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sexta-feira, janeiro 15, 2021

GAINES, TREFOSSA, NECHVATAL, TUNGA, NICOLELIS, PASSO TORTO & KATALIN KARIKÓ

 

 

TRÍPTICO DQC: BATENDO UMA REAL – EU & OUTROS EUS - Ao som do Concert Recorded Live Music Vault Fort Laudedale (2000), da soprano e atriz inglesa Sarah Brightman. - Às ruas vivalma alguma acena nem olá: sou paisagem desbotada - embora haja gente demais para lá e para cá, demais da conta. Recolho-me na ausência, nenhuma interlocução possível. Mesmo assim, na solidão ainda sonho muito, roncando ao sono ou olhos bem abertos. Ao despertar dou de cara: Doro, Zé Corninho, Magaiver, doutô Zé Gulu, Tolinho & Bestinha, Biritoaldo, enfim, a patota toda ali. Como é que pode? Digo pra eles: Ué, qual a de vocês aqui? Em uníssimo: Comemorar o Ano Novo, ora. Comemorar? Claro! Vocês não ouviram o Miguel Nicolelis: É uma Guerra! Que parte desta frase ainda não foi entendida pelos arautos do corporativismo de plantão que votaram no Pandemônio e não mexem um dedo para atuar no combate à Pandemia? Vocês não se solidarizam com a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado: A gente não está seguro. Não tem mais condições para artista, intelectual, professor, quem puder vai sair, porque a gente não está seguro na rua mais, não conseguimos exercer mais a profissão. Mais do que isso, as condições de minha permanência se tornaram arriscadas. Nem se deram conta do que disse a bioquímica húngara: Katalin Karikó: Nos últimos 40 anos, não tive nenhuma recompensa pelo meu trabalho, nem mesmo um tapinha nas costas. Não preciso disso. Sei o que faço. Sei que é importante. E estou muito velha para mudar. Isso não me subiu à cabeça. Não uso joias e tenho o mesmo carro velho de sempre. Num é essa a da vacina? Sim, ela mesma. Eita! Vocês não se deram conta ainda das centenas de milhares de mortos pela sindemia e pelo desgoverno do Fecamepa na estupidez coisonária ainda não, foi? Não há o que comemorar! Hora de ouvir o escritor estadunidense Ernest Gaines (1933-2019): Não tenho mais nada a dizer, exceto isto: devemos viver com nossa própria consciência. E vamos aprumar a conversa!

 


DOIS: FALA, ESCUTO; DIGA, OUÇO - Ao som de Passo torto, de Armando Lôbo, com o octeto da Orquestra Sinfônica Brasileira – Últimos dias, tantas coisas boas. Dei de lembrar: o primeiro contato com a música se deu ainda menino, ao me deparar com repentistas no meio da feira – coisa dos improvisos duma dupla na embolada e desafio. Quando soube disso, meu pai trouxe uma penca de livros, cordéis e discos de muitos cantadores, apresentou-me à obra de Luís Gonzaga e me iniciou na audição das dores de cotovelo dos boêmios e no Choro. Era ainda molecote de nem dez anos ainda, do outro lado dos parentes o ouvido pegava ligado em Bach e Mozart, sinfonias, óperas e quantos concertos. Seguia inquieto com a descoberta do jazz e do rock progressivo, não perdendo uma sequer da Bossa Nova e das músicas de protestos que saltavam dos festivais. De lá pra cá, muita coisa boa, gente! Surpreendido aqui e ali ouvia disso, adolescendo; curtia aquilo, amadurecendo; e mais daquiloutro dos vinte aos trintanos, Tom&Sons, temas e trilhas doutros acordes e notas, claves & timbres, do ouvido à pauta neo&póstudo dos oitenoventas para dois mil e lá vai teibei! O que ouvia, experimentava; e daí experienciava; cada uma melhor que a outra, vivenciava. Até que chegou o Neto – é assim que gosta de ser chamado – e me levou cabeça a mil, tortos passos & mãos inquietas num tríptico versicular, intitulado Por que não um rap/ente stravinskiano?: Quando fala, escuto; ao dizer, ouço. O preconceito não resiste ao plural. Somos um e muitos outros. Então, vamos, assim a vida, como na Gronamma/Mãe Terra, do surinamês poeta Henri Frans de Ziel (1916-1975), dito Trefossa: Eu não sou eu / enquanto meu sangue / não se misturar por ti / nas milhares de veias de meu corpo. / Eu não sou eu, / enquanto minhas raízes / não se fincarem, não se atirarem / ao seu coração, minha mãe terra. / Eu não sou eu, / enquanto eu não estiver pronto, / para esconder e para carregar, / sua efígie em minha alma. / Eu não sou eu, / enquanto você não gritar, / de prazer e dor / em minha voz. Afinal, somos um e muitos outros.

