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segunda-feira, fevereiro 17, 2020

ESPIDO FREIRE, KAZUO ISHIGURO, MARVEL MORENO, KRISHNAMURTI, ADRIANA FARIAS & PEDRO CABRAL



ESTÁ TUDO MUITO LOUCO, GENTE! UMA & OUTRA: Nunca me vi engomadinho, nem achegado a engravatados e ourinadas, grifados ou posudas. Nunca fui de andar na linha – tem cada trem, ó, trubufus e cagarraios! -, nem andar de patota. Sempre andei só e levando todo mundo comigo no coração e estradas. Nunca me enquadrei em fôrmas ou moldes, doutrinas pro beleléu; teorias, maior confusão. Sempre soube que evolução não é decadência, nem nunca me empanturrei com modismos ou arrotando o politicamente correto. Só corto o cabelo e faço a barba por conta do calor, o Nordeste é quente! (E para não parecer um bicho, embora reconheça que sou o bitcho muito feioso). Nesses tempos de felicidade urgente, açougues de glamour, algoritmos, cápsulas, drágeas de tudo, cédulas e moedas, fantoches e simulacros, todo mundo quer berrar pelo umbigo. Quem quiser que meta a cabeça contra muro, arraste seus grilhões, couraças, redomas e interditos – nada mais épico de tão notável, ou patético de tão desagradável -, já dei cabeçadas demais. Sei que sou muito doido, valho-me do Erasmo: A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos. E eu sei que sou muito doido, incoerente, quem não? Estou com a lição de Krishnamurti: Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente. DUAS DE OUTRA: Nesses tempos obscuros de censura, nada de novo. A gente só faz repetir, por exemplo, o que se passou com Giordano Bruno, que excomungado por calvinistas e luteranos, rejeitado por todas as igrejas cristãs e foi acusado de insubordinação ao papa, tido como herege pela santíssima inquisição e acabou queimado vivo na fogueira do Campo dei Fiori, em Roma. Isso porque ele não deu uma de Galileu: defendeu o copernicanismo e confirmou Kepler e o seu heliocentrismo que já era tema de Aristarco na Grécia Antiga. Pois é, a história se repete desde não sei quando de tão antes de antigamente. A melhor dele: Somente uma coisa me fascina: aquela em virtude da qual me sinto livre na sujeição, contente no sofrimento, rico na indigência e vivo na morte. TRÊS PARA FECHAR: Uma treta da boa foi aquela da semana que virou três dias em 1922, reunindo a saparia do Bandeira com os Andrades e outros encasacados da Arte Moderna. A coisa empenou entre apupos, quando Lobato arreou a lenha nos modernos financiados pela oligarquia paulista. O negócio esquentou! O evento assim passou por desimportante, só muito depois que foi se tornou  um marco na história das artes brasileiras. Coisas de Brasil, essa de saber das coisas muito depois, quase esquecidas. Aqui tudo tarda, mas parece que não falha, tomara mesmo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Fora da ilusão, os ruídos se tornaram vulneráveis, eles poderiam ser exorcizados. Maria ensaiou truques, senti feitiços, pensei que um dia respirando no momento de ouvi-los iria empurrar para trás. E eles se afastaram. Eles eram soluções momentâneas: ruídos sempre foram ressuscitados e seu breve devaneio aprendeu a contornar o exorcismo. [...] Maria pegou com as pontas dos dedos e jogou para o mar, e o cheiro do mar era então todo o dia na sua mão: mais áspero, mais denso que o de chuvas e caracóis pretos que ressoavam no seu bolso do avental enquanto caminhava lentamente para siga o passo da tia, ouvindo-a falar sobre os velhos vezes, quando criança, andava com Sergio ao longo da mesma praia e nas noites de luar a areia brilhava como se cada grão escondesse um alfinete de cristal. Eles não eram cristais, mas algas fosforescentes, Tia Oriane explicou sorrindo. Mas durante anos Sergio e ela acreditavam na existência de um tesouro escondido no outro extremo da praia, sob a rocha onde o mar estava mexendo, explodindo em ondas espumas e apareciam ocasionalmente, aparadas contra a primeira clareza do dia, a figura do desconhecido. Isso assustou Fidelia. [...] Eles nunca foram para o rock. Sua tia não suportava o brilho do sol nos olhos e voltou a meio caminho. Depois, marcharam às pressas, porque tia Oriane insistia em tomar o café da manhã às oito da manhã. Mesmo que ele não entendesse os caprichos deles, Maria se adaptaria a eles com certa cumplicidade. [...]. Trechos extraídos da obra Oriane, tía Oriane y otros cuentos (Universidad del Norte, 2016), da escritora colombiana Marvel Moreno (1939-1995).

