segunda-feira, julho 06, 2020

ODILON REDON, HEATHER NOVA, ARMANDO LÔBO, HENRIETTA LEAVITT, JANE GODALL, BEL BRAZIL & DE BARROS



DIÁRIO DE QUARENTENA (Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez)– UMA: AS COISAS VÃO NO FECAMEPA QUE NEM SEI -  Bem, se o Brasil não endoidou no Fecamepa, está de cabeça para baixo no fundo do poço. É que as coisas estão tão enganchadas que passa da anomalia para o disforme, senão amorfo. O Coisonário para se sustentar, faz de tudo para o desgoverno: coleira de Centrão, agrados para milicos e ricos, tapa o céu dos filhos com uma peneira esfarrapada e, ainda por cima, não sabe se a doidice dos engalobados ministrecos vai mesmo arrombar com a festa: vão fazer a farra da cloroquina sobre zilhões de cadáveres tanto da Covid19 como de suas trapalhadas risíveis. A calamidade é só tragicomédia! Vai valer o processo de “kafta” meeesmo: para cara de pau só óleo de peroba, oxente! E arrevira o bumba que, pelo que parece, o pisoteio não vai parar nem tão cedo, gente! E viva o Fecamepa aê!!!!

DUAS: SE O DORO NÃO BATEU AS BOTAS, ESTÁ NAS BEIRADAS – O Doro foi na Coiso: É só uma gripezinha! Não era e o cara se agoniou: Tem algum encosto acochando meu gogó, não posso respirar! Aí ele foi inchando corado, estrebuchando, chega ter um troço e ploft! O cabra caiu estendido, tão inquieto que teve de ser levado amarrado numa maca pra emergência. Diagnóstico na batata! Quando ouviu, sussurrou maluvido de ninguém entender o que dizia: Hem? Sacudido nos confins duma UTI, dizem as más línguas que ele já foi pro saco faz tempo, mais de mês que não se tem notícias dele: Acho que jogaram aquela alma sebosa numa vala qualquer! Foi nada? Se não tiver insepulto aí pros urubus! Eita! Muitos só no sarcasmo: Bem empregado pro desinfeliz! Quem mandou ele achar que era invencível, taí, lascou-se, é mais um para as estatísticas da pandemia! O que será que o enjeitado está fazendo entre o céu, o inferno e o purgatório? Veja aqui.

TRÊS: FIZ UMA CANÇÃO, LUZ&AR - Fiz uma canção! Na verdade, uma cançoneta, quase vinheta! Luz&ar! Mais um dos meus tantos pedaços: mais de 200 fragmentos musicais e nada mais do que me resta. Tudo feito com muito coração. Aliás, todo coração. Principalmente para ela que foi, é e será, sempre: Luciah Lopez. Feliz aniversário! Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A descoberta de estrelas variáveis: como as variáveis [cefeidas] provavelmente estão à mesma distância da Terra, seus períodos estão aparentemente associados à emissão real de luz, conforme determinado por sua massa, densidade e brilho da superfície. Uma linha reta pode ser facilmente traçada entre cada uma das duas séries de pontos correspondentes aos máximos e mínimos, mostrando assim que existe uma relação simples entre o brilho das variáveis e seus períodos. Vale ressaltar que na Tabela das variáveis mais brilhantes têm períodos mais longos. Também é perceptível que aqueles com períodos mais longos parecem ser tão regulares em suas variações quanto aqueles que passam por suas mudanças em um dia ou dois. Espera-se que o estudo sistemático das mudanças de luz de todas as variáveis, com quase dois mil números, nas duas Nuvens de Magalhães possa em breve ser realizado neste Observatório. Aparentemente, nenhuma linha divisória aguda pode ser traçada entre as verdadeiras estrelas de Algol e aquelas cujas variações são contínuas. Períodos de nove variáveis nessa região, que são do tipo Algol ou se assemelham a ele, foram determinados e são discutidos aqui. Pensamento da astrônoma estadunidense Henrietta Leavitt (1868-1921), que ficou famosa por seu trabalho sobre estrelas variáveis que, por resultado, passou a ser utilizado por Edwin Hubble para calcular a distância das galáxias — à época chamadas de "nebulosas". Com isso, ele pôde mostrar que algumas dessas "nebulosas" eram na verdade outras galáxias, pondo fim a um longo debate sobre a natureza desses objetos e sobre as dimensões do Universo. O conhecimento dessas distâncias permitiu ainda que Hubble concluísse que o Universo está em expansão, o que demonstra a importância dos trabalhos de Henrietta Leavitt que foi bastante injustiçada, fato que a incluiu entre as integrantes do Efeito Matilda. Veja mais a respeito aqui.

