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domingo, outubro 12, 2025

ELIZABETH LOFTUS, CATHERINE JOHNSON, IONE SKYE, POEMA & AGENTE SECRETO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Viva a vida ao máximo e nunca hesite em perseguir seus sonhos. Realmente vale a pena... Cada dia é um presente, não se esqueça! Agora vamos desligar nossos celulares e aproveitar... Façam coisas incríveis como sempre fizeram. Aproveitem ao máximo. A dor é um poder incrível, não deixe que ela te derrube, use-a...

Pensamento ao som de A song of death, a song of pain (2022), Through Your Eyes (2018) e Unprecedented (2016), da violinista, vocalista e soprano mexicana Marcela Bovio (Marcela Alejandra Bovio García), integrante das bandas Stream of Passion e Elfonia. Veja mais aqui.

 

Banquete suntuoso de gororoba xucra inaugurando Fecamepa... – Toctoc! Quem é? Não ouvi ô de casa, nem disse ô de fora! Quem será que era? Fui ver e de cara: era peró como a praga, alvoroçados com estardalhaço de gansos do Capitólio romano. Pra eles era uma festa portuguesa, com certeza: o Vira vira-homem, vira-bicho e arrebita! Pois, pois! Pois, não! Aí entrou o Galo de Barcelos no Fado, com o Bacalhau à Brás e Pastel de Nata, um fandango trazendo caldo verde, a chula na sardinha assada, o corridinho com o cozido e a Francesinha no Cante alentejano. Tudo só pra eles. E engrossou a presepada, no meio da festança: eu te benzo! Eu te curo! E amanhã estaríamos todos duros aos pés da cruz no altar católico, pagando o pato de infratores de todos os pecados. Como diziam: aqui disso não havia e a Cascais, uma vez e nunca mais! Oxe! Toctoc! De novo? Oh, viva terra de Espanha! E a galegada da União Ibérica invadiu com Flamenco e castanholas; touradas de Madri com Jota a sair de tapas, gaspachos e Pasodoble, churros e Muiñeira galega, Jámon Serrano e Fabada asturiana, catalãos e bascos, tudo se arranchando no maior espalhafato. Só deles. Maior irrupção esborrando o pandemônio nas alicantinas da gandaia. Toctoc! Outra vez? E era: Viva a França! Era a catinga perfumada com a expansão manufatureira calvinista arrombando Tordesilhas, todos à La Page, o barrete frígio e muitos presentes de Paris e dos huguenotes! E os salves à Antártica na Baía de Guanabara, à Equinocial no Maranhão! E gritavam: Liberté! Égalité! Fraternité! E lá foi Cancã e Boeuf Bourguignon com La Marseillaise, carneiros de Panúrgio, Le Coq & Marianne, Bransle e Ratatouille com Manouche, Quadrilha e Cassoulet com Chanson Française, Escargots de Bourgogne, croissant & baguete, Crème Brûlée e Macaron. E se deram por convivas e nem foram convidados. Sobrou balbúrdia e o malho na bigorna! Tudo pra eles. Toctoc! Agora danou-se tudo! Quem será dessa vez! E era: Ó linda Nova Holanda! E o que foi de batavo nassoviano com presentes luteranos de Armsterdã e o boi voando, ah, passou da conta! Aí entornou o caldo e logo apareceu um Leão com tulipas, moinhos de ventos andantes, todos com os dentes de fora e à tripa forra no Hakken com Levenslied e gado Holstein, Boeren Ploeg com o Stamppot, Almelose Kermis nos tamancos com Stroopwafel, Horlepiep e Rozenwals com Kibbeling e Haring, tudo no maior fuzuê! Quanta coisa estranha, Deus meu! Teve até quem emplacasse: Sou Flamengo e a nega Tereza, no maior embalo! E se fartaram do açúcar adoçando o sangue escravo e arrastaram pau-brasil pra desancar nossos nativos, E foram do ovo às maçãs porque um abismo chamava outro, um absurdo respondia a outro. Fizeram a maior farra e nem eram meus comensais. Transbordou escarcéu! Tô entendendo nada, que negócio é esse? Quem era o anfitrião? Lá estava eu no meio de quatro fogos e queriam que entregasse o pescoço à canga, enquanto se tratavam entre apertos de mãos, tapinha nas costas e o meu destino ao Deus dará. Dançaram minha dança, tomaram meu roçado e me deram lã de aço, espelhinhos & brebotes. Pra quê? Das zis utilidades nenhuma era a necessidade minha. Do lado de fora gente estranha escura acorrentada! Não era enfeite nem plateia, era claque mais chué! A casa era minha, hoje não mais. Até o nome que eu tinha, não sobrou nem o de pai. O que eu falava se apagou, me puseram outra língua porque queriam: sim, senhor! Essa é boa! Sai-te! Desde então escorreguei à mingua, de nem mesmo sequer saber mais quem sou. Tanta água desmanchou meu pirão, meu leirão e tudo ao meu redor. E agora, o que a gente faz? Botamos tudo pra correr e a doença ficou: quem era daqui viu nascer outrem e entre eles preferiam os das bandas dos enxotados. Como é que pode? E teve até quem empunhasse bandeira estrangeira por golpes para nos exilar, muitas e tantas vezes! O que é que há? Era o Fecamepa com um monstrengo carnaval só folia e pacutia demais para aprumar! Até mais ver.

