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segunda-feira, abril 20, 2015

EDITH DERDYK, NÉLIDA PIÑON, NOVALIS, IONESCO & HÉSPERA

 


LITERÓTICA: O PRESENTE DE HÉSPERA - Quando a vi seguia entre as Hespérides em coro no cortejo materno de Nix. Viu-me com o Sol poente de seus olhos, enfeitiçou-me: era a mais linda ninfa grega. Desde daquele dia busquei-a em todos os momentos incansavelmente, até vê-la cumprir a sua missão infantil de guardiã pelo bosque das macieiras no pomar de Hera. Era-me proibido ali entrar e ela se surpreendeu com a minha presença. A deusa crepuscular, filha da noite e da escuridão, veio em minha direção, aproximou-se com ternura e curvou-se para entoar seu canto repleto de magia e esperança. O seu perfume de ambrosia enfeitiçou-me pelas estações do ano. Levou-me à nascente para sussurrar seu feitiço com o divino e imortal Manjar dos Deuses e assim me curou – todo mortal morreria se comesse e saboreei uma extrema sensação de felicidade. Ressuscitei porque ela deitou o alimento de sua vagina em minha boca e sorvi o néctar de seus gozos em minha língua. A deusa do crepúsculo vespertino estirou-se nua sobre o meu corpo e aninou-se em meu sexo como se regasse a árvore sagrada. Renasci no ritual do seu amor: era o espírito da imortalidade e ocultou-se nas súbitas metamorfoses a guardar meu nome enquanto me sentia envolvido pela Luz do Crepúsculo. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A poesia cura as feridas infligidas pela razão... O caminho misterioso vai para dentro. É em nós, e não em nenhum outro lugar, onde a eternidade dos mundos, o passado e o futuro são encontrados... Pensamento do poeta alemão Novalis (Georg Philipp Friedrich von Hardenberg – 1772-1801). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Busco o entendimento da linha, que é como se fosse um sismógrafo do pensamento... Pensamento da pintora, desenhista, designer gráfico e escritora Edith Derdyk. Veja mais aqui & aqui.

 

PROMOÇÃO BRINCARTE DO NITOLINO – O projeto Brincarte do Nitolino está efetuando uma promoção com objetivo de viabilizar pauta de realizações que vão desde lançamentos de livros, de cds/dvds, como também de apresentação de espetáculos teatrais. Em uma parceria entre as Edições Nascente e o Projeto MCLAM, o projeto visa corroborar a venda dos livros já publicados para a realização dos novos projetos. Essa promoção consiste na disponibilização dos livros infantis Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas, O lobisomem zonzo, Turma do Brincarte e Frevo Brincarte, além do brinde do folheto de cordel Tataritaritatá, por um preço abaixo da tabela. Participe e confira aqui e aqui.

Imagem: Standing Nude, do pintor, escultor, gravurista e artista gráfico surrealista catalão Joan Miró (1893-1983). Veja mais aqui, aqui, aquiaqui

Curtindo La sacre du printemps, do compositor e maestro Igor Stravinski (1882-1971) com o coreógrafo alemão Uwe Scholz (1958-2004) & Leipzig Balé, Gewandhaus Orchestra Leipzig, conducting Henrik Schaefer, pianos Wolfgang Manz & Rolf Plagge. Veja mais aqui & aqui.

