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domingo, maio 17, 2026

JAMAICA KINCAID, LULJETA LLESHANAKU, PHILIPPE VAN PARIJS & SURUBIM FELICIANO DA PAIXÃO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Mana (2026), Bouquet (2024) & Bouquet II (2025), da pianista e compositora francesa Chloé Antoniotti.




Mostruário dos autos-de-fé, releituras de Canetti... - Houve um tempo o bulício festivo da passarinhada despertando na escuridão, o que se adivinhava da claridão de um céu azul, quando ainda madrugava no chuvoso frio e se rendia à disposição de que dali, mais alguns instantes, tudo seguiria na vigília do trâmite das horas e a surpresa das escolhas diárias inadiáveis. Sim, houve um tempo e existir sempre foi a aventura de surfar pelos devires. O dia raiava afugentando os fantasmas que rondavam à noite, como se deles a culpa com a cabeça a prêmio, por uma condenação desde a supremacia do primeiro humano sobre outro, para uma escalada milenar de chacinas, que ganharam força no medievo concílio de Verona e todas as sucessivas regulações das bulas papais. Ali estava sujeito a imolações, vivissecções, esquartejamentos, plena lassidão do próprio delírio, pro epítome da desgraça nos testemunhos de Goya. Mesmo assim sobrevivia matinal entre os escombros das conflagrações repassadas, escapando emergencialmente das hostilidades e combates dagora, na expectativa de todas as inescapáveis guerras vindouras, enquanto a máquina vomitava o que sobrou de seus reféns. E tudo se repetia ruidosamente por séculos ad infinitum, para o estrondoso amém nas raivosas preces das escatologias teológicas – descaminhos de outros breus desmesurados em pleno meio dia, enodoando idas e vindas. Quantos não sucumbiram às pandemias e aos genocídios, com as dores da decadência no estado de vigilância, quem não acossado a se esconder com a autópsia das memórias adoecidas, dissecando obsessões no que pudesse de sanidade mental: o mundo na cabeça sem mundo nem cabeça. E chegava o mormaço da tarde, sabedor quando mais ignorava, pensava relevando o que sequer cogitasse e dizia o que nem imaginou ter calado. Assim caía a noite com um clarão ao ouvido e a vida a reboque no jogo dos grandes olhos azuis de uma Anna – ah, mimosa Gulck, escultural Justine, o sonho clamando por reminiscências imprecisas do que se viu imperfeito no acervo das ideias: a confissão de que tinha algo a dizer com a incontornável insolência do controverso, a uma testemunha auricular que emergia do coração secreto do relógio e a consciência das palavras mudas na província do homem. E ambicionava Shangri-La e a Lua Azul no vale do Himalaia encontrava o Sol no coração e saísse da Kali, seguisse pra Dvapara, atravessasse Treta para esbarrar à Satya Yuga, com os nomes extintos dos antepassados. E se fazia outro dia e agora era um sonho de olhos abertos: o recomeço, como se inaugurasse a eternidade e nela toda estreia. E mais outro como se tivesse hora marcada e precisasse reaprender a se maravilhar para a derrota da morte escandalosa, surpreendida com uma obra póstuma. Sim, Canetti. Um estrambote, ato de meninice: Dava língua pra ela. E as mãos com os polegares em cada canto da testa, dedos abanando como orelhas mangadoras: Uh! Tá pra tu?! Até mais ver.

 

Honoré de Balzac: Como é natural destruir o que não podemos possuir, negar o que não entendemos e insultar o que invejamos!... Por trás de toda fortuna existe um crime... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Cacá Diegues: Temos sido testemunhas de um inimaginável retrocesso em curso. É como se estivéssemos vendo todas as históricas conquistas civilizatórias e humanistas irem para o lixo, refundando-se a barbárie... Veja mais aqui & aqui.

Mary Cassatt: Aceitar algo nos termos de outra pessoa é pior do que ser rejeitado... As mulheres devem ser alguém e não algo... O mundo me bastará no futuro... Veja mais aqui & aqui.

 

ESPERANDO POR UM POEMA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Estou esperando por um poema, \ algo bruto, não elaborado ou fora de controle, \ algo imperturbável por maldições, um corvo branco \ liberado da escuridão. \ Palavras que vêm naturalmente, sem mirar em nada, \ uma bala sem um alvo, \ tiros de advertência para o céu \ em terras recém-ocupadas. \ Um poema que vai bem no meu peito \ e até chegar \ Vou ouvir meus filhos brigando no próximo quarto \ e lançar meu olhar para baixo na mesa \ em um copo vazio de leite \ com um traço de branco ao longo de sua borda \ minha garganta envolta em prata \ um guardanapo em um anel de guardanapo \ esperando que os hóspedes atrasados cheguem...

