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sexta-feira, março 20, 2020

JOSEF ALBERS, TULA PILAR, MARIA LACERDA DE MOURA, MARY CAGNIN & MARCELINO FREIRE


O AMOR EM TEMPOS DE COVID-19 – UM DIA A MAIS – Um dia a mais e preciso estar longe para que possa viver. O desejo de beijá-la é imperioso, porém inexequível, só para saber a dor que a morte iminente tem de nunca mais correr risco. Estamos diante do inexplicável. Sigo por mais um dia porque não se sabe se haverá depois de amanhã e hoje não mais, só a esperança de quem não pode fazer nada além de viver o possível. Ontem ficará até esquecimento. Não acredito mais no que vejo ou ouço, mentiras demais e o que resta. Não tenho país, sou da Terra das Águas e de todos os meus semelhantes do planeta. Dei minhas mãos e nas dela sou sua flor, ela em mim. E com ela eu vou. Quando chegar a hora, estarei pronto para a viagem. Até amanhã ou nunca mais. PS: lendo em voz alta Caio Fernando Abreu: Vamos dizer adeus aos pensamentos tristes e que só restem boas lembranças. Só reste amor no peito, pois no fim o que vale a pena é ser feliz. Voo adiante. DUAS LAPADAS PARA VIVER - Aleatoriamente abri o livro numa página qualquer, era Menotti Del Pichia: Esta vida é um punhal de dois gumes fatais: não amar é sofrer; amar é sofrer mais. Refleti e não desisti, a vida insiste e eu vivo a seguir. A visita agora é de Friedrich Hölderlin, que expressou ao meu ouvido: Vamos esquecer que existe um tempo e não vamos contar os dias da vida! E seus versos oxigenaram a minha esperança: Quando eu era jovem, de manhã alegrava-me, / de noite chorava; hoje que sou mais velho, / começo duvidoso o meu dia, mas / sagrado e sereno é o seu fim. Persevero e persisto. TRÊS PRA MATAR A CHARADA – Bem-vinda a lição de Marilena Chauí: A busca da verdade está sempre ligada a uma decepção, a uma desilusão, a uma dúvida, a uma perplexidade, a uma insegurança, ou então, a um espanto e uma admiração diante de algo novo e insólito. Interrogação ambulante, o insólito me seduz e me espanto, admiração por tudo ao meu redor e mais, vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Renovar-se ou morrer. Frase da escritora, professora, anarquista e feminista Maria Lacerda de Moura (1887-1945), que em sua obra Renovação (1919 – UFC, 2015), expressa que: Os preconceitos, as tradições, a educação transmitida pelas gerações sucessivas — cegam-nos. O homem não é um ser emancipado e ao seu egoísmo não convém a emancipação feminina. É indispensável que a mulher trabalhe pela mulher. Já na sua obra Ferrer, o clero romano e a educação laica (Paulista,1934), ela diz que: A covardia mental é a mais poderosa das armas reacionárias. Por fim, na sua obra A mulher é uma degenerada? (Civilização Brasileira, 1982), ela expressa que: [...] De que vale a igualdade de direitos, jurídicos e políticos para meia dúzia de privilegiadas, tiradas da própria casta dominante, se a maioria feminina continua vegetando na miséria da escravidão milenar? É preciso sonhar mais alto ainda e abranger todo o mundo feminino no mesmo laço de igualdade social, no mesmo beijo de solidariedade humana, no mesmo anseio para a Fraternidade Universal. […] Trata-se, não da filantropia de um dia, sim da renovação social para uma sociedade de onde se excluirá a caridade humilhante — que a solidariedade entre irmãos afasta o gesto de proteção. [...] A coeducação se impõe. Que todas sejam educadas ao lado do homem. As profissões liberais ao alcance de ambos os sexos. O que é preciso é educar a mulher para o lar e ao mesmo tempo para a sociedade, isto é, para a plenitude do seu desenvolvimento, para a sua individualidade. Uma cousa não exclui a outra. [...] A mulher educada será força de resistência contra a avalanche devastadora e preparará o advento da verdadeira civilização na qual não haverá lugar para a exploração do homem pelo homem. [...]. Durante sua trajetória pioneira, ela esteve ligada ao Movimento Associativo Feminino e ao Movimento Operário, colaborando com Bertha Lutz e presidindo a Federação Internacional Feminina, fazendo conferências pacifistas que desencadeou a campanha antifacista no país. Veja mais aqui.

