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segunda-feira, fevereiro 27, 2023

ROSALÍA DE CASTRO, GAYATRI SPIVAK, EDNA MILLAY & DUDA DO RECIFE

 

Ao som dos álbuns Maestro Duda & Orquestra de Frevo (Vols, 1, 2,3 e 4, 1999), e o concerto Suíte Nordestina (Arranjadores – Orquestra Experimental de Repertório, São Paulo, 2012) do maestro, arranjador, compositor e instrumentista Duda do Recife (José Ursicino da Silva), Patrimônio Vivo de Pernambuco. Veja mais aqui.

 

TRÍPTICO DQP: - Nunca pense antes de começar, faça... - Chegou a horagá, havia de mudar: inadiável. Logo me vi na mesma situação elegíaca de Manguel e comecei pela parte mais difícil: encaixotar os livros. Era uma tarefa das mais dolorosas, apertava o peito. Os invisíveis guardiões cabisbaixos me davam a sensação dos que pereceram nos repositórios do saber e remédios da alma – como se chegasse ao ponto da biblioteca de Alexandria com Hypatia soterrada, ou das desaparecidas de Nínive, Bergamo ou Menin e todo aprendizado milenar às cinzas. Era triste. Quantas vezes, confesso, não vivi na pele de Stephan Dédalos ou do Copperfield de Dickens, personagens outros quase íntimos saltavam dos volumes e invadiam os espaços da casa perpetuando fatos e memórias para meu regalo. Os meus rascunhos, palimpsestos muitos juntos às garrancheiras e aos da cabeceira como se fossem da Babel de Borges, os das páginas que mais risquei, grifando frases e rabiscos pelas margens com as hestórias flagradas por trás das palavras escritas, os que foram emprestados e jamais devolvidos, os que me esperavam pela leitura e os que sepultei sabendo que me matava junto cada vez mais. Nesta hora Gayatri Spivak: A autobiografia é uma ferida onde o sangue da história não seca... Agora me sentindo mais solitário que nunca, tombei alguns pra doação à biblioteca municipal, mais da metade de todo acervo. Tanto doía a ponto de ouvir alguém dizer sem saber quem: Na escuridão eles vão, os sábios e os amáveis... Sabia dos que jamais os leram e preferiam queimá-los todos, dos muitos que quando não detestavam mais zombavam daqueles que liam e que era coisa de doido essa coisa de queimar pestana sem pregar o olho sobre brochuras, capas duras e publicações grossas, gente que tinha horror às impressões, quando não abominavam quem inventou estudo. O que me consolava era a oportunidade de muitos outros o acesso aos que li. Era o que dava alguma satisfação, pelo menos isso. Os demais que ficaram comigo, amontoados agora nalgum canto esquecido e inacessível.


 

Diário das facécias... – Imagem da artista plástica Márcia Gebara, integrante do Grupo Ateliê Virtual 2022. - Com o ocorrido fiquei tão deslocado: os ideais me levaram ao desespero, a vida afundou no lamaçal, inconsolável, deprimente. Havia de superar e eu menino outra vez, uma mão na frente, outra atrás. Em meu consolo Edna Millay: A infância não vai do nascimento até certa idade, e a certa altura a criança está crescida, deixando de lado as coisas de criança. A infância é o reino onde ninguém morre... Tentei desfazer o nó na garganta e, quase refeito, segui adiante sobrecarregado de novas esperanças. Não fosse Elizabeth George estaria numa encruzilhada: As expectativas destroem nossa paz de espírito. São decepções futuras, planejadas com antecedência. O passado não pode ser mudado, pode? Isso só pode ser perdoado... E lá ia eu Senécio de Klee, pseudo Arlequim de Goldoni – nem para isso eu servia, levando tudo nos peitos como desse, no meu soturno ensimesmamento...


 

