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segunda-feira, fevereiro 09, 2015

PIEDAD BONNETT, MIA SOSA, TAYLOR CALDWELL & ALINA PAIM

 


UMA VEZ, SELENA... - Adolescia com a beleza de seus gestos. Não precisa ouvi-la, basta vê-la sensual nas capas de discos e nos vídeos que passavam na televisão. Era uma caçula latina que nascera em Lake Jackson, filha de uma descendente cherokee e de um músico Testemunha de Jeová que integrava Los Dinos e descobriu seu talento ainda menina. Começou a cantar no Papagayo’s com seus irmãos e, por seus pais terem sido despejados do restaurante, se estabeleceram em Corpus Christi, quando foi criada a banda Selena y Los Dinos. Abandonou a escola por conta da cheia agenda profissional e só concluiu o colegial por correspondência para se bacharelar em administração. Enamorou-se do guitarrista contratado, o que fez com que o pai o expulsasse da banda. Às escondidas, mas contando com apoio da mãe depois se casaram. Foram três meses sem conversa até a aprovação paterna. Venceu concursos musicais atraindo a atenção da indústria fonográfica. Tornou-se logo um ícone sexual e a Vocalista Feminina do Ano - isso por nove anos consecutivos: a rainha tejano-cumbia do México, uma artista do povo. Daí começou uma carreira solo e as paradas de sucesso: Ven conmigo... Os bustiers decorativos, elastanos, calças justas e jaquetas atraentes para realçar o decote incendiavam minha libido como se a visse sussurrante pra mim: Entre a mi mundo... Sonhava e era verdadeiramente um Amor prohibido... Veio então Selena Live! E a novela: Dos mujeres, um caminho... Também os desenhos e fabricação de uma linha de roupas: a boutique Selena Etc. Quebrava as suas barreiras e recordes. Em plena ascensão, no verão daquele fatídico ano, a enfermeira administradora das lojas e fã-clube: a obsessão e um tiro nas costas: My heart burns... E ficou pra mim a sua pose de Dreaming Of You... E ficou na minha predileção adolescente, a rainha do Tex Mex. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Se você tem um sonho, não deixe que ninguém o tire. Com uma atitude positiva, você pode ser tudo o que quiser ser. Se você vai ser alguém, precisa ser um líder, não um seguidor... tenha uma mente forte, o impossível é sempre possível. Tudo o que preciso fazer é tentar fazer o melhor que posso. Pensamento da cantora, dançarina, estilista e empresária Selena Quintanilla Perez (1971-1995), apelidada de Rainha da Música Tejana.

 

ALGUÉM FALOU: A humanidade adora seus traidores e assassina seus salvadores... Pensamento da escritora britânica Taylor Caldwell (Janet Miriam Holland Taylor Caldwell, 1900-1985). Veja mais aqui e aqui.

 

DESABOTOANDO O CÉU - […] A altura dele a forçou a ficar na ponta dos pés. Para uma mulher que era mais alta do que a maioria dos garotos da sua classe no ensino médio, essa característica física em particular provocou uma onda de imagens sensuais em sua mente. Sexo contra uma parede. Era uma possibilidade. E dada a largura dos ombros dele, ela imaginou que ele a seguraria muito bem. Oh, dia glorioso. [...]. Trecho extraído da obra Unbuttoning the CEO (Forever, 2015), da escritora estadunidense Mia Sosa.

 

A CORRENTEZA – [...] Humana! Que é ser humano? É ser forte e fraco, certo e errado, não ser réu nem juiz, ter no coração sol e chuva. [...]. Trecho extraído da obra A Correnteza (Record, 1979), da escritora Alina Paim (1919–2011), qie na sua obra Sol do Meio-dia (ABL, 1961), expressa que: [...] Quanto mais se tem os pés na realidade mais livre se tem a cabeça pra sonhar [...] O amor no seu coração trazia o deslumbramento do sol do meio-dia, sol que não faz sombras. Não era nenhum milagre, o amor fazia o que sempre fará em todo o coração de mulher enamorada, por todos os séculos, sem fim [...]. Já na obra Sombra do Patriarca (Globo, 1950), ela expressa que: [...] Era tão simples desejar que muita coisa acontecesse! Nenhuma consequência. O pensamento é a coisa que, por mais junto que estejamos de alguém, é sempre nossa: não pode ser mandado, foge de quem o queira reter contra nossa vontade, foge mais ligeiro talvez que o relâmpago. Sabendo isto, havia de ser sempre inquieta, dominada pela ânsia de penetrar a mente da pessoa de que eu gostasse e desejasse inteiramente minha. [...].

