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quinta-feira, junho 10, 2021

GROTOWSKI, BIA LESSA, HELIA SCHEPPA, TEATRO & O ESPELHO DE WANG TU

 

 

TRIPTICO DQP – A vida segue adiante... - Ao som de Guinga Instrumental (2 Vls - Galeão, 2018), do compositor e músico Guinga. - Hoje dei de cara com um espelho que não era aquele que estava desde sempre afixado ali. Era outro e não era nada comum. Como foi parar ali, não sei. Como é que pode? Explico: este parecia ser de bronze, acho. Possuía, mais ou menos, umas oito polegadas de largura, com um suporte traseiro em forma de unicórnio agachado e, nos quatro cantos da parte anterior, havia lá figuras pintadas de quatro animais. Depois de muito rever, identifiquei: um dragão, uma fênix, um tigre e uma tartaruga. Isso mesmo. E mais: cada um desses animais estava cercado de oito diagramas que, por sua vez, estavam cercados pelos símbolos, ao que me parece, com certeza, das doze constelações do zodíaco. Tudo muito estranho. Virei e revirei. Na parte da frente dava para se ver vinte e quatro caracteres por mim não identificáveis, numa caligrafia de traços abruptos. Danou-se! Bote estranhice em tudo. Fui pesquisar, aqui e ali, vixe! Com o tempo identifiquei um a um dos diagramas: era do Yi-king, isso conforme acesso às publicações Yi-king – Le livre des transformations, um livro em capa dura que achei sem data e editora, traduzido pelo sinólogo e teólogo alemão Wilhelm Richard (1873-1930), e também um outro, Yi King: Les essentiels du bien-être (Grund, 2005), uma edição ilustrada realizada por Gary G. Melyan e Wen-kuang Chu. Repara só, estão pregando uma peça comigo, só sendo. A caligrafia só identifiquei ao me apossar de uma tuia de tomos e enciclopédias antigas, dando-me a constatação de se tratar do estilo Li-Chu, ou seja, do tempo de um certo imperador chinês lá dos anos 727-729 dC. Queimei noites e dias as pestanas e os neurônios de tanto encará-lo e percebi que, ao colocá-lo contra a luz, dava para distinguir que, contra a superfície metálica, havia desenhos no verso. Que é isso? Só faltei arrancar os cabelos, descobrindo, finalmente que eu estava diante do velho espelho de Wang Tu, um objeto estranho. Ah, tá. Sim, mas como foi parar ali? Não queiram nem saber: o que passei depois que dei fé dele, as coisas estranhas é que começaram mesmo a ocorrer ao meu redor. Primeiro foi uma aparição repentina do Saul Bellow para jogar, assim do nada, na minha cara: Ah, é uma praga, a vida que se exibe, uma verdadeira praga! Estamos numa época em que todos os ridículos filhos de Adão desejam evidenciar-se perante os outros, com todos os seus ditos espirituosos, esgares e tiques, toda a glória da fealdade auto-adorada, afirmando aos restantes - num transbordar de narcisismo que os outros interpretam como benevolência - 'Aqui estou para dar testemunho. Vim para lhes servir de exemplo'. Pobres espectros tontos! Fiquei mastigando aquilo na ideia e ao tentar expressar minha opinião a respeito do que dissera, não era mais ele ali, era a Bia Lessa mais que reveladora: Vivemos uma desconstrução. Valores fundamentais estão sendo derrubados. E sorriu diante da minha estupefação: Venha. E fui, claro.

 


