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domingo, outubro 12, 2025

ELIZABETH LOFTUS, CATHERINE JOHNSON, IONE SKYE, POEMA & AGENTE SECRETO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Viva a vida ao máximo e nunca hesite em perseguir seus sonhos. Realmente vale a pena... Cada dia é um presente, não se esqueça! Agora vamos desligar nossos celulares e aproveitar... Façam coisas incríveis como sempre fizeram. Aproveitem ao máximo. A dor é um poder incrível, não deixe que ela te derrube, use-a...

Pensamento ao som de A song of death, a song of pain (2022), Through Your Eyes (2018) e Unprecedented (2016), da violinista, vocalista e soprano mexicana Marcela Bovio (Marcela Alejandra Bovio García), integrante das bandas Stream of Passion e Elfonia. Veja mais aqui.

 

Banquete suntuoso de gororoba xucra inaugurando Fecamepa... – Toctoc! Quem é? Não ouvi ô de casa, nem disse ô de fora! Quem será que era? Fui ver e de cara: era peró como a praga, alvoroçados com estardalhaço de gansos do Capitólio romano. Pra eles era uma festa portuguesa, com certeza: o Vira vira-homem, vira-bicho e arrebita! Pois, pois! Pois, não! Aí entrou o Galo de Barcelos no Fado, com o Bacalhau à Brás e Pastel de Nata, um fandango trazendo caldo verde, a chula na sardinha assada, o corridinho com o cozido e a Francesinha no Cante alentejano. Tudo só pra eles. E engrossou a presepada, no meio da festança: eu te benzo! Eu te curo! E amanhã estaríamos todos duros aos pés da cruz no altar católico, pagando o pato de infratores de todos os pecados. Como diziam: aqui disso não havia e a Cascais, uma vez e nunca mais! Oxe! Toctoc! De novo? Oh, viva terra de Espanha! E a galegada da União Ibérica invadiu com Flamenco e castanholas; touradas de Madri com Jota a sair de tapas, gaspachos e Pasodoble, churros e Muiñeira galega, Jámon Serrano e Fabada asturiana, catalãos e bascos, tudo se arranchando no maior espalhafato. Só deles. Maior irrupção esborrando o pandemônio nas alicantinas da gandaia. Toctoc! Outra vez? E era: Viva a França! Era a catinga perfumada com a expansão manufatureira calvinista arrombando Tordesilhas, todos à La Page, o barrete frígio e muitos presentes de Paris e dos huguenotes! E os salves à Antártica na Baía de Guanabara, à Equinocial no Maranhão! E gritavam: Liberté! Égalité! Fraternité! E lá foi Cancã e Boeuf Bourguignon com La Marseillaise, carneiros de Panúrgio, Le Coq & Marianne, Bransle e Ratatouille com Manouche, Quadrilha e Cassoulet com Chanson Française, Escargots de Bourgogne, croissant & baguete, Crème Brûlée e Macaron. E se deram por convivas e nem foram convidados. Sobrou balbúrdia e o malho na bigorna! Tudo pra eles. Toctoc! Agora danou-se tudo! Quem será dessa vez! E era: Ó linda Nova Holanda! E o que foi de batavo nassoviano com presentes luteranos de Armsterdã e o boi voando, ah, passou da conta! Aí entornou o caldo e logo apareceu um Leão com tulipas, moinhos de ventos andantes, todos com os dentes de fora e à tripa forra no Hakken com Levenslied e gado Holstein, Boeren Ploeg com o Stamppot, Almelose Kermis nos tamancos com Stroopwafel, Horlepiep e Rozenwals com Kibbeling e Haring, tudo no maior fuzuê! Quanta coisa estranha, Deus meu! Teve até quem emplacasse: Sou Flamengo e a nega Tereza, no maior embalo! E se fartaram do açúcar adoçando o sangue escravo e arrastaram pau-brasil pra desancar nossos nativos, E foram do ovo às maçãs porque um abismo chamava outro, um absurdo respondia a outro. Fizeram a maior farra e nem eram meus comensais. Transbordou escarcéu! Tô entendendo nada, que negócio é esse? Quem era o anfitrião? Lá estava eu no meio de quatro fogos e queriam que entregasse o pescoço à canga, enquanto se tratavam entre apertos de mãos, tapinha nas costas e o meu destino ao Deus dará. Dançaram minha dança, tomaram meu roçado e me deram lã de aço, espelhinhos & brebotes. Pra quê? Das zis utilidades nenhuma era a necessidade minha. Do lado de fora gente estranha escura acorrentada! Não era enfeite nem plateia, era claque mais chué! A casa era minha, hoje não mais. Até o nome que eu tinha, não sobrou nem o de pai. O que eu falava se apagou, me puseram outra língua porque queriam: sim, senhor! Essa é boa! Sai-te! Desde então escorreguei à mingua, de nem mesmo sequer saber mais quem sou. Tanta água desmanchou meu pirão, meu leirão e tudo ao meu redor. E agora, o que a gente faz? Botamos tudo pra correr e a doença ficou: quem era daqui viu nascer outrem e entre eles preferiam os das bandas dos enxotados. Como é que pode? E teve até quem empunhasse bandeira estrangeira por golpes para nos exilar, muitas e tantas vezes! O que é que há? Era o Fecamepa com um monstrengo carnaval só folia e pacutia demais para aprumar! Até mais ver.

