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terça-feira, junho 12, 2018

DRUMMOND, SLOTERDIJK, ANNE FRANK, LÉVINAS, LOLA JOVANOVIC, JACI BORBA, CHICK COREA & ESTELA CEREGATTI


NÃO FOSSE A CHUVA, JAMAIS SABERIA O SOL – Imagem: arte da artista sérvia Lola Jovanovic - No meio quantas pedras na vida amotinada pelos devires e eu desancorado escancarando escaninho corpalma às desbordas, refém sou da hora iminente, um preito a atar uivos e versos até o ponto final, onde começa a impiedosa sucessão de réstias urdindo pêsames, porque perdi a meada inventada, quantas vezes tão inexata nas cartadas por esquadros simulados e eu sucumbindo à primeira volta. Não mais encontro o nexo, o que fazer da vida ao saber a cada dia três horas de morrer. Sei, a morte não é o fim, é como o complemento do sono, em que a gente não se está cônscio desse plano, a integrar algo bem maior que sequer possa compreender de tão aparentemente inacessível. Talvez a satisfação da etérea ubiquidade. É daí que nasce o meu sentimento visceral desmedido e quero dividir a emoção ao primeiro encontro aos que há tempos debandados da amizade, e falamos a mesma língua, não raro, me flagro como se utilizasse dialeto diverso, ninguém entende, sei lá! Como se a mesma frase, outros sentidos, e um cabo-de-guerra, inexorável condição. Sou impelido ao silêncio diante dos dentes à mostra, entre a paixão e o conflito, a punição e a recompensa, o senso de orientação enquanto conjugo ideias feitas e medidas, parece-me mais um colapso de significados. E de um para outro assunto, assim se confunde e nem se sei mesmo qual dos galhos escapuliu o sentido, escoou pra longe e é só mera conversa fiada sem nexo. Sei que ao lado do que quer que seja tem sempre outro, quando não muitos, e ter a acuidade de saber quando se é ou não na interação com essa descontínua, fragmentária e fugaz situação, decomposta na memória. Pra falar a verdade, nem lembro mais o que era mesmo dito, perdi-me no entusiasmo de não mais invisível estrangeiro do aceno, do aperto de mão, do abraço. Esqueci até mesmo pra onde ia e o que era pra fazer nessas ermas estradas emparedadas. Sei, não fosse o chão, jamais saberia água e morreria de sede no areal. Não fosse a água, nunca saberia a terra nas direções dos quatro cantos. Não fosse o ar, por certo, nem saberia o voo e a queda, em quantos sonhos eu me deixei levar para não acordar morrendo de sono. Não fosse o fogo, as cinzas não me ensinariam a luz das labaredas e a existência seria fria como grão abandonado em qualquer superfície inóspita. Devo saudar a chance de sobreviver no precipício das fronteiras e dos meus próprios abismos – os escuros abismos da inexistência -, a me salvar quando muito incólume no bálsamo do amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da compositor e pianista de jazz estadunidense Chick Corea: Eletric Band Live at North Sea Jazz, The Ultimate Adventure & Live Kongsberg Jazz Festival; da compositora, cantora instrumentista e professora, integrante da banda Monofoliar, Estela Ceregatti: Ar, Monofoliar & Ar Live; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIAAcredito que só faz sentido praticar filosofia hoje reavivando a tradição sofista de poder participar de qualquer debate. Quer dizer, precisaríamos de mais formação retórica, precisaríamos reunir nos seres humanos muito mais conhecimento geral de vida, de política, de ciência, de arte. Precisamos voltar a atrair filósofos que sejam decatletas da disciplina teórica. Pensamento extraído de Fronteiras (2016), do filósofo alemão Peter Sloterdijk. Veja mais aqui.

ALTERIDADE & CONTEMPORANEIDADE – [...] É ali na alteridade que abriga infinitamente grande tempo num entretempo intransponível. O um é para o outro um ser que se desprende, sem se fazer contemporâneo do outro, sem poder colocar-se a seu lado numa síntese, expondo-se como tema, um-para-o-outro como um guardião-de-seu-irmão, como um responsável-pelo-outro. [...] a partir do seu rosto – que não está encerrado na forma do aparecer-nu, despojado de sua forma, desnudado de sua presença que o marcaria ainda como seu próprio retrato; pele enrugada, vestígio de si mesmo. [...] Descarga do ser que se desprende [...] Desfalecimento do ser que tomba em humanidade, fato este que não foi julgado digno de consideração pelos Filósofos [...]. Trecho extraído da obra Humanismo do outro homem (Vozes, 1993), do filósofo francês Emmanuel Lévinas (1906-1995). Veja mais aqui.

DEIXE-ME SER EU MESMA – [...] Deixe-me ser eu mesma e então estarei satisfeita [...] Eles sobem todos os dias e falam com os homens sobre negócios e política, com as mulheres sobre comida e dificuldades dos tempos de guerra, e com os jovens sobre livros e jornais. Estampam no rosto as expressões mais alegres, trazem flores e presentes nos aniversários e nos feriados, e estão sempre prontos para fazer tudo o que podem. Não devemos nos esquecer disso nunca; enquanto outros demonstram heroísmo nas batalhas ou contra os alemães, nossos benfeitores provam o seu com a alegria e o afeto. [...] É como que eu vejo as coisas. Temos que seguir em frente. Não importa o quão difícil seja. Não podemos ficar parados; uma vez que você para, está fora do jogo.’ Mas, no final de tudo, somos apenas humanos. E os seres humanos precisam ter algo em que possam se agarrar. Então eu continuei: ‘Naqueles dias sombrios da guerra, nós não ficamos parados, mas sim fizemos o possível para ajudar as pessoas. Arriscando nossas próprias vidas. Nós não podíamos ter feito mais’. [...]. Trechos extraídos da obra Deixe-me ser eu mesmo (Casa Anne Frank, 2015), contando a história de vida da escritora alemã Anne Frank (1929-1945). Veja mais aqui.

O ENTERRADO VIVO – É sempre no passado aquele orgasmo, / é sempre no presente aquele duplo, / é sempre no futuro aquele pânico. / É sempre no meu peito aquela garra. / É sempre no meu tédio aquele aceno. / É sempre no meu sono aquela guerra. / É sempre no meu trato o amplo distrato. / Sempre na minha firma a antiga fúria. / Sempre no mesmo engano outro retrato. / É sempre nos meus pulos o limite. / É sempre nos meus lábios a estampilha. / É sempre no meu não aquele trauma. / Sempre no meu amor a noite rompe. / Sempre dentro de mim meu inimigo. / E sempre no meu sempre a mesma ausência. Poema do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui e aqui.

