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segunda-feira, fevereiro 17, 2020

ESPIDO FREIRE, KAZUO ISHIGURO, MARVEL MORENO, KRISHNAMURTI, ADRIANA FARIAS & PEDRO CABRAL



ESTÁ TUDO MUITO LOUCO, GENTE! UMA & OUTRA: Nunca me vi engomadinho, nem achegado a engravatados e ourinadas, grifados ou posudas. Nunca fui de andar na linha – tem cada trem, ó, trubufus e cagarraios! -, nem andar de patota. Sempre andei só e levando todo mundo comigo no coração e estradas. Nunca me enquadrei em fôrmas ou moldes, doutrinas pro beleléu; teorias, maior confusão. Sempre soube que evolução não é decadência, nem nunca me empanturrei com modismos ou arrotando o politicamente correto. Só corto o cabelo e faço a barba por conta do calor, o Nordeste é quente! (E para não parecer um bicho, embora reconheça que sou o bitcho muito feioso). Nesses tempos de felicidade urgente, açougues de glamour, algoritmos, cápsulas, drágeas de tudo, cédulas e moedas, fantoches e simulacros, todo mundo quer berrar pelo umbigo. Quem quiser que meta a cabeça contra muro, arraste seus grilhões, couraças, redomas e interditos – nada mais épico de tão notável, ou patético de tão desagradável -, já dei cabeçadas demais. Sei que sou muito doido, valho-me do Erasmo: A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos. E eu sei que sou muito doido, incoerente, quem não? Estou com a lição de Krishnamurti: Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente. DUAS DE OUTRA: Nesses tempos obscuros de censura, nada de novo. A gente só faz repetir, por exemplo, o que se passou com Giordano Bruno, que excomungado por calvinistas e luteranos, rejeitado por todas as igrejas cristãs e foi acusado de insubordinação ao papa, tido como herege pela santíssima inquisição e acabou queimado vivo na fogueira do Campo dei Fiori, em Roma. Isso porque ele não deu uma de Galileu: defendeu o copernicanismo e confirmou Kepler e o seu heliocentrismo que já era tema de Aristarco na Grécia Antiga. Pois é, a história se repete desde não sei quando de tão antes de antigamente. A melhor dele: Somente uma coisa me fascina: aquela em virtude da qual me sinto livre na sujeição, contente no sofrimento, rico na indigência e vivo na morte. TRÊS PARA FECHAR: Uma treta da boa foi aquela da semana que virou três dias em 1922, reunindo a saparia do Bandeira com os Andrades e outros encasacados da Arte Moderna. A coisa empenou entre apupos, quando Lobato arreou a lenha nos modernos financiados pela oligarquia paulista. O negócio esquentou! O evento assim passou por desimportante, só muito depois que foi se tornou  um marco na história das artes brasileiras. Coisas de Brasil, essa de saber das coisas muito depois, quase esquecidas. Aqui tudo tarda, mas parece que não falha, tomara mesmo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Fora da ilusão, os ruídos se tornaram vulneráveis, eles poderiam ser exorcizados. Maria ensaiou truques, senti feitiços, pensei que um dia respirando no momento de ouvi-los iria empurrar para trás. E eles se afastaram. Eles eram soluções momentâneas: ruídos sempre foram ressuscitados e seu breve devaneio aprendeu a contornar o exorcismo. [...] Maria pegou com as pontas dos dedos e jogou para o mar, e o cheiro do mar era então todo o dia na sua mão: mais áspero, mais denso que o de chuvas e caracóis pretos que ressoavam no seu bolso do avental enquanto caminhava lentamente para siga o passo da tia, ouvindo-a falar sobre os velhos vezes, quando criança, andava com Sergio ao longo da mesma praia e nas noites de luar a areia brilhava como se cada grão escondesse um alfinete de cristal. Eles não eram cristais, mas algas fosforescentes, Tia Oriane explicou sorrindo. Mas durante anos Sergio e ela acreditavam na existência de um tesouro escondido no outro extremo da praia, sob a rocha onde o mar estava mexendo, explodindo em ondas espumas e apareciam ocasionalmente, aparadas contra a primeira clareza do dia, a figura do desconhecido. Isso assustou Fidelia. [...] Eles nunca foram para o rock. Sua tia não suportava o brilho do sol nos olhos e voltou a meio caminho. Depois, marcharam às pressas, porque tia Oriane insistia em tomar o café da manhã às oito da manhã. Mesmo que ele não entendesse os caprichos deles, Maria se adaptaria a eles com certa cumplicidade. [...]. Trechos extraídos da obra Oriane, tía Oriane y otros cuentos (Universidad del Norte, 2016), da escritora colombiana Marvel Moreno (1939-1995).