A POESIA DE TULA PILAR
DELÍRIO: Delírio dos corpos que se movem na penumbra da noite / Peles que se roçam na escuridão / Silhuetas dançantes ao clarão do luar / Que invadem as frestas do canto reservado para o acontecer / Fumaças e cheiros… / Um liquido licoroso na taça, adoçará ainda mais o delírio que se pretende sentir entorpecendo a razão / Bíceps Troncudo circunda o pescoço um do outro / Protegem alternados movimentos frenéticos no chão de estampas / De ladrilhos recém cobertos por colcha de retalhos escrito palavras ousadas / Caçada incontida, sorriso para seduzir, prazer infinito… / A noite já se faz dia / Sentimentos romperam a aurora / Vidraças fechadas, sol querendo entrar / Figuras desnudas adormecidas / Sobre a colcha de retalhos escrito palavras ousadas.
SOU UMA CAROLINA: Sou uma Carolina / Trabalhei desde menina / Na infância lavei, passei, engraxei… / Filhos dos outros embalei / Sou negra escritora que virou notícias nos jornais / Foi do Quarto de Despejo aos programas de TV / Sou uma Carolina / Escrevo desde menina / Meus textos foram rasgados, amassados, pisoteados / Foram tantos beliscões / Pelas bandas lá de Minas / Eu sou de Minas Gerais / Fugi da casa da patroa / Vassoura não quero ver mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que quero dizer / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / A negra escritora que foi do Quarto de Despejo / aos programas na TV / Hoje uso salto alto / Vestido decotado, meio curto e com babados / Estou na sala de estar / No meu sofá aveludado / Porque… / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / Pobreza não quero mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que quero dizer…
TULA PILAR – Poemas da poeta Tula Pilar (1970- 2019)fez parte do Grupo Raizarte, um coletivo de música, dança e poesia atuante a partir de 2004 em Taboão da Serra e em muitos outros espaços culturais de São Paulo e outros estados. Participa de saraus, mesas e debates com foco nas mulheres menos favorecidas socialmente, na mulher negra e nos artistas e escritores da periferia. Encenou a performance (monólogo) “Eu sou uma Carolina”, na qual fazia um paralelo entre sua própria história e a de Carolina Maria de Jesus. Seus poemas foram publicados em antologias de coletivos de saraus e na Revista Ocas. Veja mais aqui.

A ARTE DE JOSEF ALBERS
Um pintor trabalha para formular com ou em cores... Minhas pinturas seguem a segunda opção. A ansiedade está morta. Quero que cor e forma tenham funções contraditórias.
JOSEF ALBERS – A arte do educador e artista alemão Josef Albers (1888-1976), que representa a transição entre a arte europeia tradicional e a nova arte estadunidense, incorporando uma forma de arte influenciada pelos Construtivistas e o movimento Bauhaus.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Às vezes a gente faz coisas sem pensar muito no porque delas ou nos seus sentidos mais profundos, e durante a pesquisa pro TCC eu percebi coisas sobre o Vidas que não tinha sequer imaginado. Nas relações entre os personagens e principalmente no impacto que esta história como um todo teve tanto na minha vida profissional/acadêmica quanto na minha vida pessoal. Comecei o Vidas quando ainda era adolescente, e quando terminei já tinha passado pra vida adulta. E a minha história era sobre isso: amadurecimento. Eu não podia imaginar que tanta coisa mudaria nesse tempo, mas meus personagens cresceram comigo (ou seria o contrário?) talvez seja por isso que esta história é tão especial pra mim, e eu sou muito grata pela oportunidade de escrever um TCC sobre um trabalho tão pessoal e fazer meus 4 anos da faculdade serem tão significativos.
MARY CAGNIN - A arte da premiada artista visual, ilustradora e quadrinista Mariana Cagnin, mais conhecida como Mary Cagnin, que é formada em Artes Visuais pela Unesp, tendo ilustrado diversos livros e revistas para várias editoras. Ela é autora dos premiados quadrinhos Vidas Imperfeitas, do spin-off Suzana, da ficção científica Black Silence e da webcomic Bittersweet, além de ministrar cursos e atuaro com sua arte em muitos espaços. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
MARCELINO FREIRE
Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases. Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar. Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho. Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda! Pode crer.
Texto Não escreva bonito, do escritor Marcelino Freire. Veja mais aqui.
A música da cantora Sônia Mello aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte de Susanna Motta aqui.
A poesia de Adriano Sales aqui, aqui & aqui.
Cinema Pernambucano aqui.
O Pastoril do Rabeca aqui.
A revista Ragú aqui,
Mapa Cultural de Pernambuco aqui.
O município de Maraial aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