 

TRÊS POEMASORAÇÃO - Pelos meus dias peço, \ Senhor dos naufrágios, \ não água para a minha sede, mas sede, \ não sonhos, \ mas desejo de sonhar. \ Pelas noites, \ toda a escuridão que será necessária \ para afogar a minha própria escuridão. BIOGRAFIA DE UM HOMEM MEDROSO - Meu pai logo teve medo de ter nascido. \ Mas logo se lembrou também \ dos deveres de um homem \ e eles lhe ensinaram \ a rezar, a economizar, a trabalhar. \ De modo que logo meu pai era um bom homem. \ ("Um homem de verdade", diria meu avô). \ No entanto \ - como um cão ganindo, amordaçado \ e amarrado a uma estaca - o medo persistia \ no âmago de meu pai. \ De meu pai, \ que quando menino tinha olhos tristes, e quando velho \ mãos tão solenes e limpas \ quanto o silêncio ao amanhecer. \ E sempre, sempre, o ar de um homem solitário. \ De modo que quando nasci meu pai me deu \ tudo o que seu coração desorientado \ sabia dar. E isso incluía \ o presente amoroso de seu medo. \ Como um homem honesto, meu pai trabalhava todas as manhãs \ e se movimentava todas as noites e, quando podia, \ comprava em prestações a pequena morte \ que sempre desejou ter. \ Pagava por ela rigorosamente, \sem nenhuma ansiedade, ano após ano, \ como um homem honesto, meu bom e velho pai. HOMENS TRISTES NÃO TÊM PARCEIROS DE DANÇA - Os homens tristes afugentam os pássaros. \ Até suas testas pensativas descem \ as nuvens \ e se dissolvem em uma garoa opaca. \ As flores definham \ nos jardins dos homens tristes. \ Seus precipícios tentam a morte. \ Enquanto \ as mulheres que estão dentro de uma mulher \ nascem todas ao mesmo tempo \ diante dos olhos tristes dos homens tristes. \ O vaso da mulher abre novamente seu ventre \ e oferece ao homem triste seu leite redentor. \ A mulher criança beija com fervor \ suas mãos paternas e desoladas de viúvo. \ E aquela que anda silenciosamente pela casa \ brilha suas horas negras e remenda \ todos os buracos de seu peito. \ Há outra que empresta ao homem triste \ suas duas mãos como se fossem asas. \ Mas os homens tristes são surdos à sua música. \ Não há mulher mais solitária então, \ mais tristemente solitária, \ do que aquela que quer amar um homem triste. Poemas da poeta e dramaturga colombiana Piedad Bonnett. Veja mais aqui.

 

SACADOUTRAS

 

A SOCIEDADE EM REDE – Importante leitura para quem quiser ter uma compreensão da realidade atual e planetária, são os três volumes que compõem a obra A sociedade em rede (Paz e Terra, 2002), do sociólogo espanhol Manuel Castels, na qual o autor defende o conceito de capitalismo informacional e introduz o conceito de consumo coletivo concentrando-se no papel das novas tecnologias de informação e comunicação no mapeamento do cenário da reestruturação econômica. No primeiro volume dedicado ao tema da era da informação: economia, sociedade e cultura, o autor aborda temas como a rede e o ser, a revolução da tecnologia da informação, a nova economia do informacionalismo, da globalização e do funcionamento em rede, a nova economia, a empresa em rede na observação da cultura, as instituições e da economia informacional; a transformação do trabalho e do mercado de trabalho, a cultura da virtualidade real o espaço de fluxos, o limiar de eterno e tempo intemporal. No segundo volume, o poder da identidade, aborda assuntos como paraísos comunais, a outra face da terra, o verdejar do ser, o fim do patriarcalismo, um Estado destituído de poder, a política informacional e a crise da democracia, fechando o volume com a transformação social na sociedade em rede. No terceiro volume, dedicado ao tema o fim do milênio, aborda acerca da crise do estatismo e o colapso da União Soviética, o surgimento do Quarto Mundo, a conexão perversa e a economia global do crime, a globalização e o Estado, a unificação da Europa e a necessidade de depreender o nosso mundo. Veja mais aqui e aqui.

