiro: Record, 1958

VEJA MAIS
 Exórdio, História Pernambucana, Sofia Gubaidulina, Quintiliano, Carlo Goldoni, Tsai Ming-liang, Howard Rogers, Alberta Watson, Zinaida Serebriakova &Sandra Magalhães Salgado aqui.
Maceió, A burrinha de padre, Máximo Gorki, Mario Vargas Llosa, Autran Dourado, Sarah Vaughan, Suzana Amaral, Carl Barks & Dianne Wiest aqui
Violeta Parra, Denis Diderot, Cyro dos Anjos, István Szabó, Leo Putz, Marieta Severo, Erika Marozsán & Ida Rubinstein aqui.
 
PREVISÕES DO DORO:
AQUÁRIO (21 de janeiro – 19 de fevereiro) - UM LERO INTRODUTÓRIO – você, amiga aquariana, que é da lua e do ar, inteligente, generosa, criativa, franca, original, sensível, independente, dinâmica e voltada para os problemas humanitários, protegida por ninguém menos que Jesus Cristo – tá podendo, hem? – e que além de ser conectada com o todo-poderoso conta, ainda, com a proteção de Oxalá e de Iemanjá, pode? Privilégio maior que esse, minha filha, nem aqui nem na China, viu? O seu símbolo é o aguadouro e é representado por Hebe ou Ganimedes que, conforme conta a lenda, durante a Assembléia dos Deuses do Olimpo, eram os responsáveis por derramarem nas taças o néctar da eterna juventude e da mortalidade. Chocante, hem? Seu anjo da guarda é o arcanjo Uriel. Por isso você pode ter o carisma de uma Carmen Miranda, a beleza de uma Carolina Ferraz, atleta como a Daiane dos Santos, cobiçada como a Jennifer Aniston, encantadora como a Maitê Proença, injustiçada como a Olga Benário Prestes, inconseqüente como a Paris Hilton, ou dar uma de Sabrina Sato no Pânico, da Sandy no meio dumas darks louconas na MTV, de Shakira numa solenidade, ou de uma Yoko Ono para os Beatles, isso porque é fascinada por artes e tecnologia, além de ser vista como uma excêntrica, calculista, futurista, inovadora, farrista, toda do contra, metida a besta, extremamente individualista, quase narcisista, chata de galocha e tem umas recaídas constantes de dar tudo o que tem, sem contar com a mania de prometer mais do que deve por querer sempre ajudar quem pede ajuda. Cuidado, minha nega, desse jeito não vai sobrar nem o palito de você mesma, viu? Se tiver simancol terá fortes propensões ao sucesso! Um detalhe: não minta que o cu apita, sacou? Você pode não resistir a uma leve conferência no detector.
Porém, este será um ano positivo. Se vacilar, pode virar negativo, né? Cuidado com o envolvimento desavisado com entidades assistenciais: tem sujeitinho sujo metido à politicagem doido para dar um golpe daqueles de torar tudo. E você pode ficar em maus lençóis. Evite sempre agir por impulsos, contenha a sua impulsividade. Também evite situações que possam deixar você indefesa ou indecisa, pode ser o fim da picada.
O azul será predominante para sua condução na vida principalmente por estimular a sua sinceridade e espiritualidade.

AMOR – Invista sempre em surpresas e novidades. Viva a mil por hora. E se o carinha não acompanhar, mande ele pegar a fila ou o beco. Se ele der na trave, mande pastar. E se for insistente, mande ele largar do seu pé, senão, dê um chute bem dado na bunda desse salafrário e arrume outro. Se não der, compre um boneco inflável e vá pra galera. Faça loucuras na cama, tudo o que aprouver. Mas não se entusiasme muito com isso, vai ter uma hora que a monotonia pode rondar e você chegue a sentir falta de um calor macho para esquentar seus pés e a perseguida. Lute sempre pela sua liberdade, isso é imprescindível. Assim, deixe tudo rolar e a tanga voar. E para ter sorte no amor mantenha uma mandala desenhada dentro de todas as suas calcinhas. Isso manterá você sempre fuviando e ao mesmo tempo protegida contra doenças venéreas e propagandas enganosas. No mais, fodas & fodas & fodas a fole.

