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quinta-feira, setembro 28, 2023

REBECA BOLAÑOS, NICOLA GRIFFITH, SUSAN GREENFIELD & VIOLA DO NORDESTE

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do show Ao Vivo (Instrumental Sesc Brasil, 2023), da baixista e backing vocal Ana Karina Sebastião, que é graduada com Licenciatura Musical e estudou na antiga Universidade Livre de Música (ULM), atual EMESP Tom Jobim, integrou os grupos Banda D’Brothers, Claras e Crocodilos e O Neurótico e As Histéricas de Arrigo Barnabé, entre outros.

 

CONVERSA DE RODAPÉ - A vida ensolarada & a Lua premia o caminho: entre as estrelas a minha morada. À primeira esquina semblantes estranhos, nem me reconhecem: todos me olham como se prosopagnóstico no meio da eterna corrida da frioleira meritocracia dos ratos. A sensação que tenho é de que estou vivendo na Próxima Centauri B, com meus limeriques manuscritos na ponta da língua e para ninguém ouvir ou ver. A bem da surpresa exulto com a presença de Alice Ann Munro como se tivesse chegado visceralmente da caverna de Movile e segurando um azevinho pernambucano: A gente pensa umas coisas que preferia não pensar. Acontece na vida... Sim, acontece, contradições na venta de parracho, vidraças estilhaçadas, feridas expostas, peito, faces, pernas & braços. Em meu socorro desavisado Rita Rudner me chega do asteroide Bennu com o gatilho da Tsar Bomb: Nunca entro em pânico quando me perco. Eu apenas mudo para onde quero ir... Assim também o faço, não por fuga, mas por precaução. Ela sorri aos salamaleques: Fala, solitário! E se aproxima com jeito de coisa familiar, o que foi marcante e sempre o é pelo perfume feminil. Tornou-se companhia de viagem, eu de carona, na vera pegando bigu e apresendendo o que seria viajar-si, viajando-se, ela viajarte. Nem bem entendia, muito menos dava pra pensar porque ouvi de Anna Deavere Smith: Então todo mundo vai embora, e você fica, todas as noites, sozinho, com uma multidão de pessoas interessantes - a maioria das quais você não conhece - sentadas no escuro... Cada pessoa tem uma literatura dentro de si... Disso eu me esqueci entre nomes estranhos. Ela, então, olhou-me surpresa: Ai de ti, errante! Eu sei, tudo acaba tão depressa. Seria mais fácil se saísse tão furtiva quanto chegou, de fininho, até perder-se na noite. Sinto-me deslocado, como quem entre o alto da montanha e o rés-do-chão, boiando por não saber levitar. Os grilos nem cantam mais, afinal, não há mais ninguém, apenas eu. Até mais ver.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

A ÚLTIMA CARTA: Você mal viu o pico do meu iceberg, \ desculpe pelo lugar-comum, \ não consigo encontrar outro jeito de chamar desse jeito \ que a vida teve de me obrigar a ter que te procurar novamente \ para nos encontrarmos cara a cara \ em um espaço infinito onde você foi e eu \ Eu ainda não sei. \ Ele secou ao sol a bandeira branca \ que pretendia mostrar até a morte, três \ Parece que era um número suficiente, \ até que o espaço voltasse a ser pequeno. \ momento e mais negro, todo negro o futuro. \ E quando o prego da circunstância obriga você a se perguntar \ se existe aquele tempo pendente ou se existe apenas um caminho \ uma linha que sempre quebra. \ Que futuro? Eu que nunca neguei as cicatrizes, \ sinto-me cansado de ser um, \ cada pedaço de coração que mal cicatriza, \ se abre novamente e o choro, que de tanto se mostrar para poucos, \ não consegue mais sair, fica preso, \ fica no peito e vira bater. \ Esta carta não chegará mais até você, \ nem todas as coisas que íamos contar um ao outro serão realidade. \ Somos uma história que nem descobriu como começar e ficou vez, \ ele derrapou em alguma rua escura e molhada \ para bater e me faça gritar que você nunca mais ouvirá. \ E ainda assim, escrevo a carta para você, \ porque quero poder lê-la para você todas as vezes. \ Eu li para o mundo e talvez isso chegue até você como um sussurro do outro lado da dor.

BUKOWSKI PEDE MENINAS CALMAS E LIMPAS COM BELOS VESTIDOS: De repente, um homem no fim de sua vida, \ depois de distribuir seus bens e suas forças entre mulheres que reivindicaram seu amor, \ requer uma mulher “boa”. \ Ele precisa tanto que pode imaginar tudo que eu faria por ela. \ Sem nunca construir a calçada, pegue travesseiros para sua cabeça ou provocar sua risada. \ Ele precisa disso, ele diz, A Ele pede a seus amigos que não lhe tragam mais prostitutas. \ Você sabe que isso existe, mas ele não encontra. \ Eu nasci de novo, Hank, e deixar o álcool,\ o ciúme e os socos no papel, \ não nas mulheres que você transformou em prostitutas.

Poemas da escritora costariquenha Rebeca Bolaños Cubillo. (1973), que é graduada en RRPP y Comunicación y en Bellas Artes, estudiante de Antropología.

 

AMMONITE - [...] Eu não pertenço a ninguém! Não sou uma coisa que possa ser mantida, ordenada ou levada a tal desespero que abra minhas próprias veias. Olhe para mim, Aoife. Olhe para mim! Eu sou uma mulher [...] Eles estavam conectados: o mundo, o corpo dela, o rosto dela. Talvez ela não devesse perguntar quem ela era, mas sim, do que ela fazia parte. [...] Ela observou seu amante em silêncio; as palavras teriam sido grandes demais, sólidas demais para o que haviam feito juntos. [...] Somos mais da metade da humanidade. Não somos imitações, nem camaleões assumindo uma coloração masculina protetora, ansiando pelo dia em que os homens irão embora e poderemos voltar a ser quem somos, como os verdadeiros insetos. Estamos aqui, agora. Nós somos como você. [...]. Trechos extraidos da obra Ammonite (Del Rey Books, 2002), da escritora, ensaísta e professora inglesa, Nicola Griffith. Veja mais aqui.