Poema da poeta albanesa Luljeta Lleshanaku, autora das obras Fresco: Selected Poems (New Directions, 2002); Haywire: New and Selected Poems (Bloodaxe Books, 2011), entre outras.

 

AGORA VEJA ENTÃO - [...] A casa, a casa de Shirley Jackson, ficava numa colina, e de uma janela a sra. Sweet podia ver as estrondosas águas do rio Paran que se despejava furioso e veloz do lago, um lago feito pelo homem também chamado Paran; e olhando para cima, ela podia ver ao seu redor as montanhas chamadas Bald, Hale e Anthony, todas partes da cordilheira Green Mountain; ela também podia ver o corpo de bombeiros onde às vezes comparecia a uma assembleia civil e ouvia seu representante dizer alguma coisa que poderia afetá-la seriamente e o bem-estar de sua família ou ver os bombeiros extirpando os caminhões e desmantelando várias partes deles e remontando essas partes para então polir todos os caminhões e conduzi-los pela cidade com um bocado de comoção antes de devolvê-los ao corpo de bombeiros e eles faziam a sra. Sweet se lembrar do jovem Héracles, que muitas vezes fazia esse tipo de coisa com seus caminhões de bombeiro de brinquedo; mas ainda agora quando a sra. Sweet olhava por uma janela na casa de Shirley Jackson, seu filho não fazia mais isso. E dessa janela mais uma vez, ela pôde ver a casa onde morava o homem que inventou a câmera rápida mas ele já estava morto agora; e ela pôde ver a casa, a Casa Amarela, que Homero havia restaurado com tanto cuidado e amor [...]. Trecho extraído da obra Agora Veja Então (Companhia das Letras, 2021), da escritora antiguana Jamaica Kincaid, que ainda se expressa: A amizade é algo simples, e ainda assim complexo; a amizade é superficial, algo natural, algo que se dá por garantido, mas por baixo dessa superfície podem-se encontrar mundos. Veja mais aqui.

 

RENDA BÁSICA - [...] Tornar uma economia mais produtiva (numa interpretação sensata) de forma sustentável não é melhor alcançado ativando obsessivamente as pessoas e prendendo-as em empregos que detestam e dos quais não aprendem nada. [...]. Trecho extraído da obra Basic Income: A Radical Proposal for a Free Society and a Sane Economy (Harvard University Press, 2019), do filósofo e economista belga Philippe van Parijs, que no seu artigo Basic Income: A simple and powerful idea for the twenty-first century (Social Justice Ireland - Redesigning Distribution, 2005), defende que: […] Lutar por esses ou outros caminhos em busca de maior segurança de renda não deve, é claro, fazer com que se negligencie a importância primordial de proporcionar a todas as crianças educação básica de qualidade e a todas as pessoas cuidados básicos de saúde de qualidade. Mais importante ainda, para que o modelo defendido aqui se torne uma realidade generalizada, as lutas mais difíceis e cruciais podem precisar ser travadas em temas aparentemente muito remotos: garantir a eficiência e a responsabilidade da administração pública, regular a migração, conceber instituições eleitorais adequadas e reestruturar os poderes das organizações supranacionais. Mas essas muitas lutas podem ganhar direção e força se forem guiadas por uma visão clara e coerente das principais instituições distributivas de uma sociedade justa e libertadora. [...].

 

O FANTASTICO CAVALO AZUL DE SURUBIM DA PAIXÃO

A minha tribo quando entra na aldeia \ Índio não faz cara feia \ Não deixa a frexa cair \ Tupi tupi or not tupi \ Tupi tupi or not tupi \ Não sei se vou não sei se estou não sei se fico \ Nada ainda exprico nessa frase or not tupy \ Tupi tupi or not tupi \ Tupi tupi or not tupi \ Ser ou não ser tupi \ Ser ou não ser tupi \ Ser ou não ser tupi \ Ser ou não ser tupi...

Imagem & versos da canção Tupy or not Tupy, do compositor, artista visual, cirandeiro e zelador Surubim Feliciano da Paixão (1940-1991), que atuou na companhia Teat(r)o Oficina e da Uzyna Uzona, em São Paulo, desde 1979, participando do Forró Avanço no Circo da companhia, comandado por Verônica Tamaoki; compôs a música para o filme Rei da Vela, autor das gravuras de Mistério Gozósos (1983). Veja mais aqui & aqui.

 

Olegário Mariano aqui.

Eva Rolim Miranda aqui.

