O AMOR É MESMO CEGO E CEGA – Imagem: Grafite
- A voz colorida das Ruas - Vera
finalmente esposou depois de emplacar décadas de solteirice, um escândalo! Óóóóóó!
Nos quatro cantos da cidade trepidava o maior escarcéu: Como é que é? Oxente,
aquela bonitona casou, foi? Quem foi o sortudo da tuia que andava cheirando os
rebolados dela? Quem sabe, ora! Pois é, a mais cobiçada e sonho de consumo de
marmanjos e quejandos de Alagoinhanduba e região, saiu do caritó e contraiu
núpcias com cerimônia privada só pra alguns familiares – nem todos, alguns
barrados metidos a parentes, achegados e cheleléus -, só com padre, juiz e uns
gatos pingados da estima dela, jurando fidelidade ao esponsal até que a morte
os separe. Já era hora, balzaquiana quase loba, tudo quanto era cueca apostava
quem o premiado. Foi aí que nasceu o pandemônio. O que deixou de queixo caído
toda população, foi, justamente, o tal do escolhido. Pra decepção de tanto Don
Juan, Casanova, artista de cinema, televisão e capa de revista - até o Chico
Buarque se engraçou da moça com versos e prosa -, a todos ela disse não, em
cima do maior salto alto. Na horagá, ela só disse sim pra maior feiúra da
humanidade: Aquilo não é gente, é uma coisa feia dos diabos, gente! Assim
passaram a tratar de Coisa Feia o Lurdinaldito, vulgo Biuzinhodito, filho de
dona Lourdes da Cocada e Beneditodito do Caixão – como o pai era chamado por
todos de Biuzito do Caixão, ficou o filho Biuzinhodito. Pense num ocrídio de
horroroso: dois olhos aboticados e um pra cada lado embaixo duma pestana grossa
e emendada, dois tufos de cabelos na careca, orelha de abano ilustrada por uma
costeleta ineivada, venta espragatada, duas bochechas proeminentes arrodeadas
por uma barbicha crespa e invocada, um único dentinho na boca, engongado, um
braço menor que o outro, corcunda e malassombrado, buchudo e cocho, pés de
barbatana, cheio de pereba e despelado. Vixe! De qual história de terror saiu
esse monstro, hem? Gente, isso é arte de bruxaria, só sendo. A Vera devia de
arrumar coisa mais apresentável! O zunzunzum não minguava, a maior despeita no
escárnio. E ela toda metida a insolente, carregando sua fera pela coleira: Sou
pela sororidade, mas por via das dúvidas, esse é meu, ninguém tasca! E o melhor
dele é no xambregado. Que coisa! Depois do casório às escondidas, Vera sumiu-se
dentro de casa com seu bicho de estimação, de nunca mais dar as caras na rua. Óóóóóó!
A macharia se mobilizou num protesto com faixas e cartazes na frente da casa
dela: Queremos Vera! Queremos Vera! Três horas depois, apareceu a prima dela seminua
como porta-voz, e foi aquele rebuliço: vestida só numa blusinha de alça que
cobria o exato necessário e mais nada, tentava falar e, cada vez que levantava os
braços, deixava as intimidades suculentas à mostra. Haja clique de fotografia e
cochichado: Visse os peitinhos dela? Ah, eu cliquei no entrecoxa, meu! Meia hora
de espetáculo e nada dela conseguir dar o comunicado pelo alvoroço geral, ninguém
arredava o pé de tão vidrados. Foi, então, de posse de um megafone, ela berrou:
A Vera está de lua de mel, só dará sinal de vida daqui uns três meses. Danou-se!
Foi a maior ovação, os apupos e protestos aumentaram quadruplicados, varando a
noite, madrugada adentro, dia corrido, e todos nada de desencangarem dali, dia
ao crepúsculo atrás de alvorada, encarreados. Aí começou a especulação: O que
aquele troglodita tem que eu não tenho? O que danado a Vera viu naquele troço? Palpites,
arengas, apostas, nada de consenso. Será que o cabra tem a tromba avantajada?