 

AS TECNOLOGIAS & OS CÉREBROS – [...] Quanto mais conexões você puder fazer em uma gama cada vez mais ampla e díspar de conhecimento, mais profundamente você compreenderá algo. Os motores de busca e os videojogos não oferecem essa facilidade; nada faz, além do seu próprio cérebro [...] que a leitura eletrônica resultou em pior compreensão, em decorrência das limitações físicas do texto que obrigavam os leitores a rolar para cima e para baixo, atrapalhando a leitura com instabilidade espacial [...] Os nativos digitais nascidos naquela época sabiam ler e escrever, o e-mail (que começou por volta de 1993) teria se tornado uma parte inevitável da vida. A distinção importante é que os Nativos Digitais não conhecem outro modo de vida além da cultura da Internet, do laptop e do celular. Podem libertar-se das restrições dos costumes locais e da autoridade hierárquica e, como cidadãos autónomos do mundo, personalizarão actividades e serviços baseados em ecrãs, ao mesmo tempo que colaboram e contribuem para redes sociais e fontes de informação globais. [...] Como espécie, parecemos ter um desejo tão grande de auto-revelação que isso poderia ser considerado uma parte muito básica da psique humana. Cientistas de Harvard demonstraram que a partilha de informações pessoais sobre si mesmo, como acontece em sites de redes sociais, ativa os sistemas de recompensa no cérebro da mesma forma que a comida e o sexo. [...] redução do risco de constrangimento e sentimentos de desconforto na interação social. Ninguém pode ver você corar, ouvir sua voz estridente ou sentir as palmas das mãos úmidas. Mas, novamente, você também não consegue captar essas dicas tão importantes para descobrir como a outra pessoa pode estar reagindo. Em 2012, o órgão fiscalizador das comunicações britânico, Ofcom, produziu o seu nono Relatório Anual do Mercado de Comunicações. O diretor de pesquisa da Ofcom, James Thickett, estava perfeitamente consciente da importância do declínio que o relatório daquele ano encontrou no número de chamadas móveis, que caiu 1 por cento, e no número de chamadas fixas, que diminuiu 10 por cento. Ele concluiu: Em apenas alguns anos, as novas tecnologias mudaram fundamentalmente a forma como nos comunicamos. Falar cara a cara ou ao telefone não é mais a forma mais comum de interagirmos uns com os outros. Em seu lugar, estão a surgir novas formas de comunicação que não exigem que falemos uns com os outros, especialmente entre os grupos etários mais jovens. Esta tendência deverá continuar à medida que a tecnologia avança e avançamos na era digital. [...] Uma consideração adicional na leitura em uma tela é o maior potencial de fadiga ocular. As diferenças entre a página impressa e a tela têm consequências significativas para a ergonomia visual. [...] Aprender uma segunda língua aumenta a densidade da massa cinzenta, sendo as alterações observadas correlacionadas com o nível de habilidade. [...] Cerca de quatrocentos anos antes do nascimento de Cristo, Sócrates estava preocupado com a possibilidade de a escrita destruir a capacidade mental, com argumentos assustadoramente semelhantes aos que exploramos aqui em relação à Internet. [...]. Trechos extraídos da obra Mind Change: How Digital Technologies Are Leaving Their Mark on Our Brains (Random, 2015), da neurocientista britânica Susan Adele Greenfield.

 

VIOLA DO NORDESTE

Sobre a criação do método é como se eu há cerca de trinta anos atrás tivesse engravidado, e tive que lutar durante dezenas de anos para ter a alegria de parir esta criança. Viva a viola do Nordeste!...

Trecho extraído da obra Viola do Nordeste: da cantoria à viola progressiva (Nova Presença, 2022), do compositor, instrumentista, arranjador e violeiro Adelmo Arcoverde, autor dos álbuns musicais solo O convertido (2013) e Mensageiro (2014), integrante da Orquestra de Cordas e Dedilhas de Pernambuco. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



terça-feira, dezembro 23, 2014

MARJANE SATRAPI, PIZARNIK, SARTRE & ZHANG RUOXU

 


