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quinta-feira, setembro 28, 2023

REBECA BOLAÑOS, NICOLA GRIFFITH, SUSAN GREENFIELD & VIOLA DO NORDESTE

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do show Ao Vivo (Instrumental Sesc Brasil, 2023), da baixista e backing vocal Ana Karina Sebastião, que é graduada com Licenciatura Musical e estudou na antiga Universidade Livre de Música (ULM), atual EMESP Tom Jobim, integrou os grupos Banda D’Brothers, Claras e Crocodilos e O Neurótico e As Histéricas de Arrigo Barnabé, entre outros.

 

CONVERSA DE RODAPÉ - A vida ensolarada & a Lua premia o caminho: entre as estrelas a minha morada. À primeira esquina semblantes estranhos, nem me reconhecem: todos me olham como se prosopagnóstico no meio da eterna corrida da frioleira meritocracia dos ratos. A sensação que tenho é de que estou vivendo na Próxima Centauri B, com meus limeriques manuscritos na ponta da língua e para ninguém ouvir ou ver. A bem da surpresa exulto com a presença de Alice Ann Munro como se tivesse chegado visceralmente da caverna de Movile e segurando um azevinho pernambucano: A gente pensa umas coisas que preferia não pensar. Acontece na vida... Sim, acontece, contradições na venta de parracho, vidraças estilhaçadas, feridas expostas, peito, faces, pernas & braços. Em meu socorro desavisado Rita Rudner me chega do asteroide Bennu com o gatilho da Tsar Bomb: Nunca entro em pânico quando me perco. Eu apenas mudo para onde quero ir... Assim também o faço, não por fuga, mas por precaução. Ela sorri aos salamaleques: Fala, solitário! E se aproxima com jeito de coisa familiar, o que foi marcante e sempre o é pelo perfume feminil. Tornou-se companhia de viagem, eu de carona, na vera pegando bigu e apresendendo o que seria viajar-si, viajando-se, ela viajarte. Nem bem entendia, muito menos dava pra pensar porque ouvi de Anna Deavere Smith: Então todo mundo vai embora, e você fica, todas as noites, sozinho, com uma multidão de pessoas interessantes - a maioria das quais você não conhece - sentadas no escuro... Cada pessoa tem uma literatura dentro de si... Disso eu me esqueci entre nomes estranhos. Ela, então, olhou-me surpresa: Ai de ti, errante! Eu sei, tudo acaba tão depressa. Seria mais fácil se saísse tão furtiva quanto chegou, de fininho, até perder-se na noite. Sinto-me deslocado, como quem entre o alto da montanha e o rés-do-chão, boiando por não saber levitar. Os grilos nem cantam mais, afinal, não há mais ninguém, apenas eu. Até mais ver.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

A ÚLTIMA CARTA: Você mal viu o pico do meu iceberg, \ desculpe pelo lugar-comum, \ não consigo encontrar outro jeito de chamar desse jeito \ que a vida teve de me obrigar a ter que te procurar novamente \ para nos encontrarmos cara a cara \ em um espaço infinito onde você foi e eu \ Eu ainda não sei. \ Ele secou ao sol a bandeira branca \ que pretendia mostrar até a morte, três \ Parece que era um número suficiente, \ até que o espaço voltasse a ser pequeno. \ momento e mais negro, todo negro o futuro. \ E quando o prego da circunstância obriga você a se perguntar \ se existe aquele tempo pendente ou se existe apenas um caminho \ uma linha que sempre quebra. \ Que futuro? Eu que nunca neguei as cicatrizes, \ sinto-me cansado de ser um, \ cada pedaço de coração que mal cicatriza, \ se abre novamente e o choro, que de tanto se mostrar para poucos, \ não consegue mais sair, fica preso, \ fica no peito e vira bater. \ Esta carta não chegará mais até você, \ nem todas as coisas que íamos contar um ao outro serão realidade. \ Somos uma história que nem descobriu como começar e ficou vez, \ ele derrapou em alguma rua escura e molhada \ para bater e me faça gritar que você nunca mais ouvirá. \ E ainda assim, escrevo a carta para você, \ porque quero poder lê-la para você todas as vezes. \ Eu li para o mundo e talvez isso chegue até você como um sussurro do outro lado da dor.

BUKOWSKI PEDE MENINAS CALMAS E LIMPAS COM BELOS VESTIDOS: De repente, um homem no fim de sua vida, \ depois de distribuir seus bens e suas forças entre mulheres que reivindicaram seu amor, \ requer uma mulher “boa”. \ Ele precisa tanto que pode imaginar tudo que eu faria por ela. \ Sem nunca construir a calçada, pegue travesseiros para sua cabeça ou provocar sua risada. \ Ele precisa disso, ele diz, A Ele pede a seus amigos que não lhe tragam mais prostitutas. \ Você sabe que isso existe, mas ele não encontra. \ Eu nasci de novo, Hank, e deixar o álcool,\ o ciúme e os socos no papel, \ não nas mulheres que você transformou em prostitutas.

Poemas da escritora costariquenha Rebeca Bolaños Cubillo. (1973), que é graduada en RRPP y Comunicación y en Bellas Artes, estudiante de Antropología.

 

AMMONITE - [...] Eu não pertenço a ninguém! Não sou uma coisa que possa ser mantida, ordenada ou levada a tal desespero que abra minhas próprias veias. Olhe para mim, Aoife. Olhe para mim! Eu sou uma mulher [...] Eles estavam conectados: o mundo, o corpo dela, o rosto dela. Talvez ela não devesse perguntar quem ela era, mas sim, do que ela fazia parte. [...] Ela observou seu amante em silêncio; as palavras teriam sido grandes demais, sólidas demais para o que haviam feito juntos. [...] Somos mais da metade da humanidade. Não somos imitações, nem camaleões assumindo uma coloração masculina protetora, ansiando pelo dia em que os homens irão embora e poderemos voltar a ser quem somos, como os verdadeiros insetos. Estamos aqui, agora. Nós somos como você. [...]. Trechos extraidos da obra Ammonite (Del Rey Books, 2002), da escritora, ensaísta e professora inglesa, Nicola Griffith. Veja mais aqui.