 


TRES: ESCURANOITECENDO E ELA... - Ao som da ViralSymphOny (2006/08) & imagem de Orlando et la tempête (2020), ambas do artista pós-conceitual, compositor, poeta, teórico e crítico de arte estadunidense, Joseph Nechvatal. - Qualquintal piso folhagalhos corachão. Eleraubíqua mesmo distanciainda, quem dera SoLueclipsada. E a solidão Orlando há tempos vista Woolf: Sinto que com certeza enlouquecerei novamente. Não há passos que foram ou vão e venham, o corpespera as mãos afagamantes, como se dela Edith Wharton me desse: Vivemos em nossas próprias almas como em uma região não mapeada, alguns acres dos quais limpamos para nossa habitação; enquanto da natureza daqueles que estão mais próximos de nós conhecemos, mas as fronteiras que marcam com as nossas... para que não me seja dito Osip Mandelstan: Nós vivemos, mas não sentimos a terra abaixo de nós. Dez passos de distância e nossas palavras não podem ser ouvidas. Por isso é preciso que chegue logo e bem perto, ah, quem me dera dela a noite inteira para amanhecer em mim todos os dias. Até mais ver.

 

A ARTE DE TUNGA: RIO DE JANEIRO OU PALMARES?

O primeiro pensamento que eu coloco é que precisamos acreditar em alguma coisa ou em alguém ou em um fato. O nascimento sempre tem uma testemunha escrita ou um relato. E eu devo acreditar nessas testemunhas, certo? E se eu tiver dois depoimentos contraditórios? Posso acreditar nos dois? Onde vou parar se seguir duas pistas diferentes? Estou levando esta questão a um grau bastante consequente. Quando digo que nasci em dois lugares diferentes, estou levando estas questões a um grau bastante consequente. É paradoxal, mas pode ser uma situação interessante para se investigar. O que representa nascer duas vezes? Podemos efetivamente nascer e renascer. E este renascer não necessariamente vai significar um nascer novo, mas um nascer somado a outro anterior, e vamos continuamente renascendo em versões diversas. É expandir as experiências e a veracidade delas. Eu acredito na vida.

A arte do premiado escultor, desenhista e artista performático Tunga - Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão (1952-2016), que foi o primeiro artista contemporâneo e o primeiro brasileiro a ter uma obra exposta no icônico Museu do Louvre, em Paris, além de obras em acervos permanentes de museus, como o Guggenheim, de Veneza. Seus trabalhos são resultados de investigações literárias, psicanalíticas, filosóficas, teatrais e científicas, carregadas de simbolismo. Realizou o vídeo Nervo de Prata, em parceria com Arthur Omar, e é autor de obras, a exemplo de Preliminares do palíndromo incesto, todas reunidas em vídeo no Tunga: 100 redes e tralhas (1997), de Roberto Moreira; no livro Tunga: Barroco de Lírios (Cosac & Naify, 1997), e na caixa Tunga (2007), reunindo sete volumes de diferentes formatos que documentam a trajetória do artista. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.


