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sábado, agosto 22, 2026

DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

 


Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinador - a cada obra adivinhava futuro ou passado, era. E diziam dele ser o profeta tebano reencarnado: Ora, se; tá na cara! Só faltava virar mulher, se num já foi uma vez na vida. Quando não dava forma obrando verdadeiros milagres no barro, nos tocos de madeira, tecidos, metais, fibras ou vidros, moldando, costurando, ajeitando, cortando, entalhando ou pintando, era o bulício das expectativas de entusiastas coscuvilheiros, o que é o que é, e ele, na ponta da língua, tome! Mão na massa só saía coisa bonita de se ver, enchiam mesmo os olhos, chega dava gosto: os bonecos escritinhos gente, só faltavam falar; os bichos tudo em ponto de andar, de quase ouvi-los barulhando no oitão. Ora, se. Bicho danado esse Tirésia, hem? E não faltava quem queria saber da sorte, cura ou desejo, aos muitos: pais ansiosos se menino ou menina no bucho e quem ia nascer dos dois, se ia ganhar litígio na justiça, se o negócio ia dar certo, se a safra ia ser boa, se ia ganhar a eleição, ora, afora outros tantos, cada qual com sua pendenga desvendada por antecipação. Mesmo assim, solitário invisual, valia-se da companhia de Maricota, sua assistente dedicada, que um dia fora uma órfã perdida no meio do mundo. Ele abrigou-a e, por gratidão, ela lavava, passava, cuidava, administrava a casa e as finanças. Sim, ela não escapou de vultosas propostas de noivados e casamentos, mas todas recusou: não tenho nada nem ninguém e, ao mesmo tempo, tenho tudo: este velho bondoso que nem precisa de mim, foi quem me deu guarida desde menina, a me servir por generoso pai até agora. Assim era. E um dia lá, no meio da lida, ele assuntou e saiu de casa desembestado. Que foi que houve? Quem sabe! Pronde ele foi? Ora. Dali um tempo retornou com uma chorosa menina – Juremilda, dita filha enjeitada dum tal de Zé Broco, abastado comerciante, que queria um filho homem para herdar sua fortuna; mas, por ironia do destino, só lhe vinham filhas encarreadas e já havia abandonado duas outras antes, agora mais uma, todas repelidas, lavado de desgosto. Aí ele recolheu e trazia pela mão a garotinha abandonada, deu guarida e dela passou a cuidar: Achei-la perdida na rua, coitada! Doutra feita, pouco tempo depois, ocupado que só, ouviu do nada um choro longínquo e aguçou as ventas, saiu sem dizer nada e, ao cabo de algumas horas, lá vinha ele trazendo um maltrapilho menino – Dioguito, filho duma viúva que durante a gravidez teve seu marido assassinado e repudiou o filho assim que deu à luz, porque seu sonho era uma menina para lhe acompanhar a sina. Mais um desamparado, agora tidos por seus netos, assim criados, mantidos, educados, crescidos e viraram gente, seguindo seus passos e, por artes do destino, proutras profissões, ganharam mundo, cada qual pro seu lado, foram-se. A vida seguia, quando, certa noite, ele chamou a inseparável Maricota e arrumou-se todo, como há anos não havia. Todo paramentado no seu cavalo-marinho, o agora capitão surgiu à porta e foi só alvoroço na rua: um bombo apareceu no improviso da batida chamando o povo. Foi juntando gente. Para onde fosse, o povo ia atrás. Pronde ele vai? Oxe! Num terreiro plano parou, deu dois apitos e, do meio da multidão, emergiu o banco da orquestra, com os tocadores de rabeca, pandeiro, ganzá e reco-reco. Tome função, o trupé na pisada solta. Foi na toada de chegada, a de Alevante, com os toadeiros na saudação: Viva Mestre Salustiano! Viva! Viva Mestre Duda Bilau! Viva! Viva Mestre Biu Roque! Viva! Viva Mestre António Teles! Viva os Filhos de Salú! Viva! Vamos barrer! E dava início ao mergulhão, sapateado no galope dos cavalos, passos rasteiros, saltos rápidos, levantava poeira. Vamos bater mergulho! E fizeram a roda do samba, entrou Ambrósio, o mercador das figuras: no pé da roda, saudou o capitão com mesuras, às pilhérias e pulhas, danou-se a dançar – Ô boca podre! Logo veio Mateus, o Caroca, pra fazer par no arrastado dos pés. Desorganizavam tudo e, no achegado da coisa, Bastião tomou conta pra aprontar das suas, às mungangas e caretas, a bexiga batendo nas canelas. Atrás dele, a feiosa Catirina toda assanhada, tocando fogo de arrepiar: Lá vem o soldado da Gurita! Bota ordem: Respeite a farda, seus folgados! E o bafafá seguia azeitado no balanço dos cacoetes, vícios e mazelas: Ô, seu guarda, o senhor fique quieto! Pode se mandar, somos donos do fuzuê! Se dane, vá! Tá presa a banca do som, Mateus, Bastião, Ambrósio, Catirina e os agaloados tão tudo parados e se bater eu furo! Calma, seu guarda, ordem de capitão! Tá tudo liberado! Despacharam-se todos e recomeçaram os Galantes, uma guarda de honra, dançavam com suas damas, maior galantaria. Mateus, Bastião e Catirina só atiçando o povo assistente. Aí o Empata Samba batia lata na toada, atrapalhando a festa. Sai-te pra lá, desgrama! Vou vadear! E o Mané do Baile: Sou Véi Barbaça e tudo resolvido. Abriu-se a eira pro baile na dança do magui: esvoaçavam saias, fitas e espelhos, chapéus com pingentes dourados, gingado. Bora, brincantes! Isso é que é assustado! Hora das loas e das toadas, o cangaceiro e o vaqueiro, o matuto da goma, o Mané Joaquim. A Véia do Bambu puxou maracatu pro povo de Itambé, Condado, Aliança e Itaquitinga. Segura a onda! Tem mais samba? Muito baião! E o Caboclo de Arubá: Olhaí o Caboclo de Pena, da linha de Jurema! Vamos forrozear! Lá vem o boi! – Leva pra vagem, hora da farra! Olha o apito! Do nada entrou Juremilda glosando motes. Eita! Apareceu, foi? Mas, menina! Atrás dela, Dioguito deu o ar de sua graça e batia palma no rastapé, um desafio no mourão, dela arremedar com quadrão; ele puxou gabinete, ela respondeu com martelo e vai e volta, a coisa se solta no maior festão. O truvuque ficou bão demais! Vamos pro maguião, a dança dos aicos e coco de despedida: o bailarico dos arcos das baianas. Ambrósio de volta imita todos da festa: o boi já morreu e ressuscitou, vamos rear! Simbora, gente, a noite se foi, o dia já veio! E o cego Tirésia se não via, sentia no mais fundo da alma e em família toda sua obra e feito, nem sabia o amanhecido que já era outro acumulando os tantos passados. Até mais ver.