terça-feira, novembro 28, 2017

BASHÔ, LÚCIO CARDOSO, CANETTI, CHAUÍ, MARCUS VIANA, BRUNA BEBER, ROCCO FORGIONE & IBIRAJUBA

BATICUM & TEIBEI - Imagem do artista italiano Rocco Forgione. - A coisa não está para brinquedo. Soludão de mesmo, só na vez do açodamento ou no calor da iminência. Maior teitei na lapada. Pronto, parece resolvido. Será? E quando vai ver: um labirinto de broncas. Dabou-se! Aí é a hora de ajeitar aqui, espichar ali, remendar acolá, e o que era pra sair bonito dá num monstrengo cada vez mais desfigurado. E agora vai ver a merda feita. Por conta disso, tomei uma atitude: não leio mais jornais, há tempos que as notícias são as mesmas, muda, apenas e, às vezes no muito, só os nomes, mas a situação é a mesma desde que nasci: a corda só arrebenta do lado desprevenido. E quem tem tempo pra se defender do imprevisível, hem? Também não assisto mais tevê: a programação parece a mesma de décadas, há sempre uma onda pra gente boiar, isto desde que inventaram um tal do zeitgeist, paradigmas para serem seguidos à risca, na boa. E como nem todo mundo anda na linha - que ninguém é besta, tá doido? -, há sempre aquela de um olho na missa e outro no padre. Esfrega pra enxergar: a desconfiança é geral. Também, pudera. Em quê acreditar, são outros quinhentos. Ah, sempre me disseram sob o signo da maior persuasão que quando chegasse aos cinqüenta, eu ia ver direitinho como é que é a cor da chita. Resultado: já passei disso e não vejo mais nada. Quando muito finjo que nem vejo, melhor. Vai que de repente topa com uma revolta no ar: vende-se este estrupício, pague qualquer coisa e leve essa desgraça pra você! Ora, faça-me um favor. Todo mundo só oferece o que não quer mais, filantropia com o imprestável. Quando não é isso, o despropósito no primeiro poste: corno é foda, tudo que vê quer ler. Sacou? Vamos e convenhamos: quando a emoção fala mais alto – ou melhor, quando a cabeça do cipó é quem manda no riscado, a gramática vai pro calão e se lasca toda! Isso se você não se ferrar junto, no maior desmantelo. E haja revertério. No meio disso é só meter o sarrafo! Maior esporro! De pensante vira asno e os disparates só fabricam teréns rocambolescos. Melhor brincar de palíndromo: a torre da derrota! Quem encara? É de sair arrolando a doação de órgãos pra quando bater as botas: os olhos quando nada, mistura as coisas com tudo duplo, córnea pra quê te quero: já era oftalmologista recorrente; cheirar que é bom dói no pulmão; músculos, tudo entrevado; coração batendo biela; fígado em petição de miséria; o prazer é ter de saber eficiente gestão de dores pra todo lado; afinal, no frigir dos ovos, o que é que presta mesmo pra serventia, hem? Nossa, a certidão de que já morreu e ninguém avisou. Resta apenas ficar brincando de bem ou malmequer com as lembranças, memórias fugidias, momentos felizes, decepções, vexames e quejandos. Fazer o quê? Melhor respirar fundo, olhar pros lados, se precaver e seguir adiante refugiado num dia qualquer do passado – remembranças e das muitas, essas ainda não apagaram. Aprendeu? Baticum & teibei. E boa sorte. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais 

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Pantanal, a suíte orquestral Olga, A música dos 4 elementos, Sete Vidas amores & guerras, Raio & Trovão, entre outras, do violinista, tecladista e compositor Marcus Viana. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA -  [...] O soberbo, no orgulho desmedido, considera que tudo lhe é permitido; abjeto, na humilhação desmedida, considera que nada lhe é permitido. O primeiro se torna dominador insolente; o outro, servo adulador, invejoso e ressentido. Ambos, submissos às suas paixões, são fonte de novas servidões, pois o soberbo julga-se livre porque domina e despreza os outros, enquanto o abjeto adulador imagina-se dependente dos favores do soberbo que, por deninção, nunca hão de vir. [...]. Trecho da obra Política em Espinoza (Companhia das Letras, 2003), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

MASSA & PODER – [...] Aqui, tudo se baseia na total ausencia de perturbações. Qualquer movimento é indesejável, todos os ruídos são execráveis.  [...] Apesar de tudo conservou-se nos nossos concertos uma pequena dose de descarga física. O aplauso representa a gratidão aos interpretes; trata-se de intercambio de um ruído breve e caótico por outro prolongando e bem organizado. [...] Os espectadores podem permanecer sentados; a paciência coletiva se torna visível em toda sua clareza. Todos têm a liberdade de sapatear, mas não se movem de seus lugares. Têm a liberdade de aplaudir com as mãos. Está prevista uma determinada duração para o espetáculo, e normalmente não há motivos para reduzi-la; pelo menos durante este tempo as pessoas permanecem juntas. E, durante este tempo, uma série de acontecimentos podem ocorrer. Não é possível saber de antemão de que lado e quando será marcado o gol, além disso, à margem destes acontecimentos centrais, muitos outros podem acopntecer que provocam manifestações ruidosas. A voz é ouvida com freqüência e em ocasiões distintas. [...]. Trecho da obra Massa e poder (EdUnB, 1983), do escritor e ensaísta búlgaro e Prêmio Nobel de Literatura de 1981, Elias Canetti (1905-1994). Veja mais aqui e aqui.