  
Imagem: mulher no frevo que hoje no Brasil é o Dia do Frevo e da Folia Tataritaritatá. Veja mais aqui e aqui.

Ouvindo o excelente álbum de estreia (Sony, 1992) do não menos excelente cantor e compositor brasileiro Edson Cordeiro. Veja mais aqui.

UM FREVO CHAMADO MULHER – A cantora e compositora cearense Amélia Cláudia Garcia Colares, ou simplesmente Amelinha, é detentora de uma voz singular, de um talento indiscutível e de uma trajetória artística invejável, comprovada com os seus inúmeros sucessos, desde o seu primeiro álbum Flor da Paisagem (1976) até o Janelas do Brasil (2011). O seu dvd Janelas do Brasil (2012) está um primor e com participações pra lá de especiais de Toquinho, Fagner e Zeca Baleiro. Em 2009, com a sua sempre gentil e simpática forma de ser, esta grande cantora me concedeu uma entrevista. Para conferir veja mais aquiaqui.

OS PAIS E O RESPEITO AOS FILHOS – A psicóloga alemã Karen Horney (1885-1952) criadora da escola de psicanálise neofreudiana, desenvolveu estudos acerca das neuroses ao perceber que elas são resultado das relações interpessoais e de conflitos emocionais que começam na infância. A respeito disso, ela trata sobre O respeito aos filhos, expressando que: Quando você esperava seu filho, certamente tinha planos para ele. Nesses sonhos, conscientemente ou não, fazia de seu filho um prolongamento de si mesma, projetando tudo aquilo que gostaria de ter sido. Mas quem nasceu de você um outro individuo, cuja realidade nada tem haver com a sua, embora tenha se alimentado de seu sangue e tenha sido gerado de suas células. Ele terá características próprias, outros anseios, outro temperamento. Não é justo que você transfira para ele suas frustrações. Deixe que ele se desenvolva. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui e aqui.


OS PROIBIDOS DESEJOS DA FERA RACIONAL - A atriz, roteirista e escritora paulista Branca Tirollo, é membro da Academia de Letras do Brasil e autora de várias peças teatrais, de diversos projetos engajados, artísticos e sociais, do documentário Mil vidas em meu pensar, de inúmeros livros de contos e poesias, além de ter participado de várias antologias. Dela reunimos alguns dos seus poemas aqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER
CARMEN MIRANDA
A primeira homenageada de hoje é a saudosa atriz e cantora luso-brasileira Carmen Miranda (1909-1955) que tanto enalteceu a nossa música! Veja mais aqui e aqui.
MÔNICA WALDVOGEL
A segunda homenagem de hoje é a competente e lindíssima jornalista Mônica Waldvogel.
Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Cantarau, Thiago de Mello, Paul Verlaine, Tracy Chapman, Melanie Klein, Francisco de Goya, José Celso Martinez Corrêa, Vincent Van Gogh, Warren Beatty, Méry Laurent & Paulo Cesar Barros aqui.

