Mostrando postagens com marcador Michael Haneke. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Michael Haneke. Mostrar todas as postagens

terça-feira, novembro 10, 2020

ÉDOUARD DUJARDIN, EMMANUELLE RIVA, HENRY VAN DYKE, TAMARA KVESITADZE, KURBAN SAID, NINON DE LENCLOS & ISA PONTUAL

 

TRÍPTICO DQC: VIDEVERVA, VIVAMOR - A vida retangular, meus dias à janela – manhãs, tardes e noites que se confundem pelas horas de claroscuros. Como eu queria as mãos no barro da terra, os pés pelas poças das calçadas, faces aos ventos, sabores de frutas maduras... O sonho recolhido na minha clausura. Remexo livros amontoados e monturos de coisas empilhadas pelos cantos. Entre os imprestáveis - presumo, como juntei tanta coisa, meu Deus, não sei mesmo -, uma lâmpada empoeirada: O que é isso? Não me lembro de tê-la adquirido, nem nunca a vi por perto. Curioso, tento remover a poeira e, com isso, uma fumaça emerge pelo bico: Será o gênio de Aladim? Não, não era: o escritor e dramaturgo francês Édouard Dujardin (1861-1949) lendo um trecho do seu livro Os loureiros estão cortados (Les Lauriers sont Coupés - Brejo, 2005): Um entardecer de sol se pondo, ar distante, céu profundo, e massas confusas, ruídos, sombras, multidões, espaços de extensão infinita, um vago entardecer… Pois sob o caos aparente, entre o tempo e o espaço, na ilusão das coisas que se engendram e se criam, um entre os outros, um como os outros, distinto dos outros, semelhante aos outros, um igual e um a mais, do infinito das possíveis existências, surjo eu; e eis que o tempo e o espaço se precisam. Nem havia me dado conta e já anoitecia: O tempo passava e sequer percebia. Ele sorriu enquanto eu cantarolava Gonzaguinha: Vida, vida, vida! E seja do jeito que for! Mar, amar, amor!... Ouvi sua gargalhada, mas não era mais dele, era Friedrich Schiller: O amor só é conhecido por aquele que irremediavelmente persiste no amor. Sim, sim, sei. E desapareceu do mesmo jeito como aparecera. Senti falta dela, há dias não dava as caras por aqui. A ausência dói e o amor, aquela semente que brota nos lugares mais improváveis.

 


DO AMOR & CIRCUNSTÂNCIAS ADVERSAS - Imagens: do premiado drama Amour (Amor, 2012), escrito e dirigido por Michael Haneke, contando a história de um casal de idosos aposentados, em que Anne é submetida a uma cirurgia mal sucedida na carótida que a deixa com um lado do corpo paralisado, destacando a atriz protagonista. – Na parede oposta uma projeção do filme me fez esquecer a solidão da noite. Durante a assistência, a porta se abre e ela adentra com um poema da atriz símbolo do amor da Nouvelle vague e poeta francesa Emmanuelle Riva (Paulette Germaine Riva – 1927-2017): Seu nome vai para a cama / em minha boca / Quando eu acordar / você já esta ai / meu sorriso / está sob seus dedos / você me mantém à distância / Eu tenho um curativo / no sextante / o corpo está à deriva / indo para o tempo / são os editos / da noite / (a) doçura louca / da liberdade. Logo se aproximou com um beijo e achegou-se ao meu lado acompanhando a projeção até o final. Fitou-me firmemente e recitou o escritor estadunidense Henry van Dyke (1852-1933): Amar não é receber, mas dar. Não um sonho ávido de prazer nem a loucura do desejo: não, nada disso é amar! O amor é bondade, respeito, paz... é simplesmente viver. E cobriu de vida a minha solitária existência e noite interminável.

 