IBIRAJUBA – O municio de Ibirajuba é formando administrativa pelo distrito sede e pelo povoado do Alto de São Francisco, possuindo cachoeiras, além de cavernas com pinturas rupestres. Trata-se de vocábulo indígena que significa "árvore amarela", do tupi ybirá: árvore, tronco, madeira; e yuba: amarelo, louro. Originou-se do povoado de Gameleira, árvore comum na localidade. Pertencia ao município de Altinho, sendo criado pela Lei estadual nº 4.943, de 20 de dezembro de 1963 e instalado em 19 de junho de 1964. Possui muitas pedras em seu território, as mais famosas são as duas pedras de Delmiro, um comerciante da região. Localizada em plena Serra da Mandioca, no centro da cidade, existe um açude, que antes de sua escavação, aquela área abrigava a grande e frondosa gameleira, que nomeou a cidade. Veja mais aqui.

DIÁRIO DE ANDRÉ - [...] Que é o para sempre senão o existir continuo e líquido de tudo aquilo que é liberto da contingência, que se transforma, evolui e deságua sem cessar em praias de sensações também mutáveis? Inútil esconder: o para sempre ali se achava diante dos meus olhos. Um minuto ainda, apenas um minuto – e também este escorregaria longe do meu esforço para captiá-lo, enquanto eu mesmo, também para sempre, escorreria e passaria – e comigo, como uma carga de detritos sem sentidos e sem chama, também escoaria para sempre meu amor, meu tormento e até mesmo minha própria fidelidade. Sim, que é o para sempre senão a última imagem deste mundo – não esxclusivamente deste, mas de qualquer mundo que se enovele numa arquitetura de sonho e de permanência – a figuração de nossos jogos e prazeres, de nosos achaques e medos, de nossos amores e de nossas traições – a força enfim que modela não esse que somos diariamente, mas o possível, o constantemente inatingido, que perseguimos como se acompanha o rastro de um amor que não se consegue, e que afinal é apenas a lembrança de um bem perdido – quando? – num lugar que ignoramos, mas cuja perda nos punge, e nos arrebata, totais, a esse nada ou a esse tudo inflamado, injusto ou justo, onde para sempre nos confundimos ao geral, ao absoluto, ao perfeito de quie tanto carecemos. [...]. Trecho extraído da obra Crônica da casa assassinada (Cibilização Brasileira, 2009), do escritor, jornalista, dramaturgo e pintor Lúcio Cardoso (1912-1968). Veja mais aqui.

LADAINHA POEMAS 29, 79 & 97 – 29 – Laura me leva para a água / Não é só assim que somos felizes / Mas aqui somos mais / É bom passar minúsculos / Olhando para uma coisa só / Como se nunca tivéssemos inventado / Uma imagem sequer do futuro / E então ficamos cerca de um minúsculo / Olhando para o mar e fingindo / Que o movimento das ondas / Era parecido com estender lençóis / E quem as estendia éramos nós / Você sabe, a água não para de ser água / E nós não parávamos de tentar ] Arrumar o mar, que não nos incomoda / Ele é um peixe amando outro peixe / Laura gosta de arrumar a cama / Todos os dias, eu desligo o ventilador / Porque a cama é um tipo de mochila / De encosta, de bandeja, de sola de pé / Para os morcegos; prisma ao que gosta / de dormir, balcão ao que gosta de acordar / Não sei explicar mas é como chegar na água / E saber nadar, muito mais ainda assim e por tudo / É sobre conseguir chegar naquilo que eu sou / E cada vez mais perto daquilo que sou com alegria / É uma camisa de força do avesso / Muito boa para mergulho - 79 - Poder é perigo / e hoje acordei / rindo / Dom é tom / e hoje acordei / rindo / Querer é criatura / e hoje acordei / rindo / Na cara a boca / na pia o prato / sujos de feijão. 97. - Escrever é irmão / do andar e primo / do voltar, substitua / No inverno é bom / Escrever com calma / e inventar um cinzeiro flutuante / chegar e sair descalço do poema / No verão bombom / Escrever é sempre / o tempo é uma mula elástica em fuga / e se conselho fosse bom / Sair na rua de moletom. Poemas recolhidos da obra Ladainha (Record, 2017), da poeta e tradutora Bruna Beber.

4 HAICAIS DE BASHÔ
 
O sol de inverno:
a cavalo congela
 a minha sombra.

Chuva de verão
perna de garça
então se torna curta.

Que lua, que flor
nada, bebo umas doses
aqui sozinho.

Quero ainda ver
nas flores no amanhecer
 a face de um deus.
Extraídos do livro Complete Basho Haiku in Japanese (State University of New York Press, 2004), do poeta japonês Matsuo Bashô (1644-1694).