E mais:
Sombras de Goya & Os poderosos de hoje aqui.
Poemas de Thiago de Mello aqui.
A poesia de Paul Verlaine, Denise Levertov, Wojciech Kilar, Paul Delaroche, Marcoliva & Lourdes Limeira aqui.
Big Shit Bôbras: a lástima da imitação do pior do ruim, Georg Trakl, Paul Auster, Sarah Kane, Gertrude Stein, Felix Mendelssohn, Gil Elvgren & Marion Cotillard aqui.
Desejo: a história da canção, A Paz & Ralph M. Lewis, Jacques Prévert, Milton Hatoum, Jonathan Larson, Eric Fischl, Monica Bellucci, Madhu Maretiori & Sônia Mello aqui.
A multa do fim do mundo, William Burroughs, Henfil, Ernest Chausson, Liliana Cavani, Hans Rudolf Giger, Paulo Dalgalarrondo, Charlotte Rampling & Auber Fioravante Junior aqui.
O pensamento de Theodor Adorno aqui.
A teoria da estruturação de Anthony Giddens & Iniciação à estética de Ariano Suassuna aqui.
Solidariedade aqui.
E se vem ou vai, eu voou, Jehane Saade, Paula Rego& Manuel Pereira da Silva aqui.
O poeta e a fera, Mariarosaria Stigliano & Leila Nogueira aqui.
Festa do dia 8 de dezembro, lavando a jega, Florbela Espanca, Camille Claudel, Alaíde Costa, Tatiana Grinberg, Militão dos Santos & Quando tudo se desapruma a farra é só pro desgoverno aqui.
O fulgor do amor, Érico Veríssimo, Jorge Drexler, Luciah Lopez & O amor premia o final de semana aqui.
A corrupção come no centro e a gente é quem paga o pato sempre, Darcy Ribeiro, Sebastião Salgado & Depois da farra a corda só arrebenta pra precipício dos que estão de fora aqui.
Há um ano, Ná Ozzetti, Fernando Rosa, Luciah Lopez & Quem não sabe ver é mais fácil de enrolar aqui.
Absolutismo aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


quinta-feira, abril 17, 2008

FERNANDA MONTENEGRO, LUCIA SANTAELLA, SOPHIE DELAPORTE, BRANCA TIROLLO, BEE SCOTT & LITERÓTICA


 
A arte da fotógrafa e artista Sophie Delaporte.

DESIDERATO - Imagem: arte da fotógrafa e artista Sophie Delaporte. - Até onde o sol brilhava eu não via a vida, vagava de mim solitário, a bel prazer do destino. Quando enfim você virou alvo e aguçou minha mira: Você, a propiciatória de tudo que sempre aspirei e almejo com seu riso deslumbrante na rota da vida. Você e a bússola de suas mãos fagueiras a me mostrar a trilha do norte nas carícias do seu toque. Você e o curso dos rios nos seus seios com o crisol de toda a sua manifestação. Você e as águas revoltas do seu corpo em meu leme para navegar o infinito de sua imensidão. Você que eu carançudo vasculho suas pernas e bocas e sexo, no seu regaço o meu espalhafato de mergulhar seus esconderijos no fogo da nossa paixão escandalosa. Você e a sedução de sua alma nas rédeas do prazer que persigo no encalço do seu encanto para realizar minhas ambições mais famintas. Você e farol nos olhos de mar na direção do amor a me dar o encontro de mim na descoberta do que sou em você. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


A arte da fotógrafa e artista Sophie Delaporte.

PENSAMENTO DO DIACada vez eu caminho mais para essa solidão do individuo que não pode contar com ninguém, embora tendo marido, filhos, amigos. A solidão é inarredável. Tem uma hora da madrugada que você acorda, e você tem que se ver e enfrentar isso, com muita coragem. Porque se você não tiver coragem, você vai enfrentar isso, de qualquer maneira. Pensamento da atriz Fernanda Montenegro. Veja mais aqui.

