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sábado, outubro 03, 2026

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

 Imagem: Arrostar aporias, da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.

 


Fábula dos embeiçados desavindos... - Cachucha passeava nos olhos de Pimpão, era a mais faceira entre as tais dali – a bela majestosa pras capas de sua revista predileta. De tocaia, não perdia qualquer aparição dela; vigilante, esperava sua vez. Ela lá indiferente, à toa, arrodeada por gracejos, desembaraçada, voluptuosa, sonsa que negava visivelmente todas as suas fechaduras - já havia rechaçado tantos adiantados, coitado dele, só fitando-a por diferentes ângulos: paixão profusa alinhavada no jato da gamação vertiginosa, de quase não acabar mais. E se ressentia pela impotência, se esvaindo entre quatro paredes; crescia assim, mesmo além da percepção: sonhava porque era possível e desacertava. No começo a paixão por debaixo de 7 capas, ninguém podia saber: conter-se a si e aos seus anseios. Veio a chance, propícia ocasião: precipitou-se, nada por interditar. Foi empurrado pelo estímulo, ziguezagueando, voltava do meio pra trás: não conseguia sequer falar, nó no juízo; muito menos se expressar, as palavras se dissolviam, sobrevivia atravessando as horas, até onde nem podiam ir. Penava lá nele, o peso na cacunda, mais de mês e meio na pelejada, segurando na sem graceza, embirrado; mas, obstinava, acossado pela aflição de detê-la, fustigado pela ânsia. Na segunda oportunidade, não havia mais como voltar, a ocasião deu-lhe uma providente dedada à socapa, ôpa! E o entusiasmo interpôs-se à secreta paixão. Diante dela, não havia como precisar o certo, exato, onde botar as mãos, como encolher os pés, enfim, atarantado. Da luz dos olhos dela colhia diamantes nunca vistos, tesouros inenarráveis nas barrocas das bochechas, os olhos agateados, toda cheirosa e bacana, o cangote moreno faceiro, só às espiadelas sonsas, às gaitadas, refestelada, toda mansa, bonita que só ela, que quartuda, minha nossa! Acorda! Hem? Ela envolvida num xale, desprotegida; qual nada, uma frieza despótica - ao lado dela sentia-se uma indesejável mosca, asqueroso mosquito, ou inseto qualquer desprezível: Sai pra lá, encosto! Eita! Não ia perder a viagem, né? O tabaréu tomou coragem, baldeou o arraial e chegou-se esfregando as munhecas, todo tinindo de si, exibindo muque fuba, patético, pra mor de lhe dizer, despenteado pelo alvoroço, quase aloprado: queria era impressionar, falar bonito, haja folga, foi de araque todo encalombado, desdobrou a astúcia e pariu lábia doida, com a gola levantada e as mangas dobradas no vinco da camisa listrada, a calça pegando borboleta de tão coronha e por fora da galocha, tal quilômetro de lonjura, fungando suas dores e premências - seria célebre no ímpeto de tangê-la, nada. Aí, puxou proseado, as léguas do escabroso desinretado e caprichou nas boas maneiras, tentou, foi a conta: encolheu-se, depois espichou, estirou-se estendido, a calça caiu, enfezou-se, passou maior vergonha, arre! Segura a coisa! Que é que ouve? Ele soletrou aos engasgos. Ah, é? Apertou-se todo. Vai cagar? Um peido revelador e cerrou as pálpebras, torando aço, esperou pelo pior: Seja lá o que Deus quiser! Ela se riu, que coisa! Já se virando desenganado, nem ouviu o que ela disse: Como é que é? Sim. Ora, a ficha caiu: Sim? Sim. Oxe, ele ousou levitar, por que não? E desafiou os boatos inaugurando nassoviano a festa dos holandeses do Recife à ilha de Antônio Vaz: era mais fácil um boi voar do que aquilo dar certo. Mas, deu, por enquanto. Larga de ser besta, cara! Ah, embriagado com o aroma da presença inevitável dela, ele danou-se a beijá-la e lambeu-se todo folgazão. U-hu! E foram dengos mútuos, chega chupava os beiços, empinado, babava pelas vistas, aos solavancos, do jeito que se ajuntou se espalhava, mormente os regalos do aboio triunfal sobre o sátiro e a ninfa. Ela então montou no seu dorso e foram terra afora, mar adentro, em jubilosa paixão. Os amigos dela, agora dele. Lá estava inchado entre o casal Adamastor e Quelidônia, familiares, parentes, simpatizantes. E ficou assim: pronde Pimpão ia, lá estava ao seu braço Cachucha, atrás. Engrenou o namoro, já cobrança por noivado. Como é que é? A primeira a exigir foi Audumbla, desconfiada a chamá-lo na grande, qual era a dele: Vai enrolar não, né? Que pressa é essa, hem? Nem deu conta, do outro lado, a madrinha dela, Glas Gaibhnenn, anunciando a data, acompanhada da Birog da Montanha, iniciando ao ensaio do canto das açafatas na Praia dos Lençóis: Lá vem ele, o noivo! E rompeu a sala Balor gritando: Vamos levá-lo pra onde a Beócia se deitou para fundar Tebas. Hem? Ele: E é sangria desatada, é? Mal terminou de inquirir, a Hator atacou com alegria da música e nem aliviou, já Lulubelle III distribuía cogumelos mágicos - O que é isso? Psilocibina! Logo a companhia de Kāmadhenu Surabhi, a fragrante, para dar-lhe prosperidade perfumada. Pronto! Depois Prithvi, a Vasta, que trazia a Ibu Pertiwi pra ser ordenhada: Pra se fortificar, meu filho! Agora, deu! A Antevorta trazia o futuro; a Postvorta, o passado. Foi chegando Carmenta Nicóstrata, a imperatriz Sissi, a Gau Mata, a ninfa Io, seguida da Hera boōpis homérica que contou d’O Lamento da Vaca, com a proteção de Gopala e a alegria de Charalambos. É festa pra casório! Estou ferrado! Quantos rumores rondavam e ele lá: Tô frito! Mal piscou o olho e os convidados. Vixe, quanta gente! O primeiro deles, Gavaevodata zoroastriano, a saudar Nandi de Shiva, que chegava enturmado com Tarvos Trigaranus, Vṛṣabha, Mnévis Kemwer e Heliópolis; depois, Ápis de Ptah que se juntou ao sumério Iškur Adad, com Lamassu, Auroque, Marduk Amar-Utu, todos queriam trazer das terras azuis das dunas do outro mundo, o padrinho Pretão, com a estrela brilhante na testa: Mas não é sexta sem lua! Pras suas núpcias, bestão! É? Tais por fora! Vamos desencantá-lo! Será o dilúvio? Logo emergiu da cidade encantada o Bumba-meu-boi, com o Tambor de Mina e os bois de Gerião, mais fujões e bravios. Parecia mais o folguedo estrondoso do boi do Barão caga-raio! Ah, vai ter o sacrifício da heroína & as façanhas acanhadas do mancebo? Destá! No meio do rebuliço apareceu o da Mão de Pau, que veio com Surubim e Calemba; o Barroso com Pai Francisco e Mãe Catirina, um laço de fita amarela pro garrote Jauaraicica, que puxava o rabicho da Geralda, com Pintadinho, Serapião, Espácio, Canastra, Bruchis dos famosos Hermonthis e o de Creta que encantou Pasífae, mais Mansinho e o Vaquim com fogo pelas ventas, mais barbatões e os rebanhos de Sísifo, um aboio no curral, a apartação, as manadas, os cascos brutos, vassourando a cauda para espantar os mosquitos, era cerimônia de esponsal. Tá cá gota! É gente como a praga! Ainda apareceu Agamedes e Trofônio que davam um grau no espaço ritualístico, anunciando a promessa do boi de ouro: Qual o dedo de moça que cabe neste anel? É agora! A noiva primeiro exigiu os 3 desejos, não ia casar-se com o próprio pai, nem com o ourives, e confirmou as suas núpcias com Pimpão! Vivaaaaa! Tome! E a celebração correu solta pelos ervais e altas macegas dos campos das vacas brancas. Anunciaram o Boi-na-vara – O crime na farra do sacrifício, isso não! Parou, parou! Nada de tauroctonia, nem Búfago atroz. Veio, então, o boi-de-mamão – a cena corria: caiu morto na frente de Mateus, com a Bernunça a devorar todo mundo e a espalhafatosa Maricota: Vai chamar a benzedeira para mode ele ressuscitar! Renasceu Boi-de-Reis, com o da Promessa do Garantido de Parintins e o bumbá do tesouro de Anicuns. Deu-se a apostasia do bezerro de ouro de Arão: Vamos brincar! Era o caminho das boiadas, na cantoria: Ê vaca Estrela, ô boi Fubá! No meio do zoadeiro, ninguém dava conta das profecias de Cassandra, alertando não se sabe o quê! Como é? Deix’ela pra lá, tá é doida! Vamos festar! Ah. E recomeçou o incesto de Anat e Baal: o rito cananeu de Ugarit, com uma chuvarada repentina, temporal de mesmo, valei-me! E, depois um estiadão, a devastadora seca. Danou-se! Foram pro monte Safão e lá, a destruição de Mot: foi tudo restaurado, colheita de vida! Vida os casados! Já? Viva! Era chegada a hora da Mattu Pongal e o festival seguia encarreado pelos 4 dias de janeiro, na temporada de monções e a colheita de Paddy. Vamos comer! Quando menos se esperava, o incêndio de Karaqosh! Ih! Foi o tal do japonês Kawata? Não! Então tá! Viva São João! Aí o píer ruiu, todo mundo dentro d’água, timbungue! Eita, o menino pajem tá morrendo afogado, socorre! Pra relaxar, teve quem quisesse brincar de roleta-russa. Valha-me! Toma essa arma! Pega! E o sonso se esquivava, aí foi marrada certa: de susto, desmaiou. Teve um ataque epilético, foi? Nada, munganga só. Bota tição no cu dele que levanta! Ele se fez de morto. E ela danou-se de raiva e atochou impropérios, mostrando os peitos por desaforo, jogando o buquê pro alto - logo tragado pela turbina dum avião que passava ali do nada e teibei! Maior escarcéu. Fodeu! Ninguém previa o vaticínio da desgraça. O desfalecido deu sinal de vida: ai, hemorroidas! Um padre bigodudo: Tá com a braguilha aberta, infeliz! Vai casar ou não? Hum? Não tem mais casamento! Pronto, acabou-se o que era doce. E ele frustrado na paixão, ousou, Pimpão, poetar na maior caratonha: O destino fez o que quis comigo. Todos foram embora seguindo-a. Findou ele esborrachado pela aquerúsia, na sua angústia muda, ao sabor das estações e deboches, touceiras, moitas, gravetos, voando entre urubus: Pra lá, pestes! Aqui é o inferno, avisaram. Carecia mesmo era de se empanturrar duns heléberos pra consertar sua doidice. Quer morrer é? Não, ficar doidão, só, para não findar como Iphis que se matou de amor, rejeitado pela Anaxarete. Ele, não! Variava: Onde sequazes solarpunks? Birutou, mesmo. Nada, solidão braba. Logo ele que fora empurrado sempre, nunca ninguém com conselhos, fixado na programação da tevê, nenhum amigo, nem saía de casa à noite, medo de ser emboscado pelo inopinado, dormindo cedo para trabalhar, era só o que restava, um trapo. Mas, tá! Mergulhou na sua abissal escuridão e ainda havia o inédito fôlego: quem sonhou com a eternidade e não era mais. Desapontou-se. Um estalo segurou a baba dos olhos – ganhava topografia e não tinha que dar cabo da vida, seguia era em frente, isso sim, sem saber como: É a catábase!... Ih! E se deixou levar, estrela cadente, não era tarde, nem ainda mais... Até mais ver.