 

Julio Cortázar: Somente vivendo de forma absurda é possível escapar desse absurdo infinito... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Iris Murdoch: A educação não nos faz felizes. Nem a liberdade. Não nos tornamos felizes apenas por sermos livres – se é que somos. Ou por termos sido educados – se é que fomos. Mas sim porque a educação pode ser o meio pelo qual percebemos que somos felizes. Ela abre nossos olhos, nossos ouvidos, nos mostra onde as delícias se escondem, nos convence de que existe apenas uma liberdade que realmente importa, a da mente, e nos dá a segurança – a confiança – para trilhar o caminho que nossa mente, nossa mente educada, nos oferece... Veja mais aqui & aqui.

Camilla Läckberg: A literatura é vida e morte. As pessoas vêm e vão. Vivemos. Morremos. Mas a literatura que criamos continua viva... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ALÉM DA ESTRADA DO RIO

Imagem: Acervo ArtLAM.

Era preciso olhar de perto, tão perto quanto a palma da mão. E era preciso olhar muito além para vê-los. Eles não se assemelhavam a nenhum tipo de Senhor: o Tempo, saltitante ou não — contudo, percorriam dimensões. Era preciso vê-los percorrendo a Estrada do Rio, aparando suas bordas; lançando à sombra todos que chegavam e todos que partiam — os que voltavam para casa, os que partiam sem rumo, os desgarrados, os perdidos; silenciando os pombos irreverentes e o bater de asas inerte das crianças correndo para a escola, com o leite da mãe ainda pingando em suas bocas abertas, maduras demais. Eles suavizavam as linhas borradas dos turistas, sorrisos tão tensos quanto cordas de orçamento, e reprimiam os motoristas de van que (mais uma vez) não se importavam com a própria segurança, tentando transformar uma confusão em briga — nenhum policial à vista — e o sol, o vilão em sua própria festa, incitando palavrões e rancor. Como se estivesse seguindo um roteiro. Um deles carregava um bastão, esculpido — ou talvez fosse um pedaço de cana. Era preciso olhar com atenção para ver as cabeças inclinadas em raciocínio; em cálculo. E eles se moviam como um só através daquele palco instável, os dreadlocks se fundindo aos torsos, aos braços e às pernas: dois irmãos cheios de conhecimento e recursos abarrotados em suas mochilas; Jedi africanos, samurais negros saindo diretamente de seus próprios segredos e sonhos. E pareciam estar tramando algo. E parecia a trama de uma demolição de muros. Mas parecia a construção urgente, primeiro, daqueles muros predestinados; ou antes disso, o plantio de árvores para se encontrarem embaixo e travarem campanhas para queimar os tijolos que construiriam esses mesmos muros. E parecia um sangramento. E parecia uma onda gigante de rio-mar-oceano-riacho. E parecia vislumbres de floresta esquecida, colina distante e campo que desaparece; e uma mistura, mistura de terra, argila, calcário coral, areia e pele. E parecia a luz nítida e Falernum da aurora ou o desvario de um sol em uma van, depois do meio-dia; a densa névoa da tarde. Parecia pores do sol flamejantes e um sacramento de luas de sangue e luas azuis e sem lua e meia-noites — tudo isso, infiltrando-se nas ruas para tingir os ventos. E pareciam estar prontos. E pareciam prestes a se impregnar no solo diante de nossos olhos. Mas era preciso ter boa aparência, porque eles não se demoravam. Moviam-se como aparições de sangue, de carne, de tendão. Não roubavam a cena, apenas a dominavam por um instante, lançavam alguma sombra sobre nós e silenciavam o palco. Um deles carregava um bastão. Talhado, talvez. Ou talvez apenas um pedaço de cana, para brandir. Tecendo feitiços. Ou afiando arestas. Difícil dizer com aquele passo solto e sem pressa, sem parecerem, como pareciam, senhores do tempo ou ladrões de holofotes, ou portadores de um silêncio frio e cristalino para congelar o sol. Nunca saberemos… Porque não estamos enxergando muito bem de perto e muito menos além da River Road.

Poema da premiada poeta, editora e contadora de histórias de Barbados, Linda M. Deane, cofundadora do fórum editorial e cultural ArtsEtc, coeditora de Shouts from the Outfield: The ArtsEtc Cricket Anthology e ativista literária.

 

BELLADONA – […] Não mude nada de si mesmo de que você gosta para deixar os outros confortáveis. Não tente se moldar para se adequar aos padrões que outra pessoa estabeleceu para nós. [...] Você não deve permitir que a morte o consuma tão completamente. Viver não é egoísmo. [...] Pare de se preocupar com a sociedade e de jogar o jogo dela, na esperança de ser bom o suficiente. Não existe essa coisa de verdadeira bondade; existe apenas a percepção. [...] Para mim, você é uma canção para uma alma que jamais conheceu a música. Luz para alguém que só viu a escuridão. Você desperta o que há de pior em mim, e eu me torno vingativo com aqueles que o tratam de maneiras que não me agradam. No entanto, você também desperta o que há de melhor em mim — quero ser melhor por sua causa. Melhor para você. [...]. Trechos extraídos do livro Belladonna (Plataforma 21, 2023), da escritora estadunidense Adalyn Grace, autora de obras como: Fluch der sieben Seelen (All the Stars and Teeth, 2020) e Erbe der sieben Inseln (All the Tides of Fate, 2021).

 

