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domingo, outubro 09, 2022

SYLVIA PLATH, SANTIAGO KOVADLOFF, CARBONELL & POWER PAOLA

 

 Ao som do álbum Revelation (Sortie Automne, 2014), do trio Dreisam, formado pela flautista/saxofonista Nora Kamm, pelo pianista Camille Thouvenot e pelo baterista/percussionista Zaza Desiderio.

 

TRÍPTICO DQP: - Uma fábula do balaio oniricaleidoscópico... - Escapando aqui & ali & acolá, voo pelos mata-burros e mato sem cachorro, pelas paredes surdas ao desabafo do que odeio para me salvar. Tenho comigo os ecos hesitantes de Valery, relido O manual de falhas de Ignácio de Loyola Brandão, a perseguir d’O tempo de vidro de Samarone Lima n’O angu de sangue de Marcelino Freire. Um total de cenas descosidas & disparatadas, plasmadas dos sonhos de quem deu partida para uma chegada improvável, mais morto do que vivo e fazendo contas ainda com o ovo no cu da galinha. Tenho comigo as rainhas da alma de Puschkin e me assustei com o truísmo dum tatu peba que me contou que o Boitatá se alimentava dos olhos dos mortos. No frigir dos ovos, roubaram mesmo meu silêncio. E Wittgenstein me dizia: Acerca daquilo que não se pode falar deve-se silenciar. Ademais, na minha cabeça repetia Santiago Kovadloff: O que significa ouvir o silêncio se não ouvir o que não pode ser dito? É por isso que se pode dizer que o ruído triunfa, mais do que onde se ouve, onde não se deixa ouvir. Ora, ora. Tinha mais: dentro de mim muito mais que Sylvia Plath: Sou habitada por um grito. / Toda noite ele voa / à procura, com suas garras, de algo para amar. Com essa barulhada toda sigo abalado, confesso e vivo cantando e contando hestórias...

 


Pedra do Rodeador – Imagem do artista visual Mané Tatu. - Pratrasmente o Fecamepa é um despautério, maior esculhambação! Quem diria que havia gente assim escondida atrás dos volantes ou birôs, e se achando os melhores e de bem. Ah, não. Fugi disso. Ontem mesmo fui pro lugar do encanto e lá ouvi vozes e tons invisíveis. Cruzei sem-terras com fitas azuis e verdes às mãos dos que eram braçais da escravidão e que formavam o ajuntamento da sesmaria do sítio, feito prosélitos do Bom Jesus da Lapa, os Procuradores de Jesuisis. No semblante aguardavam juntamente com sabidos e ensinados o retorno do Sebastião de Alcácer Quibir para o reino da felicidade. E toda parentela seguia atraída pela riqueza e negócios para comandar o mundo e corrigir as coisas erradas do Ribeira, dos Bezerros, dos cariris velhos, dali mesmo do futuro próspero arraial: Reino do Paraíso Terreal. E isso enquanto os conversos no oratório com santos louvores para devoção do terço e da santa pedra. Eu que tinha vindo do outro lado distante, fugindo de estranhas e complicadas tramas doutros de face desfeita e voz de vento que estavam prontos para aniquilar o arraial sebástico com as fogueiras do Bonito e nem sabia, fiquei pasmo e à toa. Ah, não, eu já me escondia deles porque sabia que por trás dos disfarces grotescas criaturas com um grande elenco de trapalhadas inconvenientes com o raro talento de desmanchar reviravoltas e a enorme capacidade de desancar toda sorte de coisas com suas eutanásias dolosas na cartada final, os bem-aventurados de Joel Silveira: o mal de Deus é que ele exagera muito quando quer agradar a alguém... Logo os que se achavam cara-pálidas amargos e odiados, e do outro lado, santa ingenuidade. Quando se trata de coisa dessa natureza, nunca se sabe. O tempo é esse de hoje, mas como se fosse outro dantanho. Taí onde estou sempre: no meio de trapaceiros e flagelados.

 


Garimpagem da fronteira... – Imagem da cartunista colombiana Power Paola. - Sigo adiante, o caótico e o fragmentário dos palimpsestos, como se me comovesse demais depois do terceiro gole. É que o que urdi me levou ao desesperador erro de cálculo e me senti como um cacho de pitomba condenado ao ostracismo. Quantas versões para minha morte: desapareci tragado por outra dimensão verbivocovisual e lá estava lindamente Power Paola: O que eu quero da vida? Em todas as histórias há apenas histórias... Levantou-me como se eu não tivesse deus porque estava estendido no chão, fraturas expostas, sutura alguma, as minhas melancolias e as mercadorias felizes. Fez-se parelha e foi muito bom tê-la caminhando ao meu lado. Caiu a ficha de tudo que vivi - aprendi com o mundo e o dia-a-dia para achar o ponto de equilíbrio de Sivuca: Não ter nada e, ainda por cima, nem dever a ninguém. E me senti com o teor prismático da experiência: sou eu todo retorcido. Vambora, até mais ver.