DESTAQUE: O que você faz, faz a diferença, e você tem que decidir que tipo de diferença você quer fazer. Pensamento da primatóloga, etóloga e antropóloga britânica Jane Godall, que estudou a vida social e familiar dos chimpanzés (Pan troglodytes) em Gombe, na Tanzânia, ao longo de 40 anos. Os seus estudos contribuíram para o avanço dos conhecimentos sobre a aprendizagem social, o raciocínio e a cultura dos chimpanzés selvagens. Tornou-se, posteriormente, mensageira da paz das Nações Unidas, fundou o Jane Goodall Institute e é afiliada ao grupo defensor dos animais Humane Society of the United States. O seu trabalho é reconhecido: a cientista já foi homenageada em muitas ocasiões com honrarias acadêmicas diversas e prêmios científicos. Veja mais aqui e aqui.

A MÚSICA DE HEATHER NOVA
Costumo precisar de distância de um evento antes de poder escrever sobre ele. A ideia da música é que escolhemos nosso caminho, consciente ou inconscientemente. Às vezes, é mais fácil culpar outras pessoas ou situações, mas se percebermos que precisamos passar por algo doloroso para crescer ou chegar a um lugar mais brilhante, tudo faz um pouco mais de sentido e, francamente, é muito melhor! Escrever, para mim, é um processo solitário. Eu moro em casa nas Bermudas e escrevo. Não toco nada para ninguém até terminar uma coleção de músicas. Ando todos os dias na natureza e moro à beira-mar. Esse é um elemento importante para mim na minha escrita - minha conexão com a natureza me ajuda a me conectar comigo mesmo, minhas emoções, minha verdade. Bem, o som é o meu próprio coquetel de guitarras sujas e distorcidas, guitarras deslizantes crescentes, violoncelos bem-humorados, violões frágeis, uma seção rítmica e meus vocais, é claro.
HEATHER NOVA - A música da poeta, compositora e cantora bermudense de rock alternativo, Heather Nova, autora de muitos sucessos desde o início da sua carreira em 1990 com o álbum Blow, tornando-a depois de dezenas de álbuns gravados e lançados na sua trajetória, uma das referências do pop-rock feminino e autora do livro de poemas e desenhos com o título, Sorrowjoy.
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A ARTE DE BEL BRAZIL KOHLRAUSCH
Sou de antes e agora / Sou flor e espinho / Sou água, sou o vinho / Simples.... / Sagrada mulher...
BEL BRAZIL KOHLRAUSCH - A arte da cantora Bel Brazil Kohlrausch. Veja mais aqui.

A ARTE DE ODILON REDON
O valor da arte está em seu poder de aumentar nossa força moral ou aumentar sua influência. Embora reconheça a necessidade de ter a realidade como base, a verdadeira arte reside na realidade que é percebida. Minha originalidade consiste em dar vida a seres improváveis de uma maneira humana e fazê-los viver de acordo com as leis da probabilidade, mas colocando - na medida do possível - a lógica do visível a serviço do invisível.
ODILON REDON - A arte do pintor e artista gráfico francês Odilon Redon (1840-1916). Veja mais aqui.
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A ARTE DE DE BARROS
Gosto de gente quando sabe hora certa de não ter hora para ser feliz.
A arte do artista plástico De Barros (Paulo César Barros). Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
É difícil se fazer uma música que busque originalidade e que não tenha prejuízo. Há outra coisa: não basta só a obra, você tem que fazer o social, ter prestígio nas relações sociais. Vejo pessoas que, depois de um tempo de fracassos, vestem a roupa da hipocrisia, de forma a conseguir com a vida social o que a obra não conseguiu. É preciso manter a dignidade. O artista tem que ser fiel a uma visão. Quando ele começa a virar um burocrata, um ser social demais, o foco fica mais na vaidade do que na própria expressão artística.
A arte do premiado cantor, compositor, arranjador, instrumentista, poeta e professor Armando Lôbo que desenvolve estilos e gêneros musicais com uma diversidade ímpar, utilizando experimentalismo com simbiose com a filosofia, a literatura e a história. Ele já lançou quatro álbuns, entre eles Alegria dos homens (2003), Vulgar & sublime (2008), Técnicas modernas do êxtase (2011) e tem se dedicado à música erudita contemporânea. Veja mais dele aqui.
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Evangelho na taba & outros problemas inculturais brasileiros, do escritor e dramaturgo Osman Lins (1924-1978) aqui e aqui.
A poesia Vital Absoluta de Vital Correa de Araújo aqui.
O teatro de Fenelon Barreto aqui.
A arte do artista Maurício Silva aqui.
O curta Maria (2016) & Mucunã (2019), da cineasta Carol Correia aqui e aqui.
Museu do Caxiado aqui.
Justiça & injustiça aqui.
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Lajedo aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sexta-feira, julho 03, 2020

