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sexta-feira, junho 01, 2018

RUBIÃO, JORGE DE SENA, ZUENIR, DEWEY, LOURDES RAMALHO, GRAFITE, O TEATRO MÁGICO & MULHERES DE HOLLANDA


O AMOR É MESMO CEGO E CEGA – Imagem: Grafite - A voz colorida das Ruas - Vera finalmente esposou depois de emplacar décadas de solteirice, um escândalo! Óóóóóó! Nos quatro cantos da cidade trepidava o maior escarcéu: Como é que é? Oxente, aquela bonitona casou, foi? Quem foi o sortudo da tuia que andava cheirando os rebolados dela? Quem sabe, ora! Pois é, a mais cobiçada e sonho de consumo de marmanjos e quejandos de Alagoinhanduba e região, saiu do caritó e contraiu núpcias com cerimônia privada só pra alguns familiares – nem todos, alguns barrados metidos a parentes, achegados e cheleléus -, só com padre, juiz e uns gatos pingados da estima dela, jurando fidelidade ao esponsal até que a morte os separe. Já era hora, balzaquiana quase loba, tudo quanto era cueca apostava quem o premiado. Foi aí que nasceu o pandemônio. O que deixou de queixo caído toda população, foi, justamente, o tal do escolhido. Pra decepção de tanto Don Juan, Casanova, artista de cinema, televisão e capa de revista - até o Chico Buarque se engraçou da moça com versos e prosa -, a todos ela disse não, em cima do maior salto alto. Na horagá, ela só disse sim pra maior feiúra da humanidade: Aquilo não é gente, é uma coisa feia dos diabos, gente! Assim passaram a tratar de Coisa Feia o Lurdinaldito, vulgo Biuzinhodito, filho de dona Lourdes da Cocada e Beneditodito do Caixão – como o pai era chamado por todos de Biuzito do Caixão, ficou o filho Biuzinhodito. Pense num ocrídio de horroroso: dois olhos aboticados e um pra cada lado embaixo duma pestana grossa e emendada, dois tufos de cabelos na careca, orelha de abano ilustrada por uma costeleta ineivada, venta espragatada, duas bochechas proeminentes arrodeadas por uma barbicha crespa e invocada, um único dentinho na boca, engongado, um braço menor que o outro, corcunda e malassombrado, buchudo e cocho, pés de barbatana, cheio de pereba e despelado. Vixe! De qual história de terror saiu esse monstro, hem? Gente, isso é arte de bruxaria, só sendo. A Vera devia de arrumar coisa mais apresentável! O zunzunzum não minguava, a maior despeita no escárnio. E ela toda metida a insolente, carregando sua fera pela coleira: Sou pela sororidade, mas por via das dúvidas, esse é meu, ninguém tasca! E o melhor dele é no xambregado. Que coisa! Depois do casório às escondidas, Vera sumiu-se dentro de casa com seu bicho de estimação, de nunca mais dar as caras na rua. Óóóóóó! A macharia se mobilizou num protesto com faixas e cartazes na frente da casa dela: Queremos Vera! Queremos Vera! Três horas depois, apareceu a prima dela seminua como porta-voz, e foi aquele rebuliço: vestida só numa blusinha de alça que cobria o exato necessário e mais nada, tentava falar e, cada vez que levantava os braços, deixava as intimidades suculentas à mostra. Haja clique de fotografia e cochichado: Visse os peitinhos dela? Ah, eu cliquei no entrecoxa, meu! Meia hora de espetáculo e nada dela conseguir dar o comunicado pelo alvoroço geral, ninguém arredava o pé de tão vidrados. Foi, então, de posse de um megafone, ela berrou: A Vera está de lua de mel, só dará sinal de vida daqui uns três meses. Danou-se! Foi a maior ovação, os apupos e protestos aumentaram quadruplicados, varando a noite, madrugada adentro, dia corrido, e todos nada de desencangarem dali, dia ao crepúsculo atrás de alvorada, encarreados. Aí começou a especulação: O que aquele troglodita tem que eu não tenho? O que danado a Vera viu naquele troço? Palpites, arengas, apostas, nada de consenso. Será que o cabra tem a tromba avantajada? Ih, pelo jeito o mondrongo dá nela, pode ver! Foi catimbó, só sendo! Como é que pode, hem? Por que não eu? Foi preciso juntar uma ruma de genitoras, esposas, sogras, noivas, madrinhas, namoradas, amantes e quebra-galhos, marchando firme pra cair na maior cabada de vassoura no quengo dos recalcitrantes pro negócio voltar à normalidade. Isso não poupou os recém-casados de se vitimarem de buzinadas, pedradas, impropérios e jactâncias exaltadas por mais de mês. Reclamavam todos na passagem: Isso é um vitupério! Um semestre nessa pisada e Vera nem aí com sua aberração, só no bem-bom. Ah, gente, o amor é mesmo cego e cega. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do grupo musical O Teatro Mágico (OTM), formado por Fernando Anitelli (Voz e Violão), Nô Stopa (Voz & dança), Zeca Loureiro (Guitarra), Ricardo Braga (Percussão), Rafael dos Santos (Bateria), Guilherme Ribeiro (Teclados), Sergio Carvalho (Baixo) e as bailarinas performáticas Andrea Barbour & Manoela Rangel: Entrada para raros, Allehop & Recombinando atos; o quinteto vocal feminino Mulheres de Hollanda, formado por Karla Boechat, Ana Cuba, Eliza Lacerda, Malu von Krüger & Marcela Mangabeira: Você vai me seguir, O meu amor & A Violeira; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Os bárbaros são a grande fonte do mal-estar deste final de século. A exclusão se transformou no problema social maior. Enquanto nos morros só se ouviam os sons do samba, parecia não haver problema. Mas agora se ouvem os tiros. Não se trata de uma guerra civil, como às vezes se pensa, mas de uma guerra pós-moderna, econômica, que depende das artes bélicas mas também da leis do mercado, é um tipo de comércio. [...] Eles inauguraram um modelo de agressividade, cruel e gratuita, que não encontrava equivalente na violência praticada pelos malandros de morro de então. Essa geração do asfalto, que se divertia com brincadeiras como atear fogo em mendigos, antecipou uma vertente moderna da violência urbana - a que é movida pelo prazer da crueldade. [...] Que crime organizado é esse sem comando centralizado, sem sucessão dinástica, sem rígida hierarquia, sem cartel, sem consumo conspícuo e sem acumulação de riqueza, ao contrário da máfia ou mesmo do jogo do bicho? [...]. Trechos extraídos da obra Cidade partida (Companhia das Letras, 1994), do jornalista e escritor Zuenir Ventura. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA – [...] o mundo em que até os homens mais inteligentes dos tempos idos julgavam viver, era um mundo fixo, um domínio onde qualquer mudança somente se processava dentro de limites imutáveis de inação e permanência, um mundo onde a fixidez e a imobilidade... era superior, mais importante em qualidade e autoridade, do que o movimento e a mudança. [...] um universo ilimitado no espaço e no tempo, sem limites aqui ou ali, nesta extremidade, por assim dizer, ou naquela, e tão infinitamente complexo na estrutura quanto na extensão. Daí, ser também o universo um mundo aberto, infinitamente variegado, mundo que, no velho sentido, a custo pode ser chamado de universo; tão múltiplo e extenso que não há possibilidade de o sintetizar e condensar em nenhuma fórmula. [...] Quando a física, a química, a biologia, a medicina, contribuem para a descoberta dos sofrimentos humanos, reais e concretos, bem como para aperfeiçoar os planos destinados a remediá-los e a melhorar a condição humana, tais ciências se fazem morais: passam a constituir parte integrante do aparelhamento da pesquisa ou ciência moral. Esta perde então seu peculiar sabor didático e pedante, seu tom ultramoralístico e exortativo. [...]. Trechos extraídos da obra Reconstrução em filosofia (Nacional, 1959), do filósofo e pedagogo norte-americano John Dewey (1859-1952). Veja mais aqui e aqui.