Duas vezes sob a luz do palco... – Ao som do álbum Rosinha de Valença ao vivo (Forma, 1966), da compositora e violonista Rosinha de Valença (Maria Rosa Canellas – 1941-2004). – Ao sairmos, o que deveria ser a minha sala-estar, era agora um palco com atores e atrizes seminus, que passavam entre nós. Logo não mais a vi, estava perdido e procurando onde me amparar em qualquer lugar, para presenciar ao exercício laboratório, creio. Ouvia alguém gritar para eles algo como transluminescência, em que o impulso é ao mesmo tempo a reação. Curioso. Agucei a atenção, encostei num canto e fiquei intrigado acompanhando o movimento. De repente surgiu Jerzy Grotowski: O perigo e a sorte vão juntos. Não há grande classe se não diante do perigo. No momento do desafio aparece a ritmização das pulsões humanas. O ritual é um momento de grande intensidade. Intensidade provocada. A vida então se torna rítmica. O Performer sabe ligar o impulso corpóreo à sonoridade: o fluxo da vida deve articular-se em formas. Era uma lição do seu El performer – The Grotowski Sourcebook (Routledge, 1997), que eu estudara anos atrás, a respeito do exercício de conhecimento e transformação de si, apontando para o horizonte ético do trabalho de atuação, com base na Arte como Veículo, a relação entre a vida interior e a espiritual do ser humano, por meio de uma reflexão sobre o potencial da condição humana na perspectiva do comportamento orgânico – o Teatro Laboratório. Entendi que falava de interioridade na investigação e o acesso a diferentes estágios experienciais, como ato de transformação individual por meio de uma ação e do fazer, além de qualquer função espetacular e sem vender a alma: ofício e ética. Assim, para mim, era um momento iniciático, jamais arredaria o pé dali.

 


Três avisos: não só se vive de espelho... – Imagem: arte da premiada fotógrafa Helia Scheppa. - E não arredaria mesmo, não fosse eu me render ao cansaço e o sono. Se tudo foi real, me pareceu um sonho para lá de desejável, senão aprazível. É que ao despertar, ao meu lado estava o volume O teatro moderno em Pernambuco (Desa, 1966), do ator, crítico teatral, ensaísta e professor Joel Pontes (1926-1977), livro este que eu nunca havia posto os olhos em cima. Quem trouxera? Quem ali colocou? Mistério. Mas, pelo menos, gostei de ter esse volume às mãos, contando a história do Teatro do Estudante de Pernambuco (TEP) e do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), afora as atividades do autor como integrante do curso de Arte Dramática, da Escola de Belas Artes da UFPE, enfim a trajetória da atividade teatral pernambucana, analisando os principais grupos, amadores e profissionais, como o Grupo Gente Nossa (GGN), o Teatro Adolescente do Recife (TAR), o Teatro de Cultura Popular e (TCP) e o Teatro Popular do Nordeste (TPN). Além disso tudo, realiza um estudo introdutório e panorâmico dos dramaturgos pernambucanos mais expressivos, entre eles, Hermilo Borba Filho, Aldomar Conrado, Ariano Suassuna, Aristóteles Soares, Isaac Gondim Filho, José Carlos Cavalcanti Borges, Luiz Marinho e José de Moraes Pinho. Uma leitura assaz reveladora, principalmente por me dar a ciência de que ele também é autor de outras obras, como Ensaios do visitante (1970), contando da sua ida aos Estados Unidos, e O aprendiz de crítica – 2 volumes (1955-1960). Ampliei meus conhecimentos acerca das atividades teatrais no estado e guardei de bom grado entre os outros volumes que possuo da área em uma das minhas estantes. Mesmo não sabendo quem me presenteou tal volume, agradeço então à vida, a oportunidade de lê-lo. Até mais ver.

 

Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


segunda-feira, junho 11, 2018

RANCIÈRE, SECCHIN, DICKENS, VYGOTSKY, SOLVEIG NORDLUND, KSENIYA SYMONOVA, GUINGA & ANOUSHKA SHANKAR


CARTA AOS NAVEGANTES - Imagem: arte da artista performática ucraniana Kseniya Symonova. - Salve, salve! Venham todos e todas, vamos aprumar a conversa com o radiante convite solar para esse espetacular amanhecer: os dias por rotas marítimas ou noites por trilhas florestais, eu cá comigo, sejam sempre bem-vindos, meus beijabrações por recepção. Se não querem falar, podem passar, sou saudação sincera e não seleciono afetos, o mundo é tão barulhento, precisamos mesmo de silêncio por algumas horas ou minutos, pode ser, se chover ou estiar, estiver sol ou nublado, quem sabe. Oh, não se sintam ofendidos, entendo a frieza da indiferença e os tantos percalços, nada pro desespero, seja o que possa ser, a vida é curta e boa demais pra saber da lição do doce e do fel, do quente ou gelado, do claroscuro, das intenções e simulacros. Não me rendo ao desapontamento, há muito por fazer. Não fossem as dolorosas, não saberia jamais remover falhas, entulhos, detritos e lama, fizeram dos escombros o meu eterno retorno. Se eu tive que deixar pra trás é porque descobri o quão valioso pode não ser mais amanhã. Na horagá, vale o aprendido pra quebrar bitolas e estreitamentos, redomas de formas e moldes, restrições que foram pro indefinido ampliado, da supressão pro desconforme, dos apertados limites rompidos na vivência do caos primevo indesejável, o desencaixe de velhos e todos os conceitos por outros que vão e vêm na cristalização dissolvida do sólido que se desfez aos farelos da rejeição pro aceite. Ah, nada demais, refiz das cinzas a explorar outros modos, quaisquer maneiras e todos os lugares: tudo muda de onde o inaceitável, a lapidação da pedra bruta pra perder o orgulho inflado e oracular, fazer bem feito sem a neurose da perfeição, por saber-me tão frágil entre dúvidas e escolhas: se não está certo é porque nada está totalmente errado, ou vice-versa. Tenho comigo a fertilização do riso pelo que é tão maravilhoso na Natureza, como ao abominável e aparentemente feio, sempre o exercício do perdão - quem não perdoa, sei não. Aindagora esqueci o passado, quase fruto que brotou pro maduro e me vi trezentos e sessenta graus do que não sei sobrevivente: a mão nua e terna para o que vier do desconhecido e facas de dois gumes; a face serena pras surpresas de agora e crástino, como pras tapas e cuspidas; olhos atentos para tudo, sobretudo o visinvisível e o ignoto; as costas pra deixar pra trás o que passou, como pras punhaladas e desaforos; os braços aos abraços e pros indestrutíveis e delatores obstáculos; as pernas pros inalcançáveis e transcendentes confins do mundo, com os pés firmes e descalços sobre lâminas afiadas. Aceito a mim próprio e sou plena mudança a todo instante. Quem dera pudesse o dia pra tarde aprender na noite a lição de cada manhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista e compositor Guinga: Canção da impermanência, Roendopinho & Porto da madama; da instrumentista e compositora britânica Anoushka Shankar: Land of Gold live at Glastonbury, Traveller Live Festival al Les Nuits de Fourviere France & Essemble Berlin; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. 

PENSAMENTO DO DIA – [...] Toda comunidade política é também uma comunidade estética dada a ‘partilha do sensível’ previamente estabelecida, do que é visível, do que pode ser dito e feito. Falamos, portanto, sobre política da estética. [...]. Trecho extraído da obra A partilha do sensível: estética e política (34, 2005), do filósofo e professor francês Jacques Rancière. Veja mais aqui e aqui.

EDUCAÇÃO & DESENVOLVIMENTO – [...] as tentativas que levou a cabo para separar cuidadosamente os produtos do desenvolvimento dos da instrução, pressupondo que assim poderia isolá-los na sua forma pura. Nenhum investigador o conseguiu até hoje. Geralmente atribuem-se as culpas destes fracassos à inadequação dos métodos, compensando-se os mesmos fracassos com um redobrar das análises especulativas. Estes esforços para dividir o equipamento intelectual das crianças em duas categorias podem ir a par com a noção de que o desenvolvimento pode seguir o seu curso normal e atingir um nível elevado sem o concurso da instrução — e que até as crianças que nunca foram à escola podem desenvolver as formas de pensamento mais elevadas e acessíveis aos seres humanos. [...]. Trecho extraído da obra O desenvolvimento dos conceitos científicos na infância (Pensamento e linguagem, 2011), do cientista e psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934), que noutra obra Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem (Ícone, 2010), expressa que: [...] A aprendizagem não é em si mesma, desenvolvimento, mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento, e esta ativação não poderia produzir-se em aprendizagem. Por isso, a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais, mas formadas historicamente. [...]. Veja mais aqui.

