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segunda-feira, junho 13, 2016

LEONARD COHEN, YEATS, VYGOTSKY, PLATÃO, PAOLO SORRENTINO, SZANKOWSKI & CAROLYNE




A VIDA DUPLA DE CAROLYNE & SUA CHEBA BEIÇUDA – (Imagem recolhida do World Erotic Art Museum - WEAM) – Carolyne nasceu pobre de Jó e Maria Zefinha da Conceição, logo apelidada Maria Priquitão, razões pelas quais odiava sua vida. Entre brincadeiras e desgostos, ela cresceu e na adolescência resolveu mudar de tudo. A primeira paixão, o espelho; a segunda, o estojo de maquiagem; a terceira, o sutiã e os sapatos. Mudou de cara, cabelo, jeito e nome, não escapando de ser tratada às escondidas pelo codinome de nascença. Enrabichou-se por Tibonho, um vistoso curau que era enrolado de amores por uma bunduda doutro quarteirão, mais velho que ela e que passava amontado numa lambreta arrepiando corações. A coisa ficou mais braba quando, certo dia, o rapaz foi fazer uns serviços nos caibros de sua residência; no intervalo, ele foi mijar nas capoeiras e ela estava escondida numa grota. Aí, viu o membro avantajado do rapaz. É certo que ela não tinha lá discernimento ainda para ligar uma coisa à outra, se é que vocês me entendem. Assim, enquanto ela delirava de paixonite aguda por ele, o cabra nem seu silva de dar bola pra ela. Na mais completa desilusão sentimental, eis que lhe aparece Biuzinho, filho do então agiota e próspero comerciante, Biu Bregueço, que se engraçou para suas bandas. Sabida, segurou o promissor filho de novo rico na rédea curta até conseguir o que queria. Enquanto ela se embonecava as custas do namorico com cara de noivado às pressas e quase certo, o lerdo enamorado só queria ter acesso aos seus guardados, levado pelas cochichadas apimentadas sobre as suas partes pudedas. – Meu filho, espie só: aqui, só se vê a cor quando casar! -, dizia ela, enquanto ele enlouquecia com o jogo duro dela. Daí, encheu-a de presentes e de todas as manhas e dengos que mais envaidecem as mulheres, tendo sido, estranhamente, convocado a bancar, inclusive, uma consulta dela ao ginecologista, um certo médico afamado e de óculos fundo de garrafa e que, para ele, era bastante careiro. – Exigências de mulher, caprichos só! -, pensava o apaixonado. Depois de muita pacutia, ele conseguu levá-la ao profissional: - Doutor, quero que o senhor dê um jeito no meu priquito que é feio demais. Quando o médico foi conferir e que viu a intimidade da moça, disse para si espantado: - Nossa, essa é pior que a Pingueluda! Isso é um exagero da natureza! E ela: - Que foi, doutor? Tenho jeito? Minha filha, mulher com um negócio desse devia de ser muito feliz, porque se trata do sonho de qualquer cabra macho ter frente um bicho desse jeito! E com isso tentou convencê-la a não se submeter à cirurgia de estética vaginal. – Ah, doutor, incomoda, eu tenho que enrolá-lo pra caber na calcinha. Pudera, minha filha, quer vestir calcinha menor que seu manequim, ora! E enquanto conversavam a respeito, o doutor ficou pensando que para dar vencimento a um priquitão daquele só o Zé Corninho que tinha um prativai duns trinta centímetros. Mas, a vaidade falou mais alto e pediu logo orçamento pra intervenção cirúrgica, ficando acertado um determinado valor avultado para o desembeiçamento da cheba. Quando ela disse pro Biuzinho, o cara bufou: - Eita priquito caro da porra! Mas não deu outra, no dia aprazado, lá estava perna aberta aos cuidados médicos. Três meses depois, estavam marcando casamento. Ela feliz da vida, alcançava o que queria. Um ano e meio depois, devidamente casada de papel passado no cartório e em cerimônia ruidosa na igreja da matriz, ela era agora membro da família invejada dos Bregueços. O pai logo após o casório, encostou-se no filho e cochichou: - Hoje você vai ver o maior priquitão da história! Depois conta pra gente. Assim ia a vida, quando ela começou a desgostar do marido: ele não chegava junto, batia uma punheta e saía fora. Quando ela insistia no rala-e-rola, ele caiava. Por conta disso, ela resolveu ter a sua satisfação: comprar o passe do Tibonho sob o argumento de que era um primo de terceiro grau e eunuco. – Como? -, asseverou o marido: - Ora, se dizem que ele é o cara mais pimbudo da região e amasiado com Dora Bunduda! Nada, ele perdeu os colhões num acidente, só tem o membro grande e inútil. Como sempre, ela conseguiu, sabe-se lá por artes femininas que se conta, a anuência do marido e convocou o rapaz dos sonhos de infância para fazer serviços domésticos. Não demorou muito pros dois se arrocharem no maior chamegado, todavia, devido uma transação impensada do velho Bregueço na aventura de comprar uma usina de cana-de-açúcar, a fortuna dele foi pro ralo e com ele a beleza de Biuzinho com todo aparato de vida boa dela. Contudo, não menos atinada, ela conseguiu ainda esconder uns trocados no mealheiro, saindo-se ilesa do casamento e dos acochos de Tibonho para ganhar uma vida quase tranquila como funcionária pública da previdência social, por meio de concurso púbico prestado. Independente, como não deve satisfação alguma a seu ninguém, ela descobriu que todos os homens calçam quarenta e que só servem pra furunfar e fazer raiva. Por isso, sempre na dela e sem muito esforço, satisfaz-se aqui e ali com quem lhe cai na graça, o que é muito bem feito. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui.