AS TRAMAÇÕES: LINHA, DE JACI BORBA
Tramações: linha é a exposição da artista visual Jaci Borba, promovida pelo Centro de Artes e Comunicação - Graduação em Artes Visuais – Licenciatura & Programa Associado de Pós-Graduação em Artes Visuais UFPE/UFPB, como parte do projeto de pesquisa e extensão “Tramas na formação de professoras/es para questões de gênero e sexualidades”, fomentado pelo Edital de Apoio à pesquisa em Criação Artística/Proexc/UFPE e pelo Funcultura/2018.

VI Festival de Dança de Itacaré - realizado de 10 e 11 de setembro, no Teatro Municipal de Ilhéus, e de 12 a 16 de setembro, no Centro Cultural Porto de Trás, em Itacaré & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista sérvia Lola Jovanovic.
Veja mais aqui.
&
A história é outra história, Um mundo só de Peter Singer, o cinema de Abbas Kiarostami, Juliette Binoche & Rin Takanashi, a música de Milton Nascimento & Shanghai Spring Art Salon aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Comércio de Livros Ltda divulgando os poetas de Palmares PE, nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

quinta-feira, outubro 26, 2017

CHAUCER, ALBERTINA BERTHA, MARYSE CONDÉ, FERNANDO LÚCIO & ALTINHO

MANDANDO VER NO CANTO – Cada um como tal: suas redes, as teias dos seus enredos: desejos da noite insone, sofrências de dia longo, longe vão quereres aos montes e muitos, mágoas, frustrações, fugazes delírios, alucinações, oh não. O que tem que ser dito, diga logo, não deixar passar a vez, a hora, cavernas de avestruz não serve mais. Aprende: risadas largas ensolaradas valem mais que lágrimas soturnas pelo que perdeu, deixou de ser. Já era, outro o devaneio. Cada um seu terreiro, seus limítrofes confins: quem não tem nada, melhor; pois ter dá muito trabalho, só de acumular, perder, ganhar, o que fazer pra mais quando menos é o que resulta depois de tanto pelejar por horas a fio, cara ou coroa, lances de dados, cartas desmarcadas, tacadas de cegueira, só quem erra aprende a acertar: melhor é ser como o dia que vai pela tarde fagueira, quando nem a noite ainda escureceu e o crepúsculo é festa no céu. Aproveita-se das águas, aprendizagem de peixe de rio e mar. Aproveita-se do voo, aves de arribação. Aproveita-se do fogo, transformação. Aproveita-se da terra: adubo de cinzas. Quando escuridão, melhor fechar os olhos: a luz vem de dentro, pra toda direção é só seguir, ir em frente até sabor amanhecido. Cada qual sua rota, estradas sem fim: teimosias de ontem, travessias de inverno: pra quem não sabe outono, jamais terá primavera. Cada qual sua espera, paciência de Jó, passo firme chão afora: pra quem viveu redoma de lagarta, aprende a liberdade da borboleta. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do pianista e tecladista de jazz estadunidense Chick Corea: Live at North Sea Jazz, Live at Montreux & Beneath the mask; da caontora, compositora e instrumentista Joyce Moreno: Feminina, Revendo amigos & ao Vivo; do contratenor Edson Cordeiro: Baioque & Habanera Carmen Bizet; da premiada violinista búlgara Teodora Dimitrova: Otono Porteno Piazzolla, Adios nonino Piazzolla & Sonata violin Beethoven. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] ir em busca dos ancestrais é buscar a si mesmo [...] Qualquer literatura é uma busca e uma articulação do eu que sempre implica o saber dos ancestrais [...]. Pensamento da escritora francesa Maryse Condé, extraído da obra Conversation with Maryse Condé (University Nebraska Press, 1996), de Françoise Pfaff.

CABANOS EM ALTINHO - [...] a luta com os salteadores “cabanos” concentrados nas matas de Jacuípe, Panelas e imediações, e constando a este governo que, quando eles ali são aperetados mandam-se disfarladamente para diferentes distritos, por isso cumpre V.Sa., não consinta que pessoa alguma durante a mesma guerra vá residir em seu distrito senm que apresente o competente passaporte do Juiz de Paz do Distrito, donde tiver vindo, recomendando V. Sa., todo o escrúpulo e vigilância em tal negócio, fazendo prender aqueles que se fizerem suspeitos [...]. Trecho da Circular de 20 de fevereiro de 1834, expedida pelo Presidente da Província pros Juizes de Paz de Altinho e de outros municípios pernambucanos, extraída da obra Cronologia pernambucana: subsídios para a história do agreste e do sertão – 1834-1835 (CEHM, 2015, do historiador, jornalista, lexicógrafo, pesquisador e compositor Nelson Barbalho (1918-1993), autor da obra Altinho de antes da Fazenda até a Freguesia de Nossa Senhora do Ó (CEHM, 1988), integrante da Coleção Biblioteca Pernambucana de História Municipal: história sistemática dos municípios pernambucanos. Em sua cronologia, o autor ainda registra a respeito do assunto: [...] o décimo distrito de Altinho principiará da Fazenda da Laje pelo Rio Una acima até a Fazenda Cachoeirinha, inclusive o Riachão do Morais, e, para a parte Sul, todas as suas águas, inclusive o Rio Chata, e pelo norte todas as suas águas inclusive todo o termo que antigamente havia Juizes de Paz e que hoje não existem e nem se pode aviar pela falta de habitantes [...]. Fora da zona conflagrada, permanecia o inconformismo dos moradores de Altinho, do Caruaru e dos Bezerros pela elevação do Benito às categprias de Vila/Município e de Comarca. Alegavam que o lugar, muito novo ainda, não tinha condições, inclusive financeiras, para a manutenção de um tão grande privilégio [...] A denúncia contida no objetivo relatório do Cel. Souza, diz bem do desprezo em que viviam, já na metade da quarta década do sec. XIX, as populações de Cachoeiras, Lagoa dos Garos, Panelas, Agrestrina, Altinho, etc., em cujas terras a lei era a do mais forte e religião era coisa distante e quase desconhecida de todos. Tudo ali estava por ser feito, tudo corria ao sabor da natureza, e seus habitantes, no geral, portavam ignorância tomanha que nem pareciam criaturas racionais. Ao menos para o descobrimento dessa triste realidade a Guerra dos Cabanos torna-se útil e necessária, pois sem sua ocorrência, é possível que o calamitoso estado daquela pobre gente prosseguisse inalterado até o séc. XX, pelo menos [...]. A representação bonitense era indelicada e infeliz, pois na verdade, o padre-deputado Francisco José Correia apenas apresentava projeto de lei no sentido de que a vila a ser criada dentro da jurisdição da comarca do Bonito, ao invés de Altinho, como propusera o juiz Altnio Batista Gitirana, fosse situada em Bezerros. [...]. Já na obra História de Lagoa dos Gatos (CEHM, 1981), do contador e funcionário público João Pereira Callado, trata acerca do ataque Cabano a Altinho, da seguinte forma: Estava chegado o mês de abril de 1833, em que um grande acontecimento se deu na povoação de Altinhoi, do qual resultou a morte do chefe tenente-coronel João Francisco Vaz do Pinho Carapeba, o qual foi o seguinte: parecia a todos que a Guerra dos Cabanos havia tocado o seu término, sendo manifesto engano [...] Entre os mortos, contava-se o Benevides que foi encontrado em seu sobradinho, por feito de uma bala perdida. Tiveram mais dez feridos, entre os quais, o comandante Carapeba. Quanto ao prejuízo dos Cabanos não foi possível tomar conhecimento, porque eles costumavam conduzir seus mortos e feridos, sendo, todavaia, algum tenmpo depois, encontrados alguns mortos nos matos perto da povoação. [...] A pequena povoação de Altinho, naqueles temerosos dias, viveu o seu angustioso período de incerteza e pavor. As forças legais, na pessoa do estado maior, temiam  um mais vigoroso ataque dos Cabanos, porque ali estava grande parte de sua munição e armamento. Felizmente, isso não aconteceu. [...]. Na enciclopédia dos municípios do interior pernambucano (FIAM/DU, 1986): Alktinho teve sua origem da fazenda do Ó, situada no lugar deste nome que ainda assim se conserva, e pertencente ao território da então freguesia de Garanhuns, localizada à margemn direita do Rio Una. [...] A Lei provincial 1560, de 20 de maio de4 1881, criou o município de Altinho, desmembrado do município de Caruaru, tendo sido instalado em 11 de abrul de 1884. Foi elavado à categoria de ciadade por Lei Estadual 400, de 28 de junho de 1899. Atualmente, no dia 28 de junho, o município comemora sua emancipação política. Administrativamente é formado pelo distritos: sede e Itaguaçu e pelos povoados de Cabeça de Negro, Guaraciaba e Taquara de São Pedro. Veja mais aqui, aqui e aqui.