 

Chiquinha Gonzaga: Ó abre alas que eu quero passar! Eu sou da Lira, não posso negar!... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Fernanda Montenegro: A palavra não é apenas um conjunto de sinais gráficos. Nela há sangue, suor e lágrimas... Tenho um otimismo realista, porque a condição humana é falha. Todos nós somos atores nesse palco que é o mundo... O teatro e a educação devem caminhar juntos; educar não é só ensinar a ler e escrever, é ensinar a pensar e sentir mundo de outras formas... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Elfriede Jelinek: Enquanto os homens forem capazes de aumentar seu valor sexual por meio do trabalho, da fama ou da riqueza, enquanto as mulheres só forem poderosas por meio do corpo, da beleza e da juventude, nada mudará... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A GRANDE CONJUNÇÃO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Você ainda não consegue vê-lo – tão pequeno \ poderia ser um quimioton – \ mas afirma ter esperança, afirma \ para saber coisas que você não sabe, \ se você pudesse encontrá-lo apenas \ talvez esta viagem de acampamento valeu a pena depois de tudo \ mesmo a tenda não bem ancorada — \ uma estaca desaparecida \ depois de tantos anos no porão — \ até o seu telescópio desatualizado \ mais pesado do que precisa ser – \ mas você aponta para as estrelas esperando \ para ver a primeira conjunção \ de Saturno e Júpiter em oitocentos \ anos como se para fingir \ você ainda não está em quarentena \ se você puder ver alguma coisa \ que não depende de nada \ você pode fazer mas simplesmente \ é em si, maravilhoso e constante, \ se estás aqui ou não. Por fim, \ aparece – e você acha que pode até \ Veja as quatro luas ao redor de Júpiter \ anéis. Você se parabeniza – \ você é Galileu! E mais tarde, quando você encontrar \ a estaca desonesta alojada por baixo \ uma caixa de discos de vinil que você se pergunta \ se se imagina como uma agulha \ sobre uma terra plana \ jogando tudo de uma vez.

Poema da escritora, roteirista e dramaturga britânica Catherine Johnson.

 

NUNCA CONTENTAR... - Nunca se contente com nada menos que extraordinário, senão a vida será uma droga. ... Pode ser uma droga de qualquer jeito, mas é melhor ser uma droga com integridade, certo?... Pensamento da atriz, escritora e pintora britânica Ione Skye, autora de obras como Say Everything: A Memoir (Gallery, 2025) e My Yiddish Vacation (Henry Holt and Co, 2014). Veja mais aqui.

 

MUNDO DA MEMÓRIA - Muitas pessoas acreditam que a memória funciona como um dispositivo de gravação. Você apenas grava as informações, depois as acessa e as reproduz quando quiser responder a perguntas ou identificar imagens. Mas décadas de trabalho em psicologia mostraram que isso simplesmente não é verdade. Nossas memórias são construtivas. Elas são reconstrutivas. A memória funciona um pouco mais como uma página da Wikipédia: você pode entrar lá e alterá-la, mas outras pessoas também podem... Pensamento da psicóloga estadunidense Elizabeth Loftus, autora de obras como The Myth of Repressed Memory: False Memories and Allegations of Sexual Abuse (1994), Witness for the Defense: The Accused, the Eyewitness, and the Expert Who Puts Memory on Trial (1991) e Human Memory: The Processing of Information (1976). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

O AGENTE SECRETO

O filme O agente secreto (2025), dirigido pelo diretor, produtor, roteirista e crítico de cinema Kleber Mendonça Filho, conta a história de um professor de tecnologia que decide fugir de seu passado violento e misterioso, se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida. Ele chega na capital pernambucana em plena semana do Carnaval e percebe que atraiu para si todo o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, ele começa a ser espionado pelos vizinhos e, inesperadamente, a cidade que ele acreditou que o acolheria ficou longe de ser o seu refúgio. O cineasta é também autor de filmes como Vinil Verde (2004), Eletrodoméstica (2005), Noite de sexta, manhã de sábado (2006), Recife Frio (2009) e Bacurau (2019). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

&

OS SEGREDOS DO POEMA

O livro Os segredos do poema: uma maneira prática de entender a construção do texto poético (CriaArt, 2025), do poeta, professor e revisor Admmauro Gommes, trata sobre a distinção entre poesia e poema, a imaginação e a técnica, as figuras de linguagem, silabas poéticas e gramaticais, o tradicional e o contemporâneo, entre outros temas. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