Imagem: Nude, do pintor polonês Boleslaw von Szankowski (1873-1953).

Curtindo o álbum New Skin for the Old Ceremony (Columbia Records, 1974), do cantor, compositor e escritor canadense Leonard Cohen.

PESQUISA
Psicologia da arte (Martins Fontes, 1999), do psicólogo e cientista bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934), tratando acerca da psicologia e teoria marxista da arte e as leis da dupla expressão das emoções e do menor esforço, as teorias do contágio, do tom emocional e da empatia, entre outros assuntos atinentes à arte e pegagogia, sentido social e vida, entre outros assuntos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
Poemas (Companhia das Letras, 1998), do poeta, dramaturgo e místico irlandês William Butler Yeats (1865-1939).

PENSAMENTO DO DIA: 
Imagem: The School of Athens, do artista plástico italiano Raphael Sanzio (1483-1520) - Vatican Museums.
A REPÚBLICA DE PLATÃO
[...] A enfermidade física, como a enfermidade moral, é devida à ignorância. Uma educação adequada eliminará as doenças em larga escola. Aos que, entretam, se encontram incuravelmente doentes, deve-se peritir, misericordiosamente, que morram. Porque uma morte rápida é preferível a uma longa enfermidade. [...] Os advogados são um mal desnecessário. Onde há conhecimento não há possibilidade de litígios. As leis que governam o povo são pouco numerosas e de fácil interpretação, pois os dirigentes do Estado sabem que cada lei nova traz em si a semente de uma nova classe de contraventores. Esses dirigentes ensinam os cidadãos a governarem-se a si mesmos, de sorte que a necessidade de policiá-los se reduz ao mínimo [...].
Trecho extraído de A República, do filósofo e matemático grego Platão (428/427 Atenas – 349/347 a.C.). Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Cena do premiado filme The Great Beauty (A grande beleza, 2012), dirigido por Paolo Sorrentino, contando a história de um escritor que reflete sobre sua vida depois do grande sucesso do seu romance “O aparelho humano” e de não ter concluído mais nenhum outro livro, vivendo de luxos e privilégios da alta sociedade.

Veja mais sobre Serenar na Crônica de Amor por Ela, Fernando Pessoa, André Van Lysebeth, Lev Vygotsky, Guinga, Philippe Blasband, Lasar Segall, Ana Beatriz Nogueira, Manassés Borges & Luciano Freire aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Imagens em exposição no World Erotic Art Museum (WEAM), localizado no distrito Art Deco, em Miami (USA), com esculturas, desenhos, pinturas e fotografias no museu e biblioteca com acervo de Rembrandt, Picasso, Salvador Dalí, Botero, entre outros, voltadas para educação e história da arte erótica.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Recital Musical Tataritaritatá.
Veja aqui.