 

AS TECNOLOGIAS & OS CÉREBROS – [...] Quanto mais conexões você puder fazer em uma gama cada vez mais ampla e díspar de conhecimento, mais profundamente você compreenderá algo. Os motores de busca e os videojogos não oferecem essa facilidade; nada faz, além do seu próprio cérebro [...] que a leitura eletrônica resultou em pior compreensão, em decorrência das limitações físicas do texto que obrigavam os leitores a rolar para cima e para baixo, atrapalhando a leitura com instabilidade espacial [...] Os nativos digitais nascidos naquela época sabiam ler e escrever, o e-mail (que começou por volta de 1993) teria se tornado uma parte inevitável da vida. A distinção importante é que os Nativos Digitais não conhecem outro modo de vida além da cultura da Internet, do laptop e do celular. Podem libertar-se das restrições dos costumes locais e da autoridade hierárquica e, como cidadãos autónomos do mundo, personalizarão actividades e serviços baseados em ecrãs, ao mesmo tempo que colaboram e contribuem para redes sociais e fontes de informação globais. [...] Como espécie, parecemos ter um desejo tão grande de auto-revelação que isso poderia ser considerado uma parte muito básica da psique humana. Cientistas de Harvard demonstraram que a partilha de informações pessoais sobre si mesmo, como acontece em sites de redes sociais, ativa os sistemas de recompensa no cérebro da mesma forma que a comida e o sexo. [...] redução do risco de constrangimento e sentimentos de desconforto na interação social. Ninguém pode ver você corar, ouvir sua voz estridente ou sentir as palmas das mãos úmidas. Mas, novamente, você também não consegue captar essas dicas tão importantes para descobrir como a outra pessoa pode estar reagindo. Em 2012, o órgão fiscalizador das comunicações britânico, Ofcom, produziu o seu nono Relatório Anual do Mercado de Comunicações. O diretor de pesquisa da Ofcom, James Thickett, estava perfeitamente consciente da importância do declínio que o relatório daquele ano encontrou no número de chamadas móveis, que caiu 1 por cento, e no número de chamadas fixas, que diminuiu 10 por cento. Ele concluiu: Em apenas alguns anos, as novas tecnologias mudaram fundamentalmente a forma como nos comunicamos. Falar cara a cara ou ao telefone não é mais a forma mais comum de interagirmos uns com os outros. Em seu lugar, estão a surgir novas formas de comunicação que não exigem que falemos uns com os outros, especialmente entre os grupos etários mais jovens. Esta tendência deverá continuar à medida que a tecnologia avança e avançamos na era digital. [...] Uma consideração adicional na leitura em uma tela é o maior potencial de fadiga ocular. As diferenças entre a página impressa e a tela têm consequências significativas para a ergonomia visual. [...] Aprender uma segunda língua aumenta a densidade da massa cinzenta, sendo as alterações observadas correlacionadas com o nível de habilidade. [...] Cerca de quatrocentos anos antes do nascimento de Cristo, Sócrates estava preocupado com a possibilidade de a escrita destruir a capacidade mental, com argumentos assustadoramente semelhantes aos que exploramos aqui em relação à Internet. [...]. Trechos extraídos da obra Mind Change: How Digital Technologies Are Leaving Their Mark on Our Brains (Random, 2015), da neurocientista britânica Susan Adele Greenfield.

 

VIOLA DO NORDESTE

Sobre a criação do método é como se eu há cerca de trinta anos atrás tivesse engravidado, e tive que lutar durante dezenas de anos para ter a alegria de parir esta criança. Viva a viola do Nordeste!...

Trecho extraído da obra Viola do Nordeste: da cantoria à viola progressiva (Nova Presença, 2022), do compositor, instrumentista, arranjador e violeiro Adelmo Arcoverde, autor dos álbuns musicais solo O convertido (2013) e Mensageiro (2014), integrante da Orquestra de Cordas e Dedilhas de Pernambuco. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 



quinta-feira, agosto 31, 2023

LINDA KNAUSGARD, PATRICIA CHURCHLAND, ELEANOR HIBBERT & PERNAMBUCO POPULAR

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Molécula Azul (2020), A flor que gira (2019), Cósmico Samba (2011), A Hora do Meio-Dia: "ofuscante, tanta claridade oculta o mito e deseja a noite" (2002), O Bárbaro (s/d) e Disfarce (1999), da cantora, compositora, instrumentista, professora e escritora Luama Socio, que é formada em Letra pela UNESP, mestre em Teoria Literária e doutora em Filosofia pela USP, e editora da revista Katawixi.

 

VALER SEM UMA NEM DUAS, TODAS... - Daqui prali é quase nada: há sempre a sensação de que a colheita já passou do ponto. Mesmo assim aposto no imprevisível: ainda não achei a peça que falta no quebra-cabeça, olvidando da ampulheta no relógio que perdi. Sei de antemão: o que passou pegou atalho pro futuro – cada passante com a sua própria Caverna de Platão, coisa de quem estupora misturado no indevido. Estou pronto pro improviso, mas sei: há sempre o risco da queda. Ah, vou no tinindo, afinal quem não proseia, antes de chegar já se foi. Há quem vá no acordo ou não, e dessa passa pra outra, às vezes pra pior. Enquanto isso atento ao que disse Carolyn Janice Cherry: A ignorância matou o gato; a curiosidade foi enquadrada!... É perfeitamente normal escrever lixo - desde que você edite de maneira brilhante... Rio-me de quase tudo. E, apesar da manhã ensolarada, a correria dos que vão ou chegam parece mais a vida se acabando antes do tempo e pisoteando os que ficaram pelo caminho. Adivinho itinerário, ovelha desgarrada e o desassossego. Escapo de dementadores, afinal já me dizia Rebecca West: A conversa é uma ilusão. Há apenas monólogos que se cruzam... Você deve sempre acreditar que a vida é tão extraordinária quanto as músicas dizem. Confesso: ao meu redor tudo é tão inextricável quanto impreciso, enteléquia arruinada e o inevitável. Salutar ouvir Camilla Läckberg feito epitalâmio: Seria mais fácil não se importar, ir com a maré e se preocupar com um dia de cada vez... Nunca se deve considerar uma coisa como certa se for apenas quase certa... Porque se você não se permitir amar, você correrá o risco de perder tudo... A vida é sempre um mistério pendular, tempespaço entre dizeres e falácias. Mas digo: se a verdade for uma mulher nua e crua eu quero, senão prefiro uma mentira bem contada. Do contrário, lá vou eu como quem veio da Nebulosa do Anel para a galáxia do Sombreiro: um caminho para ir sozinho. E aos que perduram digo: até mais ver.

 