Só diga até amanhã, nada mais... – Imagem do artista visual Ricardo Aydar, integrante do Grupo Ateliê Virtual 2022. – Entre as mãos, a surpresa do momento: o livro que ela me dera. Sim, foi numa tarde de décadas atrás, ela se parecia com A moça do brinco de pérola de Vermeer, sobressaindo-se a lágrima dos deuses iluminando seus olhos e lábios na face quase oriental. Pediu-me um favor e gratificou minha gentileza com Marlowe: Quem pode dizer que amou sem ter amado à primeira vista? Todos vivem para morrer e sobem para cair... Despediu-se graciosamente e, no dia seguinte, quase Hannah do Der Varleser de Schlink, quase a personagem de Kate Winslet das cenas do The Reader de Stephen Daldry, assim, ambivalente, na verdade, eloquentemente bela e muito mais que antes a me presentear um livro. Mais que grato, agora em dívida, ouvi-lhe Rosalía de Castro: Eu vejo meu caminho, mas não sei onde ele leva. Não saber para onde vou é o que me inspira a percorrê-lo... Para mim era o hálito da deusa Hator que debruava sobre mim, tratado agora como se fosse xilógrafo ou toreumatólogo pelo terraço perfumado pela presença daquela estranha simpática e a me mostrar o busto de quartzita rosada da Nefertiti, enquanto apontava para os desenhos das figuras nas paredes das grutas de Altamira e Lascaux. Estava, confesso, perdido e ela aproximando-se mais da parede, deslizou o dedo indicador acrescentando sorridente outros desenhos aos dali expostos. Sorriu com tanta graça que me flagrou olhos nela completamente aturdido. Não levou em conta a minha desorientação, começou a gesticular no ar e a paisagem ia mudando e já era outra localidade aos meus olhos ali na hora. Viu-me espantado, tomou minhas mãos às suas e levou-me a dançar uma ciranda envolvente corredor adentro, as vestes se soltando ao vento, deitando-se desnuda a um canto como se fosse a Vênus de Agatarco para me premiar muito mais por dias e noites. Quase um sonho, a névoa onírica se dissipava e previ ao longo do tempo a despedida. Pedi-lhe apenas um até amanhã, nem me disse adeus e nunca mais. Até mais ver.

 

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quinta-feira, julho 23, 2020

CONCHA MÉNDEZ, VERA RUBIN, CHARLES SCHENK & CANTORA UNA



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: DO QUE FIZ, NEM DEIXEI DE FAZER - Sempre agi antes de pensar. Ágil, algumas vezes na mosca, de esperar o desfecho e só quando era dado por liquido e certo, aí sim, festejava uma ou outra, quando muito. Sempre desconfiei da sorte porque, na maioria das vezes, não era bem assim, era assado ou nem tanto, do jeito que nem dava para adivinhar – vá entender o capricho de quem manda. Afora minha condição sempre à deriva. Fazia de tudo para o êxito, inevitavelmente fracassava. Tinha sempre comigo a voz da Angela Davis: Você tem que agir como se fosse possível transformar radicalmente o mundo. E você tem que fazer isso o tempo todo. E fiz o tempo todo, nunca deixei de fazer. Talvez os prognósticos estivessem errados, não surtiam efeito algum, a não ser algumas calejadas feridas que nem lembro mesmo onde é que doía, ou se anestesiado pelos erros. Sei lá, voo aprumando a mira.

DUAS: O QUE FIZ, TAL SÍSIFO, NADA MAIS - Aos dez anos de idade, montado num bigode ralo e topetudo de nariz empinado, comecei a trabalhar depois de ter desafiado meu pai numa conversa, como se fosse, claro, de homem para homem – e eu ainda uma criança, avalie. Ele aquiesceu e me fez primeiro de carimbador, depois de copista, datilógrafo, serviçal recadista e por aí, aboletado num birô do cartório, sob a tutela mandonista de um tio que virou para mim pior que Uriah Heep de Dickens. Claro, escapulia, dava salto solto, virava e mexia. Ele lá, inexorável. Ansiava altos voos e, embora traumatizado e com um complexo de inferioridade aviltante, me redimia com Susanne Langer: Para termos novo conhecimento, precisamos adquirir um mundo inteiro de novas questões. De escriturário nunca passei disso, mas ousei que só. Aprendi desaprendendo e o que nem se ensinava. Assim fui, haja catabís, tantos percalços indeléveis. Mais fui, voo.

TRÊS: DAVA DE POETAR, NEM TANTO! - Enfim, de tudo um tanto incólume, quando não ao rés do chão, rasteiro escondido na poeira. Lá estava. Tanto me estrepei de findar estirado, dores até no retrato e lembranças repisadas. Hoje antes penso duas, três, até dez, cem, de novo, aí, lá pras tantas, caio na ação mais sem jeito. Cheguei até a poetar por isso, mas Sarah Kofman advertiu: Dialética e reflexão desempenham o mesmo papel para o filósofo e verso para o poeta. Poetar, então, não era, apenas versejador porque se a vida fosse um filme e rodasse para trás, nem assim seria diferente do que gorou, seria de novo outro fora e ficaria por isso mesmo. Nunca lamentei de nada nem perdido, já levantei pronto para outra, cada vez mais para o Tao: o coração da palavra, o poema no sexo: a vida! Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: A ciência progride melhor quando as observações nos forçam a mudar nossas ideias preconcebidas. Pensamento da astrônoma estadunidense Vera Rubin (1928-2016), pioneira dos estudos sobre as curvas de rotação das galáxias espirais, que expressava: A ciência é competitiva, agressiva, exigente. Também é imaginativo, inspirador, edificante. Minhas conquistas na ciência vieram porque eu sabia o que queria fazer, e encontrei, como colegas de profissão, astrônomos gentis e prestativos. Nunca me senti desencorajada pelos que foram desencorajadores algumas vezes. Ao invés disso, insisti em trabalhar para solucionar problemas que estavam fora da astronomia ‘mainstream’ para que eu pudesse trabalhar no meu próprio ritmo, sem ser pressionada por temas mais populares. Não digo isso para servir de exemplo a vocês, mas só para mostrar que há diferentes abordagens possíveis para a ciência. Tem que haver. A ciência é competitiva, agressiva, exigente. Mas também é imaginativa, inspiradora, edificante. Vocês também podem.