O EU & O MARTÍRIO DO ARTISTA: VERSOS DE AMOR E O LUPANAR – O poeta, advogado e professor paraibano do movimento pré-modernista da literatura brasileira, Augusto dos Anjos (1884-1914), publicou o seu primeiro livro Eu (1912), produto, segundo Assis Brasil (Dicionário Prático de Literatura Brasileira, 1979), do seu pessimismo e da posição estética contraditória do poeta, com utilização de linguagem grandiloquente para dizer de sua desilusão do mundo e introduzindo uma terminologia paracientífica e filosofante, usando a técnica do Parnasianismo e do Simbolismo, então vigentes. De sua obra destaco primeiro o soneto O martírio do artista: Arte ingrata! E conquanto, em desalento, / a órbita elipsoidal dos olhos lhe arda, / busca exteriorizar o pensamento / que eu suas fronetais células guarda! / Tarda-lhe a ideia! A inspiração lhe tarda! / E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento, / como o soldado que rasgou a farda / no desespero do último momento! / Tenta chorar, e os olhos sente enxutos!... / É como paralitico que, à mingua / da própria voz, e, na, que ardente o lavra, / febre de, em vão, falar, com os dedos brutos / para falar, puxa e repuxa a língua, / e não lhe à boca uma palavra! Também destaco Versos de amor: Parece muito doce aquela cana. / Descasco-a, provo-a, chupo-a... ilusão treda! / O amor, poeta, é como a cana azeda, / A toda a boca que o não prova engana. / Quis saber que era o amor, por experiência, / E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo, / Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo, / Todas as ciências menos esta ciência! / Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo / Mas certo, o egoísta amor este é que acinte / Amas, oposto a mim. Por conseguinte / Chamas amor aquilo que eu não chamo. / Oposto ideal ao meu ideal conservas. / Diverso é, pois, o ponto outro de vista / Consoante o qual, observo o amor, do egoísta / Modo de ver, consoante o qual, o observas. / Porque o amor, tal como eu o estou amando, / É espírito, é éter, é substância fluida, / É assim como o ar que a gente pega e cuida, / Cuida, entretanto, não o estar pegando! / É a transubstanciação de instintos rudes, / Imponderabilíssima e impalpável, / Que anda acima da carne miserável / Como anda a garça acima dos açudes! / Para reproduzir tal sentimento / Daqui por diante, atenta a orelha cauta, / Como Marsias — o inventor da flauta — / Vou inventar também outro instrumento! / Mas de tal arte e espécie tal fazê-lo / Ambiciono, que o idioma em que te eu falo / Possam todas as línguas decliná-lo / Possam todos os homens compreendê-lo! / Para que, enfim, chegando à última calma / Meu podre coração roto não role, / Integralmente desfibrado e mole, / Como um saco vazio dentro d’alma! Por fim, destaco O lupanar: Ah! Por que monstruosíssimo motivo / Prenderam para sempre, nesta rede, / Dentro do ângulo diedro da parede, / A alma do homem polígamo e lascivo? / Este lugar, moços do mundo, vêde: / É o grande bebedouro coletivo, / Onde os bandalhos, como um gado vivo, / Todas as noites, vêm matar a sede! / É o afrodístico leito do hetairismo, / A antecâmara lúbrica do abismo, / Em que é mister que o gênero humano entre, / Quando a promiscuidade aterradora / Matar a última força geradora / E comer o último óvulo do ventre! Veja mais aquiaqui e aqui.

