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domingo, fevereiro 15, 2026

LEÏLA SLIMANI, JANICE REBIBO, NARGES MOHAMMADI & AGUINALDO SILVA

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do Piano Concerto In E Flat Major & Violin Concerto in G Minor, da compositora, pianista e violinista britânica Alma Deutscher (Alma Elizabeth Deutscher), com a Orchestra of St. Luke's, sob a regência da maestrina Jane Glover, no Carnegie Hall (2019).

 


 Amorarte de Sabicaná... – O cantador violeiro, Ze Canário, vivia de xotes e toadas, na companhia de sua inseparável cadela, Caralâmpia, sua exclusiva ouvinte e vocal de apoio – enquanto ele se esgoelava blem blem, ela uivava uhuuu -, formando um duodeceto diuturno com a Lua – sua inquestionável Selenita - e o coral dum punhado de estrelas refulgentes. Assim, como um príncipe de poa, ensaiava com fibra a sua cantata narrando hestórias de alertas aos gases tóxicos e baixos níveis de oxigênio, dos quais alguns não resistiam finando emborcados. Porém, naquela noite, a despedida: Vou ganhar o mundo! Terras por conhecer, paisagens por explorar. Saudava a todos com o forró da dupla Carvalho & Zapata: Não precisa de dinheiro \ Pra me ouvir cantar \Eu sou canário do reino \ E canto em qualquer lugar... Presentes ali os sobreviventes de sempre: o Mineiro, DuReino, o Belga, Guirá-nheengatu, Turuna, Mutuca, incluindo o Azul Rejeitado da Fábula de Ledo Ivo e o seu primo que veio do estrangeiro, Harzer Roller, trazendo notícias do parente Cinzento: escondia-se da gata que ameaçava devorá-lo, mas não teve sorte, infelizmente foi capturado e preso numa gaiola, sofrendo muito de adoecer e morreu. Valha-me! Lamentaram a alma perdida e, logo em seguida, foram embalados com sua cantoria às batidas, trinados e rolos alternados. Muitas palmas e folia folgada. Ao final da seresta confessou ser aquele da antiga lenda celta do The Torn Birds da Colleen McCullough: cantaria pela última vez, a única na vida. E taciturno: Vou procurar um espinheiro alvar onde houver, para me empalar no acúlio mais comprido e agudo, no qual vou lançar meu lamento superlativo entre os galhos selvagens e um espinho cravado no peito sublimando a agonia para descansar em paz. Assim, pagarei meu preço, o mundo inteiro me ouvirá a pulso e Deus sorrirá no céu, quitando minha existência. Efusiva salva de palmas aos abraços solidários e tão abatumados com o frio da madrugada. Antes do nascer do Sol, ele partiu saudando o dia como um passarinho do açúcar. O último aceno no terminal rodoviário e, decidido a seguir em frente, ele a viu: olhos dela nele e vice-versa, fixados. Cruzaram mútuos, fisgados às passadas, viraram-se convergentes, ambos voltaram, um ao outro, defrontaram-se espantados, um sorriso recíproco. A iniciativa dela: Conheço você de algum lugar... E ele: Você também me é familiar. De onde? Nenhuma exatidão, especulavam e nisso ficaram: Será que... Não era. Por acaso... Nem, também. Checavam, nenhuma constatação plausível, nada batia. Nela o útero se revolvia; nele, um frio na barriga subindo pela coluna vertebral assanhando ideias. Aí, um verso de cá, uma rima de lá, ele dali e ela dacolá às estrofes e quadras. Ela puxava o mote, ele glosava, perguntas e respostas, vírgulas e pontos. E nisso iam tentando conversar. Mas eis que chegara a hora dele ir e dela ficar. Ele: Tenho de ir; e ela: Preciso prosseguir. Ele antecipava a saudade: Sua presença me trouxe bons presságios, quero escutá-la mais vezes pra valer a primavera. Ela: Será que ainda nos veremos? Quem sabe! É, quem sabe... Lamentaram a sorte, cada qual seguiu seu caminho, a sua sina: ela reconstruindo o passado, ele errando mundo afora. E se foram. Ele cantarolando: Sabiá canta na mata, descansa no pau agreste, um amor longe do outro, não dorme sono que preste! E invocou Catulo da Paixão Cearense: Sabiá lá no alto, da ingazeira serena, chorava como se fosse, uma viola de pena... E dizia pra si que precisava aprender a comer pimenta que nem sabiá. Ele se foi com suas perspectivas pelos 4 cantos do mundo; ela revolvendo memórias, desenterrando raízes, outros rizomas. Cada qual muitas noites e dias solitários, pensamento um no outro, inarredável, arrastavam-se esticando lonjuras. Batia a saudade nele e era Tom&Chico: Eu hei de ouvir cantar uma sabiá... Mas quem era ela? Menina achegada às pimenteiras, agarrada aos enviuvados passos da mãe carpideira, adolesceu no coral da igreja, enturmou-se no canto orfeônico, cantora lírica no conservatório, Diva estrelando espetaculares palcos de plateias estrangeiras. Nossa! Prali retornara para rever vivências antigas esgarçadas no tempo, os que se foram e o que restaria de seus laços íntimos, revolvendo ossos nas catacumbas das lembranças de seus entes queridos, desenterrando monturos no afã dum piso firme para sustentar seu lastro combalido. Nos baques da vida, fora iludida por um enrolão abastado, escapando de um aborto. Assim, um ano se passou e, num piscar de olhos, uma ou quase duas décadas, já era 5 de outubro de novo, aniversário dela, surpreendida pela reunião presencial de parentes longínquas de sabe-se lá quanto mais tempo: a Ponga, a Cavalo, Coca, Barriga-vermelha, Guaçu, Laranjeira, Una, Piranga, Gongá, Sabiacica, Sabiapiri, Sabiapoca, Sabiaúna, a do Peito-Roxo e a Da-Praia, todas as Túrdidas, até a prima Tordo-zorzal que veio da Patagônia. Ali juntaram transbordantes lágrimas emotivas e restos mortais, revivendo tempos de plantio e colheita, num culto à fertilidade, em louvor da Deusa-Mãe. Ao amanhecer, o momento zorzal: invocaram as ancestrais deusas Zoryas, as servas de Dazbog. A Utrennyaya logo abriu os portões celestiais da alvorada, era a estrela da manhã protegendo o mundo do escatológico cão Simargl. E delataram confidências ao meio dia e revelaram escondidos segredos ao entardecer. Ao crepúsculo, Vechernyaya, a estrela da noite, fechou os portões com o sexteto de Julian Cochran, enclausurando-as em sua festa noturna. Logo soaram as doze badaladas noturnas e trouxeram Polunochnaya, a Estrela da Meia Noite de Neil Gaiman, anunciando o regresso do amado. Ele ali retornara com os versos da Canção do Exílio, de Gonçalves Dias: Minha terra tem palmeiras, onde canta a sabiá... Ela sorriu felizarda, estava coroado seu presente de aniversário. E se atraíram exultantes e foram embalados pelo júbilo de uma sonata triunfal, um ensaio à dança nupcial. Suas mãos pegaram-se, seus corpos ascenderam estreitados e, agarrados cúmplices, levitaram aos ventos, flutuaram às alturas de nuvens oníricas e se deitaram entre árvores de folhagens densas na Lua minguante, como se reunissem arbustos, gravetos, flores, capim e cachos de banana para o ninho. Assim amaram e renasceram desejando o mesmo de Philemon e Baucis, nas Metamorfoses de Ovídio: seriam assim um carvalho e uma pessegueira entrelaçados de pé no terreno pantanoso da convivência a dois, voluntariamente consentidos pelos devires. Até mais ver.