TRANSFIGURAÇÕES ARTÍSTICAS DO CORPO TECNOLÓGICO - [...] As simbioses do corpo com as tecnologias tornaram-se tão evidentes que o vocabulário para se referir a elas não tem se limitado ao ciborgue, mas apresentado uma variação de sinônimos que buscam todos eles referenciar o mesmo fenômeno híbrido entre o biológico e o artificial, entre o carbono e o silício, tais como: corpo protético, pós-orgânico, pós-biológico e pós-humano. Embora a palavra “prótese” seja bem funcional para caracterizar as extensões tecnológicas do corpo, o significado dessa palavra ficou muito colado ao aspecto visível das extensões, ideia que, desde o princípio, procurei evitar, tendo em vista o fato de que a tendência das extensões tecnológicas do corpo é a de aderir à nossa fisicalidade até o ponto de habitar nossos interiores, tornando-se invisíveis e mesmo imperceptíveis. [...] Ora, se o corpo, de fato, se tornou um tema magno da cultura contemporânea e se o artista, de fato, é a antena da raça, então, a questão do corpo deveria estar presente na arte bem antes da emergência ostensiva do corpo biocibernético. Walter Benjamin escreveu que o presente é mirante privilegiado para enxergar o passado. Em vez de pensar o presente a partir do passado, tomar o presente como ponto de vista para o passado. Eis a lição. Empreendi, portanto, uma jornada a contrapelo. Não teve erro. Por todo o século 20, desde as vanguardas estéticas, o corpo foi cada vez mais se tornando suporte e condição da arte. De objeto representado, o corpo do artista passou a ser o sujeito e objeto do seu trabalho. Ao mesmo tempo, foram crescendo exponencialmente tanto os números quanto as variações de tendências dos trabalhos que exploram o próprio corpo do artista como fonte material primária de suas obras. Dentre as diferentes facetas apresentadas pela arte do século 20, essas tendências se constituíram em uma faceta que tenho chamado de transgressoramente dionisíaca. São elas que exploraram a fundo as relações entre arte e vida, arte e acontecimento em eventos performáticos, que se expandiram nas artes do gesto contestatório, das instalações, da body arte e da emergência notável das cruzadas femininas na arte [...] A ideia do corpo como máquina mecânica, infelizmente, perdura até hoje no imaginário coletivo, quando se apresenta qualquer tipo de simbiose entre corpo e tecnologia. Digo infelizmente porque, há um bom tempo, as máquinas deixaram de ser estritamente mecânicas, gerando agora simbioses inconsúteis com o corpo. Entretanto, cegamente, persistem os preconceitos próprios do mecanicismo em relação a quaisquer tipos de laços entre corpo e máquina, o que também afeta os julgamentos relativos ao trinômio arte-corpo-tecnologia. Tais preconceitos já remontam aos experimentos com o uso de múltiplas câmeras para captar o movimento, levados a cabo no final do século 19, por Muybridge e outros, experimentos que se realizaram pela equalização das energias do corpo na sua relação com o aparato industrial. Do mesmo modo foi incompreendida, e muitas vezes até hoje mal compreendida, a celebração do corpo mecanizado, ou do corpo ligado à máquina no modernismo. Não é por acaso que se levou tanto tempo para a fotografia e outras artes maquínicas serem aceitas no panteão das artes, apesar da ênfase nas teorias sobre a extensão dos órgãos e suas produções nas artes de vanguarda. De lá para cá, entretanto, o redemoinho tecnológico não cessa de girar e desse redemoinho os artistas ousados não temem tomar a parte inquietante que lhes cabe. [...]. Trechos do texto Transfigurações artísticas do corpo tecnológico (ECA/USP, 2003), da professora e pesquisadora Lucia Santaella. Veja mais aqui.


A SENSUALIDADE POÉTICA DE BRANCA TIROLLO
(Imagem: arte da fotógrafa e artista Sophie Delaporte)

ÊXTASE SEXUAL

Esfera! Meu tablado amante e companheiro.
Viajo! A lua vaza entre frestas sorridente.
Traz-me tua boca nua, cruel e distante,
e próxima de uma sagacidade. Pura sugação
de o meu pensar, á ardejar nesta espera.
Além da imaginação textual, há excitação
com tifemia e tronejo, á ulcerar-me o peito,
enquanto procuro teus lábios que bamboleiam.
Vejo teus olhos triscados á sitiar-me,
lubrificando minha tricofagia como se fossem teus!
Os negros pelos que minha boca faz folia.
Alucina a temática! Teleguiada persiste.
Quase sem fé! Ajoelho-me ao tembé.
Á tunantear está! Teu corpo ao meu.
Adergando entres fios eletrizados.
Neste invento do alcochear dos dedos.
Cai um temporal no meu pensar insano.
Estou escalando montanhas em chamas.
Presa ao seu sexo, deleito o clamor dos lábios,
adormecendo no gozo da última cena.