 

Chiquinha Gonzaga: Ó abre alas que eu quero passar! Eu sou da Lira, não posso negar!... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Fernanda Montenegro: A palavra não é apenas um conjunto de sinais gráficos. Nela há sangue, suor e lágrimas... Tenho um otimismo realista, porque a condição humana é falha. Todos nós somos atores nesse palco que é o mundo... O teatro e a educação devem caminhar juntos; educar não é só ensinar a ler e escrever, é ensinar a pensar e sentir mundo de outras formas... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Elfriede Jelinek: Enquanto os homens forem capazes de aumentar seu valor sexual por meio do trabalho, da fama ou da riqueza, enquanto as mulheres só forem poderosas por meio do corpo, da beleza e da juventude, nada mudará... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A GRANDE CONJUNÇÃO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Você ainda não consegue vê-lo – tão pequeno \ poderia ser um quimioton – \ mas afirma ter esperança, afirma \ para saber coisas que você não sabe, \ se você pudesse encontrá-lo apenas \ talvez esta viagem de acampamento valeu a pena depois de tudo \ mesmo a tenda não bem ancorada — \ uma estaca desaparecida \ depois de tantos anos no porão — \ até o seu telescópio desatualizado \ mais pesado do que precisa ser – \ mas você aponta para as estrelas esperando \ para ver a primeira conjunção \ de Saturno e Júpiter em oitocentos \ anos como se para fingir \ você ainda não está em quarentena \ se você puder ver alguma coisa \ que não depende de nada \ você pode fazer mas simplesmente \ é em si, maravilhoso e constante, \ se estás aqui ou não. Por fim, \ aparece – e você acha que pode até \ Veja as quatro luas ao redor de Júpiter \ anéis. Você se parabeniza – \ você é Galileu! E mais tarde, quando você encontrar \ a estaca desonesta alojada por baixo \ uma caixa de discos de vinil que você se pergunta \ se se imagina como uma agulha \ sobre uma terra plana \ jogando tudo de uma vez.

Poema da escritora, roteirista e dramaturga britânica Catherine Johnson.

 

NUNCA CONTENTAR... - Nunca se contente com nada menos que extraordinário, senão a vida será uma droga. ... Pode ser uma droga de qualquer jeito, mas é melhor ser uma droga com integridade, certo?... Pensamento da atriz, escritora e pintora britânica Ione Skye, autora de obras como Say Everything: A Memoir (Gallery, 2025) e My Yiddish Vacation (Henry Holt and Co, 2014). Veja mais aqui.

 

MUNDO DA MEMÓRIA - Muitas pessoas acreditam que a memória funciona como um dispositivo de gravação. Você apenas grava as informações, depois as acessa e as reproduz quando quiser responder a perguntas ou identificar imagens. Mas décadas de trabalho em psicologia mostraram que isso simplesmente não é verdade. Nossas memórias são construtivas. Elas são reconstrutivas. A memória funciona um pouco mais como uma página da Wikipédia: você pode entrar lá e alterá-la, mas outras pessoas também podem... Pensamento da psicóloga estadunidense Elizabeth Loftus, autora de obras como The Myth of Repressed Memory: False Memories and Allegations of Sexual Abuse (1994), Witness for the Defense: The Accused, the Eyewitness, and the Expert Who Puts Memory on Trial (1991) e Human Memory: The Processing of Information (1976). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

O AGENTE SECRETO

O filme O agente secreto (2025), dirigido pelo diretor, produtor, roteirista e crítico de cinema Kleber Mendonça Filho, conta a história de um professor de tecnologia que decide fugir de seu passado violento e misterioso, se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida. Ele chega na capital pernambucana em plena semana do Carnaval e percebe que atraiu para si todo o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, ele começa a ser espionado pelos vizinhos e, inesperadamente, a cidade que ele acreditou que o acolheria ficou longe de ser o seu refúgio. O cineasta é também autor de filmes como Vinil Verde (2004), Eletrodoméstica (2005), Noite de sexta, manhã de sábado (2006), Recife Frio (2009) e Bacurau (2019). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