 


A função do professor não é ditar pensamento, mas ensinar a pensar...

Pensamento do jornalista e pedagogo espanhol Jaume Carbonell. Veja mais Educação & Livroterapia aqui & aqui.

 



sexta-feira, março 20, 2020

JOSEF ALBERS, TULA PILAR, MARIA LACERDA DE MOURA, MARY CAGNIN & MARCELINO FREIRE


O AMOR EM TEMPOS DE COVID-19 – UM DIA A MAIS – Um dia a mais e preciso estar longe para que possa viver. O desejo de beijá-la é imperioso, porém inexequível, só para saber a dor que a morte iminente tem de nunca mais correr risco. Estamos diante do inexplicável. Sigo por mais um dia porque não se sabe se haverá depois de amanhã e hoje não mais, só a esperança de quem não pode fazer nada além de viver o possível. Ontem ficará até esquecimento. Não acredito mais no que vejo ou ouço, mentiras demais e o que resta. Não tenho país, sou da Terra das Águas e de todos os meus semelhantes do planeta. Dei minhas mãos e nas dela sou sua flor, ela em mim. E com ela eu vou. Quando chegar a hora, estarei pronto para a viagem. Até amanhã ou nunca mais. PS: lendo em voz alta Caio Fernando Abreu: Vamos dizer adeus aos pensamentos tristes e que só restem boas lembranças. Só reste amor no peito, pois no fim o que vale a pena é ser feliz. Voo adiante. DUAS LAPADAS PARA VIVER - Aleatoriamente abri o livro numa página qualquer, era Menotti Del Pichia: Esta vida é um punhal de dois gumes fatais: não amar é sofrer; amar é sofrer mais. Refleti e não desisti, a vida insiste e eu vivo a seguir. A visita agora é de Friedrich Hölderlin, que expressou ao meu ouvido: Vamos esquecer que existe um tempo e não vamos contar os dias da vida! E seus versos oxigenaram a minha esperança: Quando eu era jovem, de manhã alegrava-me, / de noite chorava; hoje que sou mais velho, / começo duvidoso o meu dia, mas / sagrado e sereno é o seu fim. Persevero e persisto. TRÊS PRA MATAR A CHARADA – Bem-vinda a lição de Marilena Chauí: A busca da verdade está sempre ligada a uma decepção, a uma desilusão, a uma dúvida, a uma perplexidade, a uma insegurança, ou então, a um espanto e uma admiração diante de algo novo e insólito. Interrogação ambulante, o insólito me seduz e me espanto, admiração por tudo ao meu redor e mais, vivo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Renovar-se ou morrer. Frase da escritora, professora, anarquista e feminista Maria Lacerda de Moura (1887-1945), que em sua obra Renovação (1919 – UFC, 2015), expressa que: Os preconceitos, as tradições, a educação transmitida pelas gerações sucessivas — cegam-nos. O homem não é um ser emancipado e ao seu egoísmo não convém a emancipação feminina. É indispensável que a mulher trabalhe pela mulher. Já na sua obra Ferrer, o clero romano e a educação laica (Paulista,1934), ela diz que: A covardia mental é a mais poderosa das armas reacionárias. Por fim, na sua obra A mulher é uma degenerada? (Civilização Brasileira, 1982), ela expressa que: [...] De que vale a igualdade de direitos, jurídicos e políticos para meia dúzia de privilegiadas, tiradas da própria casta dominante, se a maioria feminina continua vegetando na miséria da escravidão milenar? É preciso sonhar mais alto ainda e abranger todo o mundo feminino no mesmo laço de igualdade social, no mesmo beijo de solidariedade humana, no mesmo anseio para a Fraternidade Universal. […] Trata-se, não da filantropia de um dia, sim da renovação social para uma sociedade de onde se excluirá a caridade humilhante — que a solidariedade entre irmãos afasta o gesto de proteção. [...] A coeducação se impõe. Que todas sejam educadas ao lado do homem. As profissões liberais ao alcance de ambos os sexos. O que é preciso é educar a mulher para o lar e ao mesmo tempo para a sociedade, isto é, para a plenitude do seu desenvolvimento, para a sua individualidade. Uma cousa não exclui a outra. [...] A mulher educada será força de resistência contra a avalanche devastadora e preparará o advento da verdadeira civilização na qual não haverá lugar para a exploração do homem pelo homem. [...]. Durante sua trajetória pioneira, ela esteve ligada ao Movimento Associativo Feminino e ao Movimento Operário, colaborando com Bertha Lutz e presidindo a Federação Internacional Feminina, fazendo conferências pacifistas que desencadeou a campanha antifacista no país. Veja mais aqui.