A LITERATURA FANTÁSTICA – [...] Por mais que me desdobrasse, procurando afastá-lo da obsessão, Artur arranjava outros motivos para inquietar-se. Agora era a moça que se ocultava, não dava sinal da sua permanência na casa [...] Por outro lado, a confiança que antes eu depositava nos meus nervos decrescia, cedendo lugar a uma permanente ansiedade por causa do mano, cujas preocupações cavavam-lhe a face, afundavam-lhe os olhos. Para lhe provar que nada havia de anormal no solteirão, passei a vigiar o nosso enigmático vizinho. [...] – Ele está ficando transparente. Assustei-me. Através do corpo do homenzinho viam-se objetos que estavam no interior da casa: jarra de flores, livros, misturados com intestinos e rins. O coração parecia estar dependurado na maçaneta da porta, cerrada somente de um dos lados. [...] Nada mais tendo para emagrecer, seu crânio havia diminuído e o boné, folgado na cabeça, escorregara até os olhos. O vento fazia com que o corpo dobrasse sobre si mesmo. Teve um espasmo e lançou um jato de fogo, que varreu a rua [...] No fim, já ansiado, deixou escorrer uma baba incandescente pelo tórax abaixo e incendiou-se.[...] A sua voz foi ficando fina e longínqua. Olhando para o lugar onde ele se encontrava, vi que seu corpo diminuíra espantosamente. Ficara reduzido a alguns centímetros [...] Peguei-o com as pontas dos dedos antes que desaparecesse completamente. Retive-o por instantes. Logo se transformou numa bolinha negra, a rolar na minha mão. [...]. Trechos extraídos da obra Contos reunidos (Ática, 2005), do escritor, advogado, professor e jornalista Murilo Rubião (1916-1991). Veja mais aqui.

SETE SONETOS DA VISÃO PERPÉTUA – I - Anos sem fim, à luz do mar aceso, / Te vi nudez quase total, tão grácil / Figura juvenil, ambígua e fácil, / E ao longe às vezes totalmente nua / Em só relance de malícia crua. / Tudo isso me atraia e me afastava, / Embora a vista, retornando escrava, / A teus lugares me tivesse preso. / E quase sempre então tua figura, / Sentada estátua, ou falsa sesta impura, / Lá era, ao sol, o tempo congelado. / Hoje, subitamente, tu não viste / Ninguém senão o meu olhar quebrado, / E com lenta inocência te despiste. / Mas quantas rugas no sorriso ansiado! II - Como velhice esta agonia desce / Ao fundo em que me encontro só comigo. / E quanto amor trocara então contigo / Enfim te dando o que sonhara em anos / Se torna apenas máscara de enganos / Com que te aceito, como amor antigo, / Esse momento de ansiedade e perigo / Que no teu rosto as rugas te recresce. / Tu sabes que de perto a juventude / Se te queimou no acaso das entregas; / E quanto risco a tua imagem corre / Quando não está tão longe que me ilude, / Nem já tão perto que de ciência chegas / A presumir a graça que não morre. / Mas, porque sabes, tua graça negas. III - Não mais! Não mais! Que eu esqueça que te tive, / E tu me esqueças debruçado em ti! / Que tudo seja como outrora eu vi: / Uma figura ao longe recortada, / E fina e esbelta, ou suave e alongada, / não tão distante que me não entendas, / nem tão perto de mim que tu me vendas, / no mesmo corpo belo, o que não vive / nesse teu rosto, ou sob a tua pele: / uma malícia esplêndida, capaz / de se entregar violenta quando a impele, / sem mais que orgulho, a força juvenil. / Assim será que, em mim, teu corpo jaz. / E sem nos lábios o sorriso vil. / Mas como há-de teu corpo em mim ter paz? IV - O que o teu corpo foi, não imaginas: / A juventude, a força, a agilidade, / A fantasia obscena, a intensidade / Com que dos gestos se constrói prazer. / Mas isso ele foi em sonhos. Hei-de ver / Teu corpo assim, ou como o possuí? / Ou hei-de vê-lo como ao longe o vi? / Ou como estatua, em lixo de ruínas? / Jacente dormirá, estendida e pura? / Mas como dormirás, se em mim não dorme / O tempo que a teu rosto ainda tritura? / Como nos mata esta velhice enorme! / Que vinha vindo entre nós dois, tão dura, / Que melhor fora te tornar informe… / Ou sombra dúbia pela noite escura. V - No claro dia passas lentamente, / Fingindo não me ver. Será que tu / Sentiste quanto no teu corpo nu / Não encontrei, menos que a tua, a minha / Memória de ser jovem? Adivinha / A tua carne mais que o meu olhar-te? / A quem tanto viveu de contemplar-te / Te dói de te haveres dado ansiosamente? / E, á luz do mar, ao longe te recortas. / Vejo que fluem para ti, já mortas, / Quantas imagens te criei, tão vivas. / Já não desejo mais do que sorrir-te. VI - E, todavia, eu não quisera amar-te. / Mas ter-te, sim, de todas as maneiras. / Quem és e como és, de quem te abeiras, / Que dizes ou não dizes, pouco importa. / E muito menos hoje me conforta. / Neste sorriso que dou tranquilo, / Eu ponho num remorso tudo aquilo / Que em fundo amor eu te pudera dar-te, / Se alguma vez te amasse de amor fundo. / Senta-te à luz da do mar, à luz do mundo, / Como na vez primeira em que te vi, / Tão jovem, que era crime o contemplar-te. / E despe-te outra vez, pois vêm olhar-te / Quantos te buscam de saber-te aqui. / Sendo um de tantos, nunca te perdi. VII - E olhei-te por mais tempo. Ainda hei-de olhar-te, / Quando, acabados teus lugares, partires, / Deixando no ar o espaço de fingires / A graça juvenil que eu devorei, / Ano após ano, e em meu olhar tomei / De todos que te tinham sem te ver. / Ainda hei-de olhar-te, se, quando morrer, / Puder voltar aqui a procurar-te / No espaço que deixaste. Mas não te amo, / Não te amei nunca, e nunca te amarei. / Não se ama nunca a quem olhamos tanto. / Nem se deseja. Quando por ti clamo, / Neste silencio em que de ti fiquei, / Não é senão o libertar do encanto / Que foste ao longe, a luz do mar aceso. / E à luz que te recorta é que estou preso. Poemas do poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário Jorge de Sena (1919-1978). Veja mais aqui.