DO QUE É CAPAZ O AMOR – Imagem: Ali & Nino - Man and Woman (2007), da escultora e artista georgiana Tamara Kvesitadze. Ao som da suíte sinfônica Pantanal (1990), de Marcus Viana, com a Transfônica Orkestra, Sagrado Coração da Terra & Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, sob a regência do maestro Lincoln Andrade. – Ao amanhecer era ela a escritora francesa Ninon de Lenclos (1620-1705): Nunca tive outra idade senão a do coração. No amor, a economia dos sentimentos e dos prazeres é a única metafísica apreciável. O amor é a comédia na qual os atos são mais curtos e os intervalos mais compridos. Como, portanto, ocupar o tempo dos intervalos senão com a fantasia? E me convidou das cinco às nove da noite para um evento no seu salão literário, estabelecido no Hôtel de Sagonne, para a encenação da comédia histórica em um ato misturada com vaudevilles e criada em sua homenagem e com seu nome, pelo Henrion – Armand Henri Ragueneau de la Chaianay (1875-1958). Aconteceriam também no mesmo horário o sarau com versos que o físico, matemático, astrônomo e horologista neerlandês Christiaan Huygens (1629-1695) fez para ela: Ela tem cinco instrumentos pelos quais estou apaixonado: / os dois primeiros, as mãos; / os outros dois, seus olhos; / Para o mais belo de todos, / o quinto que resta, / você tem que ser arrojado e ágil; a leitura do romance Memórias de Ninon de Lenclos, Cortesana del Siglo XVII (1857 – Hachette Bnf, 2017), do escritor e jornalista francês Eugène de Mirecourt (Charles Jean-Baptiste Jacquot - 1812–1880); a exposição das séries em histórias de quadrinhos Les Sept viés de l’éperier (1983/1991) / Masquerouge (2009) / Le Fou du Roy (Glenat, 1998) / Ninon secrète (Glenat, 1992), todas do artista francês Patrick Cothias; e o lançamento do livro Ninon De Lenclos: mulher de pensamento, homem de sentimento (WMF Martins Fontes, 1990), da jornalista e crítica francesa France Roche (1921-2013). Seria uma noite de consagração e com muitas homenagens, todas para ela, nada mais que merecido. Ela estava fulgurantemente linda, um colosso em forma de gente de tão exultante e glamourosa. À saída, não dispensou mencionar o poeta, escritor e jornalista argentino José Hernández (1834-1886): A oportunidade é como ferro: devemos batê-lo enquanto estiver quente. Melhor do que aprender muito é aprender coisas boas. E fomos de mãos dadas para a efeméride pelas estradas da nossa fantasia. Ao término da função, caminhamos até o boulevard de Batumi, e enamorados, vivemos a história dos amantes (E.P., 1937), do escritor azerbaijano Kurban Said (1905-1942): eu, o muçulmano Ali; e, ela, Nino, a princesa cristã georgiana, separados pela invasão soviética. E ali nos amamos para que o universo fosse festa naquela noite até outro amanhecer em nós. Até mais ver.

 

A ARTE DE ISA PONTUAL

A arte da artista plástica Isa Pontual. Veja mais aqui & aqui.


 

 


sexta-feira, dezembro 23, 2016

BJÖRK, ELFRIEDE JELINEK, MICHAEL HANEKE & ISABELLE HUPPERT, ODAWA SAGAMI, MARCIA PORTO & SOBREVIVENTE


SOBREVIVENTE DE DEZEMBRO A DEZEMBRO – (Imagem: desenho de um sobrevivente da bomba atômica, Odawa Sagami – Hiroshima Peace Memorial Museum ) Sobrevivente sou desde a contagem regressiva da virada do ano passado, e olhe que a coisa vem aos solavancos e na maior banguela ladeira abaixo, eu no meio, pedindo arrego acenando pra ver se alguém me enxerga no meio do afogamento todo desse alagamento que quase não tem mais fim e engolindo todo mundo! Ave, teietei! Foi. O ano engatou a primeira e, ao debrear, passou logo pra quinta da sexta marcha, coisa mais parecendo do tipo velocidade da luz num turbilhão sem fim que, quando dei fé, era dezembro! Menina! Vixe! Pois é, é como se o Brasil batesse o pé pra ser levado a sério e, por causa disso, Papai Noel tivesse caído nas suspeitas da Lava Jato por indícios de que estava carregando no saco dinheirama traficada dos subornos da Petrobrás, sendo procurado coercitivamente pelos quatro cantos do mundo pela Polícia Federal e responsabilizado pelo azedume que ficou a economia pros empresários infelizes por não terem salvado o seu natal e que, por consequência nefasta disso, o time lá de nem sei quem dos fulanos dos colhões inchados caiu pra segunda divisão e levou junto uma tuia de deputado e senador pra bancarrota o que periga tirar de circulação um bocado de bloco que é capaz de nem sair no carnaval do ano que vem, aumento de meio mundo de coisa por carestia nos bolsos deles e num efeito em cadeia que vai pegar a gente desprevenido só pra risadagens deles. Coisa de louco no maior breu! Pelo jeito está tudo enganchado com o aumento das passagens e o calote da previdência no golpe que vai de vento em popa e a gente pagando o pato pela bilionésima vez e não se aprende e vota tudo de novo de eleição em corrupção avolumando o desespero de quem acha que não tem nada a ver com isso e está com o rabo preso até o último pentelho do cu. Valha-me quem quer que seja que esteja de plantão! Vá lá que seja qualquer segundo do terceiro escalão que o Brasil só volta a funcionar de mesmo só depois do carnaval. Eu mesmo só não bati as botas de vez, porque fui contemplado com a magia dos encantos de Freyaravi, o amor aquecendo o coração no verão de dezembro a dezembro, ulalá. Não fosse o feitiço dela, larali laralá, eu já tinha emborcado na primeira esquina dos vexames, porque o Brasil só está servindo mesmo pra matar a gente do coração ou de qualquer outro susto. Sobrevivente eu vou & vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