EXALTAÇÃO - [...] querem-me sem inclinações, sem opinião, igual a todos. Meu Deus. É preciso que eu siga a trilha comum, que diga sim, após o sim, de toda uma geração, que tenha o pensamento que vinte mil cérebros já elaboraram. [...]. Vivi uma loucura, amei o meu amor pelas rosas: tive delas sobre o corpo branco e fino, seu êxtase divino... No côncavo das mãos, ao longo dos braços, nos ombros, pelos cabelos, debruando-me as linhas separando-me os dedos, no perfil, na boca, nos olhos, presas nos dentes, rosas em abundancia, rosas lívidas, rosas escarlates... As rosas da manhã a sangrar ardores; as rosas estranhas, violadas pela noite; as rosas passivas das sombras [...] E era a rosa de todas as rosas, a Rosa da vida, a Rosa do amor, a Rosa imutável que não se desfolha; a Rosa Orgânica de um desejo selvagem e imensurável. [...]. Trechos extraídos da obra Exaltação (Jacintho Ribeiro dos Santos, 1916), de da escritora Albertina Bertha (1880-1953).

O CONTO DO MOLEIRO[...] Ela era uma jovem agradável, seu corpo era delgado/ Como qualquer doninha e era macio e tenro;/Ela usava um cinto com debrum de seda;/ Seu avental era branco como o leite da manhã/ Todo ele coberto de babados./ Branca também era a camisa, toda bordada/ O modelo de sua gola, frente e atrás/ Dentro e fora era de seda preta,/ O laço de fita que usava/ Era feito para combinar com a gola;/ E a fita larga nos cabelos, atada nos cabelos,/ E certamente ela tinha um olhar malicioso./ E ela tinha as sobrancelhas depiladas, curvas,/ Elas eram elegantes e arqueadas, negras como abrunho;/ E a sua visão era realmente bem-aventurada/ Ela era mais florida que a pereira,/ E mais suave do que a lã do carneiro;/ De sua cintura pendia uma bolsa de couro,/ Com borlas de seda e contas de latão;/ Se fosse buscar pelo mundo/ O mais sábio dos homens você encontrasse/ Ele não a imaginaria;/ Sua pele tinha mais brilho/ Que uma moeda nova cunhada na Casa Real./ Seu canto era estrondoso e vivo/ Como de uma andorinha gorjeando numa pilha de feno;/ Ela pularia ou jogaria qualquer jogo/ Como uma criança ou bezerrinha atrás da mãe/ Sua boca era doce como o hidromel – dizem/ Ou um amontoado de maçãs sobre o feno./ Ela era leviana e jovial como um potro,/ Alta como um mastro e reta como uma flecha/ Saída de um arco. Seu decote era fechado/ Por um broche grande como um escudo/ Pelas pernas subiam as tiras com que atava os sapatos/ Ela era uma margarida ou um doce/ Para qualquer homem nobre levar para a cama/ Ou algum fazendeiro de estirpe desposar. [...] Por ser ele velho e ela jovem e selvagem;/ Ele vivia aflito, com medo de ser corneado./ Ele deveria Conhecer Cato que diz/ Um homem deve casar com alguem como ele,/ Deve escolher alguem de sua idade./ Juventude e velhice estao sempre em debate./ Mas tendo caido na armadilha,/ Tinha de viver nessa aflicao como tantos outros. [...] Trechos extraídos da obra Os contos da Cantuária (T. A. Queiroz, 1988), do escritor, filosofo, cortesão e diplomata inglês Geoffrey Chaucer (1343 – 1400), obra esta que inspirou o filme homônimo do cineasta, poeta e escritor italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975), Veja mais aqui.