 

CHAME ALEJANDRA, DE ESPIDO FREIRE

[...] A moda foi feita para aqueles sem gosto, a etiqueta para aqueles sem educação e as igrejas para aqueles sem fé. [...] Se você vive de acordo com sua consciência, a fé não é tão importante. [...] Em tempos de paz, vemos as barrigas das mulheres. Em tempos de guerra, vemos os movimentos dos poderosos. [...] O amor cantava dentro de nós, e era para sempre. A realidade tomou conta. [...] Às vezes, as lembranças me salvam da dor. Outras vezes, é muito difícil para mim lembrar da nossa vida passada, que nunca foi fácil, mas certamente mais confortável. [...].

Trechos extraídos da obra Llamadme Alejandra (Booket, 2018), da escritora espanhola Espido Freire (Laura Espido Freire). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

QUANDO ÉRAMOS ÓRFÃOS, DE KAZUO ISHIGURO

[...] esta cidade o derrota. Cada um trai o seu amigo. Você confia em alguém, e ele se revela a soldo de um gângster. O governo são gângsters também. [...] Esses chefes militares na verdade não passavam de bandidos glorificados, mas tinham exércitos, tinham o poder de zelar pelos carregamentos. [...] Pleiteamos junto aos chefes militares. Apelamos para seu orgulho racial. Fizemos notar que estava na mão deles pôr termo à lucratividade do tráfico de ópio, reverter o único grande obstáculo para os chineses assumirem o controle de seu próprio destino, de sua própria terra. [...] Hoje é uma sombra fantasmagórica da cidade que foi um dia. [...] Nada resta senão tentar levar a cabo nossas missões o melhor que pudermos, pois até o fazermos, calma alguma nos será permitida. [...] Esta cidade, em outras palavras, tornou-se o meu lar, e não me importa se tiver de viver o resto de meus dias aqui. Contudo, há instantes em que uma espécie de vazio me preenche as horas [...].

Trecho extraído da obra Quando éramos órfãos (Companhia das Letras, 2000),  do escritor japonês Kazuo Ishiguro. Veja mais aqui & aqui.

 

LIÇÕES DE SEMPRE – Os ensinamentos são importantes por si mesmos e intérpretes ou comentadores apenas os distorcem, sendo aconselhável ir diretamente à fonte, os próprios ensinamentos, e não valer-se de nenhuma autoridade. A verdade não pode ser trazida para baixo; é o individuo que deve fazer o esforço de ascender até ela. O autoconhecimento é o começo da sabedoria, em cuja tranquilidade e silêncio encontra o imensurável. Sabedoria não se aprende de outros, nem nos livros. Pensamento do filósofo, escritor e educador indiano Jiddu Krishnamurti (1895-1986). Veja mais aqui.

A MÚSICA ADRIANA FARIAS
Curtindo a beleza e o talento da cantora, violonista, compositora e violeira Adriana Farias. Veja mais aqui.

A ARTE DE PEDRO CABRAL
A arte do escritor, arquiteto, professor e artista plástico Pedro Cabral. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte de Naná Vasconcelos (Juvenal de Holanda Vasconcelos - 1944-2016) aqui e aqui.
A parnaso-simbolista & a modernista poesia de Ascenso Ferreira aqui.
A arte de Silvio Hansen aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A poesia de Admmauro Gommes aqui & aqui
O Lobisomem Zonzo aqui.
O Município de Venturosa aqui & aqui
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Oficinas ABI aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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quinta-feira, março 10, 2016

NANÁ VASCONCELOS


NANÁ

Ê Naná, ê Naná, ê Naná!
Bate bombo e saculeja, vale tudo, bê-a-bá!
Ê Naná, ê Naná, ê Naná!
Olha o tombo que azuleja, nunca mais um baobá!!!

Vento chama vento, tempo passa e o passo é tempo, manda aqui, manda acolá. E o que é que há na volta da calmaria cada noite em cada dia, tataritaritatá. E venha cá, manda ver lá no terreiro, só na luz do candeeiro o som do côco que é lunar. E manda já longe lá na freguesia um repente de alegria para a festa animar.

Isso vai dar, isso vai dar o que falar. Isso vai é se danar na maior repercussão. Preste atenção, não diga nada não, vai dar loa de chegada, uma a mais na embolada no meio da reinação.