O TEATRO DE CONCHA MÉNDEZ
Eu gostaria de ter vários sorrisos avulsos e um vasto repertório de maneiras de me expressar. Então, sozinha, você não me deixou, que eu estou comigo mesma e é o suficiente para mim, como sempre fui. E se eu olhar para a sombra onde a luz se dissolve, também tenho medo de dissolver e entre as sombras ficarei confusa para sempre. Como último retrato, nossos olhos impressos brilharão. A vida é um cervo irremediavelmente ferido, que flechas lhe dão veneno e asas.
CONCHA MÉNDEZ - A arte da poeta, dramaturga e roteirista espanhola Concha Méndez (1898-1986), que pertencia ao grupo Sinsombrero e autora de peças teataris como El ángel cartero (1929), El personaje presentido (1931), El pez engañado (1933), El carbón y la rosa (1935), Las barandillas del cielo (1938), El solitario (Amor) (1941), entre outras. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo estadunidense Charles Schenk. Veja mais aqui e aqui. E mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Espero que o extermínio da juventude negra, que não é só física, não caia sobre o meu trabalho, para que outras mulheres que venham depois acreditem e achem possível viver do que se gosta e do que se sabe fazer. É por elas que estou aqui.
A arte da cantora Una, que é filósofa de formação e se lançou em 2013 como Aninha Martins e lançou o seu primeiro álbum, Esquartejada (Independente, 2019), resultado de seis anos de pesquisas em um campo eclético, que vai da MPB ao punk rock, reflexões intimistas, uma pitada de niilismo e um humor sabido.
&
O Bom Pastor: as histórias e os afetos, organizado por Karina Vasconcelos aqui.
Agruras da lata d’água, do poeta, compositor e intérprete Jessier Quirino aqui.
A música de Ozi dos Palmares aqui.
Sabedoria ou mediocridade? Diálogos no reino encantado das águias, do filósofo e historiador Reginaldo Oliveira aqui.
Água, Vida Água, do poeta e ativista cultural João de Castro aqui.
A mora de ferro aqui.
&
O município de Caetés aqui & aqui.


segunda-feira, junho 11, 2018

RANCIÈRE, SECCHIN, DICKENS, VYGOTSKY, SOLVEIG NORDLUND, KSENIYA SYMONOVA, GUINGA & ANOUSHKA SHANKAR


CARTA AOS NAVEGANTES - Imagem: arte da artista performática ucraniana Kseniya Symonova. - Salve, salve! Venham todos e todas, vamos aprumar a conversa com o radiante convite solar para esse espetacular amanhecer: os dias por rotas marítimas ou noites por trilhas florestais, eu cá comigo, sejam sempre bem-vindos, meus beijabrações por recepção. Se não querem falar, podem passar, sou saudação sincera e não seleciono afetos, o mundo é tão barulhento, precisamos mesmo de silêncio por algumas horas ou minutos, pode ser, se chover ou estiar, estiver sol ou nublado, quem sabe. Oh, não se sintam ofendidos, entendo a frieza da indiferença e os tantos percalços, nada pro desespero, seja o que possa ser, a vida é curta e boa demais pra saber da lição do doce e do fel, do quente ou gelado, do claroscuro, das intenções e simulacros. Não me rendo ao desapontamento, há muito por fazer. Não fossem as dolorosas, não saberia jamais remover falhas, entulhos, detritos e lama, fizeram dos escombros o meu eterno retorno. Se eu tive que deixar pra trás é porque descobri o quão valioso pode não ser mais amanhã. Na horagá, vale o aprendido pra quebrar bitolas e estreitamentos, redomas de formas e moldes, restrições que foram pro indefinido ampliado, da supressão pro desconforme, dos apertados limites rompidos na vivência do caos primevo indesejável, o desencaixe de velhos e todos os conceitos por outros que vão e vêm na cristalização dissolvida do sólido que se desfez aos farelos da rejeição pro aceite. Ah, nada demais, refiz das cinzas a explorar outros modos, quaisquer maneiras e todos os lugares: tudo muda de onde o inaceitável, a lapidação da pedra bruta pra perder o orgulho inflado e oracular, fazer bem feito sem a neurose da perfeição, por saber-me tão frágil entre dúvidas e escolhas: se não está certo é porque nada está totalmente errado, ou vice-versa. Tenho comigo a fertilização do riso pelo que é tão maravilhoso na Natureza, como ao abominável e aparentemente feio, sempre o exercício do perdão - quem não perdoa, sei não. Aindagora esqueci o passado, quase fruto que brotou pro maduro e me vi trezentos e sessenta graus do que não sei sobrevivente: a mão nua e terna para o que vier do desconhecido e facas de dois gumes; a face serena pras surpresas de agora e crástino, como pras tapas e cuspidas; olhos atentos para tudo, sobretudo o visinvisível e o ignoto; as costas pra deixar pra trás o que passou, como pras punhaladas e desaforos; os braços aos abraços e pros indestrutíveis e delatores obstáculos; as pernas pros inalcançáveis e transcendentes confins do mundo, com os pés firmes e descalços sobre lâminas afiadas. Aceito a mim próprio e sou plena mudança a todo instante. Quem dera pudesse o dia pra tarde aprender na noite a lição de cada manhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista e compositor Guinga: Canção da impermanência, Roendopinho & Porto da madama; da instrumentista e compositora britânica Anoushka Shankar: Land of Gold live at Glastonbury, Traveller Live Festival al Les Nuits de Fourviere France & Essemble Berlin; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. 