FALANDO DE DIREITOS HUMANOS
Participando da 11º Mostra de Cinema & Direitos Humanos, tratando os temas Índios no Poder & Diversidade Religiosa, na programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no Campus Palmares do IFPE, que acontecerá até o dia 26/10, numa promoção do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
O pensamento & a obra de Darcy Ribeiro aqui, aqui, aqui & aqui.
As obras de Nelson Barbalho aqui & aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico Fernando Lúcio, participante do projeto Pintando na Praça, Palmares – PE. Veja mais aquiaqui.
 

terça-feira, novembro 17, 2015

VYGOTSKY, SHAKESPEARE, RACHEL, LEDO IVO, COREA & GULDA, GODARD, RODIN & BRONZINO.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? TEM HORAS QUE ATÉ O AMOR FALA GREGO – No começo tudo é como a poesia de Dáfnis à Cloe: o eflúvio das almas gêmeas. Ou como conta Ovídio nas Metamorfoses, da harmonia de Filêmon e Báucis que findam, ele como um carvalho e ela como uma liana que o envolve desde o tronco até a fronde. É a hora em que Eros e Psiquê estão unos e tudo não é só mar de rosa como às mil maravilhas. Tudo tem graça, tudo é lindo de se ver. Os corações apaixonados se embalam de nada perturbar a paz de quem está amando. É como a história de amor do jovem caçador Alfeu que se enamora pela ninfa Aretusa, quando ela se esquiva dele por ser humano, fugindo para a ilha da Ortígia, na costa da Sicília. Ele, por sua vez, se converte num rio da Arcádia, indo desaguar no Peloponeso. Transformado em rio, ele persegue sua amada por baixo do mar e, alcançando-a, eles se enlaçam para sempre numa fonte. Ou como Pigmaleão e Galatéia. Ele, um escultor de extraordinário talento e que, além de artista, era misógino. Até que um dia, repulsando mulheres de carne e osso, resolveu talhar no mármore as formas de uma criatura que seria um modelo de perfeição, em suas linhas puras. A estátua era a de Afrodite. Ele apaixonou-se pela própria figura que modelara, conseguindo, graças às suas ardentes preces, que Zeus lhe infundisse vida, casando-se com ela. O amor é lindo. Porém, finito na vida, ou como diz Vinicius: infinito enquanto dure. Com o passar do tempo, aí é que de uma hora pra outra, vira Alceste e Don Juan, quando não se leva nos sonhos de Madame Bovary feita de Xantipa. Aí é a hora em que Hércules se torna escravo da paixão por Onfália. Mutatis mutandi. O tempo cuida e o que era etéreo não se mostra tão puro assim. É como Eco que amava Narciso que amava a si próprio. Ou Carolina que não viu nem os versos nem o tempo que passou no coração do poeta. Ou Abelardo que amou Helena e a sua maldição. Tem aqueles que se dão como o desfecho de Jasão e Medeia, ou Kriemhild e Siegfried, ou Lohengrin e Elsa, ou mesmo Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Píramo e Tisbe, ou, ainda, o fim de Paulo e Virgínia na narrativa de Bernardim de Saint-Pierre. Aí nem mel, nem cabaça. Vixe, quanta tragédia! Também outros em que o umbigo fala mais alto, haja capricho e incompreensão. Dois bicudos que se amam, mas não se beijam. E levam tudo na imposição: ou isso ou aquilo. Que bicho foi que mordeu? Nem que ponha mel nos beiços, é só pregando sermão, procurando encrenca ou sarna pra se coçar. Parece mais que falam em Volapuk, sem fair play. Maior quebra-de-braço, só medindo força. Por da cá aquela palha, pronto! Aí surge o pomo da discórdia. Quanto maior for a nau, maior a tormenta. Tudo por água abaixo. Quanto desperdício! No reino dos amantes tudo é possível. Não há como prever como tudo vai findar. Vai tudo aprumado até a hora que desanda tudo, de não haver concórdia nem na marra. Nossa, quanto se sofre de nariz empinado! Vai, cada qual, pentear macaco. Perdem o tempo e o latim. Finda cada qual pra sua banda, beijo partido e dor no peito. Gorou. Afinal, ninguém está bem com a vida que tem. E já dizia Terêncio: amantes amentes, tudo louco! Aí, sem saída, se recolhe na tebaida. Se remexer na ferida, empiora; se não sai da quizília, sucumbe no suplício de Tântalo com a túnica de Nessus. Pois é. Quem está vivo tem de saber onde põe os pés, morto é que é levado. Fazer o que? Mesmo que o coração diga não, só resta queimar os navios, desistir e partir pra outra cantando o Anti-romance que fiz com Célio Carneirinho: Ah, esse amor partido, sem gosto e sem cor, na sua efigie de quadro borrado. Ah, essa dor que murmura, resmunga terna e segura nosso ocaso na inércia do sonho. Ah, que as veredas do amor me corrói na insensatez da vergonha que me arrebata, me torce e me põe desolado nesse caso meio inacabado. Quantas manhãs refletem o amanhã e o sentido do gozo e da dor. É que o amor remexe e me trai e me põe de cabeça pra baixo. E vamos aprumar a conversa aqui.


Imagem: Venus, Cupido and Satyr, do pintor italiano Agnolo Bronzino (1503-1572).


Curtindo o álbum The Meeting (1982), do compositor, pianista e tecladista de jazz estadunidense Chick Corea & do compositor e pianista austríaco Friedrich Gulda (1930-2000).