 Curtindo o álbum Vespertine (Universal Music, 2001), da cantora e compositora islandesa Björk. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Crônica natalina, John Keats, Lampedusa, Gregório de Matos Guerra, Betinho, Chet Baker, Paulo Cesar Sandler, Franco Zeffirelli, Willy Kessels, Hans Makart & Teatro Renascentista aqui.

E mais:
Natal de Popó aqui.
Pastoril do Doro aqui.
O banquete natalino de Beliato aqui.
Papai Noel amolestado aqui.
A prisão do Papai Noel aqui.
Então, é natal aqui.
Quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Proezas do Biritoaldo aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Even87tos aqui.

DESTAQUE: LA PIANISTE 
O premiado fil7me La pianiste (A professora de piano, 2001), escrito e dirigido por Michael Haneke, baseado no romance Die Klavierspielerin, da escritora e dramaturga austríaca Elfriede Jelinek, conta a história de uma solitária e fria professora de piano, reprimida sexualmente e é flertada por um de seus alunos e, depois de costumeiras idas a uma loja pornográfica, resolve aceitar o jogo sadomosoquista com o aluno. O destaque do filme fica por conta da atuação da premiada atriz francesa Isabelle Huppert.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
 Arte da série Ophelia II, da artista plástica Márcia Porto.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


domingo, setembro 02, 2012

MÁRIO FAUSTINO, ÍTALO CALVINO, MARINA ABRAMOVIĆ, JORGE LARROSA, JULIETTE BINOCHE & LITERÓTICA - PORTIER DES CHARTREUX


QUANDO O AMOR É AZUL - Imagem: art. by Lana Moes - Quando o céu se reflete no seu olhar estrelado de imensa ternura, eu já tomado de amores, flor miosótis, sou cada vez mais o escravo que não pode viver longe do encanto que me prende a todo desvario e vertigem dos impulsos do coração abrasado de amor. E esse amor é você. Quando o mar se aprofunda no seu ser onde corre o sangue ardente de irresistível encanto, excepcional beleza e suas íngremes e deliciosas dunas, cada vez mais, beija-flor, sou servo inteiro ao seu dispor. E meu beija-flor é você. Quando o sol se reflete no seu riso cheio de surpresa e furor com cintilações azuladas onde você, tostada pelo fogo ardente do coração na febre do amor, trazendo meu gosto na boca, minha posse no corpo e meu desejo na alma, mais me vejo grato sangue ardente a me jogar onde quem manda é o amor. E o amor, beija-flor, está em você. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.
 


