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segunda-feira, fevereiro 06, 2023

MAYLIS BESSERIE, MARIA MARTINS, SAFATLE, NATALIE CLIFFORD BARNEY & RECANTO VERDE DE IRACY

Ao som do Album Series Tour 2022Relayer (Atlantic Records, 1974), que sucedeu ao Yes 50 Anniversary 2018, concerto da banda inglesa de rock progressivo Yes. (Veja mais aqui e aqui).

 

TRÍPTICO DQP: - O rito do ritmo, poeiras da vida... - Despertei cedo e nem havia amanhecido. Estava recluso à minha cabeça e qual outro sentia a minha inquietude e o aleatório. Pensava demais e saí sem filtros, dei vazão: aprendi a ouvir, aprendi a aprender. E a cuidar porque sabia que não era o escolhido. Ria e nenhuma adversidade me tocava, nem me sentia ofuscado por nada. Nunca tive vergonha do que não sabia e sempre rio da minha própria ignorância. Aos detratores transbordei compaixão na jornada em busca do destino, ensimesmado, outrificado. E a graça foi me deparar com Maria Martins: ... Eu sou o meio-dia pleno da noite tropical. Tece o mesmo sonho. Corta a morna espessura do silêncio macio... Assim me sentia e a interação: lá fora interferia aqui dentro; da mesma forma, ao atuar, interferirei lá fora. Não olvidei de Henrich Böll: Sobre os amantes e os soldados, sobre os homens condenados à morte, sobre todos aqueles que o poder cósmico da vida preenche, o poder do destino desce por vezes imprevisto numa súbita iluminação que será a sua graça e o seu fardo... A poesia é a impressão de estar sempre em contato com a morte... Por que não pensei nisso antes se nunca fui digno nem de viver: em mim doía, não de punição, talvez as dores de tudo. Eu vivi à minha própria força e o fogo iniciático dava outra vida ao corpo castigado: enfrentei os meus medos. Aparentemente não havia nenhuma rejeição, só o desconforto dos mesmos, melhor estranhos com sua gentileza. Era a escolha de ser feliz estrangeiro e sobrevivi. Refiz todos os passos uma vez e tantas - se eu não fizesse, ninguém o faria. Fiz o que tinha que ser feito. Eu apenas me levantei e andei firme - os dois pés suaves sobre o chão porque o que sou da Terra é o que mais importa e me divirto como posso – a sensação do perigo ao derredor, ouroboros. Sou a melhor companhia, o que farei a respeito porque só existe a jornada, porque se nada acontecer, nada valerá. Estou aqui e agora... E voo...


 

Durante, eu vivo... Imagem: Prelúdio de uma Musa (2022), da artista plástica Márcia Gebara, integrante do Grupo Ateliê Virtual 2022. – Impossível ficar indiferente: não nasci com roteiro prévio nem papel importante. Bastaria uma moeda e todos me serviriam, o mundo na palma da mão. De resto: estragos, gente tóxica, o suicídio coletivo, crenças negativas, inação, sabotagem, adicção, ingestão de comida que nem é de verdade, afinal quem tem problema: o problema sou eu, preciso ativar meus neurotransmissores, em minhas células a dor do universo - como dizia Merleau-Ponty: O coração intermitente e incompleto. Olhei em volta, em contra-plongée: de fato fracassamos todos, eu sei, qual o motivo, ninguém sabe ou aceita, vamos todos entre o que faz sentido e o absurdo, outros porquês... A sensação é de que nos tornamos um enfisema no pulmão do criador, uma ferida em suas vísceras e condenados ao vazio. Impossível não ouvir Vladimir Safatle: Neste país em decomposição, nenhuma instituição funciona de forma minimamente normal... O Brasil é um país que sonha acalmar seus medos apelando à violência de Estado... E só escuto o grito inaudível, afetos e afetações. É preciso jamais esquecer... E me arrisco insubordinado, quase devidamente aniquilado, impassivo com o impossível pelas perdas e autodestruição. Meu coração não suporta outros Talibãs, nem um porco no palácio - o sangue e bosta nas paredes, ou os mascarados da hipocrisia. Nunca baixei a cabeça, nem hesitei o passo: fui criado como um iluminado. Não obstante, sabia que tudo poderia piorar e tão penosamente sufoquei sentimentos, perdi o controle, delirei de febre, cuspi sangue e me culpei, me desculpei depois e um tanto de vezes para novas culpas recorrentes. Nestes termos, vivo cada segundo, pratico! E só resta a musa recôndita...