NOVAS AVENTURAS DE JOÃO GRILO, DE LOURDES RAMALHO
[...] JOÃO Se as pernas não me conduzem – de joelhos vou caminhando, as armas já destroçadas na estrada vou deixando, só o resto da viola me acompanha soluçando! Agora só, sigo em busca da água medicinal. Vocês, fiquem aqui de guarda para evitar outro mal. Vou procurar pelo mundo – o cálice Santo Graal! ÁGUA E lá se foi o João Grilo – que é homem e é criança, a enfrentar os caminhos, cheio de esperança de encontrar o Santo Graal – que trará paz e Bonança. TODOS Adeus, adeus, bom amigo, Deus te conserve a nobreza, pois é de homens assim que têm na alma a riqueza, que o mundo necessita – pra salvar a Natureza!
Trecho da peça teatro Novas aventuras de João Grilo, da professora, poeta, dramaturga e pesquisadora Lourdes Ramalho. Veja mais aqui.


XXVIII Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM) & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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&
Dia de muito, véspera de nada, a literatura de Aníbal Machado, Brincarte do Nitolino & a música de Juliana de Aquino aqui.
 

quarta-feira, março 21, 2018

NAIPAUL, ROBERT FROST, DEWEY, POPPER, CLARICE & NELSON, ANA LUIZA REGO, GUSTAVO SANTAOLALLA & LISBETH SCOTT

A CABEÇA NA BANDEJA - Imagem: arte da artista visual Ana Luiza Rego. – Quando eu estava para nascer, havia uma expectativa. O que será que será? Ninguém previa o que pudesse surgir ali, naquela hora, se um monstro, um duende, um et, um vampiro, ou o saci Pererê, coisa que valha das abusões e terrores do mundo. Estavam todos prontos para tudo, eu poderia ser qualquer coisa, inclusive um aleijão, ou uma maldição, ou a besta do apocalipse. Fisionomias graves se confundiam com as da minha mãe que não sabia ao certo se estava com oito ou dez meses, atrapalhada com a contagem. A parteira lá a postos, conferindo as dilatações, as contrações, dizia: O bregueço vai nascer já já. Está quase na hora dele se mostrar! E tome espera. Ninguém ali dos presentes, parentes e aderentes sabiam se três da madrugada, dez da manhã ou cinco da tarde, sabe-se, apenas, que de repente pinotei do ventre da minha mãe pras mãos da parteira, com um berreiro macho de quem queria mesmo era azucrinar o mundo. Pronto, disse a parteira toda ancha, conferindo tudo: Dois olhos, dois buracos no nariz, uma boca, dois ouvidos, pescoço, dois braços, duas mãos e cinco dedos, dois pés e cinco dedos, duas pernas, virou, revirou, desvirou, tudo parece perfeito, pelas aparências não é bicho, nem coisa de outro mundo, parece mesmo que é gente, nunca se sabe. Pode ser que vire coisa ruim, vai depender das circunstâncias. Mas tem um detalhe! Ao dizer isso todos ficaram apreensivos. O detalhe é que esse menino será a perdição do mundo se não cortarem o mal pela raiz. Como assim? Esse menino será os pés da doida e se derem manha para ele, tudo estará perdido. Por quê? Se não cortarem logo as asas dele, esse menino quando crescer vai dar muito trabalho, vejam! Aí ela me futucou, eu dei um espirro e a terra tremeu caindo uma chuva torrencial. Como é? Ela buliu e eu arrotei. Nessa hora tudo virou de pernas pro ar. Ôôôô! Deu outra cutucada e eu peidei, pronto, trovões e relâmpagos abriam serras e morros! Ôôô! Estão prestando a atenção, né? Sim, todos afirmativamente. Pois bem, quando esse menino sorrir tudo vai desequilibrar, quando ele chorar os rios transbordarão a ponto das barragens romperem, quando ele tossir vai mudar a cor das coisas, quando estalar os dedos vai causar catabis que assustarão todo mundo, quando cagar as placas tectônicas se reacomodarão, quando ele mijar vai soltar sacarose de virar açúcar cristalizado, quando ele correr vai sumir, porque vai ficar invisível e só voltará quando bem quiser, mas não deixem ele cantar, será bastante desafinado, prefira as mentiras que ele conte porque será um grande mentiroso, mas nunca, sob hipótese alguma, deixe-o cantar, pois causará um desastre imprevisível. Estão avisados. Muitas outras coisas esse menino pode proporcionar para prejuízo de todos. Muitas mesmo. Cuidem dele em cima da risca, não deixem que viva solto, qualquer descuido será tarde demais, qualquer brecha ele foge, qualquer desatenção ele bota fogo na casa, tem de ser vigiado vinte e quatro horas por dia. Entendido? Sim, tudo nos conformes. Só não esperavam que eu começasse ali naquela hora a armar das minhas até hoje, premiado com a cabeça exposta na bandeja. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor argentino Gustavo Santaolalla: Pajaros, Biutifull & The Best; a cantora e compositora armênia Lisbeth Scott: Desert song, Globus Preliator & The Best; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Temos de reconhecer que a consciência ordinária do homem comum [...] é uma criatura de desejos e não de estudo intelectual, investigação e especulação. O homem vive num mundo de sonhos antes que de fatos, e um mundo de sonhos organizado em tono de desejos cujo sucesso ou frustração constitui sua própria essência. [...]. Pensamento extraído da obra Reconstrucion in philosophy (Beacon, 1962), do filósofo e pedagogo estadunidense John Dewey (1859-1952). Veja mais aqui.

A CIÊNCIA & A VERDADE - [...] A ciência não é um sistema de declarações certas e bem estabelecidas, nem tampouco um sistema que avança para um estado final. Nossa ciência não é conhecimento (episteme): ela nunca pode pretender haver atingido a verdade, nem mesmo um substituto para ela, como a probabilidade [...]. Trecho extraído da obra The logic scientific discovery (Harper & Bow, 1968), do filósofo austríaco Karl Popper (1902-1994).

SOBRE AMIGOS & AMIZADEVocê se sente um homem só? Do ponto de vista amoroso, encontrei Lúcia [...] Mas, diante do resto do mundo, sou um homem maravilhosamente só. Uma vez fiquei gravemente doente, doente para morrer. Recebi em três meses de agonia três visitas, uma por mês. Note-se que minha doença foi promovida em primeiras páginas. Aí eu sofri na carne e na alma esta verdade intolerável: o amigo não existe. [...]. Trechos da entrevista realizada por Clarice Lispector com Nelson Rodrigues, extraído da obra Clarice Lispector: entrevistas (Rocco, 2007).

O NASCIMENTO & O FUTURO DA CRIANÇA – [...] - O que é?, pergunta o velho. Menino ou menina? – Menino, menino, gritou a parteira. R wur mrnino! Tem seis dedos e nasceu virado! [...] Em primeiro lugar, falemos dos traços dessa infeliz criança. Ele terá bons dentes, mas muito largos e espaçados. Suponho que vocês saibam o que isso significa. O menino será devasso e pródito. Talvez, também, mentiroso. É difícil reconhecer tudo isso com precisão, com todos esses buracos entre os dentes. Eles podem pressagiar uma dessas coisas, ou todas as três ao mesmo tempo. – E os seis dedos, pandit? – Um sinal pavoroso, não é mesmo? Tudo o que posso aconselhar é que o mantenham longe das árvores e da água. Sobretudo da água. [...]. Trecho extraído da obra Uma casa para o Sr. Biswas (Companhia das Letras, 2010), do escitor britânico nascido em Trinidad e Tobago, Prêmio Nobel de 2001, Vidiadhar Surajprasad Naipaul. Veja mais aqui.

