segunda-feira, maio 18, 2020

DIOTIMA DE MANTINEA, LUCIA BARRENECHEA, MARIANNITA LUZZATI, JOANA LIRA & EVILÁZIO PAIVA


DIÁRIO DE QUARENTENA – CONVIVENDO COM MEU POVO DE LUA NO FECAMEPAUMA: NA GANGORRA DA CONVIVÊNCIA – Viver no Fecamepa é uma corda bamba abissal, isso tanto na política como nas amizades e tudo o mais do relacionamento social, cultural, religioso e o escambau. Sim, aqui quando se é amigo é de verdade, senão a rasteira come no centro e ai de quem sai relando a bunda no chão. Ou é amigo ou inimigo, ou é ou não é. Não há meio termo nem inteligência emocional, convivência pacífica, essas baboseiras. Nada disso. Ou é 8 ou 80, mesmo que tenhamos aprendido no ginasial a demonstração do plano cartesiano que, de um lado ou de outro, em cima ou em baixo, tanto para mais como para menos, existe uma infinita consideração numérica. Mas pra valer tem que ficar na redoma do certo ou errado e mais nada. Sim, além do mais, amizade é mútua, de mão dupla e perene; assim não sendo, deixa de ser na hora. E quando os amigos se estranham, corra; os podres de ambas as partes e de todas as envolvidas, estarão queimando no fogo do inferno. Ou seja: pros amigos, tudo; pros inimigos, os rigores da lei, porque para quem perdeu a graça, do pescoço para baixo tudo é perna, pau no lombo, vudu, blasfêmias e nome por extenso costurado dentro da boca de um sapo cururu, e babau. Já dizia Millôr Fernandes: A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades. E durma com um barulho desses! DUAS: ARENGA ENTRE VIZINHOS – Suedivânio está doido para agarrar na beca de Jetubaldo, dar-lhes umas boas bofetadas e torcer o seu pescoço. Vontade não falta, a coragem adia um pouco. Rixa antiga deles, só por causa do zoadeiro do boteco até altas horas da noite. Esculhambações mútuas: Dá pra baixar essa merda de som, fidapeste? Venha baixar, fidaputa! Minha mãe não é puta, viado! É sim, fidicorno! Meu pai não corno, fresco, já morreu! Venha baixar, cuzão, que dou-lhe umas lamboradas boas pelas bostas dos guenzos da sua mãe, safado! Aí começa o teitei. Enquanto os cachorros cuidados pela mãe de Suedivânio emporcalham o negócio de Jetubaldo, por represália, ele pinta e borda na provocação jogando o lixo na porta do desafeto. Resultado? Alardeiam ameaças dias e noites, arengam com a promessa de, qualquer hora dessas, perder a cabeça e resolver tudo por via de fato. Dali nenhum sai, nem ninguém os tira. Pronto! Desmantelo todo arrumado. Disse para eles aquela do Oscar Wilde: A melhor maneira de começar uma amizade é com uma boa gargalhada. De terminar com ela, também. Nem acharam graça e me mandaram catar coquinhos por aí, só prometendo o circo pegar fogo. Agora dê corda pra ver! Que coisa! TRÊS: ENTRE FALSOS, MANGADORES & OFENDIDOS - Como os Fabos, Cafos e outras trepeças vivem no reino da estupidologia do Coisonário, são tudo de lua. Isso mesmo: uma hora, de dente aberto; outra, de braguilha virada. Ou tapas e beijos, ou cheio de nó pelas costas de injuriado. Trocando em miúdos: quando não estão aos conchavos do compadrio, estão cagando raio de ofendidos. Deviam ouvir Sócrates: Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos. Quem tem lá saco para filosofar no Brasil, gente! Duas besteiradas antes, pensar só depois. Afinal, só não tem jeito pra morte. Ah, uma coisa é certa: se você estiver estibado, tá tudo ali encangado, irmanados; se você alisar arriado na penúria, não fica um pra remédio. Vamos aprumar a conversa, gente! Até amanhã! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Aquele que corretamente se encaminha à perfeita contemplação do Amor, com efeito, deve começar, quando jovem, por se dirigir aos belos corpos; e, em primeiro lugar, se o seu orientador o dirigir corretamente, ele deve amar um só corpo e, então, gerar belas palavras. Depois, ele deve compreender que a beleza em qualquer corpo é irmã da que está em qualquer outro, e que, se deve procurar a beleza na forma, muita tolice seria não considerar uma só e a mesma a beleza que está em todos os corpos. E, depois de entender isso, ele deve se fazer amante de todos os belos corpos e largar esse amor violento de um só, após desprezá-lo e considerá-lo mesquinho. Em seguida, ele deve considerar mais preciosa a beleza que está nas almas que a do corpo, de modo que, mesmo se alguém de uma alma gentil tenha, todavia, pouco encanto, ele se contente, ame e se interesse, e produza e procure palavras tais que tornem melhores os jovens. Para que, então, seja ele obrigado a contemplar a beleza nos ofícios e nas leis, e a ver, assim, que toda ela tem um parentesco comum; e julgue, enfim, de pouca importância a beleza no corpo. Depois dos ofícios, é para as ciências que é preciso transportá-lo, a fim de que veja também a beleza das ciências; e, olhando já muito para a beleza, sem mais amar como um servo a beleza individual de uma criançola, de uma pessoa ou de um só costume, ele não seja, nessa escravidão, miserável e um falador mesquinho, mas voltado para o vasto oceano da beleza e, contemplando-a, ele produza muitas palavras belas e magníficas, e reflexões, em inesgotável amor à sabedoria. Até que aí, robustecido e crescido, ele contemple uma certa Ciência, única, tal que o seu objeto é a Beleza seguinte. Tente agora prestar-me a máxima atenção possível. Aquele, pois, que tiver sido orientado até esse ponto para as coisas do amor, contemplando seguida e corretamente o que é belo, já chegando ao ápice dos graus do amor, de súbito perceberá algo de maravilhosamente Belo em sua natureza, o mesmo, ó Sócrates, ao qual tendiam todas as penas anteriores: primeiramente, o Belo que sempre é, que não nasce nem perece, não cresce nem decresce; e, depois, que não é belo de um jeito e feio de outro, nem ora sim, ora não; nem belo quanto a isso e feio quanto àquilo, nem belo aqui e feio ali, como se fosse belo para uns