DUAS CIDADES – [...] Como as emoções mais profundas se expressam no rosto, não importa atrás de que máscara se esconda, assim a palidez gerada por sua situação vencia o bronzeado da face, revelando ser a alma mais forte do que o sol. De resto, ele se mostrava inteiramente senhor de si. Curvou-se perante o juiz e permaneceu ereto e silencioso. O interesse com o qual esse homem era contemplado e bafejado não era da espécie que eleva a humanidade. Estivesse ele sob a ameaça de uma sentença menos tenebrosa, houvesse a possibilidade de algum daqueles detalhes selvagens ser dispensado, apenas por isso teria perdido muito de seu fascínio. A figura que estava destinada a ser mutilada de maneira tão infamante era A Visão; a criatura imortal que seria abatida e esquartejada fornecia a sensação. Qualquer que fosse o verniz com que os vários espectadores procuravam encobrir o seu interesse, de acordo com a capacidade que tinham de enganar a si próprios, esse interesse era, em sua raiz, digna dos ogros. [...]. Trecho extraído de Um conto de duas cidades (Nova Cultural, 2002), do escritor inglês Charles Dickens (1812-1870). Veja mais aqui.

TRÊS POEMAS - AUTORRETRATO - Um poeta nunca sabe / onde sua voz termina, / se é dele de fato a voz / que no seu nome se assina. / Nem sabe se a vida alheia / é seu pasto de rapina, / ou se o outro é que lhe invade, / numa voragem assassina. / Nenhum poeta conhece / esse motor que maquina / a explosão da coisa escrita / contra a crosta da rotina./ Entender inteiro o poeta / é bem malsinada sina: / quando o supomos em cena, / já vai sumindo na esquina, / entrando na contramão / do que o bom senso lhe ensina. / Por sob a zona da sombra, / navega em meio à neblina. / Sabe que nasce do escuro / a poesia que o ilumina. CONFESSIONÁRIO - Não posso dar-me em espetáculo. / A plateia toda fugiria / antes mesmo do segundo ato. / Um ator perplexo misturaria / versos, versões e fatos. / E um crítico, maldizendo a sua sina, / rosnaria feroz / contra minha verve / sibilina. RECEITA DE POEMA - Um poema que desaparecesse / à medida que fosse nascendo, / e que dele nada então restasse / senão o silêncio de estar não sendo. / Que nele apenas ecoasse / o som do vazio mais pleno. / E depois que tudo matasse / morresse do próprio veneno. Poemas do poeta, ensaísta, critico literário, professor, editor da revista Poesia Sempre da Fundação Biblioteca Nacional e membro da Academia Brasileira de Letas, Antonio Carlos Secchin. Veja mais aqui e aqui.

O ESPELHO LENTO
O filme O espelho lento (The Slow Mirror, 2009), da cineasta suíça naturalizada portuguesa, Solveig Nordlund, conta a história de uma mulher e sua filha gravemente doente, com a descoberta de um espelho invulgar que guarda por anos o reflexo, adquirindo-o como prenda para sua filha: o espelho vai modificar suas vidas, uma porta aberta para o passado. No elenco, destaque para atuação das atrizes Gracinda Nave & Marta Peneda. Veja mais aqui.


O livro Ave sólida, de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da  artista performática ucraniana Kseniya Symonova.
Veja mais aqui.
&
A vida, seres & coisas, o pensamento de Erich Fromm & Edith Wharton, a poesia de Goethe & Dylan Thomas, a arte de Alexandra Gorczynski, a música de Wanderléa, Paulo Diniz & Juareiz Correya aqui.