DESEJOS PROIBIDOS

Beije-me! Toda uma eternidade, como amante.
Nesta doce magia que comporta
Nossos míseros instantes!
Beija-me como um tufão em fúria
Que atira sobre o chão, raios em cruzes.
Beija-me! Como o reflexo complexo
Destas negras e desiludidas luzes
Beija-me! Como onda inquieta
Que ronda o céu e serena beija areia
Como o cair da noite, no raiar do dia
Como sol ardente e lua fria
Apenas beija-me! Beija-me!
Neste mísero instante de magia.

FERA RACIONAL

Eis que febril queima o corpo meu,
num instante dócil, quando me toca o seu.
Estes teus braços, em laços, em plumas...
Teus encantos, espantos, espumam.
Teus olhos domados, em risos, em versos,
Teus pecados meigos, de afagos, de beijos.
Eis que a ti revelo meus sonhos, em gritos.
Num súbito instante, de amores, de dores.
Por teus insultos, deboches, rumores,
nestes negros olhos, de glória, delírios.
De pegadas duras, desvairadas loucuras,
deste pranto falso, de tortura, castigo.
Eis que tu tão farto, tão nítido, tão puro.
No tapete enrola, teu corpo, tua face,
nestas melodias, sussurros, desgastes.
Destas noites loucas, de pasmo contraste.
Tuas fantasias de sonhos malucos,
tua frente fria, de tristes desastres.
Eis que a mim volta, sereno, calado.
Num olhar carente, de
intrigas e abraços:
Destas peles rubras, de apertos, marcadas,
deste alivia fértil, que exala, espalha,
no meu corpo sadio, esgotado, espectro.
Eis que te descansa nu, sereno, e domado.

GATO DE MINAS

Gracioso és tu! Há fantasias eróticas
Transbordando em seu olhar
É pálida a sensação desgastante
Em teu corpo figurante
Teu corpo arde com sede
Teu desejo chama em chamas
O corpo da sua amante!

Não quero que seja meu deus
Nem meu demônio nem ateu.
Nem meu sonho nem meu eu.
Seja apenas, meu.

QUE AMOR É ESTE?

Que amor é este que se deseja antes de tomá-lo nos braços
E se envolve entre abraços ao partir?
Que amor é este que não deixa escolha profere e revoga,
açoitando o destino faz chorar e sorrir?
Que amor é este que com todos os defeitos se faz perfeito na dor,
extravasando no olhar leva além da vida, o perdão?
Que amor é este que dorme para esperar a morte
E não desfalece o seu esplendor?
Que amor é este, cuja essência não foge ao vento,
E faz tempestade no silêncio da noite?
Que amor é este que acalenta faz dormir e sonhar,
Invadindo o corpo, a alma e o pensar?
Que amor é este que ronda o infinito inquietando céus
E no coração vem sereno repousar?
Quero!
Entre suas ondas, de onda em onda mergulhar
Meu corpo, minha alma, meu grito
Minha calma, meu sonhar
Meus ventos, meus inventos
Em meu pensamento lento
Poder acompanhar
Tuas ondas, Mar.

Uma parte minha é anjo
Outra parte fera negra
m lado bate asa e voa

O outro a asa conduz
O veneno que do anjo
Necessariamente reluz

MOMENTOS ERÓTICOS

Momentos eróticos Quando minhas mãos tocam O transparente vinho branco Num desvio qualquer. Estranho minha face Debruçada em meu ser mulher. Os sonhos opacos e esquecidos Refletem no álcool envelhecido Estampando minha nítida nudez.