PENSAMENTO DO DIA – [...] Toda comunidade política é também uma comunidade estética dada a ‘partilha do sensível’ previamente estabelecida, do que é visível, do que pode ser dito e feito. Falamos, portanto, sobre política da estética. [...]. Trecho extraído da obra A partilha do sensível: estética e política (34, 2005), do filósofo e professor francês Jacques Rancière. Veja mais aqui e aqui.

EDUCAÇÃO & DESENVOLVIMENTO – [...] as tentativas que levou a cabo para separar cuidadosamente os produtos do desenvolvimento dos da instrução, pressupondo que assim poderia isolá-los na sua forma pura. Nenhum investigador o conseguiu até hoje. Geralmente atribuem-se as culpas destes fracassos à inadequação dos métodos, compensando-se os mesmos fracassos com um redobrar das análises especulativas. Estes esforços para dividir o equipamento intelectual das crianças em duas categorias podem ir a par com a noção de que o desenvolvimento pode seguir o seu curso normal e atingir um nível elevado sem o concurso da instrução — e que até as crianças que nunca foram à escola podem desenvolver as formas de pensamento mais elevadas e acessíveis aos seres humanos. [...]. Trecho extraído da obra O desenvolvimento dos conceitos científicos na infância (Pensamento e linguagem, 2011), do cientista e psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934), que noutra obra Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem (Ícone, 2010), expressa que: [...] A aprendizagem não é em si mesma, desenvolvimento, mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento, e esta ativação não poderia produzir-se em aprendizagem. Por isso, a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais, mas formadas historicamente. [...]. Veja mais aqui.

DUAS CIDADES – [...] Como as emoções mais profundas se expressam no rosto, não importa atrás de que máscara se esconda, assim a palidez gerada por sua situação vencia o bronzeado da face, revelando ser a alma mais forte do que o sol. De resto, ele se mostrava inteiramente senhor de si. Curvou-se perante o juiz e permaneceu ereto e silencioso. O interesse com o qual esse homem era contemplado e bafejado não era da espécie que eleva a humanidade. Estivesse ele sob a ameaça de uma sentença menos tenebrosa, houvesse a possibilidade de algum daqueles detalhes selvagens ser dispensado, apenas por isso teria perdido muito de seu fascínio. A figura que estava destinada a ser mutilada de maneira tão infamante era A Visão; a criatura imortal que seria abatida e esquartejada fornecia a sensação. Qualquer que fosse o verniz com que os vários espectadores procuravam encobrir o seu interesse, de acordo com a capacidade que tinham de enganar a si próprios, esse interesse era, em sua raiz, digna dos ogros. [...]. Trecho extraído de Um conto de duas cidades (Nova Cultural, 2002), do escritor inglês Charles Dickens (1812-1870). Veja mais aqui.