 

Recanto Verde de Iracy... – Ali era Iracy quando o escravo negro apanhava, agora não mais, só matam e eu de longe com remanescentes do Timóteo. Quem ela senão a cabocla das plantações de café e da cidade baixa, que chamava o povo pro folguedo encenado de Hermilo e de Heraldo: o preto Biu que foi preso em Palmares e que fugiu prali só pra ser castigado noitedia, a mamulengar nas horas vagas imitando a desumanidade do patrão. Os caboetas logo deram com a língua nos dentes e o senhor foi lá ver que presepada era aquela. Depois do sucedido, de tanto sofrer virou santo e nome daquele povoado, todo ilustrado pelos ofurôs e águas cristalinas das cachoeiras de Peri-peri, do Véu da Noiva, de Laje, da Boa Vista, do Cajá e Aritana, do Poço do Índio e do Soldado, das trilhas pelas terras do Roncador, o sítio Bom Destino e os morros acimabaixo. A musa era ela... Foi Daciel quem me apontou a efígie de Karla, um amuleto em carne viva que chamava a chuva e enfeitiçava tudo. Ela ressuscitou de Iracy e me disse Maylis Besserie: Um dia, corri por tanto tempo que parti para sempre... E levou com ela as dores de amor do pintor que se danou pra Espanha. E me levou ao morro mais alto para que soubesse de toda vastidão da Bacuna esparramada no horizonte e me ensinou a correr solto Valuna ao mar. Com toda graça do crepúsculo ela me disse Natalie Clifford Barney: Nada é mais difícil do que partilhar um amor. Somos limitados por tudo o que não sentimos... Ama-se com amor aqueles que não se podem amar de outro modo... E quando anoiteceu ela partiu na primeira estrela como se fosse Charlote Corday diante da paixão imorredoura do meu coração Adam Lux. Muitas disseram dela: que era uma das duas Kourai Khryseai – uma donzela dourada de Hefesto, ou como dizia o Geraldo Cinquentinha que ela tinha uma Piranha vaginal, afora outras invencionices. Quando amanheceu eu sabia era ela quem havia acendido o dia, para se envultar à boquinha da noite com a saudade daquela que foi e nunca mais voltou. Até mais ver.


Vem aí o PGM TTTTT. Veja mais aqui.

 

quarta-feira, junho 23, 2021

FRANÇOISE SAGAN, ALÍCIA DUARTE PENNA, ANZANELLO CARRASCOZA, SIMOA & VALUNA

 

 

TRÍPTICO DQP –- Uma vez & ela... - Ao som do Harpconcerto - E minor op. 182 (1884), do compositor alemão Carl Reinecke (1824-1910), na interpretação da harpista belga Anneleen Lenaerts, Symfonieorkest Vlaanderen, regência de Jan Latham-Koenig - Deitei a cabeça ao travesseiro e era a Nascente do Bacuna, noutro lugar do agreste. Eu que vivia na mata, estava agora no descampado escuro e senti o toque de uma mão de mulher ao meu braço. Virei-me imediatamente e quem era ela, olhos vivos e um sorriso amável. Segurando a minha mão, me fez seguir o trajeto das estrelas. Sua cadenciada passada enfeitiçava a paragem até repousar numa pedraria para que eu sentisse o reinado da lua. Na verdade, ela que reinava ali. Então me disse ser Simoa, a filha mameluca de Kariri e do cabo Miguel do sítio da Tapera do Garcia, neta do desalmado bandeirante que desmantelou Palmares. Teve uma infância feliz e, moça feita, casou-se com o coronel Manoel, com quem viveu e logo enviuvou. E do sítio fez uma fazenda e me fez presenciar a distribuição de alforrias pros quilombolas ajoelhados ao seu redor. Ela levantou-se, foi até eles, chamou a escrava Domingas e fê-la buscar-me para mais perto dela. Todos se curvaram em sinal de respeito e homenagem, e ela se despediu como se jogasse beijos de flores para todos. E me levou por um caminho na noite escura e, nas proximidades de uma gruta, virou-se, apertou-me ofegante contra o peito, encostou sua face à minha, sua carne latejava, sua língua lambia meus lábios, sua boca devoradora a me beijar como se me levasse por Unhanhu, atravessando o sítio do Saco do Tapuia, até a barra do riacho Cajueiro, para que eu visse no seu seio correr o rio Mundaú. Repousou minha mão sobre o seu ventre e me fez conhecer o córrego do Culumin até chegar num local às margens do rio Canhoto para lá me arranchar e souber que foi ali que ela nasceu e queria me amar, porque eu era o notívago perdido pelas altas horas que daria para ela a eternidade. E me contou da viúva Secunda, aquela que foi acometida de doença grave e levada num carro de boi para sepultada pelo carreiro que, depois do enterro, também foi vitimado da mesma doença dela e morreu. Não, não era ela, porque me queria por ser a matriarca que reluzia no céu das Sete Colinas de Ronildo Maia Leite, com as ilustrações da sua gestação na arte de Sérgio Lemos, perpetuada na pintura de Renato Pantaleão e nas gravuras de Renato Silva. E era mesmo, porque naquele momento ela ascendeu encoberta pelos véus e, antes do amanhecer, desceu desnuda ao Brejo das Flores e me fez nela emergir a cidade.