 

Harold Pinter: Há algumas coisas que se lembra, mesmo que nunca tenham acontecido... Quando a tempestade acaba e a noite cai e a lua está fora em toda a sua glória e tudo o que você fica é o ritmo do mar, das ondas, você sabe o que Deus pretendia para a raça humana, você sabe o que é o paraíso... O passado é o que você se lembra, imagina se lembra, convença a si mesmo que se lembra ou finja que se lembra... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Nora Roberts: Você pode consertar qualquer coisa, menos uma página em branco... A magia existe. Quem poderia duvidar disso, quando existem arco-íris e flores silvestres, a música do vento e o silêncio das estrelas? Quem já amou foi tocado pela magia. Ela é uma parte tão simples e tão extraordinária das vidas que vivemos... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Jazz Jennings: Os odiadores são a nossa munição. Eles nos motivam a continuar lutando por nossos direitos. É por isso que continuo a partilhar a minha história... Quero mostrar às pessoas que não têm de ter medo de serem diferentes... Não me importa o que as pessoas pensam de mim... Veja mais aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Celebração autopoiética, da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM.

OS OUTROS - os outros \ ter caminhado \ nesta neve \ mas não são \ nas proximidades \ agora \ apenas eu \ a neve ainda descendo \ e as árvores \ mas estes não são \ outros \ o outro \ É o único \ que pode fazer perguntas.

FELIZ FIM - o filme \ foi sobre a guerra \ já tinham largado a bomba \ e não havia jeito \ poderíamos fugir \ Todos nós sabíamos \ Nós deveríamos morrer \ em 10 minutos \ ou talvez 20 \ no dia seguinte, na melhor das hipóteses \ Isso faz alguma diferença \ quando não há esperança \ de fuga \ então de repente \ as luzes apagaram-se \ O filme parou \ e eu percebi \ a salvação às vezes pode vir \ o exato momento \ você abre mão de suas esperanças...

Poemas da poeta, ensaísta e colunista armênia Marine Petrossian.