 


segunda-feira, setembro 21, 2020

NÉLIDA PIÑON, XENOFONTE, GABRIELA GELUDA & ARMANDO LÔBO, CAMPANELLA, GERALDO BARROS & ORQUESTRA POPULAR DO RECIFE

 


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... O FUNDO DO POÇO & ANÁBASE - Da janela do meu quarto, a solidão. O céu é azul além da galáxia, o infinito. Não sou nada no diário do Fecamepa, este o inexorável Hades de agora em plena ebulição. Não há mais para onde ir, o fundo do poço. Não há túneis, nenhuma luz. Alguém se aproxima e não consigo identificar, sei que ronda no escuro. A voz sem portas esconde o terror lá fora, escuto e rodopio o labirinto da conversa, ele me diz de anábase e é Xenofonte: Vejo, porém, que, todos aqueles que ensinam, praticam o que ensinam a fim de edificar pelo exemplo os que aprendem, da mesma forma que os estimulam pela palavra. As palavras somem de repente, na escuridão não há corredores, degraus, azo. A sensação de calabouço, cadafalso. Falo comigo mesmo, os meus outros eus escapuliram, fugaram. Mãos à parede, delas a sentença fria, celerada. Algum lugar para onde ir, voo.

 


DUAS IDEIAS NO ESCURO, POEMÓPERA – Uma voz ecoa longínqua, pode ser sonho, nunca se sabe. Loucura ou não, uma mulher a se debater, parece. Dela a barulhada sonora do que é daqui e dagora, fanal alvissareiro e operístico, nem sei onde. Sigo bússola bacorejante que vem de lá ou acolá, alguns sopranos solasidós. Atento, espreita cega, ela chega quase imperceptível com a luminosidade de sua pele branca, como se fosse Gaia, venerável matrona e mãe dos deuses e gigantes, do bem e dos males, das virtudes e vícios, dos monstros marinhos e de todas as coisas vivas e mortas. Chegou como se fosse para minha redenção e coroada de flores invisíveis que brotam dos cabelos prateados, a me mostrar nas suas vestes negras transparentes o que dos seus seios jorram de leite à vida e do seu manto abrigo de céus e infernos. Dela uma auréola de nuvens de pássaros às revoadas e cantantes. Solfeja ela poemópera e se faz Gabriela Geluda, oh a minha vida, oh a minha vida, o meu tesouro... e a girar e gira girando a me envolver na sua apoteótica e performática expressão Penélope19, de Armando Lôbo. Ah, giro a vida e sonho. Ao final do espetáculo, olhos nos olhos, seus braços envolventes de clausura e rompante, a me dizer Nélida Piñon: O ser humano é um peregrino. É só na aparência que ele tem uma geografia. Se vive e se escreve sem rede de segurança. O escritor não deve apenas criar, mas deve também emprestar a sua consciência à consciência dos seus leitores, sobretudo num país como o Brasil. E me beija a vertigem e sou de volta o que desce para o que não há mais e são ruas dos meus sonhos no seu corpo e ela vai embora como quem leva a minha vida para nunca mais.

 


TRÊS PASSOS & A VIAGEM DE VOLTA – (Imagem: arte de Geraldo Barros) - A vida e só para valer, só vale mesmo quando inventada e reinventada todo dia, o dia todo. Sim, recomeçar, remover a casca, mudar de pele, outros arrebóis imaginados e vividos. Os passos no chuvisco do tempo miserável entre perguntas e terrores, arrebatado entre o que é permitido e não, tudo isso é nada. Em mim tudo amanhece no Hino de Akhenaton. Ouço da cidadede Campanella: o amor à coisa pública aumenta na medida em que se renuncia ao interesse particular... ninguém deve apropriar-se das partes que cabe aos outros. Aí me refaço, assim sempre fiz. Afinal, me reconstruo com essa a lição: O Sol nasce para todos. Até mais ver.

 

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja mais aqui.