UMA CANÇÃO PARA ALEJANDRA... – Alejandra era também Flora, uma bela taurina, poeta até o útero. A infância difícil de Bluma em Buenos Aires com seus pais imigrantes ucraniano-judeus: a irmã mais velha e a família estrangeira firmaram suas dores desde já. A sombra do nazismo e da segunda guerra obscurecia a sua infância com os temores dos pais. Os problemas com acne, asma, tartamudez, autopercepção física e a tendência ao sobrepeso prejudicavam sua autoestima com uma angústia perene. Descobriu a sexualidade para ser ora ousada e sensual, ora tímida e silenciosa. Tornou-se diferente: um caráter caótico e instável, rechaçava o apelido rompendo os laços familiares: abandonava a mãe e tudo que a lembrasse de Flora, Bluma, Blímele, envolvendo-se com filosofia, literatura e artes plásticas, aficionada pela poesia maldita. Tornava-se rebelde, excêntrica, subversiva – uma garota estranha na dependência de anfetaminas abundantes em seu armário. Anticonvencional dedicou-se ao existencialismo e se destacava triunfante com seus próprios escritos. A leitora agora escrevia a infância perdida e a morte: O temor ao futuro me prevê sigilosamente: o que será de mim?... Adotou o seu diário e nele o desapontamento materno e o protetorado de Bajarlía nos seus estudos, a personagem se assumindo órfã, estrangeira, onírica com toda atração pelo fim. Vieram então as sessões de terapia para salvar a autoestima da ansiedade e depressão. Foi para Paris, o refúgio na casa de familiares e lá expôs suas pinturas e desenhos, escreveu seus poemas e teve ocultada a sua sexualidade. Fantasiou casar-se com um outro poeta e não era: ele morria num acidente aéreo e os versos de Memoria. Publicou poemas, críticas literárias e traduziu Artaud, Michaux, Césaire e Bonnefoy. Dedicou-se aos estudos das religiões e escreveu no diário: – Sim, estou grávida. De repente, surge a ideia de não reagir com medo e chorar. Faça o que precisa ser feito com extrema confiança e lucidez. Esta é uma nova armadilha... E seu desgaste emocional e a frustração, a reclusão progressiva e a primeira tentativa de suicídio. Regressou à terra natal e publicou três dos seus mais importantes livros. O seu pai faleceu de um infarto: A morte do meu pai tornou minha morte mais real... Sumia a sua alegria nômade. Mudou-se com a namorada fotógrafa e ampliou a dependência de medicamentos. A sua poesia intensa se expressava como um diário hermético, escrita íntima, lúdica, visionária, poemários líricos. Vieram os prêmios de Guggenheim e da Fullbright, a sua voz no Escrito con un Nictógrafo de Carrera. Era ela com as perguntas recorrentes - do que seria culpada, por que o sofrimento eterno, o que a fez merecer tantos golpes duros e ruins: Temo que meus desejos de escrever não sejam mais do que meios para alcançar o fim desejado de sucesso, glória, fé em mim. Também podem ser desculpas, já que não estudo “a sério”, já que não vivo “a sério”. Pode ser também que, dada minha escassa facilidade de expressão oral, eu recorra ao papel para não me engasgar, para cuspir o fogo das minhas angústias... As crises depressivas e as tentativas de suicídio: Lá fora há sol / Eu me visto de cinzas... Internada não havia diagnóstico claro de sua doença mental, dois dos psicanalistas morreram e, o que restou, negou-se a tal. Apenas suas últimas palavras no meio de uma overdose de Seconal: Se não escrevo poemas não aceito viver... Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A melancolia é, creio eu, um problema musical: uma dissonância, uma mudança de ritmo. Enquanto por fora tudo acontece com o ritmo vertiginoso de uma catarata, por dentro é o adágio exausto de gotas d'água caindo de vez em quando cansada. Por esta razão, o exterior, visto do melancólico interior, parece absurdo e irreal e constitui “a farsa que todos devemos representar”. Mas por um instante – por causa de uma música selvagem, ou de uma droga, ou do ato sexual levado ao seu clímax – o ritmo muito lento da alma melancólica não se eleva apenas ao do mundo exterior: ele o domina com um ritmo inefavelmente feliz. exorbitante, e a alma então vibra animada por novas energias delirantes... Porque ninguém tem mais sede de terra, de sangue e de sexualidade feroz do que as criaturas que habitam os espelhos frios... Pensamento da escritora argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972). Do seu livro Diarios (Lumen, 2013), o trecho: [...] Como é fácil calar-me, ser sereno e objetivo com aqueles que não me interessam verdadeiramente, a cujo amor ou amizade não aspiro. Então sou calma, cautelosa e perfeita dona de mim mesma. Mas com os poucos seres que me interessam... Aí fica a pergunta absurda: sou uma convulsão, um grito, um uivo de sangue. [...] Já das suas Obras completas (2000): [...] Nua. Fadiga do corpo transparente como uma árvore de vidro. Perto de você você ouve o rumor brutal de um desejo inextricável. Noite cegamente minha. Você está mais longe do que eu. Horror de verificar você nos gritos do meu poema. Seu nome é a doença das coisas à meia-noite. Eles me prometeram um silêncio. Seu rosto está mais perto de mim do que o meu. Memória fantasma. Como eu adoraria te matar... [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Não importa aquilo que fizeram de você, importa, sim, aquilo que você faz daquilo que fizeram de ti... Pensamento do filósofo, escritor e crítico francês Jean-Paul Sartre (1905-1980). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