 

AMIGOS MORTOS - [...] na arte não há nada mais complexo do que a simplicidade, e por isso ela ocupa o topo da hierarquia. Apenas para os avançados. Um príncipe não consegue alcançá-la. Ninguém pode levá-la até a plebe para que todos possam se beneficiar dela igualmente; não existe democracia capaz de elevar alguém a qualquer lugar por meio da arte. Cada um precisa amadurecer até alcançar sua própria simplicidade, viver e trabalhar no vácuo por muito tempo, e isso exige coragem. Sem coragem, não há arte. Coragem é necessária em uma monarquia, coragem é necessária em uma ditadura, até mesmo em uma maldita democracia ou plutocracia, porque na arte a opinião da maioria não vale nada e nem mesmo a coragem é suficiente. [...]. Trechos extraídos da obra Halott barátaim (Sárközy & Co, 2025), do escritor e dramaturgo húngaro, Péter Nádas (1942-2026), que noutra sua obra, A Book of Memories (Vintage, 1998), expressa que: […] Se alguém pudesse aprender as coisas mais importantes da vida, ainda teria de aprender a guardar silêncio sobre elas. [..] A harmonia de dois corpos expressa naquele único toque — superando diferenças e dobrando a reserva moral de cada um — era tão poderosa e indomável quanto a plenitude física; contudo, não havia falsidade nessa harmonia, nem a ilusão de que, apenas pelo toque, nossos corpos pudessem expressar sentimentos que a racionalidade nos impedia de tornar permanentes. Eu diria até que nossos corpos preservavam friamente o bom senso, tramando e mantendo um ao outro sob controle, como se dissessem: "Vou me entregar sem reservas à loucura do momento, mas apenas se — e quando — você fizer o mesmo". No entanto, esse apelo físico que unia paixão e razão, espontaneidade e cálculo, proximidade e distanciamento, levava nossos corpos além do ponto em que, aferrados ao desejo e em busca da gratificação imediata, eles passariam a almejar uma harmonia nova e mais completa. [...] Minha insensatez me levou a acreditar que eu era a história, e que aquela noite fria e sombria era apenas o cenário; mas, na verdade, minha história real desenrolou-se quase independentemente de mim ou, mais precisamente, ocorreu em paralelo às minhas próprias pequenas aventuras. [...]. Ele também é autor de livros como Szépírás mint hivatás (2023), Parallel Stories (2005), Own Death (2004) e The End of a Family Story (1977).

 

MACROFILOSOFIA & POESOFIA - [...] Não pode haver liberdade se interpretarmos que o marionetista coage, domina e força o marionetista a fazer o que ele quer através dos fios que todos nós vemos. Assim, os sucessivos marionetistas (porque se salienta que há mais de um) negam os princípios da liberdade de seus marionetistas subordinados e, em última análise, do marionetista (que não é mais o marionetista de ninguém). Porém, o que aconteceria se os vários marionetistas se limitassem a fortalecer seus subordinados e o boneco? É uma hipótese um pouco mais plausível que não se encaixa com a experiência habitual na vida real. Mas não é descartável porque os fios podem forçar as mãos a se mover contra sua própria vontade e ajudá-los a ter mais força e a fazer coisas que queremos fazer, mas que - sem os fios - nos faltaria poder. Segundo essa possibilidade, os vários bonecos se limitariam a seguir a vontade do boneco, por exemplo como faria uma espécie de robô de controle remoto. Depois, os fios que amarra as mãos do marionetista aos do marionetista (e este a outro sucessivamente) não seria para coagir ou dominar, mas – pelo contrário – perceber e melhorar suas decisões. [...] Na hipótese desses marionetistas empoderamento, robótico ou benevolentes, o boneco seria livre e capaz de fazer a sua vontade – tornar-se juiz – graças ao apoio do Marionetista. Este não o coagiria o boneco e respeitaria tanto a autonomia quanto a liberdades negativas e positivas. Além disso, então a série aberta de marionetistas seria muito apropriada e útil. Quando a tarefa ou a vontade do pobre boneco seria difícil o suficiente para que a ajuda do primeiro não fosse suficiente boneketer, há fios superiores e mais poderosos "justiciadores" bonequeiros que garantiriam cotas crescente liberdade positiva. [...] É apenas uma fábula ou metáfora que acabamos de inventar? Ou existem tais marionetistas, justiços e garantias de liberdade empoderadores pessoas positivas? [...] Penso que tradicionalmente os Totens, os Deuses, a Magia, o Estado, a Nação, a Ideologia, são entidades, seres, mecanismos ou possibilidades que ajudariam a humanidade a atingir seus objetivos sem coagir e garantir sua liberdade. São certamente esperanças ou perspectivas reconfortantes. E é por isso que a humanidade tem muitas vezes acreditado neles. [...] Se atendermos à história, então, nossa hipótese de os marionetistas empoderadores parece confirmada ou muito plausível. Se existissem, graças à sua capacidade de capacitação. Por outro lado, pais e mães muitas vezes se vêem como os marionetistas capacitadores de nossas crianças. Vamos imaginar que estamos - como na imagem inicial- alguns gigantes que imparavelmente levam seus filhos ao objetivo que merecem. Muitas crianças, no entanto, descobrem que muitos pais - carregados pelo seu "céu excessivo" - acabam se tornando ditadores tão amorosos quanto os castradores. Ainda mais perigoso seria o suposto “empoderamento”, dos totens acima mencionados ao progresso, que muitas vezes se tornaram mestres inclementes, totalitário e destrutivo. Há sempre o perigo de que “o empoderador” seja tornar-se um mero imperador – Imperator – caprichoso, intolerante e Alibidor da liberdade. A humanidade tem uma enorme tendência a imaginar poderes superiores de vários tipos como os que temos apontado. É uma constante histórica e um elemento chave da condição humana. [...] Por isso escrevemos uma série de poemas que se referem às liberdades em muitos aspectos semelhantes, mas também com elementos muito opostos. E vemos que as profundas diferenças que resultam e seus efeitos em nossas vidas não podem ser ignoradas. [...]. Trechos extraídos do artigo Empoderando bonecos: eles existem? (2020), do filósofo e ensaísta espanhol, Gonçal Mayos Solsona, que cunhou o termo macrofilosofia no artigo Limites da hiperespecialização: Necessidade da macrofilosofia (Revice, 2021): [...] A macrofilosofia não é a cura para essa cegueira culpável — como diria Kant — mas aponta o caminho para recuperar antigas e virtuosas trilhas. Pois a filosofia — que foi a mãe de todas as ciências — conserva a memória da emancipação e especialização de todas elas. Portanto, sabe que hoje não pode mais realizar essa tarefa sozinha; precisa da colaboração de todas as ciências, que devem assumir sua parcela de responsabilidade, e das reflexões em nível macro de que a humanidade necessita. [...]. Neste sentido, a Macrofilosofia emerge no cenário contemporâneo como resposta à fragmentação do saber, propondo uma retomada da visão de conjunto, com a perspectiva investigativa de como ética, política, ciência e metafísica se entrelaçam na estrutura das civilizações. Em contraposição à ultraespecialização, busca uma compreensão holística do real, integrando os diversos campos do pensamento para examinar tendências amplas e seus impactos de longo prazo, estruturando-a a partir de três eixos: sistematicidade, perspectiva de longa duração e transversalidade. Ao articular diferentes saberes em modelos interdisciplinares, o autor reflete sobre os desafios do nosso tempo, ao reafirmar a necessidade de um pensamento capaz de reconectar o todo. [...]. Já a poesofia inscrita no seu artigo Poesofemes (Associació Cultural de Poesia Pont del Petroli, 2020), no qual expressa: [...] Porque a poesia vem do grego poiesi, a criação contemplativa que se distingue e se diferencia da arte mecânica. Na Grécia clássica, mas também em Hölderlin, Hegel, Nietzsche ou Heidegger, a poesia é a primeira companhia da filosofia. É a base de toda criação filosófica e certamente de todas as abordagens macrofilosóficas. [...] Já no texto Necessitat de 'filosofia de guàrdia' i de poesofemes (2020), ele expressa que: [...] Um poema visual filosófico é uma criação que propõe uma provocação intelectual e incentiva a reflexão. Lembre-se da poesia que você vê da Grécia, pois ela será a sua criação. Este é um poema baseado em uma metáfora disruptiva capturada em imagens, e não em parágrafos. Além disso, os poemas ou poesias são criações metafóricas e provocativas, mas – em sua essência – são expressos linguisticamente a partir de palavras, argumentos, conceitos, narrativas, ideias, falácias, contradições e todos os paradoxos lógicos possíveis. Esses elementos são mais importantes do que a métrica, a rima e outras estratégias poéticas clássicas. [...] são criações poéticas que rompem e propõem uma ruptura com a realidade cotidiana. Implicam uma ruptura com o “senso comum” e até mesmo com uma impossibilidade ontológica que força cada um que contempla (visual ou conceitualmente) a criar uma explicação que ultrapasse as “regras”. São criações poéticas porque resistem a se tornarem uma explicação científica ou mesmo filosófica definitiva. Pelo contrário, as gaudeixen persistem à vontade das perguntas e das questões não resolvidas. Mantêm-se no nível da criação, do poema, com uma tentativa invariavelmente aberta de expressar sentimento ou uma história com um “final feliz” que faça sentido. Porque se nega que a tensão interrogativa se dissipe, precisamente quando a cortina se fecha para que todos se submetam rapidamente à experiência, a fim de poderem voltar para casa amnésicos... sem fazer quaisquer observações significativas. Pensemos! [...] Ligados à filosofia da guarda, os poemas respondem à necessidade humana de encontrar o sentido, rapidamente, em plena luz e percepção, contra toda esperança e diante da inexplicável explicação. [...] Ela deve se manifestar com a filosofia orientadora que reside na essência de todo pensamento autêntico. [...]. Estes artigos são resultados da conferência do autor sobre Urgence of philosophy in human reptes with Covid-19. Necessitat de poesofemes and philosophical visual poetry (VilaPensa, 2020).