UM POEMA: A VIDA NÃO VIVIDA

Imagem: Acervo ArtLAM

Um palco ao ar livre, madrugada, \ Todos os movimentos seguem o ritmo, uma coreografia fixa, os bailarinos dançam balé \ Um homem segura um relógio, no final tudo o que ouvimos é o tique-taque do relógio \ (uma transição dos movimentos coreografados da dançarina para o simples tique-taque do relógio) \ Eu pedi para uma nova era começar \ Aqui entre nós \ Relâmpagos (se mostra) \ Você pode escolher um conhecimento para levar com você \ Apenas um \ Você pode escolher como achar melhor, a liberdade é sua, mas se as limitações são o que você deseja eles estão disponíveis \ (Dê corda no relógio) \ O que vai morrer vira começo, deixe tudo \ Minhas memórias? Sim, eles também. \ Lembrar não será possível. \ Você morre. Todos nós morremos \ Bem desse jeito? Sim, de certa forma, de certa forma não \ Você não poderá escolher quando \ Mas isso vai acontecer \ O que você sabe sobre a nova era? \ Você tem experiência. \ O que você vê na sua frente. \ Não adianta ter medo. \ Bom, bom, isso mesmo \ Cumprimente o novo com confiança, seja justo \ Quem é você, aquele que vai nos explicar tudo? \ Nunca, sem tais pensamentos, mude a melodia e ouça o que é quase inaudível \ E ainda assim cresce \ Os mortos: cresce, cresce, cresce \ Levante-se quando eu falo com você \ Você é um homem violento? \ Eu tenho ideias, pensamentos. \ Qual, se posso perguntar? \ Como você governa sem violência? \ Tudo depende de você acreditar em mim, em cada palavra minha \ Não pense nem por um momento que vou te revelar algo sobre mim \ Os mortos: Sobre mim, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu \ O homem que falou de uma nova era anda com o relógio fora do palco \ Lá vão eles, todos tolos \ Eles não vão voltar, estamos sozinhos aqui, estamos livres, e ainda assim não \ Eu não entendo nada, agora diga o que você quer dizer \ A vida passou, não vai voltar \ Agora todos devem se curar \ Já estamos mortos? \ O murmúrio dos mortos está por trás dele, embaixo dele, murmure livremente \ Quantos, dois ou três, cinquenta, cem mil, setecentos mil e trinta? \ Vá em frente, apenas deite-se ali. \ Ele aponta para os mortos, seu murmúrio \ Seu sono será sem sonhos \ Eu amo meus sonhos \ Então fique aí, aí você poderá sonhar \ É tão fácil assim, mas algumas palavras, ele ri \ Tudo começa de novo. \ Isaque, Ismael, o sacrifício e o deserto \ O murmúrio dos mortos: Isaque, Ismael, o sacrifício \ Trovões, relâmpagos, em seu clarão vemos o balé dos dançarinos \ Todos observam enquanto dançam, cada um em sua mente, pensamentos, se pudéssemos ouvi-los \ Aplausos \ Apenas olhe Isaque e Ismael se abraçam e riem \ Isaac: Veja o balé. \ Eles estão dançando Ismael: Me encanta ver isso, me encanta \ Isaac: Então você está seguro, só os seguros podem se deliciar assistindo a dança \ Ismael: Talvez \ Eles riem \ O homem do relógio entra. \ O Homem: O tempo está passando. \ Não se esqueça. \ Isaac: Nos encontramos e já devemos nos separar \ Ismael: Assim está escrito \ Ismael dá um beijo de despedida em seu irmão, deve ir imediatamente \ Sentiremos falta um do outro? \ Através dos milênios \ Até a próxima. \ Isaque e Ismael caem nos braços um do outro \ Assista ao balé novamente \ O balé novamente em plena luz do dia \ Ismael: O que vê-los dançar faz com você? \ Isaac: Isso me faz doer \ Isaac: Verdadeiramente, estou sofrendo, estou sofrendo \ Ismael: Esse é o anseio pela vida não vivida \ Uma eternidade depois \ Bem cumprido \ Isaque \ Ismael \ Ouça isso, não poupe detalhes, eles sussurram um para o outro, \ a paisagem de seus pensamentos é projetada atrás deles. \ Um pássaro voa pela paisagem e cai diante de Isaque e Ismael. \ É a morte, o condor, o orgulhoso emissário da morte. \ É apenas um pássaro. \ Um pássaro você diz, se fosse uma pomba já estaríamos comemorando, mas o condor, com asas para carregá-lo do inferno e voltar \ Tão rápido em separar pensamentos, \ Ismael, meu irmão \ O que você está pensando? \ Os prados pelos quais passei quando criança. \ Pensamentos, esperança talvez tão simples quanto isso \ Sim, esperança e saudade \ Aqueles que vivem muito. \ Só eles? \ Sim. \ Só eles.

Poema da escritora sueca Linda Bostrom Knausgard.

 

RAINHA DESTE REINO - [...] Vale a pena lutar pela liberdade; vale a pena pagar um preço alto por isso, porque morrer pela liberdade é deixar esta vida em um tumulto de glória que destrói nossas fraquezas passadas e nos torna um com os heróis. [...]. Trecho extraído da obra Queen of This Realm (Fawcett, 1986), da escritora Jean Plaidy, pseudônimo da escritora britânica Eleanor Hibbert (1906-1993), autora de frases lapidares tais como: Como os amantes podem ser estúpidos! Mas se não fossem, não haveria história... Um país ganha mais com um ano de paz do que com dez anos de guerra... Veja mais aqui.

 

BRAINTRUST: O QUE A NEUROCIÊNCIA NOS DIZ SOBRE A MORALIDADE - [...] A ciência é o grande antídoto para o veneno do entusiasmo e da superstição. [...]. Trecho extraído da obra Braintrust: What Neuroscience Tells Us about Morality (Princeton University Press, 2012), da filósofa canadense Patricia Smith Churchland, que noutra de suas obras, Conscience: The Origins of Moral Intuition (W. W. Norton & Company, 2019) expressa que: [...] A certeza é inimiga do conhecimento. [...] Em geral, aqueles que se anunciam como tendo um julgamento moral superior ou um acesso único à verdade moral precisam ser olhados com desconfiança. Não é raro que haja grandes vantagens – em dinheiro, sexo, poder e auto-estima – em estabelecer-se como uma autoridade moral. O resto de nós pode ser facilmente explorado quando concordamos com essas afirmações oficiais. Muitos golpistas se proclamam gurus morais, dispostos a dizer ao resto de nós como nossa consciência deve se comportar. Eles podem parecer autoritários porque são especialmente carismáticos ou especialmente espirituais ou especialmente firmes em suas convicções. [...] É tentador acreditar que a nossa consciência pode ser aproveitada para transmitir verdades morais universais e que, enquanto prestarmos atenção à nossa consciência, a nossa escolha será de fato a escolha moralmente correta. O facto desconfortável que tem de ser levado em conta, no entanto, é este: as pessoas conscienciosas divergem frequentemente sobre o que a sua consciência lhes ordena fazer e, portanto, diferem nas suas [...] A convicção sincera não é, infelizmente, uma garantia de decência moral. [...] Posso ansiar pela certeza, mas tenho que viver fazendo o melhor que posso. [...] A própria ciência não julga valores morais. Quando todos os fatos disponíveis estiverem disponíveis, ainda poderemos enfrentar as perguntas “O que devemos fazer? [...] A certeza sobre a postura moral de alguém pode ser reconfortante, mas tende a nos alertar para os danos que estamos prestes a causar. [...] Viver em comunidade normalmente aumenta as chances de sobrevivência e prosperidade. Podemos compartilhar comida e nos aconchegar contra o frio; podemos nos organizar para atacar as presas ou para nos defendermos uns dos outros contra invasores. [...] Se a nossa sociabilidade motiva o cuidado com os outros, também é verdade que somos dados ao ódio. Nós, humanos, regularmente temos prazer em odiar aqueles que consideramos estranhos. Tendemos a achar o ódio energizante. [...] O primeiro e mais básico ponto evolutivo é que os principais alvos e beneficiários da sociabilidade são os descendentes. Por que? Porque os bebês mamíferos são imaturos ao nascer e certamente morrerão sem cuidados. As tartarugas bebés, depois de eclodirem dos ovos, imediatamente escavam para sair da areia, descem para a água e começam a procurar comida. Nenhum pai está por perto, nem é necessário [...] Por mais confuso que seja, o melhor conselho talvez seja permitir-se uma ampla experiência de vida e exposição à condição humana em toda a sua beleza e horror. Faça o seu melhor, mas mesmo assim você cometerá erros [...] Se eu fosse uma criatura solitária como uma salamandra, nada disso me incomodaria. Eu não teria conflitos morais, nem consciência social. Eu alimentaria, acasalaria e botaria meus ovos. Eu não me preocuparia com outras salamandras, nem mesmo com aquelas que eclodem dos meus próprios ovos. Eu cuidaria de minhas próprias necessidades e não me importaria nem um pouco com os outros. Mas sou um mamífero e, como outros mamíferos, tenho um cérebro social. Estou programado para me preocupar, especialmente com aqueles a quem estou apegado. [...]. Veja mais aqui e aqui.