ORQUESTRA POPULAR DO RECIFE

A arte de um dos mais importantes grupos pernambucanos, Orquestra Popular do Recife, idealizada em 1975 pelo escritor e professor Ariano Suassuna e, inicialmente, foi regida pelo Maestro Duda. A partir de 1977, a direção artística e musical foi assumida pelo maestro, arranjador, professor e compositor Ademir Araújo, o Formiga. Dela curtindo os álbuns E o frevo continua (2007) e Olha o Mateus! (2005). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 


 


segunda-feira, julho 06, 2020

ODILON REDON, HEATHER NOVA, ARMANDO LÔBO, HENRIETTA LEAVITT, JANE GODALL, BEL BRAZIL & DE BARROS



DIÁRIO DE QUARENTENA (Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez)– UMA: AS COISAS VÃO NO FECAMEPA QUE NEM SEI -  Bem, se o Brasil não endoidou no Fecamepa, está de cabeça para baixo no fundo do poço. É que as coisas estão tão enganchadas que passa da anomalia para o disforme, senão amorfo. O Coisonário para se sustentar, faz de tudo para o desgoverno: coleira de Centrão, agrados para milicos e ricos, tapa o céu dos filhos com uma peneira esfarrapada e, ainda por cima, não sabe se a doidice dos engalobados ministrecos vai mesmo arrombar com a festa: vão fazer a farra da cloroquina sobre zilhões de cadáveres tanto da Covid19 como de suas trapalhadas risíveis. A calamidade é só tragicomédia! Vai valer o processo de “kafta” meeesmo: para cara de pau só óleo de peroba, oxente! E arrevira o bumba que, pelo que parece, o pisoteio não vai parar nem tão cedo, gente! E viva o Fecamepa aê!!!!

DUAS: SE O DORO NÃO BATEU AS BOTAS, ESTÁ NAS BEIRADAS – O Doro foi na Coiso: É só uma gripezinha! Não era e o cara se agoniou: Tem algum encosto acochando meu gogó, não posso respirar! Aí ele foi inchando corado, estrebuchando, chega ter um troço e ploft! O cabra caiu estendido, tão inquieto que teve de ser levado amarrado numa maca pra emergência. Diagnóstico na batata! Quando ouviu, sussurrou maluvido de ninguém entender o que dizia: Hem? Sacudido nos confins duma UTI, dizem as más línguas que ele já foi pro saco faz tempo, mais de mês que não se tem notícias dele: Acho que jogaram aquela alma sebosa numa vala qualquer! Foi nada? Se não tiver insepulto aí pros urubus! Eita! Muitos só no sarcasmo: Bem empregado pro desinfeliz! Quem mandou ele achar que era invencível, taí, lascou-se, é mais um para as estatísticas da pandemia! O que será que o enjeitado está fazendo entre o céu, o inferno e o purgatório? Veja aqui.

TRÊS: FIZ UMA CANÇÃO, LUZ&AR - Fiz uma canção! Na verdade, uma cançoneta, quase vinheta! Luz&ar! Mais um dos meus tantos pedaços: mais de 200 fragmentos musicais e nada mais do que me resta. Tudo feito com muito coração. Aliás, todo coração. Principalmente para ela que foi, é e será, sempre: Luciah Lopez. Feliz aniversário! Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A descoberta de estrelas variáveis: como as variáveis [cefeidas] provavelmente estão à mesma distância da Terra, seus períodos estão aparentemente associados à emissão real de luz, conforme determinado por sua massa, densidade e brilho da superfície. Uma linha reta pode ser facilmente traçada entre cada uma das duas séries de pontos correspondentes aos máximos e mínimos, mostrando assim que existe uma relação simples entre o brilho das variáveis e seus períodos. Vale ressaltar que na Tabela das variáveis mais brilhantes têm períodos mais longos. Também é perceptível que aqueles com períodos mais longos parecem ser tão regulares em suas variações quanto aqueles que passam por suas mudanças em um dia ou dois. Espera-se que o estudo sistemático das mudanças de luz de todas as variáveis, com quase dois mil números, nas duas Nuvens de Magalhães possa em breve ser realizado neste Observatório. Aparentemente, nenhuma linha divisória aguda pode ser traçada entre as verdadeiras estrelas de Algol e aquelas cujas variações são contínuas. Períodos de nove variáveis nessa região, que são do tipo Algol ou se assemelham a ele, foram determinados e são discutidos aqui. Pensamento da astrônoma estadunidense Henrietta Leavitt (1868-1921), que ficou famosa por seu trabalho sobre estrelas variáveis que, por resultado, passou a ser utilizado por Edwin Hubble para calcular a distância das galáxias — à época chamadas de "nebulosas". Com isso, ele pôde mostrar que algumas dessas "nebulosas" eram na verdade outras galáxias, pondo fim a um longo debate sobre a natureza desses objetos e sobre as dimensões do Universo. O conhecimento dessas distâncias permitiu ainda que Hubble concluísse que o Universo está em expansão, o que demonstra a importância dos trabalhos de Henrietta Leavitt que foi bastante injustiçada, fato que a incluiu entre as integrantes do Efeito Matilda. Veja mais a respeito aqui.

