Mostrando postagens com marcador Mary Cassatt. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mary Cassatt. Mostrar todas as postagens

domingo, maio 17, 2026

JAMAICA KINCAID, LULJETA LLESHANAKU, PHILIPPE VAN PARIJS & SURUBIM FELICIANO DA PAIXÃO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Mana (2026), Bouquet (2024) & Bouquet II (2025), da pianista e compositora francesa Chloé Antoniotti.




Mostruário dos autos-de-fé, releituras de Canetti... - Houve um tempo o bulício festivo da passarinhada despertando na escuridão, o que se adivinhava da claridão de um céu azul, quando ainda madrugava no chuvoso frio e se rendia à disposição de que dali, mais alguns instantes, tudo seguiria na vigília do trâmite das horas e a surpresa das escolhas diárias inadiáveis. Sim, houve um tempo e existir sempre foi a aventura de surfar pelos devires. O dia raiava afugentando os fantasmas que rondavam à noite, como se deles a culpa com a cabeça a prêmio, por uma condenação desde a supremacia do primeiro humano sobre outro, para uma escalada milenar de chacinas, que ganharam força no medievo concílio de Verona e todas as sucessivas regulações das bulas papais. Ali estava sujeito a imolações, vivissecções, esquartejamentos, plena lassidão do próprio delírio, pro epítome da desgraça nos testemunhos de Goya. Mesmo assim sobrevivia matinal entre os escombros das conflagrações repassadas, escapando emergencialmente das hostilidades e combates dagora, na expectativa de todas as inescapáveis guerras vindouras, enquanto a máquina vomitava o que sobrou de seus reféns. E tudo se repetia ruidosamente por séculos ad infinitum, para o estrondoso amém nas raivosas preces das escatologias teológicas – descaminhos de outros breus desmesurados em pleno meio dia, enodoando idas e vindas. Quantos não sucumbiram às pandemias e aos genocídios, com as dores da decadência no estado de vigilância, quem não acossado a se esconder com a autópsia das memórias adoecidas, dissecando obsessões no que pudesse de sanidade mental: o mundo na cabeça sem mundo nem cabeça. E chegava o mormaço da tarde, sabedor quando mais ignorava, pensava relevando o que sequer cogitasse e dizia o que nem imaginou ter calado. Assim caía a noite com um clarão ao ouvido e a vida a reboque no jogo dos grandes olhos azuis de uma Anna – ah, mimosa Gulck, escultural Justine, o sonho clamando por reminiscências imprecisas do que se viu imperfeito no acervo das ideias: a confissão de que tinha algo a dizer com a incontornável insolência do controverso, a uma testemunha auricular que emergia do coração secreto do relógio e a consciência das palavras mudas na província do homem. E ambicionava Shangri-La e a Lua Azul no vale do Himalaia encontrava o Sol no coração e saísse da Kali, seguisse pra Dvapara, atravessasse Treta para esbarrar à Satya Yuga, com os nomes extintos dos antepassados. E se fazia outro dia e agora era um sonho de olhos abertos: o recomeço, como se inaugurasse a eternidade e nela toda estreia. E mais outro como se tivesse hora marcada e precisasse reaprender a se maravilhar para a derrota da morte escandalosa, surpreendida com uma obra póstuma. Sim, Canetti. Um estrambote, ato de meninice: Dava língua pra ela. E as mãos com os polegares em cada canto da testa, dedos abanando como orelhas mangadoras: Uh! Tá pra tu?! Até mais ver.

 

Honoré de Balzac: Como é natural destruir o que não podemos possuir, negar o que não entendemos e insultar o que invejamos!... Por trás de toda fortuna existe um crime... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Cacá Diegues: Temos sido testemunhas de um inimaginável retrocesso em curso. É como se estivéssemos vendo todas as históricas conquistas civilizatórias e humanistas irem para o lixo, refundando-se a barbárie... Veja mais aqui & aqui.

Mary Cassatt: Aceitar algo nos termos de outra pessoa é pior do que ser rejeitado... As mulheres devem ser alguém e não algo... O mundo me bastará no futuro... Veja mais aqui & aqui.