 


Dois espelhos num só... - Imagem: Espelho diário de Rosângela Rennó. – Ela estava todo dia, no espelho. Conversas desconexas de eus e outras, convivência dela em mim. Vez em quando assaltava minha cama para me dizer um trecho do Morituri mortuis (Por uma vida sem catracas!), da Alícia Duarte Penna: A hora do enterro é, ainda, a hora da morte, que ainda será a da visita ao túmulo (nos Finados, nos aniversários, nas saudades). Fica na terra, da morte, das mortes, ainda um lugar, sempre o mesmo, a que se volta. E me dizia para que eu pudesse suportar o genocídio do desgovernado Fecamepa: milhares por dia sucumbiam e a irresponsabilidade doía e sangrava aqui, ali e acolá. De repente ela trouxe o bailarino e coreógrafo francês Patrick Delcroix: O espelho nos dá todo dia a mesma imagem, mas o que você vê não é sempre o que você sente, a sua imaginação pode levá-lo muito longe, porém o espelho não mente, o reflexo é sempre o mesmo. Ela sorriu e se fez Reflexos do Espelho como se estivéssemos no palco da Cisne Negro, para sussurrar ao meu ouvido um trecho de Por uma contradisciplina da história (UFPE, 2016), da professora e jornalista Christine Greiner: A dança, de certa forma, sempre soube este oficio de narrar cartografando memórias, uma vez que as suas histórias sempre foram histórias do corpo, do movimento e das singularidades das formas de vida. E dançamos até nos esquecer de tudo e de nós.

 


Três danças no espelho... - Imagem: Reflexo no Espelho (2004), da Cisne Negro Companhia de Dança - Amanheci com seus beijos de Sol, a me dizer Françoise Sagan: Amar não é somente querer, é sobretudo compreender. Amei até a loucura.  O que chamam de loucura é, para mim, a única forma sensata de amar... E falou de vida e flores, de rios e ontens, de gente e de nada, para que eu soubesse que de seu corpo toda a vitalidade e razão de viver. Já entardecia e ela era Valuna quando ela me chamou atenção para uma frase do escritor e professor João Anzanello Carrascoza: Somos todos histórias que se misturam, se alteram e se acabam. E me beijou atravessando a noite madrugada adentro para me ensinar o dia imenso de viver e amar. Até mais ver.