 

PERNAMBUCO POPULAR

O dom de comover lhe pertence, pois seu toque esbarra na emoção do outro...

Extraído da obra Pernambuco popular: um toque de mestre (Relicário Produções, 2005), de Raul Lody, fotografia de Fred Jordão e Roberta Guimarães, reunindo a obra de Ana das Carrancas, J. Borges, Mestre Salú, entre outros grandes mestres da arte popular de Pernambuco. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.



terça-feira, junho 28, 2016

JORGE LUIS BORGES, AYAKO YONETANI, METZINGER, ANTHONY GADD, PSICOLOGIA & NEUROEDUCAÇÃO


EDUCAÇÃO, PROFESSOR-ALUNO, GESTÃO ESCOLAR & NEUROEDUCAÇÃO – Desde 2014, o Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva, desenvolveu uma série de atividades coordenadas pelos professores Álvaro Queiroz e Janne Eyre Araujo de Melo Sarmento, contando com a participação do psicólogo Weverky Farias e dos graduandos em Psicologia do Centro Universitário Cesmac, Maurício Gomes e Danrley Tenório, entre outros alunos. Nesses dois anos de existência, esse grupo realizou leituras, estudos e pesquisas que redundaram em debates e produção acadêmica, participando, inclusive, de diversos eventos. Durante o primeiro semestre de 2016, o grupo tem se debruçado na realização do projeto de pesquisa sobre a temática da Relação Escola, Professor e Aluno na Educação Pública de Maceió, envolvendo alunos e professores do Ensino Médio e gestores de duas escolas do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (CEPA), entre elas, a Escola Estadual Moreira e Silva, por meio da gestora Ely Quintela Lisboa Carvalho, e a Escola Estadual Pricesa Izabel, com as gestoras Sônia Suely Araújo Ferreira e Valquíria Balbino da Silva, resultado de contribuição da professora Fátima Bastos. Nessas escolas procurou-se conhecer a realidade proposta na temática, observando-se de que forma se dá a relação entre professores e alunos do nível de ensino em estudo, por meio de um estudo de caso que envolveu a aplicação de instrumentos como questionário e observação. Cumprida esta etapa da pesquisa, o grupo agora está voltado para o levantamento e análise dos dados recolhidos para confecção de um relatório de pesquisa que será apresentado no segundo semestre deste ano. Enquanto isso, reuniões administrativas e de estudo estão sendo desenvolvidas no sentido de viabilizar a realização de cursos, promoção de debates e pesquisas, participação de congressos, simpósios e seminários, entre outros eventos acadêmicos, com o objetivo de difundir as contribuições da Neuroeducação às atividades educacionais em Alagoas. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais a respeito aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 Imagem: Deux Nus (1910-11), do pintor francês Jean Metzinger (1883-1956).

Curtindo o álbum Ayako Yonetani and The Slovak State Philarmonic (2004), da violinista e violista japonesa Ayako Yonetani.

PESQUISA
Ciência psicológica: mente, cérebro e comportamento (Artmed, 2005), do neurocientista Michael Gazzaniga e o psicólogo social e da personalidade, Todd Heatherton. Veja mais aqui.

LEITURA 
[...] Este livro de sonhos que os leitores tornarão a sonhar abarca os sonhos da noite — os que eu assino, por exemplo — sonhos do dia, que são um exercício voluntário da nossa mente, e outros de raízes perdidas: digamos, o Sonho (anglo-saxão) da Cruz. [...]
Livro dos sonhos (Difel, 1984), do escritor, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino Jorge Luis Borges (1899-1986). Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] O trabalho do educador pode ser mais significativo e eficiente quando ele conhece o funcionamento cerebral. Conhecer a organização e as funções do cérebro, as relações entre cognição, emoção, motivação e desempenho, as dificuldades de aprendizagem e as intervenções a elas relacionadas contribui para o cotidiano do educador na escola, junto ao aprendiz e à sua família. [...].
Trecho do livro Neurociência e educação: como o cérebro aprende (Artmed, 2011), de Ramon M. Consenza e Leonor B. Guerra. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Aconteceu no último dia 20 de junho, no Centro Universitário Cesmac, reunião administrativa do Grupo de Pesquisa Neurofilosofia & Neurociência Cognitiva, que contou com a presença da professora Alyshia Karla Gomes da Silva Santos, ocasião em que foram apresentados os primeiros resultados do projeto de pesquisa A relação escola, professor e aluno na educação pública de Alagoas. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre Paixão Legendária, Brincarte do Nitolino, Luigi Pirandello, Mel Brooks, Jean-Jacques Rousseau, Felipe Radicetti, Aldemar Paiva, Marly de Oliveira, Anita Mercier, Guilhermina Suggia, Nena Borges, Santanna O Cantador & Maria Luisa Persson aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Figurative - Art Maya, do artista plástico sul-africano Anthony Gadd.
Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Fotodinâmica 11, do fotógrafo, diretor de teatro e cineasta do Futurismo italiano Anton Giulio Bragaglia (1890-1960).
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.