 

Rebecca Goldstein: O que é o amor? Quando você ama alguém, quero dizer, todos nós queremos que coisas boas aconteçam conosco e que as ruins fiquem longe. Quando você ama alguém, você quer isso tanto para essa pessoa, ou até mais, do que para si mesmo... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Helen Fielding: Está comprovado por pesquisas que a felicidade não vem do amor, da riqueza ou do poder, mas sim da busca por objetivos alcançáveis...Veja mais aqui, aqui & aqui.

Toni Morrison: Em algum momento da vida, a beleza do mundo se torna suficiente. Você não precisa fotografá-la, pintá-la ou mesmo se lembrar dela. Ela basta... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

PREPARANDO-ME PARA O ROSH HASHANÁ

Imagem: Acervo ArtLAM.

O que estou perdendo\ Uma porta de banheiro, \ um vidro \ na porta do box, \ um varão de cortina de chuveiro, \ a janela entre minha cozinha e a área de serviço, \ uma lâmpada fluorescente, \ painéis solares , \ um terço \ do trilho da porta de correr da varanda da frente, \ um apêndice e duas amígdalas – uma velha história \ (exame do útero) \ (e dois seios), \ um carinho , \ as crianças, \ dinheiro, \ um cartão de crédito… \ o enfeite da grade, \ minha antena, \ minha tampa de gasolina.

Poema da escritora israelense Janice Rebibo (1950-2015). Veja mais aqui.

 

SEXO & MENTIRAS - [...] Tornar-se mulher é uma jornada repleta de humilhações. Diante da polícia, do sistema judiciário e da esfera pública, ser mulher é uma desvantagem. [...] Um fardo pesado, de fato, para metade da população carregar. Idealizada e mitificada, a virgindade é claramente uma ferramenta de coerção concebida para manter as mulheres em casa e submetê-las à vigilância constante. É um objeto de preocupação coletiva, e não uma questão privada. Também se tornou uma dádiva econômica para aqueles que realizam dezenas de reconstruções de hímen todos os dias e para certos laboratórios que comercializam hímenes artificiais, supostamente projetados para sangrar durante a relação sexual. A miséria sexual, como veremos, é uma forma de capitalismo como qualquer outra. [...] Não se trata apenas de os direitos sexuais fazerem parte dos direitos humanos: sabemos que foi explorando a falta deles que os homens chegaram a dominar tantas civilizações. [...] Uma mulher cujo corpo é submetido a tal controle social não pode desempenhar plenamente seu papel como cidadã. [...]. Trechos extraídos da obra Sexe et mensonges: La vie sexuelle au Maroc (Les Arenes, 2021), da escritora e diplomata marroquina Leïla Slimani, que no seu livro Le parfum des fleurs la nuit (Stock, 2021), ela expressa que: […] Na minha opinião, nem o discurso que glorifica a riqueza da herança mista, nem aquele que se preocupa com ela, capta a complexidade de uma identidade dupla. Ela é, simultaneamente, um desconforto e uma liberdade, uma tristeza e uma fonte de exaltação. [...] As pessoas me perguntam de onde sou, e às vezes respondo que, não sendo nem um pedaço de carne nem uma garrafa de vinho, não tenho uma origem, mas uma nacionalidade, uma história, uma infância. Nunca exatamente daqui, nem exatamente de lá, por muito tempo me senti como se tivesse sido despojado de toda a minha identidade. Como um traidor, também, porque nunca consegui me integrar completamente ao mundo em que vivia. Eram sempre os outros que decidiam por mim quem eu era. [...] A dominação colonial —que acabou sendo entendida— não moldou apenas as mentes, mas também os coerpos, os constriñes e os encierra. O dominado não ousa mover-se, rebelar-se, ultrapassar os limites… ou os do seu bairro. Para expressar. [...]. Ela também é autora das obras La Baie de Dakhla: Itinérance Enchantée Entre Mer et Désert (Malika, 2013), Dans le jardin de l'ogre (Gallimard, 2014), Chanson Douce (Gallimard, 2016), Le diable est dans les détails (Éditions de l'Aube, 2016), Paroles d'honneur (Les Arènes, 2017) e Simone Veil, mon héroïne (Éditions de l'Aube, 2017). Veja mais aqui & aqui.