 

CHAME ALEJANDRA, DE ESPIDO FREIRE

[...] A moda foi feita para aqueles sem gosto, a etiqueta para aqueles sem educação e as igrejas para aqueles sem fé. [...] Se você vive de acordo com sua consciência, a fé não é tão importante. [...] Em tempos de paz, vemos as barrigas das mulheres. Em tempos de guerra, vemos os movimentos dos poderosos. [...] O amor cantava dentro de nós, e era para sempre. A realidade tomou conta. [...] Às vezes, as lembranças me salvam da dor. Outras vezes, é muito difícil para mim lembrar da nossa vida passada, que nunca foi fácil, mas certamente mais confortável. [...].

Trechos extraídos da obra Llamadme Alejandra (Booket, 2018), da escritora espanhola Espido Freire (Laura Espido Freire). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

QUANDO ÉRAMOS ÓRFÃOS, DE KAZUO ISHIGURO

[...] esta cidade o derrota. Cada um trai o seu amigo. Você confia em alguém, e ele se revela a soldo de um gângster. O governo são gângsters também. [...] Esses chefes militares na verdade não passavam de bandidos glorificados, mas tinham exércitos, tinham o poder de zelar pelos carregamentos. [...] Pleiteamos junto aos chefes militares. Apelamos para seu orgulho racial. Fizemos notar que estava na mão deles pôr termo à lucratividade do tráfico de ópio, reverter o único grande obstáculo para os chineses assumirem o controle de seu próprio destino, de sua própria terra. [...] Hoje é uma sombra fantasmagórica da cidade que foi um dia. [...] Nada resta senão tentar levar a cabo nossas missões o melhor que pudermos, pois até o fazermos, calma alguma nos será permitida. [...] Esta cidade, em outras palavras, tornou-se o meu lar, e não me importa se tiver de viver o resto de meus dias aqui. Contudo, há instantes em que uma espécie de vazio me preenche as horas [...].

Trecho extraído da obra Quando éramos órfãos (Companhia das Letras, 2000),  do escritor japonês Kazuo Ishiguro. Veja mais aqui & aqui.

 

LIÇÕES DE SEMPRE – Os ensinamentos são importantes por si mesmos e intérpretes ou comentadores apenas os distorcem, sendo aconselhável ir diretamente à fonte, os próprios ensinamentos, e não valer-se de nenhuma autoridade. A verdade não pode ser trazida para baixo; é o individuo que deve fazer o esforço de ascender até ela. O autoconhecimento é o começo da sabedoria, em cuja tranquilidade e silêncio encontra o imensurável. Sabedoria não se aprende de outros, nem nos livros. Pensamento do filósofo, escritor e educador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986). Veja mais aqui.

A MÚSICA ADRIANA FARIAS
Curtindo a beleza e o talento da cantora, violonista, compositora e violeira Adriana Farias. Veja mais aqui.

A ARTE DE PEDRO CABRAL
A arte do escritor, arquiteto, professor e artista plástico Pedro Cabral. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte de Naná Vasconcelos (Juvenal de Holanda Vasconcelos - 1944-2016) aqui e aqui.
A parnaso-simbolista & a modernista poesia de Ascenso Ferreira aqui.
A arte de Silvio Hansen aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A poesia de Admmauro Gommes aqui & aqui
O Lobisomem Zonzo aqui.
O Município de Venturosa aqui & aqui
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Oficinas ABI aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sábado, abril 18, 2015

ARUNDHATI ROY, PAGU, GROTOWSKI, ALESHIA BREVARD & HIPÓLITA

 