A POESIA DE TULA PILAR
DELÍRIO: Delírio dos corpos que se movem na penumbra da noite / Peles que se roçam na escuridão / Silhuetas dançantes ao clarão do luar / Que invadem as frestas do canto reservado para o acontecer / Fumaças e cheiros… / Um liquido licoroso na taça, adoçará ainda mais o delírio que se pretende sentir entorpecendo a razão / Bíceps Troncudo circunda o pescoço um do outro / Protegem alternados movimentos frenéticos no chão de estampas / De ladrilhos recém cobertos por colcha de retalhos escrito palavras ousadas / Caçada incontida, sorriso para seduzir, prazer infinito… / A noite já se faz dia / Sentimentos romperam a aurora / Vidraças fechadas, sol querendo entrar / Figuras desnudas adormecidas / Sobre a colcha de retalhos escrito palavras ousadas.
SOU UMA CAROLINA: Sou uma Carolina / Trabalhei desde menina / Na infância lavei, passei, engraxei… / Filhos dos outros embalei / Sou negra escritora que virou notícias nos jornais / Foi do Quarto de Despejo aos programas de TV / Sou uma Carolina / Escrevo desde menina / Meus textos foram rasgados, amassados, pisoteados / Foram tantos beliscões / Pelas bandas lá de Minas / Eu sou de Minas Gerais / Fugi da casa da patroa / Vassoura não quero ver mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que quero dizer / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / A negra escritora que foi do Quarto de Despejo / aos programas na TV / Hoje uso salto alto / Vestido decotado, meio curto e com babados / Estou na sala de estar / No meu sofá aveludado / Porque… / Sou uma Carolina / Feminino e poesia / Pobreza não quero mais / A caneta é meu troféu / Borda as palavras no papel / É tudo o que quero dizer…
TULA PILAR – Poemas da poeta Tula Pilar (1970- 2019)fez parte do Grupo Raizarte, um coletivo de música, dança e poesia atuante a partir de 2004 em Taboão da Serra e em muitos outros espaços culturais de São Paulo e outros estados. Participa de saraus, mesas e debates com foco nas mulheres menos favorecidas socialmente, na mulher negra e nos artistas e escritores da periferia. Encenou a performance (monólogo) “Eu sou uma Carolina”, na qual fazia um paralelo entre sua própria história e a de Carolina Maria de Jesus. Seus poemas foram publicados em antologias de coletivos de saraus e na Revista Ocas. Veja mais aqui.

A ARTE DE JOSEF ALBERS
Um pintor trabalha para formular com ou em cores... Minhas pinturas seguem a segunda opção. A ansiedade está morta. Quero que cor e forma tenham funções contraditórias.
JOSEF ALBERS – A arte do educador e artista alemão Josef Albers (1888-1976), que representa a transição entre a arte europeia tradicional e a nova arte estadunidense, incorporando uma forma de arte influenciada pelos Construtivistas e o movimento Bauhaus.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Às vezes a gente faz coisas sem pensar muito no porque delas ou nos seus sentidos mais profundos, e durante a pesquisa pro TCC eu percebi coisas sobre o Vidas que não tinha sequer imaginado. Nas relações entre os personagens e principalmente no impacto que esta história como um todo teve tanto na minha vida profissional/acadêmica quanto na minha vida pessoal. Comecei o Vidas quando ainda era adolescente, e quando terminei já tinha passado pra vida adulta. E a minha história era sobre isso: amadurecimento. Eu não podia imaginar que tanta coisa mudaria nesse tempo, mas meus personagens cresceram comigo (ou seria o contrário?) talvez seja por isso que esta história é tão especial pra mim, e eu sou muito grata pela oportunidade de escrever um TCC sobre um trabalho tão pessoal e fazer meus 4 anos da faculdade serem tão significativos.
MARY CAGNIN - A arte da premiada artista visual, ilustradora e quadrinista Mariana Cagnin, mais conhecida como Mary Cagnin, que é formada em Artes Visuais pela Unesp, tendo ilustrado diversos livros e revistas para várias editoras. Ela é autora dos premiados quadrinhos Vidas Imperfeitas, do spin-off Suzana, da ficção científica Black Silence e da webcomic Bittersweet, além de ministrar cursos e atuaro com sua arte em muitos espaços. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCO ART&CULTURAS
MARCELINO FREIRE
Escrever bonito é uma merda. Não queira esse elogio de ninguém. Loa tipo essa: você escreve tão bem. Você nos toca. Ave nossa! Fuja dessa mentira. Dessa falácia! Não procure palavras gloriosas. Maquiagens pesadas. Botox nas frases. Bom é verbo velho. Enrugado. O peso exato de cada parágrafo. Nem mais nem menos. Fique longe, sempre digo, de qualquer sentimento. Releia, agorinha, aquele seu conto. Ponto por ponto. Se, aqui e ali, você parar a leitura para suspirar. Jogue fora o suspiro. Tudo que for adjetivo elevado. Enganoso. Xô, ao lixo! Não presta para a poesia o que é cerimonioso. Solene. Também não invente termos acadêmicos. Gregos pensamentos. Arrodeios na língua. Lembre-se: todo livro nasce falido. Raquítico. Você critica tanto o discurso político. E faz o mesmo na hora de escrever. Usa gravata para parecer ser. E não fica sendo, nem um tiquinho, parecido com você. Esta pobre imagem que avistaremos no espelho. Antes de morrer. Nosso! Faz tempo que eu não falava assim tão bonito. Que merda! Pode crer.
Texto Não escreva bonito, do escritor Marcelino Freire. Veja mais aqui.
A música da cantora Sônia Mello aqui, aqui, aqui & aqui.
A arte de Susanna Motta aqui.
A poesia de Adriano Sales aqui, aqui & aqui.
Cinema Pernambucano aqui.
O Pastoril do Rabeca aqui.
A revista Ragú aqui,
Mapa Cultural de Pernambuco aqui.
O município de Maraial aqui & aqui.
&
OFICINAS ABI – 2º SEMESTRE 2020
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