e, para outros, feio. Nem, por outro lado, vai lhe aparecer o Belo como um rosto ou mãos, nem como nada que o corpo tem consigo, nem como algum discurso ou alguma ciência, nem certamente como existindo em algo mais, como, por exemplo, em algum animal da terra ou do céu, ou em qualquer outra coisa. Ao contrário, irá lhe aparecer ele mesmo, por si mesmo, consigo mesmo, sendo sempre uniforme, enquanto tudo mais que é belo participa dele, de um modo tal que, enquanto tudo mais que é belo nasce e perece, ele em nada fica maior ou menor, nem nada sofre. Quando, então, alguém, subindo a partir do que é belo aqui, através do correto amor às pessoas jovens, começa a contemplar aquele Belo, quase que estaria atingindo o ponto final. Eis, com efeito, em que consiste proceder corretamente, ou deixar-se conduzir, nos caminhos do amor: em começar do que é belo aqui e, em vista daquele Belo, subir sempre, como que servindo-se de degraus, de um só para dois e de dois para todos os belos corpos, e dos belos corpos para os belos ofícios, e dos ofícios para as belas ciências, até que, das ciências, acabe naquela Ciência, que de nada mais é senão daquele próprio Belo, e conheça enfim o que em si é o Belo. Nesse ponto da vida, meu caro Sócrates, se é que em mais algum outro, o homem poderia viver contemplando o próprio Belo. Se algum dia você o vir, não é como ouro ou como roupa que ele lhe parecerá ser, ou como belas pessoas jovens adolescentes, a cuja vista você fica agora aturdido e disposto (você como muitos outros, contanto que vejam seus amados e sempre estejam com eles) a não comer nem beber, se de algum modo fosse possível, mas a só contemplar e estar ao seu lado. [...]. Trecho do discurso sobre as questões do amor, da filósofa e sacerdotisa grega Diotima de Mantinea (440aC), para o filósofo grego Sócrates, extraído da obra  O Banquete (Difusão Europeia do Livro, 1975), do filósofo grego Platão. No discurso a filósofa argumenta o Amor é uma entidade demiúrgica e que para vivermos e até para amarmos nós precisamos do contato carnal com os outros, porque tudo partiria do corpo. A partir disso, passou a considerar a Scala amoris (escada do amor), conceito platônico de elevação pelo amor em graus ascendentes, ou seja, que a partir de belezas óbvias, deve, pelo bem daquela beleza mais alta, subir sempre ao alto, como em degraus, como sendo, em primeiro lugar, de fato, se seu condutor o orienta corretamente, deve-se estar apaixonado por um corpo em particular para se gerar belos pensamentos nele; em segundo, amar todos os corpos belos e, em seguida, deve observar como a beleza ligada a este ou aquele corpo é cognata àquela que é ligada a qualquer outro; o terceiro, amar a beleza que uma alma pode ter; ao amar a beleza mental ou a beleza da alma, o amante não terá outra escolha senão ascender para amar as belas instituições, leis e atividades públicas; amar a beleza das ciências ou do conhecimento em geral; levar os ramos do conhecimento para contemplar uma província da beleza, e ao olhar assim para a beleza na massa possa escapar da escravidão mesquinha e meticulosa de uma única instância, onde ele deveria centralizar todo o seu cuidado; a culminância do amor ao Belo-em-si e contemplar um vasto mar de beleza, trazendo em todo seu esplendor muitos belos frutos do discurso e da meditação em uma abundante colheita de filosofia; e o ápice de Eros, a ascensão e sublimação da condição humana aos ideais divinos do Bem e Belo. Assim sendo, de forma metodológica, a scala amoris de Diotima é análoga à parábola da caverna, da República. Ambos tratam do processo de iluminação ou compreensão que, de modo geral, é o movimento que parte de aparências individuais em direção a algo cada vez mais abstrato, ou seja, indo para algo além do individual em direção ao ideal. Esse tema é tratado na obra La Tumba de Antígona Diotima de Mantinea (Litoral, 1983), da filósofa e escritora espanhola María Zambrano (1904-1991). Mereceu consideração também na obra Diotima, o de la dificultad de enseñar filosofia (Guillermo Escolar, 2016), organizado por Rafael Orden Jiménez, Juan García Norro e Emma Ingala Goméz, ao mencionr que Diotima foi mestre de Sócrates, de quem aprendeu o que é o Amor. O artigo O discurso sobre o amor no Banquete, de Platão, e a presença de Diotima de Mantineia: mulher/sacerdotisa/hetaira (Psicanálise & Barroco em revista, 2019), de Yvisson Gomes dos Santos e Walter Matias Lima, dão conta de que: [...] Essa mulher, sacerdotisa e prostituta, foi quem ensinou a Sócrates a arte do amor. Tal amor que no diálogo platônico nasceria de pais distintos, na festa de Afrodite, de um pai astuto, e de uma mãe pobre. Através desse vínculo o Amor tornou-se um demiurgo, – um médium entre os homens (mortais) e os deuses. Uma missão alvissareira se não fosse o espírito precário do amor. No artigo Diotima de Mantineia (Em Construção – Arquivos de Epistemologia Histórica e Estudos de Ciência, 2019), de Clara Britto da Rocha Acker, oriundo da obra Femmes, Fêtes et Philosophie en Grèce Ancienne (L’Harmattan, 2013) da autora, explicita que [...] Diotima, cujo nome significa “honrada pelos deuses”, possivelmente nasceu por volta de 480 AEC, na cidade de Mantineia, na Arcádia. [...] Diotima é nomeada a partir de sua cidade de origem, Mantineia; ela não é apenas “a estrangeira”, ela possui um nome e sua cidade existia. Sócrates explica que, graças a seu grande conhecimento sobre vários assuntos, Diotima pôde preservar a saúde dos atenienses por 10 anos, e seus contemporâneos deviam estar cientes desse fato. Sócrates relata que se encontrou com Diotima diversas vezes e que ela lhe ensinou o que ele sabia sobre o Amor. Tendo em vista que Sócrates reconhecia nada saber além do tocante a Eros, Diotima deve ser considerada como sua professora de Erosofia. Sócrates, aliás, a chama de mestra [...] O