TRÊS POEMAS - AUTORRETRATO - Um poeta nunca sabe / onde sua voz termina, / se é dele de fato a voz / que no seu nome se assina. / Nem sabe se a vida alheia / é seu pasto de rapina, / ou se o outro é que lhe invade, / numa voragem assassina. / Nenhum poeta conhece / esse motor que maquina / a explosão da coisa escrita / contra a crosta da rotina./ Entender inteiro o poeta / é bem malsinada sina: / quando o supomos em cena, / já vai sumindo na esquina, / entrando na contramão / do que o bom senso lhe ensina. / Por sob a zona da sombra, / navega em meio à neblina. / Sabe que nasce do escuro / a poesia que o ilumina. CONFESSIONÁRIO - Não posso dar-me em espetáculo. / A plateia toda fugiria / antes mesmo do segundo ato. / Um ator perplexo misturaria / versos, versões e fatos. / E um crítico, maldizendo a sua sina, / rosnaria feroz / contra minha verve / sibilina. RECEITA DE POEMA - Um poema que desaparecesse / à medida que fosse nascendo, / e que dele nada então restasse / senão o silêncio de estar não sendo. / Que nele apenas ecoasse / o som do vazio mais pleno. / E depois que tudo matasse / morresse do próprio veneno. Poemas do poeta, ensaísta, critico literário, professor, editor da revista Poesia Sempre da Fundação Biblioteca Nacional e membro da Academia Brasileira de Letas, Antonio Carlos Secchin. Veja mais aqui e aqui.

O ESPELHO LENTO
O filme O espelho lento (The Slow Mirror, 2009), da cineasta suíça naturalizada portuguesa, Solveig Nordlund, conta a história de uma mulher e sua filha gravemente doente, com a descoberta de um espelho invulgar que guarda por anos o reflexo, adquirindo-o como prenda para sua filha: o espelho vai modificar suas vidas, uma porta aberta para o passado. No elenco, destaque para atuação das atrizes Gracinda Nave & Marta Peneda. Veja mais aqui.


O livro Ave sólida, de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da  artista performática ucraniana Kseniya Symonova.
Veja mais aqui.
&
A vida, seres & coisas, o pensamento de Erich Fromm & Edith Wharton, a poesia de Goethe & Dylan Thomas, a arte de Alexandra Gorczynski, a música de Wanderléa, Paulo Diniz & Juareiz Correya aqui.


sábado, fevereiro 07, 2015

LARISSA BOMBARDI, JOSEFINA PLÁ, SARAH KANE, PHYLLIS WHITNEY, HEATHER THOMAS & IONE SKYE

 


O BILHETE DE SARAHNaquele dia ela escreveu o seu bilhete com a renúncia ao palco da infância em Essex, da família evangelista religiosa, o afastamento de qualquer crença na adolescência e a atriz com no envolvimento teatral. Uma escrita secreta que cobria os estudos em Bristol e Birmingham, quando buscou versos e não se viu poeta com a cruel britannia diante do teatro expressionista e tragédia jacobina. Pensou em Blasted, um jogo na sala de aula com os alunos da classe. Na verdade, um quarto de hotel e o pânico da guerra na Bósnia, as cenas de canibalismo e estupro anal. A reação imediata: um festival de imundícies repugnantes e extrema violência, de uma cabeça que não passava de um balde de miudezas. A crítica impactante afetou sua alma. Harold Pinter em socorro: era um jogo demasiado complexo para os algozes. Pensou em Phaedra’s Love, com o seu cruel Hipólito na comédia avessa a Sêneca. Pensou nos ecos dos estudos e a derrisão na escritura dúbia de Cleansed, uma garota num campo de concentração e o irmão morto, as torturas de amar. Pensou nas metáforas enigmáticas de Crave, uma fogueira na escuridão sob o pseudônimo de Marie Kelvedon: um poema para quatro vozes. Lutava contra a depressão no Maudsley Hospital, enquanto ruminava sobre o amor, a alegoria do hiper-lugar e a vida cotidiana sombria, a toxicodependência, a medicina criminosa, a juventude perdida, o sofrimento com a punição dos desviantes, a loucura dos complexos interpessoais: o castigo, a cura e a formação. Era a dor da condição humana à beira do completo esfacelamento pelo medo e angústia, a crise psicótica e o diálogo com seus fantasmas: a visão de um futuro apático e sem esperança, o temor de perder a memória e morrer ainda viva. Era o amor, a dor, a perda, o desejo sexual, a tortura física e psicológica, a singularidade humana e o seu irracionalismo. Pensou em Skin, a cena de um skinhead numa relação com uma negra. Era a vez da assombração de uma saúde frágil, a luta contra a depressão, a inconstância emocional, a influência de Beckett, a deterioração da saúde mental, irredutível diante dos comportamentos parafílicos e da intolerância, vícios e violência na sociedade. A primeira tentativa de suicídio, o golém, o tratamento psiquiátrico e o desespero até o limite: 4.48 Psychosis (2000) era a hora, enfrentando-a com uma overdose de pílulas e o delírio no fluxo de consciência: Fui eu mesma que eu nunca conheci, aquela que tem a face colada na parte inferior da minha mente... Lutava para não se afogar em si mesma. Era o discurso lírico, a situação mórbida, hermética, a sua tanatopoética e o seu teatro In-Yer-Face. Dois dias depois, o trajeto de morte e a fala excessiva como chave do mistério, a arma passaporte e o silêncio fatal e derradeiro. Aos vinte e oito anos, um vento violento e repentino: Por favor abram as cortinas... A cena: o bilhete na redoma suicida da hora e o enforcamento num banheiro do King'sCollege Hospital de Londres com um cadarço do sapato. Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