&

OS SEGREDOS DO POEMA

O livro Os segredos do poema: uma maneira prática de entender a construção do texto poético (CriaArt, 2025), do poeta, professor e revisor Admmauro Gommes, trata sobre a distinção entre poesia e poema, a imaginação e a técnica, as figuras de linguagem, silabas poéticas e gramaticais, o tradicional e o contemporâneo, entre outros temas. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

 


segunda-feira, outubro 14, 2024

HAN KANG, SOUMAYA MESTIRI, AURITHA TABAJARA & MARIANNE PERETTI

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Francis Hime: Concerto para Violão e Orquestra (2011), Mi Alma Mexicana (2010), Travieso Carmesí (2011), Mythology Symphony (2015) e Olé México (2023), da regente mexicana Alondra de la Parra, diretora da Filarmónica de las Américas.

 

Canção para outroutros tantos & todos... - A vida abriu-me o livro & era uma Carta de Amor. E nela os ventos trouxeram outras vozes da Constelação do Homem Velho na plenitude estival de quem semeou, plantou e colheu. E o rio dizia: tudo passa, apesar de parecer o mesmo, só parece... E sorria caudaloso pelas nascentes aos mares que há milênios continuavam os mesmos mundafora. E me ensinava o ouvido ao chão de quantas estradas para Guaxu – a Constelação do Veado no nublado outonal e as árvores milenares continuavam o que são no calor da escrita pela viagem sinuosa, quando precipitava a noite e parava no meio do caminho ao fogo com quantas danças de mudanças, a sintonia e a intuição, o sentimento primevo. Já amanhecia e vinha da Constelação da Ema a invernada com o entusiasmo das ventanias que mil vezes voltavam para conhecer de longe os segredos do silêncio espalhado. E a pedra era ouro no coração... E o Sol anunciava ali um novo todos os dias, a Cosmovisão do amor de muitos nomes, a incondicional alegria alquímica do mistério sagrado pelo florido primaveril da Constelação da Anta do Norte. Mundividências múltiplas e mais do que sou aos tantos. E eu que me sentia órfão, língua & coração, não mais... Porque tive que reaprender com a Mãe-Terra o amor dela a mim devotado desde os primórdios. Quão equivocado estava, agora eu sei: O que sou de todas as coisas... E passei a dormir com a essência de gratidão aos antepassados, o afeto dedicado dos guardiões. E sonhei com as hestórias agitadas dos maracás no toré e as minhas mãos com a de todos, o Grande Espírito em festa. O meu olhar além de mim e o plural madurava presente na jornada, a reconhecer-me entre parelhos e diferentes, a ancoragem na ancestralidade anímica e a paz ansiada de longa data. Estava atento e percebia dela a mais profunda ensinança: o amor é o grande trunfo da existência... Somos um só... Até mais ver.

 

Ngũgĩ wa Thiong'o: Nossas vidas são um campo de batalha no qual é travada uma guerra contínua entre as forças que estão comprometidas em confirmar nossa humanidade e aquelas determinadas a desmantelá-la; aquelas que se esforçam para construir um muro protetor ao redor dela e aquelas que desejam derrubá-la; aquelas que buscam moldá-la e aquelas comprometidas em destruí-la; aquelas que visam abrir nossos olhos, para nos fazer ver a luz e olhar para o amanhã... e aquelas que desejam nos embalar para fechar nossos olhos... Veja mais aqui e aqui.

Elfriede Jelinek: Procure e você encontrará as coisas repulsivas que secretamente espera encontrar... Eu não luto contra os homens, mas contra o sistema que é machista... Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Olalla Cociña: acaricie meu sonho nascido do ponto cego, solar.. Veja mais aqui e aqui.

 

A FORÇA DA ESPIRITUALIDADE

Imagem: Acervo ArtLAM.