sábado, junho 11, 2016

SINCLAIR LEWIS, CONFÚCIO, GUINGA, LAERTE COUTINHO, IDA ZAMI, FORTALEZA, HQ & LINGUÍSTICA


NA VOLTA DA JUREMA – O céu azul de nenhuma nuvem na manhã ensolarada e eu a me perder muitas vezes até me desencontrar por inteiro muito mais vivo que nunca e de verdade no meio de um sonho que eu não queria acordar, só sei que vivo plena e tão completamente com a urgência em dia e pronto pro que viesse. Em cada rua eu era mais que transeunte, o peito aberto no asfalto da avenida que ia dar onde eu quisesse nos ventos que vinham de Mucuripe, que me levou pra Iracema e lá havia um mundo muito maior do que eu pudesse imaginar. Em cada esquina a música na cabeça do trio poético – Fagner, Ednardo, Belchior & todo o Pessoal do Ceará -, e a minha voz nos meus pés alados até o esbaldar na cachaçada da Barra do Ceará, a água subindo e a gente tendo de ir embora com tudo inudado e eu pendurado no ar para voar à Praia do Futuro onde eu vi que o amanhã é mais que agora e eu não tinha onde ficar entre a brisa e a Xuxinha linda surda-muda que queria fazer striptease pro meu prazer e a garota de programa dos 200 dólares que eu não tinha a me dá o que a rua oferecia, enquanto a cabeça rodava no voo com Baby Consuelo, na entrevista com Belchior, no bate papo com Betinho – Herbert de Souza, o irmão do Henfil – no hall do hotel, ah, quantos versos rabisquei fitando o mar da janela do quarto de hotel, uma semana que quase durou apenas nem um dia e passou rápido demais, perdendo a hora e a noção do tempo, só me dando conta de tudo quando cheguei em casa, desfiz a mala e voltei de cara pra vida de sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: arte da artista plástica, professora, curadora e escritora Ida Zami.

 Curtindo o álbum Roendopinho (Acoustic Music Records, 2014) do músico e compositor Guinga. Veja mais aqui.

PESQUISA
Semiologia e comunicação linguística (Cultrix, 1982), do linguista belga Eric Buyssens (1910-2000), estuda os sistemas de comunicação geral e tratando na primeira parte sobre semiologia e na segunda parte sobre linguística. Veja mais aqui.

LEITURA 
Arrowsmith (Harcourt, 1931 – Prêmio Pulitzer, 1926), do escritor estadunidense e prêmio Nobel de Literatura de 1930, Sinclair Lewis (1885-1930), contando a história de um brilhante médico e cientista que se vê enfrentando uma praga quando ocorre a morte de sua morte e ele perde o controle de si mesmo e de seus princípios. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA: AS PALAVRAS SÁBIAS DE CONFÚCIO
- Quais são para ti, os três requisitos do governo perfeito? – perguntou-lhe certa vez um príncipe, em tom de chocarreira condescendência. –Bastantes provisões, tropas suficientes, e confiança popular. – E supondo que não se pudesse ter esses três fatores, - continuou o príncipe, - qual deles sacrificarias? – Primeiro, as tropas. Depois, as provisões. Mas nunca sacrificaria a confiança do povo. Sem confiança, um governo não se mantém. Outro régulo lhe perguntou: - Não deve o príncipe estimar a coragem acima de tudo? O sábio respondeu: - Deve colocar a probidade em primeiro lugar. O homem poderoso que tem coragem sem probidade é uma ameaça para o Estado; o homem comum que tem coragem sem probidade não é mais que um bandido.
Trecho extraído do livro O pensamento vivo de Confúcio (551aC-478aC), de Alfred Doeblin (Martins, 1942). Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
A vida na manhã ensolarada de nenhuma nuvem. (LAM)
Na Volta da Jurema – Bairro Meireles – Fortaleza – CE.

Veja mais sobre Friedrich Nietzsche, Fortuna, Arthur Schopenhauer, Yasunari Kawabata, Geraldo Carneiro, Francisco Brennand, Richard Strauss, Peter Paul Rubens, Eurípedes, John Constable, Arte-terapia & Mae West aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
As heroínas do HQ
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
A arte do cartunista Laerte Coutinho.
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.


sábado, junho 13, 2015

PESSOA, VYGOTSKY, GUINGA, SHAKTISANGAMA, BLASBAND, SEGALL & LUCIANO FREIRE.