Isso vai pras beiradas do Recife, coisa que nem sei se disse, ou esqueci pelo chão. Isso vai dar revolução, saga de nego santo, sapecada em cada canto descendo do ribeirão.

Isso vai dar num fandango mais que jazz, um mais nove só não faz, não erre na adição. Isso vai dar muita festa lá no céu, rala bucho o tiruléo, bate coxa no baião.

Isso vai dar xote bom no berimbau, troça solta e o escambau, tudo contaminação. Não faz mal não, isso é tudo carnaval, rola do canavial pronde der a ferveção.

Isso vai dar de chegar só na canela, de esborrar pela janela feito fez o Gonzagão. Não vai ter não quem saia ileso dela, batucada descabela do litoral ao sertão.

Ê Naná, Ê Naná, Ê Nana!
Bate bombo e saculeja, vale tudo o bê-a-bá !
Ê Naná, Ê Naná, Ê Nana!
Olha o tombo que azuleja, nunca mais um baobá!!!

O mundo é verde no sertão das memórias, quase choro de emoção com as estórias, quando bate uma saudade. Isso é verdade, coisas do cego Aderaldo, verso dum poema alado num mote vivo a glosar. Nem espiar um caboclo só de lança que as estrelas toda alcança quando reina a dançar.

Isso vai dar num roliço dum xaxado, num martelo agalopado, até num maracatu. Vai dar nordeste, muito do cabra da peste bom que só mel de uruçu.
Vai dar forró, dar baião e dar fogueira. Vai dar bocó na cirandeira na volta mandacaru.
Vai dar no que vai ser e viva São João, viva todos nós então, viva a força do martelo, o forró do seu Antero, o voo do quero-quero, viva Naná Vasconcelos e tudo que vier de bão.

Ê Naná, ê Naná, ê Naná!
Bate bombo e saculeja, vale tudo, bê-a-bá !
Ê Naná, ê Naná, ê Naná!
Olha o tombo que azuleja, nunca mais um baobá!!!

Música & letra de Luiz Alberto Machado © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.


Imagem: Naná Vasconcelos (1944-2016). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais Falange, falanginha, falangeta, Daphne & Chloe, Lou Andres-Salomé, Arthur Honegger, Kate Wilson Sheppard, Louis Hersent, Luiz Eduardo Caminha & Olivia Wilde aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Nu do artista plástico William Adolphe Bouguereau.
Veja masi aqui, aqui, aqui e aqui.
 

domingo, agosto 02, 2015

WEISS, NANÁ, MAETERLINK, LEO LOBOS, PSICOLOGIA DA SAÚDE & BRINCARTE DO NITOLINO!!!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? CRIANÇA – Era 1985, uma noite da semana de agosto – vinte e nove anos depois e ainda me comovo. Havia sepultado meu filho há pouco mais de um mês e uma canção solfejava em minha alma desde os últimos dias que eu havia brincado com ele, antes dos sinais da enfermidade que repentinamente o acometera. Os acordes me perseguiram durante todo o período, até que naquela noite, eu peguei o violão e me aprontei para parir o que viesse. Fiquei dedilhando acordes e sussurrando a melodia, quando minha filha sentou-se no chão, ao meu lado, rabiscando em folhas de papel com a participação inquieta da cadelinha Xuxa que adorava ficar embolando nos meus pés e atrapalhando Patrícia nas suas escrevinhações. A gente costumava cantarolar os três canções pelas tardes e noites, principalmente nos finais de semana. Eu tinha que cantar com eles Sina de Djavan muitas e muitas vezes, até que a cadelinha, pra chamar a atenção, se escondia por trás da geladeira, como se nos exigisse brincar de esconde-esconde. Aí Patrícia se virava pra mim e dizia: - Paínho, cadê Xuxa? E lá íamos os três revirar a casa toda para descobrir-lhe o paradeiro. Não está aqui, não está aqui, aqui também não, ora, ora. E quando a encontrávamos – sempre escondida no mesmo lugar: atrás da geladeira -, voltávamos a cantarolar músicas e mais músicas ao som do meu violão. E naquela noite, não foi diferente: só que só nós dois e a cadelinha. Foi aí que entoei repetidamente os dois primeiros versos Brinquedo de criança que eu vou brincar, contigo nesta noite eu quero me embalar... e minha filha se virou pra mim, me entregando uns rabiscos em forma de versos. Os meus versos se fizeram convite para o que costumeiramente fazíamos. E a gente sentia falta do seu irmãozinho que sempre participava desses momentos, juntamente com o ronronar da cadelinha que não ficava de fora de nossas aprontações musicais. Li o que ela escreveu e, no final, entoamos juntos: Brinquedo de criança que eu vou brincar, contigo nesta noite eu quero me embalar. Coisas de infância que eu vou sonhar com novas brincadeiras que eu vou inventar. Brincando de cantiga que eu vou cantar, cantando a minha vida pra começar. Pular amarelinha ou estudar toda lição, são coisas que a gente vai guardar no coração. Ou pula academia, ou faz a roda ou garrafão, jogando bola o tempo todo pra alegrar nossa canção. Capelinha de melão, é de São João, é cravo, é de rosa, é de manjericão. Pula corda direitinho, pula fora, não; se pular a corda fora, leva um beliscão. O seu rei mandou dizer pra cantar outra canção, que a cantiga já tá feita e não tem outra não. Não tem outra não, não tem outra, não. Vamos aprumar a conversa e veja mais aqui, aqui e aqui