Ô grande espírito sadio, \ Desperte sabedoria,\ Para que, com autoria,\ Possa versar e aprender,\ E uma luz acender\ No seio da humanidade,\ Com muita simplicidade,\ Sem ego no coração,\ Somente a inspiração,\ Com espiritualidade.\ O Universo tem vida,\ Tem vida no Universo.\ Quando com ele converso,\ Sinto me fortalecida\ Com a mãe agradecida,\ Floresce a diversidade,\ Nos traga felicidade,\ Em todos os movimentos.\ Sejamos conhecimentos\ Com espiritualidade.\ A arte que foi criada,\ Chamado planeta Terra,\ Com alto, baixos e serra,\ Entregue nas nossas mãos,\ Da criança aos anciãos,\ É pra continuidade;\ Desmatar e fazer cidade,\ Furando e queimando a terra,\ Por dinheiro vira guerra,\ Sem espiritualidade.\ Quem ama a mãe natureza\ Não joga lixo no chão,\ Vive com a gratidão,\ Respeita tudo ao redor,\ E da criança ao maior,\ Sabe fazer caridade,\ Escuta a ancestralidade,\ E espalha onde estiver,\ Não define homem, mulher\ A espiritualidade.\ Somos povos diferentes,\ Diferentes rituais,\ Que respeitam os ancestrais,\ Pra luta fortalecer\ E frutos poder nascer\ Em meio à diversidade,\ Ser cultura e liberdade\ Da raiz até a semente\ E ser visto como gente\ Nossa espiritualidade.\ Pai Tupã nos fortaleça\ No caminho e na missão,\ Nos dê sempre inspiração\ Nos momentos de cantar,\ Com ervas poder curar\ Com amor, simplicidade,\ Para que a humanidade,\ Saiba contar sua história,\ Herança seja a memória\ Da espiritualidade.

Poema da escritora, cordelista e contadora de histórias indígenas, Auritha Tabajara, autora de obras como Magistério indígena em verso e prosa (2007), Toda luta e história do povo Tabajara (2008), Coração na aldeia, pés no mundo (2018), A grandeza Tabajara (2019) e A lenda de Jurerê (2020), entre outras obras.

 

O LIVRO BRANCO - [...] De pé nesta fronteira onde a terra e a água se encontram, observando a recorrência aparentemente interminável das ondas (embora esta eternidade seja de fato uma ilusão: a terra um dia desaparecerá, tudo um dia desaparecerá), o fato de que nossas vidas não são mais do que breves instantes é sentido com clareza inequívoca. [...]. Trecho extraído da obra The White Book (Granta Books, 2018), da escritora sul-coreana Han Kang, Prêmio Nobel de Literatura de 2024, que ainda se expressa: Nós faremos vocês perceberem o quão ridículo foi, todos vocês acenando a bandeira nacional e cantando o hino nacional. Nós provaremos a vocês que vocês não são nada além de corpos imundos e fedorentos. Que vocês não são melhores do que as carcaças de animais famintos. Veja mais aqui.

 

ELUCIDANDO A INTERSECCIONALIDADE & AS RAZÕES DO FEMINISMO NEGRO - [...] reconexão da epistemologia e da produção de conhecimento com a localização étnica, sexual e racial daqueles que pensam e que falam [...] Não é simplesmente que a interseccionalidade participa de uma visão colonial do gênero e da raça que postula sua separação e assim impede uma compreensão mais completa da dominação e da discriminação; é também, tão fundamentalmente, que a interseccionalidade, como corolário, nos priva de uma compreensão do significado, alcance e modalidades de resistência contra a opressão experimentada, incluindo o processo de fraturar o locus na dinâmica da luta. [...] O cosmopolitismo que estamos pedindo é antes o de um cosmopolitismo itinerante dotado daquela ‘atitude alegre’ da qual Lugones fala. Propor um feminismo cosmopolita decolonial é, antes de tudo, pensar nas subjetividades como viajantes, não porque tal pensamento tematize a possibilidade de ser um cidadão do mundo, mas porque nos permite conceber a figura do cidadão dos mundos, aqueles que atravessamos e habitamos através das fronteiras. [...]. Trechos extraídos da obra Élucider l’intersectionnalité. Les raisons du féminisme noir (Vrin, 2020), da filósofa tunisiana Soumaya Mestiri, autora de estudos como De l'individu au citoyen: Rawls et le problème de la personne (Éditions de la Maison des sciences de l'homme. 2007), Rawls: justiça e equité (Presses universitárias de France. 2009) e Décoloniser le féminisme: une approche transculturelle (Vrin. 2016).

 

A ARTE DE MARIANNE PERETTI

Eu era muito pequena, devia ter uns oito anos, e olhando ele desenhar minha mãe para um quadro pintado a óleo, logo me interessei. Não fiz belas artes, fiz artes decorativas... Eu quis morar no Brasil porque sou muito pernambucana. Então, realmente tenho laços com Recife. Uma parte pernambucana, uma parte francesa, não sei bem como mistura as duas coisas, mas são as duas coisas... Eu tenho uma mágoa como mulher. Acho que as mulheres são não bem reconhecidas. Ou são reconhecidas, mas não na medida que deveriam ser.