fato de Diotima exprimir várias vezes suas dúvidas em relação à capacidade de Sócrates em compreender as coisas relacionadas a Eros e se interrogar sobre o fato de ele poder atingir o mais alto grau de iniciação, parece ser uma demonstração da tekne do amante, tal como ela é explicada pelo próprio Sócrates em Lísias. O amante não deve glorificar seu amado antes de tê-lo conquistado, mas deve sobretudo mostrar-lhe seus limites, em especial no que concerne ao conhecimento, mostrando-lhe o que ele não sabe. É exatamente o que faz Diotima no Symposium, evidenciando o caráter amoroso de sua relação com Sócrates. Diotima ama Sócrates e ela vai lhe ensinar o que ele ignora sobre Eros. [...] a contribuição de Diotima de Mantineia foi fundamental na elaboração do que temos o hábito de chamar de teoria platônica do Amor. A Erosofia, essa sabedoria sobre o Amor, não foi apenas elaborada nos círculos dionisíacos frequentados pela sacerdotisa, não se trata somente de um conhecimento comunicado por uma mulher, mas trata-se de uma sabedoria intrinsicamente feminina, que valoriza o corpo feminino, a ética do cuidado, o amor materno e o delírio sagrado como essenciais à Filosofia. Diotima se revela, assim, não apenas uma sacerdotisa, mas uma autêntica filósofa, situada na origem de todo saber socrático e, assim sendo, na raiz de toda a Filosofia ocidental. Aqui, rendemos homenagem a esta imensa filósofa, à professora de Sócrates, escandalosamente subtraída por uma História da Filosofia misógina e mentirosa, que não pode ou que não quer ver uma mulher na origem de uma das mais belas e promissoras doutrinas antigas, como aquela do Amor. [...]. No livro Il romanzo di Diotima (Giovane Holden, 2019), de do escrtor italiano Gaetano Cinque, destacando que Diotima está entre as personalidades sugestivas e de grande representação na história antiga, com sua filosofia que embasa a psicologia e a metafísica, tornando-se um magnifico ícone feminino de independência e aspiração irreprimível à verdade. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A MÚSICA DE LUCIA BARRENECHEA
[...] A investigação de um texto musical - padrão sonoro que se apresenta em forma gráfica -, com vistas à sua interpretação musical, consiste numa jornada na qual vários fatos são colocados em jogo, e que vão definir como será a projeção do acontecimento sonoro, a comunicação física e acústica do que se lê nesse texto. [...] Outros estudos se fazem necessários para um maior aprofundamento das questões que podem ser colocadas ao se discutir uma construção informada da interpretação musical. [...].
LUCIA BARRENECHEA - Considerações finais do artigo Dança – Lembrança do Sertão de Heitor Villa-Lobos: construindo a interpretação da redução para piano (II Congresso da Associação Brasileira de Performance Musical, 2014), da pianista, professora e pesquisadora Lúcia Barrenechea, que integra o Duo Barrenechea, com o seu marido, o flautista Sérgio Barrenechea, autores dos álbuns Momentos em Paris (2008), Saracoteio - Piano Brasileiro (2009), A Música para Flauta de Francisco Mignone (2010), Presença de Villa-Lobos na Música Brasileira para Violoncelo e Piano (2013), Brasíleiríssimo: Encontros (2015) e Presença de Villa-Lobos na Música Brasileira para Violoncelo e Piano Vol. II (2017). Ela é professora de piano e música de câmara no Instituto Villa-Lobos da UNIRIO, no Programa de Pós-Graduação em Música ? Mestrado e Doutorado, e no PROEMUS. É mestre em Ensino das Práticas Musicais, bacharel em piano na Universidade Federal de Goiás e mestrado na Universidade de Boston (EUA) e doutoramento em piano e pedagogia do piano na Universidade de Iowa, EUA.
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A ARTE MUSICAL DE EVILÁZIO PAIVA
Minha mãe comprou uma flauta doce de plástico que vem com um folheto com algumas informações de como tocar e algumas músicas como: Luar do Sertão, Asa Branca, Parabéns Prá Você e outras , posso dizer que sou 'Autodidata' aprendi as notas sozinho a partir da flauta de plástico que ganhei da minha mãe. Minha tia tinha uma Harpa onde havia folhas pontilhadas ensinando como tocar, dedilhei a Harpa e começou a sair umas melodias que tocavam meus ouvidos e minha alma, daí me apaixonei de vez pela música.
A arte do músico pernambucano radicado no Chile, Evilázio Paiva, que utiliza da flauta doce ao saxofone, a partir do curso no Projeto Órpheons, afora passar pelo Conservatório Pernambucano de Música, Centro de Educação Musical de Olinda, Escola de Arte João Pernambucano e o Curso de Inteligência Cênica para Músicos, e daí para os palcos com Tita Parra e Isabel Parra, Rodrigo Maureira, Kiuje Hayashida, Charly Garcia, Enrique Luna, David Ortega e no Seriou Business Blues. Curta o talento dele no YouTube & SoundCloud (Fonte: Blog da Tereza Lima). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
O desenho é uma depuração da pintura. Comecei a sentir a necessidade de ‘remover’, em minhas anotações, de desenhos e estudos para as pinturas, os elementos urbanos que para mim ‘incomodavam’ as paisagens para que as mesmas voltassem ao seu estado natural, sem nenhuma interferência do homem. Desde então meu trabalho vem se dedicando a esta temática. São imagens que sugerem ao expectador contemplar e refletir sobre o vazio e o silêncio, o que hoje para mim, é a nossa maior necessidade.
MARIANNITA LUZZATI - A arta pintora, gravadora e desenhista Mariannita Luzzati, que começou sua carreira frequentando o Instituto per L'Arte e il Restauro, em Florença, Itália e a expor nos anos 1980 em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Paris, Berlim e Londres. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Sempre tive que me afirmar e saber me colocar como mulher, nordestina e artista. A grande tônica do meu trabalho é trazer a mulher negra para protagonizar as peças artísticas.