 

ESPERANDO POR UM POEMA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Estou esperando por um poema, \ algo bruto, não elaborado ou fora de controle, \ algo imperturbável por maldições, um corvo branco \ liberado da escuridão. \ Palavras que vêm naturalmente, sem mirar em nada, \ uma bala sem um alvo, \ tiros de advertência para o céu \ em terras recém-ocupadas. \ Um poema que vai bem no meu peito \ e até chegar \ Vou ouvir meus filhos brigando no próximo quarto \ e lançar meu olhar para baixo na mesa \ em um copo vazio de leite \ com um traço de branco ao longo de sua borda \ minha garganta envolta em prata \ um guardanapo em um anel de guardanapo \ esperando que os hóspedes atrasados cheguem...

Poema da poeta albanesa Luljeta Lleshanaku, autora das obras Fresco: Selected Poems (New Directions, 2002); Haywire: New and Selected Poems (Bloodaxe Books, 2011), entre outras.

 

AGORA VEJA ENTÃO - [...] A casa, a casa de Shirley Jackson, ficava numa colina, e de uma janela a sra. Sweet podia ver as estrondosas águas do rio Paran que se despejava furioso e veloz do lago, um lago feito pelo homem também chamado Paran; e olhando para cima, ela podia ver ao seu redor as montanhas chamadas Bald, Hale e Anthony, todas partes da cordilheira Green Mountain; ela também podia ver o corpo de bombeiros onde às vezes comparecia a uma assembleia civil e ouvia seu representante dizer alguma coisa que poderia afetá-la seriamente e o bem-estar de sua família ou ver os bombeiros extirpando os caminhões e desmantelando várias partes deles e remontando essas partes para então polir todos os caminhões e conduzi-los pela cidade com um bocado de comoção antes de devolvê-los ao corpo de bombeiros e eles faziam a sra. Sweet se lembrar do jovem Héracles, que muitas vezes fazia esse tipo de coisa com seus caminhões de bombeiro de brinquedo; mas ainda agora quando a sra. Sweet olhava por uma janela na casa de Shirley Jackson, seu filho não fazia mais isso. E dessa janela mais uma vez, ela pôde ver a casa onde morava o homem que inventou a câmera rápida mas ele já estava morto agora; e ela pôde ver a casa, a Casa Amarela, que Homero havia restaurado com tanto cuidado e amor [...]. Trecho extraído da obra Agora Veja Então (Companhia das Letras, 2021), da escritora antiguana Jamaica Kincaid, que ainda se expressa: A amizade é algo simples, e ainda assim complexo; a amizade é superficial, algo natural, algo que se dá por garantido, mas por baixo dessa superfície podem-se encontrar mundos. Veja mais aqui.

 

RENDA BÁSICA - [...] Tornar uma economia mais produtiva (numa interpretação sensata) de forma sustentável não é melhor alcançado ativando obsessivamente as pessoas e prendendo-as em empregos que detestam e dos quais não aprendem nada. [...]. Trecho extraído da obra Basic Income: A Radical Proposal for a Free Society and a Sane Economy (Harvard University Press, 2019), do filósofo e economista belga Philippe van Parijs, que no seu artigo Basic Income: A simple and powerful idea for the twenty-first century (Social Justice Ireland - Redesigning Distribution, 2005), defende que: […] Lutar por esses ou outros caminhos em busca de maior segurança de renda não deve, é claro, fazer com que se negligencie a importância primordial de proporcionar a todas as crianças educação básica de qualidade e a todas as pessoas cuidados básicos de saúde de qualidade. Mais importante ainda, para que o modelo defendido aqui se torne uma realidade generalizada, as lutas mais difíceis e cruciais podem precisar ser travadas em temas aparentemente muito remotos: garantir a eficiência e a responsabilidade da administração pública, regular a migração, conceber instituições eleitorais adequadas e reestruturar os poderes das organizações supranacionais. Mas essas muitas lutas podem ganhar direção e força se forem guiadas por uma visão clara e coerente das principais instituições distributivas de uma sociedade justa e libertadora. [...].

 

O FANTASTICO CAVALO AZUL DE SURUBIM DA PAIXÃO

A minha tribo quando entra na aldeia \ Índio não faz cara feia \ Não deixa a frexa cair \ Tupi tupi or not tupi \ Tupi tupi or not tupi \ Não sei se vou não sei se estou não sei se fico \ Nada ainda exprico nessa frase or not tupy \ Tupi tupi or not tupi \ Tupi tupi or not tupi \ Ser ou não ser tupi \ Ser ou não ser tupi \ Ser ou não ser tupi \ Ser ou não ser tupi...

