sábado, maio 21, 2011

CAMUS, GARRET HARDIN, DIDERROT, ERASMO & HE GASSEN, O PEIDO & TATARITARITATÁ NO PALCO ABERTO


 

DITOS & DESDITOS - Qualquer que seja o ponto que tocamos, provocamos múltiplos e amplos efeitos, a maioria dos quais somos incapazes de predizer. Nunca podemos fazer apenas uma coisa, e o dano causado por efeitos imprevistos de nossas pancadas na teia da vida pode superar de muito as vantagens obtidas com os efeitos previstos desesjados. Pensamento do ecologista estadunidense Garret Hardin (1915-2003). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CIÊNCIA – [...] A pessoa que ensina a ciência não é a mesma que entende dela e a realiza com seriedade, pois, a esta não sobra tempo para ensinar. [...]. trecho extraído da obra O sobrinho de Rameau (Escala, 2006), do filosofo e escritor francês Denis Diderrot (1713-1784). Veja mais aqui e aqui.

O AVESSO & O DIREITO – [...] Bela verdade. Uma mulher que se abandona para ir ao cinema, um velho que não é mais ouvido, uma morte que nada resgata, e, então, do outro lado, toda a luz do mundo. Que diferença faz isso, se tudo se aceita? Trata-se de três destinos semelhantes e, contudo, diferentes. A morte para todos, mas a cada um a sua morte. [...] E eis que a cortina dos hábitos, o tecido confortável dos gestos e das palavras, em que o coração se acalma, soergue-se lentamente para, enfim, tirar o véu que revela a face macilenta da inquietação. O homem está cara a cara consigo [...]. Trechos extraídos da obra O Avesso e o Direito (Record, 2003), do escritor, dramaturgo e filósofo francês Albert Camus (1913-1960). Veja mais aqui.


HE GASSEN – É um pergaminho japonês do século 19, He Gassen, que quer dizer Batalha de Flatulência, desenhado por volta de 1840, durante o Período Edo (1603-1868), isso por conta da desconfiança com os estrangeiros, permitindo-se, apenas, entrar no país os chineses, alguns ingleses e a holandesa Companhia das Índias Ocidentais. O propósito do pergamento era resistir à invasão cultural, mostrando várias cenas com uma característica peculiar recorrente, a qual mostra ao menos um personagem realizando um ataque de flatulência diretamente contra outros personagens.

DE CIVILITATE MORUM PUERILIUM – [...] É indelicado cumprimentar alguém que esteja urinando ou defecando. A pessoa bem-educada sempre deve evitar expor, sem necessidade, as partes às quais a natureza atribuiu pudor. Se a necessidade a compele, isto deve ser feito com decência e reserva, mesmo que ninguém mais esteja presente. Isto porque os anjos estão sempre presentes e nada mais lhe agrada em um menino do que pudor, o companheiro e guardião da decência. Se produz vergonha mostrá-las aos olhos dos demais, ainda menos devem ser elas expostas pelo toque. Prender a urina é prejudicial à saúde e urinar em segredo diz bem do pudor. Há aqueles que ensinam que o menino deve prender os gases, comprimindo-os no intestino. Mas não é conveniente, esforçando-se para parecer educado, contrair uma doença. Se for possível retirar-se do ambiente, que isto seja feito a sós. Mas, em caso contrário, de acordo com o antigo provérbio, que a tosse esconda o som. Além do mais, por que esses mesmos trabalhos não ensinam que meninos não devem defecar, uma vez que é mais perigoso prender os gases do que conter os intestinos? Para contrair uma doença: escute a velha máxima sobre o som do vento. Se ele puder ser solto sem ruído, isto será melhor. Mas, ainda assim, melhor ser solto com ruído do que contido. A esta altura, porém, teria sido útil suprimir a sensação do embaraço de modo ou a acalmar o corpo ou, seguindo o conselho de todos os médicos, apertar bem juntas as nádegas e agir de acordo com as sugestões do epigrama de Aethon: fazia de tudo para não peidar explosivamente em lugar sagrado, e orou a Zeus, embora com as nádegas comprimidas. O som do peido, especialmente das pessoas que se encontram em lugar elevado, é horrível. Sacrifícios devem ser feitos, com as nádegas fortemente comprimidas. Tossir para ocultar o som explosivo: aqueles que, porque estão embaraçados, não querem que o vento explosivo seja escutado, simulam um ataque de tosse. Siga a regra das Quilíades: substitua os peidos por acessos de tosse. [...]. Trecho da De civilitate morum puerilium (1530), um manual escrito pelo teólogo e filósofo holandês Erasmo de Roterdã (1466-1536), é considerado o primeiro tratado na Europa Ocidental sobre a educação moral e prática das crianças. Veja mais aqui e aqui.

O PEIDO – A antropóloga Kirsten Bell, da University of Western Ontario (UWO), tem estudado o valor cultural do peido, observando completo desinteresse por parte de estudiosos na realização de pesquisa sobre o assunto. No livro Aroma: the Cultural History of Smell, de Constance Classen, David Howe e Anthony Synott, encontra-se registros de que no Marrocos quem soltar um flato dentro de uma mesquita ficará cego ou morrerá, uma vez que a prática está associada aos maus espíritos. O músico francês Serge Gainsbourg escreveu Evguenie Sokolov (1980), contando a história de um jovem artista que usa seus gases intestinais como meio escandaloso de expressão artística, transformando o problema barulhento e fedorento que afetava negativamente a sua vida social e sexual em uma receita de sucesso no mundo das artes do início da década 1980. Já o escritor Colin Schultz escreveu um artigo na Revista do Instituto Smithsonian, tratando sobre o assunto, apoiando a iniciativa dos antropólogos na pesquisa. Veja mais aqui, aqui e aqui.


Fotos: Patrícia Machado & Luiz De Nigris Junior

Susie Cysneiros – BoiBumbarte, Projeto Palco Aberto.

Abertura do Show Tataritaritatá (Stand up)

Banda Cianônima Ilimitada

Jarbinhas Barros, guitarra

Felipe Barros, baixo

Ninja do Sax, sopros

Rangel Levi, teclados

Marquinhos Batera, bateria

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