segunda-feira, maio 26, 2014

MIRIAM REYES, DIONNE BRAND, LAÏLA MARRAKCHI, EVA HESSE & LITERÓTICA

A EXPLOSÃO DO PRAZER NO RECIFE - Voltei, Recife. Foi a saudade que me trouxe pelo braço. Quero ver novamente "Vassoura" na rua abafando, tomar umas e outras e cair no passo. Cadê "Toureiros"? Cadê "Bola de Ouro"? As "pás", os "lenhadores" O "Bloco Batutas de São José"? Quero sentir a embriaguez do frevo que entra na cabeça e depois toma o corpo e acaba no pé” (Voltei, Recife. Frevo de Luiz Bandeira) - Quando eu cheguei ainda era um menino na cidade. As retinas cheias de rios. O coração afogado de mar. Era o Recife. E eu gemia noites e dias de prazer quando adolescia em Maria de todos os nomes como se fosse a montada da bicicleta sonhada. Eu crescia e morria todos os dias gemendo Capiba e sonambulava como quem nada sabia. A cidade era em mim a agonia dos seios que me fartavam e que mais eu sabia Maria que nem nome tinha e que saciava a volúpia acertada. A cidade era em mim os braços de abraços apertados quando eu mais me explodia de força para viver. A cidade era em mim as pernas abertas da mais apetitosa das bagas que me embriagava e queria sempre mais. A cidade era em mim toda doação e eu usava e abusava sem um tostão da puta, a mulher que era a mãe e desconhecida, numa incestuosa loucura de órfão pagão. Um dia eu voltei e a cidade de novo era braços de frevos abertos de Luis Bandeira embalando a chegada de quem era só couro e osso e não podia chorar porque todos os seios, bocetas e beijos, carinhos e chupadas estavam ligadas eletrizando a minha libido e beliscando todo meu sexo que não sabia outra coisa senão sonhar de gozo por todos os dias, tardes e noites do Recife. Aí eu fiquei até me esgueirar por todas as ruas, becos, sarjetas, favelas da Maria Recife que sempre me agarrava e me alentava e me beijava e manhava para eu não mais fugir de seu dengo até que um dia eu fugi sob olheiras e zarpei por anos afora. Agora eu volto Recife, volto com o coração na mão, batendo biela e pernas qual menino de antes com todos os sonhos incinerados à procura da Maria para acender a vida e descansar meu coração sob sua acolhida e guarda que me surpreende desde menino com todas as poses, acrobacias, closes, cenas, trepadas, gozadas, chupadas que me fazem renascer pra vida. Eu voltei, Recife. Eu voltei pros seus braços. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

 


DITOS & DESDITOS - Não pergunte sobre o que é o trabalho. Ao invés disso, saiba o que esse trabalho causa. Arte e trabalho e arte e vida estão muito interligados e toda a minha vida tem sido um absurdo. Não aconteceu nada na minha vida que não tenha sido extremo - saúde pessoal, família, situações económicas...absurdo é a palavra-chave... Acho que o círculo é muito abstrato. Eu poderia inventar histórias sobre o que o círculo significa para os homens, mas não sei se é tão consciente. Acho que foi uma forma, um veículo. Não creio que tivesse um significado sexual antropomórfico ou geométrico. Não era um seio e não era um círculo representando a vida e a eternidade…. Lembro-me de sempre trabalhar com contradições e formas contraditórias que é a minha ideia também na vida. Todo o absurdo da vida, tudo para mim sempre foi o oposto. Nada jamais esteve no meio. Quando lhe entreguei minha autobiografia, minha vida nunca teve nada normal ou central. Sempre foram extremos. Pensamento da escultora e educadora alemã Eva Hesse (1936-1970).