Imagem & versos da canção Tupy or not Tupy, do compositor, artista visual, cirandeiro e zelador Surubim Feliciano da Paixão (1940-1991), que atuou na companhia Teat(r)o Oficina e da Uzyna Uzona, em São Paulo, desde 1979, participando do Forró Avanço no Circo da companhia, comandado por Verônica Tamaoki; compôs a música para o filme Rei da Vela, autor das gravuras de Mistério Gozósos (1983). Veja mais aqui & aqui.

 

Olegário Mariano aqui.

Eva Rolim Miranda aqui.

Armando Lôbo aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Márcia Meira Basto aqui

Fernando Spencer aqui & aqui

Biarritzzz - Beatriz Rodrigues aqui

Juareiz Correya aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Mércia Albuquerque Ferreira – Lady Tempestade (1934-2003) aqui

José Cláudio aquí, aquí, aquí & aquí.

Mitsy Queiroz aqui.

 


sexta-feira, maio 22, 2015

SHAW, WAGNER, SOMADEVA, CASSATT, HERFURTH, DU BOIS & STRASBERG.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? – De antemão: aquele abraço! (com a trilha sonora de Gilberto Gil: “O Rio de Janeiro continua lindo...”). E aprumando a conversa: mesmo sabendo, como diz o memorável Nelson Rodrigues, que as pessoas não entendem o carinho porque desconfiadas levam pro campo da falsidade, mas captam e sacam logo a bofetada, a delicadeza é imprescindível. Isso leva a gente pra entender melhor a teoria do reforço vicariante de Albert Bandura: se na televisão só aparece agressões, se em casa a gente só vê ameaça na comunicação dos parentes, se na esquina brotam discussões arrepiadas com ofensas, desmoralizações e risco no chão (cara dum, cara doutro, quem não pisar é gafanhoto - só que com correrias de balas, facas ou escoriações), e se no frigir dos ovos, enfim, tudo é na base do vai ou racha - e do desafiador: me respeite! Você não sabe com quem está falando -, tanto se busca consensos que a gente só se depara com a plenitude do litígio. Ora, ora. Cadê o abraço? E a gentileza? Vamos desarmar: aquele abraço! Levar por menos dá menos prejuízo. E salve a diferença, a biodiversidade! Salve a ativista pela paz Betty Williams (Nobel da Paz, 1976). E pra você, pessoamiga, vou entoando a minha Crença: [...] É preciso respeitar as diferenças e não se equiparar ao que é hostil das desavenças. Lutar contra a mantença desigual que forja o algoz na força do poder irracional.  Se entregar agora, todo dia e a noite inteira, testemunhar assim as coisas verdadeiras. Colher a lágrima do olhar mais desolado para irrigar a sede do carinho devastado. É preciso ter no olhar a flor da vida, trazer a luz do sol nas mãos amanhecidas. E perceber o amor no menor gesto natural para valer o sonho mais presente mais real. E vamos aprumar a conversa! Aprume aqui.

Imagem: Reclining Nude, da pintora impressionista estadunidense Mary Cassatt (1844-1926)

Curtindo o álbum do ciclo compreendido pelas quatro óperas épicas Der Ring des Nibelungen (1848 - Deutsche Grammophon, 1994), do compositor, maestro, diretor de teatro e ensaísta alemão Richard Wagner (1813-1883), performed by the Metropolitan Opera Orchestra directed by James Levine.

A ESPADA DA DEUSA – No livro O oceano de rios de contos (Séc. XI), composta pelo monge sul indiano e pensador revolucionário Somadeva Suri (920-966), também autor da obra Upasakadyayana – uma seção do champu Yashastilaka –, do Nitivakyamrtam (Néctar da Ciência Polity) e do Yashastilaka, há a narrativa denominada A espada da deusa, da qual destaco os seguintes trechos na tradução de José Paulo Paes: [...] No comum desejo de chegarem a ter filhos, tato o rei como suas duas esposas ofereciam constantes sacrifícios a Ambica, jejuando amiúde e dormindo sobre duros leitos de darba. Conquista por essas devotas oferendas, a deusa, que sempre se mostra propicia aos homens piedosos, apareceu um dia em sonhos ao príncipe, entregou-lhe duas maçãs nunca vistas iguais na Terra e lhe disse: - Levanta-te, dá estas frutas de comer às tuas mulheres e terás dois filhos que assombrarão o mundo com as suas proezas. Ditas essas palavras, a figura da deusa desapareceu do sonho e quando o rei despertou, na manhã seguinte, viu, com gratíssima surpresa, que tinha em mãos as duas frutas que vira em sonhos. [...] Por mais adversa que a sorte se nos apresente, e por muito que os obstáculos nos tolham o passo, o homem nobre e generoso alcançará sempre o seu fim. Veja mais aqui.