Ih, pelo jeito o mondrongo dá nela, pode ver! Foi catimbó, só sendo! Como é que
pode, hem? Por que não eu? Foi preciso juntar uma ruma de genitoras, esposas, sogras,
noivas, madrinhas, namoradas, amantes e quebra-galhos, marchando firme pra cair
na maior cabada de vassoura no quengo dos recalcitrantes pro negócio voltar à
normalidade. Isso não poupou os recém-casados de se vitimarem de buzinadas,
pedradas, impropérios e jactâncias exaltadas por mais de mês. Reclamavam todos
na passagem: Isso é um vitupério! Um semestre nessa pisada e Vera nem aí com
sua aberração, só no bem-bom. Ah, gente, o amor é mesmo cego e cega. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja
mais aqui.TATARITARITATÁ: VAMOS APRUMAR A CONVERSA - Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
sexta-feira, junho 01, 2018
RUBIÃO, JORGE DE SENA, ZUENIR, DEWEY, LOURDES RAMALHO, GRAFITE, O TEATRO MÁGICO & MULHERES DE HOLLANDA
O AMOR É MESMO CEGO E CEGA – Imagem: Grafite
- A voz colorida das Ruas - Vera
finalmente esposou depois de emplacar décadas de solteirice, um escândalo! Óóóóóó!
Nos quatro cantos da cidade trepidava o maior escarcéu: Como é que é? Oxente,
aquela bonitona casou, foi? Quem foi o sortudo da tuia que andava cheirando os
rebolados dela? Quem sabe, ora! Pois é, a mais cobiçada e sonho de consumo de
marmanjos e quejandos de Alagoinhanduba e região, saiu do caritó e contraiu
núpcias com cerimônia privada só pra alguns familiares – nem todos, alguns
barrados metidos a parentes, achegados e cheleléus -, só com padre, juiz e uns
gatos pingados da estima dela, jurando fidelidade ao esponsal até que a morte
os separe. Já era hora, balzaquiana quase loba, tudo quanto era cueca apostava
quem o premiado. Foi aí que nasceu o pandemônio. O que deixou de queixo caído
toda população, foi, justamente, o tal do escolhido. Pra decepção de tanto Don
Juan, Casanova, artista de cinema, televisão e capa de revista - até o Chico
Buarque se engraçou da moça com versos e prosa -, a todos ela disse não, em
cima do maior salto alto. Na horagá, ela só disse sim pra maior feiúra da
humanidade: Aquilo não é gente, é uma coisa feia dos diabos, gente! Assim
passaram a tratar de Coisa Feia o Lurdinaldito, vulgo Biuzinhodito, filho de
dona Lourdes da Cocada e Beneditodito do Caixão – como o pai era chamado por
todos de Biuzito do Caixão, ficou o filho Biuzinhodito. Pense num ocrídio de
horroroso: dois olhos aboticados e um pra cada lado embaixo duma pestana grossa
e emendada, dois tufos de cabelos na careca, orelha de abano ilustrada por uma
costeleta ineivada, venta espragatada, duas bochechas proeminentes arrodeadas
por uma barbicha crespa e invocada, um único dentinho na boca, engongado, um
braço menor que o outro, corcunda e malassombrado, buchudo e cocho, pés de
barbatana, cheio de pereba e despelado. Vixe! De qual história de terror saiu
esse monstro, hem? Gente, isso é arte de bruxaria, só sendo. A Vera devia de
arrumar coisa mais apresentável! O zunzunzum não minguava, a maior despeita no
escárnio. E ela toda metida a insolente, carregando sua fera pela coleira: Sou
pela sororidade, mas por via das dúvidas, esse é meu, ninguém tasca! E o melhor
dele é no xambregado. Que coisa! Depois do casório às escondidas, Vera sumiu-se
dentro de casa com seu bicho de estimação, de nunca mais dar as caras na rua. Óóóóóó!
A macharia se mobilizou num protesto com faixas e cartazes na frente da casa
dela: Queremos Vera! Queremos Vera! Três horas depois, apareceu a prima dela seminua
como porta-voz, e foi aquele rebuliço: vestida só numa blusinha de alça que
cobria o exato necessário e mais nada, tentava falar e, cada vez que levantava os
braços, deixava as intimidades suculentas à mostra. Haja clique de fotografia e
cochichado: Visse os peitinhos dela? Ah, eu cliquei no entrecoxa, meu! Meia hora
de espetáculo e nada dela conseguir dar o comunicado pelo alvoroço geral, ninguém
arredava o pé de tão vidrados. Foi, então, de posse de um megafone, ela berrou:
A Vera está de lua de mel, só dará sinal de vida daqui uns três meses. Danou-se!