Armando Lôbo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Márcia Meira Basto aqui

Fernando Spencer aqui & aqui

Biarritzzz - Beatriz Rodrigues aqui

Juareiz Correya aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Mércia Albuquerque Ferreira – Lady Tempestade (1934-2003) aqui

José Cláudio aquí, aquí, aquí & aquí.

Mitsy Queiroz aqui.

 


terça-feira, novembro 28, 2017

BASHÔ, LÚCIO CARDOSO, CANETTI, CHAUÍ, MARCUS VIANA, BRUNA BEBER, ROCCO FORGIONE & IBIRAJUBA

BATICUM & TEIBEI - Imagem do artista italiano Rocco Forgione. - A coisa não está para brinquedo. Soludão de mesmo, só na vez do açodamento ou no calor da iminência. Maior teitei na lapada. Pronto, parece resolvido. Será? E quando vai ver: um labirinto de broncas. Dabou-se! Aí é a hora de ajeitar aqui, espichar ali, remendar acolá, e o que era pra sair bonito dá num monstrengo cada vez mais desfigurado. E agora vai ver a merda feita. Por conta disso, tomei uma atitude: não leio mais jornais, há tempos que as notícias são as mesmas, muda, apenas e, às vezes no muito, só os nomes, mas a situação é a mesma desde que nasci: a corda só arrebenta do lado desprevenido. E quem tem tempo pra se defender do imprevisível, hem? Também não assisto mais tevê: a programação parece a mesma de décadas, há sempre uma onda pra gente boiar, isto desde que inventaram um tal do zeitgeist, paradigmas para serem seguidos à risca, na boa. E como nem todo mundo anda na linha - que ninguém é besta, tá doido? -, há sempre aquela de um olho na missa e outro no padre. Esfrega pra enxergar: a desconfiança é geral. Também, pudera. Em quê acreditar, são outros quinhentos. Ah, sempre me disseram sob o signo da maior persuasão que quando chegasse aos cinqüenta, eu ia ver direitinho como é que é a cor da chita. Resultado: já passei disso e não vejo mais nada. Quando muito finjo que nem vejo, melhor. Vai que de repente topa com uma revolta no ar: vende-se este estrupício, pague qualquer coisa e leve essa desgraça pra você! Ora, faça-me um favor. Todo mundo só oferece o que não quer mais, filantropia com o imprestável. Quando não é isso, o despropósito no primeiro poste: corno é foda, tudo que vê quer ler. Sacou? Vamos e convenhamos: quando a emoção fala mais alto – ou melhor, quando a cabeça do cipó é quem manda no riscado, a gramática vai pro calão e se lasca toda! Isso se você não se ferrar junto, no maior desmantelo. E haja revertério. No meio disso é só meter o sarrafo! Maior esporro! De pensante vira asno e os disparates só fabricam teréns rocambolescos. Melhor brincar de palíndromo: a torre da derrota! Quem encara? É de sair arrolando a doação de órgãos pra quando bater as botas: os olhos quando nada, mistura as coisas com tudo duplo, córnea pra quê te quero: já era oftalmologista recorrente; cheirar que é bom dói no pulmão; músculos, tudo entrevado; coração batendo biela; fígado em petição de miséria; o prazer é ter de saber eficiente gestão de dores pra todo lado; afinal, no frigir dos ovos, o que é que presta mesmo pra serventia, hem? Nossa, a certidão de que já morreu e ninguém avisou. Resta apenas ficar brincando de bem ou malmequer com as lembranças, memórias fugidias, momentos felizes, decepções, vexames e quejandos. Fazer o quê? Melhor respirar fundo, olhar pros lados, se precaver e seguir adiante refugiado num dia qualquer do passado – remembranças e das muitas, essas ainda não apagaram. Aprendeu? Baticum & teibei. E boa sorte. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais 

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Pantanal, a suíte orquestral Olga, A música dos 4 elementos, Sete Vidas amores & guerras, Raio & Trovão, entre outras, do violinista, tecladista e compositor Marcus Viana. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA -  [...] O soberbo, no orgulho desmedido, considera que tudo lhe é permitido; abjeto, na humilhação desmedida, considera que nada lhe é permitido. O primeiro se torna dominador insolente; o outro, servo adulador, invejoso e ressentido. Ambos, submissos às suas paixões, são fonte de novas servidões, pois o soberbo julga-se livre porque domina e despreza os outros, enquanto o abjeto adulador imagina-se dependente dos favores do soberbo que, por deninção, nunca hão de vir. [...]. Trecho da obra Política em Espinoza (Companhia das Letras, 2003), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