PIGMALIÃO – A peça teatral em cinco atos Pigmalião (1913), do dramaturgo, escritor e jornalista irlandês Bernard Shaw (1856-1950), conta a história de uma mendiga que vende flores pelas ruas escuras de Londres e é transformada em mulher da alta sociedade. Da obra destaco o trecho inicial na tradução de Millôr Fernandes: Londres, às 11h15 da noite. Torrentes de chuva, grossa, de verão. Apitos frenéticos em todas as direções, chamando táxis. Pessoas correm, buscando abrigo no pórtico da igreja de São Paulo (não a catedral de Wren, a igreja de Inigo Jones, no mercado de legumes de Covent Garden). Entre essas estão uma senhora e sua filha, vestidas com roupas de gala. Todos contemplam a chuva com olhar desesperançado, exceto um homem que, de costas pro resto, está apenas preocupado com o que escreve num caderno de notas. O relógio da igreja bate um quarto de hora. Filha: (Encolhida no espaço entre as colunas centrais do pórtico.) Estou gelada até os ossos. Onde é que Freddy se meteu esse tempo todo? Saiu daqui há mais de meia hora. Mãe: (À direita da filha.) Que é isso? Não tem nem dez minutos. Está arranjando o táxi. Homem: (À direita da senhora.) Êli num vai pergá carro ninhum cum essi toró, num sinhora. Só lá pras meia-noite. Dispois do pensoal todu dus triatru i pra casa drumi. Mãe: Mas nós temos que arranjar um táxi. Não pode mos permanecer aqui, de pé, até à meia-noite. Não é possível que não haja um táxi. Homem: Num mi olha ansim não, madama. A curpa num é minha. Filha: Se Freddy tivesse um mínimo de iniciativa tinha pegado um táxi na porta do teatro. Mãe: O que é que o rapaz podia fazer com aquela multidão? Filha: A multidão toda pegou táxi. Só ele é que não. (Freddy se materializa no meio da chuva, vindo do lado da rua Southampton. Vem fechando um guarda-chuva. Está todo molhado. É um rapaz de vinte anos, já com acentuada gordura na cintura. Veste smoking.) Filha: Quer dizer que você não arranjou um táxi? Freddy: Nem com dinheiro, nem com conversa. Mãe: Ah, Freddy, não é possível. Você desistiu logo! Tem que haver um táxi. Filha: Coisa mais cansativa. Você quer que eu e mamãe saiamos correndo por aí atrás de um carro? Freddy: Eu já disse; estão todos ocupados. A chuva caiu de repente; ninguém estava preparado; todo mundo correu pros táxis. Fui até Charing Cross e, depois, pro outro lado, andei até Ludgate Circus; não passou um táxi vazio. Mãe: Você tentou na praça Trafalgar? Freddy: Lá é que não tem mesmo nenhum. Nem vazio nem cheio. Mãe: Você foi até lá? Freddy: Fui até a estação de Charing Cross, já disse. A senhora queria que eu andasse até Westminter? Era melhor ir a pé pra casa. Filha: Você desiste com uma facilidade. Mãe: Você é mesmo tão sem expediente, Freddy. Procura de novo, de qualquer maneira; e não me volta aqui sem um táxi. Freddy: Vou me ensopar à toa. Bem, eu que me sacrifique. Filha: E nós; vamos ficar a noite inteira aqui, nesta ventania, só com essa roupinha no corpo? Que egoísmo, meu Deus... Freddy: Está bem, eu vou, eu vou. Eu já disse, eu vou. (Abre o guarda-chuva.) Lá vou eu. (Sai correndo na direção de Strand, mas colide com uma florista que vem correndo em direção contrária, procurando abrigo. Joga o cesto dela no chão. Um fulgor de raio, seguido pelo estrondo de um trovão, orquestra e ilumina o incidente.) [...] A obra foi adaptada para o cinema como o nome de My Fair Lady (Minha Bela Dama, 1964). Veja mais aqui e  aqui.