Foi a maior ovação, os apupos e protestos aumentaram quadruplicados, varando a
noite, madrugada adentro, dia corrido, e todos nada de desencangarem dali, dia
ao crepúsculo atrás de alvorada, encarreados. Aí começou a especulação: O que
aquele troglodita tem que eu não tenho? O que danado a Vera viu naquele troço? Palpites,
arengas, apostas, nada de consenso. Será que o cabra tem a tromba avantajada?
Ih, pelo jeito o mondrongo dá nela, pode ver! Foi catimbó, só sendo! Como é que
pode, hem? Por que não eu? Foi preciso juntar uma ruma de genitoras, esposas, sogras,
noivas, madrinhas, namoradas, amantes e quebra-galhos, marchando firme pra cair
na maior cabada de vassoura no quengo dos recalcitrantes pro negócio voltar à
normalidade. Isso não poupou os recém-casados de se vitimarem de buzinadas,
pedradas, impropérios e jactâncias exaltadas por mais de mês. Reclamavam todos
na passagem: Isso é um vitupério! Um semestre nessa pisada e Vera nem aí com
sua aberração, só no bem-bom. Ah, gente, o amor é mesmo cego e cega. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja
mais aqui.quarta-feira, março 21, 2018
NAIPAUL, ROBERT FROST, DEWEY, POPPER, CLARICE & NELSON, ANA LUIZA REGO, GUSTAVO SANTAOLALLA & LISBETH SCOTT
A CABEÇA NA BANDEJA - Imagem:
arte da artista visual Ana Luiza Rego.
– Quando eu estava para nascer, havia uma expectativa. O que será que será? Ninguém
previa o que pudesse surgir ali, naquela hora, se um monstro, um duende, um et,
um vampiro, ou o saci Pererê, coisa que valha das abusões e terrores do mundo. Estavam
todos prontos para tudo, eu poderia ser qualquer coisa, inclusive um aleijão,
ou uma maldição, ou a besta do apocalipse. Fisionomias graves se confundiam com
as da minha mãe que não sabia ao certo se estava com oito ou dez meses,
atrapalhada com a contagem. A parteira lá a postos, conferindo as dilatações,
as contrações, dizia: O bregueço vai nascer já já. Está quase na hora dele se
mostrar! E tome espera. Ninguém ali dos presentes, parentes e aderentes sabiam
se três da madrugada, dez da manhã ou cinco da tarde, sabe-se, apenas, que de
repente pinotei do ventre da minha mãe pras mãos da parteira, com um berreiro
macho de quem queria mesmo era azucrinar o mundo. Pronto, disse a parteira toda
ancha, conferindo tudo: Dois olhos, dois buracos no nariz, uma boca, dois
ouvidos, pescoço, dois braços, duas mãos e cinco dedos, dois pés e cinco dedos,
duas pernas, virou, revirou, desvirou, tudo parece perfeito, pelas aparências não
é bicho, nem coisa de outro mundo, parece mesmo que é gente, nunca se sabe. Pode
ser que vire coisa ruim, vai depender das circunstâncias. Mas tem um detalhe!
Ao dizer isso todos ficaram apreensivos. O detalhe é que esse menino será a
perdição do mundo se não cortarem o mal pela raiz. Como assim? Esse menino será
os pés da doida e se derem manha para ele, tudo estará perdido. Por quê? Se não
cortarem logo as asas dele, esse menino quando crescer vai dar muito trabalho,
vejam! Aí ela me futucou, eu dei um espirro e a terra tremeu caindo uma chuva
torrencial. Como é? Ela buliu e eu arrotei. Nessa hora tudo virou de pernas pro
ar. Ôôôô! Deu outra cutucada e eu peidei, pronto, trovões e relâmpagos abriam
serras e morros! Ôôô! Estão prestando a atenção, né? Sim, todos
afirmativamente. Pois bem, quando esse menino sorrir tudo vai desequilibrar,
quando ele chorar os rios transbordarão a ponto das barragens romperem, quando
ele tossir vai mudar a cor das coisas, quando estalar os dedos vai causar
catabis que assustarão todo mundo, quando cagar as placas tectônicas se
reacomodarão, quando ele mijar vai soltar sacarose de virar açúcar cristalizado,
quando ele correr vai sumir, porque vai ficar invisível e só voltará quando bem
quiser, mas não deixem ele cantar, será bastante desafinado, prefira as
mentiras que ele conte porque será um grande mentiroso, mas nunca, sob hipótese
alguma, deixe-o cantar, pois causará um desastre imprevisível. Estão avisados. Muitas
outras coisas esse menino pode proporcionar para prejuízo de todos. Muitas mesmo.