DITOS & DESDITOS - O amor, às vezes, toma formas que transcendem o ato de vivenciá-lo. O amor, ele mesmo, pode, de repente, se transformar, mudar de cara, nome e endereço. Pode até mesmo virar arte. O amor não tem espaço. O amor não tem tempo. O tempo é uma ilusão. O tempo só existe quando pensamos no passado e no futuro. O tempo não existe no presente, aqui e agora. A vida é feita de fases, e mudanças fazem parte disso. Nem sempre são fáceis, mas já que são inevitáveis, por que não levar com a gente o melhor de cada um desses ciclos? No final, a conta é simples: organizar os pontos positivos para que eles se sobressaiam aos negativos. Associar pessoas e lugares também é uma forma de simbolizar a importância que essas experiências tiveram para nós. O mais difícil é fazer algo que é quase nada, porque exige tudo de você. Se você pode mudar a mente das pessoas, você pode mudar o mundo. Quanto mais você pensa em morte e mortalidade, mais gosta da vida. Porque então você não perde tempo. Você apenas se concentra. Porque no final você está realmente sozinho, independentemente do que fizer. A mulher sempre tem que desempenhar esse papel de ser frágil e dependente. E se você não é assim, eles ficam fascinados por você, mas só por um tempo. E depois eles querem mudar você e te destruir. E depois partem. Então, serão muitos os quartos de hotel solitários, minha querida. Desde muito cedo, entendi que só aprendo com coisas que não gosto. Se você faz coisas que gosta, você faz sempre o mesmo. Você sempre se apaixona pelo cara errado. Porque não há mudança. É tão fácil fazer as coisas que gosta. Então, quando você tem medo de alguma coisa, enfrente, avance. Você vai se tornar um ser humano melhor. Pensamento da artista performativa sérvia Marina Abramović. Veja mais aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Eu me pergunto como eles encontrarão tempo para desfrutar dos maiores prazeres da vida: silêncio, calma, solidão. Sem nunca os ter conhecido eles não poderão sentir falta deles. Como eu os conheço, Sinto pena deles. Pensamento do ilustrador, litógrafo, caricaturista e escritor francês Albert Robida (1848-1926).

 

LUGAR DA MEMÓRIA - [...] Lugares de memória são antes de tudo sobras. A forma extrema em que subsiste uma consciência comemorativa numa história que a pede, porque a ignora. […] Museus, arquivos, cemitérios e colecções, festas, aniversários, tratados, atas, monumentos, santuários, associações, são montículos que testemunham outra época, ilusões de eternidade. [...]. Trechos extraídos da obra Les lieux de Mémoire (7 vols. Gallimard, 1984), do historiador francês Pierre Nora, estabelecendo o conceito histórico que se tornou referência para o estudo da história cultural sobre memória coletiva e patrimônio cultural. Trata-se de determinados lugares ligados a certos acontecimentos excepcionais do passado, muitas vezes ocorrendo em um contexto traumático (como uma guerra), do qual a comunidade optou por manter a memória, significando os marcos culturais, lugares, práticas e expressões de um passado comum. Esses marcos podem ser concretos e tangíveis, como objetos ou monumentos, mas também podem ser intangíveis, como história, linguagem ou tradições. O autor integra a Escola dos Annales, a Nova História e é editor em Ciências Sociais. Veja mais aqui.

 

A EXPERIÊNCIA – [...] É interessante que, no nosso mundo miserável, existem os crimes contra a propriedade e contra o corpo, mas não existem os crimes contra a alma e contra a beleza. [...] O saber da experiência é um saber que não pode separarse do indivíduo concreto em quem encarna. Não está, como o conhecimento científico, fora de nós, mas somente tem sentido no modo como configura uma personalidade, um caráter, uma sensibilidade ou, em definitivo, uma forma humana singular de estar no mundo, que é por sua vez uma ética (um modo de conduzir-se) e uma estética (um estilo). [...]. Trechos extraídos da obra Notas sobre a experiência e o saber da experiência (Revista Brasileira de Educação, 2002), do professor e educador Jorge Larrosa. Veja mais aqui.

 

A INFÂMIA – [...] Infame é aquele que é marcado por infâmia: desonrado, desacreditado, desprezado, tocado pela vileza, pela baixeza, pela vergonha e pelo opróbrio. Para o infame não há crédito, honra ou aceitação; somente ignomínia, repulsa e censura. A infâmia é sempre pública e depende da opinião de muitas pessoas, que se encontram em um mesmo julgamento de ordem moral: o infame os escandaliza, fere as bases da conduta corrente e, por isso, deve ser sinalizado, separado e punido. O infame está sempre alhures. [...]. Trecho extraído da obra Histórias da Infâmia: de Borges a Foucault (Anuário de Literatura, 2010), do professor Kevin Falcão Klein.

 

CIDADES INVISÍVEIS – [...] Pode ser que eu tenha medo de repentinamente perder Veneza, se falar a respeito dela. Ou pode ser que falando de outras cidades, já a tenha perdido pouco a pouco. Trecho extraído da obra As cidades invisíveis (Companhia das Letras, 1991), do escritor italiano Ítalo Calvino (1923-1985). Veja mais aqui e aqui.