NIKKI GIOVANNI, CHARLOTTE GILMAN, ELKE KRYSTUFEK, MARCELO D'SALETE & ROBERTA CIRNE



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: AUTORRETRATO – ENTRE O ERMO E O QUE SOBROU DE MIM – Daquelas indagações pictóricas do Gauguin nenhuma esqueci, nada irrespondível. Sigo por elas e delas me faço existir. No meio do caminho ouvi Kafka: De um certo ponto adiante não há mais retorno. Esse é o ponto que deve ser alcançado. Da lição, a fruta ao alcance da mão, perfume na brisa, gosto do apetite. Sou eterno regresso, reaprendendo. Do que fiz aos ouvidos moucos, se era para inglês ver, já sabia: para baixo tudo ajuda. No íngreme aclive, sempre só. Panta Rhei!

DUAS: PANO DE AMOSTRA - Neste tempo de nenhuns e aloprados, um pé atrás nunca é demais ou inseguro. Mesmo aos bons ventos, escondem-se xis hostilidades. Se precaver pé aqui e ali, dá para não se perder enchendo a rua de pernas. Como tudo que vai parece que vem ou ao contrário, não sei, no banco da praça ouço os versos de Sophia deMello Breyner: Espera / O peso dos meus gestos. / E dormem mil gestos nos meus dedos. Enquanto o mundo gira e todos correm, aqui dentro o espanto é que me faz existir.