terça-feira, novembro 17, 2015

VYGOTSKY, SHAKESPEARE, RACHEL, LEDO IVO, COREA & GULDA, GODARD, RODIN & BRONZINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? TEM HORAS QUE ATÉ O AMOR FALA GREGO – No começo tudo é como a poesia de Dáfnis à Cloe: o eflúvio das almas gêmeas. Ou como conta Ovídio nas Metamorfoses, da harmonia de Filêmon e Báucis que findam, ele como um carvalho e ela como uma liana que o envolve desde o tronco até a fronde. É a hora em que Eros e Psiquê estão unos e tudo não é só mar de rosa como às mil maravilhas. Tudo tem graça, tudo é lindo de se ver. Os corações apaixonados se embalam de nada perturbar a paz de quem está amando. É como a história de amor do jovem caçador Alfeu que se enamora pela ninfa Aretusa, quando ela se esquiva dele por ser humano, fugindo para a ilha da Ortígia, na costa da Sicília. Ele, por sua vez, se converte num rio da Arcádia, indo desaguar no Peloponeso. Transformado em rio, ele persegue sua amada por baixo do mar e, alcançando-a, eles se enlaçam para sempre numa fonte. Ou como Pigmaleão e Galatéia. Ele, um escultor de extraordinário talento e que, além de artista, era misógino. Até que um dia, repulsando mulheres de carne e osso, resolveu talhar no mármore as formas de uma criatura que seria um modelo de perfeição, em suas linhas puras. A estátua era a de Afrodite. Ele apaixonou-se pela própria figura que modelara, conseguindo, graças às suas ardentes preces, que Zeus lhe infundisse vida, casando-se com ela. O amor é lindo. Porém, finito na vida, ou como diz Vinicius: infinito enquanto dure. Com o passar do tempo, aí é que de uma hora pra outra, vira Alceste e Don Juan, quando não se leva nos sonhos de Madame Bovary feita de Xantipa. Aí é a hora em que Hércules se torna escravo da paixão por Onfália. Mutatis mutandi. O tempo cuida e o que era etéreo não se mostra tão puro assim. É como Eco que amava Narciso que amava a si próprio. Ou Carolina que não viu nem os versos nem o tempo que passou no coração do poeta. Ou Abelardo que amou Helena e a sua maldição. Tem aqueles que se dão como o desfecho de Jasão e Medeia, ou Kriemhild e Siegfried, ou Lohengrin e Elsa, ou mesmo Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Píramo e Tisbe, ou, ainda, o fim de Paulo e Virgínia na narrativa de Bernardim de Saint-Pierre. Aí nem mel, nem cabaça. Vixe, quanta tragédia! Também outros em que o umbigo fala mais alto, haja capricho e incompreensão. Dois bicudos que se amam, mas não se beijam. E levam tudo na imposição: ou isso ou aquilo. Que bicho foi que mordeu? Nem que ponha mel nos beiços, é só pregando sermão, procurando encrenca ou sarna pra se coçar. Parece mais que falam em Volapuk, sem fair play. Maior quebra-de-braço, só medindo força. Por da cá aquela palha, pronto! Aí surge o pomo da discórdia. Quanto maior for a nau, maior a tormenta. Tudo por água abaixo. Quanto desperdício! No reino dos amantes tudo é possível. Não há como prever como tudo vai findar. Vai tudo aprumado até a hora que desanda tudo, de não haver concórdia nem na marra. Nossa, quanto se sofre de nariz empinado! Vai, cada qual, pentear macaco. Perdem o tempo e o latim. Finda cada qual pra sua banda, beijo partido e dor no peito. Gorou. Afinal, ninguém está bem com a vida que tem. E já dizia Terêncio: amantes amentes, tudo louco! Aí, sem saída, se recolhe na tebaida. Se remexer na ferida, empiora; se não sai da quizília, sucumbe no suplício de Tântalo com a túnica de Nessus. Pois é. Quem está vivo tem de saber onde põe os pés, morto é que é levado. Fazer o que? Mesmo que o coração diga não, só resta queimar os navios, desistir e partir pra outra cantando o Anti-romance que fiz com Célio Carneirinho: Ah, esse amor partido, sem gosto e sem cor, na sua efigie de quadro borrado. Ah, essa dor que murmura, resmunga terna e segura nosso ocaso na inércia do sonho. Ah, que as veredas do amor me corrói na insensatez da vergonha que me arrebata, me torce e me põe desolado nesse caso meio inacabado. Quantas manhãs refletem o amanhã e o sentido do gozo e da dor. É que o amor remexe e me trai e me põe de cabeça pra baixo. E vamos aprumar a conversa aqui.


Imagem: Venus, Cupido and Satyr, do pintor italiano Agnolo Bronzino (1503-1572).


Curtindo o álbum The Meeting (1982), do compositor, pianista e tecladista de jazz estadunidense Chick Corea & do compositor e pianista austríaco Friedrich Gulda (1930-2000).