 Imagem: quadro do poeta, ensaísta, tradutor e artista visual chileno Leo Lobos. Veja mais aqui.


Curtindo 4 elementos (2013), do músico e compositor brasileiro Naná Vasconcelos. Veja mais aqui e aqui.

PROGRAMA BRINCARTE DO NITOLINO – Hoje é dia de mais uma edição do programa Brincarte do Nitolino pras crianças de todas as idades, a partir das 10hs, no blog MCLAM do programa Domingo Romântico, com apresentação simpaticíssima de Isis Corrêa Naves. Na programação sempre festiva, as atrações são por conta de Lya Luft, Terezinha Guimarães, Cantigas de roda, Palavra Cantada, Castelo Rá Tim Bum, Rapunzel, Pílula, Glub Glub, A Turma do Seu Lobato, Meimei Corrêa, Turminha Paraíso, História para crianças & muito mais músicas, poesias, brincadeiras e histórias para a garotada. No blog muitas dicas de Teatro, Música, Literatura, Educação, Psicologia e direitos da criança e do adolescente, além de muitas outras tantas dicas de leituras sobre o universo infantil e suas relações no contexto da família, da educação, da arte e da educação. Para conferir tudo ao vivo e online clique aqui ou aqui.

PSICOLOGIA DA SAÚDE – No livro Atualidades em Psicologia da Saúde (Thomson, 2004), organizado por Valdemar Augusto Angerami-Camon, encontro o ensaio do próprio organizador sobre o tema A Psicologia da Saúde no século XXI: contribuições, transformações e abrangências, do qual destaco o trecho a seguir: [...] Uma psicologia que se comprometa com a construção de teorias inerentes à realidade brasileira e que possa estar, assim, disponível e ao alcance de tantos quantos queiram fundamentar-se em seus princípios para um verdadeiro dimensionamento das condições psicológicas de nossa população. Trata-se, sem dúvida alguma, de um desafio que estará a exigir que os nossos esforços sejam contínuos e desdobrados diante da nova exigência que se imoõe perante nossa realidade conceitual. Esse desafio é, seguramente, uma das maiores barreiras a serem superadas no percurso que implica a construção de uma psicologia com traços e contornos decididamente brasileiros. Essa revisão de cada etapa de nosso percurso é condição primeira para que possamos, a partir de reflexões sistematizadas e continuas, perceber a necessidade de eventuais mudanças de rumos e, até mesmo, de horizontes e perspectivas teóricas. [...] Isso tudo mostra de modo bastante claro que a construção de um conjunto de teorias que contemple a realidade brasileira também precisa contemplar uma reflexão minuciosa sobre o modo de exploração da mão de obra dos profissionais de psicologias pelas empresas que os recebem como estágio, e o exploram da maneira mais contundente possível. E a empresa hospitalar não se difere em nada, nesse quesito de exploração, de outras modalidades empresariais. [...] Veja mais aqui e aqui.