Pensamento da vitralista e artista plástica Marianne Peretti (Marie Anne Antoinette Hélène Peretti – 1927-2022), a mais importante vitralista do Brasil e única mulher a integrar a equipe de artistas da construção de Brasília. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

Tem mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Poemagens & outras versagens aqui.

Diário TTTTT aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


terça-feira, outubro 20, 2020

RIMBAUD, ELFRIEDE JELINEK, ZHANG YIMOU, NENÊ CAVALCANTI & DEMÉTRIO ALBUQUERQUE


 

TRÍPTICO DQC: TERÇA FEIRA, O TRÂMITE DA SOLIDÃO – Toda noite ali na minha visão esquálida de poeta amotinado, vou sozinho cortejando a vida na catarse de Gismonti. Todas as noites tal como o mar que nunca dorme, a perseguir um grande amor, voo todas as noites no cálice da agonia onírica dos casais dançando no menir do navio e seus namorados contornando o dólmen das fadas. E eu vou só a remover do labirinto febril a meio caminho da loucura. Todas as noites ali no meio da lua cheia que é tão fêmea eu vou sozinho e voo. Ah, como é tão imprudente semear o insopitável amor perdido que a esta hora é tão pernicioso e não se pode evitar nem repelir, ah eu vou sozinho e voo. Ah, todas as noites nesta longa noite longa onde é maior a solidão - um cobertor de inefável sonho, vou sozinho e voo. Ah! Quantos sonhos eu vi acabar e valeram iludir por que não sei agora nem de mim nem de nada, muito menos de mésons, de pobres rhesus, não sei nada da cidade perdida de Nko, no meio da selva africana, onde feiticeiros mortos reencarnam no corpo de gorilas amestrados, vou sozinho, pra quê exceder às necessidades coletivas, não sei, não sei nada e vou sozinho qual neurótico homo faber a renunciar da vida e pra que viver se vou sozinho e voo só. Ah! Como eu vivo sonhando no interior das aberrações de Fellini sigo itinerante e só amaldiçoado e só por amor e é por este desejo que passo as noites em claro todas as noites nesta noite e vou só pelo inventário de quem sorri, na vigilância de quem ama, na insônia de amar.

 


O LUGAR DOS SONHOS VOADORES – Imagem: cena do drama histórico-romântico Shi mian mai fu (2004), do cineasta, roteirista e produtor chinês, Zhang Yimou. – Do meu quarto o cenário incerto. Apenas era dia e eu não sabia: o banho da guerreira cega Mei, cobiçada pela paixão de dois soldados na missão de captura a um líder do clã das adagas voadoras. O encanto dela ao lavar-se, eu entretido. Naquele mesmo e instante, uma mão pousou ao meu ombro, virei-me e era a surpreendente presença da atriz Zhang Ziyi. Como podia? Ela sorriu docemente e me disse: Vamos para Cocaigne. Hem? Para onde? Ah, saber de mesmo, só muito mais tarde ao ter às mãos o volume de Jurgen, A Comedy of Justice (1919 - Prabhat Prakashan, 2017), do escritor estadunidense James Branch Cabell (1879-1958): Ilha situada adiante de Sargyll, reino de Anaitis, conhecida como Dama do Lago, suposta filha do sol e parente da lua. Ela viaja muito, demonstrando especial interesse em tirar os ascetas da trilha espiritual que conduz à canonização. Diz a lenda que o tempo adormeceu na ilha na hora mais agradável do dia e na estação mais prazerosa do ano e pode ser visto numa ampulheta de cristal guardada numa pequena câmara azul do palácio. Há somente uma lei nesse reino insular: “Faze o que parece bom para ti”. Nada muda jamais em Cocaigne e a vida é um fluxo interminável de prazeres curiosos. Não há arrependimento. Curiosa circunstância que relevei pela singular companhia. Chegando lá, providenciou que eu fosse logo levado à biblioteca, sabia da minha preferência por livros. A recepcionista explicou: contém registros de tudo o que o homem inventou em relação a prazer, bem como manuscritos raros de Astyanassa, Elephantisis e Satades. Podem-se ver uma coleção de fórmulas dionisíacas e um quadro de posturas eróticas. Dois volumes únicos, A litania do centro das delícias e As trinta-e-duas satisfações, são o orgulho da biblioteca. Dei-me por feliz, livros aos montes, prateleiras cheias, estantes muitas, volumes folheados, do tempo passar e nem me dar conta. Fui surpreendido ao anoitecer, ela reapareceu e me contou sobre o costume do lugar: Os convidados de Cocaigne são levados para uma sala branca com placas de cobre nas paredes. Ali são banhados por quatro moças que lhes fazem carícias estonteantes com suas línguas, unhas, cabelos e mamilos. Depois são untados com quatro óleos diferentes e vestidos, para então degustar as comidas típicas da ilha: ovos, grãos de cevada, pães vermelhos triangulares e romãs, acompanhadas de vinho misturado com mel. Assim foi e me regalei além da conta. À ceia, apenas eu e ela vestida por uma túnica transparente. Jantar concluído, duas serviçais que pareciam nipônicas, de mim se ocuparam para conduzir-me à alcova. Aboletado no leito, retiraram minhas vestes e deram início a um ritual com massagem estranha: uma aos meus pés e, a outra, à cabeça; e trocavam de lugar, deslizando os dedos em minha pele, demorando cada qual em fricções carinhosas no meu sexo logo enrijecido para que, a cada volta, tateassem combinando que uma entre elas tivesse vez à felação, como se competissem em se mostrar a melhor em me proporcionar prazer. Só solfejavam uma música desconhecida, ambas excitadas com a disputa. No auge da rivalidade, eis que ela adentrou levitando, dispensou as serviçais, abriu a túnica que escorreu por seu corpo nu abaixo e se aproximou com um beijo ardente e eterno.