 

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terça-feira, junho 22, 2021

ANNE MORROW LINDBERGH, NORBERT ELIAS, EMMANUELLE SEIGNER, ZÉ DO CARMO, CÂMARA DE ESPELHOS & CATENDE

 

 

TRÍPTICO DQP –- Uma vez mais vou danado de novo pra Catende... - Ao som de Vou danado pra Catende, no álbum Molhado de suor (Som Livre, 1974), de Alceu Valença - Ao travesseiro, bastou-me deitar a cabeça e lá estava eu nas paradisíacas paragens da Serra da Prata, aquela mesma que me deu a ideia do Bacuna pra me levar de novo danado pra Catende, nos versos de Ascenso pelo açude de Santa Rita, até a bica de Monte Alegre. De lá passar pelo casarão de Curupaiti no Roçadinho, depois a casa grande Tabaiaré, chegar nas águas dos rios Panelas ou Pirangi, timbungar o dia todo e comer uma pituzada na festa de Santana pra poder participar do concurso de Batida, Licores e Doces, ao som da pipocada estrondosa dos bacamarteiros de Miguel do Pirajá, lá na frente do Tiro de Guerra. Não era pouco, se eu caia solto, lá vinha o bumba-meu-boi do Matadouro, enquanto ouvia dos alto-falantes da Voz de Catende a sessão que ia passar no cinema Diamante. Enquanto isso, eu me maravilhava com as talhas de Zé Fernandes, a arte de Nelson José e Gabriel, a pintura de Jether Peixoto, Socó, Adgerton e José Adir; ao som da música de Tarcisio Accioli, Deo do Baião, Marcelo Montenegro e Zé Ripe. Era como se eu vivesse inteirinho nas páginas do romance Outro sol se levanta (Autor, 2007), do escritor Pelópidas Soares: As pessoas pelas calçadas, portas e janelas, achavam graça dos bêbados... A inveja e os delatores estão em toda a parte... E eu escapando ou saindo da estação para frevar no meio dos blocos da Filopança, Ferro e Fogo puxado pela Maria Fumaça, ou na Mulher da Sombrinha do saudoso amigo Marcos Catende, que me foi trazido à memória com os versos do poema recolhido do romance de Carlos Gaiza: Na calçada da igreja / fica ela a esperar / um homem da usina / que por lá vai passar... Eu não era da usina, mas era doido pra me travar com ela no meio dos versos de Bartyra, como quem recitasse nos braços da mulher amada dali, e despertar agoniado porque não passava de sonho e fizesse minhas as palavras do trecho de Mel de engenho, de Luiz Maia, extraído da obra Memória histórica de Catende (Autor, 2014), de Eduardo Menezes: Hoje, distante daqueles faustos e áureos anos sessenta, mais que nunca a saudade daquela cidade e de sua gente me faz morada, deixando-me uma dor no peito por saber que nada daquilo, absolutamente nada, mais existe... Pois é, eu escapulia dos sonhos para mandar ver na vida.

 


Dois pinotes diante do espelho... - Agoniado, levantei-me às pressas e nem deu tempo saber que horas seriam ou onde é que eu estava, porque era Déa Ferraz, câmara e luzes e ação, numa rua do Recife, a me perguntar a respeito das mulheres na Câmara de Espelhos. Vôte! Como é que pode, hem? Sabia lá como responder porque fui pego de surpresa. Além do mais, apareceu de repente Emmanuelle Seigner que me sorriu e disse: Tudo na vida, bom ou bom, faz você mudar e crescer - felizmente, porque se não mudasse, seríamos máquinas. Coisas muito piores acontecem às pessoas: câncer, doença, elas perdem um filho. Você pode encontrar uma força inesperada ou pode desmoronar. Eu não sou do tipo que desmorona. Nem eu que perdi meu filho e a vida me levou passarinho até agora sem saber o que fazer de tudo que vivi. Mas a estonteante lindeza dela me dava outro fôlego, aquele que jamais tivera. Estava embevecido, ela ali e mais seria, não fosse a intervenção de Anne Morrow Lindbergh: Se você se render completamente aos momentos que passam, enriquece a sua vida. Pessoas demais, requisitos demais, muito a fazer; pessoas competentes, ocupadas, apressadas - isso não é viver. Só o amor pode ser dividido infinitamente e ainda assim não diminuir. Sim, mas eu nunca caí, ou fiz que não, levei o tombo como se fosse empurrão e assim era porque o tanto era só viver. Aliás, cá comigo: quem me salva do espelho, eu não sei.