ELA DISSE: Uma consciência consolidada reside num salão de banquete escurecido perto do teto de uma mente cujo chão se move como dez mil baratas quando um feixe de luz penetra como todos os pensamentos se unem num instante de harmonia corpo não mais repelente como as baratas contém uma verdade que ninguém nunca fala. Minhas peças, no todo, elas são sobre amor. E sobre sobrevivência e sobre esperança... Pensamento da dramaturga inglesa Sarah Kane (1971-1999). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOSVocê deve querer o suficiente. O suficiente para aceitar todas as rejeições, o suficiente para pagar o preço da decepção e do desânimo enquanto você está aprendendo. Como qualquer outro artista, você deve aprender seu ofício — então você pode adicionar toda a genialidade que você gosta. Só há uma boa razão para ser escritor - não podemos evitar! Todos nós gostaríamos de ser ricos, famosos e bem-sucedidos, mas se esses são nossos objetivos, estamos no caminho errado... Eu só queria ganhar dinheiro suficiente para poder trabalhar em casa escrevendo. Pensamento da escritora estadunidense Phyllis A. Whitney (1903-2008), que na sua obra Guide to Fiction Writing ( Writer, 1988), expressa que: […] Um bom livro não é escrito, ele é reescrito. [...] Tão bom quanto' sempre significa mediocridade. Mas quando o trabalho de um escritor está em competição com todos aqueles milhares de outros manuscritos que se derramam sobre a mesa de um editor, ele não pode se dar ao luxo de ser 'tão bom quanto'; ele (ou ela) deve ser 'melhor que'. [...]. Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: É importante se envolver e defender aquilo em que você acredita. Escolhas são como rodovias conectadas. Todas elas levam você ao mesmo lugar. Algumas apenas levam mais tempo para chegar lá. É simplesmente incrível que ainda existam tantos preconceitos hoje em dia. Pensamento da atriz, escritora e pintora inglesa Ione Skye Lee (Ione Skye Leitch).

 

AGROTÓXICOS – [...] O Brasil, como é sabido, alcançou em 2009 o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos, embora não sejamos, como também é sabido, o principal produtor agrícola mundial. [...] O uso de agrotóxico nos moldes em que vem ocorrendo no país tem sido – como procuramos esclarecer no artigo especialmente através dos mapas elaborados – nefasto não só do ponto de vista socioeconômico, como também ambiental e sanitário. Os dados apresentados nos mapas são de extrema gravidade. Os camponeses, trabalhadores rurais, os familiares destes trabalhadores e moradores de áreas próximas aos cultivos contaminados com agrotóxicos estão sendo intoxicados cotidianamente de forma direta. Os sintomas agudos de tais intoxicações são apenas a ponta do Iceberg de um problema muito mais amplo que fica escondido por trás da subnotificação destes casos e da quase ausência de informação sobre as doenças crônicas causadas por tais exposições. Neste sentido, entendo que as intoxicações por agrotóxicos devam ser compreendidas como mais um elemento da já conhecida violência no campo. Entretanto, trata-se agora de uma forma silenciosa de violência, perpetrada pelo capital internacional oligopolista. [...]. Trecho extraído do artigo científico Intoxicação e morte por agrotóxicos no Brasil: a nova versão do capitalismo oligopolizado (DataLuta, 2011), da geógrafa e professora Larissa Mies Bombardi. Já no seu artigo Agrotóxicos e agronegócio: arcaico e moderno se fundem no campo brasileiro (UA no Brasil, 2012), ela ressalta que: [...] Notadamente, percebe-se a subordinação da agricultura brasileira ao capital internacional. Arcaico e moderno se fundem: intoxicações, doenças e mortes, são o outro lado da moeda desta “moderna agricultura” que demanda toneladas de agrotóxicos produzidos com tecnologia de ponta, pelas maiores transnacionais do setor químico mundial [...]

 

UM LUGAR PARA VOCÊ E PARA MIM - [...] Eu correria a minha vida inteira para te alcançar; remaria pelo Atlântico e Pacífico; atravessaria a selva e o deserto para te encontrar; escalaria penhascos e cairia do céu para te resgatar. Qualquer coisa para estar perto de você. Qualquer maneira de dizer eu te amo. [...]. Trechos extraídos da obra A Place for You and Me (CreateSpace, 2009), da atriz e escritora estadunindense Heather Thomas, que ainda se expressa: Não vou tirar minhas roupas porque não acredito que seja necessário. Você pode ser sexy com suas roupas vestidas tão bem quanto pode ser tirando sua blusa. Na nossa sociedade, sabe, há pessoas que estão quebradas e seu cartaz está pendurado na prisão, e seu cartaz está pendurado na prisão, e seu cartaz está pendurado nas enfermarias, então, eu tive muitos perseguidores.