Cuidem dele em cima da risca, não deixem que viva solto, qualquer descuido será
tarde demais, qualquer brecha ele foge, qualquer desatenção ele bota fogo na
casa, tem de ser vigiado vinte e quatro horas por dia. Entendido? Sim, tudo nos
conformes. Só não esperavam que eu começasse ali naquela hora a armar das
minhas até hoje, premiado com a cabeça exposta na bandeja. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja
mais aqui.segunda-feira, dezembro 25, 2017
JOÃO DO RIO, ANDRÉ GIDE, BACHELARD, DEWEY, PELÓPIDAS SOARES, NINA KOZORIZ & CRONIQUETA DE NATAL
terça-feira, dezembro 23, 2014
MARJANE SATRAPI, PIZARNIK, SARTRE & ZHANG RUOXU
UMA CANÇÃO PARA ALEJANDRA... – Alejandra era também Flora, uma bela
taurina, poeta até o útero. A infância difícil de Bluma em Buenos Aires com
seus pais imigrantes ucraniano-judeus: a irmã mais velha e a família
estrangeira firmaram suas dores desde já. A sombra do nazismo e da segunda
guerra obscurecia a sua infância com os temores dos pais. Os problemas com
acne, asma, tartamudez, autopercepção física e a tendência ao sobrepeso
prejudicavam sua autoestima com uma angústia perene. Descobriu a
sexualidade para ser ora ousada e sensual, ora tímida e silenciosa. Tornou-se
diferente: um caráter caótico e instável, rechaçava o apelido rompendo os laços
familiares: abandonava a mãe e tudo que a lembrasse de Flora, Bluma, Blímele,
envolvendo-se com filosofia,
literatura e artes plásticas, aficionada pela poesia maldita. Tornava-se
rebelde, excêntrica, subversiva – uma garota estranha na dependência de
anfetaminas abundantes em seu armário. Anticonvencional dedicou-se ao
existencialismo e se destacava triunfante com seus próprios escritos. A leitora
agora escrevia a infância perdida e a morte: O temor ao futuro me
prevê sigilosamente: o que será de mim?... Adotou o seu diário e nele o
desapontamento materno e o protetorado de Bajarlía nos seus estudos, a
personagem se assumindo órfã, estrangeira, onírica com toda atração pelo fim.
Vieram então as sessões de terapia para salvar a autoestima da ansiedade e
depressão. Foi para Paris, o refúgio
na casa de familiares e lá expôs suas pinturas e desenhos, escreveu seus
poemas e teve ocultada a sua sexualidade. Fantasiou casar-se com um outro poeta
e não era: ele morria num acidente aéreo e os versos de Memoria. Publicou poemas, críticas literárias e
traduziu Artaud, Michaux, Césaire e Bonnefoy. Dedicou-se aos estudos das
religiões e escreveu no diário: – Sim, estou grávida. De repente,
surge a ideia de não reagir com medo e chorar. Faça o que precisa ser feito com
extrema confiança e lucidez. Esta é uma nova armadilha... E seu desgaste
emocional e a frustração, a reclusão progressiva e a primeira tentativa de
suicídio. Regressou à terra natal e
publicou três dos seus mais importantes livros. O seu pai faleceu de um
infarto: A morte do meu pai tornou minha morte mais real... Sumia a sua
alegria nômade. Mudou-se com a namorada fotógrafa e ampliou a dependência de
medicamentos. A sua poesia intensa se
expressava como um diário hermético, escrita íntima, lúdica, visionária, poemários
líricos. Vieram os prêmios de Guggenheim e da Fullbright, a sua voz no Escrito
con un Nictógrafo de Carrera. Era ela com as perguntas recorrentes - do que
seria culpada, por que o sofrimento eterno, o que a fez merecer tantos golpes
duros e ruins: Temo que meus desejos de escrever não sejam mais do que meios
para alcançar o fim desejado de sucesso, glória, fé em mim. Também podem ser
desculpas, já que não estudo “a sério”, já que não vivo “a sério”. Pode ser
também que, dada minha escassa facilidade de expressão oral, eu recorra ao
papel para não me engasgar, para cuspir o fogo das minhas angústias... As crises depressivas e as tentativas de
suicídio: Lá fora há sol / Eu me visto de cinzas... Internada não havia diagnóstico claro de
sua doença mental, dois dos psicanalistas morreram e, o que restou, negou-se a
tal. Apenas suas últimas palavras no meio de uma overdose de Seconal: Se não
escrevo poemas não aceito viver... Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.