domingo, fevereiro 21, 2016

WELLS, APOLONIO, DAMASIO, BÉRANGER & MILAGRES

A SOLIDÃO DE APOLONIO (Imagem do quadrinista Guilherme Raffide) - Lá estava aquele carismático ser com sua túnica de linho, barba e longos cabelos atraindo multidões. Todos sabiam que o asceta nascera em uma família antiga e rica de Tiana, na Capadócia, numa circunstância inusitada e milagrosa – a mãe grávida recebeu a visita de Proteu, o deus do Egito, divinizando a gestação. Relatos de muitos populares dão conta de que, no exato instante de seu nascimento, um raio caiu sobre a terra e, depois, elevou-se no ar até desaparecer no alto do céu. Foi educado em Tarso e, em seguida, no templo de Esculápio, em Aegae, estudou Medicina e as doutrinas pitagóricas, tornando-se num místico matemático e cientista, cultuador do heliocentrismo, politicamente ativo lutando contra a tirania. Era um vegetariano discípulo pitagórico: um boi senta-se sobre a disciplina do silêncio. E fez seu juramento: por 5 ano de pureza. O sábio errante tomou o escriba Damis por discípulo, despojou-se de todo o seu patrimônio dando-o aos parentes, seguindo para a Grécia e de lá esteve em Nínive, Babilônia e Índia: aprendeu com os brâmanes e magos sacerdotes. No Egito, esteve com os gimnosofistas, os filósofos nus. Previa o futuro, enquanto obrava milagres, falava todos os idiomas, conhecia o pensamento mais íntimo de cada pessoa e compreendia os pássaros e todos os animais. Foi acusado de traição por Nero, escapando milagrosamente das teias implacáveis do ódio: graças a um eclipse com trovão e uma clarividência: Haverá um grande acontecimento e não haverá. É que o raio caiu exatamente sobre a mesa de Nero e partiu em dois o copo que ele levava aos lábios. Foi preso pelo imperador Domiciano, acusado de incentivar rebeliões: ele se desvaneceu no julgamento do tribunal inexplicavelmente. Assim aparecia e desaparecia da vida púbica, atuando e servindo como curador de corpos e almas, salvando enfermos, exorcizando demônios, afora ressuscitar mortos e libertar cidades das pragas. Retornou para construir uma escola em Êfeso, tudo registrado pelo discípulo que acompanhou a vida centenária do mestre taumaturgo, cujos registros foram entregues à imperatriz Julia Domna, que incumbiu o sofista Flávio Filóstrato a biografia do sábio, repleta de milagres e homenagens reais: Com relação à maneira de sua morte, ‘se ele morreu’, as narrativas são diversas... Durante toda sua vida escreveu livros e tratados sobre ciência, medicina e filosofia. Todas as suas biografias apologéticas foram perseguidas e destruídas pelos cristãos, sobretudo por conta da semelhança de sua biografia com a do seu contemporâneo Jesus. Porém, as crônicas de Damis foram milagrosamente salvas, graças ao imperador romano Adriano e a iniciativa posterior de Hierócles, os relatos sobre sua vida foram restaurados e publicados, registrando-se também sua presença nas obras Vida de Pitágoras, escrito pelo neoplatônico Porfírio – e autor da Adversus Christianos, na qual questionava a divindade de Jesus, garantindo que os feitos de Apolônio eram similares; e na Vida Pitagórica, do neoplatônico assírio Jâmblico. Suas atividades foram analisadas no Livro das Pedras, do alquimista medieval islâmico Jabir ibne Haiane, a partir do qual passou a ser considerado o Jesus pagão, divino e imortal: ao morrer, ascendeu ao céu e regressou para mostrar que vivia no reino celestial.

 

DITOS & DESDITOS

Faça-se conhecer como filósofo, e isso é ser um homem livre. Falar falsamente é a marca de um escravo, mas a verdade é nobre. Vi os brâmanes indianos vivendo na terra e não sobre ela, cercados por muros sem muros, e sem posses além do mundo inteiro. Pitágoras disse que a medicina é a mais divina das artes. Mas, se é a mais divina, deve cuidar tanto da alma quanto do corpo, senão o ser vivo estará doente, acometido por uma doença em sua parte superior. Na minha opinião, excelência e riqueza são opostos diretos.

Pensamento do filósofo neo-pitagórico, asceta e professor grego Apolônio de Tiana.

 

O HOMEM QUE FAZIA MILAGRES - [...] É duvidoso que o dom fosse inato. Por minha parte, acho que lhe surgiu de repente. De fato, até os trinta anos ele era cético e não acreditava em poderes miraculosos. E aqui, já que é o lugar mais conveniente, devo mencionar que ele era um homem pequeno, com olhos de um castanho intenso, cabelo ruivo bem espetado, um bigode com as pontas que ele torcia para cima e sardas. Seu nome era George McWhirter Fotheringay — não o tipo de nome que, de forma alguma, levasse à expectativa de milagres — e ele era escriturário na loja de Gomshott. Ele era muito propenso a argumentos assertivos. Foi enquanto afirmava a impossibilidade de milagres que teve seu primeiro indício de seus poderes extraordinários. Essa discussão em particular estava sendo debatida no bar do Long Dragon, e Toddy Beamish conduzia a oposição com um monótono, porém eficaz, "Então _você_ diz", que levou o Sr. Fotheringay ao limite de sua paciência. Estavam presentes, além desses dois, um ciclista muito empoeirado, o proprietário Cox, e a Srta. Maybridge, a garçonete perfeitamente respeitável e um tanto corpulenta do Dragão. A Srta. Maybridge estava de costas para o Sr. Fotheringay, lavando copos; os outros o observavam, mais ou menos divertidos com a ineficácia do método assertivo. Instigado pelas táticas de Torres Vedras do Sr. Beamish, o Sr. Fotheringay resolveu fazer um esforço retórico incomum. "Veja bem, Sr. Beamish", disse o Sr. Fotheringay. "Vamos entender claramente o que é um milagre. É algo contrário ao curso da natureza, feito pelo poder da vontade, algo que não poderia acontecer sem ser especialmente desejado." "É o que você diz", disse o Sr. Beamish, repelindo-o. O Sr. Fotheringay apelou ao ciclista, que até então havia sido um ouvinte silencioso, e recebeu sua concordância — dada com uma tosse hesitante e um olhar para o Sr. Beamish. O proprietário não expressou opinião, e o Sr. Fotheringay, voltando-se para o Sr. Beamish, recebeu a inesperada concessão de uma concordância condicionada à sua definição de milagre. "Por exemplo", disse o Sr. Fotheringay, muito animado. "Aqui seria um milagre. Aquela lâmpada, no curso natural das coisas, não poderia queimar assim de cabeça para baixo, poderia, Beamish?" "Você diz que não poderia", disse Beamish. "E você?" disse Fotheringay. "Você não quer dizer... né?" "Não", disse Beamish, relutantemente. "Não, não poderia." "Muito bem", disse o Sr. Fotheringay. "Então, eis que surge alguém, como poderia ser eu, por aqui, e fica parado como poderia estar aqui, e diz para aquela lâmpada, como eu faria, reunindo toda a minha vontade: Vire de cabeça para baixo sem quebrar, e continue queimando firme, e... Olá!" Foi o suficiente para fazer qualquer um dizer "Olá!" O impossível, o incrível, era visível para todos eles. A lâmpada invertida no ar, queimando silenciosamente com sua chama indicando para baixo. Era tão sólida, tão indiscutível como sempre uma lâmpada era, a lâmpada comum prosaica da barra do Dragão Longo. O Sr. Fotheringay estava de pé com o dedo indicador estendido e as sobrancelhas franzidas de quem antecipava um estrondo catastrófico. O ciclista, que estava sentado ao lado da lâmpada, abaixou-se e pulou por cima do balcão. Todos pularam, mais ou menos. A Srta. Maybridge se virou e gritou. Por quase três segundos, a lâmpada permaneceu imóvel. Um fraco grito de angústia mental veio do Sr. Fotheringay. "Não consigo continuar assim", disse ele, "por mais tempo." Ele cambaleou para trás, e a lâmpada invertida de repente se iluminou, caiu contra a quina do balcão, ricocheteou para o lado, se estilhaçou no chão e se apagou. [...] Em outro momento, um pombo azul estava esvoaçando pela sala e fazendo Sr. Maydig se abaixa cada vez que se aproximava dele. "Pára aí, está bem?" disse Sr. Fotheringay; e o pombo pendurou imóvel no ar. "Eu podia mude-o de volta para uma tigela de flores", disse ele, e depois de substituir o pombo na mesa fez aquele milagre. "Eu espero que você vai querer o seu cachimbo em um pouco", disse ele, e restaurou o frasco de tabaco. [...] Sr. Fotheringay começou a contar sobre sua desventura com Winch, e o Sr. Maydig, não mais sobrecarregado ou assustado, começou a sacudir seus membros sobre e interjetar espanto. "Foi isso que mais me incomodou", prosseguiu o Sr. Fotheringay; "é isso que eu sou mais insignificantemente em falta de conselhos para; é claro ele está em São Francisco – onde quer que seja San Francisco – mas é claro que é estranho para nós dois, como verá, Sr. Maydig. Não vejo como pode entender o que aconteceu, e atrevo-me a dizer que ele está assustado e exasperado algo tremendo, e tentando chegar até mim. Atrevo-me a dizer que ele continua começando a vir aqui. Eu o envio de volta, por um milagre, a cada poucas horas, quando penso nisso. E, claro, isso é uma coisa que ele não será capaz entender, e é obrigado a aborrecê-lo; e, claro, se ele tomar um bilhete toda vez que lhe vai custar muito dinheiro. Fiz o melhor que pude para ele, mas, claro, é difícil para ele se colocar no meu lugar. Pensei depois que as roupas dele podiam ter sido queimadas, tu sabes – se o Hades é tudo o que deveria ser – antes de eu o mudar. Nessa Caso, suponho que o teriam trancado em São Francisco. Claro que eu desejou-lhe um novo terno de roupas sobre ele diretamente eu pensei nisso. Mas, você veja, eu já estou em um deuce de um emaranhado-" Sr. Maydig parecia sério. "Vejo que você está em um emaranhado. Sim, é a posição difícil. Como você deve acabar com isso..." Ele tornou-se difuso e inconclusivo. [...] Ele abriu os olhos. Ele estava no bar do Dragão Longo, discutindo sobre milagres com Toddy Beamish. Ele tinha uma vaga sensação de algo ótimo esquecido que instantaneamente passou. Você vê isso, exceto pela perda de seus poderes milagrosos, tudo estava de volta como tinha sido, sua mente e memória, portanto, eram agora exatamente como tinham sido no momento em que esta história começou. Para que ele não soubesse absolutamente nada de tudo o que se diz aqui... não sabe nada de tudo o que é dito aqui até hoje. E entre outros coisas, é claro, ele ainda não acreditava em milagres. "Eu lhe digo que milagres, propriamente falando, não podem acontecer", ele disse: "o que quer que você goste de segurar. E estou preparado para provar isso ao Hilt." "Isso é o que você pensa", disse Toddy Beamish, e "Prove se você pode." "Olha aqui, Sr. Beamish", disse o Sr. Fotheringay. "Vamos claramente entender o que é um milagre. É algo contrário ao curso de natureza feita pelo poder de Will..." [...]. Trechos extraídos da obra The Man Who Could Work Miracles – Pantoum in prose, (The Cresset Press, 1936), do escritor britânico H. G. Wells (Herbert George Wells). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


