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quinta-feira, maio 21, 2015

POPE, SAVARY, ALLPORT, NANÁ & UAKTI, ARTUR AZEVEDO, ROUSSEAU & PORTMAN.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? – Uma frase do psicólogo estadunidense George Kelly (1905-1967) me chamou a atenção: a nossa interpretação dos eventos é mais importante do que os eventos propriamente ditos. Hem? Alguém aí? O que é isso? Fodeu. Melhor debrear com indagação: nesse tempo de instantaneidade no meio das relações líquidas dá tempo para interpretar algum evento? Ou somos passageiros deslumbrados com o colorido na boleia dos acontecimentos? Hum, pergunta difícil dá trabalho. Seria melhor arrumar outra lavagem de roupa, não? Mas pensando bem, isso me leva a uma constatação: o ser humano é um carona privilegiado pelas cores da novidade e sobrecarregado de informações por todos os lados. E ele: nem, nem. Tá nem aí pra quem pintou a zebra. Deixa a vida me levar, vida leva eu. Vamos no embalo das ondas... pensar é muito difícil. Há coisa pior que pensar, por exemplo, na miséria humana? Ih! Botando os neurônios para se organizar, dá pra gente perceber no ralo da ocasião que existem duas pobrezas? Vamos lá, miudamente: primeira, a das posses - ou seja, dos excluídos e precarizados que vivem pendurados pegando bigu na vida sob a promessa de que um dia o bolo engordará tanto que dará para repartir com todos, contrariando a ideia de causa na acumulação e o malthusianismo; e a de espírito – melhor dizendo: a dos profetas do Informe de Brodie de Jorge Luis Borges. Parece que das duas, a segunda é a pior. Porque a primeira, tendo riqueza de espírito, tem saída: a posse será relativa. A segunda, sei não, acho que inviabiliza, inclusive, qualquer saída para a primeira. Hummmmm... dá pra sacar? Ou quer que desenhe? Ou pedimos penico pros universitários? Deixe ver. Na tortura das sinapses neuronais, troco mais amiudada: parece mesmo que vivemos chafurdando na nossa miséria de espírito e adivinhando acontecimentos, como o de que uma mosca pousará logo logo no nariz. Ah, isso faz eclodir o profeta Fabo: reprodutores do óbvio. E vamos aprumar a conversa aqui.

Imagem: The Dream – Bouquet of Flowers, do artista plástico do Modernismo Pós-Impressionista francês Henri Rousseau (1844-1910)

Curtindo o show Atracatraca que o Naná vem chegando (Recife, 1998), com Naná Vasconcelos & grupo mineiro Uakti - Marcos Antonio Guimarães, Paulo Santos, Artur Andrés e Décio Ramos. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


A NATUREZA DO PRECONCEITO – O livro A natureza do preconceito (1954), do psicólogo estadunidense Gordon Allport (1897-1967), trata sobre o que é o problema do preconceito e a generalização errônea e hostilidade, a normalidade do prejulgamento, formação de in-groups e o preconceito pelo amor em oposição ao preconceito pelo ódio, a rejeição out-groups e exame dos três graus de rejeição expressa, a rejeição verbal, a discriminação, o ataque físico, entre outros assuntos. Ele é autor de uma teoria humanista da personalidade com ênfase na individualidade e da natureza dinâmica da motivação, apresentando o conceito básico de personalidade como sendo a [...] organização dinâmica daqueles sistemas psicofísicos que determinam, dentro do indivíduo, o seu comportamento e pensamento característicos. Ele definiu as sete funções do self como sendo: sentido de corpo; auto-identidade; autoestima; auto-extensão; auto-imagem; imitação(cópia) raciona; e batalhas(lutas) próprias. Tratou também acerca dos traços ou disposições da personalidade, e também definiu as características do proprium, como sendo: extensões do "self" específicas, duradouras, perenes, isto é, envolvimento; técnicas relacionadas visando um relacionamento caloroso com outros, exemplo de confiança, empatia, genuinidade, tolerância; segurança emocional e auto-aceitação; hábitos de percepção realistas (em contraposição à posição de defesa); centralizar problemas e desenvolver destreza na solução deles; auto-objetivização – visão de seu próprio comportamento, capacidade de rir de si próprio; e uma filosofia de vida unificadora, incluindo uma orientação de valor particular, sentimento religioso diferenciado e uma consciência personalizada. Veja mais desse autor aqui.