 


domingo, agosto 09, 2015

PIAGET, ANDREYEV, CLAUDEL, FERNANDA, FAFÁ, CESARINY, BRINCARTE DO NITOLINO, MEIMEI CORRÊA & DOMINGO ROMÂNTICO!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – Sou péssimo com datas, meu calendário é a maior loucura! Confundo datas com muita facilidade e, por causa disso, já paguei mico, passei batido, pisei na bola, passei em branco por muita coisa, a ponto de ser tratado por indiferente ou metido a besta. Não, confesso, sou mesmo é atrapalhado com datas. Contudo, por volta de 2010 ou 2011, por aí, conheci o Programa Domingo Romântico, apresentado, à época, pela querida Meimei Corrêa, na Rádio Cidade FM, de Campos Gerais, nas Minas Gerais. Foi uma surpresa conhecê-lo, porque na hora exata que sintonizei a emissora online, estava tocando uma música minha, em parceria com Mazinho – Jucimar Luiz de Mélo Siqueira: Entrega. Uma surpresa pra lá de agradabilíssima. Passei, então, a sintonizar todo domingo até que constatei tratar-se uma especial programação, a ponto de chegar a escrever: Um espaço de democratização musical tem se tornado referência em todo país. Diferentemente da programação das emissoras comerciais e até de redes públicas de radiodifusão, o programa tem se destacado por veicular tanto clássicos da música brasileira e sucessos internacionais, como tem promovido novos e novíssimos nomes da música atual de todas as regiões do país. Meritório o apoio da radialista que comanda o programa aos membros do Clube Caiubi de Compositores, como também dos valores emergentes de Minas Gerais e de todo o território brasileiro. Além disso, há espaço para poetas e escritores das mais diversas tendências literárias, todos contemplados pela voz e interpretação da locutora. Assim, a iniciativa congrega a melhor e a mais nova música do Brasil e do exterior, abrindo espaço para que a poesia esteja numa mesma veiculação. Louvável iniciativa de uma radialista que se encontra realizando seu trabalho numa emissora do interior mineiro, mais precisamente na cidade Campos Gerais. Aí, um ano depois, na mesma pisada, me vi dando pontapé inicial numa parceria que dura até hoje – diga-se de passagem: e que parceria! Uma parceria que me levou a rabiscar essas simples palavras: Às dez da manhã de domingo, ela vai toda de sol: altaneira com a voz da alma. Tricordiana, dá seu coração de mãe para agasalhar solidariamente todas as lágrimas preteridas pela justiça. Empunha a garra da mulher para lutar pela dignidade de todo ser humano. E profissionalmente indefectível se expõe verdadeira com aquilo há muito esquecido por todos: a ética, a cidadania e a resiliência. Ainda bem que ela vem Três Corações para iluminar os Campos Gerais. Entretanto, é exatamente às dez da manhã de domingo que ela é Meimei sorrindo acima de todas as coisas. Nesse instante ela faz todas as horas do dia de labuta incansável em um só momento de catarse, prazer e reflexão. E dela se ouve as canções que alentam as almas, os versos que inflamam a vontade de um mundo melhor, as palavras que soam para apaziguar os infelizes e incendiar os desejosos de vida. E o que se faz pelas dez da manhã de domingo vira pras onze de segunda provando que a vida prossegue nas doze horas da terça quando todos merecem um prato de comida pra resistir nas treze horas da quarta, porque é preciso ter o direito de viver e deixar viver pelas quatorze horas da quinta que mergulha na sexta para anunciar o final de semana que o sábado vai festejar prum novo domingo. E quando o coração de Meimei é domingo, não é só um dia, nem só um momento: é a introspecção extrospectiva de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos e séculos de risos e choros de todas as pessoas do mundo num só coração. Isso é Meimei Correa. Quando assim me expressei, ela já tinha anos de estrada com esse programa. E agora ela comemora 11 anos de resistência e paixão pela iniciativa de todo domingo estar a postos para veicular músicas, recitar poemas e, sobretudo, levar entretenimento com seu coração apaixonado de vida. Da minha parte, o prazer é redobrado: não só comemorar os 11 anos do programa Domingo Romântico, mas de saudar efusivamente a altaneira expressão de uma mulher que se tornou a voz do domingo e do meu coração! E vamos aprumar a conversa na festa vendo mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


Imagem: a arte do pintor, antologista, historiador e poeta do Surrealismo português Mário Cesariny (1923-2006)


Curtindo o álbum Fafá, frevo e folia – Coração Pernambucano (Independente, 2013), da cantora e atriz Fafá de Belém.

BRINCARTE DO NITOLINO – Neste domingo, a partir das 10hs, realizamos mais uma edição do programa Brincarte do Nitolino Especial de Dia dos Pais, no blog MCLAM do programa Domingo Romântico. Na programação comandada pela Ísis Corrêa Naves muitas atrações: Nitolino, Paulo Zola & Francis Monteiro, Meimei Corrêa, Juquinha My Bonnie, Evelyn Queiroz & Rachel Lucena, Livia Luminato, Batráquios do Brejinho, Sabiá lá na gaiola, Juquinha Linguinha, Trombinha Branca, Pirulito que late late, Nita, Danyel Pessoa, Lobisomem Zonzo, Salada de frutas, Cara do Brasil & muito mais músicas, poesias, brincadeiras e histórias para a garotada. No blog, sempre novidades a respeito de educação, psicologia, direito das crianças e adolescentes, teatro, literatura e músicas voltadas ao universo infanto-juvenil. Para conferir, ligue o som e acesse aqui ou aqui.