 

ALGUÉM FALOU: Há alguns anos, meu tio idoso morreu. Foi logo após o lançamento do meu primeiro longa-metragem. Ele foi uma figura muito importante na minha família – uma espécie de patriarca caprichoso, cheio de poesia. Passei por três dias de luto muito comoventes, durante os quais descobri as mulheres da minha família sob outra luz. Eu os via como frágeis, mas sem medo de se revelarem. Pensei que este poderia ser o tema de um filme através do qual pudesse mostrar as nossas tradições, que são muito diferentes das do mundo ocidental. Mas tive medo de que fosse demasiado sombrio fazer um filme sobre um funeral, especialmente porque o assunto tem sido frequentemente abordado no cinema. Nestes tempos difíceis há uma diversidade e proposta artística muito interessante que permite revelar novos talentos e uma forma diferente de fazer as coisas. Pensamento da cineasta marroquina Laïla Marrakchi.

 

MAPA SEM RETORNO - [...] Os livros deixam gestos no corpo; uma certa maneira de se mover, de se virar, um certo fechar dos olhos, uma maneira de sair, de hesitações. Os livros deixam certos sons, um certo ritmo; principalmente eles deixam o indescritível, que é toda a história. Eles deixam muito mais que as palavras [...] Eu não sou nostálgica. Pertencer não me interessa. Uma vez pensei que sim. Até que examinei os fundamentos. Somos enganados quando olhamos para as velas e a majestade dos grandes navios em vez de para a sua carga. [...] A Porta Sem Retorno – por mais reais e metafóricos que sejam alguns lugares, míticos para aqueles de nós que hoje estão espalhados pelas Américas. Ter a pertença alojada numa metáfora é uma intriga voluptuosa; habitar um tropo; ser uma espécie de ficção. Viver na Diáspora Negra, penso eu, é viver numa ficção – uma criação de impérios, e também de autocriação. É estar vivendo dentro e fora de si. É apreender o sinal que se faz, mas não conseguir escapar dele, exceto em momentos radiantes de banalidade feitos como arte. Ser uma ficção em busca de sua metáfora mais ressonante é ainda mais intrigante. [...] Quero dizer mais alguma coisa sobre o desejo. Eu realmente não sei o que é. Experimento algo que, às vezes, se eu separar, não consigo entender. A palavra parece-me desmoronar sob o puxão e o arrasto das suas formas mercantilizadas, sob o peso do nosso artifício e da nossa presunção. Às vezes é impossível distinguir o que é real daquilo que é fabricado. Vivemos em um mundo repleto de imagens de desejo mercantilizadas. O desejo se apega a utensílios, cadeiras, geladeiras, carros, perfumes, sapatos, jaquetas, tacos de golfe, bolas de basquete, telefones, água, sabão em pó, casas, bairros. Até mesmo Deus. Ele se apega a uma lista interminável de objetos. Ele se apega à face dos aparelhos de televisão e das telas de cinema. Está glaciado em objetos atribuídos, petrificado em gestos repetitivos e clichês. Sua repetição é tediosa, sua aparência e som são tediosos. Tornamo-nos a repetição apesar dos nossos melhores esforços. Ficamos entorpecidos. E embora, contra a força impressionante disso, eu não possa dizer tudo o que esse desejo pode ser, queria falar sobre ele não como nos é vendido, mas como alguém o coleta, pedaço por pedaço, ao longo da vida. Eu queria dizer que a vida, se tivermos sorte, é uma coleção de experiências estéticas, assim como é uma coleção de experiências práticas, que às vezes podem ser a mesma coisa, e das quais, se tivermos sorte, daremos sentido. Fazer sentido pode ser o que o desejo é. Ou, recompondo os sentidos. [...]. Trechos extraídos da obra A Map to the Door of No Return (Vintage, 2002), da escritora, documentarista e professora canadense Dionne Brand. Veja mais aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS - EU TENHO TUDO MARCADO PARA VOCÊ - como um sítio arqueológico. \ Não é extrair seus restos que procuro \ - ruínas de uma cidade esculpida no arenito - \ o que quero é te penetrar \ perfurar a pedra do seu corpo \ e esse sexo côncavo de mulher \ se torna inútil para o meu desejo.\ Eu cavo em seu umbigo \ para entrar através do fluxo de seu sangue. \ Esvazio meu espírito como o ar em sua boca \ e vejo você me respirar. \ Já sei que não preciso de pele para te tocar, \ não é \ isso que eu quero, é fazer \ uma caverna no seu corpo.\ Dobro seus joelhos sob minhas axilas \ como os braços de uma furadeira. \ As calçadas que quebro \ são as da sua rua.\ Com meus cílios varro \ a poeira que levanto de sua testa \ e não paro até que seja você \ e seu sexo seja meu até que seja eu \ quem esteja dentro.DE TODOS OS ESTRANGEIROS ELE FOI O PRIMEIRO A CHEGAR - Três mil quilômetros de oceano até sua cama \ guiados pelo fio de sua voz que repetia: \ dessa vez você chegou na hora certa.\ Não havia nada na vida dele mais urgente do que a sua.\ Diante do vidro ele diz que quer manter o jornal de hoje \ como já fez com o pai. \ No dia em que você morreu, todas as flores morreram, \ a bolsa subiu, foram feitos avanços importantes na segurança marítima \ um carro entra em alta velocidade em uma fazenda \ e mata quatro pessoas que tomavam café no terraço. \ Se a vida é o corpo \ (aquela cápsula frágil) \ você teve sorte, \ sua vida se estendeu aos filhos dos seus netos. \ Não sinto pena de você, sinto muito \ por nós: \ morreu alguém que nos amava. Poema da poeta espanhola Miriam Reyes.