BORDADOS – [...] Falar pelas costas dos outros é o ventilador do coração. [...] Ser amante de um homem casado é ter o melhor papel. Você percebe? A camisa suja, a cueca nojenta, o passar roupa diário, o mau hálito, as crises de hemorróidas, a agitação, sem falar no mau humor e nas birras. Bem, tudo isso é para sua esposa. Quando um homem casado procura sua amante... ele está sempre branqueado e passado, seus dentes brilham, seu hálito é como perfume, ele está de bom humor, é cheio de conversa, está ali para se divertir com você. [...] Ninguém nasce corajoso, torna-se corajoso. [...] O amor é o oposto do bom senso [...] O orgulho dos homens está situado no escroto. [...]. Trechos extraídos da obra Embroideries (‎Pantheon, 2003), da escritora, quadrinista, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMAS – RESPONDENDO AO SONHO DE UMA NAMORADA - É cedo para passar pelo portão, então não desvie o olhar da torre. \ Experimente as roupas quentes e abra o espelho para ver a luz da primavera. \ As andorinhas espiam pela cortina e as abelhas vêm pintar as roupas. \ O amor impulsiona as flores de pêssego e ameixa, e o coração é enviado para a orquestra voar. \ A maquiagem sai e nos tratamos pela manhã, mas o vento e as flores nunca mais voltam. \ Onde quer que a alma onírica entre, o silêncio cobre a porta. UMA NOITE DE LUAR NO RIO - Na primavera o rio sobe tão alto quanto o mar, \ E com o nascer do rio a lua surge brilhante. \ Ela segue as ondas ondulantes por dez mil li, \ E onde o rio corre, ali transborda sua luz. \ O rio serpenteia ao redor da ilhota perfumada onde \ todas as flores desabrochando à sua luz parecem neve. \ Você não pode distinguir seus raios da geada no ar, \ Nem da areia branca da praia Farewell abaixo. \ Nenhuma poeira manchou a água misturada com o céu; \ Uma roda solitária como a lua brilha por toda parte. \ Quem à beira do rio viu pela primeira vez a lua surgir? \ Quando a lua viu pela primeira vez um homem à beira do rio? \ Ah, gerações vieram e desapareceram; \ De ano para ano as luas se parecem, velhas e novas. \ Não sabemos esta noite por quem ela lança seu raio, \ Mas ouça o rio dizer adeus à sua água. \ Longe, longe está navegando uma única nuvem branca; \ Em Farewell Beach, os pinheiros ficam verdes. \ Onde está o andarilho navegando em seu barco esta noite? \ Quem, definhando, nos trilhos iluminados pela lua aprenderia? \ Infelizmente! A lua paira sobre a torre; \ Deveria ter visto a penteadeira da feira.\ Ela levanta a cortina e a luz entra em seu caramanchão; \ Ela lava, mas não consegue lavar os raios da lua ali. \ Ela vê a lua, mas seu amado está fora de vista; \ Ela o seguiria para brilhar no rosto de seu amado. \ Mas os cisnes portadores de mensagens não podem voar para fora do luar, \ nem os peixes que enviam cartas podem saltar do seu lugar. \ Ontem à noite ele sonhou que as flores que caíam não permaneceriam. \ Infelizmente! Ele não pode ir para casa, embora metade da primavera já tenha passado. \ A fonte de água corrente desaparecerá; \ A lua que declina sobre o lago irá afundar em breve. \ A lua em declínio afunda-se numa névoa pesada; \ É um longo caminho entre os rios do sul e os mares do leste. \ Quantos podem voltar para casa ao luar e sentir falta? \ A lua minguante derrama anseio sobre as árvores ribeirinhas. Poema do poeta chinês do início da dinastia Tang, Zhang Ruoxu, que é mais conhecido por “A Moonlit Night on the Spring River” (Chun Jiang Hua Yue Ye), um dos poemas Tang mais exclusivos e influentes, que inspirou inúmeras obras de arte posteriores. O poema na primeira parte descreve o cenário do rio Yangtze iluminado pela lua na primavera; a segunda e a terceira lamentam a efemeridade da vida, bem como a tristeza dos viajantes e dos entes queridos que deixam para trás, marcando uma ruptura estilística com a poesia das Seis Dinastias anteriores e antecipa o conteúdo e o estilo da poesia High Tang, tornando-se “o poema de todos os poemas, o cume de todos os cumes”.

 

OUTRAS SACADAS

 

OS DRAGÕES DO ÉDEN – A obra Os dragões do Éden: especulações sobre a evolução da inteligência humana, de Carl Sagan, trata sobre o calendário cósmico XXIII, os genes e os cérebros, o cérebro e a carroça, a metáfora do éden, a evolução do homem, as abstrações das fe4ras, os contos do éden sombrio, os amantes e os loucos, a futura evolução do cérebro equipotente, afeto, informação extragenética e extra-somática, cérebro trino, neocórtex, alexia, primatas, craniotomia, filogenia e ontogenia, anaglifo, seleção natural, bits, sinapses, sistema de liberação, entre outros importantes assuntos.  REFERÊNCIAS: SAGAN, Carl. Os dragões do Éden: especulações sobre a evolução da inteligência humana. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980. Veja mais aqui, aqui e aqui.

VIDA E EDUCAÇÃO – A obra Vida e educação, de John Dewey aborda temas como educação como reconstrução da experiência, a escola, a criança e o programa escolar, os dissídios teóricos, elementos fundamentais do processo educativo, o mundo infantil, o mundo escolar, soluções diversas, disciplina contra interesse, necessidade de uma conciliação, importância do problema, interpretação e direito, exageros da velha e da nova educação, as matérias de estudo, a ideia de desenvolvimento, aspecto lógico e psicológico da experiência, os dois aspectos de toda matéria ou ciência, o esquecimento desse duplo aspecto, consequências, falso arranjo psicológico das lições, interesse e esforço, a atividade integrada, atividade dissociada, interesse e esforço, erro da teoria do esforço, arguição contra a teoria corrente do interesse, exame das teorias, integração entre esforço e interesse, interesses diretos e indiretos, aspecto ativo ou propulsivo, objetivo e emocional, direto ou imediato, indireto ou mediato, critério para julgar o interesse transferido, meios e fins, apelo a interesses adventícios, relação da matéria com a atividade infantil, esforço, atividade mental e motivação, tipos de interesse educativo, papel do interesse na teoria da educação, entre outros assuntos. REFERÊNCIAS: DEWEY, John. Vida e educação. São Paulo: Melhoramentos, 1973. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A GESTALT TERAPIA – A obra Gestalt terapia explicada, do psicoterapeuta e psiquiatra Fritz Perls (1893-1970) propõe o conceito de que o desenvolvimento psicológico e biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas desse organismo, que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente. Com essa obra, o autor critica a psicanálise com base em pesquisas sobre percepção e motivação. Nesse livro Perls lança uma importante discordância teórica com relação à psicanálise: a ideia de que a base da agressão e do sadismo está na fase oral e não na fase anal do desenvolvimento infantil. A obra trata ds fundamentos da gestalt terapia, o reconhecimento da conduta, o trabalho do terapeuta, percepções e descobrimentos, evasão, ansiedade, percepção, vazio, frustração, paralização e maneiras de seguir adiante, divisões e polaridades, projeções, a voz, os sonhos, a autoregulação organísmica, a realidade do aqui e agora, o organismo como totalidade, a unidade organismo/meio, a dominância da necessidade emergente e uma reflexão sobre o conceito de agressão, que é entendida como uma força biológica importante para o crescimento, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: PERLS, Fritz. Gestalt terapia explicada. São Paulo: Summus, 1976. Veja mais aqui, aqui,  aqui e aqui.