MASSA & PODER – [...] Aqui, tudo se baseia na total ausencia de perturbações. Qualquer movimento é indesejável, todos os ruídos são execráveis.  [...] Apesar de tudo conservou-se nos nossos concertos uma pequena dose de descarga física. O aplauso representa a gratidão aos interpretes; trata-se de intercambio de um ruído breve e caótico por outro prolongando e bem organizado. [...] Os espectadores podem permanecer sentados; a paciência coletiva se torna visível em toda sua clareza. Todos têm a liberdade de sapatear, mas não se movem de seus lugares. Têm a liberdade de aplaudir com as mãos. Está prevista uma determinada duração para o espetáculo, e normalmente não há motivos para reduzi-la; pelo menos durante este tempo as pessoas permanecem juntas. E, durante este tempo, uma série de acontecimentos podem ocorrer. Não é possível saber de antemão de que lado e quando será marcado o gol, além disso, à margem destes acontecimentos centrais, muitos outros podem acopntecer que provocam manifestações ruidosas. A voz é ouvida com freqüência e em ocasiões distintas. [...]. Trecho da obra Massa e poder (EdUnB, 1983), do escritor e ensaísta búlgaro e Prêmio Nobel de Literatura de 1981, Elias Canetti (1905-1994). Veja mais aqui e aqui.

IBIRAJUBA – O municio de Ibirajuba é formando administrativa pelo distrito sede e pelo povoado do Alto de São Francisco, possuindo cachoeiras, além de cavernas com pinturas rupestres. Trata-se de vocábulo indígena que significa "árvore amarela", do tupi ybirá: árvore, tronco, madeira; e yuba: amarelo, louro. Originou-se do povoado de Gameleira, árvore comum na localidade. Pertencia ao município de Altinho, sendo criado pela Lei estadual nº 4.943, de 20 de dezembro de 1963 e instalado em 19 de junho de 1964. Possui muitas pedras em seu território, as mais famosas são as duas pedras de Delmiro, um comerciante da região. Localizada em plena Serra da Mandioca, no centro da cidade, existe um açude, que antes de sua escavação, aquela área abrigava a grande e frondosa gameleira, que nomeou a cidade. Veja mais aqui.

DIÁRIO DE ANDRÉ - [...] Que é o para sempre senão o existir continuo e líquido de tudo aquilo que é liberto da contingência, que se transforma, evolui e deságua sem cessar em praias de sensações também mutáveis? Inútil esconder: o para sempre ali se achava diante dos meus olhos. Um minuto ainda, apenas um minuto – e também este escorregaria longe do meu esforço para captiá-lo, enquanto eu mesmo, também para sempre, escorreria e passaria – e comigo, como uma carga de detritos sem sentidos e sem chama, também escoaria para sempre meu amor, meu tormento e até mesmo minha própria fidelidade. Sim, que é o para sempre senão a última imagem deste mundo – não esxclusivamente deste, mas de qualquer mundo que se enovele numa arquitetura de sonho e de permanência – a figuração de nossos jogos e prazeres, de nosos achaques e medos, de nossos amores e de nossas traições – a força enfim que modela não esse que somos diariamente, mas o possível, o constantemente inatingido, que perseguimos como se acompanha o rastro de um amor que não se consegue, e que afinal é apenas a lembrança de um bem perdido – quando? – num lugar que ignoramos, mas cuja perda nos punge, e nos arrebata, totais, a esse nada ou a esse tudo inflamado, injusto ou justo, onde para sempre nos confundimos ao geral, ao absoluto, ao perfeito de quie tanto carecemos. [...]. Trecho extraído da obra Crônica da casa assassinada (Cibilização Brasileira, 2009), do escritor, jornalista, dramaturgo e pintor Lúcio Cardoso (1912-1968). Veja mais aqui.