O CALOR DAS COISAS – O livro O calor das coisas (Record, 1997), da premiadíssima escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñon, reúne treze contos que excepcionalmente magistrais. O livro começa com o conto Jardim das Oliveiras, depois As quatro penas brancas, O ilustre Menezes, Finisterre, Tarzan e Beijinho, O revólver da paixão, Coração de ouro, O sorvete é um palácio, Disse um campônio à sua amada, A sereia Ulisses – no qual destaco: O amor para mim nunca ultrapassou uma estação; o Calor das coisas, e A sombra da caça. Da obra destaco o conto I love my husband: [...] O que mais quer, mulher, não lhe basta termos casado em comunhão de bens? E dizendo que eu era parte do seu futuro, que só ele porém tinha o direito de construir, percebi que a generosidade do homem habilitava-me a ser apenas dona de um passado com regras ditadas no convívio comum. Comecei a ambicionar que maravilha não seria viver apenas no passado, antes que este tempo pretérito nos tenha sido ditado pelo homem que dizemos amar. Ele aplaudiu o meu projeto. Dentro de casa, no forno que era o lar, seria fácil alimentar o passado com ervas e mingau de aveia, para que ele, tranquilo, gerisse o futuro. Decididamente, não podia ele preocupar-se com a matriz do meu ventre, que devia pertencer-lhe de modo a não precisar cheirar o meu sexo para descobrir quem mais, além dele, ali estivera, batera-lhe à porta, arranhara suas paredes com inscrições e datas. Filho meu tem que ser só meu, confessou aos amigos no sábado do mês que recebíamos. E mulher tem que ser só minha e nem mesmo dela. A ideia de que eu não podia pertencer-me, tocar no meu sexo para expurgar-lhe os excessos, provocou-me o primeiro sobressalto na fantasia do passado em que até então estivera imersa. Então o homem, além de me haver naufragado no passado, quando se sentia livre para viver a vida a que ele apenas tinha acesso, precisava também atar minhas mãos, para minhas mãos não sentirem a doçura da própria pele, pois talvez esta doçura me ditasse em voz baixa que havia outras peles igualmente doces e privadas, cobertas de pêlo felpudo, e com a ajuda da língua podia lamber-se o seu sal? Olhei meus dedos revoltada com as unhas longas pintadas de roxo. Unhas de tigre que reforçavam a minha identidade, grunhiam quanto à verdade do meu sexo. Alisei meu corpo, pensei, acaso sou mulher unicamente pelas garras longas e por revesti-las de ouro, prata, o ímpeto do sangue de um animal abatido no bosque? Ou porque o homem adorna-me de modo a que quando tire estas tintas de guerreira do rosto surpreende-se com uma face que lhe é estranha, que ele cobriu de mistério para não me ter inteira? De repente, o espelho pareceu-me o símbolo de uma derrota que o homem trazia para casa e tornava-me bonita. Não é verdade que te amo, marido? Perguntei-lhe enquanto lia os jornais, para instruir-se, e eu varria as letras de imprensa cuspidas no chão logo após ele assimilar a notícia. Pediu, deixe-me progredir, mulher. Como quer que eu fale de amor quando se discutem as alternativas econômicas de um país em que os homens para sustentarem as mulheres precisam desdobrar um trabalho de escravo. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

O ANTITEATRO – O escritor, patafísico e dramaturgo francês de origem romena, Eugène Ionesco (1909-1994), um dos grandes nomes do Teatro do Absurdo, desenvolveu a teoria do Antiteatro - a insólita e iconoclasta análise da tragicidade da linguagem, com textos que expressam uma crise da consciência do pós-guerras mundiais com processos experimentais do Dada e do Surrealismo. Aborda temas como o da incomunicabilidade, o medo da morte, o estrangulamento que as normas sociais impõem ao homem da atualidade num mundo caótico. Sobre a linguagem teatral (Estética teatral – Lisboa, 1980), o autor assinala que: [...] Quando se diz que o teatro deve ser apenas social não se trata na realidade de um teatro político e, certamente, num determinado ou noutro sentido. Ser social é uma coisa; se socialista ou marxista ou fascista é outra – é a expressão de uma tomada de consciência insuficiente; [...] Depois, pode ser-se social apesar de se querer ou não sê-lo, pois que todos nós, todos, somos como que possuídos como que por uma espécie de complexo histórico e pertencemos a um certo momento da história – que, todavia, está longe de nos absorver inteiramente e que, pelo contrário, não exprime nem contém senão a parte menos essencial de nós próprios. Falei sobretudo de uma certa técnica, da linguagem teatral, a linguagem que lhe é própria. A matéria, ou os temas sociais, podem muito constituir, dentro desta linguagem, assuntos e temas de teatro. Talvez se seja objetivo por força da subjetividade. O particular junta-se à generalidade e a sociedade é evidentemente um dado objetivo: todavia, eu vejo o social, isto é, a expressão histórica do tempo a que pertencemos, e não seria através da linguagem (e toda linguagem é também histórica naturalmente circunscrita no seu tempo, é indissociável) que eu vejo esta expressão histórica naturalmente implicada na obra de arte, quer se queira quer não se queira, consciente ou não, mas mais viva, mais espontânea, do que deliberada ou ideológica. Aliás, o temporal não vai contra o temporal e o universal; pelo contrário, submete-se-lhe. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