PSICOLOGIA DA ARTE – No livro Psicologia da arte (Martins Fontes, 1999), do psicólogo e cientista bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934), destaco os trechos [...] Achamos que a ideia central da arte é o reconhecimento da superação do material da forma artística ou, o que dá no mesmo, o reconhecimento da arte como técnica social do sentimento. Achamos que o método de estudo desse problema é o método analítico objetivo, que parte da análise da arte para chegar à síntese psicológica: o método de análise dos sistemas artísticos dos estímulos. [...] A arte é o social em nós, e o se o seu efeito se processa em um indivíduo isolado, isto não significa, de maneira nenhuma, que suas raízes e essência sejam individuais. O social existe até onde há apenas um homem e as suas emoções. A refundição das emoções fora de nós realiza-se por força de um sentimento social que foi objetivado, levado para fora de nós, materializado e fixado nos objetos externos da arte, que se tornaram instrumento da sociedade [...] Por si só, nem o mais sincero sentimento é capaz de criar arte. Para tanto não lhe falta apenas técnica e maestria, porque nem o sentimento expresso em técnica jamais consegue produzir uma obra lírica ou uma sinfonia; para ambas as coisas se faz necessário ainda o ato criador de superação desse sentimento, da sua solução, da vitória sobre ele, e só então esse ato aparece, só então a arte se realiza. Eis que a percepção da arte também exige criação, porque para essa percepção não basta simplesmente vivenciar com sinceridade o sentimento que dominou o autor, não basta entender da estrutura da própria obra: é necessário ainda superar criativamente o seu próprio sentimento, encontrar a sua catarse, e só então o efeito da arte se manifestará em sua plenitude. [...] É de suma utilidade distinguir, como o fazem alguns autores, o esquema estático de construção da narração, como uma espécie de anatomia dessa narração, do esquema dinâmico de sua composição, como uma espécie de fisiologia desta. Já esclarecemos que toda narração tem sua estrutura específica, diferente da estrutura do material que lhe serve de base. Mas é patente que cada procedimento poético de enformação do material é racional ou dirigido; é introduzido com algum fim, cabe-lhe alguma função a ser exercida no conjunto da narração. E eis que o estudo da teleologia do procedimento, ou seja, da função de cada elemento estilístico, do encaminhamento racional e do significado teleológico de cada componente nos explica a vida pujante da narração e transforma a sua construção morta em organismo vivo. [...] devemos entender por material tudo o que o poeta usou como já pronto – relações do dia-a-dia, histórias, casos, o ambiente, os caracteres, tudo o que existia antes da narração e pode existir fora e independente dela, caso alguém narre usando suas próprias palavras para reproduzi-lo de modo inteligível e coerente. [...] Parece que chegamos à conclusão de que na obra de arte há sempre certa contradição subjacente, certa incompatibilidade interna entre material e forma, de que o autor escolhe como que de propósito um material difícil e resistente, desse que resiste com suas propriedades a todos os empenhos do autor no sentido de dizer o que quer... E aquele aspecto formal de que o autor reveste esse material não se destina a desvelar as propriedades contidas no próprio material... mas justamente ao contrário: destina-se a superar esses propriedades, a fazer o horrendo falar a linguagem do leve alento, o sedimento da vida em um ressoar sem fim como o vento frio da primavera.[...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O QUINZE – O romance O quinze (José Olympio, 1989), da escritora, jornalista, dramaturga e tradutora Rachel de Queiroz (1910-2003), foi publicado quando a autora contava apenas com vinte anos de idade, mostrando a miséria da seca de 1915, ao demonstrar sua preocupação com questões sociais e psicologia de seus personagens em dois planos, um que enfoca o vaqueiro Chico Bento e sua família e, de outro, a relação afetiva de Vicente, um rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora. Da obra destaco o trecho final: [...] Vicente, que até aí estivera calado, afastou-se uns passos, conversando com um amigo que se aproximara. Conceição fitava-o. O dentista insistiu: - Mas, Dona Conceição, o que a senhora disse é grave... então, nunca o amor... A moça o interrompeu: - Ora o amor!... Essa história de amor, absoluto e incoerente, é muito difícil de achar... eu, pelo menos nunca o vi... o que vejo, por aí, é um instinto de aproximação muito obscuro e tímido, a que a gente obedece conforme as conveniências... Aliás, não falo por mim... que eu, nem esse instinto... Tenho a certeza de que nasci para viver só... O dedo gordo do moço se espetou no ar, e o anel de grau relampejou amarelo, à claridade da lâmpada. - Nasceu para viver só? Olhe, Dona Conceição, já não ouviu dizer: ”Vae solis! ” Não crê na sabedoria dos antigos? A moça deu um passo e encolheu os ombros: - Sei lá, doutor! Os antigos diziam tolices, como todo o mundo- Mas, até logo; Mãe Nácia está-me chamando lá da casa da Lourdinha... O dentista se descobriu e dobrou-se numa reverência. Vicente, longe, com o amigo, não viu a prima sair. E Conceição se afastou rapidamente. Em caminho, pensava na citação do rapaz: ”Vae solís!” Pedante! Mas Lourdinha parecia tão feliz com a filhinha... Afinal, o verdadeiro destino de toda mulher é acalentar uma criança no peito... E sentia no seu coração o vácuo da maternidade despreenchida... ”Vae solís! ” Bolas! Seria sempre estéril, inútil, só... Seu coração não alimentaria outra vida, sua alma não se prolongaria noutra pequenina alma... Mulher sem filhos, elo partido na cadeia da imortalidade... Ai dos sós... Mas ao chegar em frente à calçada da prima, onde a avó a esperava, Duquinha afastou-se das saias de Dona Inácia, e correu-lhe ao encontro: - Madrinha! Madrinha! Me dê dois tões para eu comprar um navio de papel! À vista do menino, adoçou-se a amargura no coração da moça. Passou-lhe suavemente a mão pela cabeça; e pensou nas suas longas noites de vigília, quando Duquinha, moribundo, arquejava, e ela lhe servia de mãe. Recordou seus cuidados infinitos, sua dedicação, seu carinho... E, consolada, murmurou: - Afinal, também posso dizer que criei um filho... O tropel de um cavalo soou na rua. Reconhecendo Vicente no cavaleiro, Duquinha estendeu a mão ao padrinho, gritando: - A bênção! O rapaz viu a prima, sopeou o animal e tirou o chapéu, num gesto largo: - Boa noite! Lourdinha ainda lhe gritou um recado para a mãe. Vicente chegou as esporas ao cavalo, que arrancou, num grande impulso. E Conceição o viu sumir-se no nevoeiro dourado da noite, passando a galope, como um fantasma, por entre o vulto sombrio dos serrotes. Veja mais aqui e aqui.