DE ELOISA PARA ABELARDO – O poema De Eloisa para Abelardo (1717), do poeta inglês Alexander Pope (1688-1744) reúne seus poemas de caráter filosófico e estético, defendendo seu ponto de vista sobre a verdadeira poesia e discute a possibilidade de reconciliação dos males do mundo com a crença no criador justo e misericordioso, tornando-se depois um satirista que ridiculariza a delicadeza da corte da Inglaterra. Destaco da obra o fragmento traduzido pelo professor Jorge Luis Gutiérrez: [...] Nesta profunda solidão e terrível cela, / Onde a contemplação celestial do pensamento habita, / E sempre reina a meditação melancólica; / Que significa esta agitação nas veias de uma virgem? /Por que meus pensamentos se aventuram além do último retiro? / Por que sente meu coração este amplo e esquecido calor? / Ainda, ainda eu amo! De Abelardo veio, / E Eloisa ainda deve beijar seu nome. / Querido fatal nome! Restos nunca confessados, / Nunca passarão estes lábios no sagrado silêncio selado. / Ocultá-lo, meu coração, dentro desse disfarce fechado, / Quando se funde com Deus, sua falsa idéia amada: / Ó mesmo não o escrevendo, minha mão - o nome aparece / Logo escrito – a purificação acabo com minhas lágrimas! / Em vão a perdida Eloisa chora e reza, / Seu coração ainda manda, e a mão obedece. / Inexoráveis paredes! cuja obscura ronda contém / arrependidos suspiros, e amarguras voluntárias: / Vós rochas fortes! Que santos joelhos desgastaram; / Vós grutas e cavernas inalcançáveis com horrível espinhas / Santuários! onde as virgens mantiveram seus pálidos olhos, / E a tristeza dos santos, cujas estátuas aprenderam a chorar! / Embora frio como você, imóvel, em silêncio crescente, / Eu ainda não esqueci-me como pedra. / Nem tudo está no céu enquanto Abelardo tem parte, / Ainda a natureza rebelde mantém a metade de meu coração; / Nem a oração nem os jejuns acalmaram seus impulsos persistentes, / Nem as lágrimas, ou a idade, o ensinaram a fluir em vão. [...] Como é imensa a felicidade da virgem sem culpa. / Esquecendo o mundo e o mundo esquecendo-a. / Eterno resplendor de uma mente sem lembranças! / Cada oração aceita e cada desejo realizado;/ Trabalho e descanso mantidos em iguais períodos; / Obedientes sonhos dos quais podemos acordar e chorar; / Calmos desejos, afetos sempre furiosos. / Deliciosas lágrimas, e suspiros que bóiam no paraíso. / Graça que brilha a seu arredor com raios serenos. / O murmúrio dos anjos arrulha seus sonhos dourados. / Por sua eterna rosa que floresceu no Éden. / E as asas dos serafins derramam perfumes divinos, / Para ela, o esposo prepara o anel nupcial, / para ela as brancas virgens cantam a canção da boda, / e ao som das harpas celestiais ela morre / e se desfaz em visões do dia eterno [...]. Veja mais aqui e aqui.