Veja mais:

A poesia de William Blake aqui, aqui, aqui & aqui.
A literatura de Stefan Zweig aqui e aqui.
O pensamento de Claude Lévi-Strauss aqui e aqui.
A literatura de Érico Veríssimo aqui, aqui e aqui.
A psicanálise de Erich Fromm aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista italiano Rocco Forgione.
Veja mais aqui.
 

terça-feira, junho 02, 2009

YIANNIS RITSOS, MARY WOLLSTONECRAFT, HEINE, MARIA BARROSO, DANIELLE DARRIEUX, CALAMITY JANE & RESPONSABILIDADE SOCIAL



A arte da atriz e cantora francesa Danielle Darrieux (1917-2017) que trabalhou em mais de uma centena de filmes para o teatro, cinema e televisão.


PRECISA-SE SABER DE DEMOCRACIA, DITADURA E DIREITOS – UMA: DO PERÍODO DE CHUMBO E TREVA - Era eu ainda menino quando deu-se o Golpe de 1964. Meu pai tinha lá pelos 20 e poucos anos, era assessor de um secretário do Governo Arrais e cagou-se todo quando chegou um batalhão lá em casa com a sua exoneração embaixo de interrogatório ineivado. O susto foi tão grande que ele morreu com os dois colhões do lado direito das pernas, nunca mais quis saber de comunismo ou da falácia de coisas públicas pro povo. Falar de povo ou se expressar a favor disso sempre foi coisa de comunista no Brasil. Até hoje é assim. Eu cresci e vivi toda a adolescência até a adulteza todo esse processo e lembro bem do que falava Maria Barroso lá de Portugal: Vivíamos em ditadura e era preciso ter coragem para tomar uma atitude contra o regime. O meu pai teve-a. E valeu a pena ter vivido. Apesar de todas as contrariedades, de todos os revezes, de todas as encruzilhadas. Passei tempos muito difíceis quase desde que nasci. Mas acreditei sempre. Assim foi no Brasil de 1964 até começar o processo de redemocratização e a gente pelejar até hoje para que o país tenha plenitude democrática, tentando erradicar a tortura e as penas cruéis tão vigente durante o regime ditatorial. Sinto apenas que a coisa vai para frente e para trás, como se um passo adiante e, em seguida, uns trocentos em retrocesso. Sei não, persisto, apesar do Fecamepa. DUAS: A DEMOCRACIA É FALÁCIA OU QUE DROGA QUE É? - Para saber o que é definitivamente democracia entrei na faculdade de direito e meti as catanas à cata de melhor entendimento. Primeiro, Aristóteles: A democracia é o governo nas mãos de homens de baixa extração, sem posses e com empregos vulgares. Hummm. No meio a risadagem do Henry Louis Mencken: A democracia é a arte e ciência de administrar o circo a partir da jaula dos macacos. Não menos risível chegou o Bernard Shaw: A democracia é apenas a substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes. Aí para embananar veio o Norberto Bobbio dizendo tratar-se de uma promessa não cumprida: Se a democracia não consegue derrotar por completo o poder oligárquico, é ainda menos capaz de ocupar todos os espaços nos quais se exerce um poder que toma decisões vinculatórias para um inteiro grupo social. Aí a coisa complicou. Tive que participar de um congresso em São Paulo, para ouvir a Marilena Chauí expressar: A democracia é invenção porque, longe de ser a mera conservação de direitos, é a criação ininterrupta de novos direitos, a subversão contínua dos estabelecidos, a reinstituição permanente do social e do político. Ah, tá. Trata-se, então, de um processo, a gente, eu & você que teremos que construir de verdade. Vamos nessa. TRES: QUEM SABE QUAIS DIREITOS - Foi quando comecei a assimilar que a democracia é a efetivação dos direitos, sejam civis, sociais, políticos e difusos na convivência humana. A Constituição de 1988 havia sido promulgada e perguntava a um e a outro o que entendiam por direito e a respostas era cada uma que chega eu me arrepiava. Tentava explicar e sempre levei na cara o desdém. Foi aí quando resolvi usar de Pedro Demo: Os direitos passam a concessão. O Estado já não cumpre deveres, mas doa favores. Os líderes fundam o povo, não o contrário. A legitimidade não se elabora na criação comunitária, mas se decreta. Qualidade política é aquela do homem como ator e criador de si mesmo. Como estratificador e distribuidor da desigualdade social. Como produtor de utopias e futuros melhores. Como conquista humana. Olhavam para mim com aquela cara de “Sei...” e davam-me as costas. Persigo e tento perseverar. Vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