ODE - No livro Ode e elegia (1944-45/ Topbooks, 2004), do poeta, jornalista, escritor e ensaísta alagoano Ledo Ivo (1924-2012), destaco o poema Ode: São sombras projetadas em minha alma / que renascem no encanto do jardim: / contemplo sombras que, no mar sem calma, / lembram jovens coqueiros arrastados / por ondas que, jogadas contra mim, / os preferissem por estranhos fados. / Na terra solta, marca de raízes / sugerem tristes lírios arrancados / e transportados para outros países / e em seres sem mistérios transformados. / Voz que nunca será deste meu canto / no presente noturno já renasce / e talvez por amor ou por encanto, / lembrança amiga de buscada face, / céu devolvido à morte brusca e fria, / neste lugar em meio à solidão / de onde a noite jamais se ausentaria, / eis que apareces, de repente, igual / a campos generosos de verão / lembrando a flor do mangue ou rosa astral. / Antes fosse talvez outra mais pura / e menos bela do que tu, amor, / ou menos clara ao sol desta saudade / onde vou perdurar sem nada ter... / mas foste tu, amável e segura, / que sem doçura e mesmo sem pudor, / permanecendo ausente ao meu querer, / se apropriou de minha virgindade / e me deixou votado à primavera / onde eu sou o que fui, e não o que era. / Longe do amor perdido e desejado / que aspira a perturbar o amor presente / não poderei jamais ter na lembrança / esses campos noturnos, sem que veja / teu corpo nu por mim abandonado / ardendo para sempre em febre intensa. / Nasce em mim, qual certeza, a esperança / de tua carne em mim, embora esteja / inclinado a outro corpo mais ardente / e afastado de ti na noite imensa. / Um sórdido instrumento musical / na sombra espessa chora, tão esquivo / que o mal que nasce deste céu nativo / parece ser o verdadeiro Mal. / Sem poder formular o informulável / em mim sinto dormir a nostalgia / de um país semelhante a uma mulher / que, inexplicavelmente, não me quer / e me aparece oculto na durável / lembrança de uma antiga melodia. / Como uma flor que não quer perecer / minha memória clama ao tempo e espera. / Que a luz dos céus inunde meu passado / para que eu, no presente, seja tudo / como as quatro estações na primavera. / Mesmo não sendo, quero sempre ser, / e à perdida unidade ligado. / Clame o mar, se possível, mas que eu traga / a lembrança do indomável de um desnudo / oceano resumido numa vaga... / Teu círculo de fogo está varado. / Não há norte nem sul, nem és Ofélia. / Os muçambês dos brejos, ao tufão / ausente, se reclinam num pudor / virginal que parece da camélia / presa ao vento ser o fiel bailado. / Oh pudor virginal que não pertence / ao teu rosto embora se condense / numa atitude grata de pureza / te faz mais que mulher! Céu e baixeza! / A loucura belíssima renasce / em mim, junto aos rochedos onde as ondinas / estendem teorias de meninas / num bailado fantástico de vagas. / A perdição maior de minha face / se inclina ante seu sexo que sugere / uma rica e exemplar concha marinha, / coral em linhas ásperas e largas, / ilha ausente demais meu olhar fere: / - tua fiel carícia agora é minha. / A vastidão do sono descoberto / faz nascer melodias no meu sono / mas uma flor que nunca murchará / generosa aparece na corrente / desta fonte, milagre do abandono, / alma subindo aos céus, resplandecente. / Jorra em mim a visão de um tempo incerto, / e ao silêncio da noite destinado / espero que uma porta se abrirá / e eu deixarei de ser um exilado. / Piedade inaudita, poço estável / onde se banha teu corpo desnudo / espelho de mil faces, anjo amável / que no rosto sem voz reflete tudo, / eu te ofereço trovas e canções. / Leva para a distância a minha mágoa / e me sacode entre as constelações / para que eu fique, mas desapareça, e como a água que corre, não feneça, / mas solitária esteja em outra água. / Que aos meninos de outrora se transplante / a flor que alimentaste com teu riso, / quando, na ausência, teu corpo ondulante / guardar a gravidade de um sorriso. / Eras de muitos homens, tinhas vícios / infames e perversos, mas deixaste / em nossas vidas sem amor algum / inapeláveis e cruéis resquícios, / pois corpos jovens, tu os violaste / e os amaste sem amar nenhum. / Queres que eu permaneça junto a ti / pois nasceste na beira destes lagos / para aos meninos dar rudes afagos / misturados aos lírios, como se / boiasses nessas águas transmudadas / a fim de ser amada com a constância / que tua alma imortal jamais quis ter. / Onde o reinado mágico das fadas / que dominaste outrora, sem temer / a sombra que cobria tua infância? / Eu quero ser o noivo de teu rosto, / nesta noite que pousa em teus cabelos, / como a lua inclinada ante uma flor, / indiferente a todos os apelos, / talvez mesmo ao apelo deste amor. / Não era um lírio branco recusado / - o antigo e claro céu no seio posto - / antes milagre sem libertação. / Era a fascinação de meu pudor / por teu grave esplendor tão desejado. / Como canção maior do amor perdido / em mim renasce a prolongada dor. / Curvo-me pleno de um mistério vão / e enquanto em ti a minha dor procura / do corpo arfante a pálida visão / que instrumento não fosse de loucura / ouço esta voz que me faz soluçar / junto a prados cobertos de rosais. / Teu corpo nu, perdida, me sacode / em posses feitas para nunca mais. / A fontes sem amor que ninguém pode / estancar nesta terra sem memória / e a mortes que me chamam para amar / eu me dedico, sobrenatural. / Mar que parasse, brusco, na harmonia / de uma beira de praia, hostil e fria, / princesa despojada de outra glória / que não seja o prazer ao natural, / quero ficar em ti, como ondulante / nuvem num céu de há muito desabado. / Sinto a germinação de um fruto arfante / que fosse pelos ventos arrastado / para um lugar perdido no mento. / Mesmo as sementes são por frio vento / levadas para algum lugar perdido.  / Jamais o sonho quando a morte existe. / Tu me deixaste o sonho, mas partiste / sem contemplar teu rosto refletido / na água podre de minha infância triste. / Jamais a morte quando o sonho existe. / Carne de amor há tanto tempo amante / e procurado em todos os lugares / em que, junto à mulher, fui como um deus! / Quero ser o teu barco nestes mares / e nos domínios de teu corpo arfante / aos teus anseios eu juntar os meus. / Em teu seio há mil almas desamadas. / Deixa fugir em tuas carnes quentes / este corpo que busca águas sagradas / de mares obscuros e ardentes. Veja mais aqui, aqui e aqui.