LITERÓTICA: A PODEROÍSSIMA SEDUÇÃO DE HIPÓLITA... - Soube dela certo dia e sequer podia adivinhar a maldição de ser por ela movido. Fui possuído pelo poder de sua sedução e, por causa dela, empreendi o que seria a loucura da vida. Fui tomado e completamente obcecado naveguei até a foz do rio Termodonte e lá cheguei ao Ponto Euxino de Termiscira para dar de frente com suntuoso palácio. As portas todas se abrirão como se adivinhassem minha recepção. Adentrei e, naquele espaço colossal, fui recebido pela rainha das amazonas. Ela me sorriu impressionada porque não me atrevi a raptar nem vencer em combate a sua irmã Melanipe, nem exigi nenhum resgate, muito menos enfrentamento. Apenas queria vê-la cativado por sua extremada beleza. Destemida por sua personalidade forte, revelou-se altiva ao perceber que eu não seria um inimigo gárgaro e, de vontade própria, me deu por recepção todo o seu poder e autoridade do cinturão mágico – o cinturão da guerra do primeiro dragão. Abdiquei do presente porque só queria vê-la para satisfazer meu encantamento. Ela então correspondendo aos meus sentimentos tentou me abduzir confessando-se derrotada pela minha adoração. Então ofereceu-me o seu trono amazona. E, mais uma vez, renunciei a honraria, mas tudo fiz para que ela se tornasse o meu troféu amoroso. Então, enlevada de paixão com as vestes soltas, ela puxou a barra da saia, levantando-a a expor suas torneadas pernas, suas voluptuosas coxas e ofertando o mais cobiçado ventre em ebulição. Desnudei-a e ela dançou nua em mim a Ercole su'l Termodonte de Vivaldi, embriagando-me de prazeres inaugurais sucessivos do Sonho de Uma Noite de Verão, numa Ilha do Paraíso. Durante a volúpia confessou-me Jacinta e me convocou para a conjuração mineira. Revelou-se mais: a inconfidente da Fazenda Ponta do Morro. Era o seu feitiço para mim e que inadvertida foi também envolvida ao entregar-me a carta com as instruções dos conjurados para que montasse uma reação a partir do Serro. Provocou-me sedutora: Quem não é capaz para as coisas, não se mete nelas. Era a oferta entre as suas pernas da Vila Rica de todos os seus encantos, e me montou a cavalgar insaciável em meu ventre de alazão incansável por dias e noites infindas. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - É triste admitir que nenhuma palavra cautelosa de quase sabedoria poderia ter me impedido de me aventurar em ruas perigosas. Enquanto o ódio e a incompreensão existirem, o abuso também existirá... Quando alguém morre... você simplesmente coloca um pé adiante e segue em frente. Isso parece maldoso... mas, pense... que outra escolha realmente temos?... Eu nunca presumiria dizer aos outros como viver melhor suas vidas; só posso esperar que aqueles que assim se inclinam encontrem seus sonhos realizados... Pensamento da atriz, modelo, professora e escritora estadunidense Aleshia Brevard (1937-2017), autora do livro The Woman I Was Not Born to Be (Temple University Press, 2001).

 

ALGUÉM FALOU: Uma luta política que não tem mulheres no centro, acima, abaixo e dentro dela não é luta nenhuma... Pensamento da escritora e ativista indiana Arundhati Roy. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