SABEDORIA E ILUSÕES DA FILOSOFIA – O livro Sabedoria e ilusões da filosofia (Difusão Européia do Livro, 1969), do biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), trata da abordagem interdisciplinar da sua investigação epistemológica, realizada com base na sua teoria do conhecimento denominada de epistemologia genética – genêse psicológica do pensamento humano, e a partir de sua própria trajetória intelectual, discutindo as relações entre a ciência e a filosofia, com o objetivo de demolir o falso ideal de um conhecimento supracientífico e combatendo as ambições da psicologia filosófica, notadamente a psicologia bergsoniana e fenomenológica. Da obra destaco trechos do Capítulo I – Narração e análise de uma desconversão: Parece fora de dúvida que a filosofia teve por mira, constantemente, um duplo alvo cujos diferentes sistemas procuraram de diferentes maneiras a unificação mais ou menos completa: um alvo de conhecimento e outro de coordenação dos valores. Uma primeira maneira é pré-crítica: a filosofia atinge um conhecimento integral e coordena assim diretamente os valores morais, etc., aos conhecimentos particulares ou científicos. Uma segunda maneira caracteriza a crítica kantiana: o conhecimento filosófico propriamente consiste, por uma parte, em determinar os limites de todo conhecimento e por outra parte em fornecer uma teoria do conhecimento científico, o estabelecimento de tais limites deixando o campo livre à coordenação dos valores. Um terceiro grupo de soluções (sem procurar, no momento, ser exaustivo) apresenta duas tendências: de um lado, uma dissociação de certos ramos da filosofia promovidos à categoria de disciplinas autônomas (a psicologia, a sociologia, a lógica, e cada vez mais a epistemologia tornando-se interna às ciências); do outro, uma coordenação dos valores fundada em uma reflexão organizadora que procede (e aí são inúmeras as variedades) pelo exame crítico da ciência e pela pesquisa de um modo específico de conhecimento, seja imanente a essa crítica, seja resolutamente situado à margem ou acima do conhecimento científico. [...] Eu tinha chegado a duas ideias, centrais segundo meu ponto de vista, que aliás nunca mais abandonei depois. A primeira é que, todo organismo possuindo uma estrutura permanente, que se pode modificar sob as influências do meio mas não se destrói jamais enquanto estrutura de conjunto, todo conhecimento é sempre assimilação de um dado exterior a estruturas do sujeito (em oposição a Le Dantec que, fazendo inteiramente da assimilação biológica no amplo sentido o pivô da sua doutrina, via no conhecimento uma ―imitação orgânica dos objetos). A segunda é que os fatores normativos do pensamento correspondem biologicamente a uma necessidade de equilíbrio por autorregulação: assim a lógica poderia corresponder no sujeito a um processo de equilibração [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

A MENTIRA: MEMÓRIAS DE UM LOUCO – No livro Le Mensonge (Phébus, 1994), do escritor russo Leonid Andreyev (1871-1919), estão reunidas oito narrativas enraixadas na realidade social da Rússica no início do séc. XX, com a temática da mentira pela incapacidade de comunicação entre os homens. Da obra destaco A Mentira (Memórias de um Louco), da qual trago o techo a seguir: [...] V - Um dia, isso já faz tanto tempo, vi, numa jaula de feras, uma pantera negra, que não se assemelhava em nada com as demais, que dormitavam vagamente ou lançavam olhares ferozes sobre os espectadores. Ela caminhava de um canto a outro da jaula, seguindo, com matemática exatidão, uma linha invariável e virando, a cada vez, à mesma barra, a sua coxa negra, que possuía estranhos reflexos dourados. Com o focinho subtil abaixado, olhava direito diante de si, sem voltar-se nunca. Desde manhã até à noite, a multidão ali se apinhava, resmungava, gritava, diante da jaula; alguns espectadores sorriam, mas a maior parte olhava séria, quase triste, aquela viva imagem de um infinito desespero. E mais de um, depois de se afastar, atirava, involuntariamente, um último olhar à pantera, como que sentindo algo de comum entre o seu próprio destino e o do infeliz bicho prisioneiro. Quando, mais tarde, os homens e os livros me falavam do eterno, recordava-me sempre da pantera e experimentava a impressão de já conhecer a eternidade, com todo o seu séquito de dores. Agora, em minha jaula de pedra, eu também me tornei igual àquela fera. Caminho e penso. Caminho através da cela, de um canto a outro, seguindo uma única direção. Uma única linha também seguem os meus pensamentos, que eram tão pesados que me parecia carregar sobre os ombros não só a cabeça mas também o mundo. E todos eles consistem numa só palavra, grande, dolorosa, perversa. Essa palavra é: – Mentira! Novamente ela ricocheteia silvando por todos os cantos e esvoaça em redor da minha alma. Mas deixou de ser uma pequena víbora, para assumir o aspecto de um enorme dragão, que, com os seus dentes de aço, me dilacera. E quando escancaro a boca para gritar de dor, uma única e idêntica palavra me sai da garganta, sempre: "Mentira!" Essa abominável palavra, continuadamente, murmurando-me aos ouvidos, acaba por exasperar-me. Batendo os pés, grito: – A mentira não existe mais! Matei-a! E tapo os ouvidos para não ouvir a resposta que me poderiam dar todos os cantos da cela. Mas ela, a pouco e pouco, insinua-se igualmente: – Mentira! Como vêem, eu estava inteiramente errado! Matei a mulher, sem antes, por meio de rogos, astúcia, ou fogo, lhe haver arrancado a verdade. E assim vou pensando, caminhando de um canto a outro da cela. Como tudo é negro, lá em baixo, para onde ela levou consigo a mentira e a verdade! Mas não importa, irei para lá da mesma forma. Irei ter com ela onde estiver, ainda mesmo no mais negro antro de Satã. Ajoelhar-me-ei a seus pés e dir-lhe-ei, em prantos: – Revela-me a verdade! Mas, meu Deus! Também isto é uma mentira! Lá em baixo existem apenas trevas e vácuo. Ela já não mais lá se encontra e nem tampouco em outro lugar. Somente a mentira vive; a mentira é imortal, é imortal: sinto-a no mais insignificante átomo de ar que respiro. Ela, a cada sopro, penetra-me, penetra-me no peito, e tortura-o, tortura-o! Oh, que loucura para um homem procurar a verdade! Que sofrimento atroz! Socorro! Tenham compaixão de mim! Socorro! Veja mais aqui.