A arte da premiada artista visual e gráfica Joana Lira, que assinou por muitos anos a decoração do carnaval recifense, e já realizou a exposição Bichos Aloprados (1997), entre outras individuais e coletivas.

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A obra do poeta, radialista e compositor pernambucano Antônio Maria (1921-1964) aqui.
A obra do cientista e médico nutrólogo Nelson Chaves (1906-1982) aqui.
A arte do artista multimídia Paulo Bruscky aqui.
A poesia da poeta e jornalista Andréa Borba aqui.
A música do guitarrista, compositor, cantor, arranjador e produtor musical Luciano Magno aqui.
A arte do fotógrafo e publicitário Denilson Vasconcelos aqui.
Lendas, crendices e abusões: alegoria e história em O Cara de Fogo, de Jayme Griz, em artigo de Ivson Bruno da Silva aqui.
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O Circo Itinerante aqui.

sexta-feira, maio 15, 2020

BULGÁKOV, CLARIBEL ALEGRÍA, SANDRA SEDMAK, KÁTIA BORGES, JULIA BAX & ANA BLUE


DIÁRIO DE QUARENTENA – UNS: ACENOS LONGÍNQUOS & TRANCA-RUA - Os dedos deslizam nas cordas, uns acordes. Fusas, colcheias, mínimas e suas semis, uns tons e sons pulalam em busca de sequência, uma trilha melódica. Intuo e entôo, uns solfejos, fragmentos de movimentos e ritmos, uma quase canção... Sílabas, signos, umas ideias entre imagens esgarçadas, uma quase frase, quase oração. O Sol entre nuvens, um arco-íris na tarde, quase anoitece. A dicção inspiradora de Emily Dickinson: A esperança é uma ave que pousa na alma, canta melodias sem palavras e nunca cessa. O coração tem bordas estreitas... A canção insiste em eclodir, toma vulto e se dilata pela voz, vísceras, coronárias, sonhos. E a poeta ressoa doce e insistentemente: Para sempre é composto de agoras. Tudo o que sabemos do amor, é que o amor é tudo que existe. Eu sei e enquanto crio o agora é a minha eternidade. DUAS: ECLOSÃO DO CANTO DA LIRA - O que será poiesis de mim agora, um quase deus em autopoiese, soadas, toadas, a voz, os dedos, as cordas, o sentimento e a alma, o voo da canção. Karel Appel assunta e quase nem escuto: A experiência do momento é o que é importante e, de alguma forma, a imagem, a 'coisa' é deixada de lado. Sou-me cada vez mais eterno agora. TRÊS: A CANÇÃO PRONTA & O FINAL DE SEMANA - Agora sou a canção interminável com todas as fisionomias e pássaros e ruas e rios e terras e ares: o fogo radiante da libertação na frase de Joseph Beuys: Libertar as pessoas é o objetivo da arte, portanto a arte para mim é a ciência da liberdade. Agora sei mais que nunca porque ele disse que A verdade deve ser encontrada na realidade, não nos sistemas. Sim, a liberdade e quase libertação. Agora eu sei por que sou todos os braços abertos com todos os cantos do corpo e da alma, todos os sorrisos solidários, todas as agruras e nenhuma delas, todas as lágrimas de dor e felicidade, todas as palavras do chão e da vida, todo amor e amares. A libertação e calar. Agora é só o silêncio, eu vivo. Até segunda-feira. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Imediatamente o bonde veio voando, girando pela linha recém-construída que ia da Iemoláievski para a Brônnaia. Depois de fazer a curva e se aprumar, ele de súbito acendeu a luz elétrica interna, uivou e acelerou. Cuidadoso, Berlioz, embora tivesse em segurança, resolveu passar para trás da barreira, colocou a mão na catraca e retrocedeu um passo. E sua mão escorregou de imediato e escapou, uma perna deslizou irresistivelmente pelo calhau da ladeira que ia dar nos trilhos, como se fosse gelo, a outra perna virou para o ar, e Berlioz foi atirado nos trilhos. Tentando se agarrar em alguma coisa, Berlioz caiu de costas, batendo levemente a nuca no calhau, e conseguiu ver, no alto, mas já sem saber se à esquerda ou à direita, a lua dourada. Conseguiu virar-se de lado com um movimento furioso, encolhendo no mesmo instante as pernas e a barriga e, ao se virar, vislumbrou o rosto completamente branco de pavor e a braçadeira escarlate de condutora, avançando em sua direção com velocidade irrefreável, Berlioz não gritou, mas, a seu redor, gritos desesperados de mulheres esganiçaram-se por toda a rua. A condutora puxou o freio elétrico, o vagão embicou o nariz no chão, depois, em um instante, deu um salto, e com o estrondo e um tinido, o vidro voou de suas janelas. Daí, no cérebro de Berlioz, alguém gritou, desesperado: ‘Será?’. Mais uma vez, a última, a lua brilhou, mas já se desfazendo em estilhaços, e depois ficou escuro. [...]. Trechos da obra O mestre e Margarida (Nova Fronteira, 1975), do escritor e dramaturgo russo Mikhail Bulgákov (1891-1940), tratando sobre a luta entre o bem e o mal, inocência e culpa, racional e irracional, ilusão e verdade, examinando temas como a responsabilidade frente a verdade quando a autoridade tenta negá-la e a liberdade de espírito num mundo que não é livre, fortemente influenciado tanto pelo Fausto de Goethe como pela ópera de Gounod. Em 2006, o Museu Bulgákov, em Moscou, foi vandalizado por fanáticos religiosos que alegavam ser o romance uma obra satanista.