TRÊS: MAIS VALE UM TOMA QUE DOIS TE DAREI - O poema rara avis dita o que sou de mestiço com as máscaras de cafuzos e mamelucos, que confundem os incrédulos e procuradores com seus umbigos superiores. Não sou mais nem menos de todos daqui, nem comungo com racistas o tanto de injustiça que sei de cor e todos estão carecas de saber: aqui tudo é de cabeça pra baixo. Valho-me de Nabokov: Nossa existência não é mais que um curto circuito de luz entre duas eternidades de escuridão. Ao homem livre não faz falta um deus. Alter ego, sigo às arengas e mangações com meus trocentos heterônimos, como se um dia jamais fosse igual a outro, pelo menos. Até segunda. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Eu preciso dizer o que sinto e penso de alguma forma - é um alívio! Mas o esforço está ficando maior que o alívio. Morte? Por que toda essa confusão com a morte? Use sua imaginação, tente visualizar um mundo sem morte! A morte é a condição essencial para a vida, não um mal. Pensamento da escritora e humanista estadunidense Charlotte Perkins Gilman (1860-1935), que era utopista feminista radical eautora desse belíssimo poema Um obstáculo: Eu estava subindo um caminho de montanha / Com muitas coisas para fazer, / Assuntos importantes para mim, / e para outras pessoas que eu tive que assistir, / Quando me deparei com um preconceito / Que nem a paisagem permitiu ver. / Meu trabalho urgente não podia esperar, / Meu caminho claro viu, / Meu tempo e força eram limitados, / Um enorme fardo foi trazido; / E esse imenso preconceito lá / Sentando meu passo impedido. / Eu falei muito educado com ele, / Dado seu tamanho exemplar, / Eu pedi para ele se mexer um pouco / E deixe-me passar. / Ele sorriu, mas mexa-se! / Ele nem tentou. / Então eu raciocinei calmamente, / Com o bruto colossal: / Eu não tinha tempo - apenas uma maneira - / Nas montanhas faz frio de inverno. / Eu me expliquei como Salomão. / Ele está sentado lá como um bobo da corte. / Então eu fiquei com raiva, / e eu dancei e uivei e cuspi. / E eu bati e venci ele / Até que eles me machucem; / Ele estava tão bravo quanto eu, / Mas ele ainda estava sentado lá. / E então eu implorei de joelhos; / Eu ainda estaria de joelhos / Se sim, eu esperava mudar / Essa massa teimosa. / Assim como convidar o mercado para deixar La Boquería! / Sentei-me diante dele, impotente, / Enquanto a dor me invadiu. / Brumas rapidamente cobriram a montanha, / Lentamente, o sol estava se pondo. / Quando uma inspiração repentina veio, / quão repentina seria uma brisa. / Peguei meu chapéu, peguei minha bengala, / Meu pacote apertado / Eu me aproximei daquele ser odioso / com um ar distraído, / E eu passei por isso / Como se nunca tivesse existido! Entre as suas obras estão, entre outras, o autobiográfico O papel de parede amarelo (The Yellow Wallpaper, 1892), afora suas luta com a teoria da reforma darwinista e argumentos sobre as contribuições das mulheres à civilização, ao longo da história, numa cultura androcêntrica, razão pela qual publicou Women and Economics: A mulher ideal não recebeu apenas um papel social que a trancou em sua casa, mas também era esperado que ela assim gostasse e fosse alegre, sorridente e bem-humorada.