DITOS & DESDITOS - Toda a minha atuação está numa linha de continuidade de tudo o que fiz quando era jovem. Quando olho para a minha cara, vejo o envelhecimento que houve, mas sinto que é a ordem natural das coisas. Os africanos costumam dizer que quando um velho morre é uma biblioteca inteira que desaparece. Ao amor? Fazem-se as concessões que entendemos que devemos fazer porque amamos, porque estamos dispostos a sacrificar tudo para demonstrar o nosso amor a outro ser humano. Fui sempre tímida na maneira de estar no mundo, mas determinada na defesa dos valores que entendia que eram fundamentais. Que as jovens que se sentem vocacionadas para o teatro se não prestem à representação de obras sem qualidade. Que estudem e façam da representação uma atividade exigente e muito séria. Que não cedam à facilidade e à sedução do dinheiro – fazê-lo é retirar toda a dignidade e nobreza de que essa atividade se deve revestir. Um ator não se pode vender – tem de ser um cidadão responsável e consciente do papel que lhe cabe na sociedade, ajudando a enriquecê-la, a humanizá-la e a dignificá-la. Pensamento da atriz, professora e ativista portuguesa Maria Barroso (1925-2015).

ALGUÉM FALOU: O homem que se contenta em viver com uma companheira bela e útil, mas que não usa a mente perdeu em satisfações voluptuosas o gosto por deleites mais refinados; nunca sentiu a calma satisfação que refresca o coração sedento de ser amado por alguém que poderia entendê-lo. Mesmo na companhia dessa esposa, ele ainda está sozinho, a menos que aceite submergir no estado de animal. Eu não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens; mas sobre si mesmas. Pensamento da escritora inglesa Mary Wollstonecraft (1759-1797), que, entre outras obras, escreveu Uma reivindicação pelos direitos da mulher (1792), na qual ela argumenta que as mulheres não são, por natureza, inferiores aos homens, mas apenas aparentam ser por falta de educação e escolaridade. Ela sugere que tanto os homens como as mulheres devem ser tratados como seres racionais, e concebe uma ordem social baseada na razão. Ela é considerada uma das fundadoras do feminismo filosófico. Veja mais aqui & aqui.

ALGUÉM FALOU DE NOVO: Não há nada mais silencioso do que um canhão carregado. Pensamento do poeta romântico alemão Heinrich Heine (1797 – 1856). Veja mais aqui e aqui.

CALAMITY JANE – A comédia, musical e faroeste Calamity Jane (no Brasil Ardida como Pimenta, 1953), dirigido por David Butler, conta o romance de Jane Calamidade, uma adaptação para o que seria, na verdade, a vida de Martha Jane Canary-Burke (1852-1903), mais conhecida como Calamity Jane ou  Jane Calamidade), uma famosa aventureira que viveu nos tempos do Velho Oeste estadunidense, uma guia que lutou contra os ameríndios. A sua mãe era prostituta e i seu pai um pobre fazendeiro e viciado em jogo. Aos 13 anos mudou-se em busca de trabalho, nessa viagem sua mãe falece e seu pai abandonou os seus irmãos, os quais ela passou a criar sozinha. Recorreu à prostituição até alistar-se na cavalaria, tendo permissão para entrar na luta como combatente, provando ser uma soldado capaz, razão pela qual foi batizada pelo capitão como Calamity Jane. Ela possuía uma personalidade única, sem se importar com o que dissessem ou pensassem dela, forte e independente.

INELUTÁVEL - Tarde sombria como um bolso vazio. / No fundo do bolso um buraco doce, penugento. / Por lá passas um dedo em segredo, / tocas a própria coxa como se tocasses / outro corpo, maior, estranho, profundo / — o corpo da noite ou da tua morte. / Por esse buraco caem as moedas todas, / mesmo as de ouro, cunhadas com a efígie / esplêndida e jovem do Príncipe dos Lírios. Poema do poeta e tradutor grego Yiannis Ritsos (1909-1990).