 


ARTE NA ESCOLA – Reunião de sugestões para atividades artísticas que possam ser desenvolvidas em sala de aula, sejam nos ensinos Fundamental ou Médio, ou em formações pedagógicas, a partir da obra de autores como Clarice Lispector, Adélia Prado e Conceição Evaristo, ou das reflexões de Gloria Mark, Françoise Vergès, Martha Gabriel, Kananda Eller, Xiye Bastida e Kate Kretz, como também das recreações propostas por Danica McKellar, Zadie Smith, Mel Robbins & Giva Silva. Confira aqui.


 

TEATRO LAM – Reunião de textos, estudos, cursos e montagens, desde os primeiros momentos de contato com a obra de Fenelon Barreto, o primeiro texto encenado O Prêmio, A viagem noturna do Sol, a montagem de João Sem Terra, de Hermilo Borba Filho; o infantil Lobisomem Zonzo, o Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas, além de formações, teatro na escola, entre outros. Confira aqui.

 


O LIVRO DAS JANELAS – (Imagem: Acervo ArtLAM) Reunião de contos, crônicas, narrativas, textos e outras poemagens prosaicas, com foco na perspectiva das possibilidades, as alternativas de apreensão e percepção, a visualização do universo, o olhar sobre o mundo e todas as coisas a partir da janela. Confira aqui.

 


CAETÉS – Trata-se do 6º episódio das aventuras do Nitolino no Valuna, desta feita, no território de Caetés, no qual visualiza-se gente de Ponto Alegre, Atoleiro, Barriguda, Bastões, Vila Araçá, Várzea Comprida, Várzea Suja e Queimada Grande, bem como da criação do Romance do Pavão Misterioso, do cordel que ninguém sabe direito se é de Melchíades ou de Camelo, e que conta a história de Evangelista e Creusa. Confira aqui.

 


POEMANDANTE, PALÁVORAS – Reunião de colagens autorais (COLAM), com poemagens e versagens do acervo ArtLAM, sobre o tema musical autoral Abandono. Confira aqui.

 

A arte do premiado ator Irandhir Santos (Irandhir Santos Pinto), graduado em Artes Cênicas pela UFPE e que atuou em espetáculos, como Liberdade, liberdade (1996), bem como filmes como Cinema, aspirinas e urubus (2005), Baixio das Bestas (2007), Febre do Rato (2012), Tatuagem (2013), Aquarius (2016), entre outros aplaudidos trabalhos na televisão. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

 


quarta-feira, outubro 11, 2023

BIRUTĖ MAR, KRISTIN HANNAH, NARGES MOHAMMADI & PARADOXOS AZUIS.

 

Imagem: Acervo ArtLAM.

O som pode realmente atuar como um gatilho para a memória e, em seguida, trazê-lo de volta a um lugar e hora específicos. Eu queria trazer essas vozes do passado para o presente.

Ao som do premiado We Shall Be All (Prêmio Turner de 2010) e Pledge (2002), instalações sonoras da artista escocesa Susan Philipsz.