CAPITAL FEDERAL – A comédia Capital Federal (1907), do dramaturgo, escritor e jornalista Artur Azevedo (1855-1908), traz a visão critica do autor sobre o crescimento urbano e suas contradições por meio de personagens estigmatizados e os costumes urbanos do final do século XIX. Da obra destaco o trecho final: [...] Cena V - LOLA, MERCEDES, DOLORES, BLANCHETTE, RODRIGUES, Pessoas do povo. LOLA.- Então? O Gouveia? Não lhes disse? Bem me arrependi de o ter deixado ficar! Não teve mão em si e lá se foi para o jogo! MERCEDES.- Que tratante! DOLORES.- Que malcriado! BLANCHETTE.- Que grosseirão! LOLA.- E nada de bondes! MERCEDES.- Que fizeste do teu carro? LOLA.- Pois não te disse já que o meu cocheiro, o Lourenço, amanheceu hoje com uma pontinha de dor de cabeça? BLANCHETTE.- (Maliciosa.) Poupas muito o teu cocheiro. LOLA.- Coitado! é tão bom rapaz! (Vendo RODRIGUES que se tem aproximado aos poucos.) Olá, como vai você? RODRIGUES.- (Disfarçando.) Vou indo, vou indo... Mas que bonito ramilhete franco-espanhol! A Dolores... a Mercedes... a Blanchette... Viva la gracia! LOLA.- (Às outras.) Uma idéia, uma fantasia: vamos levar este tipo para jantar conosco? AS OUTRAS.- Vamos! Vamos! BLANCHETTE.- Substituirá o Gouveia! Bravo! LOLA.- (A RODRIGUES.) Você faz-nos um favor? Venha jantar com ramilhete franco-espanhol! RODRIGUES.- Eu?! Não posso, filha: tenho a família à minha espera. LOLA.- Manda-se um portador à casa com esses embrulhos. MERCEDES.- Os embrulhos ficam, se é coisa que se coma. RODRIGUES.- Vocês estão me tentando, seus demônios! LOLA.- Vamos! anda! um dia não são dias! RODRIGUES.- Eu sou um chefe de família! TODAS.- Não faz mal! RODRIGUES.- Ora, adeus! Vamos! (Olhando para a esquerda.) Ali está um carro. O próprio cocheiro levará depois um recado à minha santa esposa... disfarcemos... Vou alugar o carro. (Sai.) TODAS.- Vamos! (Acompanham-no.) PESSOAS DO POVO.- Lá vem afinal um bonde! Tomemo-lo! Avança! (Correm todos. Música na orquestra até o fim do ato. Mutação.) Quadro IV A passagem de um bonde elétrico sobre os arcos. Vão dentro do bonde entre outros passageiros, EUSÉBIO, GOUVEIA, D. FORTUNATA, QUINOTA e JUQUINHA. Ao passar o bonde em frente ao público, EUSÉBIO levanta-se entusiasmado pela beleza do panorama. EUSÉBIO.- Oh! a capitá federá! a capitá federá!... PANO. Veja mais aqui e aqui.


REPERTÓRIO SELVAGEM – O livro Repertório selvagem: obra reunida (BN/UMG/MultiMais, 1998), da escritora paraense Olga Savary reúne seus dose livros de poesia publicados na sua trajetória poética, entre os quais destaco inicialmente Insônia: Quero escrever um poema irritado. / Quero vingar meu sono dividido / (busco palavras que interroguem essa alquimia / do poema, que vire a noite em fogo vário / e a lua em pegada escondida atrás do muro / — vagaroso desmoronar de extinto vôo ). / Quero um poema ainda não pensado, / que inquiete as marés de silêncio da palavra / ainda não escrita nem pronunciada, / que vergue o ferruginoso canto do oceano / e reviva a ruína que são as poças d’água. / Quero um poema para vingar minha insônia. Meritório de destaque o seu Geminiana: Esta quase sempre correu, fugiu da armadilha, / De ser prendida descobre o encanto. Amor / Que faz desta que sendo caça é caçador / E ama de maneira clara porque pertence aos ares. Também o seu belo poema Enquanto: Sou inconstante como o vento / sou inconstante como a vaga / por isso fica / enquanto estou desvelada / enquanto eu não for / vento ou vaga. Também merece o seu Amanhã: Se devoras teus sonhos / quando se ensaiam apenas / e secamente represas / essa linguagem de flores / e teu desejo de asas / que restam subterrâneas, / quem serás tu, depois / do grande sono, amanhã? Outro dos seus belos poemas é Fogo: Dar-me toda este verão / urdideiros de rio, é ser / serpente de prata. Verão, / foi feita mais uma vítima / Sou um ser marcado, natureza. / A tarde crava em meu magma / o selo de sua secreta pata. Veja mais aqui e aqui.


CLOSER – O drama Closer (Perto demais, 2004), do diretor Mike Nicholson é baseada na peça teatral homônima e autor do roteiro do filme Patrick Marber, utilizando vários trechos da ópera Cosi fan tutte, de Mozart, como música, contando a história de uma fotografa bem sucedida que conhece e seduz um jornalista fracassado que tenta lançar um livro, acabando por se envolverem num relacionamento e se casam, quando ele passa a manter um caso com uma stripper como musa inspiradora. O destaque vai para a atriz, produtora e diretora estadunidense Natalie Portman que ganhou o Prêmio Globo de Ouro como Melhor Atriz Coadjuvante em Cinema. Veja mais aqui, aqui e aqui.















IMAGEM DO DIA
A bailarina e atriz Ana Botafogo em ensaio no Theatro Municipal: Quebra Nozes, em 2007 (Foto: Ivo Foto: Ivo González/Agência O Globo).


Veja mais sobre:
O direito à informação e qual informação, A formação social da mente de Lev Vygotsky, O retrato do Dorian Gray de Oscar Wilde, a poesia de Manuel Bandeira, a pintura de Vincent van Gogh & a música de Gonzaguinha aqui.