PAPEL NO VARAL – O projeto Papel no Varal é realizado pelo Instituto Lumeeiro e com curadoria do poeta e professor universitário Ricardo Cabús, desde 2009, levando a poesia ao grande público. Num varal de sisal, 100 poemas de autores de todos os tempos e de todos os cantos são dispostos para que as pessoas escolham e leiam. Este ano o projeto está comemorando seis anos com uma festa para lá de extraordinária: comemorar seis anos de poesia pendurada no sisal no próximo dia 29, quarta-feira, no Orákulo Chopperia, em Maceió. Serviço 6° Aniversário do Papel no Varal Data: 29 de abril, quarta-feira. Horário: 20h Local: Orákulo Chopperia Ingressos gratuitos antecipados: Farmácias Ao Pharmacêutico Apresentação e curadoria: Ricardo Cabús Participações musicais: Músicos que fazem parte da história do Papel no Varal Classificação etária: 14 anos Promoção: Instituto Lumeeiro Informações: (82) 8135-5920 / (82) 8135-5990  contato@lumeeiro.org Veja mais aqui.

EMOÇÕES: MOVIMENTO & MANIA DE POESIA – A escritora e advogada Suely Ribella é autora dos livros Meus Caminhos (2012), Encantos (2012), Outros sonhos (2013), Sentidos (2013) e Quase Nada (2014), todos publicados pela Editora Delicatta. Ela edita o blog Emoções, reúne seu trabalho literário no Recanto das Letras e participa Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba Grande (RJ) e é presidente da Academia de Letras do Brasil (ALB/Santos), entre participações. Da sua lavra destaco o poema Louca, eu?: Se me interessa, de cega me faço, / o sofrimento é uma opção de vida, / se for preciso, ensurdeço também, / me chamem louca, chamo-me feliz. / Sobram motivos se eu quiser sofrer, / quero enxergar o lado bom da vida, / eu quero rir, brincar, dizer tolices, / me chamem louca, chamo-me feliz. / Namoro a vida e quando ela me trai, / brigo depressa, logo ela me entende, / faço o que quero, sou dona de mim. / Ninguém no mundo tem autoridade / pra me dizer o que é errado ou certo, / me chamem louca, chamo-me feliz. Também o seu poema Movimento: Todo dia, / toda noite, / dia e noite, / noite e dia, / tempo leve, / tempo breve / é o tempo / com você. / Todo dia, / toda noite, / dia e noite, / noite e dia, / tempo denso, / tempo imenso / é o tempo / sem você. Por fim, o seu Mania de Poesia: Eu rimo contigo. / Tu rimas comigo. / A métrica se ajeita. / O ritmo é sensual. / A poesia é perfeita. Veja mais aqui.


FRANCES – O drama estadunidense Frances (1982), dirigido por Graeme Clifford, roteiro de Nicholas Kazan e música de John Barry, é baseado na vida da atriz Frances Farmer (1913-1970), que tem uma vida conturbada por suas posições tidas como comunista e seus desentendimentos com executivos de Hollywood, que a leva ao internamento num hospital psiquiátrico. Destaque para a premiada atriz Jessica Lange no papel principal da película. Veja mais aquiaqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz estadunidense Frances Farmer (1913-1970). Veja mais aqui, aqui & aqui.


Veja mais sobre:
A vida, a terra, o homem & a bioética, Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, A condição humana de Hannah Arendt, A cronologia pernambucana de Nelson Barbalho, Pau-Brasil de Oswald de Andrade, a poesia de Patativa de Assaré, a música de Elomar Figueira de Mello, a pintura de Fernand Khnopff, Shere Crossman & Antonio Cláudio Mass aqui.