 

ATIVISMO CIVIL - Continuarei meus esforços até que alcancemos a paz, a tolerância à pluralidade de opiniões e os direitos humanos... Como ativista civil, sou uma das milhares de vítimas dessas torturas horríveis. Cheguei a esta conclusão: o objetivo do confinamento solitário é a lavagem cerebral, para que os prisioneiros, privados de condições normais de vida, percam suas características humanas únicas, seu raciocínio e suas ideias, e sua saúde física e psicológica. Tenho fé no caminho que escolhi, nas ações que tomei, assim como nas minhas crenças. Estou determinado a tornar os direitos humanos uma realidade e não me arrependo de nada. Se aqueles que dizem estar propagando a justiça são firmes em seu julgamento contra mim, eu também sou firme na minha fé e nas minhas crenças. Não vacilarei diante de punições tirânicas que limitam minha liberdade às quatro paredes de uma cela. Suportarei este encarceramento, mas jamais o aceitarei como legítimo, humano ou moral, e sempre me manifestarei contra esta injustiça. Não perdi a esperança, nem a motivação. Não podemos desistir. Ainda tenho esperança e acredito profundamente que os esforços incansáveis ​​dos nossos ativistas da sociedade civil acabarão por dar frutos... Pensamento da ativista iraniana Narges Mohammadi, Prêmio Nobel da Paz de 2023 e vice-presidente do Centro de Defensores dos Direitos Humanos (DHRC). Em 2016 ela foi condenada a 16 anos de prisão em Teerã, por sua campanha pela abolição da pena de morte, contra a opressão das mulheres no Irã e pela sua luta na promoção dos direitos humanos e a liberdade para todos. Foi libertada e novamente presa em meados de dezembro de 2025, durante uma cerimônia fúnebre em Mashhad, quando iniciou uma greve de fome em protesto contra a detenção, denunciando ter permanecido em isolamento absoluto e sem qualquer contato externo. Agora, em 2026, um tribunal do Irã condenou a mais sete anos e meio de prisão, ampliando a série de sentenças impostas à ativista desde 2021. A nova condenação ocorre em um contexto de repressão intensificada após protestos registrados no país entre dezembro e janeiro, desencadeados inicialmente pela desvalorização da moeda iraniana e que evoluíram para manifestações contra o regime. Veja mais aqui.

 

A ARTE DE AGUINALDO SILVA

[...] Meus pais eram pobres. Meu pai trabalhava num posto de gasolina da cidade, onde vendia peças para carros. Era um homem de pouca cultura e educação, mas tinha uma preocupação muito grande com a minha educação [...] Quando nos mudamos para o Recife, no bairro Aflitos, ao lado de minha casa morava um senhor. A filha dele, uma moça chamada Gleice – eles tinham uma biblioteca enorme que era possível ver do meu quintal –, um dia me notou e perguntou se eu gostava de ler. Quando respondi que sim, ela disse que me emprestaria os livros do pai dela. Foi aí que li tudo que se possa imaginar, inclusive coisas que não eram para a minha idade. Daí comecei a escrever [...] Fui preso no dia 5 de novembro de 1969 e solto no dia 10 de fevereiro de 1970. Daí, voltei para O Globo e fui aceito como se nada tivesse acontecido. Fizeram até uma feijoada numa sexta-feira esperando que eu contasse alguma coisa, mas não contei merda nenhuma. Fiquei traumatizado durante muito tempo [...] Mas não tenho a ilusão de que influencio de alguma maneira o universo, de que estou ajudando a mudar o mundo. Não, não é nada disso. Faço o meu trabalho, sou um profissional e dou tudo de mim. Sempre! [...].

Trechos da entrevista Do brincar de escrever na infância ao sucesso na TV: 80 anos de Aguinaldo Silva (Itaú Cultural, 2023), concedida pelo dramaturgo, escritor, roteirista, jornalista, cineasta e telenovelista Aguinaldo Silva (Aguinaldo Ferreira da Silva), autor de obras como Redenção para Job (1960), Cristo partido ao meio (1965), Canção de sangue (1968), Geografia do ventre (1972), Primeira carta aos andróginos (1975), O crime antes da festa: a história de Ângela Diniz e seus amigos (1977), República dos assassinos (1979), A história de Lili Carabina (1983), Inimigo público (1984), 98 tiros de audiência (2006), Turno da noite: memórias de um ex repórter de polícia (2016) e Vendem-se corações despedaçados (2021), entre outros. Veja mais aqui & aqui.

 

Osman Lins aqui.

Beth da Matta aqui.

Tunga aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Marilourdes Ferraz aqui, aqui & aqui.

Paulo Cavalcanti aqui.

Maíra Erlich aqui.

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Juliana Cunha Barreto aqui.

Valdemar de Oliveira aqui.

Rebeca Gondim aqui.