 

SETE SONETOS DE AMOR E MORTE - I – O MUNDO QUE VENCI DEU-ME UM AMOR - O mundo que venci deu-me um amor, / Um troféu perigoso, este cavalo / Carregado de infantes couraçados. / O mundo que venci deu-me um amor / Alado galopando em céus irados, / Por cima de qualquer muro de credo, / Por cima de qualquer fosso de sexo. / O mundo que venci deu-me um amor / Amor feito de insulto e pranto e riso, / Amor que galga o cume ao paraíso. / Amor que dorme e treme. Que desperta / E torna contra mim, e me devora / E me rumina em cantos de vitória... II– NAM SIBYLLAM - Lá onde um velho corpo desfraldava / As trêmulas imagens de seus anos; / Onde imaturo corpo condenava / Ao canibal solar seus tenros anos; / Lá onde em cada corpo vi gravadas / Lápides eloquentes de um passado / Ou de um futuro arguido pelos anos; / Lá cândidos leões alvijubados / As brisas temporais se espedaçavam / Contra as salsas areias sibilantes; / Lá vi o pó do espaço me enrolando / Em turbilhões de peixes e presságios / Pois na orla do mundo as delatantes / Sombras marinhas, vagas, me apontavam. III – INFERNO, ETERNO INVERNO, QUERO DAR - Inferno, eterno inverno, quero dar / Teu nome à dor sem nome deste dia / Sem sol, céu sem furor, praia sem mar, / Escuma de alma à beira da agonia. / Inferno, eterno inverno, quero olhar / De frente a gorja em fogo da elegia, / Outono e purgatório, clima e lar / De silente quimera, quieta e fria. / Inverno, teu inferno a mim não traz / Mais do que a dura imagem do juízo / Final com que me aturde essa falaz / Beleza de teus verbos de granizo; / Carátula celeste, onde o fugaz / Estio de teu riso - paraíso? IV – AGONISTES - Dormia um redentor no sol que ardia / O louro e a cera, dons hipotecados / Da carne postulada pelo dia; / Dormia um redentor nos incensados / Lençóis que a lua póstuma cobria / De mirra e de açafrões embalsamados; / Dormia um redentor no navegante / Das mortalhas de escuma que roía / O verme de seus sonhos abafados; / E até no atol do sexo triunfante / Do mar e da salsugem da agonia / Dormia um redentor: e era bastante / Para acordá-lo o verso que bramia / No cérebro do atleta e lá morria. V – ONDE PAIRA A CANÇÃO RECOMEÇADA - Onde paira a canção recomeçada / No capitel de acanto de teu lar? / Onde prossegue a dança terminada / Nas lajes de meu tempo de chorar? / Rapaz, em minhas mãos cheias de areia / Conto os astros que faltam no horizonte / Da praia soluçante onde passeia / A espuma de teu fim, pranto sem fonte. / Oh juventude, um pálio de inocência / Jamais se estenderá sobre outra aurora / Mais clara que esta clara adolescência / Onde o lupanar da noite hoje devora: / Que vale o lenço impuro da elegia / Sobre teu rosto, lúcida alegria? VI – EGO DE MONA KATEUDO - Dor, dor de minha alma, é madrugada / E aportam-me lembranças de quem amo. / E dobram sonhos na mal-estrelada / Memória arfante donde alguém que chamo / Para outros braços cardiais me nega / Restos de rosa entre lençóis de olvido. / Ao longe ladra um coração na cega / noite ambulante. E escuto-te o mugido, / Oh vento que meu cérebro aleitaste, / Tempo que meu destino ruminasse. / Amor, amor, enquanto luzes, puro, / Dormindo é claro, eu velo em vasto escuro, / Ouvindo as asas roucas de outro dia / Cantar sem despertar minha alegria VII – ESTAVA LÁ AQUILES, QUE ABRAÇAVA - Estava lá Aquiles, que abraçava / Enfim Heitor, secreto personagem / Do sonho que na tenda o torturava; / Estava lá Saul, tendo por pajem / Davi, que ao som da cítara cantava; / E estavam lá seteiros que pensavam / Sebastião e as chagas que o mataram. / Nesse jardim, quantos as mãos deixavam / Levar aos lábios que o atraiçoaram! / Era a cidade exata, aberta, clara: / Estava lá o arcanjo incendiado / Sentado aos pés de quem desafiara; / E estava lá um deus crucificado. Poemas extraídos da obra O homem e sua hora e outros poemas (Companhia das letras, 2009), do escritor, jornalista, crítico literário e tradutor Mário Faustino (1930-1962). Veja mais aqui.