COMO HERDAR UMA CORAGEM? – [...] muitas vezes não sabemos quem foram os nossos doadores nem de que são feitos nossos tesouros. [...]. Trechos extraídos da obra Como Herdar uma Coragem? (KKYM+P.OR.K, 2021), do filósofo, historiador e crítico de arte francês, Georges Didi-Huberman, no qual indaga testemunhos dos sobreviventes judeus do gueto de Varsóvia, enquanto constatações de uma herança com contornos que dependem da multiplicidade das memórias e das concepções do tempo histórico, evidenciando as diferenças e paralelos que decorrem entre a luta corajosa dos judeus pela liberdade no gueto de Varsóvia e as ameaças atuais do totalitarismo, do colonialismo e do fascismo, que podem emergir em qualquer horizonte. A esse respeito ele expressa que: Ninguém pode olhar pelos outros... Para definir nosso desejo de futuro, temos que saber que memória herdamos... No seu livro Ninfa dolorosa: Essai sur la mémoire d’un geste (Gallimard, 2019), ele expressa que: [...] É um conjunto de imagens onde o motivo do feminino se aproxima perigosamente da negatividade violenta e mortífera […] Das bacantes pagãs às pranteadeiras cristãs, passando pela kinah judia ou o lamento muçulmano, é todo um motivo – essencialmente trágico – de uma Ninfa dolorosa que Warburg perseguia nas pranchas do seu atlas [...] os ‘corpos de dor’ e de ‘lamentação’ se verão animados de uma totalmente nova energia: o burguês se faz linchar, as mulheres urram de cólera, um tipo de alegria selvagem se apodera de toda a multidão em luto. Revolução, de fato: revolução nos afetos, nos gestos, nos corpos, nas decisões coletivas [...] da morte e da sobrevivência, do ser perdido e do ser enlutado, do silêncio e do grito, da ausência e da invocação. Não há lamentação sem esse ritmo profundo [...]. No seu livro Ninfa moderna: essai sur le drape tombe (2002), ele aborda o erótico, a sensualidade, o desejo dessas divindades menores sem poder institucional. Como ponto de partida, como imagem e como montagem2, tomou as figuras femininas da Antiguidade e do Renascimento. Para ele a ninfa, como a aura benjaminiana, declinou com os tempos modernos, problematizando a observação de duas sutis facetas dessa imagem, desse declínio: o drapeado e a queda. Já na obra Par les Désirs - Fragments sur ce qui nous soulève (Éditions Gallimard/Jeu de Paume, 2016), observa ele que: [...] Desobedecer, veja um verbo que rima tão bem com desejar. Desobedecer é tão antigo, frequentemente tão urgente, quanto desejar […] E como não convocar, uma vez mais, as mitologias do Atlas ou de Prometeu? Ou a história de Eva? […] Desobedecer: essa seria a recusa em ato e, ao mesmo tempo, a afirmação de um desejo enquanto algo irredutível [...]. Também é autor de obras como Kore (2011), Survivance des lucioles (2009), Images in Spite of All: Four Photographs from Auschwitz (2008) e Invention of Hysteria: Charcot and the Photographic Iconography of the Salpêtrière (2004), entre outras. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE MUSICAL DE MARINÊS

[...] Eu sou uma profissional, onde for o show, eu chego lá, seja de carro, avião ou em cima de um jumento. Eu adoro estar no palco, foi uma dádiva que Deus me deu. Não saio dizendo que sou Rainha do Forró, se fosse explorar seria Rainha do Xaxado, pois foi Luiz Gonzaga que me homenageou e não saio dizendo; dizem e apenas concordo. O importante não é o trono de Rainha, mas subir no palco e abrir o gogó. Então é um orgulho e honra de cantar as belezas, costumes e necessidades do nordestino. Eu me alugo para fazer o show, ninguém me compra; pagam os meus serviços prestados. [...] Sou uma pessoa comum e singular. Não me aproveito desse nome lutado e trabalhado ao longo dos 50 anos de carreira. Gosto de receber elogios sinceros. Vivo uma vida normal, como o que todo mundo come. Quando não tenho empregada, vou para cozinha. Dou prioridade à família (filhos, irmãos e pais) e estou sempre junto deles como uma galinha e seus pintos. Quando me aborrecem, se eu puder na hora dissolver o coágulo, dissolvo para não ficar engasgada. Mas muitas vezes engulo sapo para não passar por mal educada, não ser cem por cento nordestina. [...].

Trechos de uma entrevista (Ritmo&Melodia, 2005), ao jornalista Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, concedida pela saudosa cantora, atriz, advogada e apresentadora Marinês (Inês Caetano de Oliveira – 1934-2007), a rainha do xaxado, a Luiz Gonzaga de saias, que foi casada com o acordeonista Abdias dos Oito Baixos (José Abdias de Farias – 1932-1991) e juntos atuaram juntos com Luiz Gonzaga & seus cabras da peste! Sobre ela encontra-se o livro Marinês Canta a Paraíba (2005), do sociólogo e professor Noaldo Ribeiro e a dissertação de mestrado A representação do Nordeste nas letras das músicas de Marinês (UEPB, . 2009), que redundou no artigo Representações do feminino na música do Nordeste (XII Conages, 2016), ambos de Claudeci Ribeiro. Na matéria Marinês: rainha do xaxado e dona de uma trajetória de pioneirismo na música nordestina (Jornal da Paraíba, 2022), está expresso que: [...] Não havia nenhuma tradição de mulher cantando xaxado, baião e xote. Também não era coisa de mulher essa roupa de couro que eu usava [...] sonho de criança se realizando, eu  ao lado de Luiz Gonzaga, olhando para a cara dele! [...]. a respeito dela disso o poeta, compositor e escritor Bráulio Tavares: Marinês é o grande nome, tendo criado uma escola de interpretação que é hoje seguida de ponta a ponta pelo Nordeste. Veja mais aqui.

 


TEMAS DE PSICOLOGIA CONTEMPORÂNEA – Os debates temáticos da psicologia contemporânea abordam as questões acerca da saúde mental na era digital, o estresse pós-traumático, os impactos da tecnologia na mente, a neurodiversidade, o esgotamento e Burnout, práticas baseadas em evidências e as novas configurações do trabalho, entre outros questionamentos. Para tanto reunimos reflexões de psicólogos, neurocientistas, filósofos e uma diversidade intelectual que se tem se debruçado sobre tais temáticas, como Elizabeth Loftus, Vera Iaconelli, Ignacio Martín-Baró, Vinciane Despret, Gloria Mark, Nancy Tucker, Rosa Mechiço, Brenda Milner, Diagne Mbengué, Diana Aurenque, Anna Lembke, Nita Farahany, Fabienne Brugère, Alice Flaherty, Elliot Aronson, Cida Bento, Florencia Abadi, Sally W. Johnston, Gabor Maté, Jaqueline Goes de Jesus, Elizabeth Blackburn, Patricia Smith Churchland, Katherine Johnson, Hal Foster, Janet Mock, Ursula Karven, Rachel Bloom, Judith Schalansky, Pamela Des Barres, Brené Brown, Yōko Tawada, Claudia Werneck, Chantal Akerman e Doris Dörrie. Confira aqui.

 


ONDE NASCE O RIO?... – O segundo episódio das Aventuras do Nitolino no Valuna, ocorre exatamente quando a Turma do Brincarte parte do sítio Falange, Falanginha, Falangeta, seguindo Pai Lula que resolve descobrir: Onde nasce o rio... Acompanhe a saga quando eles chegam todos na Serra do Quati clicando aqui.

 


KID MALVADEZA – Reunião de noveletas bem humoradas contando desde a epopeia do intrépido Kid Malvadeza, os vexames do Tripa com sua fubica ineivada, a decisão futebolística do ano em Alagoinhanduba, o diálogo entre a morte e a morta, a derrocada vertiginosa de Dudanildo Pontes, as paixonites do Mamão pela jumenta e a da briga dos garotos na loucura repulsiva do cotidiano alagoinhandubense. Confira aqui.

 


REENCONTRO MARCADO – Um conto, dois; um roteiro de curta metragem. Os 3: a solidão compulsória, a lucidez escassa e o tempo devastador. Do encontro, desabou desencontro. A hora é outra, o reencontro marcado. Confira o microconto, o conto e o roteiro aqui.