DOIS POEMASCONHECIDO DA NOITE – Da noite sou conhecido / sob a chuva vou e venho / além das luzes que tenho ido. / Visto os tristes becos tenho. / Mas, sem ver, passo o rondante / fechado em seu sobrecenho. / Paro, e para o passo errante. / Quando interrompido grito / vem de outra rua distante / não para chamar-me ou aflito / dar adeus. No ceu, polido / relógio, o tempo descrito / tem, sem bo, nem mau, sentido. / Da noite sou conhecido. FOGO E GELO – Alguns dizem que o mundo acaba em fogo / outros dizem que em gelo acabará / pelo que do desejo já provei / favoreço a versão da ignescência. / Mas se houver de acabar-se duas vezes / eu penso conhecer o ódio bastante / para afirmar que nessa destruição / o gelo também serve / e é mesmo suficiente. Poemas do poeta estadunidense Robert Frost (1874-1963).

A ARTE DE ANA LUIZA REGO
A arte da artista visual Ana Luiza Rego.
IV Colóquio Internacional de Literatura e Gênero & muito mais na Agenda aqui.
&
A lição de cada amanhecer, Lendas da Amazônia, a música de Anne Schneider, Edla Fonseca, a arte de Alice Soares & a escultura de Lorenzo Quinn aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, dezembro 25, 2017

JOÃO DO RIO, ANDRÉ GIDE, BACHELARD, DEWEY, PELÓPIDAS SOARES, NINA KOZORIZ & CRONIQUETA DE NATAL

CRONIQUETA DE NATAL - Imagem da artista plástica russa Nina Kozoriz. – Respeitável público! Senhoras e senhores dêem licença, peço aqui a sua prestimosa atenção pra contar algumas poucas coisas daqui: sou do rincão em que o verão dura o ano inteiro. Não é bem assim; vez ou outra, quando em vez chega o mês de julho, das portas do céu escancarar pra chuvarada até dezembro, não antes elevar as águas de transbordarem varrendo abrigos, honras e poderes do chão, avalie. Respeite o dilúvio de levar a saparia a se atrepar na serra toda reunida, a rezar de joelhos na maior das ladainhas, pras nunvens pararem de mijar o maior aguaceiro dentro das calças de Maiakovski, pra não apagar a fogueira, nem acabar com a quadrilha do casamento matuto nos festejos juninos. A coisa é séria, arrebentando além dos oito a oitenta. Além do mais, aqui tem tudo: todo tipo de brebote e personalidade do Paraguay, trambiqueiro metido a inglês, galego-de-água-doce que nunca foi à Espanha, safados de Portugal, anão dentuço menor que o próprio tamanho da piroca grande como atração na prefeitura, piratas de Ali Babá na Câmara dos Vereadores, Et Deputado, profeta comerciante, Gengis Khan como médico, cobras como professores, cego como motorista, alcoviteira como justiça, hotel no espaço, cana escocesa, mosqueiro americano, tem até a Lapônia feita pelos duzentos quilos de banha de Joab Jabão depois de tomar uns gorós e, completamente biritado, pegar no empurrão já de saco cheio, aos soluços e sopapos, a puxar uns guenzos rua afora pra jogar moedas de antanho tapiando a garotada e os bestas, hô, hô, hô. Isso até ele parar encostado e resfolegante numa palmeira, acendendo a lamparina pra fazê-la árvore de Natal. Pois é, repito: aqui tem de tudo: se o chão tremer, não dá em nada, terremeto ou erosão, é soltar um rojão e cair no maior rastapé; tsunami, maremoto, muito menos, do Cocão do Padre a coisa é regulada: depende da ingresia religiosa – avisa pra eles que Deus não é surdo! -; e pode vir ventania, pé-de-vento, corisco, tornado ou tufão, moleza: vai dar asa pra soltar pipa ou mandar ver no catavento! Vulcão, incêndio, apocalipse, aqui é maior brinquedo! É todo dia e o dia todo o maior queima nas lojas do comércio! Quer mais? Passou nas quatro, pois é à prova de fogo, água, terra e ar – de bala, é covardia, né? Sem contar a fuxicagem, pechincha e por favor; a carteirada, calaboca e sim, senhor; finda em festa de virar o pote, quebrar botija e atiçar pra briga; e por via das dúvidas, tudo se joga nas três, até o que é dos outros: cuspe, pulha e pedra! E se alguém viu, ninguém sabe, só vale boataria pro circo pegar fogo! Conversa é só arenga, quantos ofendidos; dinheiro invisível feito mato, isso pros buchudos com deus na pança; se não for briga, a correria é o maior burburinho que só a má notícia, até pinotar ou ter um troço e bater as botas, só sabe se não morreu de morte morrida, ou de morte matada, precisa conferir quem saiu se já voltou ou vai ver se estou lá na esquina, depois junta o quebra-cabeça, tá? E pra encurtar a história toda que a coisa é muita e demais, o mundo todo é aqui! Se não é, está aqui! Mas é natal! É natal, gente! Vamos maneirar e aprumar a conversa, ora! É natal, tudo nasce, renasce e torna a nascer todo dia na aleatória pulsação das coisas: a amanhã e o Sol, a noite e as estrelas, a terra e o chão, a brisa e o vento, a areia e o seixo, a semente e o fruto, as folhas e os galhos, o zangão e as flores, as águas e as margens, a fonte e o regato, a correnteza dos rios e as ondas do mar, os caminhos e as estradas, as chegadas e as partidas, afora os bichos miúdos e os mais desproporcionados, os mansos e indomáveis, as peçonhentas e os domesticáveis, os que rastejam e as que voam, os que cantam e as que gritam, os que choram e as que riem, isso sem puxar a corda carnavalizante de gente: branco, preto, amarelo, vermelho, pardos, tudo muito misturado e quem mais vier de dentro e de fora dos planetas, das galáxias, da imensidão do universo! Afinal é natal, tudo nasce e renasce no esplendor da vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

A edição de hoje é dedicada à artista plástica russa Nina Kozoriz. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOSOs verdadeiros bem-estares têm um passado. Todo um passado vem viver, pelo sonho, numa casa nova. Mas a grande planta de pedra, que é a casa, cresceria mal se não tivesse em sua base a água dos subterrâneos. Pensamento do filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962). Veja mais aqui e aqui.

ALGUÉM FALOU: Tudo já foi dito uma vez, mas como ninguém escuta, é preciso dizer de novo. Pensamento do escritor francês Prêmio Nobel de Literatura de 1947, André Gide (1869-1951). Veja mais aqui e aqui.

AMEAÇAS DE ONTEM & HOJE - [...] A séria ameaça à nossa democracia não é a existência de Estados totalitários [...]. É a existência, em nossas próprias atitudes pessoais e dentro de nossas próprias instituições, das condições que deram vitória à autoridade externa, à disciplina, à uniformidade e à dependência do líder nos países estrangeiros. De acordo com isso, o campo de batalha é aqui também – dentro de nós mesmos e de nossas instituições. [...]. Trechos extraídos da obra Liberalismo, liberdade e cultura (Cia. Editora Nacional, 1970), do filósofo e pedagogo estadunidense John Dewey (1859-1952). Veja mais aqui, aqui & aqui.