HOJE É DIA DE MONTEIRO LOBATO – Quando li o livro Urupês (1918), do escritor Monteiro Lobato (1882-1948), fiquei impressionado. A razão disso? Uso as palavras do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), no seu Aos trancos e barrancos (Guanabara, 1985): Monteiro Lobato alcança enorme êxito, assumindo a liderança da vida intelectual do país com o livro de Urupês – mal ilustrado por ele próprio -, ambientado nas fazendas de café de São Paulo. Retifica, aí, seu célebre retrato do caipira, admitindo que seus males vêm da falta de saúde, de instrução e de assistência: “Perdoa, pois, pobre opilado e crê no que te digo ao ouvido: tens no sangue e nas tripas todo um jardim zoológico... és tudo isto sem tirar uma vírgula, mais ainda és a melhor coisa desta terra. Os outros, os que falam francês e, senhores de tudo, te mantêm nesta gueena infernal para que possam, a seu salvo, viver vida folgada à custa de teu dolorido trabalho, esses, meu caro Jeca Tatu, esses têm na alma todas as verminoses que tu tens no corpo. Doente por doente, antes tu, doente só de corpo”. Aí vieram as leituras de Problema Vital (1918), Cidades Mortas (1919), Ideias de Jeca Tatu (1919), Negrinha (1920), A Onda Verde (1921), Mundo da Lua (1923), O macaco que se fez homem (1923), Jeca Tatuzinho (1923), O choque das raças ou O Presidente Negro (1926), Mr. Slang e o Brasil (1927), Ferro (1931), América (1932), Na antevéspera (1933), O escândalo do Petróleo (1936), A barca de Gleyre (1944), Prefácio e entrevistas (1946) e o incrível livro Zé Brasil (1947), do qual destaco o trecho inicial: Zé Brasil era um pobre coitado. Nasceu e sempre viveu em casebres de sapé e barro, desses de chão batido e sem mobília nenhuma – só a mesa encardida, o banco duro, o mocho de três pernas, uns caixões, as cuias. Nem cama tinha. Zé Brasil sempre dormiu em esteiras de tábua. Que mais na casa? A espingardinha, o pote d´água, o caco de sela, o rabo de tatu, a arca, o facão, um santinho na parede. Livros, só folhinhas – para ver as luas e se vai chover ou não, e aquele livrinho do Fontoura com a história do Jeca Tatu. – Coitado deste Jeca! -, dizia Zé Brasil olhando para aquelas figuras. – Tal qual eu. Tudo que ele tinha, eu também tenho. A mesma opilação, a mesma maleita, a mesma miséria e até o mesmo cachorrinho. Pois não é que meu cachorro também se chama Joli?... [...]. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.
  
Imagem: Indígena & População indígena do Cantagalo (1926), do pintor e desenhista francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848). Veja mais aqui.

Ouvindo: Tudo e todas as coisas (1984), do grupo instrumental Uakti, formado por Marco Antônio Guimarães, Artur Andrés Ribeiro, Paulo Sérgio Santos e Décio Ramos. Veja mais aqui e aqui.

EM BUSCA DE UM TEATRO POBRE – O livro Em busca de um teatro pobre (Civilização Brasileira, 1971), do diretor de teatro polaco e figura central do teatro experimental e de vanguarda, Jerzy Grotowski (1933-1999), o autor defende que: [...] Nossos postulados não são novos. Exigimos das pessoas as mesmas coisas que todo verdadeiro trabalho de arte exige, seja a pintura, a escultura, a música, a poesia ou a literatura. Não satisfazemos o espectador que vai ao teatro para cumprir uma necessidade social de contato com a cultura: em outras palavras, para ter alguma coisa de que falar aos seus amigos e poder dizer que viu esta ou aquela peça, que foi muito interessante. Não estamos no teatro para satisfazer sua “sede cultural”. Isto é trapaça. [...] Estamos interessados que sinta uma genuína necessidade espiritual, e que realmente deseje, através de um confronto com a representação, analisar-se. Estamos interessados no espectador que não para num estágio elementar de integração psíquica, satisfeito com sua mesquinha estabilidade espiritual, geométrica, sabendo exatamente o que é bom e o que é ruim sem jamais pôr-se em dúvida. Não foi para ele que El Greco, Norwid, Thomas Mann e Dostoiévski falaram, mas para aquele que empreende um processo interminável de autodesenvolvimento, e cuja inquietação não é geral, mas dirigida para uma procura da verdade de si mesmo e da sua missão na vida. [...] O teatro deve reconhecer suas próprias limitações. Se não pode ser mais rico que o cinema, então assuma sua pobreza. Se não pode ser superabundante como a televisão, assuma seu ascetismo. Se não pode ter uma atração técnica, renuncie a qualquer pretensão técnica. Dessa forma chegamos ao ator “santo” e ao teatro pobre. [...] Portanto, o teatro deve atacar o que se chama de complexos coletivos da sociedade, o núcleo do subconsciente coletivo, ou talvez do superconsciente (não importa como seja chamado), aqueles mitos que não constituem invenções da mente, mas que são, por assim dizer, herdados através de um sangue, uma religião, uma cultura e um clima [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