A POESIA DE NIKKI GIOVANNI
POEMA DA MULHER: sabe, minha vida inteira / está presa / à infelicidade / é meu pai preparando o café-da-manhã / e eu engordando feito uma porca / ou não ter comida / alguma e meu pai provando / sua incompetência / de novo / eu gostaria de saber como eu me sentiria / sendo livre / é ter um emprego / eles não te deixarão trabalhar / ou sem emprego algum / me castrando / (sim, isso acontece às mulheres também) / é ser um objeto sexual se você é bonita / e sem amor / ou ter amor e não sexo se você é gorda / pra trás mulher negra gorda seja uma mãe / avó coisa forte mas não mulher / mulher para diversão mulher romântica necessitada de amor / caçadora de homem comedora de pau sugadora de suor / necessitada de foda mulher necessitada de amor / é um buraco no seu sapato / e comprar um vestido para sua irmãzinha / e ela te dizer que você não deveria / quando você sabe / muito que bem que você não deveria / mas sorrisos são somente algo que damos / para assistentes sociais bem vestidas / não umas para as outras / somente sorrisos de eu sei / seu jogo irmã / o que não é realmente / um sorriso / alegria é encontrar uma barata grávida / e esmagá-la / não encontrar ninguém para se apoiar / deixa sai volta não vire / eu em você cachorro negro / como você ousa se importar / comigo / você não tem bom senso / pois eu sou nenhuma merda e você deve ser menos / que isso para se importar / é uma casa imunda / com a melancia de ontem / e as lágrimas de segunda / pois moças de verdade / não sabem como limpar / é a devastação intelectual / de todo mundo / evitar compromisso emocional / “sim querida eu teria casado com ele / mas ele não tinha diploma” / é pernas tortas e de minissaia / usar perucas pintadas de loiro cicatriz da mamãe / nascida morta meu desprezo sua puta / calcanhar rachado unhas quebradas pó / na minha cara / de quem a vida está presa / à infelicidade / pois é a única coisa / de verdade / que / eu / conheço.
MULHER: ela queria ser um pedaço / de grama no meio do campo / mas ele não concordava / em ser um dente-de-leão / ela queria ser um canário cantando / através das folhas / mas ele se recusou a ser / sua árvore / ela teceu a si própria numa rede
e procurando por um lugar de descanso / se voltou a ele / mas ele ficou parado / rejeitando ser sua quina / ela tentou ser um livro / mas ele não a lia / ela se transformou num bulbo / mas ele não a deixava crescer / ela decidiu se tornar / uma mulher / e apesar de ele ainda recusar / a ser um homem / ela decidiu que estava tudo / bem.
ESCOLHAS: se eu não posso fazer / o que eu quero fazer / então o meu trabalho é não / fazer o que eu não quero / fazer / não é a mesma coisa / mas é o melhor que eu posso / fazer / se eu não posso ter / o que eu quero então / meu trabalho é querer / o que eu já tenho / e ficar satisfeita / que pelo menos / há algo a mais para querer / já que eu não posso ir / para onde eu preciso / ir então eu devo ir / para onde os sinais apontam / mesmo sempre entendendo / que movimentos paralelos / não são laterais / quando eu não posso expressar / o que eu realmente sinto / eu pratico sentir / o que eu consigo expressar / e nada disso é igual / eu sei / mas é por isso que a humanidade / é a única entre os mamíferos / que aprende a chorar.
NIKKI GIOVANNI - Poemas da escritora, editora, educadora e ativista estadunidense Nikki Giovanni, que integrou o Black Arts Movement, tornando-se por isso a Poeta da Revolução Negra. Atualmente é professora titular no Virginia Tech e autora de obras como Black Feeling, Black Talk (1967), Black Judgement (1968), Re: Creation (1970), Black Feeling, Black Talk/ Black Judgement (1970), My House (1972), The Women and The Men (1975), Cotton Candy on a Rainy Day (1978), Woman (1978), Those Who Ride The Night Winds (1983), Knoxville, Tennessee (1994), The Selected Poems of Nikki Giovanni (1996), Love Poems (1997), Blues: For All the Changes (1999), Quilting the Black-Eyed Pea: Poems and Not Quite Poems (2002), The Prosaic Soul of Nikki Giovanni (2003), The Collected Poetry of Nikki Giovanni: 1968-1998 (2003), Acolytes (2007), Bicycles: Love Poems (2009), 100 Best African American Poems (2010), Chasing Utopia: A Hybrid (2013), entre outros. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Se eu pintar alguma imagem sangrenta, você acha que eu trabalho? Abra seus olhos, porra!
ELKE KRYSTUFEK – A arte da artista conceitual austríaca Elke Krystufek que trabalha com uma variedade de mídias, incluindo pintura, escultura, vídeo e arte performática. Veja mais aqui, aqui & aqui. E mais aqui.
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A ARTE DE MARCELO D’SALETE
A arte do quadrinista, ilustrador e professor Marcelo D'Salete, autor das graphic novels Noite Luz (2008), Encruzilhada (2011), Cumbe (2014) e Angola Janga (2017). Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte da premiada quadrinista Roberta Cirne, que é formada em Artes Plásticas, autora de diversas obras em parceria com vários artistas e editora do Sombras do Recife.
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A música do violoncelista Antônio Meneses aqui.
Homens e caranguejos, de Paulo de Andrade aqui.
Dicionário dos sonhos e outras histórias de cordel, do poeta e xilogravurista J. Borges aqui.
Porto Solidão, de Genesio Cavalcanti aqui.
Música de rua, do poeta José Terra Correia aqui.
Lampioa & Zé Bunito aqui.
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São Joaquim do Monte aqui & aqui.


quinta-feira, julho 02, 2020

ERIKA MANN, NATALIA TASCHNER, GRACIELA ITURBIDE & GEISIARA LIMA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: AUTORRETRATO, ALTER MUITOS EGOS DEMAIS – In actu, entre simulacros e o que se passa por imperativo categórico, voo poema versos escapando pra lá e pra cá, até que um dia acerte a veia e eureka! Quem sabe, nem só de quedas e lapadas se vive. Zélia Gattai que o diga: Continuo achando graça nas coisas, gostando cada vez mais das pessoas, curiosa sobre tudo, imune ao vinagre, às amarguras, aos rancores. Um sorriso engana até a morte.

DUAS: ENTRE INCÊNDIOS DOS ESCOMBROS E ESPALHAFATOS! – Quando o circo pega fogo, lá vou eu bombeiro para ver se dou um jeito. É certo que há coisas que já estão nas emergências hospitalares, quando não dando baixa de quase não ter mais jeito. Quem diria, levo comigo sempre o afeto de Wislawa Szymborska: A vida é tão rica e cheia de variedade que você tem que lembrar o tempo todo que há um lado divertido nisso tudo. Nem me rendo, nem me dou por vencido. Sigo adiante, peito aberto, vida afora.