A CABEÇA VISTA DA DIRETA E DA ESQUERDA – No livro Artes poétiques (Ernesth Torin, 1874), do poeta francês Paul Claudel (1868-1955), destaco dois poemas traduzidos por Carlos Drummond de Andrade. O primeiro deles, A cabeça vista da direita: De todo o corpo crucificado só a cabeça permanece flexível. / Os espinhos com que se teve o cuidado de cercá-lo tornam-lhe qualquer apoio impossível. / Durante três horas ela reinou e rezou, durante três horas contemplamos a face divina. / É natural que tombe por fim, pois que sua força se inclina. / Eis chegado o momento por nós pacientemente esperado: / Podemos encarar o Cristo, que não nos vê, seu olhar imobilizado. / Ei-lo no alto da cruz, tal como capitulou, tal como será. / Por mais que façamos dagora em diante, sabemos que não mudará. / Já não ergue a cabeça, permanece na transfixão de seus pés e na extensão definitiva de seus braços. / Não mudará nunca mais essa espécie de parcialidade. / Por mais que façamos, não volverá a outro canto a cabeça ao nosso voltada. / Ele medita (sabia tudo com antecedência) e suporta os quatro pregos para me esperar. / É tão fácil perceber que não está em condições de se libertar. / A morte que há em mim, e o amor que há nele não fazem mais que uma coisa só. / Sua inocência é meu pecado – há entre nós isso de vital, como um nó. / Se ele é o meu Redentor, onde se passaria isto, caso eu não tivesse pecado? / Os pregos doeriam menos ao corpo se eu próprio fosse menos culpado. / Firme é a cruz, mas como é de chumbo, com ela, o que pelo peso e pelo desejo se liga ao meu ser. / Tudo o que há nele de pesado tacitamente é meu, como um fruto que cumpre apenas recolher. Em seguida, A cabeça vista da esquerda: Está escrito no livro da Gênese, nessa história cheia de um mistério infinito, / que José quando se lê que encontrou os irmãos, depois de longa permanência no Egito / fez sair toda a assistência, antes de lhes manifestar a face: / (Egito, que em hebreu quer dizer trevas, é por excelência esta terra em que vivemos, escura e baixa) / pois não convinha que alguém estivesse presente naquele instante sagrado, / do irmão que se virou para nós e pediu para ser encarado. / Assim quis o Cristo, porque era forte o coração deles, ou talvez num amor imenso esteja o segredo, / A muitos e santas aqui em baixo só se mostrar do lado esquerdo / Tudo o que estes fazem, simula não ter não ter reparado. / Quando rezam, dir-se-ia que escuta outra coisa, e seu rosto permanece voltado. / Mas eles sabem, sorriem, e nenhum se lastima, / e voltam tranquilamente para a semeadura e a vindima, pois àquele que crê, a fé é suficiente. / O que a eternidade nos reserva, não é preciso vê-lo nesta vida presente. / Bons servidores, conheceis vosso dever, e é bastante. / A necessária luz é convosco e o caminho traçado de avante. / E quando vosso Criador se volta para vós, com seu olhar em que a cólera não mora, / Ele não quer nem que os homens nem que os anjos sejam testemunhas dessa hora. Veja mais aqui.

O CANTO DA COTOVIA ATÉ VIVER SEM TEMPOS MORTOS – A trajetória da premiadíssima atriz de teatro, cinema e televisão Fernanda Montenegro (Arlette Pinheiro Esteves Torres – a dama dos palcos e da dramaturgia brasileira), começou aos quinze anos quando ainda no teceiro ano do curso técnico de secretariado, se inscreveu no concurso Teatro da Mocidade, promovido pela Rádio MEC. Por conta disso, o seu primeiro emprego foi de locutora de rádio. Ao lado da emissora, funcionava um grupo de teatro amador dos alunos da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, no qual passou a integrar participando da peça teatral Nuestra Natascha. A partir de então, em 1954, ela atuou em O canto da cotovia, seguindo-se Com a pulga atrás da orelha (1955), A moratória (1955), Eurídice (1956), Vestir os nus (1958), O mambembe (1959), A profissão da Srª Warren (1960), O beijo no asfalto (1961), Mary, Mary (1963), O homem do princípio ao fim (1966), A volta ao lar (1967), Oh! Que belos dias (1970), Computa, computador, computa (1971), Serie cômico... se não fosse trágico (1972), A mais sólida mansão (1976), É... (1977), As lágrimas amargas de Petra von Kant (1982), Fedra (1986), Dona Doida (1987), The flash and crash days (1993), Dias felizes (1995), Da gaivota (1998), Viver sem tempos mortos (2010), esta última lhe rendendo o prêmio de Melhor Atriz na 22ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. Em mais de cinquenta anos de carreira, participou de dezenas de espetáculos teatrais, interpretando de tudo: da clássica tragédia grega à comédia de boulevard, do musical brasileiro a espetáculos de vanguarda, sendo, por isso, em 1999, condecorada com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito e, em 2013, além de ter sido eleita a 15ª maior celebridade mais influente do Brasil pela revista Forbes, também ganhou o Emmy Internacional como a melhor atriz por sua atuação no filme Doce de Mãe. Aqui nossa homenagem e aplausos de pé! Veja mais aqui.