 


segunda-feira, agosto 10, 2015

AMADO, LYOTARD, GONÇALVES, MILLÔR & RANGEL, BIANCARDI, IVONEIDE, OPÁLIA, KLINGER, SPAAK & NASCENTE.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? NASCENTE – Em outubro de 1997, o zine Nascente Poético completava um ano com sete edições e tomava corpo para tablóide, com uma edição comemorativa, de número 8, dedicada a memória da atriz Glauce Rocha, na qual escrevi o editorial Primeira vela acesa, destacando as sete edições do zine que passou a ser sessão no novo formato. Nesta, trouxe poemas de Hector Rotger (Argentina), Aurora Martins Campos (MG), Antonio Guedes Filho (RN), Tânia F. Schambeck (SC), Celia Rangel (SP), Gessy Carísio de Paula (MG), Julio Modesto Severino (MS), Diva Cunha (RN), Nilto Maciel (DF), Vera Lucia Oliveira (Perúgia/Itália), Jandyra K. Mengarelli (PR), Osael de Carvalho (RJ), Cecilia Fideli (SO), Del Maestro (ES), Claudebara Soares (DF), Mario J. F. Cursino (AL), Rolando Revagliatti (Argentina), Helder M. Miranda (SP) e Arriete Vilela (AL). Na sessão Bate Papo, uma entrevista com Geraldo Azevedo em que ele fala de sua trajetória, o começo, a pernambucanidade e das canções. O artigo Obrigado Betinho, relatando o meu encontro com o sociólogo Herbert de Souza - o Betinho, em Fortaleza, quando pude trocar umas ideias e sentir de perto a sua luta e os seus ideais. A matéria Natal: capital dos Papa Jirimun, registrando a visita que fiz naquele ano à capital potiguar. Na sessão Tabuletas foi publicado o capítulo Quando os anjos pagam pela bagunça no céu, do livro Proezas do Biritoaldo. Na sessão Registro, destacando os livros recebidos Feminilidades em gotas, de Cileide Alexandre (PE); O que Nário não disse, de Eno Teodoro Wanke (RJ), Poemas, de Rolando Revagliatti(Argentina), Suenos del bosque, de Daniel Mourelle (Argentina), Nordeste em Poesia, de João Lourenço (AL), Sagrações do meio, de Leontino Filho (RN), O ócio dos anjos ignorados, de Arriete Vilela (AL), Divagações, de Claudebara Soares (DF), Entretubarismo, de Antonio Guedes Filho (RN), Prelúdio, de Jorge Luiz (AL), Nova Literatura Brasileira, da Shogun Arte (RJ), 1ª Antologia Poética, da Minas Editora (MG), Contos de Banheiro, de Antonio Guedes Filho (MG), Anuário da Poesia Brasileira, de Lais Costa Velho (MG), Poemas, de Vilmar Matter (RS); e Poemas, de Alba Granja. Na sessão Intercâmbio, mantida desde o número inaugural, vem o registro das publicações recebidas da Associação Alagoana de Imprensa, o Capital – Jornal de Resistência Ordinário (SE), Com Textos – Jornal da UBE (SE), Pipiri – Jornal da Cultura (SE), Correio Mimosense (ES), Fanal – casa do Poeta (SP), Blocos (RJ), Notas Literárias – Ari Lins Pedrosa (AL), A Voz da Poesia – Movimento Poético Nacional (SP), Correio do Pessoal – Luiz Fernandes da Silvva (PB), Inspirações e Poesias – Marina de Fatima Dias (MS), Movimento Litero-Cultural – Jornal Alto Madeira (RO), Tudo é Poesia (MS), Koisalinda – Suely Correia Gomes (RS), Literarte – Arlindo Nóbrega (SP), Clype – Suely Correeia Gomes (RS),Reviravolta Poesia – Cecilia Fideli (SP), Literário – Osael de Carvalho (RJ), Boletim Informativo UBE Magé (RS), Jronal Caminho do Sucesso (AL), Garatuja – Ademir Bacca (RS), Literatura e Arte – Humberto Del Maestro (ES), Mulheres Emergentes – Tania Diniz (MG), La Noticia (Argentina), A Figueira (SC), Casa do Poeta Brasileiro – Paranoá (PR), El Arca Del Sur (Argentina), Poster e Perfil – Glenda Maier (SP), entre outros. È vamos aprumar a conversa aqui, aqui e aqui.


Imagem: Deusa Opália. Na Roma Antiga, a deusa da fertilidade Ops ou Opália – também identificada como Reia, mulher e irmã de Cronos -, era esposa de Saturno. Em suas estátuas e moedas ela é exibida sentada com um cetro ou espiga de milho. Seu nome significa riquezas, bens, abundância, fartura, razão pela qual ela tornou-se a padroeira da riqueza, abundância e prosperidade.


Curtindo Raízes Musicais da Bahia, da etnomusicóloga, professora, compositora, escritora, folclorista e pesquisadora Emilia Biancardi, fundadora do grupo folclórico Viva Bahia. Veja mais aqui.