SONETOS DE ANTERO – Do livro Sonetos Completos (Portuense, 1886), do escritor português Antero de Quental (1842-1891), destaco, primeiramente, Mors amor: Esse negro corcel, cujas passadas /Escuto em sonhos, quando a sombra desce, / E, passando a galope, me aparece / Da noite nas fantásticas estradas, Donde vem ele? Que regiões sagradas / E terríveis cruzou, que assim parece / Tenebroso e sublime, e lhe estremece / Não sei que horror nas crinas agitadas? / Um cavaleiro de expressão potente, / Formidável, mas plácido, no porte, / Vestido de armadura reluzente, / Cavalga a fera estranha sem temor: / E o corcel negro diz: “Eu sou a morte! / “Responde o cavaleiro: “Eu sou o Amor!”. Também da sua lavra, destaco Mors liberatriz: Na tua mão, sombrio cavaleiro, / Cavaleiro vestido de armas pretas, / Brilha uma espada feita de cometas, / Que rasga a escuridão, como um luzeiro. / Caminhas no teu curso aventureiro, / Todo envolto na noite que projectas... / Só o gládio de luz com fulvas betas / Emerge do sinistro nevoeiro. / - «Se esta espada que empunho é coruscante / (Responde o negro cavaleiro andante), / É porque esta é a espada da Verdade: / Firo mas salvo... Prostro e desbarato, / Mas consolo... Subverto, mas resgato... / E, sendo a Morte, sou a liberdade. Veja mais aqui, aquiaqui.  

PAGU – No livro Parque Industrial (José Olympio, 2006), a escritora, diretora de teatro, desenhista, jornalista, militante comunista e musa do Modernismo brasileiro, Patrícia Galvão, ou simplesmente Pagu (1910-1962), encontro para destaque os seguintes textos: [...] As seis têm olhos diferentes. Corina, com dentes que nunca viram dentista, sorri lindo, satisfeita. É a mulata do atelier. Pensa no amor da baratinha que vai passar para encontrá-la de novo à hora da saída. Otávia trabalha como um autômato. Georgina cobiça uma vida melhor. Uma delas, numa crispação de dedos picados de agulha que amarrotam a fazenda. – Depois dizem que não somos escravas. [...] - Você pensa que vou desgostar mademoiselle por causa de umas preguiçosas! Hoje haverá serão até uma hora. – Eu não posso, madame, ficar de noite! Mamãe está doente. Eu preciso dar remédio pra ela! – Você fica! Sua mãe não morre por esperar umas horas. – Mas eu preciso! – Absolutamente. Se você for é de uma vez. A proletária volta para seu lugar entre as companheiras. Estremece à ideia de perder o emprego que lhe custara tanto arranjar. [...] - O voto para as mulheres está conseguido! É um triunfo! – E as operárias? – Essas são analfabetas. Excluídas por natureza. [...]. Para se ter uma ideia da importância dessa mulher, o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), no seu Aos trancos e barrancos (Guanabara, 1985), diz dela: Patrícia Galvão – Pagu -, moderna, bela, assanhada, a brasileira mais inteligente de sua geração, escreve e desenha, menina ainda, seu primeiro livro: Pagu. Um caderninho sacaníssino. Sua vida foi contada no filme Eternamente Pagu (1987), direção de Norma Benguel, protagonizado por Carla Camurati, afora ter sido tema de dois documentários: Patrícia Galvão – livre na imaginação no espaço e no tempo (Unisanta, 1988) de Lúcia Maria Teixeira Furlani, dirigido por Rudá de Andrade e Marcelo Tasara, e Eh, Pagu!, Eh!, do cineasta Ivo Branco. Também tema-título de uma parceria musical entre Rita Lee & Zélia Duncan, afora ter sido tema nos palcos teatrais, a exemplo do espetáculo Dos Escombros de Pagu, baseado no livro homônimo assinado por Tereza Freire, além da fotobiografia Viva Pagu, de Lúcia Maria Teixeira Furlani e Geraldo Galvão Ferraz. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.






CHORO: APOIO AO PROJETO QUEBRA CABEÇA
O grupo instrumental Sacudindo Choro, formado por Bruno Vinci (Violão 7 Cordas), Rafael Mota Rodrigues (Percussão), Rafael Nascimento (Violão 6 Cordas) e Fabrício Rosil (Cavaquinho), está lançando o seu primeiro disco Quebra Cabeça, com composições autorais e voltado para difusão do choro. Confira e apoie o projeto aqui.


Veja mais sobre:
Uma canção de amor, a literatura de Geoff Dyer & Victor Hugo, a música de Miles Davis & O Jazz de New Orleans, a fotografia de Robert Mapplethoppe, a arte de Debra Hurd & Lisa Lyon, a pintura de C. Vernet & Pedro Cabral aqui.