 


VOO ONÍRICO DA INESQUECÍVEL PAIXÃO - - Imagem: a arte da escultora Nenê Cavalcanti (Maria das Neves Cavalcanti Moreira), que já participou de inúmeras exposições com as suas obras originais. – Daqueles olhos, toda ventura; daquela boca, tentação; daquele corpo, o meu refúgio e ela ubíqua, onipresente, presença inconfundível, nenhuma distância regulamentar, precipitado por seu regato, obstinado em sua emanação. Ela, então, no meio da noite, Elfriede Jelinek: O amor aponta a direção. O desejo é seu conselheiro ignorante. Atração descontrolada, aos seus pés, sabia-me vulnerável, rendido ao amor. Rimbaud que dissesse noutras horas: É preciso reinventar o amor, toda a gente sabe. Eu escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens. A vida é uma farsa que toda a gente se vê obrigada a representar. Ali eu que me desinventasse se pudesse e nela a minha própria reconstrução. Se eu tivesse que me safar de alguma coisa, teria que ser impune dos feitiços dela, o que jamais me passou pela cabeça, nem nunca quisesse. Sou-me nela o tanto que sou. Até mais ver.

 

A ARTE DE DEMÉTRIO ALBUQUERQUE

Não basta você só fazer arte, você tem que colocá-la bem, mostrá-la.

A arte do premiado arquiteto, escultor e pintor Demétrio Albuquerque, autor do monumento Tortura Nunca Mais, residiu no Japão para desenvolver a arte da cerâmica Yakimono e possui seu ateliê em Olinda. Veja mais aqui & aqui.

  