O INUMANO – No livro O inumano: considerações sobre o tempo (Estampa, 1989), o filósofo francês Jean-François Lyotard (1924-1998), aborda temas como se pudermos pensar em corpo, reescrever a modernidade, matéria e tempo, logos ou teckhnê ou a telegrafia do tempo, o sublime e a vanguarda, comunicação, representação, a palavra, estética, o sublime, Deus e a marionete, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: Toda a educação é inumana visto que não funciona sem contrariedades e terror, e refiro-meà menos controlada, menos pedagógica, aquela que Freud chama de castradora e que o faz dizer, a propósito da boa maneira de educar as crianças, que de qualquer forma será má (nisto próximo da melancolia kantiana). E inversamente, tudo o que no instituído pode, por vezes, deixar transparecer o infortúnio e a indeterminação é de tal maneira ameaçador que o espírito razoável não pode deixar de temer, justificadamente, uma força inumana de desregulação. Mas o acento, posto desta maneira sobre o conflito, legitima-se hoje, mais do que nunca, devido a uma alteração, que creio ser profunda, da natureza do sistema. É preciso tentar compreender esta alteração, sem a tornar patética mas igualmente sem a negligenciar. Deve tomar-se por inconsistente um pensamento que não faz caso disto e que cobre descrições, sejam elas contrafactuais, isto é, ideais ou utópicas (e sobretudo essas),  como se nada se opusesse mais hoje que há dois séculos à sua verdade ou à sua concretização. O termo pós-moderno serviu, mas não muito bem a julgar pelos resultados,para designar algo desta alteração.[...] Não faço minha esta hipótese do desenvolvimento porque ela é uma maneira, mais precisamente ela é a maneira de a metafísica, interdita para sempre ao pensamento, restabelecer sobre ele o seu direito. De o restabelecer não no pensamento (se se excluir aquele que ainda se afirma filosófico ou seja metafisico) mas fora dele. A metafisica, sendo impossível como tal, torna-se realidade e adquire assim o direito do facto. Esta situação define bastante bem aquilo a que ainda recentemente chamávamos de ideologia, não sendo esta tão notável como sistema de ideias quanto o é como poder de realização. O«desenvolvimento» é a ideologia do tempo presente, ele realiza o essencial da metafisica, que tem sido muito mais um pensamento de forças que um pensamento do sujeito. Se prosseguirmos com o argumento, tal como é aqui colocado, acabamos por concluir que o sistema pelo qual a indeterminação nativa é obrigada, «forçada» a existir, mesmo que o seja sob o disfarce da permissividade, não advém da razão do humano, ou seja das Luzes;resulta de um processo de desenvolvimento, no qual o que está em jogo não é o homem mas a diferenciação. Esta obedece a um princípio simples: entre dois elementos, sejam eles quais forem, cuja interligação seja estabelecida logo à partida, é sempre possível introduzir um terceiro termo que assegurará uma melhor regulação. Melhor significa de maior confiança mas igualmente de maior capacidade. A ligação inicial aparece, assim mediatizada, como um caso particular numa série de regulações possíveis. A mediação não implica apenas a alienação dos seus elementos face ao seu enquadramento; permite modulá-lo. E quanto mais «rico» for o termo mediato ou seja, ele próprio mediatizado, mais numerosas são as modificações possíveis, mais flexível o seu enquadramento, mais flutuante o nível de trocas entre os seus elementos, mais permissivo o seu relacionamento. A descrição é abstrata. Seria mais fácil ilustrá-la se recorrêssemos a elementos, tão diversos na sua aparência como são os parceiros econômicos ou sociais, as células de um órgão ou de um organismo, os constituintes da molécula ou do núcleo, as divisas monetárias, os poderes militares adversos. As novas tecnologias e os media são aspectos dessa mesma diferenciação. O que impressiona nesta metafisica do desenvolvimento é que ela não precisa de nenhuma finalidade. O desenvolvimento não está magnetizado por uma ideia como seja a da emancipação da razão e da liberdade humanas. Reproduz-se acelerando-se e estendendo-se segundo a sua própria dinâmica interna. Assimila os acasos, memoriza o seu valor informativo e utiliza-o como nova mediação necessária ao seu funcionamento. Não necessita senão de um acaso cosmológico. O desenvolvimento não tem um fim, mas tem um limite, o da esperança de vida do Sol. A explosão prevista desta estrela é o único desafio que se coloca de forma objetiva ao desenvolvimento. A seleção natural dos sistemas não é de ordem biológica mas cósmica. É com o intuito de realçar este desafio que se preparam desde já todas as pesquisas, seja qual for o setor de aplicação, que estão em curso nos países ditos desenvolvidos. O interesse dos seres humanos encontra-se agora subordinado ao da sobrevivência da complexidade. E como o desenvolvimento acaba por ser exatamente aquilo que subtrai à análise e à prática a esperança de uma alternativa decisiva ao sistema, como a política que «nós» herdámos dos pensamentos e das ações revolucionárias se encontra para sempre sem emprego (independentemente de nos regozijarmos com isso ou de o lastimarmos) a questão que aqui coloco é a seguinte: que mais resta de «político» que não seja a resistência a este inumano? E que mais resta, para opor resistência, que a dívida que toda a alma contraiu com a indeterminação miserável da sua origem, da qual não cessa de nascer? Ou seja, como outro inumano? Esta a divida que temos para com a infância e que não é saldada. Mas basta não a esquecer para resistir e, talvez, para não ser injusto. Esta é a tarefa da escrita, do pensamento, da literatura, das artes, aventurar-se a prestar testemunho. [...] Veja mais aqui e aqui.