Imagem: Polyenos et Chrisis, de Agostino Carracci. -TRABALHO – em 2016 você precisa ser prática e cônscia dos seus direitos e deveres. Siga à risca. E use da criatividade e originalidade que lhe é pecualiar. Também da diplomacia. Busque sempre a satisfação profissional. Se estiver insatisfeita com o salário, chute o balde, desça das tamancas, rode a baiana e mande tudo para pqp. Seja rápida e tome decisões acertadas. Do contrário, aguente tudo caladinha. Seja flexível. Cuidado, você pode estar sendo vigiado e isso para você é o mesmo que matá-la. Maior dureza! Para melhorar seu salário você pode fazer o seguinte: pegue um lenço azul, um vestido azul bem depravado, 1 uma linha azul para segurar as coisas que estiverem caindo, sua carteira de trabalho – de repente não tem como se limpar, né? – e rode a bolsinha na primeira esquina mais movimentada da parada. Então, vá como quem não quer nada, passe tudo como se estivesse com a faca nos dentes e desmascare todos os algozes atrozes que lhe apurrinham e andam demarcando seu território. Não se precipite, dê o bote na hora certa. Seja irreverente e mostre que vencer uma batalha pode não ser a vitória, mas o começo doutra batalha. Faça cada vez melhor, você pode, você é. Agora é só olhar pro futuro e se mantenha livre para voar.

SAÚDE – mantenha o equilibrio físico e emocional. Para isso, na lua cheia pegue 1 litro de água, 2 velas, 1 vermelha e a outra azul, 1 turmalina azul, 1 incenso violeta para dar um contraste em tudo, 1 punhado de manjericão, 1 sondalita, ponha tudo num copo, remea e sacuda dentro do liquidificador. Deixe uns 3 minutos no zoadeiro. Depois tome e espere a coisa acontecer. Faça sempre massagem no plexo solar. E quando sair de qualquer lugar nunca olhe para tras. Faça exercícios, ande pulando numa perna só e cuide da saúde!

VIDA - A sua filantropia vai dar o que falar. Drible a insegurança, valorize suas qualidades, bata nos peitos e diga: sou a maior! E mande ver! Na lua cheia pegue 1 cristal, 7 folhas de salgueiro, 7 pétalas de orquideas, 7 flores de margarida, arrebenta-cavalo, fedegoso e toros de bambu, 7 flores brancas, 7 roxas, 7 incensos de mirra, 7 moedas – com um detalhe: cada uma delas, cada dia da semana, você pega faz, na ordem, como se fosse supusitório durante a noite. Quando acordar, retire e ponha no meio da tranqueira, são 7 dias, 7 moedas. Depois disso, junte tudo por 7 dias num papel de seda de branca melado de mel, 1 fita branca, ponha tudo isso num pacote só de cor azul, remexa, plante bananeira, equilibre nos seios, depois no ventre, faça embaixadinhas, depois deite o pacote na nuca, cuspa e mije em cima, deixe bem sapecado e bote para enxugar numa janela do lado do leste da sua casa por 3 dias encarreados de sol a sereno. Depois faça 7 pedidos e repasse o pacote para 7 pessoas de seu vinculo de amizade. Depois que amolegarem bem muito, acenda uma vela de sétimo dia e queime refazendo o seu pedido com toda força para Jesus Cristo, Oxalá e Iemanjá. Tudo isso para ficar muito azul e ter boas vibrações. Além duma sorte da porra, viu? Seu número da sorte é 13. Mas também pode apostar no 31, no 5, no 40, no 68, no 77, tudo que tiver 3 e 7 e seus similares estarão no plano de sua fortuna. Para tanto faça sempre uso dos salmos 2, 3, 12, 44 e todos os outros na hora de aperreio que logo tudo virará bonanza na horinha. Não viva só no mundo dos sonhos. E lembre-se da simpatia da virada do ano, faça bem direitinho conforme manda o figurinho. E não se faça de abestada e vote em mim nas próximas eleições, senão um vento ruim vai rondar sua vida de nunca mais você se livrar do azar e da desgraça. Assinado, Doro.

Veja mais previsões acessando:

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 
 Nua, by Ricardo Paula.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...