ANIVERSÁRIO – No livro O eu profundos e os outros eus (Nova Fronteira, 1980), do poeta e filósofo português Fernando Pessoa (1888-1935), encontro a seção Fernando Pessoa, o outro – Ficções do interlúdio -, em que destaco o poema Aniversário no heterônimo Álvaro de Campos: No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos, / Eu era feliz e ninguém estava morto. / Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, / E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer. / No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos, / Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma, / De ser inteligente para entre a família, / E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. / Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. / Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. / Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, / O que fui de coração e parentesco. / O que fui de serões de meia-província, / O que fui de amarem-me e eu ser menino, / O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... / A que distância!... / (Nem o acho...) / O tempo em que festejavam o dia dos meus anos! / O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa, / Pondo grelado nas paredes... / O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), / O que eu sou hoje é terem vendido a casa, / É terem morrido todos, / estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio... / No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... / Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! / Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, / Por uma viagem metafísica e carnal, / Com uma dualidade de eu para mim... / Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes! / Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... / A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, / O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —, / As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, / No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... / Pára, meu coração! / Não penses! Deixa o pensar na cabeça! / Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus! / Hoje já não faço anos. / Duro. Somam-se-me dias. / Serei velho quando o for. / Mais nada. / Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!... / O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!... Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Perfume dos campos (1899), óleo sobre tela -, do pintor português Luciano Freire (1864-1935).

Curtindo o álbum Rasgando seda (2012), do músico e compositor Guinga com o Quinteto Villa-Lobos.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? - (Arte de Meimei Corrêa) - Quando compus a canção Serenar era mil novecentos e oitenta e pouco. Não lembro. Sei que foi ou em meados da década de oitenta, ou um pouco mais já na segunda metade desses anos. Sei que foram dias e dias, varei noites, meses, pelejando na canção e outros tantos depois da melodia quase pronta, para trabalhar a letra. Acredito que chegou a um semestre inteiro ou mais, acho. Sei que foi demorado, parto que só rebentou mesmo depois de meses de gestação. Abandonei várias vezes, mas a música insistia. E insistente invadia meus sonhos, roubava a atenção no trabalho, surgia nas horas mais imprevistas, até mesmo quando não tinha caneta, nem violão, nem gravador, nem nada. Ficava batucando na cabeça, contando compasso para não esquecer. Ficou atravessada na garganta e só rebentou inteira na última hora, quando eu estava prestes a abandoná-la. Era a última tentativa de fechá-la, quando desisti, saiu inteira. Pronta. E ficou nisso: Ah! O amor brotou de mim como se fora a flor de lis. Fiz e refiz e nem se serenou, logrou a dor em certos sonhos infantis. Ah! O amor, predestinado a ser eterno aprendiz, seguiu no triz e nem se revelou e arrumou o que de breve nem se quis. Chegou de dentro como chama de vulcão, queimou com força e fez a vez do coração. E nem sequer sabia onde encontrar você. O amor fez a loucura dominar a solidão, me diz que não a ilusão não vai mandar e vai me dar um sim até não ter mais fim. Chegou de dentro como chama de vulcão, queimou com força e fez a vez do coração. E nem sequer sabia onde encontrar você pra me iluminar até que o mar seja comigo agora, não vejo a hora de poder tocar na sua mão. Toda emoção pra se valer precisa ter o dom da vida, vida vivida pelo coração (Serenar, letra & música de Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui e aqui.