 

 

PONTO DE DEBREAGEM, ARS ENVENIEND... - Versos soavam dos meus ossos, poema da carne – quantos pesos e muitas medidas. Nunca fui poeta, apenas vitimado. Sempre enfrentei o perigo da estagnação e do nada, embora imerso numa sufocante estase nada revigorante. Nunca temi a roda do arrependimento, era o sisifismo: os mistérios são muitos menos novidades, simulações apenas, simulacros do inacessível. O que não era poesia nem música o que seria se mexia dentro da gente e parecia outra coisa, laivos do futuro, talvez. Inaugurei o que poderia ser de festa e o olho no dilema: a jornada do herói imigrante condenado à queda, tal qual Bastian da História sem fim de Petersen – da obra de Michael Ende, quando, na verdade, apenas um leitor voraz na trama da Continuidade dos parques de Cortázar: jamais poderia me safar do sórdido, como se coagido pelos estudantes do colégio Marquês de Arapongas. Talvez essa a minha punição de Prometeu, a sanção nas opções de Camus. Optei por me rebelar à doença niilista e o absurdo, a fugir sobrecarregado – era eu na overwhelmed de Valéria Duca... Não me rendi jamais e fui ter com a imperatriz da fantasia, atingido pelo inesperado: lá estava eu dislálico diante de Nora Roberts: Algumas pessoas querem o simples, o banal e o tranquilo. Isso não faz com que as pessoas que querem o complicado, o extraordinário e o emocionante sejam gananciosas ou egoístas. Querer é querer, qualquer que seja o sonho... Apesar de parecer-me sardônica, não era: incentivava meus sonhos. Qual intrigante, e daí? Pessoas vivem, nenhum extremismo nem empolgação, pausas regulares, humor sombrio no julgamento dos outros. Interpelou-me Harriet Hosmer: Palavras são coisas frias e formais... Eu honro toda mulher que tenha força o suficiente para sair do caminho batido quando ela sente que sua caminhada encontra-se em outro... Tanto quis ao menos beletrista em estado de graça, impossível para quem pretenso Macunaíma – sirvo lá pra grande coisa... Disse-me então Mercè Rodoreda: É bom que, antes de escrever, se viva... Sim, as cartas da vida, o que foi abolido e a pedra de toque. Apesar de sempre tropeçar no meu próprio calcanhar dizia sempre me mandassem a bola que resolveria a parada. Era aquele que se achava pronto e toda vez me atrapalhava mãos pelas pernas. Sei, sempre jogaram às minhas costas, quase me convenci ser eu próprio meu inimigo, dei para isso minha ausência. O amor nunca foi fácil porque não será jamais um jogo. Conto meus botões, até mais ver.

 

COLAR DO SILÊNCIO

Imagem: Acervo ArtLAM.

água pura derramada \ - mas turvo no chão havia gotas - \ algumas - de memória

linda que retorna de viagens distantes \ de cidades desconhecidas sorrindo para si mesmo \ misteriosamente silencioso linda, \ isso só antes da expressão

já está desolado, já amanheceu \ já crepúsculo da manhã \ alguns pensamentos de repente \ alguns pulsos de luz semeando tempo, \ mãos, corpos \ doce perturbação cidade derretendo \ colar do silêncio

de todas as minhas vidas \ Eu me lembro de um outono \ na memória daquele outono \ Eu espio por uma janela ribeirinha \ naquela janela \ Eu vejo um trecho aberto de estrada \ naquela estrada \ Eu encontro uma pegada \ naquela pegada \ Eu construo uma casa naquela casa \ Eu planto minha samambaia de infância \ naquela samambaia \ Eu sonho com uma flor brilhante naquela flor \ Eu vejo uma gota caída naquela gota \ Eu reconheço um rosto velho naquela cara \ - Eu ouço minha própria voz

Poema da atriz e escritora lituana Birutė Mar.

 

O ROUXINOL - […] Se aprendi alguma coisa nesta minha longa vida, é isto: no amor descobrimos quem queremos ser; na guerra descobrimos quem somos. [...] Os homens contam histórias. As mulheres vão em frente. Para nós foi uma guerra sombria. Não houve desfiles para nós quando tudo acabou, nem medalhas ou menções em livros de história. Fizemos o que era necessário durante a guerra e, quando ela acabou, juntamos os cacos e recomeçamos nossas vidas. [...] Mas o amor tem que ser mais forte que o ódio, ou não haverá futuro para nós. [...] As feridas cicatrizam. O amor dura. Nós permanecemos [...] Sempre pensei que era isso que eu queria: ser amada e admirada. Agora acho que talvez eu gostaria de ser conhecido. [...]. Trechos extraídos da obra The Nightingale (11 x 17, 2021), da escritora estadunidense Kristin Hannah.

 

ATIVISMO – Pensamentos e sonhos não morrem. A crença na liberdade e na justiça não perece com a prisão, a tortura ou mesmo a morte e a tirania não prevalece sobre a liberdade. Continuarei os meus esforços até alcançarmos a paz, a tolerância para uma pluralidade de pontos de vista e os direitos humanos. Não estou desesperado nem perdi a motivação. Não podemos parar de tentar. Ainda espero e acredito profundamente que os esforços incansáveis dos nossos ativistas da sociedade civil acabarão por dar frutos. Matar, prender ou negar os direitos de um ser humano não é injustiça contra uma pessoa; ela acorrenta e mata toda uma sociedade. Pensamento da ativista iraniana e Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi.

 

PARADOXOS AZUIS

Sobreponha à palavra o abrupto da alma. \ E se livre da ausência de peso \ do verbo abstrato...

Extraído da obra Paradoxos azuis (CriaArt, 2023), do poeta Vital Corrêa de Araújo, organização, seleção e prefácio do poeta e professor Admmauro Gommes. Veja mais aqui e aqui.

 



sábado, outubro 10, 2015

VERDI, TERESA HORTA, PINTER, NORA, KNIGHT, SENONER, NEUROPSICOLOGIA, TOLINHO & BESTINHA!