O MASSACRE DOS INOCENTES – Na antologia Maravilhas do conto universal (Cultrix, 1969), encontro o conto O massacre dos inocentes, do escritor, dramaturgo e ensaísta belga Maurice Maeterlinck (1862-1949), do qual destaco o trecho: [...] Em uma cabana de madeira no final da aldeia, outra banda encontrou uma camponesa lavando seus filhos em uma banheira de perto do fogo. Ser velho e muito surda, ela não ouvi-los entrar. Dois homens levaram a banheira eo levou embora, ea mulher estupefato seguida com as roupas em que ela estava prestes a vestir as crianças. Mas quando ela viu vestígios de sangue em todos os lugares na aldeia, espadas nos pomares, berços derrubados na rua, as mulheres sobre os seus joelhos, outros que torciam as mãos sobre os mortos, ela começou a gritar e bater os soldados, que colocou o banheira para se defender. A cura apressou-se também, e com as mãos cruzadas sobre a sua casula, aplacou os espanhóis antes que os pequeninos nuas uivando na água. Alguns soldados vieram para cima, amarrou o camponês louco de uma árvore, e levou as crianças. O açougueiro, que havia escondido sua filhinha, encostou sua loja, e atentou para a insensivelmente. A lancer e um dos homens armados entrou na casa e encontrou a criança em uma caldeira de cobre. Em seguida, o açougueiro em desespero tomou uma das suas facas e correu atrás deles para a rua, mas os soldados que estavam passando desarmou-o e enforcado pelas mãos aos ganchos na parede - há, entre os animais esfolados, ele chutou e se esforçou , blasfemando, até a tarde. Perto do cemitério, houve uma grande reunião antes de um longo, baixo casa, pintada de verde. O proprietário, que está em seu limite, derramou lágrimas amargas; como ele era muito gordo e jovial olhar, ele animado a pena de alguns soldados que estavam sentados ao sol contra a parede, batendo um cão. A um, também, que arrastado seu filho pela mão, gesticulava como se quisesse dizer: "O que eu posso fazer isso não é culpa minha" Um camponês que foi perseguido, pulou em um barco, ancorado perto da ponte de pedra, e com sua esposa e filhos afastou-se do outro lado da parte descongelada da laguna estreita. Não se atrevendo a seguir, os soldados caminhou furiosamente por entre os juncos. Subiram para os salgueiros nas margens para tentar alcançar os fugitivos com suas lanças - como eles não conseguiram, eles continuaram por um longo tempo a ameaçar a família aterrorizada à deriva sobre a água negra. O pomar ainda estava cheio de pessoas, pois foi lá, na frente do homem de barba branca que dirigiu o massacre, que a maioria das crianças foram mortas. Pontinhos que poderia apenas andar sozinho ficaram lado a lado mastigando suas fatias de pão e geléia, e olhou com curiosidade para o assassinato de seus companheiros desamparados, ou recolhidos em volta da aldeia tolo que jogou sua flauta na grama. Então, de repente, houve um movimento uniforme na aldeia. Os camponeses correu em direção ao castelo, que estava no chão subindo marrom, no final da rua. Eles tinham visto o seu seigneur inclinada sobre as muralhas da sua torre e observar o massacre. Homens, mulheres, idosos, com as mãos estendidas, suplicou ele, em seu manto de veludo e sua tampa de ouro, como a um rei no céu. Mas ele ergueu os braços e encolheu os ombros para mostrar sua impotência e, quando implorou-lhe mais e mais persistente, de joelhos na neve, com as cabeças descobertos, e proferindo gritos lastimáveis, ele virou-se lentamente para a torre e última esperança dos camponeses tinha ido embora. Quando todas as crianças foram mortos, os soldados cansados limpou suas espadas na grama, e ceou sob as árvores de pera. Em seguida, eles montaram um atrás do outro, e andava de Nazaré através da ponte de pedra, por onde tinham vindo. O pôr do sol por trás da floresta fizeram as madeiras em chamas, e tingiu a aldeia vermelho-sangue. Exausto com a corrida e suplicante, a cura havia se jogado em cima da neve, em frente à igreja, e seu servo estava perto dele. Eles olharam para a rua e do pomar, tanto aglomeravam com os camponeses em suas melhores roupas. Antes de muitos limiares, os pais com filhos mortos em seus joelhos chorou com sempre fresca surpreender sua amarga tristeza. Outros ainda lamentou sobre os filhos, onde eles tinham morrido, perto de um barril, no âmbito de um carrinho de mão, ou na borda de uma piscina. Outros levar os mortos em silêncio. Havia alguns que começou a lavar os bancos, os bancos, as tabelas, as mudanças manchadas de sangue, e para pegar os berços que tinha sido atirado para a rua. Mãe pela mãe gemia sob as árvores ao longo dos corpos que jaziam sobre a relva, pequenos corpos mutilados que eles reconhecidos por seus vestidos de lã. Aqueles que não tinham filhos mudou-se sem rumo pela praça, parando às vezes na frente do despojado, que lamentou e chorou em sua tristeza. Os homens, que já não chorava, sullenly prosseguidos seus animais desviaram, em torno do qual os cachorros latindo corriam; ou, em silêncio, reparado até agora suas janelas quebradas e telhados vasculharam. Como a lua solenemente subiu na quietudes do céu, profundo silêncio como de sono desceu sobre a aldeia, onde agora não a sombra de uma coisa viva agitada. Veja mais aqui.