TRÊS: PELEJANDO MESMO QUE CHOVA CANIVETES! – Faz tempo que as coisas não andam lá muito boas. Duns cinco anos para cá, só revestrés no toitiço. O que fazer, dou meu jeito. Hermann Hesse deixou riscado: Ninguém pode ver nem compreender nos outros o que ele próprio não tiver vivido. Para que resulte o possível deve ser tentado o impossível. Se passei por muitas e boas, durmo sobre os escombros, acordo outro dia, pontapé no zero! E vambora! Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Diante de tantos movimentos anti-ciência, nos deparamos ainda com o criacionismo e as aulas de religião em nossas escolas. E eis que de repente, debaixo dos nossos narizes, o Brasil já não é laico, e as aulas de ciência tornam-se tão facultativas e desvalorizadas como nosso trabalho, e o ensino de evolução nas nossas escolas está ameaçado. Calados e desvalorizados por um governo que não entende a importância da ciência e da tecnologia para a sociedade, nos deparamos também com pesados cortes em nossas verbas. Milhões foram alocados para os testes com a fosfoetanolamina. Milhões foram cortados de nossas bolsas e de nossos projetos de pesquisa. Em meio à calamidade, a comunidade científica tentou falar. Percebemos enfim que a situação tinha ido longe demais. Protestamos. Organizamos marchas. Fomos ao Congresso, mandamos carta para o presidente da República. Mas era tarde. Já fomos todos acometidos pela síndrome de Cassandra. Não temos credibilidade. Ninguém acredita no que temos a dizer. Assim como Cassandra, nós enxergamos o futuro. Sabemos o que vai acontecer com a ciência brasileira se tudo permanecer como está. Mas assim como Cassandra, ninguém acredita em nós. Logo vários de nós estaremos desempregados ou fora do Brasil. Nossos pesquisadores irão embora, assim como nossos alunos. E desenvolverão tecnologias no exterior que o Brasil terá que importar, pois não teremos pessoal qualificado para desenvolvê-las no país, nem para ensinar a nova geração. Demoramos demais para falar com a sociedade. Falhamos quando deixamos de esclarecer o cidadão sobre as propagandas enganosas, as pseudociências e os movimentos anti-ciência, que colocavam em risco sua integridade, seu bolso e sua saúde. Nós não falamos quando foi preciso. E agora não sobrou ninguém para falar por nós. [...]. Trecho do artigo O cientista e a síndrome de Cassandra (Ciência e Cultura ,2018), da bióloga e professora Natalia Pasternak Taschner, fundadora do blog Café na Bancada e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), voltado para o usode evidência científica nas políticas públicas.