DESTAQUE: O que você faz, faz a diferença, e você tem que decidir que tipo de diferença você quer fazer. Pensamento da primatóloga, etóloga e antropóloga britânica Jane Godall, que estudou a vida social e familiar dos chimpanzés (Pan troglodytes) em Gombe, na Tanzânia, ao longo de 40 anos. Os seus estudos contribuíram para o avanço dos conhecimentos sobre a aprendizagem social, o raciocínio e a cultura dos chimpanzés selvagens. Tornou-se, posteriormente, mensageira da paz das Nações Unidas, fundou o Jane Goodall Institute e é afiliada ao grupo defensor dos animais Humane Society of the United States. O seu trabalho é reconhecido: a cientista já foi homenageada em muitas ocasiões com honrarias acadêmicas diversas e prêmios científicos. Veja mais aqui e aqui.

A MÚSICA DE HEATHER NOVA
Costumo precisar de distância de um evento antes de poder escrever sobre ele. A ideia da música é que escolhemos nosso caminho, consciente ou inconscientemente. Às vezes, é mais fácil culpar outras pessoas ou situações, mas se percebermos que precisamos passar por algo doloroso para crescer ou chegar a um lugar mais brilhante, tudo faz um pouco mais de sentido e, francamente, é muito melhor! Escrever, para mim, é um processo solitário. Eu moro em casa nas Bermudas e escrevo. Não toco nada para ninguém até terminar uma coleção de músicas. Ando todos os dias na natureza e moro à beira-mar. Esse é um elemento importante para mim na minha escrita - minha conexão com a natureza me ajuda a me conectar comigo mesmo, minhas emoções, minha verdade. Bem, o som é o meu próprio coquetel de guitarras sujas e distorcidas, guitarras deslizantes crescentes, violoncelos bem-humorados, violões frágeis, uma seção rítmica e meus vocais, é claro.
HEATHER NOVA - A música da poeta, compositora e cantora bermudense de rock alternativo, Heather Nova, autora de muitos sucessos desde o início da sua carreira em 1990 com o álbum Blow, tornando-a depois de dezenas de álbuns gravados e lançados na sua trajetória, uma das referências do pop-rock feminino e autora do livro de poemas e desenhos com o título, Sorrowjoy.
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A ARTE DE BEL BRAZIL KOHLRAUSCH
Sou de antes e agora / Sou flor e espinho / Sou água, sou o vinho / Simples.... / Sagrada mulher...
BEL BRAZIL KOHLRAUSCH - A arte da cantora Bel Brazil Kohlrausch. Veja mais aqui.