DITOS & DESDITOS - A melancolia é,
creio eu, um problema musical: uma dissonância, uma mudança de ritmo. Enquanto por fora
tudo acontece com o ritmo vertiginoso de uma catarata, por dentro é o adágio
exausto de gotas d'água caindo de vez em quando cansada. Por esta razão, o
exterior, visto do melancólico interior, parece absurdo e irreal e constitui “a
farsa que todos devemos representar”. Mas por um instante – por causa de uma
música selvagem, ou de uma droga, ou do ato sexual levado ao seu clímax – o
ritmo muito lento da alma melancólica não se eleva apenas ao do mundo exterior:
ele o domina com um ritmo inefavelmente feliz. exorbitante, e a
alma então vibra animada por novas energias delirantes... Porque ninguém
tem mais sede de terra, de sangue e de sexualidade feroz do que as criaturas
que habitam os espelhos frios... Pensamento da escritora
argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972). Do seu livro Diarios (Lumen, 2013),
o trecho: [...] Como é fácil
calar-me, ser sereno e objetivo com aqueles que não me interessam
verdadeiramente, a cujo amor ou amizade não aspiro. Então sou calma,
cautelosa e perfeita dona de mim mesma. Mas com os poucos seres que me interessam...
Aí fica a pergunta absurda: sou uma convulsão, um grito, um uivo de sangue. [...] Já das suas Obras
completas (2000): [...] Nua. Fadiga do corpo transparente como uma
árvore de vidro. Perto de você você ouve o rumor brutal de
um desejo inextricável. Noite cegamente minha. Você está mais longe
do que eu. Horror de verificar você nos gritos do meu
poema. Seu nome é a doença das coisas à meia-noite. Eles me prometeram
um silêncio. Seu rosto está mais perto de mim do que o
meu. Memória fantasma. Como eu adoraria te matar... [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e
aqui.
ALGUÉM FALOU: Não importa aquilo que fizeram de
você, importa, sim, aquilo que você faz daquilo que fizeram de ti...
Pensamento do filósofo, escritor e crítico francês Jean-Paul Sartre
(1905-1980). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.
BORDADOS – [...] Falar pelas costas dos outros é o ventilador do coração. [...]
Ser amante de um homem casado é ter o melhor papel. Você percebe? A camisa suja, a cueca nojenta, o passar
roupa diário, o mau hálito, as crises de hemorróidas, a agitação, sem falar no
mau humor e nas birras. Bem, tudo isso é para sua esposa. Quando
um homem casado procura sua amante... ele está sempre branqueado e passado,
seus dentes brilham, seu hálito é como perfume, ele está de bom humor, é cheio
de conversa, está ali para se divertir com você. [...]