OS SUBTERRÂNEOS DA LIBERDADE – A trilogia Os subterrâneos da liberdade (1954 - Martins, 1968), do escritor e dramaturgo Jorge Amado (1912-2001), engloba romances que se passam no ano de 1937, narrando a conturbada vida política e social do Brasil da época de Getúlio Vargas, e sobre a ascensão da elite brasileira, os barões do café e os socialistas que lutavam por melhorias sociais no país. O primeiro volume é denominado de Os ásperos tempos, do qual destaco o trecho a seguir: [...] Gostaria de pensar em coisas alegres, de arrancar‑se das recordações daquele outubro exasperante. Por que não pensar em Marieta Vale, que ia rever após longos meses de ausência — o colar de pérolas brilharia sem dúvida mais sobre a brancura do seu colo que as gotas d’água cortadas pela luz —, por que não pensar em seus olhos e em seu sorriso, que dentro de momentos reencontraria, por que amargurar‑se com a boataria política, com o telegrama anunciando a próxima chegada de Paulo, com o escândalo que cercara a bebedeira do rapaz, com a entrevista com o ministro, com o recente encontro com o dirigente comunista? Parecia‑lhe ouvir ainda as últimas palavras pronunciadas, com uma gravidade quase solene, pelo revolucionário: — A culpa caberá inteiramente aos senhores. Quanto a nós, saberemos como agir... Fitando o pavimento molhado, tentava enxergar, sob a luz derramada pelos postes, o rosto moreno e melancólico de Marieta, tantos anos inutilmente desejado. E o que via era a face magra, de uma extrema magreza, do homem jovem que Cícero d’Almeida lhe apresentara simplesmente como o camarada João. A testa larga, onde começavam a rarear os cabelos, uns profundos olhos curiosos, as mãos nervosas em contraste com a voz grave e tranquila, pausada como a de um professor. A certeza mais absoluta que a entrevista deixara a Artur é que sua comentada habilidade política — “aquilo é sutil como um gato”, dizia dele o líder da maioria na Câmara — de nada lhe servira ao conversar com o comunista. O homem sabia o que queria e o dizia tranquilamente, sem escolher palavras, sem frases dúbias, de uma forma direta e clara à qual Artur não estava habituado. E quando ele tentava envolvê‑lo nos meandros das suas sutilezas, o rapaz apenas sorria e o deixava falar para depois voltar aos seus argumentos precisos, à citação dos fatos concretos, à proposta de união de todas as forças democráticas contra Getúlio Vargas e os integralistas. Em nenhum momento, durante a hora e meia em que conversaram, Artur se sentiu senhor da situação. [...] Veja mais aqui e aqui.

CANÇÃO DO TAMOIO – No livro Poesias Americanas (Poesias Completas - Científica, 1965), do poeta, advogado, jornalista, etnógrago e teatrólogo Gonçalves Dias (1823-1864), encontro o poema Canção de Tamoio (Natalícia), o qual transcrevo a seguir: Não chores, meu filho;/ Não chores, que a vida / É luta renhida: / Viver é lutar. / A vida é combate, / Que os fracos abate, / Que os fortes, os bravos / Só pode exaltar. / II Um dia vivemos! / O homem que é forte / Não teme da morte; / Só teme fugir; / No arco que entesa / Tem certa uma presa, / Quer seja tapuia, / Condor ou tapir. / III O forte, o cobarde / Seus feitos inveja / De o ver na peleja / Garboso e feroz; / E os tímidos velhos / Nos graves concelhos, / Curvadas as frontes, / Escutam-lhe a voz! / IV Domina, se vive; / Se morre, descansa / Dos seus na lembrança, / Na voz do porvir. / Não cures da vida! / Sê bravo, sê forte! / Não fujas da morte, / Que a morte há de vir! / V E pois que és meu filho, / Meus brios reveste; / Tamoio nasceste, / Valente serás. / Sê duro guerreiro, / Robusto, fragueiro, / Brasão dos tamoios / Na guerra e na paz. / VI Teu grito de guerra / Retumbe aos ouvidos / D'imigos transidos / Por vil comoção; / E tremam d'ouvi-lo / Pior que o sibilo / Das setas ligeiras, / Pior que o trovão. / VII E a mão nessas tabas, / Querendo calados / Os filhos criados / Na lei do terror; / Teu nome lhes diga, / Que a gente inimiga / Talvez não escute / Sem pranto, sem dor! / VIII Porém se a fortuna, / Traindo teus passos, / Te arroja nos laços / Do inimigo falaz! / Na última hora / Teus feitos memora, / Tranqüilo nos gestos, / Impávido, audaz. / IX E cai como o tronco / Do raio tocado, / Partido, rojado / Por larga extensão; / Assim morre o forte! / No passo da morte / Triunfa, conquista / Mais alto brasão. / X As armas ensaia, / Penetra na vida: / Pesada ou querida, / Viver é lutar. / Se o duro combate / Os fracos abate, / Aos fortes, aos bravos, / Só pode exaltar. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