E mais:
O desditoso amor de Tomé & Vitalina aqui, aqui, aqui e aqui.
As funduras profundas do coração de uma mulher, A arte de amar de Erich Fromm, a música de Claude Debussy & Isao Tomita, a poesia de Paul Verlaine & Ledo Ivo, a pintura de Fabius Lorenzi, a arte de Cornelia Schleime & Lula Queiroga aqui.
Fonte, Mal-estar na civilização de Sigmund Freud, O jardineiro do amor de Rabindranath Tagore, O homem que calculava de Malba Tahan, Escritos loucos de Antonin Artaud, Amem de Costa-Gavras, a música de Fátima Guedes, a pintura de Vincent van Gogh, Cia de Dança Lia Rodrigues & Brincarte do Nitolino aqui.
Mulheres de Charles Bukowski, a poesia de Konstantínos Kaváfis, O entendimento humano de David Hume, O sentido e a máscara de Gerd Bornheim, a literatura de Gonzalo Torrente Ballester, a música de Brahms & Viktoria Mullova, o cinema de Imanol Uribe, a pintura de Monica Fernandez, Academia Palmarense de Letras (APLE), Velta & Emir Ribeiro aqui.
A paixão avassaladora quando ela é a terrina do amor & a pintura de Julio Pomar aqui.
A síndica dos seios oníricos, a fotografia de Luis Mendonça & Tataritaritatá no Palco Aberto aqui.
Função das agências reguladoras aqui.
Fecamepa: quando a coisa se desarruma, até na descida é um deus nos acuda aqui.
A educação no positivismo de Auguste Comte aqui.
Aurora Nascente de Jacob Boehme, A teoria quântica de Max Planck, A megera domada de William Shakespeare, a música de Pixinguinha, a pintura de Marcel René Herrfeldt, Bowling for Columbine de Michael Moore, a arte de Brigitte Bardot, a Biopoesia de Silvia Mota & PEAPAZ aqui.
Infância, Imagem e Literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré – AL, A trilha dos ninhos de aranha de Ítalo Calvino, Mademoiselle Fifi de Guy de Maupassant, A mandrágora de Nicolau Maquiavel, A paixão selvagem de Serge Gainsbourg & Jane Birkin, a arte de Maria de Medeiros, a música de Cole Porter, a pintura de Odilon Redon, Quasar Cia de Dança & Sopa no Mel de Ivo Korytowski aqui.
A lenda do açúcar e do álcool, História da Filosofia de Wil Durant, Educação não é privilégio de Anísio Teixeira, Não há estrelas no céu de r João Clímaco Bezerra, a música de Yasushi Akutagawa, a pintura de Madison Moore, o teatro da lenda da Cumade Fulôsinha & o espetáculo de dança Bem vinda Maria Flor aqui.
Cruzetas, os mandacarus de fogo, Concepção dialética da História de Antonio Gramsci, O escritor e seu fantasma de Ernesto Sábato, Sob o céu dos trópicos de Olavo Dantas, a pintura de Eliseo Visconti, a fotografia de Rita-Barreto, a ilustração de Benício & a música de Rosana Sabença aqui.
O passado escreveu o presente; o futuro, agora, Estudos sobre Teatro de Bertolt Brecht, A sociolingüística de Dino Preti, Nunca houve guerrilha em Palmares de Luiz Berto, a música de Adriana Hölszky, a escultura de Antonio Frilli, a arte de Thomas Rowlandson, a pintura de Dimitra Milan & Vera Donskaya-Khilko aqui.
O feitiço da naja, Sistema de comunicação popular de Joseph Luyten, Palmares e o coração de Hermilo Borba Filho, a poesia de Mário Quintana, o teatro de Liz Duffy Adams, a música de Vanessa Lann, a fotografia de Joerg Warda & Luciah Lopez aqui.
A rodagem de Badalejo, a bodega de Água Preta, O analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo, O enredo de Samira Nahid Mesquita, O teatro de Sábato Magaldi, a música de Meredith Monk, Pixote de Hector Babenco, a arte de Vanice Zimerman, a pintura de Robert Luciano & Vlaho Bukovac aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!
Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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sábado, abril 18, 2015

ARUNDHATI ROY, PAGU, GROTOWSKI, ALESHIA BREVARD & HIPÓLITA

 