PSICOLOGIA DA ARTE – No livro Psicologia da arte (Martins Fontes, 1999), do psicólogo e cientista bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934), destaco os trechos [...] Achamos que a ideia central da arte é o reconhecimento da superação do material da forma artística ou, o que dá no mesmo, o reconhecimento da arte como técnica social do sentimento. Achamos que o método de estudo desse problema é o método analítico objetivo, que parte da análise da arte para chegar à síntese psicológica: o método de análise dos sistemas artísticos dos estímulos. [...] A arte é o social em nós, e o se o seu efeito se processa em um indivíduo isolado, isto não significa, de maneira nenhuma, que suas raízes e essência sejam individuais. O social existe até onde há apenas um homem e as suas emoções. A refundição das emoções fora de nós realiza-se por força de um sentimento social que foi objetivado, levado para fora de nós, materializado e fixado nos objetos externos da arte, que se tornaram instrumento da sociedade [...] Por si só, nem o mais sincero sentimento é capaz de criar arte. Para tanto não lhe falta apenas técnica e maestria, porque nem o sentimento expresso em técnica jamais consegue produzir uma obra lírica ou uma sinfonia; para ambas as coisas se faz necessário ainda o ato criador de superação desse sentimento, da sua solução, da vitória sobre ele, e só então esse ato aparece, só então a arte se realiza. Eis que a percepção da arte também exige criação, porque para essa percepção não basta simplesmente vivenciar com sinceridade o sentimento que dominou o autor, não basta entender da estrutura da própria obra: é necessário ainda superar criativamente o seu próprio sentimento, encontrar a sua catarse, e só então o efeito da arte se manifestará em sua plenitude. [...] É de suma utilidade distinguir, como o fazem alguns autores, o esquema estático de construção da narração, como uma espécie de anatomia dessa narração, do esquema dinâmico de sua composição, como uma espécie de fisiologia desta. Já esclarecemos que toda narração tem sua estrutura específica, diferente da estrutura do material que lhe serve de base. Mas é patente que cada procedimento poético de enformação do material é racional ou dirigido; é introduzido com algum fim, cabe-lhe alguma função a ser exercida no conjunto da narração. E eis que o estudo da teleologia do procedimento, ou seja, da função de cada elemento estilístico, do encaminhamento racional e do significado teleológico de cada componente nos explica a vida pujante da narração e transforma a sua construção morta em organismo vivo. [...] devemos entender por material tudo o que o poeta usou como já pronto – relações do dia-a-dia, histórias, casos, o ambiente, os caracteres, tudo o que existia antes da narração e pode existir fora e independente dela, caso alguém narre usando suas próprias palavras para reproduzi-lo de modo inteligível e coerente. [...] Parece que chegamos à conclusão de que na obra de arte há sempre certa contradição subjacente, certa incompatibilidade interna entre material e forma, de que o autor escolhe como que de propósito um material difícil e resistente, desse que resiste com suas propriedades a todos os empenhos do autor no sentido de dizer o que quer... E aquele aspecto formal de que o autor reveste esse material não se destina a desvelar as propriedades contidas no próprio material... mas justamente ao contrário: destina-se a superar esses propriedades, a fazer o horrendo falar a linguagem do leve alento, o sedimento da vida em um ressoar sem fim como o vento frio da primavera.[...] Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O QUINZE – O romance O quinze (José Olympio, 1989), da escritora, jornalista, dramaturga e tradutora Rachel de Queiroz (1910-2003), foi publicado quando a autora contava apenas com vinte anos de idade, mostrando a miséria da seca de 1915, ao demonstrar sua preocupação com questões sociais e psicologia de seus personagens em dois planos, um que enfoca o vaqueiro Chico Bento e sua família e, de outro, a relação afetiva de Vicente, um rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora. Da obra destaco o trecho final: [...] Vicente, que até aí estivera calado, afastou-se uns passos, conversando com um amigo que se aproximara. Conceição fitava-o. O dentista insistiu: - Mas, Dona Conceição, o que a senhora disse é grave... então, nunca o amor... A moça o interrompeu: - Ora o amor!... Essa história de amor, absoluto e incoerente, é muito difícil de achar... eu, pelo menos nunca o vi... o que vejo, por aí, é um instinto de aproximação muito obscuro e tímido, a que a gente obedece conforme as conveniências... Aliás, não falo por mim... que eu, nem esse instinto... Tenho a certeza de que nasci para viver só... O dedo gordo do moço se espetou no ar, e o anel de grau relampejou amarelo, à claridade da lâmpada. - Nasceu para viver só? Olhe, Dona Conceição, já não ouviu dizer: ”Vae solis! ” Não crê na sabedoria dos antigos? A moça deu um passo e encolheu os ombros: - Sei lá, doutor! Os antigos diziam tolices, como todo o mundo- Mas, até logo; Mãe Nácia está-me chamando lá da casa da Lourdinha... O dentista se descobriu e dobrou-se numa reverência. Vicente, longe, com o amigo, não viu a prima sair. E Conceição se afastou rapidamente. Em caminho, pensava na citação do rapaz: ”Vae solís!” Pedante! Mas Lourdinha parecia tão feliz com a filhinha... Afinal, o verdadeiro destino de toda mulher é acalentar uma criança no peito... E sentia no seu coração o vácuo da maternidade despreenchida... ”Vae solís! ” Bolas! Seria sempre estéril, inútil, só... Seu coração não alimentaria outra vida, sua alma não se prolongaria noutra pequenina alma... Mulher sem filhos, elo partido na cadeia da imortalidade... Ai dos sós... Mas ao chegar em frente à calçada da prima, onde a avó a esperava, Duquinha afastou-se das saias de Dona Inácia, e correu-lhe ao encontro: - Madrinha! Madrinha! Me dê dois tões para eu comprar um navio de papel! À vista do menino, adoçou-se a amargura no coração da moça. Passou-lhe suavemente a mão pela cabeça; e pensou nas suas longas noites de vigília, quando Duquinha, moribundo, arquejava, e ela lhe servia de mãe. Recordou seus cuidados infinitos, sua dedicação, seu carinho... E, consolada, murmurou: - Afinal, também posso dizer que criei um filho... O tropel de um cavalo soou na rua. Reconhecendo Vicente no cavaleiro, Duquinha estendeu a mão ao padrinho, gritando: - A bênção! O rapaz viu a prima, sopeou o animal e tirou o chapéu, num gesto largo: - Boa noite! Lourdinha ainda lhe gritou um recado para a mãe. Vicente chegou as esporas ao cavalo, que arrancou, num grande impulso. E Conceição o viu sumir-se no nevoeiro dourado da noite, passando a galope, como um fantasma, por entre o vulto sombrio dos serrotes. Veja mais aqui e aqui.