 

CODE INCONNU – O drama Code inconnu: Récit incomplet de divers voyages (2000), dirigido por Michael Haneke, inspirado na vida do romancista Olivier Weber, apresenta várias histórias diferentes, todas as quais se cruzam periodicamente, estrelado pela atriz francesa Juliette Binoche. Conhecido pelo nome de Código Desconhecido a obra é composta de longas tomadas não editadas, filmadas em tempo real, cortadas apenas quando a perspectiva dentro de uma cena muda de um personagem para outro no meio da ação. Veja mais aqui e aqui.

 


PORTIER DES CHARTREUX – [...] Ó orgasmo! Você é um raio de divindade! Ou você não é a própria divindade? [...] Você não tem um bordel ou um fanático ao seu alcance a cada momento, mas o pássaro está sempre lá para bater nele. [...]. Trechos extraídos da obra Portier des Chartreux A História de Dom Bougre, porteiro do Chartreux (Estampe gravée, 1922), atribuído ao advogado e escritor francês Gervaise de Latouche (1715-1782), que descreve as incríveis aventuras libertinas e licenciosas do famoso monge debochado Abbot Desfontaines, caracterizada pela vivacidade das cenas e pela falsa ingenuidade de seu estilo. Este romance foi reeditado em 17787 sob o título de Memórias de Saturnino (Paris, Cazin). Veja mais aqui.

 

PROGRAMA DOMINGO ROMÂNTICO – O programa Domingo Romântico que vai ao ar todos os domingos, a partir das 10hs (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação deste domingo aqui. Na edição deste 02/09 do programa Domingo Romântico, uma produção da radialista e poeta Meimei Correa e apresentado por Luiz Alberto Machado, está com uma programação pra lá de especial, confira as atrações: Edward Grieg, Marilena Chauí, Tchaykovsky, Elis Regina, Tarsila do Amaral, Francisco Mignone, Antonin Artaud, Seiji Ozawa, Floyd Council, Anton Bruckner, Aldir Blanc, Edu Lobo, Zimbo Trio, Maria Montessori, Toquinho, Eduardo Galeano, Joachim Koellreutter & Gilberto Mendes, Francis Hime, Nicolas Krassik, Charlie Parker, José Régio, Jackson do Pandeiro, Lenine, Arnaldo Antunes, E. E. Cummings, Ana Carolina, Paulynho Duarte & Braz Chediak, Walter Sarsa, Johnny Mathys, Clara Redig, André Sampaio, Leila Pinheiro, Eduardo Conde, Paulo Gracindo, Yassir Chediak, Filipe Catto, Jessier Quirino, Pena Branca e Xavantinho, Maria Creuza, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Engelbert Humperdinck, Isaurinha Garcia, Dery Nascimento, Mazinho, Waldick Soriano, Walter Pepê, Cikó Macedo e Zélinaldo, Edson Gomes, Marcio Greyck, Carlinho Motta, Cantor Pitanga & muito mais! Veja mais aqui.

Confira mais detalhes e veja outras edições do programa aqui.


Veja mais sobre:
Ginofagia aqui, aqui e aqui

E mais:
O presente na festa do amor aqui.
Primeiro encontro, a entrega quente no frio da noite aqui.
Primeiro encontro: o vôo da língua no universo do gozo aqui.
Ao redor da pira onde queima o amor aqui.
Por você aqui.
Moto perpétuo aqui.
O uivo da loba aqui.
Ária da danação aqui.
Possessão Insana aqui.
Vade-mécum – enquirídio: um preâmbulo para o amor aqui.
Eu & ela no Jeju Loveland aqui.
O flagelo: Na volta do disse-me-disse, cada um que proteja seus guardados aqui.
Big Shit Bôbras aqui.
A chupóloga papa-jerimum aqui.
Educação Ambiental aqui.
Aprender a aprender aqui.
Crença: pelo direito de viver e deixar viver aqui.
É pra ela: todo dia é dia da mulher aqui.
A professora, Henrik Ibsen, Lenine, Marvin Minsky, Columbina, Jean-Jacques Beineix, Valentina Sauca, Carlos Leão, A sociedade da Mente & A lenda do mel aqui.
Educação no Brasil & Ensino Fundamental aqui.
Bolero, John Updike, Nelson Rodrigues, Trio Images, Frederico Barbosa, Roberto Calasso, Irma Álvarez, Norman Engel & Aecio Kauffmann aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
 Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.




NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...