 


RAÍZES & FRUTOS – O livro Raízes & Frutos (Bagaço, 1985) foi lançado primeiramente numa noite bastante festiva no Teatro Cinema Apolo, em Palmares (PE). Depois foi a vez de uma tarde ensolarada de sábado na legendária Livro 7, em Recife (PE). No volume o poeta e a sua vida; em seguida, os poemas; e, por fim, uma Carta ao pai. Homenagem ao poeta Rubem de Lima Machado. Confira aqui.

 

ISTO É PERNAMBUCO!!!

Arte de J. Borges. E veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 


quarta-feira, outubro 11, 2023

BIRUTĖ MAR, KRISTIN HANNAH, NARGES MOHAMMADI & PARADOXOS AZUIS.

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

O som pode realmente atuar como um gatilho para a memória e, em seguida, trazê-lo de volta a um lugar e hora específicos. Eu queria trazer essas vozes do passado para o presente.

Ao som do premiado We Shall Be All (Prêmio Turner de 2010) e Pledge (2002), instalações sonoras da artista escocesa Susan Philipsz.

 

 

PONTO DE DEBREAGEM, ARS ENVENIEND... - Versos soavam dos meus ossos, poema da carne – quantos pesos e muitas medidas. Nunca fui poeta, apenas vitimado. Sempre enfrentei o perigo da estagnação e do nada, embora imerso numa sufocante estase nada revigorante. Nunca temi a roda do arrependimento, era o sisifismo: os mistérios são muitos menos novidades, simulações apenas, simulacros do inacessível. O que não era poesia nem música o que seria se mexia dentro da gente e parecia outra coisa, laivos do futuro, talvez. Inaugurei o que poderia ser de festa e o olho no dilema: a jornada do herói imigrante condenado à queda, tal qual Bastian da História sem fim de Petersen – da obra de Michael Ende, quando, na verdade, apenas um leitor voraz na trama da Continuidade dos parques de Cortázar: jamais poderia me safar do sórdido, como se coagido pelos estudantes do colégio Marquês de Arapongas. Talvez essa a minha punição de Prometeu, a sanção nas opções de Camus. Optei por me rebelar à doença niilista e o absurdo, a fugir sobrecarregado – era eu na overwhelmed de Valéria Duca... Não me rendi jamais e fui ter com a imperatriz da fantasia, atingido pelo inesperado: lá estava eu dislálico diante de Nora Roberts: Algumas pessoas querem o simples, o banal e o tranquilo. Isso não faz com que as pessoas que querem o complicado, o extraordinário e o emocionante sejam gananciosas ou egoístas. Querer é querer, qualquer que seja o sonho... Apesar de parecer-me sardônica, não era: incentivava meus sonhos. Qual intrigante, e daí? Pessoas vivem, nenhum extremismo nem empolgação, pausas regulares, humor sombrio no julgamento dos outros. Interpelou-me Harriet Hosmer: Palavras são coisas frias e formais... Eu honro toda mulher que tenha força o suficiente para sair do caminho batido quando ela sente que sua caminhada encontra-se em outro... Tanto quis ao menos beletrista em estado de graça, impossível para quem pretenso Macunaíma – sirvo lá pra grande coisa... Disse-me então Mercè Rodoreda: É bom que, antes de escrever, se viva... Sim, as cartas da vida, o que foi abolido e a pedra de toque. Apesar de sempre tropeçar no meu próprio calcanhar dizia sempre me mandassem a bola que resolveria a parada. Era aquele que se achava pronto e toda vez me atrapalhava mãos pelas pernas. Sei, sempre jogaram às minhas costas, quase me convenci ser eu próprio meu inimigo, dei para isso minha ausência. O amor nunca foi fácil porque não será jamais um jogo. Conto meus botões, até mais ver.

 

COLAR DO SILÊNCIO

Imagem: Acervo ArtLAM.

água pura derramada \ - mas turvo no chão havia gotas - \ algumas - de memória

linda que retorna de viagens distantes \ de cidades desconhecidas sorrindo para si mesmo \ misteriosamente silencioso linda, \ isso só antes da expressão

já está desolado, já amanheceu \ já crepúsculo da manhã \ alguns pensamentos de repente \ alguns pulsos de luz semeando tempo, \ mãos, corpos \ doce perturbação cidade derretendo \ colar do silêncio

de todas as minhas vidas \ Eu me lembro de um outono \ na memória daquele outono \ Eu espio por uma janela ribeirinha \ naquela janela \ Eu vejo um trecho aberto de estrada \ naquela estrada \ Eu encontro uma pegada \ naquela pegada \ Eu construo uma casa naquela casa \ Eu planto minha samambaia de infância \ naquela samambaia \ Eu sonho com uma flor brilhante naquela flor \ Eu vejo uma gota caída naquela gota \ Eu reconheço um rosto velho naquela cara \ - Eu ouço minha própria voz

Poema da atriz e escritora lituana Birutė Mar.

 

O ROUXINOL - […] Se aprendi alguma coisa nesta minha longa vida, é isto: no amor descobrimos quem queremos ser; na guerra descobrimos quem somos. [...] Os homens contam histórias. As mulheres vão em frente. Para nós foi uma guerra sombria. Não houve desfiles para nós quando tudo acabou, nem medalhas ou menções em livros de história. Fizemos o que era necessário durante a guerra e, quando ela acabou, juntamos os cacos e recomeçamos nossas vidas. [...] Mas o amor tem que ser mais forte que o ódio, ou não haverá futuro para nós. [...] As feridas cicatrizam. O amor dura. Nós permanecemos [...] Sempre pensei que era isso que eu queria: ser amada e admirada. Agora acho que talvez eu gostaria de ser conhecido. [...]. Trechos extraídos da obra The Nightingale (11 x 17, 2021), da escritora estadunidense Kristin Hannah.

 

ATIVISMO – Pensamentos e sonhos não morrem. A crença na liberdade e na justiça não perece com a prisão, a tortura ou mesmo a morte e a tirania não prevalece sobre a liberdade. Continuarei os meus esforços até alcançarmos a paz, a tolerância para uma pluralidade de pontos de vista e os direitos humanos. Não estou desesperado nem perdi a motivação. Não podemos parar de tentar. Ainda espero e acredito profundamente que os esforços incansáveis dos nossos ativistas da sociedade civil acabarão por dar frutos. Matar, prender ou negar os direitos de um ser humano não é injustiça contra uma pessoa; ela acorrenta e mata toda uma sociedade. Pensamento da ativista iraniana e Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi.

 

PARADOXOS AZUIS

Sobreponha à palavra o abrupto da alma. \ E se livre da ausência de peso \ do verbo abstrato...

Extraído da obra Paradoxos azuis (CriaArt, 2023), do poeta Vital Corrêa de Araújo, organização, seleção e prefácio do poeta e professor Admmauro Gommes. Veja mais aqui e aqui.