A POESIA DE CLARIBEL ALEGRÍA
AUTORRETRATO: Maus olhos / Oblíqua a menina medrosa, / ciclos desfeitos. / Dentes quebrados. / Cordas apertadas subindo pelo meu pescoço. / Bochechas polidas, / sem recursos. / Quebrado. / Eu só tenho os fragmentos. / As roupas da época foram usadas. / Eu tenho outras unhas / outra pele / Por que você sempre se lembra? / Houve um tempo de paisagens quadradas, / de pessoas com olhos ruins, / narizes errados. / Línguas saindo como espinhos / bocas de luto. / Eu também não conheci. / Eu continuei olhando / em conversas com as minhas, / nas salas de conferência, / nas bibliotecas. / Todo mundo como eu / circundando a lacuna. / Eu preciso de um espelho / Não há nada para cobrir meu buraco. / Apenas fragmentos e o quadro. / Estilhaços afiados que me machucam / refletindo um olho, / um lábio / uma orelha, / Como se ele não tivesse rosto, / como se algo sintético, / mudança, / oscilará nas quatro dimensões / às vezes esgueirando-se para os outros / Ainda desconhecido. / Eu mudei de formas / e dance. / Eu vou morrer um dia / e eu não sei sobre o meu rosto / e não posso voltar atrás.
AQUI ESTOU: Aqui estou, outra vez, / presa em meu anel de silêncio / querendo adivinhar a voz do mundo / que me chega confusa. / Ouço de longe a dor, / não sei o canto do gozo, / um muro de névoa me rodeia / e é de fogo minha angústia. / Vem em meu socorro, vento, / rompe minha prisão leve e leva-me a uma ilha sem muros / onde possa ouvir todas as vozes!
AUSÊNCIA: Olá / Eu disse olhando para o seu retrato / e a saudação foi atordoada / entre meus lábios. / Novamente a pontada, / sabendo que é inútil; / o tempo abrasador / da sua ausência.
MEMÓRIAS ALEATÓRIAS: Memórias aleatórias / Eu encontrei o seu. / Não doeu. / Tirei-o do estojo, / Eu balancei suas raízes / no vento, / Coloquei em contraluz: / Era um vidro polido / peixe dourado refletindo, / uma flor sem espinhos / não queimou. / Eu o joguei contra a parede / e a sirene do meu alarme tocou. / Quem apagou o fogo? / Quem tirou sua vantagem / para minha lembrança / que eu amei?
CLARIBEL ALEGRÍA - A poesia da premiada escritora nicaraguense Claribel Alegría (1924-2018), associada à Geração Engajada com seus poemas orais por temáticas da denúncia social, o compromisso polítoco, o amor, a solidão e o esquecimento. Veja mais aqui e aqui.
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CINCO POEMAS DE KÁTIA BORGES
EFÍGIE: Costura o sol no peito / pela parte de dentro / da blusa, como se efígie / reversa, o ano inteiro, / e no lado inverso escreve chuva. / Subverte as estações / por dentro e, no inverno, / orquestra flores, / enquanto o outono ainda / desfolha-se, / costura o sol no peito.
PAZ: Invento a paz: panos brancos nas janelas. / Os burgueses da pensão estranham – canto. / Eu, que nunca cantei. / Atendo no balcão os mortos todos, / procurando achados e perdidos. / E vivo. Eu, / que nunca ousei. / O luto, que cobriu de negro / este quarto, hoje é passado. / Enterrado no quintal dos fundos. / Que as crianças entrem e desarrumem tudo, / rasgando em algazarra meus retratos.
KAPALABHATI: O poema perfeito respira no erro / que o socorre em kapalabhati. / O poema perfeito se esconde / enquanto respira / no erro que o socorre / em onze expirações contínuas. / O poema perfeito escorre, / emsukhasana, ujjayi-pranayama. / (bhastrikas como se rimas, / estrofes como se ramas, / dharmas como se dramas) / O poema perfeito brinca / entre os ossos do crânio.
TEU MOVIMENTO: Antes que te chame / o pelotão de fuzilamento / repara o pássaro / apara o dia. / Há um olhar que se derrama / lento sobre a vigia / e graciosidade no andar / do carcereiro. / Antes, sim, que chamem / o teu nome, anota / num papel ou na parede / certo verso de cimento. / Na argamassa firme / teu movimento.
AUTOFICÇÃO: A moça amarga ainda sonha / flores em datas festivas, / talvez gérberas, / sussurra em voz alta, / falsamente distraída, talvez, / na correspondência incompleta, / achem por descuido a pétala / esquecida de alguma efeméride, / que nem alegria (veja bem) / nem alegria trouxe / (anêmonas talvez).
KÁTIA BORGES - Poemas da escritora e jornalista Kátia Borges, que é mestre e doutoranda em Literatura e Cultura pelo Instituto de Letras da Ufba e autores de obras como De volta à caixa de abelhas (As Letras da Bahia, 2002), Uma Balada para Janis (P55, 2010), Ticket Zen (Escrituras, 2011), São Selvagem (P55, 2014), Escorpião Amarelo (P55, 2012) e O exercício da distração (Penalux, 2017). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte era um meio de comunicação sem falar quando eu era jovem e dolorosamente tímido. Elementos figurativos sempre foram incluídos no meu trabalho, independentemente do assunto. Quero que o espectador veja como as linhas e a energia que eu uso se relacionam com a humanidade. Como estamos todos conectados ao longo do ciclo da vida. Eu escolho pintar com encaustics - pintando com camada sobre camada pigmentada de cera de abelha. A fisicalidade do processo - esculpir, raspar, queimar a cera - me permite liberar a energia dentro de mim, incorporando luz e profundidade ao meu trabalho. Cavar fundo na cera imita minha intenção de cavar fundo dentro de uma pessoa para mostrar quem ela realmente é. Costumo pintar mulheres rubenescas. Capturar a torção do quadril, a adorável linha do pescoço, me liberta. Minhas figuras são reais e verdadeiras. As curvas são comemoradas. Eu pinto momentos, esperando que o espectador abraça a beleza que todos sentimos por dentro.
SANDRA SEDMAK - A arte da artista estadunidense Sandra Sedmak, envolvida em muitas organizações artísticas locais, tendo atuado como representante de Artistas do Comitê Diretor do Centro de Artes da Escola 33 por vários anos e integrou a criação da Galeria dos Membros, tornando-se membro honorário da The Creative Alliance em Baltimore, onde também é voluntária como monitor de desenho de vida. Atualmente, ela ministra oficinas de pintura encáustica nos dois centros de arte e também em estúdio. Veja mais aqui.
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A ARTE DE JULIA BAX
Produzir o máximo possível. Existe um mínimo de horas que uma pessoa tem que dedicar para conseguir chegar a um nível profissional, assim como para aprender um instrumento musical. Não adianta ter talento se não dedicar as horas ao treino. É ai que muitos talentosos param e os dedicados avançam! É mais importante ser "teimoso" do que talentoso. Outra coisa: se for pedir conselhos a um profissional, escute-os! Não arranje desculpas para os defeitos no seu desenho. Engula a critica e corrija-os!
JULIA BAX - A arte da premiada ilustradora e quadrinista Julia Bax (Julia Nascimento Bacellar), que é formada em Economia e iniciou sua carreira nos quadrinhos nas revistas Kaos! e Quebra-Queixo Technorama. Edita o blog Julia Bax, Durante dois anos, publicou tirinhas mensais no caderno Folhateen do jornal Folha de São Paulo, lançou juntamente com o roteirista Diogo Bercito, o álbum Remy (2003) e publicou o álbum Pink Daiquiri e o artbook A Forma da Luz (2015). Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Sempre fui muito tímida e introvertida até meus 21 anos. Na época da adolescência, sofri bullying e fiquei muito sozinha por enxergar o mundo, fora do que "era normal". Ter cara de "menina nova", sempre fez também às pessoas me subestimarem. As pessoas interpretam que "ser assim", faz com que você sempre seja 100% doce e sempre concorde com tudo. Desde muito nova, sempre segui minha intuição fazendo aquilo que achava certo por mim e não liguei muito para o julgamento alheio. Sempre me propus vários desafios para querer me conhecer mais e entender os prós e contras de algo, pensar em como aquilo poderia me ajudar. Sendo MUITO curiosa, sempre me questionei para ter as minhas respostas... Porque as que eu tinha não me eram satisfatórias. Nunca fiz nada pensando na possibilidade e medo de "o que as pessoas vão pensar de mim se eu fizer tal coisa". Digo isso porque muitos da área artística tem MEDO de fazer qualquer coisa por medo do julgamento das pessoas, por medo de saber se o que está desenhando/pintando está certo/bonito/feio/errado. Eu simplesmente fazia. Eu simplesmente sinto o agora e faço. Não consigo guardar pra mim, preciso fazer e me satisfazer. E preciso ser verdadeira. Não sei disfarçar uma alegria ou uma dor ou uma ilusão. Gosto de botar a realidade pra fora. Foi assim que entrei no mundo da Aquarela. Ela me ajudou a me conhecer como pessoa e como "Ana Blue". Ela me ajudou a focar, controlar a ansiedade e a depressão. Constantemente, nos comunicamos por aquilo que expressamos: na nossa arte, todas nossas respostas estão lá, na nossa cara. Nasci em 93, sou canceriana com ascendente em escorpião, Designer de Moda por formação, tropecei na estamparia, cai na aquarela e com isso tudo transformo minhas ilustrações em estampas para minha papelaria criativa autoral. Pode parecer que não, mas eu amo falar e se for sobre arte Melhor ainda. Se deixar posso gravar um vídeo de 1h falando sozinha, hahaha, é ótimo. Porque falar alto é uma forma de assimilar tudo aqui que entendemos. E por isso, não me aguentei e há 4 anos mantenho um canal artístico que falo sobre empoderamento, processo criativo, aquarela e eu mesma.
A arte da pintora, ilustradora, cartunista, quadrinista e designer gráfico, Ana Blue (Analúcia Vasconcelos de Melo) aqui.
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A poesia da escritora Vernaide Wanderley aqui.
A música da cantora e instrumentista Isaar França aqui.
A arte do artista visual Fernando Duarte aqui.
O príncipe do reino das sete luas e outras histórias, da jornalista, advogada, escritora e jardinista Tereza Figueiredo aqui.
A arte do artesão Epifanio Bezerra aqui
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A rua das viúvas aqui.
 