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? QUANDO OS ANJOS PAGAM O PATO PELO DESMANTELO NO CÉU – Os dois pariceiros, Tolinho e Bestinha, se espremeram na junta trabalhista para receberem os direitos indenizatórios de oito anos de litígio com uma usina-de-cana-de-açúcar dos cafundós de Judas. Amealharam, com isso, até um montante bom, de chegar a tomarem uma e todas as outras, dois dias encarreados. Pinguçada geral. Queriam tomar de aguardente o que o dinheiro desse. Não era muito, não, mas dava para arrastar o solado do pé por aí. Ainda compraram vestimentas mais decentes de curau numa tolda de feira do mercado; encheram a pança de ficar arrotando aos peidos e ao léu; surrupiaram um retratinho dos santos Cosme e Damião dum alesado que se passava por sortudo de plantão; calçaram uma galocha sonhada e se embelezaram com uma volta de ouropel ao pescoço, e se embebedarem de novo aprontando das suas por horas seguidas, sobrando, enfim, depois de toda gastança, ainda, uns trocados bons no bolso. Até que mais tarde, mais lavados que jipe ladeira abaixo, as ideias clarearam. - Tô cum vontade de ir em Sumpaulo! - balbuciou Tolinho. - Minino, meu sonho é avoar de avião! - avalizou Bestinha. - Rumbora comprar passage e avoar, bora? - Bora! Se atreparam no cata-côrno e foram pro aeroporto. Chegaram no guichê da companhia e se arrepiaram logo com o valor da passagem. - Eita negócio caro do cão, quage vale mais que vinte anos de trabaio com sol graúdo no toitiço da gente, que incaristia, doido! - Do jeito que a gente vai, num torna de jeito nenhum! Depois do alinhamento das ideias na doidice, fecharam, pagaram em moeda corrente vigente nacional e quase ficaram por não portarem bagagem alguma. - Ôxe, a gente vai pissiar, meu, vorta já! Trupicaram na escada e quase relam a cara na pista de pouso. Enganchados no comandante, se aboletaram na última fileira de cadeira da aeronave e céu e mar. - Vumo ficar aqui no fundo, que quarqué coisa, nóis inscapole fora! Na decolagem, Bestinha teve uma caganeira revoltosa de incensar tudo. - Inté pareci cá cumida num se deu cum meu bucho! - E se esse bicho se arvorá de cair, tamo frito! - Bota essa boca pra lá, lazarento! Tolinho ficou rezando pros santos de sua predileção. Ôxe, num deu tempo de nada. O avoante despencou pior que tomahawky, dando cabo da vida deles e de outros tantos passageiros numa explosão de sobrar nem cinzas. Foram direto pro céu. - Cagada da pôrra, meu, este bicho cair logo no dia ca gente se asujeita a avoar nele! - É que tu tem pé frio, desgraçado. Boca de praga! Não se entenderam e só se emendaram depois de uns bregues desferidos por São Pedro. - Documentos? - sentenciou o santo porteiro do céu. - Quis documento, santo? - ironizou Tolinho. - Todos! - Cuma assim? - RG, CIC, título de eleitor, PIS/PASEP, carteira profissional, reservista militar, comprovante de água, luz, telefone, FGTS, fator Rh, exames médicos, seguro-desemprego... - Peraí, Sumpêdo, aqui é o céu ou o cadrastumenti do cartóro inleitorá? -, perguntou Bestinha já decepcionado com a recepção. - Num seria, entonse caixa de banco, não? – interrogou Tolinho, meio que sem jeito. - Ou crediáro de loja ou coisa assim, é? - Bora, bora, passem logo os documentos! - Ô, santo Sumpêdo, o sinhô já viu dizê por um acauso que boia-fria e faz-tudo qui só aveve de bico andá endecumentado assim, é? Impasse brabo. Tanto fizeram que sacaram dos bolsos uma CTPS já desmanchando, o título de eleitor rasgado, o RG desbotado, restinho da grana, hem hem, tudo caindo em bandas, deteriorados de dar trabalho pro porteiro juntar aquelas tranqueiras todas em estado mais que deplorável num documento só. - Preenche aí o formulário de solicitação! - mandou o santo. - Cuma é, mermo? Espia só que astuça desse home. - Vamos, se quiserem entrar no céu tem que preencher! Apertaram os dedos, agarraram o lápis e saíram desenhando por horas os garranchos no papel. São Pedro quase teve um troço quando foi conferir a seboseira. Aí o santo achou por bem relevar nas formalidades e partiu pra conferência dos pecados deles. Deu-se o maior arrepio na cabeça do porteiro ao constatar que todos os mandamentos e todos os pecados capitais eles já haviam infrigido. A serasa do céu pocou na hora com as léguas de restrições. - ...Inadimplentes no mercadinho, na farmácia, armarinho de miudezas, ora, com uma folha corrida dessas, vão pro inferno! - Pronto, Bestinha, agora vamo tostá nas presepas do diabo! Defenestrados dali, estavam eles assando nas profundas do inferno, sem saber o que podiam fazer. - Quem é? - perguntou o endiabrado. - Sumo nóisis, eu e Bestinha! - Valei-me santo demoníaco, bota esses dois pra lá que querem me destronar! Foi um corre-corre da pêga de estornarem os dois a ficar entre o céu, o inferno e o purgatório, sem poder adentrar em nenhum dos três. E agora? O diabo com medo que eles golpeassem o estado, fez um acerto de contas: - Vocês voltem pra terra, que lá ainda tem muita confusão por se fazer!! - Craro, a gente num pode é ficar aqui no osso do mucumbú, sem saber pronde sadiantar! - reclamou indignado Bestinha. - Ôba, vumo azucrinar os vivente mole de novo? - festejou Tolinho. - Êpa, maisi prá disgrama de vida da gente, num vorto forma nenhuma! - embirrou Bestinha. - Isso mermo, só so santo ruim aí, dé umas cumpensação! - O quê, por exemplo! - Vida boa, mulé boa, dinheirama e foiga pra gente se infincar de nunca mais querê vim pru cá. -, passou a régua, Tolinho. - Isso mermo! - afiançou Bestinha. - Tá certo, mas vocês quando chegarem na terra tem que dizer que eu sou o bom e que o céu é ruim. - Homi, seu minino, fechado! Meiór qui issos, só dois diussos, oxente bichim! - Jurado com as cruizis na boca por palavra de home! - S imbora, curau! Pois é, estão ralando até hoje na catação do lixo, no maior revestrés de vida, reclamando da charlatanice do diabo e da chatice de São Pedro. - Quar qui é a diferencia do paraíso pro inferno? - Nóisis inda vumo ser rico, se vamo! Tirá o pé da merda, mesmo! - Nóisis tumém sumo fio de Deus, num sômo? - Sômo. E vamos aprumar a conversa aqui e aqui. 

 Imagem: Female nude study, do artista plástico britânico Charles Knight (1901-1990)


Curtindo dvd da ópera em quatro atos Aida (1871), do compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901), com liberto de Antonio Ghislanzoni, com direção do cineasta italiano Franco Zeffirelli, solistas Adina Aaron, Kate Aldrich e Scott Piper, condutor Massimiliano Stefanelli com a Orquestra e Coro delaa Fondazione Arturo Toscanini. Veja mais aqui.

COGNIÇÃO, NEUROPSICOLOGIA E APRENDIZAGEM - O livro Cognição, neuropsicologia e aprendizagem: abordagem neuropsicológica e psicopedagógica (Vozes, 2009), de Vitor Fonseca, aborda temas como a modificabilidade cognitiva, avaliação psicopedagógica dinâmica, a pedagogia mediatizada, as dificuldades de aprendizagem, a emergencia da cognição, organização neuropsicológica da cognição na abordagem luriana, abordagem cognitiva da aprendizagem humana, entre outros assuntos. Na obra destaco os trechos: [...] A escola e a maioria das instituições sociais envolvidas na formação e na qualificação dos recursos humanos têm negligenciado as vantages da educação cognitiva, que basicamente não ensina conteúdos disciplinares ou matérias de conhecimento, mas, ao contrário, visa desenvolver e maximizar os processos de captação, integração, elaboração e expressão de informação, no fundo, tudo o que se pode definir como aprendizagem. A sociedade em geral e a escola em particular, assim como todos os seus agentes que lidam direta ou indiretamente com o desenvolvimento do potencial humano, ainda desconhecem as vantagens e os benefícios da intervenção psicopedagógica no domínio da cognição. [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