 

DOIS POEMAS - PIEDADE COM AS PALAVRAS - Piedade com as palavras penitentes \ Que morda sobre a almofada \ Quando as palavras caem como pedras \ Não te livrar que ele tem pecados \ como palavras desfocadas como recém-nascido \ De queimadura para mim, envergonha-te \ como palavras amargas que nunca \ um vestido decente \ para sair não domingo dá vida\ E também pela palavra vaga. \ Um vestido como cimento afundou nas águas escuro \ a palavra final sem sílabas e sem destinatário. ...UM VENTO - ...Um vento \ como a página virgem ainda\ ausente de palavras\ inchado de intactos temores\ de esperanças\ e de arrependimentos\ Vento que ignora que faz tempo\ que nascemos\ e ninguém ainda\ lhe perguntou se já não morremos\ Um vento que leva\ batendo em vão no rítmo cardíaco\ e no portão do sonho\ no invisível pó\ os instantes que nunca\ serão poema\ porque faltou a vítima porque faltou o resgate\ do poeta prometido em sua metáfora Vento\ do que só ficou órfã\ uma gota de lágrima\ na gema\ dos dedos\ para signar a face e condenar a língua\ Que levou\ – e você nem percebeu –\ até a última letra\ da palavra poema\ A vida foi metáfora \ que não encontrou seu verso. Poema da escritora, dramaturga, jornalista, escultora, ceramista e historiadora paraguaia Josefina Plá (Maria Josefina Teodora Plá Guerra Galvany – 1903-1999).

 

SACADOUTRAS

 

A UTOPIA – O sonho de se viver numa comunidade em que todos possam gozar dos mesmos direitos e das mesmas oportunidades, em paz e harmonia, é um sonho que virou narrativa de alguns dos proeminentes pensadores da humanidade no século XVII, a exemplo da A Cidade do Sol (1602) de Tommaso Campanella e do  Nova Atlântida (1624) de Francis Bacon. Antes desses dois, no séc. XVI surgiu A Utopia (De Optimo Reipublicae Statu deque Nova Insula Utopia, 1516), do advogado, escritor e diplomata inglês Thomas More ou Thomas Morus (1478-1535), é um deles que resistem até hoje semeando esses sonhos tidos por utópicos e no qual o autor descreveu um Estado imaginário numa ilha, cuja situação geográfica permite o comercio marítimo e facilita a defesa contra os inimigos. É uma Inglaterra ideal. A ordem social no livro baseia-se na família e prevê o serviço de trabalho, de todos, exceto de um grupo de homens dedicados aos estudos. Uma assembleia eleita governa a ilha, intervindo também nos assuntos econômicos, de tal maneira que se evitam os desequilíbrios sociais e se garante a igualdade dos cidadãos. O modelo da Utopia foi, evidentemente, o Estado ideal de Platão, numa versão renascentista. A ilha é inspirada, além da posição geográfica, pelas descobertas da época, influindo na observação das crescentes injustiças sociais da Inglaterra. A obra é a primeira utopia dos tempos modernos, tornando-se modelo de numerosas utopias dos séculos seguintes. Veja detalhes aqui

Imagem: Mulher na rede, do pintor, pesquisador, historiador e jornalista brasileiro nascido na Argentina, Carybé (1911-1997). Veja mais aqui.

Ouvindo o álbum Brasil com  S (Odeon, 1974) do maestro Rogério Duprat (1932-2006)


PARCEIRO DE ARTE E BIRITA – Tive a grata satisfação na vida de conhecer e privar da amizade dum sujeito bom e da melhor cepa: o poeta, artista plástico e ator catarinense Tchello D´Barros. Pense num sujeito bom! Artista dos bons, bom amigo, enfim, um cabra tão bom que se eu passasse embaixo de um arco-íris – e virasse mulher -, casava com ele. Sujeito do tipo que a gente pode dizer vamos juntos e na tuia. Tive a oportunidade de testemunhar sua arte e, mais ainda, de recolher o seu depoimento a respeito. Confira detalhes de tudo aqui, aqui aqui.