CULTO DA FEMINILIDADE – O livro Tantra: o culto da feminilidade – outra visão da vida e do sexo (Summus, 1994), do escritor e professor de yoga belga André Van Lysebeth (10 de outubro de 1919 - 28 de janeiro de 2004), trata sobre a viagem imaginária, uma Atlântida esquecida, a fábula do bom ariano, a impostura ariana, a primeira cidade tântrica, as castas: mistura explosiva, a Índia bramânica obcecada sexual, a visão tântrica, a outra visão do sexo, mitos e símbolos, o ritual tântrico, o domínio sexual, a filosofia tântrica, tempo profano e tempo sagrado, o overmind, a morte é a vida, a mulher, Zohar, Cabala, banho de sol cósmico, quando o sexo vira problema, uma educação sexual a realizar, a mulher campeã erótica, o yantra e o dínamo psíquico, Shiva, Shakti, todas as mulheres são deusas, musculação do yoni, o orgasmo masculino, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho A mulher, seu culto e seu mistério, que começa com uma epígrafe do Shaktisangama-Tantra II, 52: A Mulher cria o universo, ela é o próprio corpo desse universo. A Mulher é o suporte dos três mundos, ela é a essência de nosso corpo. Não há outra felicidade senão aquela proporcionada pela Mulher.  Não outro caminho senão aquele que a Mulher pode abrir para nós. Nunca houve e nunca haverá, nem ontem, nem agora, nem amanhã, outra ventura senão a Mulher; nem reino, nem peregrinação, nem yoga, nem prece, nem fórmula mágica (mantra), nem ascese, nem plenitude além daquela prodigalizada pela Mulher. [...] Toda mulher é Shakti: Deusa-mãe, iniciadora, origem de toda vida, fonte de prazer, caminho para a transcendência: a mulher e seu mistério são o coração do tantra, são a essência de sua mensagem mulher. [...] De fato, o tantrismo se resume ao acesso aos aspectos abissais da Mulher, ocultos na mulher real, comum. O Kaulâvali-Tantra diz: É preciso prosternar-se diante de qualquer mulher, seja ela moça, no esplendor juvenil, seja velha; seja bela ou feia, boa ou má. Nunca se deve enganá-la, caluniá-la nem fazer-lhe mal, nunca bater-lhe. Esses atos tornam qualquer siddhi (realização) impossível [...]. Veja mais aquiaqui e aqui.

PSICOLOGIA SOCIAL: SUBJETIVIDADE E CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO – O livro Subjetividade e constituição do sujeito em Vygotsky (Vozes, 2000), da professora, pesquisadora e doutora em Psicologia Social da Furg, Susana Inês Molon, trata da teoria do cientista e pensamento bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934) como desbravadora de fronteiras ontológicas e epistemológicas, a introdução dessa teoria na psicologia, a crise metodológica da psicologia à criação de uma psicologia social, as concepções sobre a constituição do sujeito, a subjetividade e o sujeito na construção do conceito de consciência e na definição da relação constitutiva eu-outro, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho introdutório: O resgate da teoria vygotskyana vem sendo realizado nas diversas áreas do conhecimento. Inúmeras reflexões são feitas tanto em publicações quanto em eventos científicos. O crescente interesse pelo autor, criador do enfoque sócio-histórico, advem, principalmente, da sua proposta de historicidade do homem e dos processos psicológicos. Atualmente, muitos pesquisadores estão revendo sua obra, construindo novos questionamentos e fazendo outras sínteses na busca de sistematizações de conceitos a partir de seus princípios e categorias fundamentais. Devido ao caráter inacabado de sua obra – em razão de sua morte prematura -, à riqueza e à complexidade das temáticas e à escassez de publicações, sua teoria possibilita diferentes apropriações e diversas polêmicas estão emergindo. Dentre as temáticas emergentes estão a subjetividade e a constituição do sujeito. A palavra subjetividade é imediatamente associada à psicologia, tanto no senso comum quanto nas produções científicas, aparecendo nos mais diversos contextos e apresentando vários significados. As temáticas do sujeito e da subjetividade surgiram com a ciência moderna e suas emergências estiveram vinculadas às condições que propiciaram o desenvolvimento das ciências sociais e humanas, da psicologia, em especial [...]. Veja mais aquiaquiaqui e aqui.

UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA – Tudo começa com o texto Une liaison pornographique, do escritor e cineasta iraniano radicado franco-belga Philippe Blasband que, em 1999, tornou-se um drama romântico no cinema com direção do cineasta belga Frédéric Fonteyne, contando a história de um homem e uma mulher que se encontram num café a partir de um anúncio de jornal para realizar uma fantasia sexual. Eles demonstram o medo de se entregar num relacionamento, porém seguem para o hotel e, depois da experiência, passam a se encontrar regulamente. Ambos não sabem nada acerca um do outro, deixando claro que o proposito deles é meramente realizar todas as suas fantasias. A partir disso emergem sentimentos e afinadas, surgindo indagações e um relacionamento vai se acentuando além do envolvimento sexual. O próprio autor depois adaptou o texto para o teatro que, inclusive, ganhou os palcos brasileiros – Uma relação pornográfica -, com direção Victor Garcia Peralta e no elenco Guilherme Leme e Ana Beatriz Nogueira. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Gravura do pintor, escultor e gravurista judeu brasileiro nascido na Lituânia, Lasar Segall (1891-1957).