BRANCA TIROLLO - A atriz, roteirista e escritora paulista Branca Tirollo, é membro da Academia de Letras do Brasil e autora de várias peças teatrais, de diversos projetos engajados, artísticos e sociais, do documentário Mil vidas em meu pensar, de inúmeros livros de contos e poesias, além de ter participado de várias antologias. Veja mais aqui.


MUSA DA SEMANA: BEE SCOTT
A cantora e compositora catarinense Bee Scott é graduada em Belas Artes pela Universidade Estadual de Santa Catarina e vive encantando o mundo com sua voz & blues. No release no site dela está que: “(...) Quando canta, Bee Scott solta voz e sentimento harmonizados em ondas tão quentes como sua alma. Soul, blues ou rock, não importa: ela varia, mistura e brinca nessas praias mostrando garra de intérprete e compositora. Quem a escuta pela primeira vez já sabe que o que ela canta é verdade, qualidade rara no cenário atual”. Verdade, a mais pura e cristalina verdade, é mesmo de arrepiar a interpretação personalíssima da lindíssima Bee Scott.


Atualmente Bee Scott está na estrada com o show “Acústico de Baladas”. E o grande momento fica por conta das composições próprias, carregadas de emoção que enobrecem seu canto eletrizante. Confira algumas letras de sua autoria.



SECRETO

Quantos passos ainda me faltam pra te encontrar
quantos caminhos desertos atravessar
por você que não vem
que não me tem
por você que não vem e não me tem
Nossas noites tem segredos de nós dois...
fantasias de amor te tocar
e você não consegue se mostrar
e você não consegue falar
E você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
Tudo secreto discreto como quiser
desde que saiba que eu sou tua mulher
a mulher que te quer...
E você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem
e você que não vem que não me tem



LEI

Você vem me dizendo que a saudade sufoca e doi
as palavras cortam como o vento e machucam meu corpo...
não sei porque ficar sofrendo por alguém que te quer também!
Ouço o som dos seus beijos
a contar todos os seus segredos
fecho os olhos e em segundos, me transporto pro seu mundo...
não sei porque ficar sofrendo, por alguém que ter que também
Quando o medo invade meus sonhos
na real pareço saber, que o que eu quero fica mais distante
É da lei a chuva que cai
é da lei as nuvens no céu
é da lei o amor florescendo
é da lei o tempo passar
não é da lei que eu não possa te amar...



VOCÊ NEGA

Quando sinto o teu corpo
Colado junto ao meu
Não adianta dizer
Dizer que não vai dar
Você nega
Mas o fogo te entrega
Minha boca te beijando sem
parar
O que falta pra você me amar
O que é que faço
Pra você me olhar bem nos olhos e
dizer
Amo você.
Usando o tempo
Pra pensar numa saída
Mas o teu rosto
Não consegue disfarçar
Tento fugir, mas não da mais para negar
Que o meu desejo é mais forte que
Meu medo
O que falta pra você me amar
O que é que faço
Pra você me olhar bem nos olhos e
dizer
Amo você.



Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
De segunda pra semana, Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade, Nise da Silveira, Roman Jakobson, Nísia Floresta, Federico García Lorca, Lobo de Mesquita, Gloria Pires, Leon Eliachar, João Rodrigues Esteves, Cláudio Tozzi & José Mauricio Nunes Garcia aqui.

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Tomás de Aquino, Padre Bidião, Ufologia, Padre Bidião & Confissão do Poeta Popular aqui.
Proezas do Biritoaldo: quando Deus num quer, santo num voga aqui.
Fecamepa: quando o nó se desata, bote banca porque o afolosado é a maior moleza, viu? Aqui.
No Reino da Teibei & Aprumando a conversa aqui.
Tolinho & Bestinha: quando Tolinho bateu pino com o capeta granulado aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
 Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.
 


ANNA LEMBKE, RIN USAMI, BIRHAN KESKIN, ANTÔNIO MARIA & YAYOI KUSAMA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...