LADAINHA POEMAS 29, 79 & 97 – 29 – Laura me leva para a água / Não é só assim que somos felizes / Mas aqui somos mais / É bom passar minúsculos / Olhando para uma coisa só / Como se nunca tivéssemos inventado / Uma imagem sequer do futuro / E então ficamos cerca de um minúsculo / Olhando para o mar e fingindo / Que o movimento das ondas / Era parecido com estender lençóis / E quem as estendia éramos nós / Você sabe, a água não para de ser água / E nós não parávamos de tentar ] Arrumar o mar, que não nos incomoda / Ele é um peixe amando outro peixe / Laura gosta de arrumar a cama / Todos os dias, eu desligo o ventilador / Porque a cama é um tipo de mochila / De encosta, de bandeja, de sola de pé / Para os morcegos; prisma ao que gosta / de dormir, balcão ao que gosta de acordar / Não sei explicar mas é como chegar na água / E saber nadar, muito mais ainda assim e por tudo / É sobre conseguir chegar naquilo que eu sou / E cada vez mais perto daquilo que sou com alegria / É uma camisa de força do avesso / Muito boa para mergulho - 79 - Poder é perigo / e hoje acordei / rindo / Dom é tom / e hoje acordei / rindo / Querer é criatura / e hoje acordei / rindo / Na cara a boca / na pia o prato / sujos de feijão. 97. - Escrever é irmão / do andar e primo / do voltar, substitua / No inverno é bom / Escrever com calma / e inventar um cinzeiro flutuante / chegar e sair descalço do poema / No verão bombom / Escrever é sempre / o tempo é uma mula elástica em fuga / e se conselho fosse bom / Sair na rua de moletom. Poemas recolhidos da obra Ladainha (Record, 2017), da poeta e tradutora Bruna Beber.

4 HAICAIS DE BASHÔ
 
O sol de inverno:
a cavalo congela
 a minha sombra.

Chuva de verão
perna de garça
então se torna curta.

Que lua, que flor
nada, bebo umas doses
aqui sozinho.

Quero ainda ver
nas flores no amanhecer
 a face de um deus.
Extraídos do livro Complete Basho Haiku in Japanese (State University of New York Press, 2004), do poeta japonês Matsuo Bashô (1644-1694).

Veja mais:

A poesia de William Blake aqui, aqui, aqui & aqui.
A literatura de Stefan Zweig aqui e aqui.
O pensamento de Claude Lévi-Strauss aqui e aqui.
A literatura de Érico Veríssimo aqui, aqui e aqui.
A psicanálise de Erich Fromm aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
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Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista italiano Rocco Forgione.
Veja mais aqui.
 

sexta-feira, julho 25, 2014

ALICIA KOZAMEH, DORIS KAREVA, JUDITH BUTLER & HEATHER GRAHAM

 


SORRIR SOBRE CICATRIZES E FERIDAS... – Preciso sorrir. Como posso se há guerras, fome, miséria? A dor do outro, mesmo na lonjura que seja, também é minha. Mesmo do outro lado mundo, também. E isso complica meu sono, atinge meu humor. Impossível pregar os olhos enquanto tantos ao relento enchendo as ruas noites e dias de todos os lugares do meu Brasilzão afora; quantas crianças privadas do brincar catando lixo ou vendendo brebotes nos semáforos, ou mesmo zanzando aos bandos importunando desavisados; muitas mulheres tísicas às esmolas, bebês esfomeados ao braço; tantos idosos com seus olhos profundos à beira da cova. Não há outra palavra mais adequada: covardia. E muita indiferença. O certo é que entre algozes há quem seja convicto de que não fez nem faz nada, preferem a pena capital, quando não promovem moralismos excludentes e mentem, fraudam, compram brigas e se dizem prontos para odiar e matar com a bala que é o falo do fanatismo e a mão de um deus castigador que jamais abençoou. Não consigo dormir, porque tanto eu quanto você também podemos dar um presunto legal num outro dia que possa durar longos vinte e um anos ou mais! Essa a nossa herança com o massacre de outros e de nós mesmos, pouco importa para tais, o que não pode nem deve ser prescrito. Quem capaz da alteridade, onde mais qualquer afeto... Vale a pena ainda sonhar, não sei mais... Quantas deformações e a que preço, a imoralidade e o ilegal: sou o alvo e é onde a batalha acontece: em mim mesmo. Contudo, apesar de tudo isso, precisamos sorrir. Só assim lamber as feridas para remover as cicatrizes do coração solidário e viver. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Há alguns anos, um membro de um público acadêmico me perguntou se eu achava que o Hamas e o Hezbollah pertenciam à "esquerda global" e respondi com dois pontos. Meu primeiro ponto foi meramente descritivo: essas organizações políticas se definem como sendo antiimperialistas, progressistas e de esquerda, sendo essas características da esquerda global, portanto, com base nisso, pode-se descrevê-las como parte da esquerda global. Meu segundo ponto foi crítico: como acontece com qualquer grupo da esquerda, é preciso decidir se é a favor ou contra aquele grupo, e é preciso avaliar criticamente sua posição. Pensamento da filósofa pós-estruturalista estadunidense Judith Butler, que na obra Corpos que importam: os limites discursivos do "sexo" (‎ N-1, 1993), procura esclarecer interpretações equivocadas acerca da performatividade, especialmente aquelas que vêem a encenação de sexo/gênero como uma escolha diária. Enfatiza ela o papel da repetição na performatividade, valendo-se da teoria da "iterabilidade" de Derrida, que é uma forma de "citacionalidade", ao assinalar que: [...] A performatividade não pode ser entendida fora de um processo de iterabilidade, repetições regularizadas e restritas de normas. E essa repetição não é realizada por um sujeito; essa repetição é o que capacita um sujeito e constitui a condição temporal para o sujeito. Essa iterabilidade implica que a 'performance' não é um 'ato' ou evento singular, mas uma produção ritualizada, um ritual reiterado sob e por meio de constrangimento, sob e por meio da força da proibição e do tabu, com a ameaça de ostracismo e até mesmo morte controlando e compelindo a forma da produção, mas não, vou insistir, determinando-a totalmente com antecedência. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Ela odiava ter um coração. Era apenas um órgão, ela sabia. Um órgão do corpo humano. Os corações não se partiram realmente. A emoção estava na alma... A escolha religiosa de um homem não importava nem um pouco se fosse o seu caminho para a decência e para se lembrar dos seus semelhantes. Pensamento da escritora estadunidense Heather Graham Pozzessere. Veja mais aqui.