LITERÓTICA: A PODEROÍSSIMA SEDUÇÃO DE HIPÓLITA... - Soube dela certo dia e sequer podia adivinhar a maldição de ser por ela movido. Fui possuído pelo poder de sua sedução e, por causa dela, empreendi o que seria a loucura da vida. Fui tomado e completamente obcecado naveguei até a foz do rio Termodonte e lá cheguei ao Ponto Euxino de Termiscira para dar de frente com suntuoso palácio. As portas todas se abrirão como se adivinhassem minha recepção. Adentrei e, naquele espaço colossal, fui recebido pela rainha das amazonas. Ela me sorriu impressionada porque não me atrevi a raptar nem vencer em combate a sua irmã Melanipe, nem exigi nenhum resgate, muito menos enfrentamento. Apenas queria vê-la cativado por sua extremada beleza. Destemida por sua personalidade forte, revelou-se altiva ao perceber que eu não seria um inimigo gárgaro e, de vontade própria, me deu por recepção todo o seu poder e autoridade do cinturão mágico – o cinturão da guerra do primeiro dragão. Abdiquei do presente porque só queria vê-la para satisfazer meu encantamento. Ela então correspondendo aos meus sentimentos tentou me abduzir confessando-se derrotada pela minha adoração. Então ofereceu-me o seu trono amazona. E, mais uma vez, renunciei a honraria, mas tudo fiz para que ela se tornasse o meu troféu amoroso. Então, enlevada de paixão com as vestes soltas, ela puxou a barra da saia, levantando-a a expor suas torneadas pernas, suas voluptuosas coxas e ofertando o mais cobiçado ventre em ebulição. Desnudei-a e ela dançou nua em mim a Ercole su'l Termodonte de Vivaldi, embriagando-me de prazeres inaugurais sucessivos do Sonho de Uma Noite de Verão, numa Ilha do Paraíso. Durante a volúpia confessou-me Jacinta e me convocou para a conjuração mineira. Revelou-se mais: a inconfidente da Fazenda Ponta do Morro. Era o seu feitiço para mim e que inadvertida foi também envolvida ao entregar-me a carta com as instruções dos conjurados para que montasse uma reação a partir do Serro. Provocou-me sedutora: Quem não é capaz para as coisas, não se mete nelas. Era a oferta entre as suas pernas da Vila Rica de todos os seus encantos, e me montou a cavalgar insaciável em meu ventre de alazão incansável por dias e noites infindas. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


DITOS & DESDITOS - É triste admitir que nenhuma palavra cautelosa de quase sabedoria poderia ter me impedido de me aventurar em ruas perigosas. Enquanto o ódio e a incompreensão existirem, o abuso também existirá... Quando alguém morre... você simplesmente coloca um pé adiante e segue em frente. Isso parece maldoso... mas, pense... que outra escolha realmente temos?... Eu nunca presumiria dizer aos outros como viver melhor suas vidas; só posso esperar que aqueles que assim se inclinam encontrem seus sonhos realizados... Pensamento da atriz, modelo, professora e escritora estadunidense Aleshia Brevard (1937-2017), autora do livro The Woman I Was Not Born to Be (Temple University Press, 2001).

 

ALGUÉM FALOU: Uma luta política que não tem mulheres no centro, acima, abaixo e dentro dela não é luta nenhuma... Pensamento da escritora e ativista indiana Arundhati Roy. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