CÉREBRO E COMPUTADORES – A obra Cérebros e computadores: a complementaridade analógic0-digital na informática e na educação, de Robinson Moreira Tenório, aborda temas como gênese da relação analógico-digital, noção de analogia, opostos em informática, dispositivos analógicos e digitais, calculo analógico e digital, conversão analógico-digital, a tensão, comunicação, codificação, informação, modelos, imagens, cognição, computadores, redes neurais, analogia, simulação, diagramas e gráficos, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: TENÓRIO, Robinson Moreira. Cérebros e computadores: a complementaridade analógic0-digital na informática e na educação. São Paulo: Escrituras, 2011. Veja mais aqui.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aqui. TALENTOS PERNAMBUCANOS, ALAGOANOS E MINEIROS FAZEM A FESTA DE NATAL  - Logo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá Especial de Natal e comemorando os mais de 418 mil acessos do blog, apresentação da querida Meimei Corrêa e com as seguintes atrações na programação: Wagner Tiso, Simone, Yes, Milton Nascimento, Roupa Nova, Carlos Moura, Tunai, Tavito, Petrúcio Amorim, Sônia Mello, Ricardo Machado, Zé Linaldo, Millane Hora, Júlio Uçá, Luiz Wanderley, Wilson Monteiro, Ádila Becker, Paulynho Duarte, Mazinho, Marquinhos Cabral, Ozi dos Palmares, Tony Câmara, João Albrecht, Wilson Miranda & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Natal
Quando? Hoje, terça, 23 de dezembro, a partir das 21hs
Onde? No MCLAM 
Apresentação: Meimei Corrêa



INTERVENÇÕES URBANAS NO CALÇADÃO DE TRÊS CORAÇÕES - Nesta terça-feira, 23 de dezembro, a partir das 17hs, Paulo César de Barros, Banda Decibéis, Gustavo Valin, Odair Lemes, a banda pop-rock Sapato Mudo e muitos outros poetas e grupos musicais, estarão no Calçadão 18, em Três Corações (MG), em grande festa para a população com seus talentos. Imperdível!  (Inf. Meimei Corrêa),


NUNCA COMPRE PRODUTOS CCE – Quem avisa amigo é: Cuidado Com o Engodo! Vem aí o segundo capítulo da novela Nunca compre produtos CCE e saiba tudo o que um consumidor não deve passar com o descaso de empresas que não respeitam o cidadão! A novela está longe de terminar. Nesse capítulo você saberá que moro numa rua que não existe (Vôte, será que eu existo mesmo ou to que nem Garabombo, o invisível?). Também: não coloque a bolinha de palhaço no nariz toda vez que lhe derem um código de postagem inválido. Procon e Justiça, armado de Código de Defesa do Consumidor, podem não funcionar na hora, mas servem pra você cobrar seus direitos. E muito mais, você não perde por esperar. Confira o primeiro capítulo aqui. 


EDUCAÇÃO DAS NOSSAS CRIANÇAS – O artigo 205 da Constituição Federal vigente, determina que: “Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Essa previsão constitucional foi regulamentada com a edição da Lei 9394/96, definindo como deve ser desenvolvida a educação no Brasil. Afinal, o Estado cumpre a sua parte? E a escola e os pais? Se a gente apertar direitinho veremos que ninguém faz sua parte, razão pela qual a educação é essa tragédia (tanto na rede pública, como na rede privada que só se diferencia da outra pela limpeza e disciplina, mas a tragédia é a mesma). O que fazer? Faço uso das instruções sugeridas pela Universidade Rose-Croix Internacional (URCI): “A condição primordial em matéria de educação consiste em darmos aos nossos filhos o exemplo de comportamento que desejamos inculcar neles. Com efeito, nós somos o referencial cotidiano deles. Assim sendo, como esperar que eles sejam pontuais, ordeiros, corteses, prestativos, tolerantes, etc., se nós mesmos não o somos? Naturalmente, ninguém é perfeito e o papel do educador é difícil, mas devemos nos esforçar em ser o mais fiéis possíveis ao nosso ideal de educação [...] Lembremo-nos sempre de que nosso dever de adultos é o de educá-los no sentido de elevar sua consciência aos ideais espirituais e humanistas [...]”. Veja mais educação aqui.



O NOVO PARADIGMA CIENTÍFICO – Estudando sobre o paradigma holístico, deparei-me com o artigo O novo paradigma científico: a experiência da fenda dupla – fundamento da mecânica quântica, de Robert Bouleau, trata da afirmação de que estamos interconectados, considerando aquilo que percebemos, a teoria das cordas como o Santo Graal da física moderna, a partícula de Deus como origem de tudo, a mensagem da água como o poder do espírito sobre a matéria, assinalando pra gente que: “A mecânica quântica é a teoria física e matemática que descreve a estrutura e a evolução no tempo e no espaço dos fenômenos físicos em escala das partículas que constituem o átomo [...] que partículas estejam conectadas entre si de um extremo a outro do universo (teoria das cordas) revela a não-dualidade do mundo. [...] que os valores platônicos da protoconsciência, a bondade e a verdade, existem num nível fundamental da geometria espaço-tempo e influenciam nossas ações. Se estivermos abertos a este processo, esta influência nos conectará exaustivamente com o restante dos seres do universo [...] estamos todos conectados. [...] A teoria das cordas vibrantes reúne todas as equações numa só e demonstra dessa forma a interconectividade de tudo no universo”. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais sobre:
Aventureiros do Una, Maurice Merleau-Ponty, Carlos Heitor Cony, Castro Alves & Eugênia Câmara, Sergei Rachmaninoff & Yara Bernette, Amália Rodrigues, Jules Joseph Lefebvre, Wolfgang Petersen & Diane Kruger aqui.