 



segunda-feira, julho 23, 2018

CORTÁZAR, SCHOPENHAUER, CALVINO, COLERIDGE, MARISA MONTE, LENIR DE MIRANDA, SINHÁ TERTA & VITAL CORRÊA


AS ANJAS DA MORTE - Arte da artista visual Lenir de Miranda. - Teté e Loló, ou melhor Terezilda e Bromelinda no registro civil e batismo, nem são parentes, dão-se por irmãs, carne e unha. Para ter uma leve ideia, Teté é até hoje amansadora profissional, fera das mais brabas findam mansinha na mão dela. Pega cobra pelo gogó dela ficar molinha e virar bisquí. Ah, desata qualquer bronca, nó que se apresente, desmancha na hora com tudo preto no branco. Espevitada, bote brabeza pra ver e depois só o estrupício na parada. Já Loló é um pouco mais presepeira: campeã alagoiandubense de tiro ao alvo e de muitos Álvaros de Adoniran, coleciona apaixonados: uma ruma de ex-maridos e quase outros enrolamentos de se perder a conta. Afora isso e muito mais no rol do inenarrável, luta karatê e outras tantas artes marciais de deixar qualquer macobeba estirado no chão. É perita em quebra-de-braço, parrudo que apareça, ela só tiro e queda. As duas juntas, por mais simpáticas que se pareçam, já botaram muito macho para correr, avalie. Por aí, pronto, dá pra se ter um resumo dessas beldades. Compararam juntas um DKW – Wemag Belcar 67, Rabo de peixe, só pra desolarem os corações enamorados, arre égua! E até agora só engordam os boatos. Das muitas que contam, a pior é que são chamadas de Anjas da Morte. Por que? Bem, dizem que visitaram seu Joãozito de Trapiche, visita assim de cortesia. Três dias depois, o homem estava sepultado no cemitério da cidade. Tá, morreu de quê? De tanto rir. Como? O mesmo se deu com Joaquinildo Pezão que, talqualmente o anterior, gozava de suas plenas saúdes físicas e mentais. Três dias depois, foi pro saco. Seu Arquimenildo de Piruela, nunca se soube de homem mais sadio; tiro e queda: findou de pés juntos com dizeres numa lápide linda de morrer. Ah, Dona Carmelindonha fez até uma festa quando elas chegaram, de juntar gente no fuzuê da risadagem. Não deu outra, morreram todos os comparecentes, um atrás do outro, encarreados. Daí, não demorou muito, as duas passarem por famigeradas Anjas da Morte. Quem era doido de querer visita das duas? Pois bem, de tanto pintarem e bordarem de tudo juntos só no amiudado: Desaperrei, véio! Morriam de rir. Tem mais: depois de trocentos contatos de quinto grau com uma tuia de alienígenas doutras tantas galáxias, casarem e descasarem com seus respectivos maridos em divórcios ruidosos e cheios de perdas e danos, se apaixonarem por Josés e Manoéis que vieram e passaram batidos, tudo no descanso do além. E elas soltando as maiores pinoias da paróquia. Daí de anjas pras viúvas, elas se viram mortas passeando na cidade. Como é que pode? Não havia ninguém por onde passassem. Inicialmente achavam-se invisíveis, ninguém mais as viam. Será mesmo, mulher? Vamos ver. Encontraram um sujeito estranho e perguntaram se ele estava vivo: Eu? Já fui. Num disse, mulher, a gente está mortinha da silva, tais vendo? Zanzaram que só, não havia um pé de gente na rua. E, quem encontrassem, passava de nem vê-las. Deram, enfim, num bar que abria e encostaram à garçonete: Minha filha, traga logo uma cerveja que quero ver se é igualzinha a da gente. Era. Dali mais um pouco, encostaram à garçonete aos cochichos: Você está viva? A garçonete encarou e disse pra si: Duas bêbadas uma hora dessa da manhã, não pode. Entrou na jogada, sacou. Não, morri no ano passado. Teté e Loló entreolharam-se e caíram na gaitada. Beberam tanto e só acordaram dias depois num velório. Eita! De quem? Da garçonete. Morreu de quê? Ah, ela teve uma crise de riso e babau. Valha-me! Até ela. Vôte. Elas querem falar comigo, uma visitinha de nada. Eu, hem? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da cantora, compositora, instrumentista e produtora musical Marisa Monte: Memórias, crônicas e declarações de amor, Inteira, Diariamente & Bem que se quis & muito mais nos mais de 2 milhões & 500 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Quando observamos a quantidade e a variedade de estabelecimentos de ensino e de aprendizado, assim como o grande número de alunos e professores, é possível acreditar que a espécie humana dá muita importância à instrução e à verdade. Entretanto, nesse caso, as aparências também enganam. Os professores ensinam para ganhar dinheiro e não se esforçam pela sabedoria, mas pelo crédito que ganham dando a impressão de possuí-la. E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e para ganhar ares de importantes. A cada trinta anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoa que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado. É com esse objetivo que tal geração frequenta a universidade e se aferra aos livros, sempre aos mais recentes, os de sua época e próprios da sua idade. Só o que é breve e novo! Assim como é nova a geração, que logo passa a emitir seus juízos – Quantos aos estudos feitos simplesmente para ganhar o pão de cada dia, nem os levei em conta. Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a informação, não a instrução. Sua honra é baseada no fato de terem informações sobre tudo, sobre todas as pedras, ou plantas, ou batalhas, ou experiências, sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. Não ocorre a eles que a informação é um mero meio para a instrução, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma, no entanto, essa é a maneira de pensar que caracteriza uma cabeça filosófica. [...]. Trecho de Sobre a erudição e os eruditos, extraídos da obra A arte de escrever (L&PM, 2017), do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860). Veja mais aqui e aqui.

DO SENTIMENTO DE NÃO ESTAR DE TODO – [...] Sempre serei como um menino para muitas coisas, mas um desses meninos que, desde o começo, carregam consigo o adulto, de maneira que, quando o monstrinho chega verdadeiramente a adulto ocorre que, por sua vez, carrega consigo o menino, e nel mezzo del cammin dá-se uma coexistência poucas vezes pacífica de pelo menos duas aberturas para o mundo. Pode-se entender isso metaforicamente porém indica, em todo caso, um temperamento que não renunciou à visão pueril como preço da visão adulta. E essa justaposição, que faz o poeta e talvez o criminoso, e também o cronópio e o humorista (questão de doses diferentes, de acentuação aguda ou esdrúxula, de escolhas: agora jogo, agora mato) manifesta-se no sentido de não estar de todo em qualquer das estruturas, das teias que a vida arma e em que somos simultaneamente aranha e mosca. [...]. Trecho extraído da obra Histórias de cronópios e de famas (Civilização Brasileira, 1972), do escritor argentino de origem belga Julio Cortázar (1914-1984). Veja mais aqui e aqui.

CONHECER A CIDADE - [...] Essa cidade que não se elimina da cabeça é como uma armadura ou um retículo em cujos espaços cada um pode colocar as coisas que deseja recordar: nomes de homens ilustres, virtudes, números, classificações vegetais e minerais, datas de batalhas, constelações, partes do discurso. Entre cada noção e cada ponto de itinerário pode-se estabelecer uma relação de afinidades ou de contrastes que sirva de evocação à memoria. De modo que os homens mais sábios do mundo são os que conhecem. [...]. Trecho extraído da obra As cidades invisíveis (Folha, 2003), do escritor italiano Ítalo Calvino (1923-1985). Veja mais aqui.