LIBERDADE, LIBERDADE – O musical Liberdade, liberdade (1965- L&PM, 1977), do diretor teatral, cenógrafo, jornalista e tradutor Flavio Rangel (1934-1988) em parceria com o desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012), tornou-se um marco da história teatral brasileira por ser o texto de maior sucesso do teatro de protesto contra o golpe militar de 1964. Trata-se de uma colagem de textos de vários autores numa peça teatral que, durante as apresentações haviam policiais ostensivamente postados diante do teatro, sendo definitivamente proibida pela Censura Federal 1966. Da obra destaco o trecho: (Ainda com as luzes da platéia acesas, ouvem-se os primeiros acordes do Hino da Proclamação da República. Apaga-se a luz da platéia. Ao final da Introdução, um acorde de violão, e Nara Leão canta, ainda no escuro.) NARA Seja o nosso País triunfante, Livre terra de livres irmãos... CORO Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós, Das lutas, na tempestade, Dá que ouçamos tua voz... (Acende-se um refletor sobre Paulo Autran. Ele diz.) PAULO Sou apenas um homem de teatro. Sempre fui e sempre serei um homem de teatro. Quem é capaz de dedicar toda a vida à humanidade e à paixão existentes nestes metros de tablado, esse é um homem de teatro. Nós achamos que é preciso cantar (Acordes da Marcha da Quarta-feira de Cinzas) - Agora, mais que nunca, é preciso cantar. Por isso, “Operário do canto, me apresento sem marca ou cicatriz, limpas as mãos, minha alma limpa, a face descoberta, aberto o peito, e – expresso documento – a palavra conforme o pensamento. Fui chamado a cantar e para tanto há um mar de som no búzio de meu canto. Trabalho à noite e sem revezamentos. Se há mais quem cante, cantaremos juntos; Sem se tornar com isso menos pura, A voz sobe uma oitava na mistura. Não canto onde não seja a boca livre, Onde não haja ouvidos limpos e almas afeitas a escutar sem preconceito. Para enganar o tempo –ou distrair criaturas já de si tão mal atentas, não canto... Canto apenas quando dança, nos olhos dos que me ouvem, a esperança”. CORO E no entanto é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar, é preciso cantar e alegrar a cidade... (Inversão do foco de luz, que de Paulo vai para Nara.) NARA A tristeza que a gente tem, Qualquer dia vai se acabar, Todos vão sorrir, Voltou a esperança É o povo que dança Contente da vida, Feliz a cantar. CORO Porque são tantas coisas azuis E há tão grandes promessas de luz, Tanto amor para amar de que a gente nem sabe... (Inverte-se novamente o foco de luz de Nara para Paulo.) PAULO Canto apenas quando dança, Nos olhos dos que me ouvem, a esperança. Escurecimento (Assim que se apaga o foco de luz, começa um rufo forte de bateria. O rufo diminuirá quando os atores começarem a falar, e cada um deles falará com um foco de luz sobre si. As frases devem ser ditas com veemência.) [...] Veja mais aqui e aqui.

VIDAS VAZIAS – O drama italiano Vidas Vazias (The empty canvas, 1963), dirigido pelo cineasta italiano Damiano Damiani (1922-2013), com roteiro do diretor, Tonino Guerra e Ugo Liberatore, e música de Luis Enríquez Bacalov, é baseado no romance La Noia, do escritor e jornalista italiano Alberto Moravia (1907-1990), conta a história de um artista medíocre que é obcecado por uma jovem modelo perturbada que compartilha seus favores sexuais com um ator e a pede em casamento, ao que ela rejeita sua proposta e ele a convida para ir a Roma para uma propriedade da sua mãe – uma mulher dominadora que vive com um rico americano – na esperança de seduzí-la. Desesperado por não conseguir um relacionamento monogâmico com ela, sofre um acidente. O destaque do filme é a belíssima atriz e cantora francesa Catherine Spaak. Veja mais aqui.

IVONEIDE LOPES – Esta semana tive a grata satisfação de passear no blog Ivoneide Lopes que sigo há bastante tempo, para me atualizar com as novidades. Lá qualquer visitante encontra novidades de todas as espécies: dicas de beleza, dietas, receitas, etiqueta, sexo, enfim, uma diversidade de informações muito interessantes. Esse blog é o espelho de sua atuação como apresentadora e comunicadora na Rádio Lider FM, em Sousa na Paraíba, na qual ela todas as manhãs – de segunda a sábado, das 8hs às 11hs -, leva entretenimento, notícias e muito alto astral para seus ouvintes, apresentando o programa 97 Mix. Uma dica: esse programa é imperdível! Além do programa e do blog ela também escreve para a sua coluna no Sertão Informado e atua como cerimonialista. Daqui os nossos parabéns para a excelente profissional e seu maravilhoso blog, desejando sucesso cada vez maior no seu trabalho. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA 
Imagens: as mulheres do escultor, artista gráfico e pintor do Simbolismo alemão Max Klinger (1857-1920). Veja mais aqui.

 Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Crônica de Amor, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 
Veja mais aqui.

domingo, agosto 10, 2014

BELLA AKHMADULINA, ANNE LAMOTT, CRESSIDA COWELL, HUERTA & VIOLA LIUZZO

 Imagem: Within Depth, da artista plástica Nina Kozoriz. Veja mais aqui e aqui.

 

VIOLA ETERNAViola Gregg Liuzzo (1925–1965) - A família californiana pobre: a mãe, uma simples professora; o pai, minerador ex militar. Não se conformava em estudar em escolas segregadas: queria viver e a vida com todos, indistintamente. Por que alguns são ricos e muitos são pobres? Ninguém iria mudá-la! Na Pensilvânia nasceu seu ativismo universalista ao testemunhar os males da segregação racial. Logo incorporou-se aos grupos que lutavam pela equidade, causando extremos aborrecimentos aos pais. Era uma branca que não distinguia seres humanos. Encarou as dificuldades e foi trabalhar em uma fábrica de bombardeiros, depois como garçonete, casou-se dedicando seu trabalho à luta de todos. Era uma dona de casa, mãe de cinco filhos e, mesmo assim, atendeu ao chamado do líder e correu mundo nos grandes protestos pelos direitos afro-americanos. Dedicou-se à justiça econômica e pela reforma educacional, pelos direitos civis na NAACP (Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor), abandou o catolicismo que não apoiou suas crenças e valores: nada a impediria de fazer o que ela acreditava e deveria fazer. Cantava canções de liberdade a plenos pulmões. Divorciou-se e participou de um sindicato de caminhoneiros, seguindo pelas marchas de Selma a Montgomery, ajudando na coordenação e logística.Passou a estudar inspirando-se nos relatórios do projeto Mississipi Freedom Sumer, solidarizando-se com os excluídos de cor, enfrentando cassetetes e gás lacrimogênio. Reuniu-se a outros tantos 25 mil lutadores por 5 cinco dias ininterruptos, transportando outros tantos para as fileiras dos protestos. No meio das manifestações, em um semáforo, uma bala assassina dos algozes a fez tombar morta aos 39 anos de idade. Tornou-se mártir da causa naquele domingo sangrento. Foi abatida à bala, mas vitoriosa nos cantos e gritos dos manifestantes: os direitos civis de Michigan alcançaram o mundo! Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Sim, nós podemos. A paz não pode ser alcançada através da violência, só pode ser alcançada através da compreensão. Devemos aprender a viver juntos como irmãos ou morreremos juntos como tolos. Não há força maior do que o poder das pessoas unidas. Pensamento da ativista estadunidense Dolores Huerta. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Toda luz tem sua escuridão. O dia só existe se houver noite. As aventuras são assim: trazem à tona aspectos seus que você nem sabia que existiam. Pensamento da escritora inglesa Cressida Cowell. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