 


Três anjos cangaceiros...- Se não estava no céu, era perto: de primeira parecia bonecos de barro. Mas, não. E se eram anjos, não sei o que mais seriam. Na verdae, eram como se fossem. Foi aí que dei de cara com o Mestre Zé do Carmo (José do Carmo Souza – 1933-2019), que mangava de mim por ser mais um a ignorar os seus anjos cangaceiros. Aí ele me contou que Dom Hélder havia encomendado uma imagem do papa e ele prontamente atendeu; contudo, sua arte não foi aparovada pela autoridade eclesiástica: onde já se viu um papa com cara de cangaceiro? Caímos na gaitada, hehehehehe. Enquanto estourávamos de rir, apareceu Norbert Elias apareceu que me deu um toque esclarecedor: O crescente tabu da civilização em relação à expressão de sentimentos espontâneos e fortes trava suas línguas e mãos. E os viventes podem, de maneira semiconsciente, sentir que a morte é contagiosa e ameaçadora; afastam-se involuntariamente dos moribundos. Mas, para os íntimos que se vão, um gesto de afeição é talvez a maior ajuda, ao lado do alívio da dor física, que os que ficam podem proporcionar. Fiquei sério na hora, queria entender. Mas o quê? Ele também se ria e eu fui na dele. Afinal, de sério mesmo quero distância. Até mais ver.

 

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quinta-feira, março 05, 2020

ARIANE MNOUCHKINE, DENIS PIEL, MILLY WITKOP, THARGÉLIA BARRETO DE MENEZES & BETO FRANÇA


TODO DIA É DIA DA MULHER – UMA DE ROSA: “POR UM MUNDO ONDE SEJAMOS SOCIALMENTE IGUAIS, HUMANAMENTE DIFERENTES E TOTALMENTE LIVRES” - O Doro reapareceu e mordido de raiva: A merda está feita! Que é que houve, rapaz? Ué, o Brasil rachou: de um lado, os de olhos abertos e atinados, como eu, gritando que só e o povo todo, o Legislativo e o Judiciário nem nem! De outro, os teleguiados que não sacam que fazem parte da boiada manobrada, idolatrando um boi de presépio! É ou não é? Sei. Então, me diga, vá, me diga o que fazer? Vou de Rosa Luxemburg (1871-1919): No meio das trevas, sorrio à vida, como se conhecesse a fórmula mágica que transforma o mal e a tristeza em claridade e em felicidade. Então, procuro uma razão para esta alegria, não a acho e não posso deixar de rir de mim mesma. Creio que a própria vida é o único segredo. Num entendi, quer ser mais claro? Doro, meu amigo, se encoisou a gente precisa desencoisar, assim: sorrindo, persistindo e perseverando, faço a minha parte e vou junto. Assim eu faço: sorrio, persisto e não arredo o pé. Vamos aprumar a conversa, gente! DUAS: ÂNGELA É MELHOR QUE VIAGRA - Já o Biritoaldo chegou assim com os faróis baixos, parece que na maior ressaca do carnaval, só escutando o lero. E aí, Birito, como é que tá? Nada, eu tou com a boca quase sem dentes e esperando a morte chegar! Mas, rapaz, você tão jovem, já entregando os pontos? Nada, estou quase sex – leia-se sexagenário - e que nem diz o véio Abel Fraga: Tanta mulher dando sopa e eu sem colher pra tomar! Vôte! Isso mesmo, nem elas me querem e acho que já estou caiando, sobe mais não, pelo jeito, aposentei-me mesmo. Oxente, homem! Você não viu o que disse a Ângela Vieira: Essa coisa de dizer que o tesão acaba com a idade é balela. Você tem que alimentar e procurar o seu prazer. Ah, mermão, com uma dessa nem preciso de viagra, basta ela achegar-se assim do jeitão dela nuazinha que dou no couro, até defunto mostra serviço com um mulherão desse, mô véio! E é? Manda ela vir pra cá pra ver se não dou um trato bem macho nela!?! Ah, tá, vá entender. TRÊS: UNA, BACUNA, VALUNA: Ufa! Indagorinha concluí o roteiro para o documentário Una, um projeto que pretendo desenvolver com uma parceria nova e das boas. Esse roteiro é o resultado dumas viajadas na maior pesquisa, resultando no projeto Bacuna (Bacia Criativartistica do Una) -, que venho já por dois anos rodando pelo Agreste, Mata Sul e Litoral de Pernambuco. Já fiz a música instrumental Una, para a trilha sonora do documentário. E ainda por cima, inventei de mandar ver numa narrativa ficcional, que provisoriamente resolvi intitular de Valuna, essa pode virar livro que um dia eu publico. Enquanto isso, reitero: Vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: O amor é sempre livre. Quando o amor deixa de ser livre, é prostituição. Eu apenas olho para o meu trabalho, minhas habilidades especiais, os serviços que forneci ao movimento, mas ele não me olha. Seja qual for a sua atitude eu vou amar a vida toda. Pensamento da anarcossindicalista & feminista ucraniana Milly Witkop (1877-1955), atuante no movimento anarquista judeu e uma das principais lideranças da Federação Sindicalista das Mulheres (SFB).