HOJE É DIA DE MONTEIRO LOBATO – Quando li o livro Urupês (1918), do escritor Monteiro Lobato (1882-1948), fiquei impressionado. A razão disso? Uso as palavras do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), no seu Aos trancos e barrancos (Guanabara, 1985): Monteiro Lobato alcança enorme êxito, assumindo a liderança da vida intelectual do país com o livro de Urupês – mal ilustrado por ele próprio -, ambientado nas fazendas de café de São Paulo. Retifica, aí, seu célebre retrato do caipira, admitindo que seus males vêm da falta de saúde, de instrução e de assistência: “Perdoa, pois, pobre opilado e crê no que te digo ao ouvido: tens no sangue e nas tripas todo um jardim zoológico... és tudo isto sem tirar uma vírgula, mais ainda és a melhor coisa desta terra. Os outros, os que falam francês e, senhores de tudo, te mantêm nesta gueena infernal para que possam, a seu salvo, viver vida folgada à custa de teu dolorido trabalho, esses, meu caro Jeca Tatu, esses têm na alma todas as verminoses que tu tens no corpo. Doente por doente, antes tu, doente só de corpo”. Aí vieram as leituras de Problema Vital (1918), Cidades Mortas (1919), Ideias de Jeca Tatu (1919), Negrinha (1920), A Onda Verde (1921), Mundo da Lua (1923), O macaco que se fez homem (1923), Jeca Tatuzinho (1923), O choque das raças ou O Presidente Negro (1926), Mr. Slang e o Brasil (1927), Ferro (1931), América (1932), Na antevéspera (1933), O escândalo do Petróleo (1936), A barca de Gleyre (1944), Prefácio e entrevistas (1946) e o incrível livro Zé Brasil (1947), do qual destaco o trecho inicial: Zé Brasil era um pobre coitado. Nasceu e sempre viveu em casebres de sapé e barro, desses de chão batido e sem mobília nenhuma – só a mesa encardida, o banco duro, o mocho de três pernas, uns caixões, as cuias. Nem cama tinha. Zé Brasil sempre dormiu em esteiras de tábua. Que mais na casa? A espingardinha, o pote d´água, o caco de sela, o rabo de tatu, a arca, o facão, um santinho na parede. Livros, só folhinhas – para ver as luas e se vai chover ou não, e aquele livrinho do Fontoura com a história do Jeca Tatu. – Coitado deste Jeca! -, dizia Zé Brasil olhando para aquelas figuras. – Tal qual eu. Tudo que ele tinha, eu também tenho. A mesma opilação, a mesma maleita, a mesma miséria e até o mesmo cachorrinho. Pois não é que meu cachorro também se chama Joli?... [...]. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.
  
Imagem: Indígena & População indígena do Cantagalo (1926), do pintor e desenhista francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848). Veja mais aqui.

Ouvindo: Tudo e todas as coisas (1984), do grupo instrumental Uakti, formado por Marco Antônio Guimarães, Artur Andrés Ribeiro, Paulo Sérgio Santos e Décio Ramos. Veja mais aqui e aqui.

EM BUSCA DE UM TEATRO POBRE – O livro Em busca de um teatro pobre (Civilização Brasileira, 1971), do diretor de teatro polaco e figura central do teatro experimental e de vanguarda, Jerzy Grotowski (1933-1999), o autor defende que: [...] Nossos postulados não são novos. Exigimos das pessoas as mesmas coisas que todo verdadeiro trabalho de arte exige, seja a pintura, a escultura, a música, a poesia ou a literatura. Não satisfazemos o espectador que vai ao teatro para cumprir uma necessidade social de contato com a cultura: em outras palavras, para ter alguma coisa de que falar aos seus amigos e poder dizer que viu esta ou aquela peça, que foi muito interessante. Não estamos no teatro para satisfazer sua “sede cultural”. Isto é trapaça. [...] Estamos interessados que sinta uma genuína necessidade espiritual, e que realmente deseje, através de um confronto com a representação, analisar-se. Estamos interessados no espectador que não para num estágio elementar de integração psíquica, satisfeito com sua mesquinha estabilidade espiritual, geométrica, sabendo exatamente o que é bom e o que é ruim sem jamais pôr-se em dúvida. Não foi para ele que El Greco, Norwid, Thomas Mann e Dostoiévski falaram, mas para aquele que empreende um processo interminável de autodesenvolvimento, e cuja inquietação não é geral, mas dirigida para uma procura da verdade de si mesmo e da sua missão na vida. [...] O teatro deve reconhecer suas próprias limitações. Se não pode ser mais rico que o cinema, então assuma sua pobreza. Se não pode ser superabundante como a televisão, assuma seu ascetismo. Se não pode ter uma atração técnica, renuncie a qualquer pretensão técnica. Dessa forma chegamos ao ator “santo” e ao teatro pobre. [...] Portanto, o teatro deve atacar o que se chama de complexos coletivos da sociedade, o núcleo do subconsciente coletivo, ou talvez do superconsciente (não importa como seja chamado), aqueles mitos que não constituem invenções da mente, mas que são, por assim dizer, herdados através de um sangue, uma religião, uma cultura e um clima [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