O RATO DAS CANÇÕES DE PIERRE-JEAN DE BÉRANGER (1780-1857)

O RATO

Medrosa, a jovem Lisa
Teme qualquer ratinho
E berra de ojeriza
Se um lhe cruza o caminho.

Fazer tanta zoada
Por um bicho tão fraco!
Fica, Lisa, calada:
Deixa que ache o buraco.

Gritando, Lisa tenta
Fugir-lhe, mas em vão:
O rato que a atormenta
Lhe salta para a mão.
Ela aperta, assustada,
O tal bicho velhaco.
Fica, Lisa, calada:
Deixa que ache o buraco.

É tão grande o pavor
De Lisa, que desmaia.
Se mete o roedor
Por sob a saia.
Sem medo de mais nada,
Põe-se a comer seu naco.
Fica, Lisa, calada.
Ele achou o seu buraco.
(Tradução de José Paulo Paes)

PIERRE-JEAN DE BÉRANGER (1780-1857) – O poeta, libretista, cançonista e letrista musical francês, Pierre Jean de Béranger, foi participante ativo do movimento da convulsão social que se seguiu à Revolução Francesa, obtendo popularidade como Victor Hugo e Alphonse de Lamartine. Deixsou uma obra lírica vibrante que ainda hoje desperta o interesse do público erudito. Sua primeira coletanea tem o título malicioso de Chansons morales et autres (Canções morais ... e outras), publicada em 1815. Segue-se outras coletâneas posteriores até Chansons nouvelles et dernières (Canções novas e últimas). É autor de mais de uma centena de canções inéditas e romanceiros. Suas canções foram reunidas em vários volumes celebrando o amor e a juventude em diapasão báquico, atacando revolucionariamente os padres e os novos pobres, tornando-se, por isso, grande poeta popular da Fraçam do séc. XIX.