PSICOLOGIA CULTURALISTA - O psicólogo e médico psiquiatra austríaco Alfred Adler (1870-1937) introduziu a ideia básica da doutrina com a tendência do indivíduo para compensar o sentimento de inferioridade, reforçada por uma agressividade inata. A sua concepção original defende que muitos comportamentos normais e patológicos seriam tentativas, com êxito ou inadequadas, de resolver as frustrações desencadeadas por inferioridades físicas, que impedem os indivíduos de alcançar as suas finalidades. De acordo com ele, a criança, seguindo os instintos do ego, tenta impor-se e dominar. Vê malograda a sua tentativa diante das pressões do meio familiar e social, e passa a incubar um sentimento de inferioridade, forjando compensações, procurando um estado de equilíbrio. Se essa situação conflitual não se resolve através do desenvolvimento, o sentimento se cristaliza em complexo, e o indivíduo foge, refugiando-se na neurose. No esforço constante, porem, de compensar a sua inferioridade, o indivíduo pode acabar também ultrapassando o seu objetivo, o que levou o autor a entender que a reação à frustração pode conduzir a resultados de alto valor. Ele relacionou esse sentimento com o lado feminino do ser humano, qualificando a sua compensação de protesto masculino. Passou depois a interpretar esse processo psicológico em termos de vontade de poder, dentro do conceito de Nietzsche. Para ele, mesmo a relação sexual seria impedida não pelo instinto sexual e sim pela agressividade inata. Acrescenta ele que todos os valores nascem das necessidades da vida social, e a grande tarefa do educador ou assistente é o desenvolvimento da consciência de pertencer a uma comunidade, desde a infância, de maneira a harmonizar as exigências individuais da sociedade – cada um precisa reconhecer o seu dever de contribuir com os demais para o bem-estar da comunidade. Esse conceito de interesse social, como elemento essencial no desenvolvimento de uma personalidade sadia, constituiu a contribuição mais importante da psicologia individual no campo da pedagogia. Em seu livro intitulado "What Life Should Mean to You", Adler afirma: "É o indivíduo que não está interessado no seu semelhante quem tem as maiores dificuldades na vida e causa os maiores males aos outros. É entre tais indivíduos que se verificam todos os fracassos humanos". Veja mais detalhes a respeito aquiaqui.

A ESTRANHA HISTÓRIA DE OLIVER TWIST – Na minha segunda infância chegou às minhas mãos o livro A estranha história de Oliver Twist, do escritor inglês Charles Dickens (1812-1870), livro que tenho até hoje, sem capas e as primeiras folhas arrancadas, dando pra ver somente se tratar de uma edição Romano Torres duma coleção Obras escolhidas de autores escolhidos que meu pai me deu de presente na época. Um romance que relata as aventuras e desventuras do jovem órfão, Oliver Twist que perdeu sua mãe durante o parto numa casa de correção. Quando menino ele foi vítima de tratamento cruel profundo, envolveu-se ingenuamente com parceiros na criminalidade, foi capturado e suspeito de ser ladrão, tornando-se refém de um malfeitor que posteriormente é preso e condenado. Livrando-se dele, Oliver finalmente é adotado por Mr. Brownlow. A história toda aborda sobre a temática do fenômeno da delinquência. Esse livro foi adaptado para o cinema por David Lean, em 1948, e, depois, por Roman Polanski, em 2005. Um trecho do romance: A sorte de cada um dos personagens desta história está agora definida, e algumas linhas bastam ao narrador para acabar de contar o que se lhes refere. [...] E, agora, este que escreve estas linhas lamenta chegar ao termo da sua tarefa e desejaria continuar ainda o fio dessa história [...] se as almas dos mortos descem à terra para visitar os lugares consagrados pela afeição, a afeição que sobrevive à morte, a afeição daqueles que conheceram neste mundo, estou em crer que a sombra desta pobre rapariga vem muitas vezes pairar por sobre aquele recanto solene; estou convencido de que não é menos abençoado aquele canto por estar ali numa igreja e de que a pobre Agnes não passou de uma ovelha tresmalhada. Veja mais aquiaqui.

 
O BEIJO DA MULHER-ARANHA – Oriundo do romance homônimo do escritor argentino Manuel Puig (1932-1990), o filme O beijo da mulher-aranha (Kiss of the Spider Woman, 1985), adaptado por Leonard Schrader e dirigido pelo cineasta brasileiro nascido na Argentina, Hector Babenco, conta a história do prisioneiro politico de esquerda Valentin Arregui, interpretado por Raul Julia, e o homossexual Luís Molina, vivido pelo ator ingles William Hunt que ganhou o Oscar de melhor ator de 1985, vivendo numa sela na prisão brasileira. No elenco desse ótimo filme, também está, entre outros grandes atores, a sempre maravilhosa Sônia Braga, que interpreta a Leni Lamaison/Marta, a própria mulher-aranha. Nada mais justo que homenageá-la aqui na nossa campanha Todo dia é dia da mulher. Veja mais aquiaqui.


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