O TRABALHO SEM A ESPERANÇA - Inteira movimenta-se a Natureza. As lesmas suas tocas deixam. / Movimentam-se as abelhas – os pássaro voos alçam – / E o Inverno, dormitando ao ar livre, /Exibe, no sorriso do rosto, de Primavera um sonho! / Enquanto isso, eu apenas algo inútil represento. / Mel não faço, nem caso, nem crio, nem canto. / Sei, contudo, que as margens, nas quais amarantos desabrocham, / A fonte encontraram, da qual fluem os arroios. / Desabrochai vós, ó amarantos! Desabrochai pra quem puderdes. / Pra mim, não desabrochais! Ricos arroios, pelo vosso curso deslizai! / Com lábios ofuscados, caminho com desgrinaldada fronte./ Entenderíeis os encantos que minha alma entorpecem? / O trabalho sem a Esperança néctar extrai numa peneira. / Sem um objetivo a Esperança morre. Poema do poeta, crítico e ensaísta inglês Samuel Taylor Coleridge (1772-1834).

SINHÁ TERTA
Desde pequenos meus três filhos ouviram minhas “histórias de Trancoso”. Usava das mesmas artimanhas de Sinhá Terta. Sentados à minha volta, eu dramatizava as falas, os gestos e saía contando fábulas, histórias de reis, rainhas, fadas boas e más, palácios encantados e lindas princesas. Era uma tranquilidade: de olhos esbugalhados, concentrados, acompanhavam todo o desenrolar das narrativas. Perguntavam e riam muito. Já existia a televisão mas era importante para mim, como mãe, repassar para eles as fantasias, sonhos e aventuras por mim vivenciados na infância. agora, a mesma dedicação tenho com Fausto, meu querido netinho, que ouve atentamente historias criadas ao saber da minha imaginação com os personagens que ele mais gosta: Lulu, Lele e Lili. E Sinhá Terta, para você que não tiveram o privilégio de conhecê-la, foi a fada boa que me viu nascer e aos meus irmãos [...] e com bondade e meiguice, nos fez viver uma infância feliz, plena e cheia de amor. [...].
Trecho de Uma forte presença na minha vida: Sinhá Terta, extraído da obra O príncipe do reino das sete luas e outras histórias (CEPE, s/d), da jornalista, advogada, escritora e jardinista Tereza Figueiredo.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

A poesia absoluta, o destino poético e o futuro da poesia & muito mais na Agenda aqui.
&
A redenção do amor, o pensamento de Etienne Souriau, a arte de Leila Diniz & Luciah Lopez, a música de Edu Lobo, Chiquinha Gonzaga, Renato Borghetti & Zélia Duncan aqui.
&
Você tem medo de quê?, O medo líquido de Zygmunt Bauman, O santuário do eu de Ralph M. Lewis, A arte de Sophia Narrett, a música de Quinteto Violado, Rachel .Podger, Duofel & Meredith Monk aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo. Fone: 11 98499-2985.
 

quarta-feira, janeiro 24, 2018

CORTÁZAR, AKHMÁTOVA, MILLÔR, CORALINA, DUFRENNE, CRISTINA ORTIZ, MODIGLIANI, YAMANDU, DEBORAH AZZOPARDI, MEIO AMBIENTE & XEMENEXEM

JERRY XEMENEXEM – Imagem: arte da artista britânica Deborah Azzopardi. - Xemenexem parece que pirou de vez! Mesmo com a boataria de que ele já era aluado desde nascença, a desconfiança crescera depois que ele assistiu uns filmes do Bruce Lee e passou a dar golpes no vento a torto e a direito, passando-se por lutador de boxe. Como? Pois é, dizia ele imitar em tudo o seu ídolo, enchendo as paredes do quarto, o guarda-roupa, a cama, o teto, a porta, tudo com pôsteres do sagrado lutador, não invadindo a casa toda por conta da admoestação gentil da cara de xícara da sua santa mãe, carinhosamente chamando-o na grande para o razoável, enquanto segurava uma mão de pilão e ameaçava umas caçaroladas no quengo. Dizia ele: Isso dói, já vi estrelas meio dia em ponto! Recolheu-se aos seus aposentos, aceitando o conselho materno. Assim foi incorporando o seu herói, passou à prática do halterofilismo, conferindo diariamente os músculos e invadindo as esquinas com golpes e macaquices que tanto assustavam como corroboravam o falatório da sua doidice. Pois bem, estava ele um dia lá em uma das muitas esquinas gesticulando como se estivesse no meio de uma luta no ringue, até chamar a atenção do coronel do Exército, Jabão Eckchavarre (nomezinho desgraçado esse, hem?), que passava no seu luxuoso automóvel. O patenteado na hora viu nele um espécime ideal para as fileiras da coporação, resolvendo capturá-lo imediatamente: Sentido, recruta. Xemenexem deu uma continência desastrada e ficou imóvel, de não mexer nem olhos nem respirar, estático. Enquanto o militar conferia a estatura, a musculatura, o porte, o perfil, o corte de cabelo, a panturrilha, ele lá ficando lívido, assustando-se com o berro no ouvido direito: Descansar! Tonteou, botou as mãos ao peito, sem fôlego, com dificuldades para respirar. Já ia desmaiando quando ouviu: Levanta, molenga! Quase morria asfixiado, todo mole que nem um boneco inflável furado se esvaziando. Aí um grito: Qual sua idade, recruta? Dezessete, senhor! – mentira, tinha dezesseis, ainda, mas no aperto gritou o que lhe viera na telha! Alistamento militar? Em dia, senhor. Vai servir a pátria? Com orgulho, senhor. Então vamos! Sim, senhor! E foram. Aboletou-se no banco do passageiro e desapareceu por mais de vinte dias. Só notícias dele mais de mês de depois, quando reapareceu apresentando-se no destacamento 14RI, na capital, para exame, juntamente com outros aspirantes. Foi empurrado numa sala que tinha mais ou menos uns outros trinta ou mais, sei lá, tudo nu, ele vestido de blusão, gorro e luvas. Um oficial aproximou-se e ordenou: Tire a roupa! Ele abriu um sorriso largo e abanou o dedo indicador em sinal de negativa. É uma ordem! Ah, patrão, não vai dar preu enrabar esses caras todos duma vez não, quer me matar é? Quer tirar a roupa ou quer ficar nu na marra? Ele riu e ameaçou correr. O oficial ordenou: Pega! Oxe, agarraram na marra e deixaram-no nuzinho. Empurraram-no pra junto dos outros, ele desconfiado, uma mão na frente e outra atrás, enquanto os demais eram atendidos um a um, ele o último da fila, assustado sem saber o que fazer. Sua vez, venha! Ele encostou-se na parede, olhando de um lado a outro para ver como escapar. Novamente, seguraram o rapaz e examinaram do jeito que deu. Depois do exame, jogaram-no pro oficial do comando: Nome? O meu? Sim, idiota! O meu nome é Jerry com ipsilone no fim e Ximenexem com dois “xis”. Isso é nome ou apelido, seu porra! É meu nome, tá na identidade. Mostre! Não sei onde vocês botaram meus documentos, do jeito que me pegaram, nem eu sei mais se sou eu mesmo. É assim que você quer servir a pátria, seu calhorda? Na verdade? Sim. Olhe só, autoridade, na verdade eu queria ser cantor, pois sou compositor de memoráveis músicas como... O meu carro tem o retrovisor bordado para eu ver o meu amor na esquina... e começou a cantarolar, vozeirão impostado. Que merda é essa? Todos caíram na gaitada, nem o superior se aguentou de tanto rir. Isso é um desacato! Não, seu polícia, essa eu não compus, mas tem essa aqui: Mulher de compensado, veja... e danou-se a se esgoelar, maior mangação. O superior com uma risada forçada: Isso é uma palhaçada! Ah, isso eu não sei fazer não, mas canto, danço, toco guitarra, dou karatê e luto boxe. Você é demente ou o quê? Nada, senhor, é só armar o ringue que eu mando ver! Esse cara é pinel! Não senhor, sou Bruce Lee, o cantor lutador! E danou-se a cantarolar e se aproximar do comandante, passar a mão na sua papada e segurar-lhe o queixo para mandar-lhe um beijo. Foi o fim da picada. Levou um peteleco de ficar mouco, de nem ouvir: Isso é um porqueira! E general partiu pra cima dele com a tropa toda, no maior quebra-pau, findou levado à força pelas orelhas. Ao recobrar os sentidos: Onde estou? Na Tamarineira. Que é isso? Manicômio. Nome bonito prum hotel, gostei. E tem muita gente preu mostrar meu talento. Era aqui mesmo que eu queria viver, tô feito! E saiu cantarolando. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o violonista Yamandu Costa ao vivo & In Concert, a pianista Cristina Ortiz com Alma Brasileira & Ciclo Brasileiro Heitor Villa-Lobos & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - A criança é uma coisa assim bem depressa, assim bem macia, cheia de muitas palavras erradas que todo mundo ri. Elas gostam bastante só de brincar e têm medo de apanhar porque estão sempre fazendo aquilo que não devem. Elas querem tudo que vêem e pedem com a mão e com o olho. É muito difícil obrigar uma criança a se lavar, agora a se sujar não é não. Criança é muito teimosa e nunca faz o que os mais velhos mandam de modo que tem muita que ninguém quer. É por isso que eu nunca vi pai e mãe sem filho mas tem muito filho sem pai nem mãe. [...]. Trecho de Conpozissõis imfãntis, extraído da obra Trinta anos de mim mesmo (Nórdica, 1974), do escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista, humorista e jornalista Millôr Fernandes (1923-2012). Veja mais aqui e aqui.