A ARTE DE ODILON REDON
O valor da arte está em seu poder de aumentar nossa força moral ou aumentar sua influência. Embora reconheça a necessidade de ter a realidade como base, a verdadeira arte reside na realidade que é percebida. Minha originalidade consiste em dar vida a seres improváveis de uma maneira humana e fazê-los viver de acordo com as leis da probabilidade, mas colocando - na medida do possível - a lógica do visível a serviço do invisível.
ODILON REDON - A arte do pintor e artista gráfico francês Odilon Redon (1840-1916). Veja mais aqui.
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A ARTE DE DE BARROS
Gosto de gente quando sabe hora certa de não ter hora para ser feliz.
A arte do artista plástico De Barros (Paulo César Barros). Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
É difícil se fazer uma música que busque originalidade e que não tenha prejuízo. Há outra coisa: não basta só a obra, você tem que fazer o social, ter prestígio nas relações sociais. Vejo pessoas que, depois de um tempo de fracassos, vestem a roupa da hipocrisia, de forma a conseguir com a vida social o que a obra não conseguiu. É preciso manter a dignidade. O artista tem que ser fiel a uma visão. Quando ele começa a virar um burocrata, um ser social demais, o foco fica mais na vaidade do que na própria expressão artística.
A arte do premiado cantor, compositor, arranjador, instrumentista, poeta e professor Armando Lôbo que desenvolve estilos e gêneros musicais com uma diversidade ímpar, utilizando experimentalismo com simbiose com a filosofia, a literatura e a história. Ele já lançou quatro álbuns, entre eles Alegria dos homens (2003), Vulgar & sublime (2008), Técnicas modernas do êxtase (2011) e tem se dedicado à música erudita contemporânea. Veja mais dele aqui.
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Evangelho na taba & outros problemas inculturais brasileiros, do escritor e dramaturgo Osman Lins (1924-1978) aqui e aqui.
A poesia Vital Absoluta de Vital Correa de Araújo aqui.
O teatro de Fenelon Barreto aqui.
A arte do artista Maurício Silva aqui.
O curta Maria (2016) & Mucunã (2019), da cineasta Carol Correia aqui e aqui.
Museu do Caxiado aqui.
Justiça & injustiça aqui.
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Lajedo aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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segunda-feira, fevereiro 25, 2019