O TEATRO DE ERIKA MANN
[...] Sem dúvida que foi esta atração mórbida e satânica pela morte de que ele fala, uma das forças que atraíram os alemães para o Nazismo. Não é por acaso que o símbolo das tropas de elite de Hitler é um crânio (Totenkopf). E por muito dinâmico e vivo que o movimento nazi se tenha vendido na propaganda, a divindade a que eles se rendiam com êxtase era a morte. O romantismo Nazi não tinha qualquer lugar para a "luz" ou o "luminoso". Os seus espíritos eram sombrios. E no entanto o desastre alemão não foi uma capitulação consciente ou intencional perante a catástrofe, apesar de ter havido uma saudade inconsciente para com ela. Foi antes a pelo senhor Clemenceau desaprovada falta fundamental de cultura moral que arruinou a nação. [...]
ERIKA MANN - Pensamento da dramaturga, jornalista e atriz alemã Erika Mann (1905-1969), conhecida por seu cabaré humorístico antifacista na sua companhia de teatro die Pfeffermühle, que atuava regularmente em Munique, ridicularizando os nazistas. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Descobri o mundo das mulheres. Morei na casa delas. E me adotaram. Deram-me acesso a sua vida cotidiana e a suas tradições. Contavam histórias eróticas, faziam troça o tempo todo Não apenas permitiram que eu as fotografasse como tomaram a iniciativa de me mostrar coisas. Passei a descrever Juchitán através dos olhos delas e ao mesmo tempo dos meus.
GRACIELA ITURBIDE - A arte da premiada fotógrafa mexicana Graciela Iturbide. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Em agendas-de-presente-de-natal / Deus escreve seus poemas / Ela tenta costurar os versos-holofotes com os versos-nuvens-formadora-de-chuva / Tenta costurar os versos-carros-nos-cruzamentos com os-versos-dia-especial / O problema é que tudo que Deus escreve dá música / E a humanidade plagia e acrescenta seus versos-toscos, faz coreografias-do-bumbum. / Quando Deus descobre, ela fica puta / E solta seus raios-de-TPM em cima das casas / Deus fica muito sentimental nesses dias. / Deus não quer salvar o mundo com seus poemas, / Deus quer cuidar da própria vida / Deus quer suas calcinhas secas para sair à noite / Deus quer a casa sem pó / Deus quer um dia de emprego tranquilo sem assedio / Deus quer curtir uns dias sem ler cartas de pedidos-de-socorro, juramentos-quebrados / De promessa-para-emagrecer, sacrifícios-com-bodes-vivos e virgens- Árabes-mortas, pecados-já-cometidos , deixa para lá, / Deus está cansada de ter que se virar em mil para dar conta de tudo / É muita pressão, até para Deus que é mulher!
Poema da poeta, ilustradora e desenhista Geisiara Lima, que é graduada em Filosofia pela UFPB, autora do livro Corpo em chamas.
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Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido, do educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire (1921-1997) aqui.
A guerrilheira perfumada: crônicas do amor diário, do jornalista e escritor Ronildo Maia Leite (1930-2009) aqui.
A música do violonista e compositor Nando Lauria aqui.
Só às paredes confesso, de Vital Corrêa de Araújo aqui.
Neuroeducação & Práticas Pedagógicas no Ensino-Aprendizagem aqui .
Cordel na escola aqui.
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Cortês aqui & aqui.
 

quarta-feira, julho 01, 2020

ALCEU VALENÇA, ACHILLE MBEMBE, KJERSTI ALVEBERG, LETÍCIA ARAUJO & BACAMARTEIROS



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: AUTORRETRATO, ALTER MUITOS EGOS - Do que fui pro que sou, antes e depois, meu coração Caravaggio é abraço de graça: sou da paz em flor mais que a ternura, porque não me faço guerra. O poema legisla em causa própria. Arte, será? George Sand afetuosamente terna: A arte é uma demonstração de que a natureza é a prova. A arte não é um estudo da realidade positiva; é uma busca da verdade ideal. Voo do que sinto ao suor, sou beijo paratodos.

DUAS: REINVENTO & SOBREPUJO – Voo sem leme ou bússola, apenas amanheço como se eu não tivesse amparo, a não ser nos meus próprios gestos inseguros ou a me debater tremulante aos estertores. Reinvento a clausura e o momento, Leibniz que alerta: Mais importante que as invenções é como foram inventadas. Não é tempo que perdemos, é vida. Retomo a passada, recrio caminhos antes ermos e sou direção da venta aonde for.

TRÊS: O QUE ME FALTA NÃO É PERDA - Minhas mãos são ruas do lado de lá e de cá, porque ouvi de Bakunin: A liberdade do outro estende a minha ao infinito. Não há nada tão estúpido como a inteligência orgulhosa de si mesma. Sou voo livre palhássaro por fogáguas e terrares... Dê-me a sua mão, entrega. Até amanhã ou nunca mais. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Na lógica da sobrevivência, ‘cada homem é inimigo de todos os outros’. Mais radicalmente, o horror experimentado sob a visão da morte se transforma em satisfação quando ela ocorre com o outro. É a morte do outro, sua presença física como um cadáver, que faz o sobrevivente se sentir único. E cada inimigo morto faz aumentar o sentimento de segurança do sobrevivente. [...]. Trecho extraído da obra Necropolítica (N-1, 2018), do historiador, filósofo e cientista político camaronês Achille Mbembe, que no seu estudo As formas africanas de auto-inscrição (Estudos afro-asiáticos, 2001), observou que: [...] Para além da evidência das fraturas e da difração, a experiência dos escravos africanos no Novo Mundo reflete uma plenitude de identidade mais ou menos comparável, mesmo que as formas de sua expressão difiram, e mesmo que não haja nenhum livro. Tal como os judeus no mundo europeu, eles têm que “narrar a si mesmos” e “narrar o mundo”, e lidar com este mundo a partir de uma posição na qual suas vidas, seu trabalho e seu modo de falar (langage) são parcamente legíveis, pois estão envolvidos em embalagens fantasmagóricas. Eles têm que inventar uma arte de existir em meio à espoliação, mesmo que agora seja quase impossível invocar o passado e lançar sobre ele algum encantamento, exceto talvez nos termos sincopados de um corpo que constantemente é transformado de ser em aparência [...]. Veja mais aqui.