E mais:
Corações solitários, Hipócrates, Isaac Newton & Catherine Barton Conduitt, O homem & pós-homem de Fernanda Bruno, a literatura de Carlos Castañeda, a poesia de William Wordsworth, a música de Elena Papandreou, O teatro do Bharata, a arte de Luis Fernando Veríssimo, a entrevista de Claudia Telles, a pintura de Cristina Salgado, o cinema de Júlio Bressane & Josie Antello aqui.
Solilóquio na viagem noturna do sol, A Educação no Brasil, o pensamento de Sêneca, a música de Maria Esther Pallares, a coreografia de Paula Águas, a pintura de Terry Miura & Amenaide Lima aqui.
Solilóquio das horas agudas, O mito de Sísifo de Albert Camus, Neurofilosofia & Neurociências, a música de Meg Myers, a pintura de José Manuel Merello, Hipócrates & Luciah Lopez aqui.
Solilóquio do umbigocentrismo, Rio São Francisco - Velho Chico, Richard Bach, Quando todo dia é segunda-feira, Chamando na grande & mandando ver no lero aqui.
O espectro da fome de Josué de Castro, Ilíada de Homero, a música de Mercedes Sosa & Martha Angerich, a pintura de Tamara de LempickaAna Botafogo, Eliezer Augusto & Genesio Cavalcanti aqui.
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A ciência da linguagem de Roman Jakobson, a literatura de Marcel Proust, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi, a pintura de Henry Asencio, a arte de Regina José Galindo, a fotografia de Thomas Karsten & Tortura é crime aqui.
Boa noite, Penedo, às margens do São Francisco, a literatura de Adonias Filho & Georges Bataille, A história social do Brasil de Manoel Maurício de Albuquerque, a música de Bach & Rachel Podger, a arte de Marcel Duchamp, a pintura de Jaroslav Zamazal, a fotografia de Karin van der Broocke, Vanguard & Kéfera Buchmann aqui.
E a dança revelou o amor, a literatura de Manuel Scorza, A busca fálica de James Wyly, a música de Gabriel Fauré & Ina-Esther Joost, a pintura de Francisco Soria Aedo, a coreografia de Merce Cunningham, a arte de Yves Klein & a fotografia de Richard Rutledge aqui.
Três poemas & a dança revelou o amor..., a pintura de Andrew Atroshenko & Ton Dubbeldam, a fotografia de Klaus Kampert & a arte de Jeremy Mann aqui.
Quando ela dança tangará no céu azul do amor, A condição pós-moderna de Jean-François Lyotard, A estética da desaparição de Paul Virilio, a música de Anna-Sophia Mutter, a pintura de Alex Alemany & Eloir Junior, a arte de David Peterson & Luciah Lopez, Carlos Zemek & & Isabel Furini aqui.
A dança dos meninos, a poesia de Manuel Bandeira & Amiri Baraka, A bailarina de João Cabral de Melo Neto, O Kama Sutra de Vatsyayana, A dançarina de Yasunari Kawabata, a música de Isabel Soveral & António Chagas Rosa, a pintura de Jose Manuel Abraham, a fotografia de M. Richard Kirstel, Pas de deux & Ary Buarque aqui.
O voo da mulher, Dicionário de lugares imaginários, o teatro de Federico Garcia Lorca, a música de Duke Ellington, o cinema de Lars von Trier & Nicole Kidman, a arte de Tatiana Parcero & Caco Galhardo, Rô Lopes & Como veio a primeira chuva aqui.
Saúde no Brasil, O Fausto de Goethe, o pensamento de Terêncio, Ética & Fecamepa, Os sentidos da integralidade de Ruben Araújo de Mattos & Remexendo as catracas do quengo e queimando as pestanas com coisas, coisitas e coisões aqui.
Todo dia é dia de dançar o amor aqui.
O alvoroço do poema na horagá do amor & a pintura de Oscar Sir Avendaño aqui.
Literatura de cordel : quebra pau no STF, de Bob Motta aqui.
A pingueluda aqui.
A arte de Marcya Harco aqui.
O pensamento de Georg Lukács, A psicanálise de Jacques Lacan, o teatro de Samuel Beckett, a literatura de Henry James, a música de Morton Subotnick, o cinema de Jane Campion & Nicole Kidman, a pintura de Aurélio D'Alincourt, a arte de Fady Morris & As poesias pontilhadas de Dorothy Castro aqui.
Pindura aí, meu! O negócio tá ficando feio, Cidadania insurgente de James Holston, a poesia de Sérgio Frusoni, A cidadania de Maria de Lourdes Manzine Covre, a música de Sol Gabetta, a fotografia de Mara Saldanha, a arte de Stanley Borack & a pintura de Fernando Rosa aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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sexta-feira, março 07, 2008