VELHOS COCHEIROSOutro dia, ao saltar de um tílburi no antigo Largo do Paço, vi na boléia de um vis-à-vis pré-histórico a ventripotência colossal de um velho cocheiro. As duas mãos gorduchas à altura do peito como quem vai rezar, enfiado numa roupa esverdinhada, o automedonte roncava. Seria uma recordação literária ou a memória de uma fisionomia de infância? Seria o cocheiro da Safo, o irmão mais velho de Simeon, ou simplesmente um velho cocheiro que eu tivesse visto na doce idade em que todas as emoções são novas? Era difícil adivinhar. Para os cérebros cheios de literatura, a verdade obumbra-se tanto que é sempre preciso perguntar por ela como o fez Poncius Pilatos diante de Deus. Fui para perto do vis-à-vis, bati na perna do velho. Estava feio. O ventre, um ventre fabuloso, parecia uma talha que lhe tivessem entalhado ao tronco; as pernas, sem movimento, pendiam como traves; os braços, extremamente desenvolvidos, eram quase maiores que as pernas; e a caraça vermelha, com tons violáceos, lembrava os carões alegres do Carnaval. Abriu, entretanto, uma das pálpebras com mau humor e resmungou: – Pronto! – Então você não me conhece mais? – Eu não, senhor. – Pois eu conheço a você desde menino. Ele abriu de todo as pálpebras pesadas, um sorriso de alegre bondade passou-lhe pelo lábio. – Saiba vossa senhoria que bem pode ser! Toda essa gente importante de hoje eu conheci meninos de colégio! Não sei por que estava meio emocionado. – E já fez ponto na Estrada de Ferro? – Há vinte anos, eu e o Bamba. Encostei-me à boléia do antigo vis-à-vis. Havia vinte anos sim, havia vinte anos que no passar pela estação de carros os meus olhos de criança se fixaram curiosamente na fisionomia jocunda de um velho, que já naquele tempo era velho e já naquele tempo gravemente roncava na boléia de um carro! Havia vinte anos. É como lhe digo, afirmava ele. Conhece a filha do barão de Cotegipe? Eu vi aquela santa criatura menina. Conhece o filho do grande ministro João Alfredo? É meu amigo, dá-me dinheiro sempre que vem ao Rio. Olhe, há de conhecer o Dr. Fernando Mendes de Almeida e mais o irmão Dr. Cândido. Pois quando eu servia o pai, eles eram meninos de colégio. Há meses eu disse ao Dr. Fernando tudo isso e ele foi dar um passeio no meu carro e deu-me doces, vinho do Porto, dinheiro. Estava admirado e ria... – Como se chama você? – Braga, eu sou o Braga. Pobre velho cocheiro a quem se dá como às crianças doces de confeitaria! Eu continuava encostado ao vis-à-vis, imensamente triste e com a mesma curiosidade de criança. – Trabalho neste ofício desde 1870. Tinha vinte anos, quando comecei. Toda a minha mocidade foi acabada aqui. – E não estás rico?! – Rico? Soltou uma gargalhada sonora que lhe balançou o ventre e envermelheceu mais. Os seus olhos pequenos olhavam-me da boléia com superioridade compassiva. É difícil encontrar um cocheiro de carro que tenha feito fortuna. Enriquecem os de carroça, os de caminhões. De carro, se citam dois ou três em trinta anos. O ofício, longe de tornar ágeis os corpos, faz lesões cardíacas, atrofia as pernas, hipertrofia os braços, de modo que quinze anos de boléia, de visão elevada do mundo, ao sol e à chuva, estragam e usam um homem como a ferrugem estraga o aço mais fino. O Braga era um velho trapo encharcado. Tanto ádipo dava-me a impressão de que o pobre velho devia ter água nos tecidos. Eu continuava a ouvi-lo. Naquela boléia falava um cultor do quietismo, um renanista que tivesse compreendido o nirvana. Nem uma ambição, nem um ódio: apenas um sorriso de quem não se rala com a vida e vem para a rua almejando não encontrar fregueses, para dormir mais à vontade. – Ah! este carro! murmurei. Quanta história podia você contar. Quantas cenas de amor, quantos beijos, quantas angústias e quantos crimes! – Este carro não; outros, ou antes, eu. Fui de cocheira, fui de casa particular e trabalhei por minha conta. Quando caiu o ministério João Alfredo fui eu quem o levou ao Paço. Agora essas coisas de beijos – noutro tempo era nas berlindas. – Tinha vontade de saber a sua opinião. Ele arregalou muito os olhos. – A respeito de beijos? Sei lá! – Não, a respeito da Monarquia e da República. Ele sorriu, pensou. – A Monarquia tinha as suas vantagens. Era mais bonito, era mais solene. Não vá talvez pensar que eu sou inimigo da República. Mas recorde por exemplo um dia de audiência pública do imperador. Que bonito! Até era um garbo levar os fregueses lá. Ó Braga, onde estiveste? Fui à Boa Vista! Hoje todo o mundo entra no palácio do Catete. Não tem importância... É verdade que o Obá entrava no Paço. Mas era príncipe. E então para conhecer homens importantes! Não precisava saber-lhes o nome. Os ministros tinham uma farda bonita, o imperador saía de papo de tucano. Bom tempo aquele! Hoje a gente tem de suar para conhecer um ministro. Parecem-se todos com os outros homens. – Talvez não sejam, Braga. – Quanto às capacidades não digo nada...Mas veja. Por estar perto da secretaria é que conheço o Müller, um magro, que reforma a cidade. E de todo o ministério só ele. Se isso era possível em 1880! Depois, quer saber? A República trouxe a Bolsa, uma porção de cocheiros estrangeiros, uns gringos e ingleses de cara raspada, com uns carros que até nem eu lhes sabia o nome! Despegou as mãos de sobre o peito. – E vão morrendo todas as pessoas notáveis, já não há mais ninguém notável. Só restam o sr. visconde de Barbacena, o sr. marquês de Paranaguá e mais dois outros. Houve uma longa pausa. Como este cocheiro estava do outro lado da vida! Quinze anos apenas tinham levado o seu mundo e o seu carro para a velha poeira da história! Ele falava como um eco, e estava ali, olhando o boulevard reformado, pensando nos bons tempos das missas na catedral e das moradas reais, hoje ocupadas pela burocracia republicana. . . – O Braga é o mais velho cocheiro do Rio? – Não senhor; é o Bamba, que começou em 1864. Neste momento, outros cocheiros moços, limpos, de grandes calças abombachadas foram aproximando os carros, com vontade de saber o que retinha um cavalheiro tanto tempo a prosar com o velho. Logo se fez um barulho de rodas e de vozes. – Ó Braga, ó velho, despacha o freguês! tem aqui um carro bom, vossa senhoria! O Braga, posso servir? Braga cruzou outra vez as mãos no peito, com um sereno olhar indiferente. Que dor o havia de trespassar! Murmurei com pena: – Bom, adeus, meu Braga. E onde pára o Bamba? – Na Estrada, pára na Estrada. Às ordens do menino, respondeu ele do alto. Já agora era impossível deixar de ver o outro, de conhecer o mais antigo cocheiro do Rio! Tomei um bonde da Central. A tarde morria em lento e vermelho crepúsculo. No céu brilhava a primeira estrela trêmula e luminosa, e os combustores acendiam a sua luz azul quando saltei na Praça da Aclamação. E foi um grande trabalho. Eu ia de carro em carro. – Pode informar onde pára o Bamba? Uns diziam que o Bamba caíra e fora para o hospital, outros, os moços, riam de que se fosse procurar um cocheiro inútil como o Bamba, outros asseguravam que o velho não trabalhava mais. Afinal, quase defronte da porta do Quartel, encontrei um landau empoeirado, desses que parecem arcas e acomodam à vontade seis pessoas. Da boléia um mulato velho falava para um gordo ancião, muito gordo, muito estragado... – Sabe você dizer quem é e onde está o Bamba? O mulato riu. – É este, patrão... O gorduchão abriu a boca, onde faltavam os dentes. – Já não trabalho de noite: tenho 70 anos. Não vejo. Desde 1864 que estou no serviço. Outro dia quase morro; caí da boléia. Tenho as pernas duras. – Bamba, meu velho... – Sou o primeiro cocheiro, o mais velho, não há nenhum mais velho... Eu voltei-me para o mulato, interroguei-o quase em segredo: – Mas que diabo vem ele fazer aqui, assim? O mulato sorriu com tristeza. – Sei lá! É o cheiro, vossa senhoria, é o cheiro! Quando a gente começa nesta vida, não pode viver sem ela... É o cheiro. A praça vibrava numa estrepitosa animação, os combustores reverberavam em iluminações fantásticas, e, só, no céu calmo, como uma hóstia de tristeza, a velha lua esticava a triste foice do seu crescente. Conto extraído da obra A alma encantadora das ruas (Companhia das Letras, 2008), do jornalista, escritor, tradutor e teatrólogo João do Rio (1881-1921). Veja mais aqui e aqui.