 

PASSOS DEBAIXO D’ÁGUA – [...] Quantos passos, ela se pergunta? Em quantos milímetros os pés de sua mãe haviam desgastado a espessura do piso durante esses três anos e meio?... Fico tão cansado de pensar em tudo em termos de números. Além disso, nada poderá ser respondido a menos que você tenha estado lá. Você tem que ver e então obter a resposta. [...] Cheguei em casa e minha garganta estava inchada, como se o cadáver [do gato] tivesse se alojado ali, gordo e amarelo. Entre a língua e o esôfago. Fui direto para no banheiro e vomitei [...] Em Rosário, para sobreviver depois da prisão em uma cidade com um milhão de habitantes, quando apenas andando pelas ruas ao mesmo tempo você fatalmente encontra os mesmos rostos, os mesmos pés e, consequentemente, as mesmas pistolas (e se você não Se eu não os vejo, é porque eles ficam à espreita, sempre no músculo, debaixo de um doce ou, claro, de uma jaqueta). Agora, isso foi difícil. [...]. Trechos extraídos da obra Steps under Water (University of California Press, 1996), da escritora argentina Alicia Kozameh.

 

TRES POEMAS – EU TE AMO PORQUE... - E eu te amo porque \ eu te amo. \ Por que conhecer - \ você é apenas ar para mim. \ Sempre presente. PARA TODOS - Por todos \ os que se perderam no mar, \ por todos \ os que perderam o dia, \ rezo esta noite \ à luz fraca das velas, \ da última dor e poder de um coração cansado, \ rezo. \ Venham, \ vagabundos, bandidos e aleijados, \ vagabundos e cortesãs, \ quiromantes e cafetões, \ vagabundos, mentirosos, drogados, \ vagabundos, bebedores e pródigos; \ você, o assustado, o faminto, o frio, \ você, que nasceu sem pai, \ você, rejeitado pelo mundo, \ você, que está perdido e desesperado há tanto tempo - \ você terá as camas mais macias para descansar \ esta noite. \ Para você colocarei a mesa, \ bons vinhos e pratos deliciosos — \ venha. \ Eu irei reconhecê-lo, \ deve haver um pouco do seu sangue no meu... \ Apenas para um, o portão ficará em silêncio. \ Sádico, você é um estranho para mim. QUANDO ESCREVO - Quando escrevo, \ pastoreio palavras desatentas \ na encosta quase impossível \ da passagem do silêncio. \ Quando escrevo, \ pratico o domínio das sombras \ com o pulso frio e \ o florete à beira da escuridão final. \ Quando escrevo, \ escrevo numa linguagem totalmente proibitiva; \ meu banquete final é jejuar, \ a própria descoberta do céu. Poemas da poeta e tradutora estoniana Doris Kareva, autora dos livros Päevapildid (1978), Ööpildid (1980), Maailma Asemel (1992), Hingring (1997), Mandrágora (2002), Aja Kuju (2005), Tähendused (2007), Loige (2007), Deka (2008) e Sa pole üksi (2011), entre outros.

 

 Imagem: Foto da poeta, cenógrafa, designer e webcolunista carioca Paula Valéria de Andrade.

Ouvindo a Sinfonia nº 3, op. 63 (1939/1940), do compositor italiano Alfredo Casella (1883-1947), pela WDR Sinfonieorchester Köln, regência de Alun Francis.