CENTRAL DO BRASIL – Em complemento às homenagens para a dama dos palcos e da dramaturgia brasileira, Fernanda Montenegro, o premiadíssimo drama Central do Brasil (1998), com roteiro de Marcus Bernstein e João Emanuel Carneiro, baseado em história do diretor, o cineasta Walter Salles e inspirado no livro Alice nas cidades, de Wim Wenders, conta a história de uma mulher que trabalha na estação Central do Brasil escrevendo cartas para pessoas analfabetas. Uma de suas clientes aparece com seu filho, pedindo para que escrevesse uma carta para o seu marido, dizendo que seu filho quer visitá-lo. Ao sair da estação, a mãe do menino morre atrapelada por um ônibus, e ele, de apenas nove anos de idade, fica sem ter para ir, passando a morar na estação e iniciando uma amizade com a que escreve cartas, iniciando uma viagem pelo sertão nordestino. O filme arrebatou diversos prêmios, como o David Donatello de Melhor Atriz Estrangeira, bem como o Urso de Prata, o Prêmio do Festival de Havana e o National Bord of Review de Melhor Atriz principal, além de ter sido indicado nas categorias de melhor atriz para os prêmios Oscar, o Globo de Ouro, o Satellite Awards, o Chlotrudis e BAFTA. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA 
Cartaz comemorativo do Dia Internacional dos Povos Indígenas.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Domingo Romântico comemorando 11 anos de existência e reprisando toda a programação da semana. A festa começa a partir do meio dia deste domingo, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


quinta-feira, abril 17, 2008

FERNANDA MONTENEGRO, LUCIA SANTAELLA, SOPHIE DELAPORTE, BRANCA TIROLLO, BEE SCOTT & LITERÓTICA


 
A arte da fotógrafa e artista Sophie Delaporte.

DESIDERATO - Imagem: arte da fotógrafa e artista Sophie Delaporte. - Até onde o sol brilhava eu não via a vida, vagava de mim solitário, a bel prazer do destino. Quando enfim você virou alvo e aguçou minha mira: Você, a propiciatória de tudo que sempre aspirei e almejo com seu riso deslumbrante na rota da vida. Você e a bússola de suas mãos fagueiras a me mostrar a trilha do norte nas carícias do seu toque. Você e o curso dos rios nos seus seios com o crisol de toda a sua manifestação. Você e as águas revoltas do seu corpo em meu leme para navegar o infinito de sua imensidão. Você que eu carançudo vasculho suas pernas e bocas e sexo, no seu regaço o meu espalhafato de mergulhar seus esconderijos no fogo da nossa paixão escandalosa. Você e a sedução de sua alma nas rédeas do prazer que persigo no encalço do seu encanto para realizar minhas ambições mais famintas. Você e farol nos olhos de mar na direção do amor a me dar o encontro de mim na descoberta do que sou em você. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


A arte da fotógrafa e artista Sophie Delaporte.

PENSAMENTO DO DIACada vez eu caminho mais para essa solidão do individuo que não pode contar com ninguém, embora tendo marido, filhos, amigos. A solidão é inarredável. Tem uma hora da madrugada que você acorda, e você tem que se ver e enfrentar isso, com muita coragem. Porque se você não tiver coragem, você vai enfrentar isso, de qualquer maneira. Pensamento da atriz Fernanda Montenegro. Veja mais aqui.