RESPONSABILIDADE SOCIAL - Muito da discussão sobre a ética na administração tem sua origem na opinião de que as organizações têm responsabilidades sociais, ou seja, elas têm a obrigação de agir no melhor interesse da sociedade. Portanto, devem pautar sua ação pelo princípio do estágio pós-convencional de desenvolvimento moral. Esta opinião representa uma ampliação da idéia da responsabilidade social dos indivíduos, idéia que, assim como toda a discussão sobre ética, é herança que a sociedade moderna recebeu da antigüidade clássica. No contexto da responsabilidade social, a ética trata essencialmente das relações entre pessoas. Se cada um deve tratar os outros como gostaria de ser tratado, o mesmo vale para as organizações. Ética, portanto, é uma questão de qualidade das relações humanas e indicador do estágio de desenvolvimento social. Não há discussão sobre o fato de que as organizações, assim como os indivíduos, têm responsabilidades sociais, à medida que seu comportamento afeta outras pessoas e, querendo elas ou não, há pessoas e grupos dispostos a cobrar essas responsabilidades por meio do ativismo político, da imprensa, da legislação e da atuação nos parlamentos. Porém, existem duas correntes a esse respeito, cada uma delas com argumentos fortes. São elas doutrinas, a primeira delas, da Responsabilidade Social, onde a empresa usa recursos da sociedade e tem responsabilidades em relação à sociedade. A segunda, Doutrina do Interesse do Acionista, onde não cabe à empresa resolver problemas sociais e a única responsabilidade que a empresa tem é com relação a seus acionistas.
RESPONSABILIDADE SOCIAL – A primeira corrente é a que reconhece a responsabilidade social das organizações de forma geral e das empresas em particular. O princípio da responsabilidade social baseia-se na premissa de que organizações são instituições sociais, que existem com autorização da sociedade, utilizam os recursos da sociedade e afetam a qualidade de vida da sociedade. Um dos principais representantes dessa corrente Andrew Carnegie, fundador da U. S. Steel, que em 18999, nos Estados Unidos, publicou "O evangelho da riqueza", livro no qual estabeleceu os dois princípios da responsabilidade social corporativa: caridade e zelo. Esses princípios baseavam-se numa visão paternalista do papel do empresário em relação aos empregados e aos clientes. O princípio da caridade, segundo Carnegie, diz que os indivíduos mais afortunados da sociedade evem cuidar dos menos afortunados, compreendendo desempregados, doentes, pobres, pessoas com deficiências físicas. Esses desafortunados podem ser auxiliados diretamente ou por meio de instituições, como igrejas, associações de caridade ou movimentos de auxílio. A obrigação é do indivíduo, não de sua empresa, e o indivíduo decide qual o valor da caridade que pretende praticar. Na década de 20, nos Estados Unidos, a Grande Depressão aumentou enormemente as necessidades comunitárias, o que estimulou o movimento das empresas com o princípio da caridade. Já o princípio do zelo, derivado da Bíblia, estabelece que as empresas e indivíduos ricos deveriam enxergar-se como depositário de sua propriedade. Segundo Carnegie, os ricos têm seu dinheiro com a confiança do resto da sociedade e podem usá-lo para qualquer finalidade que a sociedade julgar legítima.  O papel da empresa é também aumentar a riqueza da sociedade, por meio de investimentos prudentes e uso cauteloso dos recursos sob sua responsabilidade.  A idéia de responsabilidade social, embora não seja nova, ganhou muita força quando a deterioração dos ecossistemas, provocada pela poluição, estimulou o debate sobre os benefícios e malefícios da sociedade industrial. As conseqüências indesejáveis da industrialização aguçaram a consciência ecológica de certos segmentos sociais e motivaram o surgimento de grupos de ativistas que se propuseram a combater o comportamento socialmente irresponsável de certas empresas ou ramos de negócios, como os madeireiros, os caçadores de baleias e a indústria de peles de animais. Devido às pressões que nasceram de todos esses movimentos, muitos países estabeleceram legislações severas sobre essas questões. A existência dessa legislação é um dos principais fatores que as empresas devem levar em conta ao tomar decisões que envolvem considerações de ordem ética. Outra base para a aceitação da doutrina da responsabilidade social é a proposição de que as organizações provocam efeitos que nem sempre são bons para seus relacionamentos com fornecedores, funcionários, clientes, enfim, todos que fazem parte da relação empresarial. Seus benefícios para a coletividade são contrabalançados pelos prejuízos que, involuntariamente, muitas vezes causam. Os benefícios podem ser percebidos através da criação de empregos, pagamentos de impostos e salários, promoção da distribuição da renda, desenvolvimento de fornecedores e treinamento da mão-de-obra.             Quanto aos prejuízos, pode-se detectar danos ao ambiente, utilização e manipulação dos empregados, demissões, desemprego, relações suspeitas com o poder, corrupção de funcionários públicos, dentre outras. Concernente à Doutrina do Interesse do Acionista, esta corrente alternativa da responsabilidade social propõe que as empresas têm obrigações primordialmente com seus acionistas. O representante mais conhecido dessa doutrina é Milton Friedman, economista da Universidade de Chicago. Ele afirma que a principal responsabilidade das empresas é maximizar o lucro do acionista. De acordo com este ponto de vista, a ética das decisões de negócios consiste em procurar as alternativas que produzam mais dinheiro, porque esta diretriz promove a utilização mais eficiente e eficaz dos recursos individuais, organizacionais, sociais e ambientais. Segundo Friedman, os administradores não têm condições de definir as prioridades nem as necessidades de recursos dos