E mais:
O sol nasce paratodos aqui.
A lição de casa amanhecer, A lenda da origem do Solimões, a escultura de Lorenzo Quinn, a música de Anne Schneider, a arte de Alice Soares, O lobisomem zonzo & Edla Fonseca aqui.
Brincarte do Nitolino, Hino ao Sol de Akhenaton, O fundador de Nélida Piñon, a música de Kitaro, Manifesto Pau-Brasil de Oswald de Andrade, Medeia de Eurípedes, Belfagor: O arquidiabo de Nicolau Maquiavel, a poesia de Percy Bysse Shelley, O dicionário do Aurélio, o cinema de François Truffaut, a pintura de Otto Lingner & Nina Kozoriz aqui.
Alvoradinha, o curumim caeté, a literatura de Lygia Fagundes Telles, a poesia de Manuel Bandeira, o teatro de Qorpo Santo, Psicologia social: infância, imagem e literatura, a pintura de Fernando Botero, a arte de Marilyn Monroe & Ashley Judd, Jayne Mansfield, a música de Roberto Carlos & O sabor da fonte de todos os gozos aqui.
Se um dia o sonho da vez, Expressões enganadoras de Gilbert Ryle, a poesia de Elizabeth Bishop, Os nascimentos de Eduardo Galeano, a música de Dandara & Paulo Monarco, a pintura de Carla Shwab & Lavinia Fontana, a arte de Rosa Esteves & W. G. Collingwood aqui.
A vida se desvela nos meus olhos fechados, Ensaios filosóficos de John Langshaw Austin, a literatura de Dostoiévski & Georg Eliot, a música de Mísia, a fotografia de Edward Weston, Rico Lins & Krzyzanowski Art, a arte de Top Thumvanit & Stephanie Sarley aqui.
Carta de amor, Espécies naturais de Willard Van Orman Quine, Madre Teresa de Calcutá, a música de Dori Caymmi, a literatura de Alicia Dujovne Ortiz, a arte de Henry Monnier & Tanja Ostojić, a fotografia de João Roberto Riper & Luciah Lopez aqui.
A fome e a laranjeira, Princípios da filosofia do direito de Hegel, O espírito de Romain Rolland, O diário de Frida Kahlo, a música de Bach & Janine Jansen, a fotografia de Sebastião Salgado, a xilogravura de Fernando Saiki, a arte de David Padworny & Tempo de amar de Genésio Cavalcanti aqui.
Papo de Fabos, Escarafunchando Friederich Perls, O castelo de Franz Kafka, a literatura de Machado de Assis, a música do Discantus, a pintura de Renato Guttuso & Luba Lukova, a arte de Carmela Gross & Paulo Ito aqui.
Barulho da miséria, Escritos lógico-linguisticos de Peter Strawson, a literatura de Baronne de Staal & Mary Shelley, a música de Shania Twain, a escultura de Ben Weily, a pintura de Anna Miarczynska, o grafite de Magrão Bz, a arte de Fabio de Brito & a poesia de Livia De La Rosa aqui.
Repente qualquer jeito para ver como é que fica, A servidão humana de Baruch de Espinoza, A tecnologia na arte de Edmond Couchot, A vida antes do homemd e Margaret Atwood, a música de Jackson do Pandeiro, a escultura de Antonio Corradini, a fotografia de Nikolai Endegor, a arte de Victoria Selbach & Leonel Mattos aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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sexta-feira, março 07, 2008

ROMAIN ROLLAND, LOBATO, AUGUSTO DOS ANJOS, SARTRE, SEURAT, ORLANDI & AS TRELAS DO DORO

 
A arte do pintor francês Georges Seurat (1859-1891).