ROMEU & JULIETA – A tragédia Romeu e Julieta (1591), do poeta, dramaturgo e ator inglês William Shakespeare (1564-1616), conta a história de dois adolescentes apaixonado cuja morte acaba unindo famílias rivais, sendo considerado, então, como arquétipo do amor juvenil e que o seu enredo é baseado num conto italiano. Da obra destaco as falas de Romeu: [...] ROMEU: Que queres, tal é a transgressão do amor! Meus próprios pesares oprimem meu peito e tu vais aumenta-los acrescentando ainda os teus. Esse afeto que me mostraste acrescenta novo pesar ao excesso do meu. O amor é fumaça formada pelos vapores dos suspiros. Purificado, é um fogo chispeante nos olhos dos amantes. Contrariado, um mar alimentado pelas lágrimas dos amantes. Que mais ainda? Loucura prudentíssima, fel que nos abafa, doçura que nos salva. [...] Jurou e em virtude dessa economia, comete o maior esbanjamento, pois a beleza, esfaimada por tanto rigor, priva a beleza de toda a descendência. Ela é belíssima, discreta demais, sabiamente belíssima, para merecer a felicidade em troca de meu desespero. Ela jurou não amar e, por causa desse voto, vivo morto, vivendo somente para dizer-to agora [....] Uma mulher mais bela do que minha amada! O sol, que tudo vê, nunca viu outra semelhante desde a aurora dos tempos. [...] Terno ser é o amor? Áspero demais, rude demais, violento demais e pingente como um espinho [...] É minha dama! Oh! Ela é o meu amor! Oh! Se ela soubera! Fala, entretanto, nada diz; mas que importa? Falam seus olhos, vou responder-lhes!.... sou muito atrevido. [...] Ai! Mais perigos há em teus olhos do que em vinte de suas espadas [...] Amor, que foi o primeiro que me incitou a indagar, ele me deu conselho e eu lhe dei meus olhos [...] O amor corre para o amor, como os escolares fogem dos livros; mas o amor se afasta do amor, como as crianças dirigem para a escola com os olhos entristecidos. [...] Aqui está teu ouro, o pior veneno para as almas humanas, causando mais mortes neste mundo odioso do que essas pobres misturas que não ousas vender. Eu te vendo o veneno, tu nada me vendeste. Adeus! Compra alimentos e procura refazer tuas carnes... vem cordial e não veneno, vem comigo para o túmulo de Julieta. Lá deverei servir-me de ti. [...]. veja mais aqui e aqui.

DEUX OU TROIS CHOSES QUE JE SAIS D’ELLE – O drama social Deux ou trois choses que je sais d'elle (Duas ou três coisas que eu sei dela, 1966), dirigido pelo cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard, conta uma história de um casal que vive no subúrbio parisiense que envolve crueldade neo-capitalista, prostituição ocasional e amor físico num cenário de cadeia sexual, vida e corpos arrendados, fantasias, cenas diversas, o sol refletindo no corpo, buzinas, folhagens, a vida de uma mulher e a paisagem urbana numa lógica narrativa linear, tudo dá ao filme um clima bastante exótico de vida. O destaque vai para a premiada e estonteantemente bela atriz Marina Vlady. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor e pintor francês Auguste Rodin (1840-1917). 
Veja mais aqui.

sábado, junho 13, 2015

PESSOA, VYGOTSKY, GUINGA, SHAKTISANGAMA, BLASBAND, SEGALL & LUCIANO FREIRE.


ANIVERSÁRIO – No livro O eu profundos e os outros eus (Nova Fronteira, 1980), do poeta e filósofo português Fernando Pessoa (1888-1935), encontro a seção Fernando Pessoa, o outro – Ficções do interlúdio -, em que destaco o poema Aniversário no heterônimo Álvaro de Campos: No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos, / Eu era feliz e ninguém estava morto. / Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos, / E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer. / No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos, / Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma, / De ser inteligente para entre a família, / E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim. / Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças. / Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. / Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo, / O que fui de coração e parentesco. / O que fui de serões de meia-província, / O que fui de amarem-me e eu ser menino, / O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui... / A que distância!... / (Nem o acho...) / O tempo em que festejavam o dia dos meus anos! / O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa, / Pondo grelado nas paredes... / O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas), / O que eu sou hoje é terem vendido a casa, / É terem morrido todos, / estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio... / No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... / Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo! / Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez, / Por uma viagem metafísica e carnal, / Com uma dualidade de eu para mim... / Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes! / Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... / A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos, / O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —, / As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, / No tempo em que festejavam o dia dos meus anos... / Pára, meu coração! / Não penses! Deixa o pensar na cabeça! / Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus! / Hoje já não faço anos. / Duro. Somam-se-me dias. / Serei velho quando o for. / Mais nada. / Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!... / O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!... Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Perfume dos campos (1899), óleo sobre tela -, do pintor português Luciano Freire (1864-1935).