ELIAS CANETTI – A magistral obra Auto-de-fé, do escritor e ensaísta búlgaro e Prêmio Nobel de Literatura de 1981, Elias Canetti (1905-1994), é uma das mais formidáveis que se possa registrar no nosso tempo. Desse maravilhoso livro destacamos o seguinte trecho na tradução de Luis de Almeida Campos: “[...] a quem interessava aquela disciplina tão recôndita? A juventude joga o futebol; os adultos apenas pensam em lucros e reservam os seus tempos livres para o amor. Para dormir dispõem de oito horas e para mandriar de outras oito, consagrando o resto do tempo a um trabalho odioso. Tinham endeusado não apenas o ventre, mas também o corpo todo. O Deus celestial dos chineses era mais digno e severo. Mesmo que o pequenito não fosse lá na próxima semana — coisa bastante improvável —, tinha na cabeça um nome nada fácil de esquecer: o do filósofo Meng. Há impulsos fortuitos e inesperados que podem orientar uma vida inteira”. Veja mais aqui e aqui. 

GESTÃO DE PESSOAS – A gestão de pessoas é um dos temas mais importantes na relação organizacional, justificando-se pelo fato de que o fator humano é de suma importância na gestão de pessoas e que, por isso, o equilíbrio de relações entre todos é o mais desejado buscando maior a produtividade e competitividade das organizações empresariais na atualidade. Para realização de um estudo acadêmico a respeito, se faz necessário investigar a importância da gestão de pessoas, analisando os fatores motivacionais que favorecem ao comprometimento dos colaboradores para o trabalho e o alcance das metas da organização, verificando a motivação ou desmotivação dos colaboradores e sua influência na qualidade dos serviços prestados, levantando dados a respeito das questões motivacionais entre os funcionários do departamento a ser estudado e apresentando o diagnóstico encontrado e oferecendo um prognóstico das necessidades de ações para a gestão de pessoas no tocante à motivação dos funcionários. Para tanto destacamos algumas fontes bibliográficas. PLANEJAMENTO, RECRUTAMENTO E SELEÇÃO DE PESSOAL – O livro Planejamento, recrutamento e seleção de pessoal, de Benedito Rodrigues Pontes, trata do desafio de atrair e manter talentos, as questões relacionadas à colocação de pessoal, analise de cargo como instrumento do recrutamento e seleção de pessoal, planejamento de pessoal, recrutamento de pessoal, recrutamento interno e externo, seleção de pessoa, análise de currículo, testes de seleção, entrevista de seleção, integração de pessoal. MANUAL DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO – O livro Manual de treinamento e desenvolvimento, de Gustavo G. Boog, aborda os novos paradigmas do mundo dos negócios, do Taylorismo ao comportamentalismo, processos de mudança, espiritualidade nas empresas, capital intelectal, gestão do conhecimento e universidade corporativa, inteligência emocional e intuitiva, T&D estratéhgicos, relações social, estratégia de recursos jhumanos, concultoria intrna, gerenciamento Back to the future, mobilizando a organização para a qualidade, tecnologia da informação, métodos e técnicas, avaliação e validação dos resultados dos investimentos, estímulo, abordagens avançadas, simulação de jogos, técnicas de aprendizagem em ação, autodesenvolvimento, o novo funcionário, estahiários e traines, desenvolvimento do dirigente, desenvolbvimento de fhefia, desenvolvimento de equipoes,treinamento de segurança, lohistica em treinamento, planejamento de carreira, treinamento e comunidade. GESTÃO DE PESSOAS – O livro Gestão de pessoas, de Idalberto Chiavenato, trata dos novos desafios da gestão de pessoas e agregar, aplicar, recompensar, desenvolver, manter, monitorar, o futuro da gestão de pessoas, aspectos fundamentais da gestão de pessoas, gestão de pessoas em um ambiente dinâmico e competito, planejamento estratégico, recrutamento, seleção, orientação, modelagem de trabalho, avaliação do desempenho humano, remuneração, programas de incentivo, benefícios e serviços, treinamento, desenvolvimento de pessoas e organizações, relações com empregados, higiene, segurança e qualidade de vida, avaliação da função de gestão de pessoas, banco de dados e sistemas de informações de RH, entre outros. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, Lindolfo G. Competitividade e Recursos Humanos. Revista de Administração, São Paulo, v.27, n.4, p. 16-29, out /dez. 1992.
BARBOSA, Carolina. O papel do coaching dentro da organização. Belo Horizonte: CUU, 2009.
BATEMAN, T. Administração - Construindo Vantagem Competitiva. São Paulo: Atlas, 1998.
BOOG, Gustavo. Manual de treinamento e desenvolvimento. São Paulo: Pearson Education, 1999.
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
______. Recursos humanos. São Paulo: Atlas, 1997.
______. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
______. Construção de talentos: coaching & mertoring – as novas ferramentas da gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002.
_______. Recursos humanos: o capital humano das organizações. São Paulo: Atlas, 2006.
DRUCKER, Peter Ferdinand. Administrando em tempos de grandes mudanças. São Paulo: Pioneira, 1996.
________. Administração de organizações sem fins lucrativos. São Paulo: Pioneira, 1994.
FREITAS, Carmen. Estudos da motivação e da liderança na indústria hoteleira da Ram. Funchal: UM, 2006.
GALHANAS, Carla. A motivação dos recursos humanos nos novos modelos de gestão da administração pública. Lisboa: ISEG, 2009.
GASPAR, Denis; PORTÁSIO, Renato. Liderança e coaching: desenvolvendo pessoas, recriando organizações. Revista de Ciências Gerenciais, Vol. XIII, nº 18, 2009.
MAXIMIANO, Antonio. Introdução à administração. São Paulo : Atlas, 2000.
MUSSAK, E. Gestão humanista de pessoas: o fator humano como diferencial competitivo. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
PONTES, Benedito. Planejamento, recrutamento e seleção de pessoal. São Paulo: LTr. 2010.
SAMPAIO, Maria Imaculada. Motivação no trabalho cooperativo: o caso da Rede Brasileira de Bibliotecas da área de psicologia – ReBAP. São Paulo: USP/ECA,2005.
VERGARA, S. C. Gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2009.