PLANO B – [...] Eu tenho muita fé. Mas também tenho muito medo e não tenho certeza real de nada. Lembrei-me de algo que o padre Tom me dissera: que o oposto da fé não é a dúvida, mas a certeza. A certeza está perdendo totalmente o foco. A fé inclui perceber a bagunça, o vazio e o desconforto, e deixá-los ali até que alguma luz retorne. [...] É bom fazer coisas desconfortáveis. É musculação para a vida toda. [...] A esperança não consiste em provar nada. Trata-se de escolher acreditar numa coisa: que o amor é maior do que qualquer merda sombria e sombria que alguém possa jogar contra nós. [...]. Trechos extraídos da obra Plan B: Further Thoughts on Faith (Riverhead, 2006), da escritora estadunidense Anne Lamott. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - EM TODOS OS LUGARES - É uma noite tranquila de abril agora. \ Esses pássaros e esses eles comparam suas vozes. \ Ó estrelas, - impossível de tolerar como eles brilham como eles brilham! \ Terra e céu eles dão graça e, violando a escuridão desta noite, \ brilhar brilhar - visto de longe! - minhas estrelas e seus olhos. \ Agora é uma noite tranquila de abril, e olhos \ Aos poucos eles se acostumam. \ Ó estrelas - Eu não aguento tudo isso, - como eles brilham! \ Como eles brilham! HERÓI TÍMIDO - Oh meu herói tímido \ você habilmente evitou a vergonha. \ Há quanto tempo estou desempenhando o papel? \ sem se apoiar no seu parceiro! \ Para sua maldita ajuda \ Eu nunca vim correndo. \ Entre as cenas, entre as sombras você escapou, invisível aos olhos. \ Mas nesta vergonha e delírio \ Eu andei na frente de um público cruel \ - tudo está em apuros, tudo está à vista, \ todos nesta função são solitários. \ Oh, como você gargalhou, barracas! \ Você não me perdoou pelo óbvio sem vergonha \ das minhas perdas, meu sorriso é inofensivo. \ E seus rebanhos caminharam avidamente beba da minha tristeza. \ Sozinho, sozinho - no meio da vergonha \ Eu fico com os ombros caídos. \ Mas para a multidão inebriante o verdadeiro herói não é visível. \ Herói, como você está com medo! \ Não tenha medo, não vou te entregar. \ Todo o nosso papel é apenas o meu papel. \ Eu perdi brutalmente. \ Toda a nossa dor é apenas a minha dor. \ Mas quanta dor. Quantos. Quantos. Poemas da poeta Bella Akhmadulina (1937-2010). Veja mais aqui e aqui.

 

OUTRAS DIC’ARTES

Ouvindo frevos pernambucanos na voz do seu maior representante: Claudionor Germano. Veja mais aqui, aqui e aqui.


GONÇALVES DIAS – O poeta, advogado e professor maranhense Gonçalves Dias (1923-1864) é um dos mais importantes poetas da primeira fase do Romantismo brasileiro. Da sua lavra a belíssima Canção do Tamoio (fragmento): “Não chores, meu filho; / Não chores, que a vida / É luta renhida: / Viver é lutar. [...]”. Veja detalhes aqui.




JORGE AMADO – Um dos escritores que mais apreciei ler na vida foi Jorge Amado. Destaco entre outros dos seus romances A morte e a morte de Quincas Berro d´Água (1959), Capitães de Areia (1937), Teresa Batista cansada de guerra (1972) e Jubiabá (1935). Do seu Agonia da noite, o segundo da trilogia Os subterrâneos da Liberdade, destaco essa passagem: “Era como se tudo que sofrera antes nada significasse, como se somente agora o verdadeiro sofrimento começasse. Desarvorada, ao sabor dos ventos e das ondas, eis Manuela atravessando as ruas de São Paulo, em caminho do apartamento da família. Seu corpo estremece de frio, um calor de febre sobe pela sua face, e ela marcha sem nada ver nem ouvir, nem o movimento interno das ruas comerciais nem as palavras de galanteio lançadas à sua passagem. Uma visão nos seus olhos, uma vez ressoando doce aos seus ouvidos: a imagem de uma criança pequenina, os braços estendidos, a balbuciar “mamã”, essa sua esperada criança [...]”. Veja mais aqui.




AL-CHAER – Duas homenagens duma só vez: a primeira, ao poeta e professor mineiro radicado em Goiás, Al Chaer. A segunda, a arte dele mesmo celebrando os 70 anos de poesia, música e história de inspiração de Chico Buarque de Holanda, ocorrida no final da primeira quinzena de junho. Veja mais homenagem pra ele aquiaqui.




DANY REIS – A cantora carioca Dany Reis é uma das vozes que mais aprecio desde 2001 quando cruzei com seu talento na rede. Sempre presente na programação que desenvolvo, quero destacar o seu cd Todo dia para que todos conheçam e constatem essa maravilhosa cantora. Veja mais dela aqui.



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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...