quinta-feira, maio 14, 2020

YUVAL HARARI, OLYMPE DE GOUGES, CINDY SHERMAN & JOÃO FERREIRA VILELLA


DIÁRIO DA QUARENTENA – UMA: ESSE O MEU TEMPO, AGORA! – Manter a sanidade está cada vez mais difícil. Aliás, viver está dificílimo. Tudo desmoronando, inclusive as relações. Afetos se dissolvem ao vento, tudo como se não houvesse mais a quem recorrer no meio de mentiras ultrajantes que não dão nem para passar por verossímil ou sofismável. Completa insegurança e descaramento. Já dizia Strindberg: A verdade é sempre desaforada. No fundo, é isso, a solidão: envolvermo-nos no casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e aguardarmos a metamorfose, porque ela acaba sempre por chegar. Sim, é preciso dizer sim para poder seguir em paz. DUAS: DOI PROFUNDAMENTE TANTOS MORTOS TODOS OS DIAS – A maior barulhada na cabeça, o contágio e o pânico são reais. Muitos se foram, outros vão sem nem se despedir. Afora isso, muita futilidade nas redes sociais, igualmente ao governante alheio que só quer se sustentar no poder e proteger seus familiares das coisas que eles próprios cometem. E daí? Para ele, os outros que se danem no meio da maior desarmonia federativa e cada um de nós à própria sorte. Steiner já alertava o colapso do sistema e, ao prevenir, foi marginalizado pela academia porque não seguiu a obsessiva objetividade. Na sua epistemologia evolutiva, nunca poderia haver dicotomia entre razão e emoção porque fazem parte de uma única fonte reconhecida na ecologia do conhecimento, nem absolutista nem relativista, para desconstrução do descontruido. Agora o caos e ninguém sabe qual direção tomar. Emma Goldman que o diga: Em uma sociedade sustentada pela mentira, qualquer expressão de verdade é vista como loucura. O capitalismo sabe corromper aqueles que deseja destruir. Apesar disso vou em frente sem sair do lugar, apenas vou. TRÊS: COLAGENS DO DIA – Só me resta emoldurar recorrências da memória e depois esquecer, relembrar e esquecer de novo, quantos momentos, outros pensamentos. Só tenho a consciência de existir, sou o que posso e sei no que diz Perls: O passado já não é; o futuro ainda não é; só o agora existe. Você se decepcionou sozinho, ignorando o direito das pessoas serem o que são. Então você é responsável pelo que está sentindo. Vou limpando a chaminé para ver o que vai restar de tudo. Talvez, daqui por diante a vida no sentido real ou não haverá mais nada. Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Acho que o maior perigo não é o vírus em si. A humanidade tem todo o conhecimento e as ferramentas tecnológicas para vencê-lo. O problema realmente grande são nossos demônios interiores, nosso próprio ódio, ganância e ignorância. Temo que não se esteja reagindo a esta crise com solidariedade global, mas com ódio, colocando a culpa em outros países, em minorias étnicas e religiosas. Mas espero que consigamos desenvolver nossa compaixão, e não nosso ódio, e reagir com solidariedade global, desenvolvendo nossa generosidade de ajudar os necessitados. E que desenvolvamos nossa capacidade de discernir a verdade, em vez de acreditar em todas essas teorias da conspiração. Se fizermos isso, não tenho dúvida que conseguiremos superar facilmente a crise. [...] Nos últimos anos, temos visto diversos políticos populistas atacarem a ciência, dizerem que os cientistas são uma elite remota, desconectada do povo; que coisas como a mudança climática não passam de uma farsa, que não se deve acreditar nelas. Mas neste momento de crise por todo o mundo, vemos que as pessoas confiam mais na ciência do que em qualquer outra coisa. [...]. Trechos da entrevista (Deutsche Welle, abril/2020), do escritor israelense e professor ph.D em História, Yuval Noah Harari. Veja mais aqui.