Curtindo o álbum Rasgando seda (2012), do músico e compositor Guinga com o Quinteto Villa-Lobos.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? - (Arte de Meimei Corrêa) - Quando compus a canção Serenar era mil novecentos e oitenta e pouco. Não lembro. Sei que foi ou em meados da década de oitenta, ou um pouco mais já na segunda metade desses anos. Sei que foram dias e dias, varei noites, meses, pelejando na canção e outros tantos depois da melodia quase pronta, para trabalhar a letra. Acredito que chegou a um semestre inteiro ou mais, acho. Sei que foi demorado, parto que só rebentou mesmo depois de meses de gestação. Abandonei várias vezes, mas a música insistia. E insistente invadia meus sonhos, roubava a atenção no trabalho, surgia nas horas mais imprevistas, até mesmo quando não tinha caneta, nem violão, nem gravador, nem nada. Ficava batucando na cabeça, contando compasso para não esquecer. Ficou atravessada na garganta e só rebentou inteira na última hora, quando eu estava prestes a abandoná-la. Era a última tentativa de fechá-la, quando desisti, saiu inteira. Pronta. E ficou nisso: Ah! O amor brotou de mim como se fora a flor de lis. Fiz e refiz e nem se serenou, logrou a dor em certos sonhos infantis. Ah! O amor, predestinado a ser eterno aprendiz, seguiu no triz e nem se revelou e arrumou o que de breve nem se quis. Chegou de dentro como chama de vulcão, queimou com força e fez a vez do coração. E nem sequer sabia onde encontrar você. O amor fez a loucura dominar a solidão, me diz que não a ilusão não vai mandar e vai me dar um sim até não ter mais fim. Chegou de dentro como chama de vulcão, queimou com força e fez a vez do coração. E nem sequer sabia onde encontrar você pra me iluminar até que o mar seja comigo agora, não vejo a hora de poder tocar na sua mão. Toda emoção pra se valer precisa ter o dom da vida, vida vivida pelo coração (Serenar, letra & música de Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui e aqui.

CULTO DA FEMINILIDADE – O livro Tantra: o culto da feminilidade – outra visão da vida e do sexo (Summus, 1994), do escritor e professor de yoga belga André Van Lysebeth (10 de outubro de 1919 - 28 de janeiro de 2004), trata sobre a viagem imaginária, uma Atlântida esquecida, a fábula do bom ariano, a impostura ariana, a primeira cidade tântrica, as castas: mistura explosiva, a Índia bramânica obcecada sexual, a visão tântrica, a outra visão do sexo, mitos e símbolos, o ritual tântrico, o domínio sexual, a filosofia tântrica, tempo profano e tempo sagrado, o overmind, a morte é a vida, a mulher, Zohar, Cabala, banho de sol cósmico, quando o sexo vira problema, uma educação sexual a realizar, a mulher campeã erótica, o yantra e o dínamo psíquico, Shiva, Shakti, todas as mulheres são deusas, musculação do yoni, o orgasmo masculino, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho A mulher, seu culto e seu mistério, que começa com uma epígrafe do Shaktisangama-Tantra II, 52: A Mulher cria o universo, ela é o próprio corpo desse universo. A Mulher é o suporte dos três mundos, ela é a essência de nosso corpo. Não há outra felicidade senão aquela proporcionada pela Mulher.  Não outro caminho senão aquele que a Mulher pode abrir para nós. Nunca houve e nunca haverá, nem ontem, nem agora, nem amanhã, outra ventura senão a Mulher; nem reino, nem peregrinação, nem yoga, nem prece, nem fórmula mágica (mantra), nem ascese, nem plenitude além daquela prodigalizada pela Mulher. [...] Toda mulher é Shakti: Deusa-mãe, iniciadora, origem de toda vida, fonte de prazer, caminho para a transcendência: a mulher e seu mistério são o coração do tantra, são a essência de sua mensagem mulher. [...] De fato, o tantrismo se resume ao acesso aos aspectos abissais da Mulher, ocultos na mulher real, comum. O Kaulâvali-Tantra diz: É preciso prosternar-se diante de qualquer mulher, seja ela moça, no esplendor juvenil, seja velha; seja bela ou feia, boa ou má. Nunca se deve enganá-la, caluniá-la nem fazer-lhe mal, nunca bater-lhe. Esses atos tornam qualquer siddhi (realização) impossível [...]. Veja mais aquiaqui e aqui.

PSICOLOGIA SOCIAL: SUBJETIVIDADE E CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO – O livro Subjetividade e constituição do sujeito em Vygotsky (Vozes, 2000), da professora, pesquisadora e doutora em Psicologia Social da Furg, Susana Inês Molon, trata da teoria do cientista e pensamento bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934) como desbravadora de fronteiras ontológicas e epistemológicas, a introdução dessa teoria na psicologia, a crise metodológica da psicologia à criação de uma psicologia social, as concepções sobre a constituição do sujeito, a subjetividade e o sujeito na construção do conceito de consciência e na definição da relação constitutiva eu-outro, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho introdutório: O resgate da teoria vygotskyana vem sendo realizado nas diversas áreas do conhecimento. Inúmeras reflexões são feitas tanto em publicações quanto em eventos científicos. O crescente interesse pelo autor, criador do enfoque sócio-histórico, advem, principalmente, da sua proposta de historicidade do homem e dos processos psicológicos. Atualmente, muitos pesquisadores estão revendo sua obra, construindo novos questionamentos e fazendo outras sínteses na busca de sistematizações de conceitos a partir de seus princípios e categorias fundamentais. Devido ao caráter inacabado de sua obra – em razão de sua morte prematura -, à riqueza e à complexidade das temáticas e à escassez de publicações, sua teoria possibilita diferentes apropriações e diversas polêmicas estão emergindo. Dentre as temáticas emergentes estão a subjetividade e a constituição do sujeito. A palavra subjetividade é imediatamente associada à psicologia, tanto no senso comum quanto nas produções científicas, aparecendo nos mais diversos contextos e apresentando vários significados. As temáticas do sujeito e da subjetividade surgiram com a ciência moderna e suas emergências estiveram vinculadas às condições que propiciaram o desenvolvimento das ciências sociais e humanas, da psicologia, em especial [...]. Veja mais aquiaquiaqui e aqui.