E mais:
Autoestima aqui.
O pensamento de Karl Marx aqui, aqui e aqui.
Meu ensino de Jacques Lacan & Disco Friends aqui.
Quadrinhos, a nona arte aqui.
Os catecismos de Zéfiro & O Rol da Paixão aqui e aqui.
O pensamento de Parmênides de Eléia aqui.
O eleatas & Xenófanes de Colofão aqui.
Heráclito de Êfeso aqui.
Husserl & a fenomenologia aqui.
O pensamento de Pitágoras aqui.
O período naturalista do pensamento grego: Os Jônios & Anaxímenes aqui.
O pensamento jônico de Anaximandro aqui.
O pensamento de Benedetto Croce aqui.
O pensamento de Tales de Mileto aqui.
O Budismo aqui.
A pirâmide alimentar aqui.
Dos temores da infância aos arroubos juvenis, Estrella Bohadana, Nuno Ramos, Mariana Aydar & Leonid Afremov aqui.
O verbo no coração do silêncio, Ástor Piazzolla & Eduardo Isaac, Steve Hanks, Wassily Kandinsky & Eliane Potiguara aqui.
Pra quem só vê superfície, todo rio é sempre raso, Zygmunt Bauman, Maria Azova, Anna Ewa Miarczynska & Júlio Pomar aqui.
A vida solta no calor do coração, Teodora Dimitrova, Carlos Baez Barrueto, Claudia Rogge & Robert Delaunay aqui.
Os véus dos céus & o prazer do amor, Djavan, Luciah Lopez, Christine Jeffs & Kirsty Gunn aqui.
Escândalo do coroinha, Ferdinand Hodler, Aldine Müller, Helena Ramos & Zaira Bueno aqui.
Tolinho & Bestinha: quando tolinho bateu pino com o capeta granulado aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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domingo, agosto 11, 2013

ESPIDO FREIRE, LARA BOYD, NINA DE CALLIAS,EMERSON, NIETZSCHE & CREPÚSCULO DE VCA

 

CREPÚSCULO DE VCA – As marteladas nietzscheanas indubitavelmente atuaram inexoravelmente no esfarelamento das múmias conceituais com seus ocos ídolos desvalorizantes da vida, incidiram contundentemente sobre as falsas divindades milenares que se mantinham pelo erro com as aparências ideais e sua degenerescência para negar o real e, consequentemente, desvelaram os privilégios das castas e o ilusório imoral que promoviam a incapacidade de imaginar o mundo e o universo. Proferidas com a carga do sarcasmo devastador e o ácido humor entre a repugnância e o fascínio, prometiam decretar o fim da fábula secular. A sagacidade dos aforismos trouxe à tona nossa desgraça e, diante dela: o melhor é aprender a dançar. E mais: “Só às almas mais espirituais, admitindo que sejam as mais corajosas, é dado viver as tragédias mais dolorosas: mas é por isso que estimam a vida, porque ela lhes opõe seu maior antagonismo”. A psicologia e a crítica avassaladora deste poeta trágico buscavam às orientações éticas para dizer Sim à Vida! E com uma compensação: “O que não me mata, me torna mais forte”. Assim, o anti-filósofo reiteradamente poeta consignou que o gênio esbanja sobre o triunfo dos imbecis ventríloquos da branquitude, deixando à mostra o drama existencial dos mortos-vivos que empunham as potestas romanas, a eugenia e a misoginia da civilização repressora, atacando, por sua vez, o alicerce do patriarcalismo e a religiosa cultura ocidental mantidas em nome da fanática moral legalista e fundamentalista da hipocrisia apolínea fria e fina, do ódio opressivo, da força bruta, da mutilação e da hétero normatividade, do controle violento e sobre os dominados, da exclusão e do corporativismo do poder em detrimento do dionisíaco. Não menos contundentes são as versejadas de VCA: “Diz respeito à decadência (e desvalorização) do falo na sociedade ocidental de homens sagrados, cabisbaixos, aposentados da volúpia, que se utilizam de um artifício...”. Tal proposição se vale do flagra que ele faz de Valéry a contemplar a eternidade da varanda (do seu espírito) para versar na sua própria Catedral: “Homens lentos fabricam o crepúsculo \ com utensílios de dias turvos. \ Sombras vicejam de trevas nutridas \ tributárias do esmo \ locatárias do olho...”. Como bem diz Virgínia Leal Crisóstomo no prefácio do volume: “A poesia viril de Vital é jovem, de paixão rebelde, em briga com os ancestrais e deles bebendo a fonte...”. E no arremate de Cláudio de Veras: “A verdade final é que Vital está sempre recém-inventando sentidos, cada vez mais novos, cada vez mais vivos”. Seguindo, então, a trilha do bigodudo pensador alemão, VCA sabe: a arte estimula a vida e dissemina a preciosa vontade de potência – como a insaciabilidade incessante de Platão e as máquinas desejantes de Deleuze, razão pela qual ele poetou um Quântico de louvor à vida (ou quase elegia surda química): “Vida, hábil teia que esmo torce \ acaso cria com sumos cavos \ espessos halos \ banho quântico de cálida sopa...”. No “Corpo partido tempo mutilado alma devastada” ele demonstra a ciência sobre a: “Queda dos dias já submersos \ na trama inamovível do passado...”, e entre “As impressões do crepúsculo (seis dísticos disfarçados)” poetou: “... Corpo do sonho das carícias \ acordando desejos exilados...”, como se o poeta mais que vivo fosse capaz de enfrentar o já crônico secular crepúsculo com sua extemporânea carta poética. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Todos nós tentamos aprender uma nova habilidade motora. Talvez tocando piano, talvez aprendendo a fazer malabarismo. Você teve a experiência de ficar cada vez melhor em uma única sessão de prática e pensar “eu consegui”. À medida que você usa uma região do cérebro, ela se torna cada vez mais excitável e fácil de usar novamente. E como seu cérebro tem essas áreas que aumentam sua excitabilidade, o cérebro muda como e quando elas são ativadas. Com o aprendizado, vemos que redes inteiras de atividade cerebral estão mudando e mudando. Então seu cérebro é tremendamente plástico e está sendo moldado estrutural e funcionalmente por tudo que você faz, mas também por tudo que você não faz. Pensamento da neurocientista e fisioterapeuta estadunidense Lara Boyd, autora da obra First Foods Fast: Delicious Simple Baby Meals from First Tastes to One Year (Luath Press, 2007). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Aquilo que persistimos em fazer se torna mais fácil, não que a natureza da tarefa tenha mudado, mas nossa capacidade de fazer aumentou. Pensamento do escritor e filósofo estadunidense Ralph Waldo Emerson (1803-1882). Veja mais aqui e aqui.