problemas sociais e devem concentrar-se naquilo que é fundamental para as empresas, ou seja, fazer dinheiro. A solução dos problemas sociais deve ser entregue às pessoas que se preocupam com eles e ao governo. No entanto, se o sistema de valores sempre orientasse as organizações para o benefício dos clientes, funcionários e fornecedores, ou para proteção do ambiente e dos recursos naturais, não seria necessário estabelecer multas e punições precisamente para forçar a obediência a esses comportamentos. Entretanto, a sociedade vê-se obrigada a criar o Código de Defesa do Consumidor, ou a Lei de Proteção dos Mananciais, ou a Lei do Colarinho Branco e outros controles para impedir a liberação de poluentes na atmosfera ou o despejo de petróleo no mar. Questões como essas sempre estiveram no centro da discussão sobre a ética. A primeira motivação para que as organizações se preocupem com questões éticas é precisamente a obrigação de seguir esses códigos. O Código de Defesa do Consumidor nasceu como resposta da sociedade aos danos, voluntários e involuntários, provocados pelos fornecedores de produtos e serviços. Mau atendimento, produtos inseguros para crianças e adultos, descumprimento de promessas e falha ou atraso na entrega de produtos são problemas que não contava com legislação específica para a defesa do consumidor. O código surgiu para evitar esses e inúmeros problemas, desde a informação falsa na propaganda até a falta de peças para os automóveis que saem de linha, para não falar no comportamento manifestamente desonesto ou irresponsável de algumas empresas, como as fábricas de alimentos e medicamentos. O código é apenas decorrência da preocupação e das reivindicações de grupos de pressão dentro da sociedade em favor da defesa dos consumidores. Sua existência ajudou a acentuar essa preocupação, disseminando novos hábitos e normas sociais. A principal conseqüência, provavelmente, é a criação do hábito de reclamar e, em seguida, usar o mecanismo de defesa que o código oferece. A desobediência ao código, como a qualquer outro tipo de legislação, pode acarretar sérios transtornos para a empresa. Desde os custos da não-qualidade até a possibilidade de ações legais, passando pela perda de clientes e projeção de má imagem, são inúmeros os motivos para que as empresas prestem atenção ao código. Como a ignorância da lei não pode ser invocada como justificativa para desobedecê-la, estudar e informar os funcionários sobre o código e outros dispositivos legais tornou-se necessidade da administração moderna. A nova ética da conduta em relação aos consumidores é, no mínimo, aquela que o código estabelece. Já a proteção do ambiente é motivada pelas mesmas razões da defesa do consumidor. Por isso, há inúmeros dispositivos que estabelecem regras para o comportamento em relação ao ambiente, bem como punições em caso de desrespeito. Da mesma forma como aconteceu a defesa do consumidor, a proteção do ambiente passou para a esfera legal. Além disso, não há empresa preocupada com ambiente sua imagem que queira parecer de alguma forma irresponsável nesse aspecto. Porém, a nova ética em relação ao ambiente não decorre apenas das imposições legais, porque há aspectos da conduta desejável que a lei não prevê. São aqueles aspectos enfatizados pela consciência social de setores específicos da sociedade. Supor que a nova ética ou qualquer ética, seja motivada apenas pelo receio das punições é incorreto. Muito da preocupação com a ética advém da necessidade de administrar comportamentos que a experiência demonstra serem duvidosos. Julgar indesejável algum comportamento é o primeiro passo para transformá-lo numa questão ética. De outro lado, há os comportamentos que estão definitivamente no terreno da incerteza. Os códigos de ética são conjuntos de normas de conduta que procuram oferecer diretrizes para decisões e estabelecer a diferença entre certo e errado. A preparação de códigos organizacionais de ética tornou-se prática relativamente comum a partir dos anos 90.
CONCLUSÃO - A responsabilidade social das empresas estão se tornando cada vez mais como um processo de conscientização empresarial e de ajustamento social no relacionamento empresa e comunidade. Algumas atividades são desenvolvidas neste sentido, a exemplo do Balanço Social, onde as empresas destinam parcelas de seus lucros para a manutenção de uma atividade social de benefício para uma comunidade estabelecida. No Brasil, por exemplo, o Balanço Social é voluntário tendo em vista ainda não se tornar em lei que, ainda, tramita no Congresso Nacional. O Código de Defesa do Consumidor tem sido um importante instrumento legislativo para coibir abusos e outras nocivas práticas. A legislação ambiental tem se tornado amplamente praticada, punindo ações e comportamento danosos aos recursos naturais e às populações limítrofes de empreendimentos empresariais. Conta-se, portanto, que desde da promulgação da Constituição Federal em vigência, que a preocupação com o social se estendeu para pessoas físicas e jurídicas, no sentido de coibir desmandos e desvios de condutas pessoais e empresariais. Trata-se, assim, de um instrumento de solidariedade humana contribuinte do exercício da cidadania, considerando-se que as empresas atuam numa comunidade determinada, dela auferem lucros, expandem-se e conseguem atingir um raio superior de atuação até o alcance absoluto de empreendimento exitoso, sem que, além da obrigatoriedade tributária de recolher seus impostos, deve fazer retornar parcela de seus lucros para as comunidades que se avizinham ou estão contidas em seu raio de ação. A iniciativa da responsabilidade social das empresas, defendidas pelas forças progressivas empresariais no mundo inteiro, faz parte de uma nova realidade de relacionamento entre a empresa e o seu meio de atuação.
REFERÊNCIAS
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