RÉFLEXIONS SUR LES HOMMES NÈGRES, OLYMPE DE GOUGES
[...] Convencida por um longo tempo dessa verdade e dessa terrível situação dos escravos, inseri sua história na primeira peça que surgiu da minha imaginação. Muitos homens se interessaram pelo destino dos escravos e se esforçaram para aliviar seu fardo, porém nenhum pensou em deixá-los subir ao palco com suas roupas típicas e sua cor como eu planejava fazer, se a Comédie Française não tivesse se oposto. [...] À que me refiro? Que a escravidão se tornou um comércio nos quatro cantos do mundo. Comercializar pessoas! Céus! E a Natureza ainda não estremeceu! Se eles são animais, não somos também iguais a eles? Como os Brancos são diferentes dessa raça? Se a diferença está na cor… [...] Não é a humanidade a obra-prima mais bonita? [...] Minha alegria seria imensurável se eu visse a Representação da minha Peça como sempre desejei. [...] Então, Senhoras e Senhores, representem minha Peça, que ela já esperou tempo suficiente. Como vocês pediram, ela foi publicada. Eu me uno a cada Nação para pedirmos pela sua representação, e estou certa de que eles não me desapontarão. Essa sensibilidade que poderia ser considerado como orgulho próprio, se visto em outros, é resultado do impacto que o protesto público a favor dos Negros tem sobre mim. [...]
OLYMPE DE GOUGES - Trechos de Réflexions sur les hommes nègres (Her OEuvres de Madame de Gouges, 1788), da feminista, revolucionária, historiadora, jornalista, escritora e dramaturga Olympe de Gouges (1748-1793), extraído da Tradução do texto: Reflexões sobre os negros - autora: Olympe de Gouges - 1788 (História & Ensino, jan./jun. 2018), de Jasmim Sedie Drigo e Nádia Carrasco Pagnossi. Veja mais aquiaqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Não somos aquilo que pensamos ser. Fiz escolhas muito ruins no passado, pena que não fui para a terapia antes. O mais inquietante não é ver mais rugas no meu rosto, mas constatar que o leque de possibilidades diminuiu. Posso me fazer passar por alguém com 100 anos, mas não mais por alguém com menos de 50. Na verdade, você não vê muitos retratos de mulheres mais velhas, assim como elas também não estão presentes na moda e no cinema. O que faço é parte disso. Você olha para elas e vê que passaram por muita coisa. Você enxerga a dor, mas elas continuam se movimentando e seguindo adiante. Eu sinto que estou anônima em meu trabalho. Quando olho para as imagens, eu nunca me vejo, elas não são autorretratos. Às vezes eu desapareço.
CINDY SHERMAN - A arte conceitual da premiadíssima fotógrafa e diretora de cinema estadunidense Cindy Sherman, que por meio de diversos trabalhos levanta questões importantes e desafiadoras sobre o papel e a representação das mulheres na sociedade, a mídia e a natureza da criação de arte. Veja mais aqui e aqui. E mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A arte do fotógrafo e pintor João Ferreira Vilella, cujos dados biográficos são desconhecidos até o momento, sabendo-se apenas se tratar do primeiro fotógrafo pernambucano que foi ativo retratista entre as décadas de 1850/1870, expondo suas fotografias paisagísticas e dedicando-se exclusivamente à pintura.
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Forroboxote & poesia do poeta Xico Bizerra aqui.
A arte do artista plástico e cenógrafo Mauricio Arraes aqui.
Conversa de camarim: o teatro no Recife na década de 1960, do dramaturgo, filósofo, jornalista, professor, poeta, diretor, encenador e crítico de teatro, Benjamim Santos aqui.
O curta A menina banda, dirigido, roteirizado e fotografado pelo cineasta Breno Cesar aqui.
Maracatu Real da Várzea aqui.
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Solar das Abelhas – Caruaru aqui.
 