quinta-feira, outubro 24, 2019

ELFRIEDE JELINEK, ALEXANDRA DAVID-NÉEL, FERNANDO ROSA & MAMULENGOS DE HERALDO LINS


SE NÃO FOR DE PERNAS PRO AR, ESTÁ DE CABEÇA PARA BAIXO OU TANTO FAZ – UMA: COMO NASCEU O FABO? – Assim: era uma vez uma tribo, a dos Teaca – que significava “mato verde do calango bom”. Isso para lá de mil e não sei quanto, nem sei onde direito. Vivia por aí entre mata e rio, à beira de morros e litoral. Um dia lá, avistou-se um troço que vinha lá longe, entre o céu e o mar. Que droga é nove? Vem boiando no parati. Aboticou: não era só um, mas dois; não, três, na verdade. Aquilo vinha, chegou e desceu um barbudo, catingoso, cara pálida: o peró. Deu com o nativo: Ei! O aborígene caiu morto só com o bafo. Ao segundo bugre que apareceu, deu-lhe a mão: o autóctone sucumbiu sem vida ao mínimo contato. O terceiro selvagem, ah, uma índia nua, fogosa e aos risinhos. Lindeza, pá! Ajeitou-se, tangeu, bandeou e regalou-se; e ela aguentou submissa a catinga e o fungado no cangote. Ui, que negocinho bom! Emprenhou-la enquanto preava. Nasceu o primeiro Fabo: o mameluco. O curumim crescia entre ouitê e cunhatãs, ê – ê, e o estranho aos desmandos no cangote da indiada esmarrida e dizimada. Tempo passava, o giracá da infância tornou-se um jovem uidadera que encarou o invasor caraiué: Ovuei! O peró nem aí, fazia que não era com ele. Pai! Ô pai! Ah, bastardo, você não é porque meus filhos estão na metrópole! E deu-lhe as costas. E ele insistiu: Pai, o que faço? Curiboca, desgraçado, mate o índio! E com fúria, o Fabo dizimou a todos. Serviço feito, encarou: Pai, matei o índio! Não sou seu pai, já disse, e vá se foder para lá. Mas pai! Rejeitado, procurou parentes e sobreviventes: todos mortos do seu sangue. Vagou sozinho mata adentro, até encontrar outro mestiço, depois outro e uma outra, com ela e outros construíram a civilização alagoinhandubense. DUAS: E AS FABAS? O PAPO DELAS UM SÉCULO DEPOIS – Mulher, eu não te conto! O que foi? Lembra daquela fulana assim assado cruz credo lalari larará, que a gente viu na grota naquele dia da festa? Ah, sim, lembro. Num te conto! Conta logo, vai! Ela viu passarinho verde! Meeeesmo! Verdíssimo! E quem é o varapau bengaludo? Ah, praquela tem que ser disso pra lá! É sim, mas quem é o tal? Não vi, não sei, só me disseram. E deu certo? Ah, me contaram que ela está pra cima e pra baixo com epifá e simpatias para segurar o macho! Ih! Também um trubufu daqueles, quer o quê? Seja quem for, certo ou não, desencalhou. Que coisa, né? Sortuda, a bicha. É. Eu, hem? TRÊS: A FARRA DOS FABOS – O DISPARATE DA MUNDIÇADA: Todos nós somos Fabos, táoquei, porra! E não tem essa só de Papo de Fabo! A gente é quem faz e manda, caga raio e deixa como está e bem quiser, coisominion e chega de blábláblá! Não tem rem-rem-rem, rá-rá-rá nem como é que é! Esse bregueço de filho de Caim é a mãe, porra! Afinal, água ruim, peixe pior! A canalhada dos contra é que vão se ver, com a gente é naquela do que é meu é meu, o que é teu é teu, Deus por cima e o resto por fora! E que se dane! O que é, é; o que não é, nunca será. E com a gente é: Tudo certo, Fabo! E viva o Fecamepa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A paixão pelas viagens, o tipo de obrigação religiosa que elas constituem para mim me levariam a aproveitar a menor oportunidade de aventura exótica. [...] Quantas viagens fiz através de mundos diferentes! E apesar disso, como sou parisiense, pensei sorrindo... Um sorriso consternado, mais triste do que um soluço... [...] Será que existe algo mais fascinante do que duas vias férreas que se estendem até o horizonte! que uma estrada que vai, que vai... [...] São meus sonhos de menininha selvagem que vivo hoje... todas as belas imagens dos livros de Jules Verne. [...]. Trechos extraídos da obra A lâmpada da sabedoria (Rocher, 2006), da escritora e exploradora francesa Alexandra David-Néel (1868-1969). Veja mais aqui.

O MAMULENGO DE HERALDO LINS
Eu queria muito trabalhar com teatro. Tentei fazer teatro de palco com gente, mas é complicado demais. As pessoas nem sempre tem o compromisso, a responsabilidade com o teatro e com a plateia. Me frustrei com o teatro de palco por isso. Desfiz a sociedade com o meu amigo porque ele chegava bêbado para trabalhar, esquecia o texto, sua voz ficava prejudicada por causa da bebida. Isso comprometia a qualidade do show e eu queria fazer um teatro de mamulengos profissional, queria sair do amadorismo. Quando eu comecei a trabalhar com os bonecos percebi que eles me obedeciam, eu tinha o controle da situação. Eu podia ser o diretor de um teatro cujos atores são bonecos que eu posso manipular. A qualidade do espetáculo depende de mim, o compromisso com a plateia, o cumprimento de horários e contratos também são de minha responsabilidade. Trabalhando sozinho na apresentação fiquei livre do estresse de ter que contar com o outro, que nem sempre corresponde ao que eu espero dele, entende? [...] Quando comecei com o teatro de bonecos, o show tinha uma duração de uma hora e vinte minutos. [...] Dois anos depois, já com o afastamento do teatro, refiz os bonecos e até hoje permaneço fazendo shows. [...].
MAMULENGO DE HERALDO LINS – Trechos extraídos da obra Show de Mamulengos de Heraldo Lins: construções e transformações de um espetáculo na cultura popular (EdUFRN, 2014), da professora e antropóloga Zildalte Ramos de Macêdo, sobre a arte do mamulengueiro Heraldo Lins. Veja mais aqui.