ESTÉTICA & FILOSOFIA - [...] o a priori afetivo na experiência estética qualifica tanto o sujeito quanto o objeto. É por isso que ele está implicado na noção de intecionalidade: a relação entre o sujeito e o objeto, denotada por essa noção, pressupõe não somente que o sujeito se abre ao objeto ou se transcende para ele, mas também que algo do objeto está presente no sujeito antes de toda experiência e que, em troca, algo do sujeito pertence à estrutura do objeto anteriormente a qualquer projeto do sujeito. [...]. Trecho extraído da obra Estética e filosofia (Perspectiva, 1998), do filósofo e esteticista francês Mikel Dufrenne (1910-1995). Veja mais aqui.

MEIO AMBIENTE - [...] A contaminação das águas, tanto as de superfície – rios, lagos, represas – como as subterrâneas, é uma constatação em todo o mundo. [...] As águas dos rios brasileiros, de igual forma, encontram-se degradadas pelos esgotos sanitários não tratados e pelo lançamento generalizados, pelo menos até recentemente, de esgotos industriais, in natura. [...] A prevalecerem os índices elevados e crescentes de consumo de água que vêm sendo registrados pela humanidade nas últimas décadas, a carência de água potável nas regiões mais densamente povoadas, mesmo naqueles países ditos desenvolvidos, se tornará um problema político- social grave, a exemplo do que já se constata no Oriente Médio e em algumas regiões desérticas da África. [...] Os grandes acidentes ambientais podem ocorrer por causa de uma decisão errada, em dissonânica com as leis da natureza e as boas práticas da engenharia. [...] Mas esses grandes acidentes podem ser também atribuídos ao somatório de muitas ações isoladas, desvinculadas dos princípios que regem a conservação do meio ambiente, seja por incúria, seja por desconhecimento. [...] As decisões erradas, mencionadas no primeiro caso, podem ser evitadas pelo emprego das ferramentas adequadas do planejamento regional e dos estudos de impacto ambiental bem conduzidos. Já no segundo caso, são requeridas atitudes individuais, calcadas na educação e na conscientização ambientais e em mudanças tecnológicas e legais que podem significar alterações profundas no padrão de vida das populações. Somam-se aqui, aos casos citados, os dois termos de um dos princípios que conduzem ao desenvolvimento sustentável: pensar globalmente + agir localmente. [...] Extraído de Meio ambiente: acidentes, lições, soluções (Senac, 2003), de Cyro Eyer do Valle e Henrique Lage. Veja mais aqui e aqui.

JOGO DE AMARELINHA - [...] Cada reunião de gerentes de multinacionais, de homens-de-ciência, cada novo satélite artificial, hormônio ou reator atômico esmagam um pouco mais estas faltas esperanças. O reino será de plástico, sem dúvida. E não que o mundo venha a se converter em um pesadelo orwelliano ou huxleyano; será muito pior, será um mundo delicioso, à medida de seus habitantes, sem nenhum mosquito, sem nenhum alfabeto, com galinhas enormes e provavelmente com dezoito coxas, todas deliciosas, com banheiros telecomandados, água de distntas cores segundo o dia da semana, uma delicada atenção do servoço nacional de higiene, com televisão em cada quarto, por exemplo grandes paisagens tropicais para os habitantes de Reijavik, vistas de iglus para os de Havana, compensações sutis que conformarão todas as rebeldias, etecétera. Quer dizer, um mundo satisfatório para pessoas razoáveis. E haverá nele alguém, um só, que não seja razoável? [...]. Extraído da obra Jogo de amarelinha (Civilização Brasileira, 1982), do escritor argentino de origem belga Julio Cortázar (1914-1984). Veja mais aqui.