TRANSFIGURAÇÕES ARTÍSTICAS DO CORPO TECNOLÓGICO - [...] As simbioses do corpo com as tecnologias tornaram-se tão evidentes que o vocabulário para se referir a elas não tem se limitado ao ciborgue, mas apresentado uma variação de sinônimos que buscam todos eles referenciar o mesmo fenômeno híbrido entre o biológico e o artificial, entre o carbono e o silício, tais como: corpo protético, pós-orgânico, pós-biológico e pós-humano. Embora a palavra “prótese” seja bem funcional para caracterizar as extensões tecnológicas do corpo, o significado dessa palavra ficou muito colado ao aspecto visível das extensões, ideia que, desde o princípio, procurei evitar, tendo em vista o fato de que a tendência das extensões tecnológicas do corpo é a de aderir à nossa fisicalidade até o ponto de habitar nossos interiores, tornando-se invisíveis e mesmo imperceptíveis. [...] Ora, se o corpo, de fato, se tornou um tema magno da cultura contemporânea e se o artista, de fato, é a antena da raça, então, a questão do corpo deveria estar presente na arte bem antes da emergência ostensiva do corpo biocibernético. Walter Benjamin escreveu que o presente é mirante privilegiado para enxergar o passado. Em vez de pensar o presente a partir do passado, tomar o presente como ponto de vista para o passado. Eis a lição. Empreendi, portanto, uma jornada a contrapelo. Não teve erro. Por todo o século 20, desde as vanguardas estéticas, o corpo foi cada vez mais se tornando suporte e condição da arte. De objeto representado, o corpo do artista passou a ser o sujeito e objeto do seu trabalho. Ao mesmo tempo, foram crescendo exponencialmente tanto os números quanto as variações de tendências dos trabalhos que exploram o próprio corpo do artista como fonte material primária de suas obras. Dentre as diferentes facetas apresentadas pela arte do século 20, essas tendências se constituíram em uma faceta que tenho chamado de transgressoramente dionisíaca. São elas que exploraram a fundo as relações entre arte e vida, arte e acontecimento em eventos performáticos, que se expandiram nas artes do gesto contestatório, das instalações, da body arte e da emergência notável das cruzadas femininas na arte [...] A ideia do corpo como máquina mecânica, infelizmente, perdura até hoje no imaginário coletivo, quando se apresenta qualquer tipo de simbiose entre corpo e tecnologia. Digo infelizmente porque, há um bom tempo, as máquinas deixaram de ser estritamente mecânicas, gerando agora simbioses inconsúteis com o corpo. Entretanto, cegamente, persistem os preconceitos próprios do mecanicismo em relação a quaisquer tipos de laços entre corpo e máquina, o que também afeta os julgamentos relativos ao trinômio arte-corpo-tecnologia. Tais preconceitos já remontam aos experimentos com o uso de múltiplas câmeras para captar o movimento, levados a cabo no final do século 19, por Muybridge e outros, experimentos que se realizaram pela equalização das energias do corpo na sua relação com o aparato industrial. Do mesmo modo foi incompreendida, e muitas vezes até hoje mal compreendida, a celebração do corpo mecanizado, ou do corpo ligado à máquina no modernismo. Não é por acaso que se levou tanto tempo para a fotografia e outras artes maquínicas serem aceitas no panteão das artes, apesar da ênfase nas teorias sobre a extensão dos órgãos e suas produções nas artes de vanguarda. De lá para cá, entretanto, o redemoinho tecnológico não cessa de girar e desse redemoinho os artistas ousados não temem tomar a parte inquietante que lhes cabe. [...]. Trechos do texto Transfigurações artísticas do corpo tecnológico (ECA/USP, 2003), da professora e pesquisadora Lucia Santaella. Veja mais aqui.


A SENSUALIDADE POÉTICA DE BRANCA TIROLLO
(Imagem: arte da fotógrafa e artista Sophie Delaporte)

ÊXTASE SEXUAL

Esfera! Meu tablado amante e companheiro.
Viajo! A lua vaza entre frestas sorridente.
Traz-me tua boca nua, cruel e distante,
e próxima de uma sagacidade. Pura sugação
de o meu pensar, á ardejar nesta espera.
Além da imaginação textual, há excitação
com tifemia e tronejo, á ulcerar-me o peito,
enquanto procuro teus lábios que bamboleiam.
Vejo teus olhos triscados á sitiar-me,
lubrificando minha tricofagia como se fossem teus!
Os negros pelos que minha boca faz folia.
Alucina a temática! Teleguiada persiste.
Quase sem fé! Ajoelho-me ao tembé.
Á tunantear está! Teu corpo ao meu.
Adergando entres fios eletrizados.
Neste invento do alcochear dos dedos.
Cai um temporal no meu pensar insano.
Estou escalando montanhas em chamas.
Presa ao seu sexo, deleito o clamor dos lábios,
adormecendo no gozo da última cena.

DESEJOS PROIBIDOS

Beije-me! Toda uma eternidade, como amante.
Nesta doce magia que comporta
Nossos míseros instantes!
Beija-me como um tufão em fúria
Que atira sobre o chão, raios em cruzes.
Beija-me! Como o reflexo complexo
Destas negras e desiludidas luzes
Beija-me! Como onda inquieta
Que ronda o céu e serena beija areia
Como o cair da noite, no raiar do dia
Como sol ardente e lua fria
Apenas beija-me! Beija-me!
Neste mísero instante de magia.

FERA RACIONAL

Eis que febril queima o corpo meu,
num instante dócil, quando me toca o seu.
Estes teus braços, em laços, em plumas...
Teus encantos, espantos, espumam.
Teus olhos domados, em risos, em versos,
Teus pecados meigos, de afagos, de beijos.
Eis que a ti revelo meus sonhos, em gritos.
Num súbito instante, de amores, de dores.
Por teus insultos, deboches, rumores,
nestes negros olhos, de glória, delírios.
De pegadas duras, desvairadas loucuras,
deste pranto falso, de tortura, castigo.
Eis que tu tão farto, tão nítido, tão puro.
No tapete enrola, teu corpo, tua face,
nestas melodias, sussurros, desgastes.
Destas noites loucas, de pasmo contraste.
Tuas fantasias de sonhos malucos,
tua frente fria, de tristes desastres.
Eis que a mim volta, sereno, calado.
Num olhar carente, de
intrigas e abraços:
Destas peles rubras, de apertos, marcadas,
deste alivia fértil, que exala, espalha,
no meu corpo sadio, esgotado, espectro.
Eis que te descansa nu, sereno, e domado.