 

A POESIA – [...] Meu gosto, que é talvez contrario ao gosto tolerante, está assim mesmo muito longe de aprovar em bloco: de modo geral não gosta de aprovar, prefiro contradizer e até mesmo negar completamente... Isso é verdade para civilizações inteiras, isso é verdade para certos livros [...] Em certas línguas, nem sequer é possível aspirar ao que vemos realizado aí. Esse mosaico de palavras, em cada palavra por seu timbre, seu lugar na frase, a ideia que expressa, faz brilhar sua força à direita, à esquerda e no conjunto, esse mínimo na soma dos sinais – tudo isso é romano e, se se quiser acreditar em mim, o nobre por excelência. Todo o resto da poesia se torna, ao lado disso, alguma coisa popular – mera charlatanice de sentimentos... [...]. Trechos extraídos do Crepúsculo dos ídolos (Escala, 2008), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui e aqui.

 

MULHERES DO CHÃO AO CHÃO – [...] O tempo secou minhas palavras e murchou qualquer memória amigável. Por isso não podia dizer-lhe para ir embora ou para ficar, muito menos contar-lhe tudo o que tinha parado no meu coração e azedara como o bom vinho quando é abandonado. ele tinha me abandonado [...] Não sei como aconteceu nem por que fiquei ali sentado vendo as horas e minha vida passarem: sabendo que seria quase impossível alguém me encontrar e cogitando a possibilidade de morrer naquele lugar. Era um local quase perfeito: intacto e branco. [...] Preciso de algumas palavras de conforto - sussurrou. - Eu preciso há 30 anos e nunca consegui. Agora eu só quero que você morra e quero apagar você da minha mente o mais rápido possível. [...] Quando o frio mata você não sente mais. Era assim que meu pai falava. Agora ele se lembrava dessas palavras porque não as sentia mais. Vi a neve cair, mas não senti frio. Eu também não estava com medo. Lembrei-me de meu pai novamente, o calor de sua pele e a grandeza de suas palavras. [...] Eu só estava interessado em sobreviver e para isso as palavras de meu pai eram precisas. [...]. Trechos extraídos da obra Orosia: mujeres de sol a sol (Pirineum, 2002), da escritora espanhola Espido Freire (Laura Espido Freire). Veja mais aqui,

 

LA JALOUSIE DU JEUNE DIEU - Um estudioso estava visitando o Egito; \ tendo ousado \ Entre no horror das câmaras roxas \ Onde os antigos reis tebanos, em trajes sagrados, \ Deite-se sob a rocha profundamente escavada, \ Ele viu um pezinho de mulher, mas quebrado \ Por ladrões beduínos de amuletos ricos. \ O bálsamo havia sangrado nas bandagens, \ A henna reviveu os dedos com um tom rosado. \ Puro, este pé preservado em suas noites infernais \ O charme suave e frio do virginal escolhe: \ O amor de um jovem deus o tomou como uma criança. \ Tendo beijado este pé colocado no outro mundo, \ O cientista foi tomado por um profundo terror \ E morreu furioso na manhã seguinte. Poema da escritora, compositora e pianista francesa Nina de Callias (Anne-Marie Gaillard – 1843-1884).

 


PSICOLOGIA DA CIÊNCIA - A Psicologia da Ciência investiga o impacto dos processos psicológicos e das características pessoais de um cientista em temas do desenvolvimento de suas teorias e pesquisas cientificas. Examina a forma pela qual as personalidades, os processos cognitivos, o histórico de desenvolvimento e as experiências sociais dos cientistas afetam o tipo de ciência que realizam e as teorias que criam.
PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE – É o estudo cientifico das forças que tornam as pessoas únicas. Veja mais aqui.
 PERSONALIDADE – Originário do latim persona, referindo-se à mascara teatral utilizada na encenação de dramas romanos. Na psicologia é a organização constituída por todas as características cognitivas, afetivas, volitivas e físicas de um indivíduo. Para Atkinson e Hilgard (2011), são padrões distintos e característicos de pensamentos, emoções e comportamentos que formam o estilo pessoal de um individuo para interagir com o ambiente físico e social. Gazzaniga e Heaterton (2005) assinalam que se refere às características, respostas emocionais, pensamentos e comportamentos do individuo que são relativamente estáveis ao longo do tempo e em diferentes circunstâncias. Schultz & Schultz (2013) definem que se trata de um  agrupamento permanente e peculiar de características que podem mudar em reposta a situações diferentes. Os aspectos internos e externos peculiares permanentes do caráter de uma pessoa que influenciam o comportamento em situações diferentes. A personalidade pode ser entendida como mistura de fatores temperamentais (determinados pela biologia) e caracterológicos (determinados pelo ambiente).
Os aspectos principais da personalidade reunidos para ajudar a compreender a natureza complexa do individuo: aspectos inconscientes, o individuo é influenciado por eles, forças que não estão na consciência imediata; forças do ego, influenciado por elas, oferecendo uma identidade ou self; ser biológico, o individuo é único, com única natureza genética, física, fisiológica e temperamental; as pessoas são condicionadas e modeladas pelas experiências e pelo ambiente a sua volta; dimensão cognitiva, as pessoas pensam e interpretam ativamente o mundo a seu redor de forma única; conjunto de traços, habilidades e predisposições específicas; dimensão espiritual, em relação à própria vida, que os enobrece e os induz a ponderar sobre o significado de sua existência, não sendo meros robôs programados, mas que buscam a felicidade e autossatisfação; a natureza do individuo é uma interação continua entre a pessoa e determinado ambiente. Esses oito aspectos em conjunto auxiliam na definição e compreensão da personalidade humana.

