sexta-feira, junho 22, 2007

QUANDO O ESTREITAMENTO DO COMPADRIO ESTÁ ACIMA DA LEI, AÍ, MEU, AS PANELINHAS MANDAM VER E SÓ OS PRIVILEGIADOS SE BANQUETEIAM



QUANDO O ESTREITAMENTO DO COMPADRIO ESTÁ ACIMA DA LEI, AÍ, MEU, AS PANELINHAS MANDAM VER E SÓ OS PRIVILEGIADOS SE BANQUETEIAM



"O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularizadas, de que a família é o melhor exemplo. Não existe, entre o circulo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição"
(Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil).



Gentamiga, começo esta com uma risada estrondosa! Hahahahahahahahahahaha! 

Verdade. Tem coisa que só dá vontade mesmo de soltar umas gargalhadas das boas porque não seria outra a sensação resultante. Quando eu vejo um Fabo, sei logo: o homem é uma hiena mais desastrada, ri de sua própria desgraça. É mesmo. E é o mesmo o que dizem outros mais furiosos: quanto mais conheço o homem, mais admiro meu cachorro. Pode? Pois é. Vamos nessa.

De Fabo em Fabo se desconstrói um país. O Brasil como sempre digo, repito e reitero, é uma construção nova que desmorona arrebentando tudo e já vira museu antes mesmo de virar a novidade desejada. Tudo que chega agora já vem com gostinho de anteontem. Nem bem nasceu, ou não mais cai ao gosto do paladar ou já chegou passada da hora.


Pois é, hoje fica quase difícil distinguir um Fabo dum brasileiro. Os dois estão quase figadal e animicamente já encruados um no outro que, mesmo quem não tem nenhuma mínima vocação para Fabo, de uma hora para outra, diante de certas circunstâncias surgidas do inopinado, comete a asneira e entra no rol do aloprado. Isso mesmo. Isso por causa da cordialidade visceralmente entranhada e indisfarçavelmente duvidosa em ambos. Tanto é que o grande Sérgio Buarque de Holanda deu uma dentro e acertou em cheio quando uso a expressão do escritor Ribeiro Couto: "Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira será de cordialidade - daremos ao mundo o homem cordial. A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um trato definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece ativa e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano, informados no meio rural e patriarcal". E foi dentro mesmo quando explica que essa cordialidade não representa apenas boas maneiras, bondades, civilidade. Nada disso. A discórdia e a inimizade também e muito mais coisas cabem nela do que possa perceber nossa despojada compreensão. Melhor dizendo, está em uma de suas mais importantes obras que: "No homem cordial, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz o individuo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que no brasileiro - como bom americano - tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros". E é isso mesmo. Senão vejamos.
O brasileiro é cordial por excelência. O Fabo também. Nisso se inclui, por exemplo, que ele não resolve nada. Brasileiro não quer problema de jeito nenhum e só vive empepinado como a porra. Reza todo dia para os problemas vão para o vizinho, nunca pra ele. Mas não consegue viver um fiapo de instante sem pisar na bola.


Outra virtude fabal do brasileiro é deixar tudo para um bom tempo, depois, ou melhor, para a última hora. Só resolve na marra e quando mandam. Aí é implacável, inexorável. No comum, é driblando e escapando das broncas.


Quando não tem jeito de fazer, manda que outro faça e aí começa a corda-de-guaiamum. Na última hora finda pagando para que os outros façam o que é de sua responsabilidade. Deu bode, mas resolveu. Ufa!


Também tem outra: arruma um jeitinho para tudo. Na hora agá, molha a mão do guarda, do fiscal, ou de quem aparecer. Fila? Tá doido, é? Adora ser o privilegiado da vez e, para isso, faz de tudo para ser diferenciado dos demais, mesmo que isso lhe dê o maior arrocho de nó pelas costas na maior saia-justa, ou uma iminência da porra daquelas mais periclitantes impossíveis, ou mesmo uma urucubaca ineivada daquelas de deixar o cara liso com a mão no bolso. Isso é porque quer ser o primeiro em tudo, mesmo que não mexa uma palha sequer para se preparar nisso. De preferência já quer ser um Ayrton Senna mesmo que nem saiba dirigir direito. Esta é porque é empreendedor por natureza. Odeia receber ordens, cumprir as leis e fazer o que manda o riscado. De preferência é rebelde: prefere entortar que fazer o certo; prefere ultrapassar as etapas antes de concluir a primeira; e dá toque de arrodeio em tudo mesmo que finde em palpos de aranha. A coisa mais se estreita na amizade. Quando se afinam os gostos, difícil identificar o que é dele do que é do amigo. O estreitamento chega ao compadrio e em nome dele se arrepia a lei, remove montanhas e privatiza o público, misturando afeto, arrumadinho e interesses. E, com isso, vão surgindo as panelinhas que, valha-me toda iconoclastia exacerbada dos meus pandemônios, vão se avolumando na acumulação particular deles, a ponto de se acharem os privilegiados de sempre.

Quando eles caem no opróbrio, é um desastre. Mas basta alguns tiquinhos de anos para ganharem do esquecimento a simpatia tanto da corriola que se debandou na hora do pipoco, como de toda populaça. É que no calor do incêndio, todo brasileiro arreia a lenha e condena. Passou o tempo, a compaixão e o perdão imperam. Aí meu, dá o de sempre: ninguém mais sabe o que é familiar e o que é do Estado. E mesmo com a gritaria dos nepotismos, arruma jeito pra tudo aparecendo fantasmas, terceirizando recepções e lá vai teibei. Aí só os apaniguados se banqueteiam e o resto só o farelo amiudado para assanhar a fome no buraco do dente.


Como é que é, hem? Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!! (Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui.




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FECAMEPA - Olá, pessoamiga, o Brasil, depois de todos os acontecimentos ocorridos desde 1500, deve ou não ser levado a sério? Antes, porém, para que você possa melhor avaliar, veja o texto FECAMEPA: QUANDO O BRASIL DÁ UMA DEMONSTRAÇÃO DE QUE DEVE SER MESMO LEVADO A SÉRIO PELO MUNDO! Confira aqui. e também os clips TATARITARITATÁ aqui
  
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2. Não, isso aqui não tem mais jeito!
3. Não sei, o problema não é meu.
4. Ah, vai te catar!!



CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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