GATO DE MINAS

Gracioso és tu! Há fantasias eróticas
Transbordando em seu olhar
É pálida a sensação desgastante
Em teu corpo figurante
Teu corpo arde com sede
Teu desejo chama em chamas
O corpo da sua amante!

Não quero que seja meu deus
Nem meu demônio nem ateu.
Nem meu sonho nem meu eu.
Seja apenas, meu.

QUE AMOR É ESTE?

Que amor é este que se deseja antes de tomá-lo nos braços
E se envolve entre abraços ao partir?
Que amor é este que não deixa escolha profere e revoga,
açoitando o destino faz chorar e sorrir?
Que amor é este que com todos os defeitos se faz perfeito na dor,
extravasando no olhar leva além da vida, o perdão?
Que amor é este que dorme para esperar a morte
E não desfalece o seu esplendor?
Que amor é este, cuja essência não foge ao vento,
E faz tempestade no silêncio da noite?
Que amor é este que acalenta faz dormir e sonhar,
Invadindo o corpo, a alma e o pensar?
Que amor é este que ronda o infinito inquietando céus
E no coração vem sereno repousar?
Quero!
Entre suas ondas, de onda em onda mergulhar
Meu corpo, minha alma, meu grito
Minha calma, meu sonhar
Meus ventos, meus inventos
Em meu pensamento lento
Poder acompanhar
Tuas ondas, Mar.

Uma parte minha é anjo
Outra parte fera negra
m lado bate asa e voa

O outro a asa conduz
O veneno que do anjo
Necessariamente reluz

MOMENTOS ERÓTICOS

Momentos eróticos Quando minhas mãos tocam O transparente vinho branco Num desvio qualquer. Estranho minha face Debruçada em meu ser mulher. Os sonhos opacos e esquecidos Refletem no álcool envelhecido Estampando minha nítida nudez.

BRANCA TIROLLO - A atriz, roteirista e escritora paulista Branca Tirollo, é membro da Academia de Letras do Brasil e autora de várias peças teatrais, de diversos projetos engajados, artísticos e sociais, do documentário Mil vidas em meu pensar, de inúmeros livros de contos e poesias, além de ter participado de várias antologias. Veja mais aqui.


MUSA DA SEMANA: BEE SCOTT
A cantora e compositora catarinense Bee Scott é graduada em Belas Artes pela Universidade Estadual de Santa Catarina e vive encantando o mundo com sua voz & blues. No release no site dela está que: “(...) Quando canta, Bee Scott solta voz e sentimento harmonizados em ondas tão quentes como sua alma. Soul, blues ou rock, não importa: ela varia, mistura e brinca nessas praias mostrando garra de intérprete e compositora. Quem a escuta pela primeira vez já sabe que o que ela canta é verdade, qualidade rara no cenário atual”. Verdade, a mais pura e cristalina verdade, é mesmo de arrepiar a interpretação personalíssima da lindíssima Bee Scott.


Atualmente Bee Scott está na estrada com o show “Acústico de Baladas”. E o grande momento fica por conta das composições próprias, carregadas de emoção que enobrecem seu canto eletrizante. Confira algumas letras de sua autoria.



SECRETO

Quantos passos ainda me faltam pra te encontrar
quantos caminhos desertos atravessar
por você que não vem
que não me tem
por você que não vem e não me tem
Nossas noites tem segredos de nós dois...
fantasias de amor te tocar
e você não consegue se mostrar
e você não consegue falar
E você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
Tudo secreto discreto como quiser
desde que saiba que eu sou tua mulher
a mulher que te quer...
E você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem



LEI

Você vem me dizendo que a saudade sufoca e doi
as palavras cortam como o vento e machucam meu corpo...
não sei porque ficar sofrendo por alguém que te quer também!
Ouço o som dos seus beijos
a contar todos os seus segredos
fecho os olhos e em segundos, me transporto pro seu mundo...
não sei porque ficar sofrendo, por alguém que ter que também
Quando o medo invade meus sonhos
na real pareço saber, que o que eu quero fica mais distante
É da lei a chuva que cai
é da lei as nuvens no céu
é da lei o amor florescendo
é da lei o tempo passar
não é da lei que eu não possa te amar...



VOCÊ NEGA

Quando sinto o teu corpo
Colado junto ao meu
Não adianta dizer
Dizer que não vai dar
Você nega
Mas o fogo te entrega
Minha boca te beijando sem
parar
O que falta pra você me amar
O que é que faço
Pra você me olhar bem nos olhos e
dizer
Amo você.
Usando o tempo
Pra pensar numa saída
Mas o teu rosto
Não consegue disfarçar
Tento fugir, mas não da mais para negar
Que o meu desejo é mais forte que
Meu medo
O que falta pra você me amar
O que é que faço
Pra você me olhar bem nos olhos e
dizer
Amo você.



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