 

TRES POEMAS & DEPOIMENTOS DEVASSOS – VOLÚPIA - Volúpia é o prazer de teu corpo,\ O calor que se desprende de ti,\ quando com  luxúria te acaricio,\ ou tudo em volta eu esqueço\ Volúpia é quando tocas em meu seios,\ E me reconheço sem nenhuma lucidez,\ quando sinto  o prazer intenso e envolvente,\ sentindo a paixão que não sei de onde veio\ volúpia é o momento que me enlouquece,\ umedecida intensamente pelo orgasmo,\ Cavalgando alucinada na sensação incontrolável,\ de desejar-te em desespero eternamente. Volúpia é te galopar sem freios e inconsciente, \ umedecida pelo orgasmo, intensamente,\ e sentir o maravilhoso sêmen permanente,\ a regar meu corpo que só por ti anseia.\ Volúpia é desejar tuas mãos constantemente\ é poder sentir teu mágico corpo ofegante,\ e imaginar que me queres por toda uma vida,\ e fechar os olhos para entender o nosso amor.\ Volúpia é o que sinto até quando penso em ti. I - Ah, maravilha, ser condecorada com seus beijos em meus lábios que me transtornam de prazer nos meus olhos e que traduzem a paixão que me domina. Senti-lo desamarrar com suas mãos o nó do meu roupão, para que veja extasiado os meus seios desnudados encontrando a guarida que me fará que você precisa e que acariciará enquanto me embalo nessa paixão maravilhosa e sentindo convulsivos desejos intermitentes e profundos. Dignificar-me, arrancando minha calcinha em minha vagina úmida e ansiosa e amada putinha, que lhe fará chegar ao auge como nunca sentiu, seu pênis inchado tornando-me e só e unicamente meu, sentindo os meus beijos prementes e chupadas de minha língua devoradora e sempre ansiosa “do que é meu” para viver nossa paixão entre gemidos de prazer e chegando ao ápice que nos levará à loucura na minha fonte de desejos que nos levará à felicidade, consagrando-me à mais extrema paixão. Quero você urgente para que possamos sentir o milagroso gozo a deixar-nos arfantes e desejando sempre mais, em todos os momentos. Nossos corpos saciados e juntos para sempre e tudo recomeçar outra vez para a satisfação de nossos corpos em felicidade constantes e para sempre. Eu quero, meu amor, quero muito e sempre! PORQUE TE QUERO - Eu te quero \ Desejo em teus braços dizer que te amo,\ Recitar poemas que compus para ti,\ beijar-te, até sufocar de tanto desejo,\ e vivermos em nosso ninho de amor.\ Sentir que me queres em horas constantes\ Dia, noite, manhã ou misteriosas madrugadas,\ Acordar sentindo meu corpo incendiado,\ e acordar-te com carícias plenas e exuberantes\ Desejo o que é meu para sempre,\ mergulhando em reentrâncias escondidas,\ procurando sempre o objeto de teus desejos,\ e vamos reviver cada dia pleno de acolhidas\ Quero encontrar o paraíso em teu corpo.\ gemendo ansiosa de prazer e loucura,\ Acreditando plenamente em teu sorriso,\ E nos amando loucamente até à eternidade. II - Ah minhas mãos novamente em teu corpo, em carne viva, sentindo teu pênis intumescido a me enlouquecer nas tardes ensolaradas de minha vida e eu qual uma amazona cavalgando delirante e apaixonada, enquanto minha dança lasciva te leva ao éden nunca frequentado de todos os teus sonhos mais desvairados. Ah, minha coreografia de quadris que te faz gemer de prazer, quase embarcando em meus mares de desejos e luxúria. Ah, sentir teus olhos vorazes de concupiscência refletidos em meus seios cujos bicos duros faz com que arquejes de prazer e nossos corpos trêmulos, vibrando na ânsia do paraíso de loucura afrodisíaca. Ah sentir meus glúteos em dança lasciva a te ensandecer em nossa alcova de prazeres ultrapassando qualquer expectativa em minha sensualidade plena! Ah sentir teu pênis, só meu, a regar tua fonte em gozo exultante e depois, já saciados, a tua cabeça descansando em meus seios tão docemente e podermos nos tornar um só naquele momento mais que indescritível. Ah como te sinto em mim para sempre! E direi como anseio por você, como quero ser fodida, e sentir “o que é todo meu” para me foder de manhã, de tarde, de noite e nas nossas madrugadas. Tomar-me em seus braços, beijos mais que apaixonados e sentir-me deusa inacessível em suas mãos quentes e fortes e dama glamourosa para ser despida deliciosamente por você. Sim, meu amor, todo dia e o dia todo me agarrando, a sua apaixonante putinha recostada na almofada e expondo a calcinha para mais atordoá-lo de paixão e desejo, sentir suas mãos mágicas no toque