DOLORI – Criança pobre / de pé no chão. / Suja, rasgada, despenteada. / Desmazelada./ Criada à toa, de roldão. / Cria de casebre, / enxerto de galpão. II – Não faz anos. / Não tem bolos de velinhas. / Não tem natal. / Não tem escola. / Não tem banheiro. / Não tem cuidados. / Não tem cantinho. / Só tem milhões de vermes / de amarelão... III – Assim, vive um pedaço do tempo. / Depois, morre. / No cemitério da cidade, / a quadra de ciranças / se enche logo / do comorozinhos / iguais, iguaizinhos - / de crianças pobres, densutridas / (pasto de vermes na vida) / que vão morrendo / de desnutrição. Extraído do livro Meu livro cordel (Global, 2001), a poeta Cora Coralina (1889-1985). Veja mais aqui e aqui.

MODIGLIANI DE AKHMÁTOVA
Imagens: a poeta russa Anna Akhmátova na arte do pintor italiano Amedeo Modigliani.
[...] O sopro da arte ainda não reduzira a cinzas, não transformara essas duas existências, aquilo deveria tornar-se uma hora leve, luminosa, antecedendo o amanhecer. Mas o futuro que, como se sabe, projeta sua sombra muito antes de entrar, já batia na janela, escondia-se atrás dos lampiões, interpunha-se nos sonhos e assustava com a terrível Paris baudelairiana, que se ocultava em alguma parte ao lado. E tudo o que havia de divino em Modigliani somente soltava fagulhas de não sei que treva. Ele não tinha nada de parecido com alguém no mundo. Sua voz de certo modo se conservou para sempre em minha memória. Quando eu o conheci estava na indigência, e não dava para entender do que ele vivia. Como pintor, não tinha nem sombra de aceitação. [...] Ele me parecia rodeado pelo anel apertado da solidão. Não me lembro de que ele cumprimentasse alguém no jardim de Luxemburgo ou no Quartier Latin, onde todos eram mais ou menos conhecidos entre si. Eu não ouvi dele nome algum de amigo ou conhecido, nenhum nome de pintor, e não o ouvi dizer nenhuma brincadeira. Nunca o vi bêbado, e ele não cheirava a vinho. Pelo visto, passou a beber mais tarde, mas o haxixe já surgia de algum modo em seus relatos. Segundo parecia, não tinha companheira. Ele nunca relatava novelas sobre paixões anteriores (o que, infelizmente, fazem todos). Comigo ele não falava de nada terrestre. Era cortês, não em conseqüência de formação familiar, mas devido à superioridade de seu espírito. Naquele tempo, ocupava-se de escultura, trabalhava no patiozinho, junto ao seu ateliê, e no beco deserto ressoava o seu martelinho. As paredes do ateliê estavam cobertas de retratos de um comprimento incrível (tenho agora a impressão de que iam do chão ao teto). Nunca vi reproduções deles – teriam sobrevivido? Ele chamava sua escultura de la chose; ela foi exposta, se não me engano, nos Indépendants, em 1911. Pediu-me que fosse vê-la, mas não se aproximou de mim na exposição, porque eu estava com amigos. No período das minhas grandes perdas, desapareceu também a fotografia dessa obra, que ele me dera. Nessa época, Modigliani delirava com o Egito. Ele me levava ao Louvre para olhar a seção egípcia e me assegurava que tudo o mais (tout le reste) não merecia atenção. Ele desenhava minha cabeça com adereços das rainhas e das dançarinas egípcias e parecia completamente tomado pela grande arte do Egito. Ao que parece, o Egito foi a sua última paixão. Logo depois, ele se torna tão singular que não dá vontade de lembrar nada ao olhar suas telas. Agora chamam este período de Modigliani de période nègre. [...] A propósito da Vênus de Milo, dizia que as mulheres muito bem feitas de corpo e que valia a pena pintar ou esculpir, sempre pareciam desajeitadas quando vestidas. [...] Posso, e considero indispensável, testemunhar que Modigliani já era igualmente culto muito antes de conhecer Beatriz X, isto é, em 1910. E é pouco provável que uma dama capaz de chamar o grande pintor de porquinho pudesse instruir alguém. [...] Certa vez, ao que parece, não combinamos bem o encontro e, tendo ido chamar Modigliani, não o encontrei; resolvi esperar alguns minutos. Tinha nas mãos uma braçada de rosas vermelhas. Estava aberta a janela em cima do portão trancado. Não tendo o que fazer, fiquei jogando as flores para dentro do ateliê. Visto que Modigliani não aparecia, fui embora. Quando nos encontramos, mostrou-se perplexo: como eu poderia ter entrado no quarto trancado se ele estava com a chave? Expliquei o ocorrido. "Não pode ser, elas estavam colocadas de modo tão bonito ...". Modigliani gostava de vagar à noite pela cidade e, com freqüência, tendo ouvido os seus passos na quietude sonolenta da rua, eu ia até a janela e, pelas persianas, seguia sua sombra que se demorava sob ela. [...] Modigliani sentia muita pena de não poder entender meus versos. Suspeitava que neles se ocultassem não sei que maravilhas, mas eram apenas as minhas primeiras tímidas tentativas (por exemplo, no Apolon de 1911). Quanto à pintura no espírito do Apolon (Mir iskustva), Modigliani simplesmente ria. Fiquei surpresa quando Modigliani achou bonito certo homem de feiúra notória e insistiu muito nisso. Foi então que pensei: ele certamente vê tudo diferente de nós. Em todo caso, Modigliani nem notava aquilo que em Paris chamam de moda, enfeitando tal palavra com epítetos magníficos. Ele não me desenhava do natural, mas quando ficava em casa, e me dava esses desenhos. Foram 16. Ele me pediu que os enquadrasse para o meu quarto em Tzárskoie Sieló. Eles se perderam naquela casa, nos primeiros anos da Revolução. Sobrou aquele em que se pressentem, menos que nos demais, os seus futuros nus. Conversávamos principalmente sobre versos. Ambos conhecíamos muitíssimos versos franceses: Verlaine, Laforgue, Mallarmé, Baudelaire. Ele nunca me leu Dante. Talvez porque eu então ainda não conhecesse o italiano. [...] Nos anos subseqüentes, quando eu, certa de que uma pessoa como aquela deveria brilhar, perguntava sobre Modigliani aos que chegavam de Paris, a resposta era sempre a mesma: não sabemos, não ouvimos falar. [...] Pareceu-me, durante muito tempo, que eu nunca mais ouviria nada a seu respeito ... Mas acabei ouvindo muitíssimo ... [...] Mas, ainda bem recentemente, Modigliani tornou-se também herói de um filme francês bastante vulgar, Montparnasse 19. Que amargura! Bólchevo, 1959 – Moscou, 1964.
Texto da poeta acmeísta russa Anna Akhmátova (1889-1966), sobre o pintor e escultor italiano Amedeo Modigliani (1920-1884), extraído de Estudos Avançados (jan/apr, 1998), tendo aparecido em 1967 no anuário Dien Poésii (Dia da Poesia), com materiais de um encontro periódico em Moscou, dedicado à poesia. Veja mais aqui e aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista britânica Deborah Azzopardi.
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