Ninguém nasce corajoso, torna-se corajoso. [...] O
amor é o oposto do bom senso [...] O orgulho dos
homens está situado no escroto. [...]. Trechos extraídos da obra Embroideries
(Pantheon, 2003), da escritora, quadrinista, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane
Satrapi. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
DOIS POEMAS – RESPONDENDO AO SONHO DE UMA
NAMORADA - É cedo para passar pelo portão, então não desvie o olhar da torre. \
Experimente as roupas quentes e abra o espelho para ver a luz da primavera. \ As
andorinhas espiam pela cortina e as abelhas vêm pintar as roupas. \ O amor
impulsiona as flores de pêssego e ameixa, e o coração é enviado para a
orquestra voar. \ A maquiagem sai e nos tratamos pela manhã, mas o vento e as
flores nunca mais voltam. \ Onde quer que a alma onírica entre, o silêncio
cobre a porta. UMA NOITE DE
LUAR NO RIO - Na primavera
o rio sobe tão alto quanto o mar, \ E com o nascer do rio a lua surge
brilhante. \ Ela segue as ondas ondulantes por dez mil li, \ E onde o rio
corre, ali transborda sua luz. \ O rio serpenteia ao redor da ilhota perfumada
onde \ todas as flores desabrochando à sua luz parecem neve. \ Você não pode
distinguir seus raios da geada no ar, \ Nem da areia branca da praia Farewell
abaixo. \ Nenhuma poeira manchou a água misturada com o céu; \ Uma roda
solitária como a lua brilha por toda parte. \ Quem à beira do rio viu pela
primeira vez a lua surgir? \ Quando a lua viu pela primeira vez um homem à
beira do rio? \ Ah, gerações vieram e desapareceram; \ De ano para ano as luas
se parecem, velhas e novas. \ Não sabemos esta noite por quem ela lança seu
raio, \ Mas ouça o rio dizer adeus à sua água. \ Longe, longe está navegando
uma única nuvem branca; \ Em Farewell Beach, os pinheiros ficam verdes. \ Onde
está o andarilho navegando em seu barco esta noite? \ Quem, definhando, nos
trilhos iluminados pela lua aprenderia? \ Infelizmente! A lua paira sobre a
torre; \ Deveria ter visto a penteadeira da feira.\ Ela levanta a cortina e a
luz entra em seu caramanchão; \ Ela lava, mas não consegue lavar os raios da
lua ali. \ Ela vê a lua, mas seu amado está fora de vista; \ Ela o seguiria
para brilhar no rosto de seu amado. \ Mas os cisnes portadores de mensagens não
podem voar para fora do luar, \ nem os peixes que enviam cartas podem saltar do
seu lugar. \ Ontem à noite ele sonhou que as flores que caíam não
permaneceriam. \ Infelizmente! Ele não pode ir para casa, embora metade da
primavera já tenha passado. \ A fonte de água corrente desaparecerá; \ A lua
que declina sobre o lago irá afundar em breve. \ A lua em declínio afunda-se
numa névoa pesada; \ É um longo caminho entre os rios do sul e os mares do
leste. \ Quantos podem voltar para casa ao luar e sentir falta? \ A lua
minguante derrama anseio sobre as árvores ribeirinhas. Poema do poeta chinês do início da
dinastia Tang, Zhang Ruoxu, que é mais conhecido por “A Moonlit Night
on the Spring River” (Chun Jiang Hua Yue Ye), um dos poemas Tang mais
exclusivos e influentes, que inspirou inúmeras obras de arte posteriores. O
poema na primeira parte descreve o cenário do rio Yangtze iluminado pela lua na
primavera; a segunda e a terceira lamentam a efemeridade da vida, bem como a
tristeza dos viajantes e dos entes queridos que deixam para trás, marcando uma ruptura
estilística com a poesia das Seis Dinastias anteriores e antecipa o conteúdo e
o estilo da poesia High Tang, tornando-se “o poema de todos os poemas, o cume
de todos os cumes”.
OUTRAS SACADAS
PROGRAMA
TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar
todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e
radialista Meimei Corrêa na Rádio
Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aqui. TALENTOS PERNAMBUCANOS, ALAGOANOS E MINEIROS
FAZEM A FESTA DE NATAL - Logo
mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá Especial
de Natal e comemorando os mais de 418 mil acessos do blog, apresentação da
querida Meimei Corrêa e com as seguintes atrações na programação: Wagner Tiso, Simone, Yes, Milton Nascimento, Roupa Nova, Carlos Moura, Tunai,
Tavito, Petrúcio Amorim, Sônia Mello, Ricardo Machado, Zé Linaldo, Millane Hora,
Júlio Uçá, Luiz Wanderley, Wilson Monteiro, Ádila Becker, Paulynho Duarte, Mazinho,
Marquinhos Cabral, Ozi dos Palmares, Tony Câmara, João Albrecht, Wilson Miranda
& muito mais! Veja mais aqui.MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA
Imagem: Acervo ArtLAM . O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...
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NANCY, A INCANSÁVEL MUSA – Herdeira da fortuna de uma família londrina, ela passou a infância de Nevill Holt entre um e outro colégio ...
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BIZIGA & ELA QUER MUITO MAIS – Insatisfeita ela sempre está. Pudera, não há nada mais que o amor no seu mundo. E parece querer semp...
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INCÊNDIO DAS PAIXÕES – Ela deu-me o seu corpo em brasa para incendiar os meus desejos indômitos. Ela deu-me a sua alma em chamas para in...
























