quinta-feira, março 07, 2013

O EROTISMO DE GEORGES BATAILLE




GEORGE BATAILLE: O EROTISMO

O polêmico escritor francês Georges Bataille (1897-1962) transitou por diversas áreas, dentre elas Antropologia, Filosofia, Sociologia e História da Arte.
Dentre suas obras encontramos “O Erotismo”, onde aborda temas como transgressão e o sagrado. O livro é dividido em duas partes, a primeira delas sob o tema A interdição e a transgressão onde ele aborda o erotismo como experiência interior, a interdição ligada à morte e à reprodução, a afinidade da reprodução e a morte, o homicídio, a caça e a guerra, o ato de matar e o sacrifício religioso e o erotismo, a pletora sexual e a morte, a transgressão no casamento e na orgia, o cristianismo, o objeto do desejo e a prostituição, e a beleza. Na segunda parte, sob o tema Diversos estudos sobre o erotismo, ele trata sobre Kinsey, a escória e o trabalho, o homem soberano de Sade, Sade e o homem atual, o enigma do incesto, mística e sensualidade, a santidade, o erotismo e a solidão.
Nesta obra, mantém estudos realizados ao encontrar no erotismo a chave que desvenda os aspectos fundamentais da natureza humana, o ponto limite entre o natural e o social, o humano e o inumano, Bataille o vê como a experiência que permite ir além de si mesmo, superar a descontinuidade que condena o ser humano: "Falarei sucessivamente dessas três formas, a saber: o erotismo dos corpos, o erotismo dos corações e, finalmente, o erotismo sagrado. Falerei dessas três formas a fim de deixar bem claro que nelas o que está sempre em questão é substituir o isolamento do ser, a sua descontinuidade, por um sentimento de continuidade profunda". Conforme visto anteriormente, o obra é dividida em duas partes onde expõe na primeira parte sistematicamente os diferentes aspectos da vida humana sob o ângulo do erotismo e na segunda, estudos independentes que tratam de psicanálise e literatura. Estudioso de religiões orientais, experiências místicas e práticas extáticas e sacrificiais, Bataille nos leva a descobrir que "entre todos os problemas, o erotismo é o mais misterioso, o mais geral, o mais a distância". Mostrando os efeitos de transgredir as interdições impostas milenariamente por estes elementos desordenadores, Bataille dá ao erotismo e a violência uma dimensão religiosa, onde explora os meios para se atingir uma experiência mística "sem Deus": "um homem que ignora o erotismo é tão estranho quanto um homem sem experiência interior". Diz ele que: “(...) Creio que o erotismo tem para os homens um sentido que o esforço cientifico não pode atingir. O erotismo só pode ser considerado se levarmos o homem em consideração (...) o erotismo é a aprovação da vida até na morte”. Sobre o Cristianismo ele diz: “(...) justamente o cristianismo, ao opor-se ao erótico, condenou a maioria das religiões. E, num certo sentido, a religião cristã talvez seja a menos religiosa”. Sobre Sade: “(...) o que ele quis dizer – geralmente causa horror mesmo áqueles que fingem admirá-lo e não reconheceram este fato angustiane: que o movimento de amor, levado ao extremo, é um movimento de morte”. Sobre a interdição ele menciona que: “(...) o homem é um animal que permanece proibido diante da morte e diante da união sexual (...) Os povos sentem a necessidade de esconder os orgãos sexuais de maneiras diferentes; mas, geralmente, eles escondem o orgão masculino em ereção; e, a principio, o homem e a mulher procuram um lugar reservado no momento da união sexual (...) A interdição, que em nós se opõe à liberdade sexual, é geral, unioversal; as interdições particulares são seus aspectos variáveis (...) Nosso erro é o de considerarmos levianamente ensinamentos sagrados que, há milênios, transmitimos às crianças, mas que outrora possuiam uma forma diferente. O campo da repugnância e da náusea e´, em seu conjunto, um efeito desses ensinamentos”. Sobre a sociedade humana: “(...) A sociedade humana não é só o mundo do trabalho. Simultaneamente – ou sucessivamente – o mundo profano e o mundo sagrado a compõem e são suas duas formas complementares. O mundo sagrado se abre às transgressões limitadas. É o mundo da festa, dos soberanos e dos deuses. (...) é sagrado o que é objeto de uma interdição. (...) Os homens estão ao mesmo tempo submetidos a dois movimentos: de terror, que rejeita, e de atração, que comanda o respeito fascinado. A interdição e a transgressão respondem a esses dois movimentos contraditórios: a interdição rejeita, mas a fascinaão introduz a transgressão. (...) em tempo de gesta, o que é habitualmente proibido pode sempre ser permitido, às vezes exigido. (...) a festa consome em sua prodigalidade sem medida os recursos acumulados no tempo de trabalho (...) Através da história, a frequencia dos massacres deixa claro que em todo homem existe um possivel assassino”. Por fim, sobre o erotismo ele arremata que: “O erotismo, em seu conjunto, é infração à regra das interdições: ele é uma atividade humana. Mas, ainda que ele comece onde acaba o animal, a animalidade não deixa de ser seu fundamento (...) a sexualidade é para o erotismo o que o pensamento é para o cérebro: da mesma maneira, a fisiologia permanece sendo o fundamento objetivo do pensamento”.

BATAILLE, Georges. O erotismo. São Paulo: Arx, 2004.  Confira mais desse autor aqui, aqui e aqui.



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