SEGUNDA NATUREZA – No premiado romance Amor de Verão (One Summer, 1987), da escritora estadunidense Nora Roberts, encontro a narrativa Segunda natureza, na qual é contada a história de uma repórter determinada a conseguir uma entrevista exclusiva com um solitário e renomado escritor de livros de terror e que fica fascinado com o magnetismo dela, abrindo uma exceção com uma exigência desafiadora: acampar com ele por duas semanas numa paragem paradisíaca. Da obra destaco o trecho: [...] Satisfeito, Hunter caminhou na direção da bem empilhada bagagem de Lee. Ela não acreditava em viagens leves, reparou ele, examinando a mochila, a pequena mala Pullman e a pasta. Mas que mulher acreditava nisso? Sua filha Sarah não levara duas malas para a curta estada de três dias com a irmã em Phoenix? Era estranho que sua filhinha já fosse quase uma mulher. Talvez não fosse tão estranho assim, refletiu Hunter. Os seres do sexo feminino já nascem quase inteiramente mulheres, ao passo que os seres do sexo masculino levam anos para sair da infância — quando saem. Talvez fosse por causa disso que ele confiava muito mais nos homens. Lee o viu quando voltou para o saguão. Estava de costas para ela, de tal forma que teve a impressão de estar vendo apenas um homem alto, esguio e de cabelos pretos descuidadamente encaracolados até a gola da camiseta. Bem na hora, pensou ela com satisfação e o abordou.— Sou Lee Radcliffe. Quando ele se virou, ela enrijeceu, o sorriso impessoal congelando-lhe o rosto. No instante inicial, não pôde definir por qual motivo. Ele era atraente — talvez atraente demais. O rosto era estreito, mas não tinha um ar acadêmico, tinha as feições duras, mas não rudes. Era, em excesso, uma combinação dos dois, muito mais do que uma característica ou outra. Tinha o nariz reto e aristocrático, ao passo que a boca era esculpida como a de um poeta. Seus cabelos eram escuros, cheios e rebeldes, como se tivesse dirigido em altíssima velocidade por horas a fio contra o vento. Mas não foi nada disso que a fez perder a voz. Foram seus olhos. Ela jamais vira olhos tão escuros quanto aqueles, tão incisivos, tão... perturbadores. Era como se olhassem através dela. Não, não através, corrigiu de pronto Lee, dentro dela. Em dez segundos, eles olharam dentro dela e viram tudo. Ele viu um formidável rosto, branco como o leite, com olhos melancólicos escancarados pela surpresa. Viu uma boca suave e feminina, com uma leve cor. Viu nervosismo. Viu um queixo obstinado e cabelos cor de cobre que deveriam parecer seda ao toque dos dedos. O que viu foi uma mulher equilibrada por fora e tensa por dentro, que tinha um aroma das noites de primavera e parecia modelo de capa da Vogue. Se não fosse a tensão interior, talvez a tivesse dispensado, mas o que ficava por baixo da superfície das pessoas sempre o intrigou. Olhou para a organizada bagagem de modo tão veloz que seus olhos deram a impressão de que jamais abandonariam os dela. — Pois não? — Bem, eu... — Forçada a engolir as palavras, ela baixou o tom de voz. O que bastou para enfurecê-la. Não começaria a gaguejar por causa de um motorista de hotel. — Se você veio me apanhar — disse Lee, bruscamente —, vai precisar levar minha bagagem. Ele ergueu as sobrancelhas, mas não disse nada. O erro dela era simples e óbvio. Uma única frase da parte dele corrigiria tudo. Mas o erro era dela, não dele. Hunter sempre acreditou mais nos impulsos do que nas explicações. Pegou a Pullman e em seguida encaixou a correia da mochila no ombro. — O carro está lá fora. Ela se sentiu muito mais segura seguindo atrás dele com a pasta nas mãos. A sensação de estranheza, disse para si mesma, vinha da ansiedade e do longo voo. Homens jamais a surpreendiam; certamente nunca chamavam sua atenção daquela forma e muito menos a faziam gaguejar. O que precisava era de um banho e algo um pouco mais substancial do que um cachorro-quente para comer. O carro ao qual ele se referira não era exatamente um carro, reparou ela, mas um jipe. Supondo que fazia certo sentido, com estradas íngremes e invernos inclementes, Lee entrou no veículo. Movimenta-se com desenvoltura e veste-se impecavelmente. Ele também reparou que ela roía as unhas. — Você é da área? — perguntou Hunter, puxando conversa enquanto acomodava a bagagem. — Não. Estou aqui para o congresso de escritores. Hunter entrou, sentou ao lado dela e bateu a porta. Agora ele sabia para onde levá-la. — Você é escritora? Ela pensou nos dois capítulos de seu livro inacabado que levara caso necessitasse de um disfarce. — Sou. Hunter contornou o estacionamento e pegou o caminho que dava na estrada principal. — Sobre o que escreve? Lee recostou-se e decidiu que talvez devesse tentar testar sua história nele antes de cair no meio de duzentos escritores e aspirantes a escritores. — Já escrevi artigos e alguns contos — disse ela, sem mentir. Depois acrescentou o que raramente contava para alguém. — E comecei um romance. Ele entrou na rodovia numa velocidade que a surpreendeu mas não a inquietou. — E vai terminá-lo? — perguntou ele, demonstrando um discernimento que a perturbou. — Acho que isso vai depender de vários fatores. Ele deu uma nova e cuidadosa olhada nela. — Tais como? Ela queria mudar de posição no assento, mas forçou-se a permanecer parada. Este era exatamente o tipo de pergunta a que talvez fosse obrigada a responder ao longo daquele fim de semana [...]. Veja mais aqui.

POEMAS DO DESEJO – No livro As palavras do corpo: antologia de poesia erótica (1937 – Leya, 2012), da poeta e editora portuguesa Maria Teresa Horta, destaco, inicialmente, o Poema ao desejo: Empurra a tua espada / no meu ventre / enterra-a devagar até ao cimo / Que eu sinta de ti / a queimadura / e a tua mordedura nos meus rins / Deixa depois que a tua boca / desça / e me contorne as pernas de doçura / Ò meu amor a tua língua / prende / aquilo que desprende da loucura. Também o poema A vagina: É cálida flor / E trópica mansamente / De leite entreaberta às tuas / Mãos / Feltro das pétalas que por dentro / Tem o felpo das pálpebras / Da língua a lentidão / Guelra do corpo / Pulmão que não respira / Dobada em muco / Tecida em água / Flor carnívora voraz do próprio / suco / No ventre entorpecida / Nas pernas sequestrada. Por fim, o poema Masturbação: Eis o centro do corpo / o nosso centro / onde os dedos escorregam devagar / e logo tornam onde nesse / centro / os dedos esfregam – correm / e voltam sem cessar / e então são os meus / já os teus dedos / e são meus dedos / já a tua boca / que vai sorvendo os lábios / dessa boca / que manipulo – conduzo / pensando em tua boca / Ardência funda / planta em movimento / que trepa e fende fundidas / já no tempo / calando o grito nos pulmões da tarde / E todo o corpo / é esse movimento / que trepa e fende fundidas / já no tempo / calando o grito nos pulmões da tarde / E todo o corpo / é esse movimento / em torno / em volta / no centro desses lábios / que a febre toma / engrossa / e vai cedendo a pouco e pouco / nos dedos e na palma. Veja mais aqui, aqui e aqui.