AS TRELAS DO DORO: VAI TOMAR NO QUIBA, PORRA!!!! - O Doro estava virado na porra naquele dia. Despranaveado mesmo. Já viu alguém injuriado? Multiplique por mil, assim estava ele. Foi o seguinte: estava ele lambendo os beiços no maior caqueado, só saboreando umas e outras para clarear as idéias e amainar o disminlinguamento do trampo, quando um certo tipo oriundo de alhures, instou-lo com admoestações. - Não desperdice sua vida com as tentações da carne. - Cuma? -, intrigou-se arregalando os olhos para o distinto. - Deus criou o homem para fazê-lo cordeiro de sua obra! - Fodeu, Maria-preá. - Não se afunde na bebida fazendo de sua vida uma desgraça! - Ai, meu saco! -, replicou Doro, palitando o tiragosto dos dentes. - Deus mandou-me para salvá-lo desse mau caminho. - Espie aqui, seu mondrongo: quando eu tô me lascando na labuta ninguém chega pra pidi preu parar de trabaiar. Muito pelo contráro, destabocam que trabaiá indignifica o hômi. Agora intô discansando a alma e a carcaça numa bebericage de leve e no sociá que hoje num é dia de amundiçamento. Faz favô, vá sentá num balaio cheíim de rola dura voadora, vá! - A oportunidade da sua salvação é agora ou nunca! - Ih, esse cara qué me infezá. Já to veno! Qualé a tua, hem? - Primeiro, quero levá-lo para o AA. E, depois, encaminhá-lo na senda do senhor –, disse o sujeito num tom exagerado de solenidade. - AA? Qui droga é nove? - Alcoólicos Anônimos. E depois, para o coração de Cristo. - Taí, apreciei sua lorota. Vamo nessa? Diga lá e eu vô prontinho da silva. Com a anuência de Doro o cara arribou deixando as recomendações para ele se dirigir no dia seguinte para o endereço indicado. Doro como não é flor que se cheire, foi. Antes de ir, tomou logo umas bicadas boas para não passar em branco e aprumar a conversa logo antes de chegar no recinto indicado. Bem atrasado da hora do convite foi ele chegando lá só no balanço do navio e já mareando da idéia. Sentou-se e teve paciência de ouvir os depoimentos e os alarmes que o vício da bebedeira provocam no sujeito. Volta e meia apertava os olhos e a idéia, preparando revide para tanta leseira. Quando chegou sua vez de falar, ôxe, aprumou-se, pigarreou, empostou a voz, bateu na caixa dos peitos e derramou verbo tresloucado. Jurou o último gole e mandou buscar uma garrafa da que-matou-o-guarda como despedida na presença de todos. Primeiro gole ingerido, a doidice começou num relato muito troncho de deixar todo mundo azoretado só com as curvas da pabulagem. Gente, não tem quem acompanhe o seu raciocínio mesmo. Aí, meu, ninguém agüentou o tombo da baboseira e logo estavam todos topando com a dois-dedinho na comemoração. Daí, Doro balançou o coreto e a franga soltou-se coletivamente. Resultado: todo mundo trocando os olhos e as pernas no maior pileque. Dias depois, eis que diviso Doro encasquetado com um sujeito. - Que se assucede, Doro? -, perguntei prevendo o pandemônio. - Esse cara, meu, só me enchendo o saco, ora! –, respondeu-me bastante irritado. - Um despropósito! -, reclamava o outro que eu nem conhecia. - Foi a vorta do enterro -, asseverou Doro todo ingicado. E arremedou: - Fui tirá a prova dos nove para vê si todo mundo era siguro no qui dizia. Ôxe, intraru na roda e foi maió salseiro. - Mas, afinal, o que se deu? - Este sujeito foi encaminhado com as graças de Deus para o Alcoólicos Anônimos e, do nada, desencaminhou todo mundo! - Como foi isso Doro? - Ué, deixei os acólicos anômo tudo nos beóço bicados. De AA para BB. - Deus vai castigar você. - Ora, vá tomar no... Eis que nessa hora, surge a santa mãezinha do Doro e ele alivia no verbo. - Ora, arrispeiti minha mãe que hoji é o dia internacional das mulé e vá s´imbora antes que eu sorte meus cachorro todo... - Isso ficará na conta dos seus pecados, Deus há de castigar você. - Ora, vá tomar.... vá tomar... vá tomar no... no quiba, porra! Adisculpi o palavrão, minha santa mãezinha. - Ora, manda esse fresco tomar no cu mesmo, meu filho. Pronto.  © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui


PENSAMENTO DO DIAÉ o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz. Pensamento do filósofo, dramaturgo e escritor francês Jean-Paul Sartre (1905-1986). Veja mais aqui.

A LINGUAGEM & O SENTIDO - [...] O sentido está sempre no viés. Ou seja, para se compreender um discurso é importante se perguntar: o que ele não está querendo dizer ao dizer isto? Ou: o que ele não está falando, quando está falando disso? [...]. Extraído da obra A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso (Pontes, 1987) da professora e pesquisadora Eni Pulcinelli Orlandi.

A VIAGEM INTERIOR – [...] Uma longa vida de reflexões é uma grande experiência. É mesmo às vezes o termo das experiências de uma família ou de uma raça, a resposta dada ao enigma de sua caminhada secular. O fruto amadurecido de seu lento crescimento, e que traz a marca de seus erros, de seus sucessos, de suas virtudes e vícios. Gostaria de aclarar o enigma da minha. Queria extrair-lhe o significado, aos olhos dos outros e aos meus. Pois que cheguei à hora em que se arrojam das esperanças que se quebram, se abraça o conjunto da rota percorrida, com o olhar lavado e o coração desimpedido [...] Trechos extraídos da obra Le Voyage intérieur (Albin Michel, 1942), do novelista, biógrafo e músico francês e Prêmio Nobel de Literatura de 1915, Romain Rolland (1866-1944). Veja mais aqui.

O CORVO E O PAVÃO - O pavão, de roda aberta em forma de leque, dizia com desprezo ao corvo: - Repare como sou belo! Que cauda, hein? Que cores, que maravilhosa plumagem! Sou das aves a mais formosa, a mais perfeita, não? - Não há dúvida que você é um belo bicho -- disse o corvo. Mas, perfeito? Alto lá! - Quem quer criticar-me! Um bicho preto, capenga, desengraçado e, além disso, ave de mau agouro... Que falha você vê em mim, ó tição de penas? O corvo respondeu: - Noto que para abater o orgulho dos pavões a natureza lhes deu um par de patas que, faça-me o favor, envergonharia até a um pobre diabo como eu... O pavão, que nunca tinha reparado nos próprios pés, abaixou-se e contemplou-os longamente. E, desapontado, foi andando o seu caminho sem replicar coisa nenhuma. Tinha razão o corvo: não há beleza sem senão. Extraído da obra Fábula (Brasiliense, 1994), do escritor Monteiro Lobato (1882-1948). Veja mais aqui.

VERSOS ÍNTIMOS - Vês! Ninguém assistiu ao formidável / Enterro de tua última quimera. / Somente a Ingratidão - esta pantera - / Foi tua companheira inseparável! / Acostuma-te à lama que te espera! / O Homem, que, nesta terra miserável, / Mora, entre feras, sente inevitável / Necessidade de também ser fera. / Toma um fósforo. Acende teu cigarro! / O beijo, amigo, é a véspera do escarro, / A mão que afaga é a mesma que apedreja. / Se a alguém causa inda pena a tua chaga, / Apedreja essa mão vil que te afaga, / Escarra nessa boca que te beija! Poema do poeta, advogado e professor paraibano do movimento pré-modernista da literatura brasileira, Augusto dos Anjos (1884-1914). Veja mais aqui.


A arte do pintor francês Georges Seurat (1859-1891).




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