que me enlouquece e com a outra alisando minhas coxas com volúpia, enquanto eu conto os meus sonhos em cada detalhe e totalmente submetida aos seus mandos priápicos e me levar a orgasmos e gozo intensos no auge da lubricidade, dominada por sua gula de foder-me dos pés  à cabeça todinha sua em carne viva. E vivendo a realidade, desejando desesperadamente cada toque seu ou seu corpo a me transtornar libidinosamente. É isso que eu quero agora e sempre. Eu quero! Eu lhe espero com o desespero de quem ama e precisa sentir urgente seu toque, e lhe beijar muito e ardentemente até que desmaiemos de prazer. E sentir seus lábios nos meus ardentemente do jeito que já teve e eu gulosa em resposta aos seus beijos e eu sentir “o que é meu” em minha língua, babento e ereto, minha boca a lavá-lo com minha saliva e conseguir e sugar dele todas as suas forças e prazeres. Exatamente isso. Anseio por você arriando a minha calcinha e beijando meus pés e ir acompanhando seu trajeto e descobrir minha vagina que se abrirá ao seu toque mágico e esplendoroso, tudo e absolutamente tudo para você. Mais que fêmea, mais que poeta, mais que putinha dadeira que se ajeitará ao seu gosto, na satisfação de todos os desejos e lhe fará premiado com meus gemidos enlouquecedores que quero ser sua, que quero ser fodida, todinha e virar-me de bruços com a oferta de minha bundinha e o que é meu” e só meu presenteado com meu ânus cobiçado e prometido e nele ser carinhosa e amorosamente enfiado para que misturemos nossos gozos infindos na celebração total de nossa paixão. MOMENTO POÉTICO -  Vou ao teu encontro \ Vou ao teu encontro incendiada de amor,\ Desejando que me abrases em paixão,\ sinta meus lábios quentes nos teus,\ encontrando em minha língua o sabor.\ Vim em escuridão para encontrar-te,\ Sinto teu pênis ereto e inchado de prazer,\ acaricio-te loucamente precisando de ti,\ e sei que só contigo para sempre posso viver.\ Na languidez que se apossou de mim,\ Teus carinhos me trazem a doçura,\ E para sempre serão minha ventura,\ Nada mais desejo, apenas o teu amor.\ Quero que me abraces, aperte e viva,\ quero que me eternize em teu prazer\ Dominando meu corpo que vive em ti,\ E tornando-me a putinha dos teus prazeres.\ Quero eternizá-lo,\ meu rei só meu\ e com meus requebros te dominar. III – Amor, estou nas nuvens, acima de qualquer paraíso de amor. Estou me entregando nua e feliz em seus braços. Estou aqui desejando desesperadamente acariciar seu corpo inteirinho e sentir “o que é meu” na minha pele e antegozando o nosso amor. É isso que eu quero; Você, todinho meu e beijando seus lábios numa loucura sem fim. Quero, preciso com urgência de você, de seu corpo que me deleita em orgasmos sucessivos. Isso é o que meu corpo e coração querem e precisam. Quero sentir seu pênis em minha boca, e sentir o gosto do sêmen que preciso para estar viva. E acariciar da sua cabeça aos pés, louca de paixão e sentindo “o que é meu” passando pelos lábios de minha vagina que me deixa louca e entrando na minha vagina que lhe espera febril de desejo e escorregando enquanto tento virar de bruços para recebe-lo no meu ânus delicadamente causando-me um estertor de alucinação e já sem nenhuma lucidez tal a profundidade do meu desejo. Quero que “o que é meu” e só meu entre deslize em todas as reentrâncias de meu corpo e encontre as cavidades que nem imaginei que existiam, mas o seu pênis encontrará transido de paixão. Quero você todinho e satisfazer todos os seus desejos e eu poder me transformar na cortesã libidinosa para a seduzi-lo sempre e cada vez mais. Quero ser sua putinha, poeta e você meu senhor a gemer no gozo estonteante, o mais potente de toda a sua vida. E nós dois vivendo nosso amor. E isso me faz lembrar aqueles dias que estivemos juntos desesperadamente paradisíacos. Quero você, todo, completo. Quero nós dois enlouquecidos, eu intensamente sua realizando o milagre da paixão. Eu sou só sua, sua e em você e para você, para sempre. Estou aqui, sou toda sua sempre. Quero os seus braços, o seu corpo, “o que é meu”, tudo seu eu quero demais. E eu sempre vou querer satisfazê-lo ao máximo do prazer, foder e ser fodida por você. Tudo para você e em você. Estou oferecendo meu corpo desnudado para realizar o que estiver com vontade. É todo seu, meu amor. Poemas e textos da escritora Vânia Moreira Diniz. Veja mais aqui.