A ARTE DE FERNANDO ROSA
A arte do artista visual e fotógrafo Fernando Rosa. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
As regras da arte não existem, porque o que faz da arte arte é o fato de ela não obedecer a nenhuma regra.
A obra da novelista e autora de peças teatrais austríaca e Prêmio Nobel de Literatura de 2004, Elfriede Jelinek. 
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sexta-feira, dezembro 23, 2016

BJÖRK, ELFRIEDE JELINEK, MICHAEL HANEKE & ISABELLE HUPPERT, ODAWA SAGAMI, MARCIA PORTO & SOBREVIVENTE


SOBREVIVENTE DE DEZEMBRO A DEZEMBRO – (Imagem: desenho de um sobrevivente da bomba atômica, Odawa Sagami – Hiroshima Peace Memorial Museum ) Sobrevivente sou desde a contagem regressiva da virada do ano passado, e olhe que a coisa vem aos solavancos e na maior banguela ladeira abaixo, eu no meio, pedindo arrego acenando pra ver se alguém me enxerga no meio do afogamento todo desse alagamento que quase não tem mais fim e engolindo todo mundo! Ave, teietei! Foi. O ano engatou a primeira e, ao debrear, passou logo pra quinta da sexta marcha, coisa mais parecendo do tipo velocidade da luz num turbilhão sem fim que, quando dei fé, era dezembro! Menina! Vixe! Pois é, é como se o Brasil batesse o pé pra ser levado a sério e, por causa disso, Papai Noel tivesse caído nas suspeitas da Lava Jato por indícios de que estava carregando no saco dinheirama traficada dos subornos da Petrobrás, sendo procurado coercitivamente pelos quatro cantos do mundo pela Polícia Federal e responsabilizado pelo azedume que ficou a economia pros empresários infelizes por não terem salvado o seu natal e que, por consequência nefasta disso, o time lá de nem sei quem dos fulanos dos colhões inchados caiu pra segunda divisão e levou junto uma tuia de deputado e senador pra bancarrota o que periga tirar de circulação um bocado de bloco que é capaz de nem sair no carnaval do ano que vem, aumento de meio mundo de coisa por carestia nos bolsos deles e num efeito em cadeia que vai pegar a gente desprevenido só pra risadagens deles. Coisa de louco no maior breu! Pelo jeito está tudo enganchado com o aumento das passagens e o calote da previdência no golpe que vai de vento em popa e a gente pagando o pato pela bilionésima vez e não se aprende e vota tudo de novo de eleição em corrupção avolumando o desespero de quem acha que não tem nada a ver com isso e está com o rabo preso até o último pentelho do cu. Valha-me quem quer que seja que esteja de plantão! Vá lá que seja qualquer segundo do terceiro escalão que o Brasil só volta a funcionar de mesmo só depois do carnaval. Eu mesmo só não bati as botas de vez, porque fui contemplado com a magia dos encantos de Freyaravi, o amor aquecendo o coração no verão de dezembro a dezembro, ulalá. Não fosse o feitiço dela, larali laralá, eu já tinha emborcado na primeira esquina dos vexames, porque o Brasil só está servindo mesmo pra matar a gente do coração ou de qualquer outro susto. Sobrevivente eu vou & vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui. 

 Curtindo o álbum Vespertine (Universal Music, 2001), da cantora e compositora islandesa Björk. Veja mais aqui, aqui e aqui.

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Crônica natalina, John Keats, Lampedusa, Gregório de Matos Guerra, Betinho, Chet Baker, Paulo Cesar Sandler, Franco Zeffirelli, Willy Kessels, Hans Makart & Teatro Renascentista aqui.

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DESTAQUE: LA PIANISTE 
O premiado fil7me La pianiste (A professora de piano, 2001), escrito e dirigido por Michael Haneke, baseado no romance Die Klavierspielerin, da escritora e dramaturga austríaca Elfriede Jelinek, conta a história de uma solitária e fria professora de piano, reprimida sexualmente e é flertada por um de seus alunos e, depois de costumeiras idas a uma loja pornográfica, resolve aceitar o jogo sadomosoquista com o aluno. O destaque do filme fica por conta da atuação da premiada atriz francesa Isabelle Huppert.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Arte da série Ophelia II, da artista plástica Márcia Porto.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

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