O TEATRO DOCUMENTÁRIO – O Teatro Documentário foi desenvolvido em sua terceira fase, com o dramaturgo, pintor, novelista e diretor de cinema alemão Peter Weiss (1916-1982), com a sua peça teatral O Interrogatório (1965), na qual reconstitui um julgamento de criminosos nazistas, por meio de uma testemunha que relata a sua fuga corroendo sua memória. Da obra destaco o trecho a seguir: [...] Testemunha 8 - Quando me tiraram da barra, Boger disse: “Agora você está preparado para uma feliz viagem ao céu”. Fui levado para uma cela do bloco 11, onde fiquei esperando horas e horas a minha execução. Não sei quantos dias fiquei ali. Meus testículos arroxeados incharam brutalmente. Na maior parte do tempo permaneci em estado de coma. Depois, fui conduzido para a sala das duchas, junto com outros presos e nos fizeram tirar as roupas. Marcaram nossos números no peito com tinta azul. Eu sabia que isso era a condenação à morte. Depois que estávamos nus e em fila, o chefe do setor de Informações perguntou quantos mortos devia contabilizar. Assim que ele saiu fizeram uma recontagem e perceberam que havia um a mais. Eu tinha aprendido a me colocar sempre no último lugar da fila. Fui separado dos outros com um pontapé e me devolveram as roupas. Eu deveria voltar para a cela e aguardar a próxima fornada, mas alguém me levou para a enfermaria. Também acontecia, que um ou outro, tivesse o destino de sobreviver. Eu fui um desses [...] . Veja mais aqui.

TESTEMUNHA 4 – O documentário Testemunha 4 (Mirada, 2011), do diretor, roteirista e produtor Marcelo Grabowsky, é baseado na peça teatral O interrogatório, do dramaturgo, pintor, novelista e diretor de cinema alemão  Peter Weiss (1916-1982), contando a história de um interrogatório do Holocausto em uma apresentação de teatro de vinte e quatro horas ininterruptas, interpretado pela atriz Carla Ribas. O filme investiga de que forma a proposta de encenação baseada no esgarçamento do tempo influencia no resultado do trabalho da atriz e na transformação da personagem por ela interpretada, levando em consideração o desgaste físico e emocional da atriz. O documentário foi premiado como Melhor Direção na III Semana dos Realizadores (2011). O documentário além de ser um registro dos horrores resultantes das atrocidades vivenciadas pelas vítimas dos campos de concentração nazista, durante a II Guerra Mundial, também é um documento que estabelece uma nova visão da atividade teatral contemporânea. Veja mais aqui.

DANÇA: AULA CONCERTO – Acontecerá nesta quarta, 05 de agosto, dentro do projeto Teatro é o maior barato, no Teatro Deodoro, Maceió - AL, a reapresentação do espetáculo "Aula Concerto 2015", da Companhia de Ballet Eliana Cavalcanti. A reapresentação faz parte da programação do "O Teatro Deodoro é o Maior Barato", que oferece espetáculos a preços populares (R$ 10 a entrada inteira e R$ 5 a meia-entrada) e os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Deodoro, a partir das 14 h ou na sede do Ballet. Prestigiem a arte alagoana! Vamos todos pra lá.

IMAGEM DO DIA 
Edição especial do tabloide Nacente – Publicação Lítero-Cultural (1998), por ocasião da entrega da premiação do Premio Nascente de Arte Infanto-Juvenil, do lançamento da antologia Brincarte (Nascente, 1998) e do livro O lobisomem Zonzo (Nascente, 1998). Veja mais aqui e aqui.

 Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico com a reprise de toda programação da semana, a partir do meio dia, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?
Imagem: Menina lendo (1881), do pintor finlandês Albert Edelfelt (1854-1905).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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SÓNIA SULTUANE, MARCO NICOLINI, RUBY BRIDGES, JOÃO FALCÃO & MUITO MAIS!!!

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Revestrés escatológico pra bufos e ranas... - Para quem não sabia, fingiu ou olvidou, muita coisa passou p...