 

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição desta terça, 27 de maio, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá, com apresentação de Meimei Corrêa, a partir das 21hs, no blog do Programa Domingo Romântico. Na programação as seguintes atrações: Hermeto Pascoal, Quinteto Armorial, Chico Buarque, Yes, Edson Natale, Sônia Mello, Leureny Barbosa, Rose Morena, Santanna O Cantador, Marisa Ricco, Heitor Pedra Azul & muito mais. Conto com a presença de vocês. Veja mais aqui

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá
Quando? 27 de maio, a partir das 21hs
Onde? No blog do Programa Domingo Romântico
Apresentação: Meimei Corrêa

A EDUCAÇÃO - Quando escrevi o artigo Educação por água abaixo que foi publicado numa das edições do jornal Gazeta de Alagoas, em 1998, fazia uma análise acerca da dificuldade de entendimento por parte dos profissionais da área do art. 205 da CF/88 e da LDB 9394/96. É que o problema educacional só enxerga a relação professor versus aluno, esquecendo-se das malfadadas gestões dos gabinetólogos de bunda quadrada do MEC, das secretarias estaduais e municipais de educação e, sobretido, das direções que comandam as escolas das redes pública e privada do país. Esses, sim, os principais responsáveis pela tragédia da educação brasileira. Esses precisam aprender a lição de Rubem Alves: “Todos os homens, enquanto criança, têm, por natureza, desejo de conhecer [...] É fácil obrigar o aluno a ir à escola. O difícil é convencê-lo a aprender aquilo que ele não quer aprender”. (Rubem Alves, O desejo de ensinar e a arte de aprender) Veja mais Rubem Alves aqui.

PRA QUEM VIVE DE NARIZ EMPINADO COM SEU UMBIGO – Já dizia o poeta Manoel de Barros, no seu belíssimo “Matéria de Poesia”: “A gente é rascunho de pássaro, não acabaram de fazer...”. Veja mais Manoel de Barros aqui.

O DILEMA ENTRE A PAIXÃO E A RAZÃO – Já dizia o filósofo e poeta francês Gaston Bachelard (1884-1962): “A arte e a literatura realizam sonhos; a ciência, não!”. O filósofo além de desenvolver o novo espírito científico, investigou a natureza do imaginário poético extraindo novos significados das obras de artes. Veja mais Momento de Reflexão.

MEU EXÍLIO – Sempre me senti um exilado em minha própria terra e em meu próprio país. Por isso, faço meus os versos do escritor e jornalista mineiro Luiz Ruffato: “Onde quer que estejas, em teu país ou em outro, és estrangeiro: ninguém tua língua compreende. Só, o deserto de estranhas veredas percorres. Conservas, no entanto, dos primeiros anos o albor, quando tua cidade, madrasta e mãe, teus sonhos na noite fresca velava. A grande mão que afagou-te esmaga o peito agora. Ah! Somos apenas o que somos. Apenas”.

JOHN DEWEY – Para o filósofo e pedagogo norte-americano John Dewey (1859-1952), unir modéstia e coragem na defesa de suas próprias ideias é o único caminho pelo qual “[...] o filosofo pode encarar seus semelhantes e de frente, com franqueza e humanidade”. A coragem é outra virtude filosófica exaltada, levando-o a defender as causas da liberdade universitária, do socialismo econômico, da democracia política e da integração racial. Em seu pensamento, tudo isso depende da transformação do homem desde os seus primeiros anos. Veja mais John Dewey aqui.

PRA QUE SERVE O LIXO? – Muito ouvi de práticas de reutilização do lixo. Seja por meio seletivo, seja por consciência do reaproveitamento mesmo. Tem-se a impressão de que o ser humano possui uma capacidade de fabricar além de bosta, muito lixo. E o problema das gestões públicas é administrar esse lixão todo que vai virando o país. Afinal, quem quer colocar a mão no imprestável? Mãos à obra. Trago, portanto, a receita do escritor Marcelino Freire, no seu livro Angu de Sangue: “Lixo? Lixo serve pra tudo. A gente encontra a mobília da casa, cadeira para pôr uns pregos e ajeitar, sentar. Lixo pra poder ter sofá, costurado, cama, colchão. Até televisão”.

HISTÓRIA DA LITERATURA OCIDENTAL, DE OTTO MARIA CARPEAUX – É do ensaísta, crítico literário e jornalista austríaco naturalizado brasileiro Ottto Maria Carpeaux (1900-1978), essa importante coleção de Literatura trazendo uma abordagem histórica acerca do desenvolvimento literário no ocidente. Confira detalhes aqui.

QUANDO O VERSO ACABA? – Versos de um poema do poeta e ensaísta Armando Freitas Filho: “Nunca nenhum poema acaba a não ser com um tranco com um corte brusco de luz”.


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