SONETOS DE ANTERO – Do livro Sonetos Completos (Portuense, 1886), do escritor português Antero de Quental (1842-1891), destaco, primeiramente, Mors amor: Esse negro corcel, cujas passadas /Escuto em sonhos, quando a sombra desce, / E, passando a galope, me aparece / Da noite nas fantásticas estradas, Donde vem ele? Que regiões sagradas / E terríveis cruzou, que assim parece / Tenebroso e sublime, e lhe estremece / Não sei que horror nas crinas agitadas? / Um cavaleiro de expressão potente, / Formidável, mas plácido, no porte, / Vestido de armadura reluzente, / Cavalga a fera estranha sem temor: / E o corcel negro diz: “Eu sou a morte! / “Responde o cavaleiro: “Eu sou o Amor!”. Também da sua lavra, destaco Mors liberatriz: Na tua mão, sombrio cavaleiro, / Cavaleiro vestido de armas pretas, / Brilha uma espada feita de cometas, / Que rasga a escuridão, como um luzeiro. / Caminhas no teu curso aventureiro, / Todo envolto na noite que projectas... / Só o gládio de luz com fulvas betas / Emerge do sinistro nevoeiro. / - «Se esta espada que empunho é coruscante / (Responde o negro cavaleiro andante), / É porque esta é a espada da Verdade: / Firo mas salvo... Prostro e desbarato, / Mas consolo... Subverto, mas resgato... / E, sendo a Morte, sou a liberdade. Veja mais aqui, aquiaqui.  

PAGU – No livro Parque Industrial (José Olympio, 2006), a escritora, diretora de teatro, desenhista, jornalista, militante comunista e musa do Modernismo brasileiro, Patrícia Galvão, ou simplesmente Pagu (1910-1962), encontro para destaque os seguintes textos: [...] As seis têm olhos diferentes. Corina, com dentes que nunca viram dentista, sorri lindo, satisfeita. É a mulata do atelier. Pensa no amor da baratinha que vai passar para encontrá-la de novo à hora da saída. Otávia trabalha como um autômato. Georgina cobiça uma vida melhor. Uma delas, numa crispação de dedos picados de agulha que amarrotam a fazenda. – Depois dizem que não somos escravas. [...] - Você pensa que vou desgostar mademoiselle por causa de umas preguiçosas! Hoje haverá serão até uma hora. – Eu não posso, madame, ficar de noite! Mamãe está doente. Eu preciso dar remédio pra ela! – Você fica! Sua mãe não morre por esperar umas horas. – Mas eu preciso! – Absolutamente. Se você for é de uma vez. A proletária volta para seu lugar entre as companheiras. Estremece à ideia de perder o emprego que lhe custara tanto arranjar. [...] - O voto para as mulheres está conseguido! É um triunfo! – E as operárias? – Essas são analfabetas. Excluídas por natureza. [...]. Para se ter uma ideia da importância dessa mulher, o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), no seu Aos trancos e barrancos (Guanabara, 1985), diz dela: Patrícia Galvão – Pagu -, moderna, bela, assanhada, a brasileira mais inteligente de sua geração, escreve e desenha, menina ainda, seu primeiro livro: Pagu. Um caderninho sacaníssino. Sua vida foi contada no filme Eternamente Pagu (1987), direção de Norma Benguel, protagonizado por Carla Camurati, afora ter sido tema de dois documentários: Patrícia Galvão – livre na imaginação no espaço e no tempo (Unisanta, 1988) de Lúcia Maria Teixeira Furlani, dirigido por Rudá de Andrade e Marcelo Tasara, e Eh, Pagu!, Eh!, do cineasta Ivo Branco. Também tema-título de uma parceria musical entre Rita Lee & Zélia Duncan, afora ter sido tema nos palcos teatrais, a exemplo do espetáculo Dos Escombros de Pagu, baseado no livro homônimo assinado por Tereza Freire, além da fotobiografia Viva Pagu, de Lúcia Maria Teixeira Furlani e Geraldo Galvão Ferraz. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.






CHORO: APOIO AO PROJETO QUEBRA CABEÇA
O grupo instrumental Sacudindo Choro, formado por Bruno Vinci (Violão 7 Cordas), Rafael Mota Rodrigues (Percussão), Rafael Nascimento (Violão 6 Cordas) e Fabrício Rosil (Cavaquinho), está lançando o seu primeiro disco Quebra Cabeça, com composições autorais e voltado para difusão do choro. Confira e apoie o projeto aqui.


Veja mais sobre:
Uma canção de amor, a literatura de Geoff Dyer & Victor Hugo, a música de Miles Davis & O Jazz de New Orleans, a fotografia de Robert Mapplethoppe, a arte de Debra Hurd & Lisa Lyon, a pintura de C. Vernet & Pedro Cabral aqui.