quarta-feira, maio 13, 2020

ÁGNES HELLER, ELKE SIEDLER, CLÁUDIA SÃO BENTO & TERRA PERNAMBUCANA


VAMOS LOGO APRUMAR ESSA CONVERSA! - UMA: PASSANDO A LIMPO A HISTÓRIA NO QUENGO - As coisas acontecem e, passado algum tempo, parece mais que ninguém se lembra de nada que passou. Tragédias e, sobretudo, morticínios aconteceram e acontecem ainda hoje, dando-me a impressão de que não se aprendeu a lição, viram página virada, simplesmente. Testemunhos aos montes dão conta dos mais diversos momentos lúgubres por que a humanidade passou e tem gente que não leva em conta, ou sei lá o que fazem para cometer tantas desgraças. Ainda hoje martela na minha cabeça as palavras de Irena Sendler: Mais de meio século se passou desde o inferno do Holocausto, mas seu espectro ainda paira sobre o mundo e não nos permite esquecer. Continuo com dores de consciência por ter feito tão pouco. Seria desumanidade não se sensibilizar com isso. Como se valesse o que diz Pedro Nava: A experiência é um farol voltado para trás. Como sou solidário, me mantenho como ele: Não tenho ódio, eu tenho é memória... E desses acontecimentos não posso esquecer, e a minha indignação continua porque foram duros demais para olvidar no presente. DUAS: TEM MUITA GENTE CEGA, MAS MUITO MAIS QUE NÃO QUEREM NEM VER – Cada qual dono dos seus pensamentos. Incompreensível é não querer enxergar o óbvio ou negligenciar, ou mesmo participar de atos e fatos inadmissíveis de tão insensatos, depois de tudo por que já se passou no Brasil e no mundo. Aos que não conseguem remover a venda dos olhos ou não querem enxergar a realidade, Stevie Wonder diz o que é mais apropriado: Só porque um homem carece do uso de seus olhos não significa que ele não tem visão. Às vezes, sinto que eu sou realmente abençoado por ser cego, porque provavelmente eu não duraria nem um minuto se fosse capaz de ver as coisas. E arremata com categoria: Os olhos mentem se você conseguir enxergar dentro deles a personalidade de cada um. Realmente, é muito duro ter que testemunhar tanta ignomínia e irresponsabilidade como a que ocorre agora nestes tempos de pandemia e crise política. TRÊS: PARA OS QUE PODEM E NÃO QUEREM, TANTO FAZ – Diante de tanta desfaçatez, incompetência e dissimulação duma vez só cuspida na cara por governantes irresponsáveis, o Lima Barreto deu-me uma lapada das boas que só ele sabe dar: O Brasil não tem povo, tem público. Entre nós tudo é inconsistente, provisório, não dura. Sim, sei, tudo passa, mas enquanto dura, machuca demais. Vou com ele levando na vida: Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa. Nós não somos nada nesta vida. Sim, vivendo e aprendendo. Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] a filosofia exige que seja posto em discussão tudo o que a própria razão não compreende [...] O “exercício da filosofia" significa: "vem pensar comigo, vamos conhecer a verdade juntos!" O filósofo guia o que pensa e o conduz através da argumentação para a clara luz do Verdadeiro e do Bem. [...] há um único critério geral de separação para remediar os erros de fato, uma vez excluída a ignorância. É o mesmo que vale para toda a filosofia ou arte: quando o intérprete subverte ou muda a hierarquia de valor, estamos diante - claramente - de um mal-entendido. [...] não é racional uma filosofia que não aplica seus próprios valores ao âmbito de uma teoria da sociedade, que não assume a tarefa de tomar em consideração de tematizar as condições empíricas de realização da utopia racional. [...] não pode ser filosofia radical se permanecer apenas filosofia; deve ser também teoria da sociedade, teoria crítica da sociedade. [...] a filosofia radical deve criticar a sociedade fundada em relações de subordinação e de domínio; deve substituir a forma de vida que lhe é própria por uma nova. Sua crítica deve ser total: e sua utopia deve ser elaborada de modo a poder ser alcançada somente através de uma revolução social total. [...] dotada de consciência histórica: por isso, deve investigar também a origem da estrutura social do presente. [...] deve refletir historicamente sobre si mesma, sem abandonar a pretensão à validade universal de seus ideais. [...] postular sempre o que deve ser também pode ser... é dever do filósofo radical verificar se é possível o que deve ser e - ainda mais importante - como é possível. [...] a Filosofia Radical quer que a terra se torne a pátria da humanidade. Eis porque ela não pode se afastar e nem omitir seu papel político-social de [...] se tornar práxis para que a práxis se torne teórica, para que os homens possam se elevar ao nível da discussão filosófica, antes que seja tarde demais. [...]. Trechos extraídos da obra A filosofia radical (Brasiliense, 1983), da filósofa húngara Ágnes Heller (1929-2019) que propôs a Filosofia Radical cuja teoria ela divide a vida em atividades cotidianas (objetivadas) e não-cotidianas (de certa forma as subjetivadas). Para ela, todo homem nasce no cotidiano, mas ao produzir reflexões teóricas, filosóficas, artísticas e políticas estaria na dimensão não-cotidiana, que, evidentemente, tem sua origem no próprio cotidiano, indicando que qualquer um, não importa o estágio de consciência histórica em que seja lançado ao mundo, nasce no cotidiano e aí se desenvolve. Ela é autora de obras como Uma teoria da história (Civilização Brasileira, 1981); A crise dos paradigmas em Ciências Sociais e os desafios para o século XXI (Contraponto, 1999); Teoria de los Sentimientos (Fontamara, 1987); O Cotidiano e a História (Paz e Terra, 2004), entre outras. Veja mais aqui.

A CARGA DAS HEROÍNAS
Em o desenrolar da cruenta batalha de Porto-Calvo, enfrentando-se os exércitos do príncipe de Nassau e do conde de Bagnuolo, houve lances de grande emoção e beleza. Desde o começo, de parte a parte, a vitória andou irresoluta. Ora parecia que iam triunfas as armas holandesas, ora tendia a ser dos pernambucanos o triunfo. E, nessa indecisão, a luta durava num aceso entremover de tropas, num retinir de lanças, num espoucar de mosquetes e reboar de peças. [...].Houve, porém, um instante dramático em que diante da crescente vaga de reforços dos flamengos, Camarão exausto, ia recuando, ia entregando terreno ao inimigo. Impossível resistir. Não valiam coragem, esforços, impavidez. A coluna assaltante era um muro que se movia, que avançava. Tão fácil, entretanto, não lhe foi o avanço. Sem que o esperassem, os batavos receberam uma carga valorosa. Lanças em riste rasgavam-lhes os peitos, atingiam-lhes os rostos, faziam-nos momentaneamente estacar... E, quenado puderam ver bem quem os repelia, tinham diante de si, as mulheres de Porto-Calvo, comandadas por Clara Camarão, todas dispostas a morrer também pela terra pernambucana.
A CARGA DAS HEROÍNAS - Trechos extraídos da obra Terra pernambucana (FCCR, 1981), do jornalista, professor e escritor Mário Sette (1886-1950). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nas danças que lidam com a incerteza como ação criativa de composição o corpo trabalha com a possibilidade de agregar novas informações, durante a apresentação, como estratégia de construção da configuração. Há uma probabilidade maior, então, da ocorrência de imprevisibilidades, neste tipo de dança, uma vez que se alargam as possibilidades conectivas do corpo ao longo da execução da dança. Perturbações externas instabilizam um sistema aberto longe do equilíbrio e soluções criativas emergem como resultado da auto-organização do corpo. A incerteza permite a produção de novidade nos processos complexos da dança.
ELKE SIEDLER - Trecho extraído da dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Dança da UFBA, Configurações de dança: a incerteza como condição de existência (UFBA, 2012), da bailarina e coreógrafa Elke Siedler, que é graduada em História pela UFSC (2007), especialista em Estudos Contemporâneos em Dança (2009) e doutoramento em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, pesquisadora e artista-docente em dança. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
CLÁUDIA SÃO BENTO & CIA DOS HOMENS
A arte da bailarina e coreógrafa Cláudia São Bento que fundou em meados dos anos 1990 a sua Escola de Ballet e dirige a Cia dos Homens, grupo pernambucano que usa linguagem da dança c desde 1988.
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Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal (Livros do Brasil, 1957), do sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987) aqui.
Memórias e contos de J. Borges, do artista cordelista J. Borges (José Francisco Borges) aqui.
Danças populares como espetáculo público no Recife de 1970 a 1988, de Maria Goretti Rocha de Oliveira aqui.
A poesia de Teresinha Ponce de Leon aqui.
A arte do artista visual Gabriel Petribú aqui.
A música de Fernando Melo Filho aqui.
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Cordel na escola aqui e aqui.


LYGIA FAGUNDES TELLES, RIM BATTAL, MILTON HATOUM, BEATRIZ PAREDES RANGEL & ANASTÁCIA

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Vênus da Lua de Fel na Serra das Russas... - Lá ia Tó Zeca , sobe-desce na sua fubica incrementada, todo a...