O PIRANGIO que o rio estampa? / Irrefletido espelho / de aço perdido / e estrelas náufragas / sob a gosma parda / da calda fétida / rio sem a memória / das imagens das margens / despejo canavieiro / descendo moribundo / no seu leito de morte. Poema do escritor Pelópidas Soares (1922-2007). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!!
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terça-feira, dezembro 23, 2014

MARJANE SATRAPI, PIZARNIK, SARTRE & ZHANG RUOXU

 


UMA CANÇÃO PARA ALEJANDRA... – Alejandra era também Flora, uma bela taurina, poeta até o útero. A infância difícil de Bluma em Buenos Aires com seus pais imigrantes ucraniano-judeus: a irmã mais velha e a família estrangeira firmaram suas dores desde já. A sombra do nazismo e da segunda guerra obscurecia a sua infância com os temores dos pais. Os problemas com acne, asma, tartamudez, autopercepção física e a tendência ao sobrepeso prejudicavam sua autoestima com uma angústia perene. Descobriu a sexualidade para ser ora ousada e sensual, ora tímida e silenciosa. Tornou-se diferente: um caráter caótico e instável, rechaçava o apelido rompendo os laços familiares: abandonava a mãe e tudo que a lembrasse de Flora, Bluma, Blímele, envolvendo-se com filosofia, literatura e artes plásticas, aficionada pela poesia maldita. Tornava-se rebelde, excêntrica, subversiva – uma garota estranha na dependência de anfetaminas abundantes em seu armário. Anticonvencional dedicou-se ao existencialismo e se destacava triunfante com seus próprios escritos. A leitora agora escrevia a infância perdida e a morte: O temor ao futuro me prevê sigilosamente: o que será de mim?... Adotou o seu diário e nele o desapontamento materno e o protetorado de Bajarlía nos seus estudos, a personagem se assumindo órfã, estrangeira, onírica com toda atração pelo fim. Vieram então as sessões de terapia para salvar a autoestima da ansiedade e depressão. Foi para Paris, o refúgio na casa de familiares e lá expôs suas pinturas e desenhos, escreveu seus poemas e teve ocultada a sua sexualidade. Fantasiou casar-se com um outro poeta e não era: ele morria num acidente aéreo e os versos de Memoria. Publicou poemas, críticas literárias e traduziu Artaud, Michaux, Césaire e Bonnefoy. Dedicou-se aos estudos das religiões e escreveu no diário: – Sim, estou grávida. De repente, surge a ideia de não reagir com medo e chorar. Faça o que precisa ser feito com extrema confiança e lucidez. Esta é uma nova armadilha... E seu desgaste emocional e a frustração, a reclusão progressiva e a primeira tentativa de suicídio. Regressou à terra natal e publicou três dos seus mais importantes livros. O seu pai faleceu de um infarto: A morte do meu pai tornou minha morte mais real... Sumia a sua alegria nômade. Mudou-se com a namorada fotógrafa e ampliou a dependência de medicamentos. A sua poesia intensa se expressava como um diário hermético, escrita íntima, lúdica, visionária, poemários líricos. Vieram os prêmios de Guggenheim e da Fullbright, a sua voz no Escrito con un Nictógrafo de Carrera. Era ela com as perguntas recorrentes - do que seria culpada, por que o sofrimento eterno, o que a fez merecer tantos golpes duros e ruins: Temo que meus desejos de escrever não sejam mais do que meios para alcançar o fim desejado de sucesso, glória, fé em mim. Também podem ser desculpas, já que não estudo “a sério”, já que não vivo “a sério”. Pode ser também que, dada minha escassa facilidade de expressão oral, eu recorra ao papel para não me engasgar, para cuspir o fogo das minhas angústias... As crises depressivas e as tentativas de suicídio: Lá fora há sol / Eu me visto de cinzas... Internada não havia diagnóstico claro de sua doença mental, dois dos psicanalistas morreram e, o que restou, negou-se a tal. Apenas suas últimas palavras no meio de uma overdose de Seconal: Se não escrevo poemas não aceito viver... Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A melancolia é, creio eu, um problema musical: uma dissonância, uma mudança de ritmo. Enquanto por fora tudo acontece com o ritmo vertiginoso de uma catarata, por dentro é o adágio exausto de gotas d'água caindo de vez em quando cansada. Por esta razão, o exterior, visto do melancólico interior, parece absurdo e irreal e constitui “a farsa que todos devemos representar”. Mas por um instante – por causa de uma música selvagem, ou de uma droga, ou do ato sexual levado ao seu clímax – o ritmo muito lento da alma melancólica não se eleva apenas ao do mundo exterior: ele o domina com um ritmo inefavelmente feliz. exorbitante, e a alma então vibra animada por novas energias delirantes... Porque ninguém tem mais sede de terra, de sangue e de sexualidade feroz do que as criaturas que habitam os espelhos frios... Pensamento da escritora argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972). Do seu livro Diarios (Lumen, 2013), o trecho: [...] Como é fácil calar-me, ser sereno e objetivo com aqueles que não me interessam verdadeiramente, a cujo amor ou amizade não aspiro. Então sou calma, cautelosa e perfeita dona de mim mesma. Mas com os poucos seres que me interessam... Aí fica a pergunta absurda: sou uma convulsão, um grito, um uivo de sangue. [...] Já das suas Obras completas (2000): [...] Nua. Fadiga do corpo transparente como uma árvore de vidro. Perto de você você ouve o rumor brutal de um desejo inextricável. Noite cegamente minha. Você está mais longe do que eu. Horror de verificar você nos gritos do meu poema. Seu nome é a doença das coisas à meia-noite. Eles me prometeram um silêncio. Seu rosto está mais perto de mim do que o meu. Memória fantasma. Como eu adoraria te matar... [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Não importa aquilo que fizeram de você, importa, sim, aquilo que você faz daquilo que fizeram de ti... Pensamento do filósofo, escritor e crítico francês Jean-Paul Sartre (1905-1980). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