UMA RELAÇÃO PORNOGRÁFICA – Tudo começa com o texto Une liaison pornographique, do escritor e cineasta iraniano radicado franco-belga Philippe Blasband que, em 1999, tornou-se um drama romântico no cinema com direção do cineasta belga Frédéric Fonteyne, contando a história de um homem e uma mulher que se encontram num café a partir de um anúncio de jornal para realizar uma fantasia sexual. Eles demonstram o medo de se entregar num relacionamento, porém seguem para o hotel e, depois da experiência, passam a se encontrar regulamente. Ambos não sabem nada acerca um do outro, deixando claro que o proposito deles é meramente realizar todas as suas fantasias. A partir disso emergem sentimentos e afinadas, surgindo indagações e um relacionamento vai se acentuando além do envolvimento sexual. O próprio autor depois adaptou o texto para o teatro que, inclusive, ganhou os palcos brasileiros – Uma relação pornográfica -, com direção Victor Garcia Peralta e no elenco Guilherme Leme e Ana Beatriz Nogueira. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Gravura do pintor, escultor e gravurista judeu brasileiro nascido na Lituânia, Lasar Segall (1891-1957).

TODO DIA É DIA DOS NAMORADOS!!!!!
Confira aqui. (Imagem: xilogravura A noite do namoro, de Manassés Borges).


Veja mais sobre:
Cantarau Tataritaritatá, O teatro pobre de Jerzy Grotowski, 1919 de John dos Passos, Estética teatral de José Oliveira Barata, a coreografia de Xavier Le Roy, a música de Carlos Careqa, a pintura de Alex Mortensen & a arte de Vesselin Vassilev aqui.

E mais:
Vamos aprumar a conversa: a culpa é da Dilma, Sermão do bom ladrão de Padre Antônio Vieira, Amargura de mulher de Henriqueta Lisboa, O projeto Atman de Ken Wilber, a música de Heitor Villa-Lobos & María Luisa Tamez, Prometeu acorrentado de Ésquilo, o cinema de Abbas Kiarostami & Juliette Binoche, a pintura de Peter Paul Rubens, a arte de Ekaterina Mortensen & Alex Toth aqui.
A literatura de Antoine de Saint-Exupéry, a música de Aarre Merikanto & Colin Hay & Cris Braun, a pintura de Paul Klee & Clóvis Graciano aqui.
Três poemetos da festa de amor pra ela: Festa, Essa carne & Viagem aqui.
A Lei de Responsabilidade Fiscal, Projeto Justiça à Poesia & Simone Moura Mendes aqui.
Brincarte do Nitolino, Condição humana de Norbert Elias, a poesia de Alexander Pushkin, O lugar do outro de Jean-Luc Lagarce, o cinema de Antonio Carlos da Fontoura & Flávia Alessandra, a pintura de Paul Gauguin, a arte de Luis Fernando Veríssimo, Luiza Curvo & a música de Eduardo Camenietzki aqui.
Vamos aprumar a conversa: Segunda feira, As consequências da modernidade de Anthony Giddens, Memórias de Adriano de Marguerite de Yourcenar, a música de Robert Schumann, Fedra de Jean Racine, o cinema de Arnaldo Jabor & Sônia Braga, a pintura de Francisco Ribalta & a arte de Ary Spoelstra aqui.
O teatro de William Shakespeare, Alice no país do quantum de Robert Gilmore, O fio & as missangas de Mia Couto, Paixão & autobiografia de Patricia Galvão, a música de Carl Otto Nicolai, o cinema de Richard Eyre & Jean Iris Murdoch, a pintura de David Scott, a arte de Adriano Kitani & Programa Tataritaritatá aqui.
Freyaravi & o circo dos prazeres, Cultura do consumo & pós-modernismo de Mike Featherstone, Contos brasileiros de Julieta de Godoy Ladeira, Kama sutra de Vātsyāyana, a fotografia de Ralf Mohr, Humanitarian Projects, a música de Marisa Monte, a pintura de Crystal Barbre & a arte de Luciah Lopez aqui.
Lualmaluz, Técnica & ideologia de Jürgen Habermas, De segunda a um ano de John Cage, História da literatura brasileira de Nelson Werneck Sodré, A balsa da Medusa, a escultura de George Kurjanowicz, a música de Sally Seltmann, a pintura de Théodore Géricault & Moisés Finalé, a arte de Marni Kotak & Luciah Lopez aqui.
Quando tudo é manhã do dia pra noite, Agonia da noite de Jorge Amado, a música de George Bizet & Adriana Damato, Folclore musical de Wagner Ribeiro, a pintura de Aleksandr Fayvisovich & Bryan Thompson, Posthuman bodies de Halbertam & Livingstone, a fotografia de Christian Coigny, a arte de Mirai Mizue & Luciah Lopez aqui.
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