E mais:
Corações solitários, Hipócrates, Isaac Newton & Catherine Barton Conduitt, O homem & pós-homem de Fernanda Bruno, a literatura de Carlos Castañeda, a poesia de William Wordsworth, a música de Elena Papandreou, O teatro do Bharata, a arte de Luis Fernando Veríssimo, a entrevista de Claudia Telles, a pintura de Cristina Salgado, o cinema de Júlio Bressane & Josie Antello aqui.
Solilóquio na viagem noturna do sol, A Educação no Brasil, o pensamento de Sêneca, a música de Maria Esther Pallares, a coreografia de Paula Águas, a pintura de Terry Miura & Amenaide Lima aqui.
Solilóquio das horas agudas, O mito de Sísifo de Albert Camus, Neurofilosofia & Neurociências, a música de Meg Myers, a pintura de José Manuel Merello, Hipócrates & Luciah Lopez aqui.
Solilóquio do umbigocentrismo, Rio São Francisco - Velho Chico, Richard Bach, Quando todo dia é segunda-feira, Chamando na grande & mandando ver no lero aqui.
O espectro da fome de Josué de Castro, Ilíada de Homero, a música de Mercedes Sosa & Martha Angerich, a pintura de Tamara de LempickaAna Botafogo, Eliezer Augusto & Genesio Cavalcanti aqui.
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A ciência da linguagem de Roman Jakobson, a literatura de Marcel Proust, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi, a pintura de Henry Asencio, a arte de Regina José Galindo, a fotografia de Thomas Karsten & Tortura é crime aqui.
Boa noite, Penedo, às margens do São Francisco, a literatura de Adonias Filho & Georges Bataille, A história social do Brasil de Manoel Maurício de Albuquerque, a música de Bach & Rachel Podger, a arte de Marcel Duchamp, a pintura de Jaroslav Zamazal, a fotografia de Karin van der Broocke, Vanguard & Kéfera Buchmann aqui.
E a dança revelou o amor, a literatura de Manuel Scorza, A busca fálica de James Wyly, a música de Gabriel Fauré & Ina-Esther Joost, a pintura de Francisco Soria Aedo, a coreografia de Merce Cunningham, a arte de Yves Klein & a fotografia de Richard Rutledge aqui.
Três poemas & a dança revelou o amor..., a pintura de Andrew Atroshenko & Ton Dubbeldam, a fotografia de Klaus Kampert & a arte de Jeremy Mann aqui.
Quando ela dança tangará no céu azul do amor, A condição pós-moderna de Jean-François Lyotard, A estética da desaparição de Paul Virilio, a música de Anna-Sophia Mutter, a pintura de Alex Alemany & Eloir Junior, a arte de David Peterson & Luciah Lopez, Carlos Zemek & & Isabel Furini aqui.
A dança dos meninos, a poesia de Manuel Bandeira & Amiri Baraka, A bailarina de João Cabral de Melo Neto, O Kama Sutra de Vatsyayana, A dançarina de Yasunari Kawabata, a música de Isabel Soveral & António Chagas Rosa, a pintura de Jose Manuel Abraham, a fotografia de M. Richard Kirstel, Pas de deux & Ary Buarque aqui.
O voo da mulher, Dicionário de lugares imaginários, o teatro de Federico Garcia Lorca, a música de Duke Ellington, o cinema de Lars von Trier & Nicole Kidman, a arte de Tatiana Parcero & Caco Galhardo, Rô Lopes & Como veio a primeira chuva aqui.
Saúde no Brasil, O Fausto de Goethe, o pensamento de Terêncio, Ética & Fecamepa, Os sentidos da integralidade de Ruben Araújo de Mattos & Remexendo as catracas do quengo e queimando as pestanas com coisas, coisitas e coisões aqui.
Todo dia é dia de dançar o amor aqui.
O alvoroço do poema na horagá do amor & a pintura de Oscar Sir Avendaño aqui.
Literatura de cordel : quebra pau no STF, de Bob Motta aqui.
A pingueluda aqui.
A arte de Marcya Harco aqui.
O pensamento de Georg Lukács, A psicanálise de Jacques Lacan, o teatro de Samuel Beckett, a literatura de Henry James, a música de Morton Subotnick, o cinema de Jane Campion & Nicole Kidman, a pintura de Aurélio D'Alincourt, a arte de Fady Morris & As poesias pontilhadas de Dorothy Castro aqui.
Pindura aí, meu! O negócio tá ficando feio, Cidadania insurgente de James Holston, a poesia de Sérgio Frusoni, A cidadania de Maria de Lourdes Manzine Covre, a música de Sol Gabetta, a fotografia de Mara Saldanha, a arte de Stanley Borack & a pintura de Fernando Rosa aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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