BORDADOS – [...] Falar pelas costas dos outros é o ventilador do coração. [...] Ser amante de um homem casado é ter o melhor papel. Você percebe? A camisa suja, a cueca nojenta, o passar roupa diário, o mau hálito, as crises de hemorróidas, a agitação, sem falar no mau humor e nas birras. Bem, tudo isso é para sua esposa. Quando um homem casado procura sua amante... ele está sempre branqueado e passado, seus dentes brilham, seu hálito é como perfume, ele está de bom humor, é cheio de conversa, está ali para se divertir com você. [...] Ninguém nasce corajoso, torna-se corajoso. [...] O amor é o oposto do bom senso [...] O orgulho dos homens está situado no escroto. [...]. Trechos extraídos da obra Embroideries (Pantheon, 2003), da escritora, quadrinista, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMASRESPONDENDO AO SONHO DE UMA NAMORADA - É cedo para passar pelo portão, então não desvie o olhar da torre. \ Experimente as roupas quentes e abra o espelho para ver a luz da primavera. \ As andorinhas espiam pela cortina e as abelhas vêm pintar as roupas. \ O amor impulsiona as flores de pêssego e ameixa, e o coração é enviado para a orquestra voar. \ A maquiagem sai e nos tratamos pela manhã, mas o vento e as flores nunca mais voltam. \ Onde quer que a alma onírica entre, o silêncio cobre a porta. UMA NOITE DE LUAR NO RIO - Na primavera o rio sobe tão alto quanto o mar, \ E com o nascer do rio a lua surge brilhante. \ Ela segue as ondas ondulantes por dez mil li, \ E onde o rio corre, ali transborda sua luz. \ O rio serpenteia ao redor da ilhota perfumada onde \ todas as flores desabrochando à sua luz parecem neve. \ Você não pode distinguir seus raios da geada no ar, \ Nem da areia branca da praia Farewell abaixo. \ Nenhuma poeira manchou a água misturada com o céu; \ Uma roda solitária como a lua brilha por toda parte. \ Quem à beira do rio viu pela primeira vez a lua surgir? \ Quando a lua viu pela primeira vez um homem à beira do rio? \ Ah, gerações vieram e desapareceram; \ De ano para ano as luas se parecem, velhas e novas. \ Não sabemos esta noite por quem ela lança seu raio, \ Mas ouça o rio dizer adeus à sua água. \ Longe, longe está navegando uma única nuvem branca; \ Em Farewell Beach, os pinheiros ficam verdes. \ Onde está o andarilho navegando em seu barco esta noite? \ Quem, definhando, nos trilhos iluminados pela lua aprenderia? \ Infelizmente! A lua paira sobre a torre; \ Deveria ter visto a penteadeira da feira.\ Ela levanta a cortina e a luz entra em seu caramanchão; \ Ela lava, mas não consegue lavar os raios da lua ali. \ Ela vê a lua, mas seu amado está fora de vista; \ Ela o seguiria para brilhar no rosto de seu amado. \ Mas os cisnes portadores de mensagens não podem voar para fora do luar, \ nem os peixes que enviam cartas podem saltar do seu lugar. \ Ontem à noite ele sonhou que as flores que caíam não permaneceriam. \ Infelizmente! Ele não pode ir para casa, embora metade da primavera já tenha passado. \ A fonte de água corrente desaparecerá; \ A lua que declina sobre o lago irá afundar em breve. \ A lua em declínio afunda-se numa névoa pesada; \ É um longo caminho entre os rios do sul e os mares do leste. \ Quantos podem voltar para casa ao luar e sentir falta? \ A lua minguante derrama anseio sobre as árvores ribeirinhas. Poema do poeta chinês do início da dinastia Tang, Zhang Ruoxu, que é mais conhecido por “A Moonlit Night on the Spring River” (Chun Jiang Hua Yue Ye), um dos poemas Tang mais exclusivos e influentes, que inspirou inúmeras obras de arte posteriores. O poema na primeira parte descreve o cenário do rio Yangtze iluminado pela lua na primavera; a segunda e a terceira lamentam a efemeridade da vida, bem como a tristeza dos viajantes e dos entes queridos que deixam para trás, marcando uma ruptura estilística com a poesia das Seis Dinastias anteriores e antecipa o conteúdo e o estilo da poesia High Tang, tornando-se “o poema de todos os poemas, o cume de todos os cumes”.

 

OUTRAS SACADAS

 

OS DRAGÕES DO ÉDEN – A obra Os dragões do Éden: especulações sobre a evolução da inteligência humana, de Carl Sagan, trata sobre o calendário cósmico XXIII, os genes e os cérebros, o cérebro e a carroça, a metáfora do éden, a evolução do homem, as abstrações das fe4ras, os contos do éden sombrio, os amantes e os loucos, a futura evolução do cérebro equipotente, afeto, informação extragenética e extra-somática, cérebro trino, neocórtex, alexia, primatas, craniotomia, filogenia e ontogenia, anaglifo, seleção natural, bits, sinapses, sistema de liberação, entre outros importantes assuntos.  REFERÊNCIAS: SAGAN, Carl. Os dragões do Éden: especulações sobre a evolução da inteligência humana. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980. Veja mais aquiaquiaqui.

VIDA E EDUCAÇÃO – A obra Vida e educação, de John Dewey aborda temas como educação como reconstrução da experiência, a escola, a criança e o programa escolar, os dissídios teóricos, elementos fundamentais do processo educativo, o mundo infantil, o mundo escolar, soluções diversas, disciplina contra interesse, necessidade de uma conciliação, importância do problema, interpretação e direito, exageros da velha e da nova educação, as matérias de estudo, a ideia de desenvolvimento, aspecto lógico e psicológico da experiência, os dois aspectos de toda matéria ou ciência, o esquecimento desse duplo aspecto, consequências, falso arranjo psicológico das lições, interesse e esforço, a atividade integrada, atividade dissociada, interesse e esforço, erro da teoria do esforço, arguição contra a teoria corrente do interesse, exame das teorias, integração entre esforço e interesse, interesses diretos e indiretos, aspecto ativo ou propulsivo, objetivo e emocional, direto ou imediato, indireto ou mediato, critério para julgar o interesse transferido, meios e fins, apelo a interesses adventícios, relação da matéria com a atividade infantil, esforço, atividade mental e motivação, tipos de interesse educativo, papel do interesse na teoria da educação, entre outros assuntos. REFERÊNCIAS: DEWEY, John. Vida e educação. São Paulo: Melhoramentos, 1973. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A GESTALT TERAPIA – A obra Gestalt terapia explicada, do psicoterapeuta e psiquiatra Fritz Perls (1893-1970) propõe o conceito de que o desenvolvimento psicológico e biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas desse organismo, que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente. Com essa obra, o autor critica a psicanálise com base em pesquisas sobre percepção e motivação. Nesse livro Perls lança uma importante discordância teórica com relação à psicanálise: a ideia de que a base da agressão e do sadismo está na fase oral e não na fase anal do desenvolvimento infantil. A obra trata ds fundamentos da gestalt terapia, o reconhecimento da conduta, o trabalho do terapeuta, percepções e descobrimentos, evasão, ansiedade, percepção, vazio, frustração, paralização e maneiras de seguir adiante, divisões e polaridades, projeções, a voz, os sonhos, a autoregulação organísmica, a realidade do aqui e agora, o organismo como totalidade, a unidade organismo/meio, a dominância da necessidade emergente e uma reflexão sobre o conceito de agressão, que é entendida como uma força biológica importante para o crescimento, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: PERLS, Fritz. Gestalt terapia explicada. São Paulo: Summus, 1976. Veja mais aqui, aqui,  aqui e aqui.