O MONTA-CARGAS – A peça teatral O monta-cargas (Tempo, 1962), do dramaturgo, poeta e roteirista britânico Harold Pinter (1930-2008), conta a história de dois assassinos profissionais angustiados em um quarto de hotel decadente na Inglaterra, preparando a execução de um serviço contratado por uma organização misteriosa, num clima de tensão, silêncio, surpresas e humor. Da obra destaco o trecho na tradução de Márcio Westphalen: Quarto em um sótão, em algum lugar de Birmingham. É uma noite de outono. Há duas portas a direita e esquerda, respectivamente, da parede do fundo do cenário. No centro da parede se vê uma saliência, que logo resulta ser um monta-carga. Há duas camas, uma à direita e outra à esquerda da saliência; a da direita pertence à Gus e a da esquerda pertence a Ben. Ambas têm as cabeceiras colocadas contra a parede e os pés ao público. Contra a parede da esquerda, à frente, há uma cadeira de encosto reto. A porta da esquerda leva ao banheiro e à cozinha. As duas camas estão feitas, mais algo as revira; em cada uma delas estão penduradas às gravatas, os coletes e as bolsas respectivas de ambos os homens. De baixo de cada travesseiro, um revolver e uma pistoleira) (Ao levantar o pano, Ben está deitado na cama da esquerda, lendo o diário. Gus está sentado, no lado direito da cama da direita, amarando com dificuldade os cadarços dos sapatos. Os homens vestem camisas de manga, com calças compridas e suspensórios. Gus ata os cadarços, se levanta, boceja, e começa a caminhar devagar até a porta da esquerda. Detêm-se, abaixa o olhar e sacode um pé. Ben abaixa o diário e observa Gus. Gus se ajoelha e desata o sapato; e o tira lentamente. Olha para dentro dele e tira uma caixa de fósforos achatada, que sacode e examina. O olhar de ambos se encontra. Ben agita o diário e lê. Gus guarda a caixa de fósforos em seu bolso e se agacha para colocar o sapato. Com dificuldade amarra os cadarços. Ben baixa o diário e o observa. Gus se ajoelha, desata os cadarços, e de novo tira lentamente os sapatos. Olha dentro e tira um maço de cigarros amassados. O sacode e o examina; novamente os olhares de ambos se encontram. Ben move o diário fazendo um ruído e segue lendo. Gus guarda o maço no bolso, se agacha põe o sapato e o ata. Logo se afasta para a esquerda. Ben atira com violência o diário sobre a cama e segue a Gus com o olhar bravo. Pega o diário e se deita na cama de barriga para cima, lendo. Segue um silêncio. Logo se ouve um ruído da corrente do banheiro. Puxada duas vezes, mas sem que a água corra. Este ruído vem da esquerda. Silêncio de novo. Gus volta a entrar pela esquerda e detêm-se na porta, coçando-se a cabeça. Ben atira o diário com força) BEN – Uaajj!!! (pega o diário) O que tu achas disto? Escuta. (Referindo-se ao diário) Um homem de oitenta e sete anos quis cruzar a rua. Mas havia muitíssimo trânsito. Não encontrava maneira de passar. Em vista disso, se mete de baixo de um caminhão. GUS – Que fez? BEN – Se meteu debaixo de um caminhão. Um caminhão estacionado. GUS – Não! BEN – O caminhão começou a andar e o passou por cima. GUS – Bah! BEN – É o que diz aqui. GUS – É, as coisas que passam! BEN – É como fazê-lo se vomitar, certo? GUS – Quem lhe recomendou que fez a coisa da semelhança? BEN – Um homem de oitenta e sete anos se mete de baixo de um caminhão! GUS – Não é para acreditar. BEN – Aqui está, em letras de fôrma. GUS – Incrível! (Silêncio. Gus balança a cabeça e sai pela esquerda. Novamente, desde fora à esquerda, um puxão da corrente do banheiro, mas a água não corre. Ben vaia diante a um artigo do diário. Volta Gus) Quero te perguntar uma coisa. BEN – Que tu estavas fazendo ali fora? GUS – Bom, estava... BEN – Que tem de chá? GUS – Ia exatamente a preparar-lo. BEN – Bom, prepare-o. GUS – Sim, já vou. (Se senta na cadeira da esquerda. Jogando com seus pensamentos) O que poço dizer é que desta vez pus uma louça muito bonita. Com uma espécie de barras. Barras brancas. (Ben lê) É muito bonita. Não tenho dúvida. (Ben volta à folha) Na xícara. Na borda, ao redor. O resto é todo preto, sabe? O pires é preto, menos no meio, onde se coloca a xícara. Ali é branco. (Ben lê) Os pratos são iguais, sabe? Só que tem uma barra preta... os pratos, que os atravessa pelo centro. Sim, estou encantado com a louça. BEN – (sem deixar de ler) Para que queres pratos? Não vais comer. GUS – Eu trousse uns biscoitos. BEN – Bom, será melhor que os coma logo. GUS – Sempre trago alguns biscoitos. Ou uma torta. É que... Claro, não posso tomar chá se não como algo. BEN – Bom, nesse caso, quer preparar o chá? Estamos perdendo tempo. (Gus tira o maço amassado de cigarros e o observa) GUS – Tem cigarros? Acho que os meus terminaram. (Atira o maço para cima e logo se inclina para pegar-lo) Espero que este trabalho não seja muito cumprido. (Fazendo pontaria com cuidado, atira o maço debaixo da cama) Oh! Queria te perguntar uma coisa. BEN – (arremessando o diário) Bahh! GUS – Que ouve? BEN – Uma criatura de oito anos matou um gato. GUS – (Não acreditando) Vamos! BEN – É verdade! O que tu acha? Uma criatura de oito anos que mata um gato. GUS – E como o fez esse menino? BEN – Era uma menina. GUS – E como o fez essa menina? BEN – E... (Levanta o diário e o observa) Não explica. GUS – Por que não? BEN – Espera um momento. Diz somente... “O irmão, que tem onze anos, considerou o incidente desde o galpão das ferramentas.” GUS – Oh! BEN – Isso é completamente ridículo. (Pausa) [...]. Veja mais aqui. 
GLEN OR GLENDA – O filme Glen or Glenda (1953), dirigido pelo cineasta estadunidense Ed Wood (1924-1978), são considerados, tanto o autor como o filme como os piores já existentes que se transformou em cult, abordando temas do travestimento masculino e da transsexualidade, com uma narrativa tolerante aos fenômenos, intercalando falas e fatos científicos com intervenções sinistras e sobrenaturais, com narrativas orais que aludem a desvios sexuais, fetichismo, estupro, sadomasoquismo. O destaque do filme vai para a atriz e compositora estadunidense Dolores Fuller (1923-2011), então namorada do diretor. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte do escultor Richard Senoner.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa Noite Romântica, a partir das 21 hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Em seguida, o programa Mix MCLAM, com Verney Filho e na madrugada Hot Night, uma programação toda especial para os ouvintes amantes. Para conferir online acesse aqui .

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!
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RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...