POEMAS: VENTOS, LER & DOS ENCANTAMENTOS – Tive um prazer enorme ao conhecer o excelente blog Poemas, do escritor gaúcho Pedro Du Bois, no qual ele reúne seus poemas e postagens. Ele foi vencedor do Premio Literário Livraria Asabeça pelo livro Os objetos e as coisas (Scortecci, 2005), e é membro da Academia Itapemense de Letras e do Clube dos Escritores Piracicaba. Da sua lavra destaco inicialmente o seu poema Ventos: Busco no vento / a invenção / da poeira suspensa / na inovação / do papel esvoaçante / na renovação / da terra revolvida / na entonação / do surdo canto do pássaro / caído em correntes aéreas / desfavoráveis ao voo / aos pássaros o vento / limita facilidades / para se locomoverem / quedas ensinam aos ventos / a dosagem das passagens. Também é meritório de registro o seu poema Ler: que mais / (além de ler) / posso fazer / nestes dias de inúteis notícias / de grades / e portas trancadas / onde pessoas / imobilizadas esperam / o passar das datas / na esperança de enriquecerem / no soar das trombetas populares? /eco-invadido (dis)penso o futuro / e me remeto / ao tempo imprevidente / onde canções não contam músicas / e letras trôpegas represam / acordes inconclusos / rasgo paredes no ocaso / fechado ao porvir melindroso dos iconoclastas / distribuídos em tribos entre deuses acostumados / aos pedidos e aos receberes de tão pouco / na leitura obtusa escondida em alforjes / viajo minha vida desinteressada / de progressos menores / e do chegar ao final / das obras (in)satisfeitas. Por fim, destaco Dos encantamentos: dos encantamentos tenho lembranças / em uníssimas cordas distendidas / nos corpos sobre a pedra no afago / com que o carrasco pensa usufruir / a dor do condenado no espasmo / que o arremete ao nada / dos encantamentos tenho a realidade / erma de dias isentos em claridades / na espera do corte de lascas de cimento / com a ponta dos dedos desprovidos / de vaidade e veleidade / dos encantamentos tenho o subterfúgio / em que as horas são substituídas / na ilusória atemporalidade do passado. Veja mais aqui.

DAS PARFUM – O romance O perfume (Das parfum – Record, 1985), do escritor alemão Patrick Süskind, conta a história de um homem do séc. XVIII, em Paris, que nasceu no meio de tripas de peixe atrás de uma banca, com um olfato apurado extraordinariamente e que não possui cheiro próprio. Sua mãe era uma peixeira que foi executada por infanticídios logo após seu nascimento. Por causa do seu olfato apuradíssimo, torna-se aprendiz de perfumista e passa a criar fragrâncias dos mais diversos aromas. A sua busca pelo perfume perfeito leva-o a cometer assassinatos contra mulheres que lhe chamavam atenção pelo odor, até o final da tragédia de sua vida. Essa obra foi adaptada para o cinema em 2006, com direção de Tom Tykwer, no qual se destaca o desempenho da bela atriz alemã Karoline Herfurth. O romance também inspirou o cantor, compositor e músico estadunidense Kurt Cobain (1967-1994), na canção Scentless Apprentice, gravada no álbum In Utero (1993), da banda Nirvana. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Hoje é dia da memorável atriz estadunidense Susan Strasberg (1938-1999).


Veja mais sobre:
Mãe é mãe & Deus proteja a minha, a sua, a nossa & o da mãe-joana & e das mães (do guarda, do juiz de futebol e dos políticos) que são coitadas!, Inteligência emocional de John Gottman, o teatro de Máximo Gorki, a poesia de Jorge Tufic, a música de Caetano Veloso, Travessuras de mãe de Denise Fraga, a arte de Luciah Lopez , a pintura de Gustav Klimt & Lena Gal aqui.