CÉREBRO E COMPUTADORES – A obra Cérebros e computadores: a complementaridade analógic0-digital na informática e na educação, de Robinson Moreira Tenório, aborda temas como gênese da relação analógico-digital, noção de analogia, opostos em informática, dispositivos analógicos e digitais, calculo analógico e digital, conversão analógico-digital, a tensão, comunicação, codificação, informação, modelos, imagens, cognição, computadores, redes neurais, analogia, simulação, diagramas e gráficos, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: TENÓRIO, Robinson Moreira. Cérebros e computadores: a complementaridade analógic0-digital na informática e na educação. São Paulo: Escrituras, 2011. Veja mais aqui.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiTALENTOS PERNAMBUCANOS, ALAGOANOS E MINEIROS FAZEM A FESTA DE NATAL  - Logo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá Especial de Natal e comemorando os mais de 418 mil acessos do blog, apresentação da querida Meimei Corrêa e com as seguintes atrações na programação: Wagner Tiso, Simone, Yes, Milton Nascimento, Roupa Nova, Carlos Moura, Tunai, Tavito, Petrúcio Amorim, Sônia Mello, Ricardo Machado, Zé Linaldo, Millane Hora, Júlio Uçá, Luiz Wanderley, Wilson Monteiro, Ádila Becker, Paulynho Duarte, Mazinho, Marquinhos Cabral, Ozi dos Palmares, Tony Câmara, João Albrecht, Wilson Miranda & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Natal
Quando? Hoje, terça, 23 de dezembro, a partir das 21hs
Onde? No MCLAM 
Apresentação: Meimei Corrêa



INTERVENÇÕES URBANAS NO CALÇADÃO DE TRÊS CORAÇÕES - Nesta terça-feira, 23 de dezembro, a partir das 17hs, Paulo César de Barros, Banda Decibéis, Gustavo Valin, Odair Lemes, a banda pop-rock Sapato Mudo e muitos outros poetas e grupos musicais, estarão no Calçadão 18, em Três Corações (MG), em grande festa para a população com seus talentos. Imperdível!  (Inf. Meimei Corrêa),


NUNCA COMPRE PRODUTOS CCE – Quem avisa amigo é: Cuidado Com o Engodo! Vem aí o segundo capítulo da novela Nunca compre produtos CCE e saiba tudo o que um consumidor não deve passar com o descaso de empresas que não respeitam o cidadão! A novela está longe de terminar. Nesse capítulo você saberá que moro numa rua que não existe (Vôte, será que eu existo mesmo ou to que nem Garabombo, o invisível?). Também: não coloque a bolinha de palhaço no nariz toda vez que lhe derem um código de postagem inválido. Procon e Justiça, armado de Código de Defesa do Consumidor, podem não funcionar na hora, mas servem pra você cobrar seus direitos. E muito mais, você não perde por esperar. Confira o primeiro capítulo aqui


EDUCAÇÃO DAS NOSSAS CRIANÇAS – O artigo 205 da Constituição Federal vigente, determina que: “Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Essa previsão constitucional foi regulamentada com a edição da Lei 9394/96, definindo como deve ser desenvolvida a educação no Brasil. Afinal, o Estado cumpre a sua parte? E a escola e os pais? Se a gente apertar direitinho veremos que ninguém faz sua parte, razão pela qual a educação é essa tragédia (tanto na rede pública, como na rede privada que só se diferencia da outra pela limpeza e disciplina, mas a tragédia é a mesma). O que fazer? Faço uso das instruções sugeridas pela Universidade Rose-Croix Internacional (URCI): “A condição primordial em matéria de educação consiste em darmos aos nossos filhos o exemplo de comportamento que desejamos inculcar neles. Com efeito, nós somos o referencial cotidiano deles. Assim sendo, como esperar que eles sejam pontuais, ordeiros, corteses, prestativos, tolerantes, etc., se nós mesmos não o somos? Naturalmente, ninguém é perfeito e o papel do educador é difícil, mas devemos nos esforçar em ser o mais fiéis possíveis ao nosso ideal de educação [...] Lembremo-nos sempre de que nosso dever de adultos é o de educá-los no sentido de elevar sua consciência aos ideais espirituais e humanistas [...]”. Veja mais educação aqui.



O NOVO PARADIGMA CIENTÍFICO – Estudando sobre o paradigma holístico, deparei-me com o artigo O novo paradigma científico: a experiência da fenda dupla – fundamento da mecânica quântica, de Robert Bouleau, trata da afirmação de que estamos interconectados, considerando aquilo que percebemos, a teoria das cordas como o Santo Graal da física moderna, a partícula de Deus como origem de tudo, a mensagem da água como o poder do espírito sobre a matéria, assinalando pra gente que: “A mecânica quântica é a teoria física e matemática que descreve a estrutura e a evolução no tempo e no espaço dos fenômenos físicos em escala das partículas que constituem o átomo [...] que partículas estejam conectadas entre si de um extremo a outro do universo (teoria das cordas) revela a não-dualidade do mundo. [...] que os valores platônicos da protoconsciência, a bondade e a verdade, existem num nível fundamental da geometria espaço-tempo e influenciam nossas ações. Se estivermos abertos a este processo, esta influência nos conectará exaustivamente com o restante dos seres do universo [...] estamos todos conectados. [...] A teoria das cordas vibrantes reúne todas as equações numa só e demonstra dessa forma a interconectividade de tudo no universo”. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais sobre:
Aventureiros do Una, Maurice Merleau-Ponty, Carlos Heitor Cony, Castro Alves & Eugênia Câmara, Sergei Rachmaninoff & Yara Bernette, Amália Rodrigues, Jules Joseph Lefebvre, Wolfgang Petersen & Diane Kruger aqui.

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Autoestima aqui.
O pensamento de Karl Marx aqui, aqui e aqui.
Meu ensino de Jacques Lacan & Disco Friends aqui.
Quadrinhos, a nona arte aqui.
Os catecismos de Zéfiro & O Rol da Paixão aqui e aqui.
O pensamento de Parmênides de Eléia aqui.
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O período naturalista do pensamento grego: Os Jônios & Anaxímenes aqui.
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O Budismo aqui.
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Dos temores da infância aos arroubos juvenis, Estrella Bohadana, Nuno Ramos, Mariana Aydar & Leonid Afremov aqui.
O verbo no coração do silêncio, Ástor Piazzolla & Eduardo Isaac, Steve Hanks, Wassily Kandinsky & Eliane Potiguara aqui.
Pra quem só vê superfície, todo rio é sempre raso, Zygmunt Bauman, Maria Azova, Anna Ewa Miarczynska & Júlio Pomar aqui.
A vida solta no calor do coração, Teodora Dimitrova, Carlos Baez Barrueto, Claudia Rogge & Robert Delaunay aqui.
Os véus dos céus & o prazer do amor, Djavan, Luciah Lopez, Christine Jeffs & Kirsty Gunn aqui.
Escândalo do coroinha, Ferdinand Hodler, Aldine Müller, Helena Ramos & Zaira Bueno aqui.
Tolinho & Bestinha: quando tolinho bateu pino com o capeta granulado aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...