ODE - No livro Ode e elegia (1944-45/ Topbooks, 2004), do poeta, jornalista, escritor e ensaísta alagoano Ledo Ivo (1924-2012), destaco o poema Ode: São sombras projetadas em minha alma / que renascem no encanto do jardim: / contemplo sombras que, no mar sem calma, / lembram jovens coqueiros arrastados / por ondas que, jogadas contra mim, / os preferissem por estranhos fados. / Na terra solta, marca de raízes / sugerem tristes lírios arrancados / e transportados para outros países / e em seres sem mistérios transformados. / Voz que nunca será deste meu canto / no presente noturno já renasce / e talvez por amor ou por encanto, / lembrança amiga de buscada face, / céu devolvido à morte brusca e fria, / neste lugar em meio à solidão / de onde a noite jamais se ausentaria, / eis que apareces, de repente, igual / a campos generosos de verão / lembrando a flor do mangue ou rosa astral. / Antes fosse talvez outra mais pura / e menos bela do que tu, amor, / ou menos clara ao sol desta saudade / onde vou perdurar sem nada ter... / mas foste tu, amável e segura, / que sem doçura e mesmo sem pudor, / permanecendo ausente ao meu querer, / se apropriou de minha virgindade / e me deixou votado à primavera / onde eu sou o que fui, e não o que era. / Longe do amor perdido e desejado / que aspira a perturbar o amor presente / não poderei jamais ter na lembrança / esses campos noturnos, sem que veja / teu corpo nu por mim abandonado / ardendo para sempre em febre intensa. / Nasce em mim, qual certeza, a esperança / de tua carne em mim, embora esteja / inclinado a outro corpo mais ardente / e afastado de ti na noite imensa. / Um sórdido instrumento musical / na sombra espessa chora, tão esquivo / que o mal que nasce deste céu nativo / parece ser o verdadeiro Mal. / Sem poder formular o informulável / em mim sinto dormir a nostalgia / de um país semelhante a uma mulher / que, inexplicavelmente, não me quer / e me aparece oculto na durável / lembrança de uma antiga melodia. / Como uma flor que não quer perecer / minha memória clama ao tempo e espera. / Que a luz dos céus inunde meu passado / para que eu, no presente, seja tudo / como as quatro estações na primavera. / Mesmo não sendo, quero sempre ser, / e à perdida unidade ligado. / Clame o mar, se possível, mas que eu traga / a lembrança do indomável de um desnudo / oceano resumido numa vaga... / Teu círculo de fogo está varado. / Não há norte nem sul, nem és Ofélia. / Os muçambês dos brejos, ao tufão / ausente, se reclinam num pudor / virginal que parece da camélia / presa ao vento ser o fiel bailado. / Oh pudor virginal que não pertence / ao teu rosto embora se condense / numa atitude grata de pureza / te faz mais que mulher! Céu e baixeza! / A loucura belíssima renasce / em mim, junto aos rochedos onde as ondinas / estendem teorias de meninas / num bailado fantástico de vagas. / A perdição maior de minha face / se inclina ante seu sexo que sugere / uma rica e exemplar concha marinha, / coral em linhas ásperas e largas, / ilha ausente demais meu olhar fere: / - tua fiel carícia agora é minha. / A vastidão do sono descoberto / faz nascer melodias no meu sono / mas uma flor que nunca murchará / generosa aparece na corrente / desta fonte, milagre do abandono, / alma subindo aos céus, resplandecente. / Jorra em mim a visão de um tempo incerto, / e ao silêncio da noite destinado / espero que uma porta se abrirá / e eu deixarei de ser um exilado. / Piedade inaudita, poço estável / onde se banha teu corpo desnudo / espelho de mil faces, anjo amável / que no rosto sem voz reflete tudo, / eu te ofereço trovas e canções. / Leva para a distância a minha mágoa / e me sacode entre as constelações / para que eu fique, mas desapareça, e como a água que corre, não feneça, / mas solitária esteja em outra água. / Que aos meninos de outrora se transplante / a flor que alimentaste com teu riso, / quando, na ausência, teu corpo ondulante / guardar a gravidade de um sorriso. / Eras de muitos homens, tinhas vícios / infames e perversos, mas deixaste / em nossas vidas sem amor algum / inapeláveis e cruéis resquícios, / pois corpos jovens, tu os violaste / e os amaste sem amar nenhum. / Queres que eu permaneça junto a ti / pois nasceste na beira destes lagos / para aos meninos dar rudes afagos / misturados aos lírios, como se / boiasses nessas águas transmudadas / a fim de ser amada com a constância / que tua alma imortal jamais quis ter. / Onde o reinado mágico das fadas / que dominaste outrora, sem temer / a sombra que cobria tua infância? / Eu quero ser o noivo de teu rosto, / nesta noite que pousa em teus cabelos, / como a lua inclinada ante uma flor, / indiferente a todos os apelos, / talvez mesmo ao apelo deste amor. / Não era um lírio branco recusado / - o antigo e claro céu no seio posto - / antes milagre sem libertação. / Era a fascinação de meu pudor / por teu grave esplendor tão desejado. / Como canção maior do amor perdido / em mim renasce a prolongada dor. / Curvo-me pleno de um mistério vão / e enquanto em ti a minha dor procura / do corpo arfante a pálida visão / que instrumento não fosse de loucura / ouço esta voz que me faz soluçar / junto a prados cobertos de rosais. / Teu corpo nu, perdida, me sacode / em posses feitas para nunca mais. / A fontes sem amor que ninguém pode / estancar nesta terra sem memória / e a mortes que me chamam para amar / eu me dedico, sobrenatural. / Mar que parasse, brusco, na harmonia / de uma beira de praia, hostil e fria, / princesa despojada de outra glória / que não seja o prazer ao natural, / quero ficar em ti, como ondulante / nuvem num céu de há muito desabado. / Sinto a germinação de um fruto arfante / que fosse pelos ventos arrastado / para um lugar perdido no mento. / Mesmo as sementes são por frio vento / levadas para algum lugar perdido.  / Jamais o sonho quando a morte existe. / Tu me deixaste o sonho, mas partiste / sem contemplar teu rosto refletido / na água podre de minha infância triste. / Jamais a morte quando o sonho existe. / Carne de amor há tanto tempo amante / e procurado em todos os lugares / em que, junto à mulher, fui como um deus! / Quero ser o teu barco nestes mares / e nos domínios de teu corpo arfante / aos teus anseios eu juntar os meus. / Em teu seio há mil almas desamadas. / Deixa fugir em tuas carnes quentes / este corpo que busca águas sagradas / de mares obscuros e ardentes. Veja mais aqui, aqui e aqui.

ROMEU & JULIETA – A tragédia Romeu e Julieta (1591), do poeta, dramaturgo e ator inglês William Shakespeare (1564-1616), conta a história de dois adolescentes apaixonado cuja morte acaba unindo famílias rivais, sendo considerado, então, como arquétipo do amor juvenil e que o seu enredo é baseado num conto italiano. Da obra destaco as falas de Romeu: [...] ROMEU: Que queres, tal é a transgressão do amor! Meus próprios pesares oprimem meu peito e tu vais aumenta-los acrescentando ainda os teus. Esse afeto que me mostraste acrescenta novo pesar ao excesso do meu. O amor é fumaça formada pelos vapores dos suspiros. Purificado, é um fogo chispeante nos olhos dos amantes. Contrariado, um mar alimentado pelas lágrimas dos amantes. Que mais ainda? Loucura prudentíssima, fel que nos abafa, doçura que nos salva. [...] Jurou e em virtude dessa economia, comete o maior esbanjamento, pois a beleza, esfaimada por tanto rigor, priva a beleza de toda a descendência. Ela é belíssima, discreta demais, sabiamente belíssima, para merecer a felicidade em troca de meu desespero. Ela jurou não amar e, por causa desse voto, vivo morto, vivendo somente para dizer-to agora [....] Uma mulher mais bela do que minha amada! O sol, que tudo vê, nunca viu outra semelhante desde a aurora dos tempos. [...] Terno ser é o amor? Áspero demais, rude demais, violento demais e pingente como um espinho [...] É minha dama! Oh! Ela é o meu amor! Oh! Se ela soubera! Fala, entretanto, nada diz; mas que importa? Falam seus olhos, vou responder-lhes!.... sou muito atrevido. [...] Ai! Mais perigos há em teus olhos do que em vinte de suas espadas [...] Amor, que foi o primeiro que me incitou a indagar, ele me deu conselho e eu lhe dei meus olhos [...] O amor corre para o amor, como os escolares fogem dos livros; mas o amor se afasta do amor, como as crianças dirigem para a escola com os olhos entristecidos. [...] Aqui está teu ouro, o pior veneno para as almas humanas, causando mais mortes neste mundo odioso do que essas pobres misturas que não ousas vender. Eu te vendo o veneno, tu nada me vendeste. Adeus! Compra alimentos e procura refazer tuas carnes... vem cordial e não veneno, vem comigo para o túmulo de Julieta. Lá deverei servir-me de ti. [...]. veja mais aqui e aqui.