E mais:
A literatura de Aníbal Machado, Teoria da alienação de István Mészarós, Semiologia da representação de André Helbo, o cinema de Roberto Rossellini & Anna Magnani, a música de Keith Jarret, Erótica pornográfica de J. J. Sobral, a pintura de Jean-Léon Gérome.& Almeida Junior aqui.
Direitos humanos fundamentais aqui.
A arte de Dhara - Maria Alzira Barros aqui.
Exercício de admiração de Emil Cioran. Abril despedaçado de Ismail Kadaré, O teatro de arte de Meyerhold, Fridha Khalo, A música de Badi Assad, A pintura de Karel Appel, Carlota Joaquina & Clube Caiubi de Compositores aqui.
Brincarte do Nitolino, Tratado lógico-filosófico de Ludwig Wittgenstein, o teatro futurista de Filippo Marinetti, a literatura de Azar Nafisi, a música de Nelson Freire, a pintura de Eugène Delacroix, Augustine de Charcot, a arte de SoKo, a fotografia de John De Mirjian, a cangaceira Dadá & O eco da trombeta de Maria Iraci Leal aqui.
A sina de Agar, A nascente de Ayn Rand, o teatro de Jean-Louis Barrault, Mundos oscilantes de Adalgisa Nery, a literatura de Anita Loos, a música de Cláudia Riccitelli & The Bossa Nova exciting Jazz Samba Rhythms, a pintura de Jose Gutierrez de la Vega & Amor como princípio de Delasnieve Daspet aqui.
Canto de circo de Osman Lins, a arte de Paul Éluard, a música de Paulo César Pinheiro, o teatro de Adolphe Appia, a poesia de Alberto de Oliveira, o cinema de Pedro Almodóvar & Penélope Cruz, a pintura de Francesco Hayez & José Malhoa, A travessia poética de Valéria Pisauro & Programa Tataritaritatá aqui.
Três poemas & a dança revelou o amor... aqui.
A dança dos meninos, a poesia de Manuel Bandeira & João Cabral de Melo Neto, A dançarina de Yasunari Kawabata, A dança poética de Amiri Baraka, A dançarina do Kama Sutra de Kama Sutra, de Vatsyayana, a música de Isabel Soveral & António Chagas Rosa, a pintura de Jose Manuel Abraham, Pas de Deux & a fotografia de M. Richard Kirstel, Dança Alagoas & Ary Buarque aqui.
O voo da mulher & mulheres no mundo, o teatro de Federico Garcia Lorca, Os adoradores de cabras de Gianni Guadalupi & Alberto Manguel, a música de Duke Ellington, o cinema de Lars von Trier & Nicole Kidman, a arte de Tatiana Parcero & Caco Galhardo, Como veio a primeira chuva & Pétalas do Silêncio de Rô Lopes aqui.
O dono da razão, a poesia de Murilo Mendes, Identidade e etnia de Carlos Rodrigues Brandão, Fundamentos da educação de Maria Sérgio Michaliszyn, a pintura de Mônica Alves Torres & Jules Pascin, a arte de Francisco Zúñiga & a música de Ju Martins aqui.
Não era pra ser, nem foi, Entre a vida e a morte de Nathalie Sarraute, a música de Galina Ustvolskaya, a fotografia de Takashi Aman, o ativismo de Emmeline Parnkhurst, o cinema de Sarah Gravon & Carey Mulligan, a gravura de Jean-Frédéric Maximilien de Waldeck, a arte de Paul-Émile Chabas & Carlos Alberto Santos aqui.
A esperança equilibrista, O espaço da cidadania de Milton Santos, Admirável mundo novo de Aldous Huxley, Os saberes da educação de Edgar Morin, a música de Vivaldi & Michala Petri, a fotografia de Andreas Feininger, a pintura de Gianluca Mantovani & Jose De la Barra, a arte de Daniele Lunghin & Dave Stevens aqui.
Eita! Vou por ali no que vem e que vai, a literatura de Ítalo Calvino, Os tempos da Praieira de Costa Porto, a poesia de Louise Glück, Neurofilosofia & Neurociências, a música de Edson Zampronha, Betina Muller & Mike Edwards, a arte de Laszlo Moholy-Nagy & Anke Catesby aqui.
O aperto que virou vexame trágico, As estratégias sensíveis de Muniz Sodré, a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, Tecnologias: memórias e esquecimentos de Maria Cristina Franco Ferraz, a fotografia de Alexander Yakovlev, a arte de William Mulready & Doris Savard, a pintura de Angelo Hasse, a música de Asaph Eleutério, Ricardo Loureiro & Rádio Estrada 55 aqui.
Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...