DESTAQUE: Sob o céu de Recife / e sinto o cheiro da chuva / na terra molhada do quintal. / Me guardo agora / dentro de uma velha casa. / Lá fora as folhas balançam / no vento e na chuva. / O limoeiro / A pitangueira / A cana. / Sim, existo! Poema da poeta, professora e blogueira Letícia Araujo, que edita o blog Poemas de um espírito – Meus poemas e meus poetas e outros como Allegro Cannabis, Avenida Acácia, Vitrola, Universo Paralelo & Rock and Roll. Veja mais aqui, aqui e aqui.

BACAMARTEIRO
[...] Todos os anos, no dia de São João, sobem ao serrote do Bom Jesus duas centenas, talvez, de matutos com seus clavinotes e, até a tardinha, divertem-se a fazer disparos cerrados, dando vivas ao santo festejado. Escurecendo, descem agrupados com chapéus de couro, armas a tiracolo, sacola de munições vazia, num vozear entusiástico, numa ruidosa alegria [...].
BACAMARTEIRO - Trecho extraído da obra A filha de dona Sinhá (Casa do Estudante, 1952), do jornalista, escritor e professor Mario Sette (1886-1950). Nos dicionários do Cascudo encontra-se que bacamarte é uma arma de fogo que se parece com uma garrucha alongada, alargada na boca e reforçada na coronha, oriunda do bacamarte de amurada que era uma das armas mais especializadas em uso nos séculos XVIII e XIX, na França. E o bacamarteiro é atirador de bacamarte, antiga arma de fogo com ruidosos disparos de efeitos psicológicos junto dos assistentes. Ainda hoje, acompanhados por um zabumba, esses atiradores se apresentam durante as festas joaninas assustando os menos avisados e oferecendo aos espectadores toda a técnica de manejo do bacamarte e a prova da boa pólvora de indústria caseira, sempre sob o comando de militares. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da premiada coreógrafa, bailarina e dançarina norueguesa Kjersti Alveberg. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Minha vida parece um filme, como se eu estivesse fazendo um documentário de tudo. As músicas guardam minha memória visual, são HDs de lembranças.
A arte do cantor, compositor, instrumentista e advogado Alceu Valença, que teve uma mostra Ocupação Alceu Valença, organizada pelo Itaú Cultural, em São Paulo, 2019/2020, com a trajetória do artista e que serviu de base para o longa-metragem A luneta do tempo, um musical com direção e participação dele, ganhador da melhor trilha musical do Festival de Gramado de 2014. Veja mais aqui, aqui & aqui.
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A arte do pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017) aqui, aqui & aqui.
A arte do escultor, desenhista, gravador, ceramista e professor Abelardo da Hora (1924-2014) aqui.
Os tempos da Praieira, do advogado, jornalista, historiador e político brasileiro Costa Porto (1909-1984) aqui.
O sol além da minha rua, do escritor e editor Paulo Caldas aqui.
O livro Palpo a quimera e o tremor, de Vital Corrêa de Araújo aqui.
A poesia do poeta popular Paulo José dos Santos aqui.
Una dos Ambulantes de Deus aqui.
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Barra de Guabiraba aqui & aqui.
 


TATIANA DE ROSNAY, VERONIKA KIVISILLA, NIALL FERGUSON & MARIA LAURA LOPES

  Imagem: Fluxo dos devires , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula porcina na cabeça!... -...