DEUX OU TROIS CHOSES QUE JE SAIS D’ELLE – O drama social Deux ou trois choses que je sais d'elle (Duas ou três coisas que eu sei dela, 1966), dirigido pelo cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard, conta uma história de um casal que vive no subúrbio parisiense que envolve crueldade neo-capitalista, prostituição ocasional e amor físico num cenário de cadeia sexual, vida e corpos arrendados, fantasias, cenas diversas, o sol refletindo no corpo, buzinas, folhagens, a vida de uma mulher e a paisagem urbana numa lógica narrativa linear, tudo dá ao filme um clima bastante exótico de vida. O destaque vai para a premiada e estonteantemente bela atriz Marina Vlady. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do escultor e pintor francês Auguste Rodin (1840-1917). 
Veja mais aqui.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

ARISTÓTELES, CHICK COREA, COSTA-GAVRAS, RACHEL DE QUEIROZ, ALDEMIR, JOSÉ TERRA CORREIA & MUITO MAIS!!!

 Curtindo o álbum The Ultimate Adventure (Stretch Records, 2006), do pianista e tecladista de jazz estadunidense Chick Corea. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA - Encarando o inopinado: quando o sopapo de catabi assanha a peruca desmanchando a maquiagem é que o alicerce está fincado numa areia movediça que está remoendo arroiado! Tá na hora de se assuntar! (LAM). Veja mais aqui.

Imagem: arte do pintor, ilustrador e escultor Aldemir Martins (1922-2006). Veja mais aqui.

A CIDADE – No livro A política (UnB, 1985), do filósofo grego Aristóteles, é tratada a questão da natureza da cidade e os seus elementos e inicia a obra tratando a respeito da cidade e de seus elementos constitutivos, onde mostra as formas diferentes de autoridade existentes na sociedade da época. A respeito da cidade, o autor diz que “... é como uma associação, e que qualquer associação é formada tendo em vista algum bem, pois o homem luta apenas pelo que ele considera um bem.” Isso resulta que se todas as associações objetivam um certo bem, ou lucro, é na cidade ou sociedade política que isso se encontrará. Sobre os elementos constitutivos da cidade, o autor mostra sua visão hierárquica da sociedade, “alguns seres, quando nascem, estão destinados a obedecer; outros a mandar”, onde a pólis deveria levar em consideração a natureza de cada ser, a divisão que a natureza impõe. “Aquele que a si mesmo não pertence, porém pertence a outro, e, contudo, é um homem, esse é naturalmente escravo.”. O autor define as pessoas pelas funções sociais, onde a mulher e o escravo possuem valor inferior na sociedade; a mulher seria a procriadora e o escravo o trabalhador. Aliás, sua visão da mulher não era das melhores. Na reprodução, a mulher é passiva e recebe, enquanto o homem é ativo e semeia. Dessa forma as características seriam predominantemente do pai. “O homem livre manda no escravo de modo diverso daquele do marino na mulher, do pai no filho. Os elementos da alma estão em cada um desses seres, porém em graus diversos. O escravo é inteiramente destituído da faculdade de querer, a mulher possui-a, porém fraca; a do filho não é completa.”. Sobre a propriedade e a conquista de bens, “... a natureza não realiza nada em vão e sem objetivos, é evidente que ela deve tê-lo feito para o bem da espécie humana, [...] a arte da guerra é (...) um meio natural de conquista...”. A respeito da economia da época, no tocante à ciência da riqueza , o autor defende o uso da moeda pela facilidade do transporte, determina que “... assim como a política não faz os homens e sim os utiliza assim como a natureza os fez, igualmente é necessário que a natureza lhes forneça, (...) os primeiros alimentos”, e condena a usura: “muito justamente repugna-nos a usura, pois procura uma riqueza que não advém da própria moeda, que deixa assim de aplicar-se ao fim para qual foi criada. (...) o lucro é o dinheiro do dinheiro: se esta é, de quantas aquisições existam, a mais em desacordo com a natureza.” Mediante o visto, entende-se que para Aristóteles toda cidade é um tipo de associação e as associações visam algum bem, ou seja, o bem mais alto. Existem diversas maneiras de autoridades como governo político, onde quem lidera é um rei, o do chefe de família e do senhor para com o escravo.E eles imaginaram que o poder crescia conforme o numero de súditos, não havendo diferença entre uma grande família e uma pequena cidade. Então se devia unir homens e mulheres para gerar uma associação, que é formada por tendências da natureza,também vinda da natureza a tendência de um comandar e outro obedecer,pois aquele que possui inteligência será o senhor e aquele que é capaz por sua força,será conseqüentemente o súdito.E é dessas duas associações (homens e mulheres/senhor e escravos) que se forma inicialmente a família, que é a associação estabelecida pela natureza, para atender às necessidades do dia-a-dia do homem, como disse Epimêndes de Creta, partilham o sustento. Assim Aristóteles afirma que distingui o homem dos outros animais é o poder de discernir o bem e o mal, o justo e o injusto, e outros sentidos e outros sentimentos dessa ordem .Afirma também que a cidade é anterior ao individuo, pois, a cidade esta ligada como um todo,e o homem que basta assim mesmo,deve ser um deus ou uma besta. A justiça é a ponte entre os homens e as cidades, pois a administração da justiça é o principio da ordem na sociedade política. A alma tem sobre corpo um poder, como autoridade do senhor.E a razão exerce os humanos um poder político.Fica claro então que alguns homens são por natureza feitos para serem livres e outros para serem escravos, e que para esses últimos a escravidão e tão útil como justa. Assim o autor conclui que é preciso saber distinguir o rei de seus súditos, pois sendo indócil e preguiçoso, não será capaz de cumprir seus deveres. Assim fica evidente que ambos tem que ter virtudes porem com característica diferentes. Veja mais aquiaqui e aqui.