TEORIAS DA PERSONALIDADE – Teoria é um conjunto de pressupostos relacionados que permite aos cientistas utilizar o raciocínio lógico-dedutivo para formulação de hipóteses testáveis. Relaciona-se intimamente com a epistemologia que é um instrumento utilizado pelos cientistas em sua busca pelo conhecimento. As teorias são constituídas sobre evidencias cientificas obtidas de maneira relativamente neutra. As teorias lidam com um amplo conjunto de afirmações sobre causas e consequências para dar sentido e ordem às observações, proporcionando um campo fértil para produção de hipóteses testáveis. São práticas e essenciais para avanço de qualquer ciência. Os pilares para construção de teorias são a especulação e a observação empírica. As teorias são constuidas sobre pressupostos sujeitos a uma interpretação individual; são reflexos da historia pessoal, experiências, filosofia de relacionamentos e o olhar para o mundo. Sua importância e utilidade repousa na capacidade de produzir pesquisa e de explicar os dados da pesquisa.
A taxonomia é a classificação das coisas de acordo com suas relações naturais e faz parte do desenvolvimento das ciências. Podem transformar-se em teorias quando produzem hipóteses testáveis e a explicar resultados de pesquisa.
A personalidade é um padrão de traços relativamente permanentes e de características singulares que confere ao mesmo tempo consistência e individualidade ao comportamento de uma pessoa.
Os traços da personalidade contribuem para a existência das diferenças de comportamento, de constância comportamental ao longo do tempo e de estabilidade de comportamento em meio às situações. Os traços podem ser únicos, comuns para alguns grupos ou compartilhados por espécies inteiras, mas seu padrão é diferente para cada individuo, vez que cada pessoa, embora semelhante a outras, em muitos aspectos, possui uma personalidade exclusiva.
As características são qualidades singulares de um individuo que incluem atributos como temperamento, psique e inteligência.
Robert McCrae e Paul Costa classificam as pessoas por meio de cinco traços permanentes de personalidade.
As teorias da personalidade estão baseadas nas informações referentes aos mundos histórico, social e psicológico de cada teórico na época que desenvolveram suas teorias.

TEMPERAMENTO – Refere-se às influencias inatas, genéticas e constitucionais que influem na personalidade, isto é, constituem a dimensão biológica da personalidade. Caballo (2011) identifica quatro dimensões do temperamento: Busca de novidade ou ativação comportamental, referindo-se à tendência genética a implicar-se em atividades exploratórias que levem à estimulação prazerosa ou a outras recompensas, bem como ao comportamento que evite o tédio ou a monotonia; impedimento do dano ou inibição comportamental, referindo-se à inibição de comportamentos que conduz ao castigo, às situações novas ou à frustração; dependência da recompensa ou manutenção comportamento, tendência constitucional a responder às situações reforçadoras e a manter comportamentos que continuam produzindo prazer ou que aliviam o castigo; e persistência, que é a tendência a continuar realizando um comportamento, apesar dos possíveis obstáculos ou dificuldades. Já Costa e McGrae apresentam cinco fatores temperamentais que formam a personalidade: neuroses, tendência ao mal-estar psicológico e ao comportamento impulsivo; extroversão, tendências a envolver-se em situações sociais e a sentir alegria e otimismo; abertura à experiência, curiosidade, receptividade a novas ideias e expressividade emocional; amabilidade, grau em que se mostra compaixão e hostilidade para com os outros; e responsabilidade, grau de organização e compromisso com os objetos pessoais.

CARÁTER – Refere-se a fatores psicossociais aprendidos, que influem na personalidade. Os esquemas são encontrados dentro do conceito de caráter, referindo-se às crenças básicas que um individuo tem para organizar sua visão sobre si mesmo, o mundo, as pessoas e o futuro. Eles são elementos organizados a partir de experiências e reações passadas que formam um corpo relativamente compacto e persostente de conhecimento, capaz de dirigir as valorizações e percepções posteriores. O caráter, incluindo os esquemas, reflete a dimensão psicológica da personalidade e são relevantes nos transtornos de personalidade.

REFERÊNCIAS
ATKINSON, Richard; HILGARD, Ernest; ATKINSON, Rita; BEM, Daryl; HOEKSENA, Susan. Introdução à Psicologia. São Paulo: Cengage, 2011.
CABALLO, Vicente. Manual de transtornos da personalidade: descrição, avaliação e tratamento. São Paulo: Santos, 2011.
FADIMAN, James; FRAGER, Robert. Teorias da personalidade.São Paulo: Harbra, 2002.
FEIST, Jess; FEIST, Gregory. Teorias da personalidade. São Paulo: Mcgraw-Hill, 2008.
FRIEDMAN, Howard; SCHUSTACK, Miriam. Teorias da personalidade: da teoria clássica à pesquisa moderna. São Paulo: Prentice Hall, 2004.
GAZZANIGA, Michael; HEATHERTON, Todd. Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2005.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydeny. Teorias da personalidade. São Paulo; Cengage Learning, 2013.


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