O TEATRO DE ARIANE MNOUCHKINE
O palco de um teatro é um vazio muito bonito. O que é que o preenche? Não é o cenário. É a imaginação dos espectadores solicitada pelos atores. Nós, ocidentais, criamos apenas formas realistas. Isto quer dizer que nós não criamos uma forma propriamente dita. No momento em que usamos a palavra forma, quando se fala de teatro, já aparece uma noção oriental. E o que nós buscamos, sempre, é uma forma.
ARIANE MNOUCHKINE – A arte da diretora de teatro e cinema francesa Ariane Mnouchkine, fundadora do Théâtre du Soleil em Paris (1964), coletivo teatral que se instalou em 1970, na Cartoucherie de Vincennes, ligado ao teatro de vanguarda, desenvolvendo a metodologia teatral do processo colaborativo, construindo o espetáculo como resultado da interferência de todos os membros da companhia e incorporando múltiplos estilos, desde a commedia dell’arte a rituais asiáticos. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nunca controverso o suficiente! Muitas vezes, era uma batalha conseguir as imagens que eu considerava as mais fortes e sexys usadas. Sempre foi minha ambição criar uma mulher independente que, ao mesmo tempo, não tivesse vergonha de sua sexualidade e sensualidade. Para mim, acredito que as formas tradicionais de trabalho sempre terão seu lugar quando tiverem uma forte assinatura individual. Agora, quero expandir esse projeto e explorar “novas mídias” para ver aonde isso me leva. Como sempre, será um diálogo com o meu passado, mas com o objetivo de provocar o espectador a pensar de uma nova maneira, a olhar com novos olhos. Mas manter e desenvolver seus próprios olhos ainda é sua melhor ferramenta, independentemente da tecnologia. Estou animado para ver o que eu crio. Como todo o meu trabalho, trata-se muito de felicidade e de manter uma atitude aberta e exploratória. Hoje, mais do que nunca, a fotografia é considerada uma arte e aceita e exibida amplamente. Para onde o levarmos hoje, ditará a consideração da grande arte. Isso oferece oportunidades incríveis.
DENIS PIEL - A arte do premiadíssimo fotógrafo e artista francês Denis Piel, que atua como consultor criativo em diversos projetos no mundo inteiro. Veja mais aquiaqui.

TODO DIA É DIA DA MULHER PERNAMBUCANA
Imagem do ilustrador e artista visual Beto França.
Por que os homens vivem sempre mentindo no trato com as mulheres? - Pensamento da poeta Thargélia Barreto de Meneses (1879-1909), que fundou o Grêmio Tobias Barreto, trabalhou no periódico Gazetinha e publicou poemas no Almanach Litterário de Pernambuco e no Jornal de Domingo. Hoje ela é a patronesse da cadeira 22, da Academia Recifense de Letras e tema da obra Em busca de Thargélia: poesia escrita por mulheres em Pernambuco no segundo oitocentismo, 1870-1920, (Fundarpe/SEC, 1991), organizado por Luzilá Gonçalves Ferreira.
Sobrados e mocambos, o teatro de Hermilo Borba Filho (1917-1976) aqui e aqui.
A literatura de Amilcar Dória Matos (1938-2010) aqui.
A poesia de Marcus Accioly (1943-2017) aqui e aqui.
A música de Antúlio Madureira aqui.
A xilogravura de Samico (1928-2013) aqui & aqui.
Janilson Sales e o Museu do Homem do Campo aqui & aqui.
O município de Lagoa dos Gatos aqui & aqui
&
OFICINAS ABI
Veja detalhes das oficinas da ABI aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
 

NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...