DRUMMOND, MILTON SANTOS, GUITA CHARIFKER, ARMANDO LÔBO & O AÇUDE DE ALAGOINHANDUBA


O AÇUDE DE ALAGOINHANDUBA - Um olho d’água escorria pelo rego que virou arroio e no tempo não mais córrego, açude imenso onde antes terreno baldio e charco que o casario arrodeava. Quem vinha pelas ruas ou passava à beira da linha férrea, via a alegria às vistas do povo no peitoril da janela, as crianças chafurdando no lamaçal, uma canoa em pescaria, os avelós, a bananeira, os calangos deslizando no lodo, passarinho, mosquitos e passos. Zé Gogo chamava atenção de todos os habitantes: Ouçam o xexeu, ele avisa que um peixe gigante e manso com cinco mil olhos e barbatanas de ouro, é quem sustenta o açude, guarda o fundo e seus mistérios, o verdugo das almas. O povo se ria da leseira dele. E o enorme e estranho dali era o Acari Rei com sua coroa na testa. No seu ventre uma tríplice semente: a vida, a morte e a ressurreição. E dos seus olhos faiscantes e ariscos a manhã surgia enquanto contava da origem do universo, descendente que era do dia e da noite. Só pisava a terra quando eclipsado canto das mortes soava sobre as águas, vinha feito gente e nu, do esconderijo a escorrer pela lama até a cana onde se refazia e recriava o santuário, validando a terra dali. Mais se ria e pilheriava de Zé Gogo ao insistir veemente: Quem mergulhar é saudado, mas é devorado ao sair. Ignoravam todos da desmesurada grandeza do Acari Rei. Só desconfiavam quando à meia noite, o açude dormia, uma lasca de pau imóvel agourava que não se podia beber nem mexer na água. A Máe D’Água acalentava o Acari Rei que dormia sonhos intermináveis. Os peixes deitados no fundo, as cobras estiradas sonambulavam perdendo seus venenos, os sapos não coaxavam e o vento nem ousava ventar, nada se mexia: tudo parado no ar. E quando ela vinha carregada de fantasias oníricas, penteando seus longos cabelos, o dia amanhecia e os que morreram afogados definitivamente iam pro céu, todos os dias. Ninguém temia, nem havia motivo para tal. Foi então que Juanana, uma Branca Dias local, se jogou nas águas cristalinas para nunca mais ser vista. Contam que ela viu-se ameaçada por uma investigação policial para tomar-lhe a riqueza. Não se fez de rogada, foi até à beira do açude, invocou do Caboclo D’Água que emergiu nu, ela mergulhou e ele entrou no seu corpo, avisando o futuro. Era o presságio: uma bela tarde, o filho mais velho de abastado comerciante morreu afogado. Dizem que com saudade de Juanana, febre de amor. O açude ficou mal quisto: culpa dele de dizimar filho querido, revoltas no ar. Nunca mais o desafeto. A título de curiosidade, passaram-se luas abomináveis, algumas diabruras sinistras, provocando atrozes sonhos malévolos naquele povinho. Os sabidos aproveitaram-se disso. E o dia amanheceu com uma nuvem negra extraordinária ocultando o dia e a tarde, e os déspotas aterraram para ganhar dinheiro com a especulação imobiliária: pedaços de chão a três por quatro, baratos que só bolo de goma. Zé Gogo endoideceu de vez: Não pode! Não pode! Pintou o sete, nada adiantou. E ninguém dali se deu conta do vento sufocante anunciando que as plantas morriam ao seu redor, nem do suspiro no ar contra aquele que envenenava as águas, matava pássaros e apodrecia frutos: o passado é a fealdade do horror, precisava ser ignorado - na memoria da posteridade subsistia o esquecimento. Como também foram esquecidas as vidas soterradas com o desabamento onde antes as águas do açude animavam as conversas no terreiro de fim de tarde, na boquinha da noite. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
O barro entendia que estão abusando da sua docilidade para a feitura de cerâmicas vulgares. A água queixou-se de recolher todas as imundícies da Terra, ela que sempre foi sinônimo de limpeza. O boi nem precisou falar: era a imagem da revolta contra o sacrifício da espécie - de todas as espécies imoladas. "E a mim?", gemeu a árvore, "a mim, que desempenho função vital no sistema da Terra, tacam-me foto ou retalham-me a serra e machado." Os quatro concordaram que não está direito. Reclamaram do homem, e este lhes declarou que não podia fazer nada. Vive onerado de impostos, afligido de doenças, e mal tem tempo de se coçar. "Em vez de me coçar", acrescentou, "assisto a seriados americanos de televisão, enquanto não se inventa outra coisa. E me entedio. Voltem para seus lugares e guardem o que lhes digo. "Vocês pensam que ser homem é fácil?"
Conto extraído da obra Contos plausíveis (Record, 2006),
do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A PINTURA DE GUITA CHARIFKER
A arte da pintora, desenhista, gravadora e escultora Guita Charifker (1936 - 2017), que colaborou com a fundação do Atelier da Ribeira em Olinda e criou a Galeria do Teatro Popular do Nordeste. Veja mais aqui.

A MÚSICA DE ARMANDO LOBO
O premiado cantor, compositor, arranjador, instrumentista, poeta e professor Armando Lôbo desenvolve estilos e gêneros musicais com uma diversidade ímpar, utilizando experimentalismo com simbiose com a filosofia, a literatura e a história. Ele já lançou quatro álbuns, entre eles Alegria dos homens (2003), Vulgar & sublime (2008), Técnicas modernas do êxtase (2011) e tem se dedicado à música erudita contemporânea. Para conhecer sua música clique aqui. E veja mais aqui.
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Os lugares obrigam os homens a intercâmbios
A obra do geógrafo e professor Milton Santos (1926-2001) aqui e aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...