TODO DIA É DIA DOS NAMORADOS!!!!!
Confira aqui. (Imagem: xilogravura A noite do namoro, de Manassés Borges).


Veja mais sobre:
Cantarau Tataritaritatá, O teatro pobre de Jerzy Grotowski, 1919 de John dos Passos, Estética teatral de José Oliveira Barata, a coreografia de Xavier Le Roy, a música de Carlos Careqa, a pintura de Alex Mortensen & a arte de Vesselin Vassilev aqui.

E mais:
Vamos aprumar a conversa: a culpa é da Dilma, Sermão do bom ladrão de Padre Antônio Vieira, Amargura de mulher de Henriqueta Lisboa, O projeto Atman de Ken Wilber, a música de Heitor Villa-Lobos & María Luisa Tamez, Prometeu acorrentado de Ésquilo, o cinema de Abbas Kiarostami & Juliette Binoche, a pintura de Peter Paul Rubens, a arte de Ekaterina Mortensen & Alex Toth aqui.
A literatura de Antoine de Saint-Exupéry, a música de Aarre Merikanto & Colin Hay & Cris Braun, a pintura de Paul Klee & Clóvis Graciano aqui.
Três poemetos da festa de amor pra ela: Festa, Essa carne & Viagem aqui.
A Lei de Responsabilidade Fiscal, Projeto Justiça à Poesia & Simone Moura Mendes aqui.
Brincarte do Nitolino, Condição humana de Norbert Elias, a poesia de Alexander Pushkin, O lugar do outro de Jean-Luc Lagarce, o cinema de Antonio Carlos da Fontoura & Flávia Alessandra, a pintura de Paul Gauguin, a arte de Luis Fernando Veríssimo, Luiza Curvo & a música de Eduardo Camenietzki aqui.
Vamos aprumar a conversa: Segunda feira, As consequências da modernidade de Anthony Giddens, Memórias de Adriano de Marguerite de Yourcenar, a música de Robert Schumann, Fedra de Jean Racine, o cinema de Arnaldo Jabor & Sônia Braga, a pintura de Francisco Ribalta & a arte de Ary Spoelstra aqui.
O teatro de William Shakespeare, Alice no país do quantum de Robert Gilmore, O fio & as missangas de Mia Couto, Paixão & autobiografia de Patricia Galvão, a música de Carl Otto Nicolai, o cinema de Richard Eyre & Jean Iris Murdoch, a pintura de David Scott, a arte de Adriano Kitani & Programa Tataritaritatá aqui.
Freyaravi & o circo dos prazeres, Cultura do consumo & pós-modernismo de Mike Featherstone, Contos brasileiros de Julieta de Godoy Ladeira, Kama sutra de Vātsyāyana, a fotografia de Ralf Mohr, Humanitarian Projects, a música de Marisa Monte, a pintura de Crystal Barbre & a arte de Luciah Lopez aqui.
Lualmaluz, Técnica & ideologia de Jürgen Habermas, De segunda a um ano de John Cage, História da literatura brasileira de Nelson Werneck Sodré, A balsa da Medusa, a escultura de George Kurjanowicz, a música de Sally Seltmann, a pintura de Théodore Géricault & Moisés Finalé, a arte de Marni Kotak & Luciah Lopez aqui.
Quando tudo é manhã do dia pra noite, Agonia da noite de Jorge Amado, a música de George Bizet & Adriana Damato, Folclore musical de Wagner Ribeiro, a pintura de Aleksandr Fayvisovich & Bryan Thompson, Posthuman bodies de Halbertam & Livingstone, a fotografia de Christian Coigny, a arte de Mirai Mizue & Luciah Lopez aqui.
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