O ERRO DE DESCARTES DE ANTONIO DAMASIO - [...] A preocupação é dirigida tanto à noção dualista com a qual Descartes separa a mente do cérebro e do corpo como às variantes modernas dessa noção: por exemplo, a ideia de que mente e cérebro estão relacionados mas apenas no sentido de a mente ser o programa de software que corre numa parte do hardware chamado cérebro; ou que cérebro e corpo estão relacionados, mas apenas no sentido de o primeiro não conseguir sobreviver sem a manutenção que o segundo lhe oferece. Qual foi, então, o erro de Descartes? Ou, melhor ainda, a que erro de Descartes me refiro com ingratidão? Poderíamos começar com um protesto e censurá-lo por ter  convencido os biólogos  a adotarem,  até  hoje,  uma mecânica  de relojoeiro como modelo  dos  processos  vitais. Mas talvez isso não fosse muito justo, e comecemos,  então,  pelo  ”penso,  logo  existo”. Essa  afirmação,  talvez  a  mais famosa da história da filosofia,  surge pela  primeira vez na quarta seção de O discurso do método  (1637), em francês  (”Je pense, doncje suis”); e depois na primeira parte de Princípios da filosofia (1644), em latim (”Cogito ergo sum”).3 Considerada literalmente, a afirmação ilustra exatamente o oposto daquilo que creio ser verdade acerca das origens da mente e da relação entre a mente e o corpo.  A afirmação sugere  que  pensar  e  ter  consciência  de  pensar  são  os verdadeiros substratos de existir.  E,  como sabemos que Descartes via o ato de pensar como uma atividade separada do corpo, essa afirmação celebra a separação da mente, a ”coisa pensante”  (rés cogitans),  do corpo não pensante, o qual tem extensão e partes mecânicas (rés extensa). No entanto, antes do aparecimento da humanidade, os seres já eram seres. Num dado ponto da evolução, surgiu uma consciência elementar. com essa consciência elementar apareceu uma mente simples; com uma maior complexidade da mente veio  a  possibilidade  de  pensar  e,  mais  tarde  ainda,  de  usar  linguagens  para comunicar e melhor organizar os pensamentos. Para nós, portanto, no princípio foi a existência e só mais tarde chegou o pensamento. E para nós, no presente, quando vimos ao mundo e nos desenvolvemos, começamos ainda por existir e só mais tarde pensamos. Existimos e depois pensamos e só pensamos na medida em que existimos, visto o pensamento  ser,  na  verdade,  causado  por  estruturas  e operações do ser. Quando colocamos  a  afirmação  de  Descartes  no  devido  com contexto,  podemos perguntar-nos por um instante se poderá ter significado diferente daquele que lhe estamos atribuindo. Poderia ser vista como o reconhecimento da superioridade da razão  e  do  sentimento  consciente,  sem nenhum compromisso  firme no  que respeita  à  sua  origem,  substância  ou permanência?  É possível.  Não poderia  a afirmação ter servido também o hábil propósito de aliviar as pressões religiosas que Descartes  podia sofrer?  É possível,  mas  não podemos saber  ao certo.  (A inscrição que Descartes escolheu para sua lápide foi uma citação a que recorria com frequência:  ”Bene qui latuit, bene  vixit”,* de  Tristia,  3.4.25, de Ovídio. Uma renúncia discreta ao dualismo?) Quanto à primeira possibilidade de interpretação, e fazendo o balanço final,  suspeito  que  Descartes  também  queria  dizer  precisamente  aquilo  que escreveu. Quando as famosas palavras surgem pela primeira vez, Descartes está feliz  com a  descoberta  de  uma  proposição  tão  verdadeira  que  não  podia  ser negada ou abalada por nenhuma dose de ceticismo. [...] É esse o erro de Descartes: a separação abissal entre o corpo e a mente, entre a substância corporal, infinitamente divisível, com volume, com dimensões e com um funcionamento mecânico, de um lado, e a substância mental, indivisível, sem volume, sem dimensões e intangível, de outro; a sugestão de que o raciocínio, o juízo  moral  e  o  sofrimento  adveniente  da  dor  física  ou  agitação  emocional poderiam existir independentemente do corpo. Especificamente: a separação das operações mais refinadas da mente, para um lado, e da estrutura e funcionamento do organismo biológico, para o outro. [...] A separação  cartesiana  pode estar  também subjacente  ao  modo de  pensar  de neurocientistas que insistem em que a mente pode ser perfeitamente explicada em termos de fenômenos cerebrais, deixando de lado o resto do organismo e o meio ambiente físico  e  social  — e,  por  conseguinte,  excluindo  o fato  de  parte  do próprio  meio  ambiente  ser  também  um  produto  das  ações  anteriores  do organismo.  Protesto  contra  essa  restrição,  não  porque  a  mente  não  esteja diretamente  relacionada  com a  atividade  cerebral,  pois  obviamente  está,  mas porque essa formulação restritiva é forçosamente incompleta e insatisfatória em termos humanos. É um fato incontestável que o pensamento provém do cérebro, mas prefiro qualificar essa afirmação e considerar as razões por que os neurônios conseguem pensar tão bem. Essa é, de fato, a questão principal. [...] Versões do erro de Descartes  obscurecem as  raízes  da mente  humana em um organismo biologicamente  complexo,  mas  frágil,  finito  e único;  obscurecem a tragédia implícita no conhecimento dessa fragilidade, finitude e singularidade. E, quando os seres  humanos não conseguem ver a tragédia  inerente  à existência consciente,  sentem-se menos impelidos a fazer algo para minimizá-la e podem mostrar menos respeito pelo valor da vida. [...] Há algo de paradoxal na nossa cultura em relação à conceitualização da medicina e seus profissionais. Muitos médicos interessam-se pelas humanidades, das artes à literatura e à filosofia. Há um número surpreendentemente grande de médicos que se tornaram poetas,  romancistas e dramaturgos de destaque,  e houve vários que refletiram com profundidade sobre a condição humana e abordaram sabiamente suas dimensões fisiológica, social e política. E, no entanto, as escolas de medicina de onde eles  provêm ignoram, na sua maior  parte,  essas  dimensões humanas, concentrando-se  na  fisiologia  e  na  patologia  do  corpo  propriamente  dito.  A medicina ocidental,  e em particular a medicina dos Estados Unidos,  alcançou a glória  por  meio  da  expansão  da  medicina  interna  e  das  subespecialidades cirúrgicas,  sendo objetivo de ambas o diagnóstico  e o tratamento de órgãos  e sistemas doentes em todo o corpo. O cérebro (mais concretamente, os sistemas nervosos central e periférico)  foi  incluído  nesse  empreendimento,  uma vez  que  era  um desses ”órgãos”.  Mas  seu  produto  mais  precioso,  a  mente,  não  foi  alvo  de  grande preocupação por  parte da corrente central  da medicina e,  na verdade, não tem constituído o tópico principal da especialidade associada ao estudo das doenças do  cérebro,  a  neurologia.  Talvez  não  tenha  sido  por  acaso  que  a  neurologia americana  começou  como subespecialidade  da  medicina  interna  e  apenas  se tornou autônoma no século XX. O resultado  dessa  tradição  tem sido  uma considerável  negligência  da  mente enquanto função do organismo. Poucas escolas de medicina oferecem atualmente aos seus estudantes alguma formação acerca da mente normal, a qual só pode ser fornecida num currículo forte em psicologia geral, neurofisiologia e neurociência. As escolas de medicina proporcionam estudos da mente doente que se encontra nas doenças mentais, mas é espantoso ver que, por vezes, os estudantes começam a aprender psicopatologia sem nunca terem aprendido psicologia normal. Há diversas razões subjacentes a essa situação, e suponho que a maior parte delas provém de uma visão cartesiana da condição humana. Ao longo dos três últimos séculos,  o  objetivo  da  biologia  e  da  medicina  tem sido  a  compreensão  da fisiologia e da patologia do corpo. A mente foi excluída, sendo em grande parte relegada para o campo da religião e da filosofia, e, mesmo depois de se tornar o tema de uma disciplina específica, a psicologia, só recentemente lhe foi permitida a  entrada  na  biologia  e  na  medicina.  