ROMAIN ROLLAND, LOBATO, AUGUSTO DOS ANJOS, SARTRE, SEURAT, ORLANDI & AS TRELAS DO DORO

 
A arte do pintor francês Georges Seurat (1859-1891).


AS TRELAS DO DORO: VAI TOMAR NO QUIBA, PORRA!!!! - O Doro estava virado na porra naquele dia. Despranaveado mesmo. Já viu alguém injuriado? Multiplique por mil, assim estava ele. Foi o seguinte: estava ele lambendo os beiços no maior caqueado, só saboreando umas e outras para clarear as idéias e amainar o disminlinguamento do trampo, quando um certo tipo oriundo de alhures, instou-lo com admoestações. - Não desperdice sua vida com as tentações da carne. - Cuma? -, intrigou-se arregalando os olhos para o distinto. - Deus criou o homem para fazê-lo cordeiro de sua obra! - Fodeu, Maria-preá. - Não se afunde na bebida fazendo de sua vida uma desgraça! - Ai, meu saco! -, replicou Doro, palitando o tiragosto dos dentes. - Deus mandou-me para salvá-lo desse mau caminho. - Espie aqui, seu mondrongo: quando eu tô me lascando na labuta ninguém chega pra pidi preu parar de trabaiar. Muito pelo contráro, destabocam que trabaiá indignifica o hômi. Agora intô discansando a alma e a carcaça numa bebericage de leve e no sociá que hoje num é dia de amundiçamento. Faz favô, vá sentá num balaio cheíim de rola dura voadora, vá! - A oportunidade da sua salvação é agora ou nunca! - Ih, esse cara qué me infezá. Já to veno! Qualé a tua, hem? - Primeiro, quero levá-lo para o AA. E, depois, encaminhá-lo na senda do senhor –, disse o sujeito num tom exagerado de solenidade. - AA? Qui droga é nove? - Alcoólicos Anônimos. E depois, para o coração de Cristo. - Taí, apreciei sua lorota. Vamo nessa? Diga lá e eu vô prontinho da silva. Com a anuência de Doro o cara arribou deixando as recomendações para ele se dirigir no dia seguinte para o endereço indicado. Doro como não é flor que se cheire, foi. Antes de ir, tomou logo umas bicadas boas para não passar em branco e aprumar a conversa logo antes de chegar no recinto indicado. Bem atrasado da hora do convite foi ele chegando lá só no balanço do navio e já mareando da idéia. Sentou-se e teve paciência de ouvir os depoimentos e os alarmes que o vício da bebedeira provocam no sujeito. Volta e meia apertava os olhos e a idéia, preparando revide para tanta leseira. Quando chegou sua vez de falar, ôxe, aprumou-se, pigarreou, empostou a voz, bateu na caixa dos peitos e derramou verbo tresloucado. Jurou o último gole e mandou buscar uma garrafa da que-matou-o-guarda como despedida na presença de todos. Primeiro gole ingerido, a doidice começou num relato muito troncho de deixar todo mundo azoretado só com as curvas da pabulagem. Gente, não tem quem acompanhe o seu raciocínio mesmo. Aí, meu, ninguém agüentou o tombo da baboseira e logo estavam todos topando com a dois-dedinho na comemoração. Daí, Doro balançou o coreto e a franga soltou-se coletivamente. Resultado: todo mundo trocando os olhos e as pernas no maior pileque. Dias depois, eis que diviso Doro encasquetado com um sujeito. - Que se assucede, Doro? -, perguntei prevendo o pandemônio. - Esse cara, meu, só me enchendo o saco, ora! –, respondeu-me bastante irritado. - Um despropósito! -, reclamava o outro que eu nem conhecia. - Foi a vorta do enterro -, asseverou Doro todo ingicado. E arremedou: - Fui tirá a prova dos nove para vê si todo mundo era siguro no qui dizia. Ôxe, intraru na roda e foi maió salseiro. - Mas, afinal, o que se deu? - Este sujeito foi encaminhado com as graças de Deus para o Alcoólicos Anônimos e, do nada, desencaminhou todo mundo! - Como foi isso Doro? - Ué, deixei os acólicos anômo tudo nos beóço bicados. De AA para BB. - Deus vai castigar você. - Ora, vá tomar no... Eis que nessa hora, surge a santa mãezinha do Doro e ele alivia no verbo. - Ora, arrispeiti minha mãe que hoji é o dia internacional das mulé e vá s´imbora antes que eu sorte meus cachorro todo... - Isso ficará na conta dos seus pecados, Deus há de castigar você. - Ora, vá tomar.... vá tomar... vá tomar no... no quiba, porra! Adisculpi o palavrão, minha santa mãezinha. - Ora, manda esse fresco tomar no cu mesmo, meu filho. Pronto.  © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui


PENSAMENTO DO DIAÉ o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz. Pensamento do filósofo, dramaturgo e escritor francês Jean-Paul Sartre (1905-1986). Veja mais aqui.

A LINGUAGEM & O SENTIDO - [...] O sentido está sempre no viés. Ou seja, para se compreender um discurso é importante se perguntar: o que ele não está querendo dizer ao dizer isto? Ou: o que ele não está falando, quando está falando disso? [...]. Extraído da obra A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso (Pontes, 1987) da professora e pesquisadora Eni Pulcinelli Orlandi.

A VIAGEM INTERIOR – [...] Uma longa vida de reflexões é uma grande experiência. É mesmo às vezes o termo das experiências de uma família ou de uma raça, a resposta dada ao enigma de sua caminhada secular. O fruto amadurecido de seu lento crescimento, e que traz a marca de seus erros, de seus sucessos, de suas virtudes e vícios. Gostaria de aclarar o enigma da minha. Queria extrair-lhe o significado, aos olhos dos outros e aos meus. Pois que cheguei à hora em que se arrojam das esperanças que se quebram, se abraça o conjunto da rota percorrida, com o olhar lavado e o coração desimpedido [...] Trechos extraídos da obra Le Voyage intérieur (Albin Michel, 1942), do novelista, biógrafo e músico francês e Prêmio Nobel de Literatura de 1915, Romain Rolland (1866-1944). Veja mais aqui.

O CORVO E O PAVÃO - O pavão, de roda aberta em forma de leque, dizia com desprezo ao corvo: - Repare como sou belo! Que cauda, hein? Que cores, que maravilhosa plumagem! Sou das aves a mais formosa, a mais perfeita, não? - Não há dúvida que você é um belo bicho -- disse o corvo. Mas, perfeito? Alto lá! - Quem quer criticar-me! Um bicho preto, capenga, desengraçado e, além disso, ave de mau agouro... Que falha você vê em mim, ó tição de penas? O corvo respondeu: - Noto que para abater o orgulho dos pavões a natureza lhes deu um par de patas que, faça-me o favor, envergonharia até a um pobre diabo como eu... O pavão, que nunca tinha reparado nos próprios pés, abaixou-se e contemplou-os longamente. E, desapontado, foi andando o seu caminho sem replicar coisa nenhuma. Tinha razão o corvo: não há beleza sem senão. Extraído da obra Fábula (Brasiliense, 1994), do escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Veja mais aqui.

VERSOS ÍNTIMOS - Vês! Ninguém assistiu ao formidável / Enterro de tua última quimera. / Somente a Ingratidão - esta pantera - / Foi tua companheira inseparável! / Acostuma-te à lama que te espera! / O Homem, que, nesta terra miserável, / Mora, entre feras, sente inevitável / Necessidade de também ser fera. / Toma um fósforo. Acende teu cigarro! / O beijo, amigo, é a véspera do escarro, / A mão que afaga é a mesma que apedreja. / Se a alguém causa inda pena a tua chaga, / Apedreja essa mão vil que te afaga, / Escarra nessa boca que te beija! Poema do poeta, advogado e professor paraibano do movimento pré-modernista da literatura brasileira, Augusto dos Anjos (1884-1914). Veja mais aqui.


A arte do pintor francês Georges Seurat (1859-1891).




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