LOU ALBERGARIA – A escritora, economista e blogueira Lou Albergaria é autora do livro O cogumelo nasce da bosta da vaca profana, editado pelo Vidráguas. Entre seus poemas destacamos A biologia de Maturana: “A relação que tenho com meus poemas / é a mesma que tenho com as minhas fezes. / Depois de fazer, deixo ir. / Se vão servir pra adubo, fertilizante / Ou só mais uma forma de poluir o planeta, / não me cabe saber. O que sei é que preciso fazer / pra conseguir atenuar a culpa de existir / sem a melhor parte de mim”. Merece também destaque o seu poema Paz(word): “Que palavra é essa / que abre por dentro / Nina os demônios, e /liberta todos os detritos / O lirismo em prisão de concreto, e / ventre / A estética dos guetos / acorda / as telas / Eu, lexotaneio / em mais uma canção de Nina / Simone... / Se eu acordar / antes de mim / Eu não me encontro”.


CELIA MARA – Tive a oportunidade de conhecer o trabalho musical da excelente e maravilhosa cantora, violonista e compositora mineira Célia Mara, no Clube Caiubi de Compositores. Fiquei deveras maravilhado com seu trabalho, de queixo caído verdadeiramente. Os anos se passaram e ela continua cada vez melhor. Destacamos aqui a sua Matriaméricas: “Fico com o poder de sabotar dos cangaceiro / Dos sandinistas, Zapatistas e do Sendero. / A realidade nas américas sem martírio /Você vai ver. / Dá-lhe Matria amarga, maltratada, mal investida, / cobre de quem lhe tira a dignidade da vida./ Pois o povo que concede e elege também / tira o poder. /Que sejam bemvindas pacifistas do mundo inteiro,/ Unam-se sem-tierras,globalistas,los cocaleros. / Have fun nesse baile anybody José, Carmem ..../ E não faltava solidário nesse baile./ e everybody e everybody ê / Chico no es más la novedad, el desespero /Mira los ojos de las madres, de los ninõs /Sim! podemos cambiar nuestro destino ê ê ê ô / Danos matria amada, triunfante, fidedigna / Cubre com tu manto pleno donde vaya la vida / Y a los traídores que los saquen todos del poder. / Que sejam bem vindas pacifistas do mundo inteiro, / Unam-se sem-tierras, globalistas, los cocaleros. / Have fun nesse baile anybody José, Carmem .... / E não faltava solidário nesse baile./ e everybody e everybody ê / Esse baile é meu é seu é de quem vence tudo / É de quem tá na vida e de quem não é mudo / da mocidade das Américas com atitudes como você. / Vem de todo lado gente boa do mundo inteiro/ Falso brilhante não engana garimpeiro / Nossa moçada have fun até ao amanhecer./ Que sejam bem vindas pacifistas do mundo inteiro, / Unam-se sem-terras,globalistas, los cocaleros. / Have fun nesse baile anybody José,Carmem .... / E não faltava solidário nesse baile. /e everybody e everybody ê”. Veja mais Celia Mara aqui.


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