Sei  que  há  louváveis  exceções  a  esse panorama, mas elas vêm apenas reforçar essa idéia sobre a situação geral. O resultado  de  tudo  isso  tem sido  uma  amputação  do  conceito  de  natureza humana com o qual a medicina trabalha. Não surpreende que, de um modo geral, as consequências do corpo sobre a mente mereçam uma atenção secundária,  ou não mereçam mesmo nenhuma atenção. A medicina tem demorado a perceber que aquilo que as pessoas sentem em relação ao seu estado físico é um fator principal no resultado do tratamento. Ainda sabemos muito pouco acerca do efeito placebo, através do qual os doentes apresentam uma reação melhor que aquela que uma determinada intervenção  médica  levaria  a esperar.  (O efeito  placebo pode ser avaliado por meio do efeito de comprimidos ou injeções que,  sem o doente saber,  não contêm nenhum ingrediente farmacológico e se presume  desse  modo não terem influência  alguma, positiva  ou negativa.)  Por exemplo, não sabemos se alguém é mais suscetível a reagir com efeito placebo ou se somos todos suscetíveis  a ele.  Desconhecemos  também até  onde pode ir  o efeito  placebo  e  até  que  ponto  pode  se  aproximar  do  resultado  de  um medicamento ativo.  Sabemos muito  pouco sobre a maneira de induzir  o efeito placebo e não temos a menor ideia do grau de erro criado por ele nos chamados estudos double-blind. Começa finalmente a ser aceito o fato de as perturbações psicológicas poderem provocar doenças no corpo, mas continuam por ser estudadas circunstâncias em que isso se verifica e o grau que atinge. É claro que nossas avós conheciam bem o assunto: diziam-nos que o sofrimento, a preocupação obsessiva, o mau humor, e assim por diante,  podiam estragar a pele e tornar-nos mais sujeitos a infecções, mas tudo isso tinha um ar ”folclórico” e não era nada convincente em termos científicos. A medicina demorou muito tempo a descobrir que valia a pena tomar em consideração o que estava por detrás de tanta sabedoria humana. A negligência cartesiana da mente, por parte da biologia e da medicina ocidentais, tem tido duas consequências negativas principais. A primeira situa-se no campo da ciência. O esforço para compreender a mente em termos biológicos em geral atrasou-se várias décadas e pode dizer-se que só agora começa. Antes tarde do que nunca, sem dúvida alguma, mas o atraso significa também que se tem perdido o impacto potencial que um conhecimento profundo da biologia da mente poderia ter causado nos problemas das sociedades humanas. A segunda consequência negativa  relaciona-se  com o  diagnóstico  e  com o tratamento eficaz das doenças. É bem verdade que todos os grandes médicos têm sido homens e mulheres não apenas bem versados no essencial da fisiopatologia da sua época,  mas também pessoas que estão à vontade, dado o bom senso e a sabedoria que acumularam,  no que toca aos conflitos do coração humano. Têm sido peritos exímios no diagnóstico e no tratamento graças a uma combinação de conhecimentos e talento. No entanto, estaríamos iludindo-nos se pensássemos que o padrão da prática da medicina no mundo ocidental é o desses médicos famosos que todos conhecemos. Uma imagem distorcida do organismo humano,  juntamente  com  o  crescimento  assoberbador  do conhecimento e com a necessidade de subespecialização, torna a medicina cada vez  mais  inadequada.  A medicina  bem  poderia  dispensar  o  acréscimo  de problemas  que sua dimensão industrial  agora  lhe traz,  mas  também esses não param de se avolumar e agravam, por certo, o seu desempenho. O problema do abismo que separa o corpo da mente na medicina ocidental ainda não é  matéria  de  debate  para  o público  em geral,  embora  pareça  já  ter  sido detectado. Suspeito que  o  êxito  de  algumas  formas  da  chamada  medicina ”alternativa”,  em especial  aquelas  que estão  ligadas  à  tradição  não  ocidental, constitui  uma  reação  compensatória  a  esse  problema.  Há  algo  a  admirar  e aprender  com  essas  formas  de  medicina  alternativa,  mas,  infelizmente,  e independente de sua adequação em termos humanos, o que oferecem não chega para tratar eficazmente as doenças. com toda a justiça, devemos admitir que até mesmo a  medíocre  medicina  ocidental  resolve  um número  extraordinário  de problemas.  No  entanto,  as  formas  de  medicina  alternativa  vêm colocar  em destaque  o ponto  fraco  da  tradição  ocidental,  que  deveria  ser  cientificamente corrigido  dentro  da  própria  medicina.  Se,  como  julgo,  o  êxito  atual  dos tratamentos  alternativos  é um indício  da insatisfação do público  em relação à incapacidade da medicina tradicional de considerar o ser humano como um todo, é de prever que essa insatisfação irá aumentar nos próximos anos, à medida que se aprofundar a crise espiritual da sociedade ocidental. Não  parece  provável  que  venham a  diminuir  em breve  a  proclamação  de sentimentos feridos, a procura desesperada da diminuição da dor e do sofrimento individuais  ou  o  chorar  inarticulado  pela  perda  do  equilíbrio  e  felicidade interiores, nunca alcançados, a que a maioria dos seres humanos aspira. Seria absurdo pretender  que a medicina curasse  sozinha uma  cultura  doente,  mas  é igualmente absurdo ignorar esse aspecto da doença humana. O ERRO DE DESCARTES – O livro O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano, do médico neurologista e neurocientista português Antonio Rosa Damásio, aborda o caso de Phineas P. Gage, a conduta social desviante e lesão do lobo frontal, a frenologia, os sistemas formas por várias unidades cerebrais interligadas, anatomia do sistema nervoso, o mapa de Brodmann, o cérebro como supersistema de sistemas, o caso Elliot, a meningioma, a sedução das emoções podendo constituir uma fonte igualmente importante de comportamento irracional, casos de lesões pré-frontais. Lesões em regiões não frontais, anosognosia, anatomia e função, estudos em animais, explicações neuroquímicas, neurobiologia da racionalidade, a regulação biológica e sua expressão nas emoções e nos sentimentos e dos mecanismos para tais na tomada de decisão, corpos e cérebros, estados de organismos, a interação entre o corpo e o cérebro, o organismo interior somatossensorial, sistema nervoso autônomo, sistema nervoso músculo-esquelético, o comportamento e a mente, a interação entre o organismos e o ambiente, os principais setores sensoriais, a mente integrada numa atividade fragmentada, imagens do agora e do passado e futuro, imagens perceptuais e evocadas, formação de imagens perceptivas, representações dispositivas visuais, o conhecimento incorporado em representações dispositivas, o pensamento como efeito de imagens, aspriming e priming, geometria fractal, desenvolvimento neural, sistemas e circuitos, regulação biológica, representações neurais, impulsos e instintos, regulação básica, o amor e os primórdios da neurobiologia do afeto, emoções e sentimentos, emoções primárias e secundárias, variedades de sentimentos, variedade de sensações e sentimentos de fundo, cuidar do corpo, o processo do sentir, a hipótese do marcador-somático, raciocínio, racionalização em ação, altruísmo, noção de contingência, intuição, experiências do jogo, controles normais e doentes frontais, prever o futuro, o eu neural, uma paixão pela razão, mecânica do relojoeiro, a visão cartesiana e a medicina, alavancagem para a sobrevivência, entre outros importantes assuntos. Veja mais aqui e aqui.

REFERÊNCIA
DAMÁSIO, Antonio. O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Schwarcz, 1998.

MARCIA LAILIN – Entre os poemas da escritora, jornalista e blogueira Marcia Lailin, destaco a sua belíssima poesia Eu: Deixei-a absolutamente só / E ela passava o dia todo rodeada de livros / Quando não / passava diante do espelho / junto do armário do banheiro / que eu fizera vir de Monte Verde / Admirava-se compenetrada, deitada / diante da porta entreaberta / por onde eu seguia seus movimentos / com uma atenção profunda e séria / Caminhava com a cabeça um pouco inclinada para / trás, / para observar suas ancas e cintura / afastava-se e aproximava-se / e depois cansada de se mover / voltava a sentar e ficava diante de si mesma, / olhos nos olhos / expressão distante / e alma mergulhada nessa contemplação / Logo descobri que ela saia todas as manhãs / e desaparecia completamente até a noite. Veja mais da autora aqui 


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