

FEDRA DE RACINE: AINSI QUE LA VERTU LE CRIME A SES DEGRÉS
[...] FEDRA - São
caros os instantes; escutai-me. Fui eu quem, sobre um filho casto e humilde, Lancei
vista profana, incestuosa. Pôs em meu seio o céu chama funesta. Tudo o mais
dirigiu malvada Enone. Temeu, que meu furor sabendo Hipólito, Amor, que lhe era
horrível, descobrisse. Meu desfalecimento aproveitando A pérfida, apressou-se a
criminá-lo. Já se puniu; fugindo minhas iras, Nas ondas procurou suplício leve.
Já meus dias o ferro terminara: Mas gemia a virtude suspeitosa. Quis, para vos
expor os meus remorsos, Ao Cocito descer mais lentamente. Eu tomei, e já corre
em minhas veias Veneno, que Medéia trouxe a Atenas. Tendo em meu coração já
penetrado, Desconhecido gelo infunde nele. Já por entre uma nuvem só diviso, Céu
e esposo, qu’ultrajo em estar presente; E a morte, aos olhos meus a luz
roubando, Torna a pureza ao dia que manchavam.
FEDRA DE RACINE - Trecho
da tragédia Fedra (L&PM, 2001), do
poeta trágico, dramaturgo, matemático e historiador francês Jean Racine
(1639-1699), em que a filha do Sol é prisioneira das trevas de um amor
absolutamente proibido - ama Hipólito, seu enteado -, foge da luz do dia e se
debate entre a loucura, a exaltação, a inveja, o ódio, a autopunição e a
vergonha pública. Do artigo Fedra, de Jean Racine: moral do
século XVII e criação literária (Letras, 2014), da pesquisa da UFU, Maria Suzana Moreira do Carmo,
a peça teatral retrata, para além de sua matriz grega, uma
importante apreensão dos debates morais e filosóficos do século XVII,
estabelecendo uma estreita relação entre os atritos de ordem teológica e a
criação literária: [...] Embora a impregnação dos valores cristãos na
obra de Racine seja um fato que tenha gerado controvérsias, é inegável que a
estrutura do mito em Fedra reproduz
a moral jansenista, que considera impossível a conciliação com valores de um
mundo radicalmente perverso, onde imperam o egoísmo, a paixão e a ignorância. [...] O drama de Fedra converge para a ideologia
pessimista do autor. [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.
&
A ARTE DE SARA SÍNTIQUE
cato um búzio sempre que te vejo / quase não há mais
lugar / e nem sei tua morada / longes longes / mas cato um búzio / sempre que
te vejo / onírica / adorno a boca / o ventre / quase não há mais lugar / transbordo.
/ retenho.
SARA SÍNTIQUE –
Poema porosidade,
da atriz, escritora e educadora Sara Síntique, mestra em Literatura Comparada pela Universidade Federal
do Ceará (UFC), onde também se graduou em Letras Português – Francês. É autora
do livro Corpo Nulo (Substânsia, 2015) e do Água: ou testamento
lírico a dias escassos (Ellenismos, 2019). Tem poemas publicados no blog
Leituras da Bel (Jornal O Povo) e na Antologia de Poemas Eróticos -
Mulheres Cearenses, nas
revistas Escamandro, Literatura BR, Diversos Afins, Gueto, Saúva e Olho de
Peixe (v. 3), além de ministrar cursos na área de Escrita Criativa, Dramaturgia
e Literatura Comparada. Também atuou nas peças teatrais Tudo ao mesmo tempo agora, Os
Demônios, Ensaio sobre Hamlet, O Despertar da Primavera - O musical,
entre outras, e nos filmes Ossos, Vando Vulgo Vedita e Iracema, mon amour, entre outros. Veja
mais aqui.
A FOTOGRAFIA DE SHINTARO SHIRATORI
PERNAMBUCULTURARTES
de que adianta esse pôster de madonna na / parede
da cozinha indicando de qual lado / estou se na papua nova guiné continuam / linchando
mulheres a quem chamam de bruxa / a papua pode até ser guiné mas nisso não / tem
nada de nova e se for para queimar uma / mulher por bruxaria que queimem logo
todas / de que adianta beyoncé avisando que vai sentar / o rabo na cara do boy
e de que adianta eu me / inspirar nisso para fazer igual ou parecido se na / papua
nova guiné sentam senhoras em telhas de / brasilit e com elas amordaçadas abrem
nacos de / carne e sangue que na foto escorria pelas rugas da / telha pelas
rugas das costas da mulher essa mulher / de cabelo curto e preto de costas na
foto parecia a / minha mãe eu perdi o controle não consegui mais / almoçar e
sei que não vou conseguir dormir mas / de que adianta minha insônia e meu jejum
e esse / poema se na papua nova guiné não iriam entendê-lo / e mesmo a
compreensão dele não salvaria a vida da / mulher e mesmo no brasil onde se pode
entendê-lo já / se sabe que poemas tal qual leis não mudam nada tudo / sobre
isso já foi legislado e dito em todas as línguas / também em português mas meu
deus / de que adiantaria meu silêncio? / de quem estaria meu silêncio a serviço?
Poema
sobre uma foto no huffington post, em 01
de novembro de 2015, da premiada fotógrafa, poeta e tradutora Adelaide Ivánova, que estudou jornalismo na Unicap e
fotografia na Ostkreuzschule,
em Berlim. Editou o zine anarcofeminista Mais porn PVFR e é autora dos livros
automoty (2014), Polaroides (2014), erste Lektionen in Hydrologie - und
andere Bemerkungen (2014), O martelo (2016) e 13 Nudes (2019).
A emparedada da
Rua Nova (1886), republicado entre os anos 1909-1912,
como folhetim no Jornal Pequeno, de Recife, pelo escritor Joaquim Maria Carneiro Vilela (1846-1913) aqui.
Hermilo Borba Filho e a dramaturgia: diálogos pernambucanos, organizado por Anco Márcio Tenório Vieira, João Denys
Araujo Leite e Luís Augusto Reis aqui.
A poesia da poeta
e artista visual Mariana de Matos
– Maré aqui.
A arte de João
Câmara aqui.
A fotografia do jornalista,
escritor e artista visual Chico Ludermir
aqui.
A música de Leandro Vaz aqui.
&
As trelas do Doro aqui.