COMBATE À CORRUPÇÃO – O livro Combate à corrupção nas prefeituras do Brasil (Ateliê, 2003), de Antoninho Marmo Trevisan, Antonio Chizzzotti, João Alberto Ianhez, José Crizzotti e Josmar Verillo, trata sobre o padrõa típico de corrupção, sinais de irreguralidades na administração municipal, os bastidores das fraudes, investigações, provas e confronto, o exemplo de Ribeirão Bonito, as ONGs e o combate à corrupção, o recurso a leis e órgãos, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: É importante que a sociedade passe a exigir de candidatos os compromissos mais fortes com a ética e com a transparência. Uma forma de fazer isso é submeter aos candidatos um compromisso público de conduta, que pode ser adaptado às necessidades de cada comunidade, inclusive para a colocação de projetos específicos. Veja mais aqui.

MEMORIAL DE MARIA MOURA – No livro Memorial de Maria Moura (Siciliano, 1992), da escritora, jornalista, dramaturga e tradutora Rachel de Queiroz (1910-2003), destaco os trechos: [...] ―Afinal, como é que eu ia acabar com Cirino sem acabar também comigo? Como é que eu posso abrir a arca do peito e arrancar o coração pra fora? Ninguém pode fazer isso e continuar vivo. [...] E se eu não agüentar, paciência; se o sangue pisado aqui dentro me matar envenenada – pois bem, eu morro! Vou morrer um dia, afinal. Todo mundo morre. Mas quero morrer na minha grandeza. [...] Ainda está na hora de mudar de idéia, Sinhá. Vai ser uma luta muito dura, com esses homens traquejados pra matar. Não é briga pra mulher. E se lhe matam? Saltei na sela. Mas, antes de dar partida, me dobrei sobre o pescoço do cavalo e disse olhando nos olhos de Duarte: – Se tiver que morrer lá, eu morro e pronto. Mas ficando aqui eu morro muito mais. Veja aquiaqui e aqui.

VASTIDÃO – Entre os poemas do poeta José Terra Correia, coautor dos livros 21 poemas (2005) e Poesia do mesmo sangue (2007), e incluído na terceira edição dos Poetas dos Palmares (2002), destaco o seu poema Vastidão: Naufrago-me no amor dos pobres de espírito / Entre o desempregado e a empregada / O cozinheiro e o cabeleireiro / A balzaquiana e a senhora / O trabalhador e a romântica / Poesia, não falo do amor geladeira / Deixo esse tipo de amor para meus mestres se pronunciarem / Meus mestres são amantes azuis / O erotismo se enche no meu corpo / Como um arrulhar de machos e fêmeas / O lirismo me agita Poeta e me entrega á mulher / Como um pássaro de luz / A esperança me embriaga num cálice de vinho / E dou poemas viscerais ao mundo dos pobres / Sou metade homem e metade animal. Veja mais aqui.

FERNANDO E ISAURA – Em 2003 tive a oportunidade de assistir no Teatro Armazem, no Recife, à montagem da peça Fernando e Isaura, baseado no romance de Ariano de Suassuna e compreendendo uma versão nordestina do lendário amor impossível de Tristão e Isolda, acontecido nas margens do rio São Francisco, em antigas cidades alagoanas. A direção ficou por conta de Carlos Carvalho e o destaque do elenco fica por conta da atuação das atrizes Ana Claudia Wanguestel e Paula de Renor. Veja mais aqui.

AMEM – O filme Amém (2002), do cineasta grego Costa-Gavras, conta a história real de Kurt Gerstein (Tukur), um oficial da SS que, durante a II Guerra Mundial, vê seu programa sanitário de eliminação de pragas ser usado nas camaras de gas dos campos de concentração. Junto com um padre jesuíta, tenta alertar o mundo sobre o massacre dos judeus, apesar da omissão dos Aliados e da hesitação do Vaticano. Veja mais aquiaquiaqui aqui e aqui.


GARANTISMO PENAL E A PONDERAÇÃO DE INTERESSES EM FACE DA INADMISSIBILIDADE DAS PROVAS OBTIDAS POR MEIO ILÍCITOS – O garantismo penal consiste numa modelação que objetiva o fortalecimento do direito penal mínimo, propondo-se o estabelecimento de critérios de natureza racional à intervenção penal, no sentido de não possibilitar a legitimação de qualquer modelo que possa sinalizar pelo controle social acima dos direitos e garantias individuais previstos constitucionalmente. Considera, também, que a prova juridicamente é vista como a demonstração apresentada pelos meios legais, confirmando a existência ou veracidade de um fato material ou de um ato jurídico, em virtude da qual se conclui por sua existência ou se firma a certeza a respeito da existência do fato ou do ato demonstrado. Dessa forma, não há dúvida de que a prova possui a finalidade de convencer o juiz da veracidade dos fatos sobre os quais ela versa. Há, ainda, que se observar que no direito processual brasileiro existe vários tipos de meios probatórios especificados em seu ordenamento jurídico, para se provar o fato alegado em processo judicial, todos respeitando a legalidade, licitude e moralidade da prova. Tendo por base a revisão da literatura realizada a partir das idéias expressas por Julio Fabrinio Mirabete, Fernando da Costa Tourinho Filho e Luiz Francisco Torquato Avolio, que a doutrina divide as provas vedadas ou proibidas em ilícitas e ilegítimas. As primeiras são as que afrontam normas de caráter substancial ou material. As provas ilegítimas contrariam normas de Direito Processual, tanto na produção quanto na introdução da prova ao processo. A questão da inadmissibilidade da prova obtida por meios ilícitos, segundo Marco Antonio Vilas Boas, é encontrada na Constituição Federal, em seu art. 5°, LVI, que dispõe: “Artigo 5º (...) LVI - São inadmissíveis no processo, as provas obtidas por meios ilícitos", significando que a obtenção da prova deve se encontrar articulada e em obediência à lei, aos costumes, à moral e aos princípios gerais de direito. Muito embora entre os debates e discussões venha ocorrendo a admissão da chamada Teoria da Proporcionalidade admitindo a prova ilícita em casos extremamente graves para manter o equilíbrio entre valores fundamentais contratantes. A Teoria da Proporcionalidade objetiva um equilíbrio entre o interesse estatal e o social em punir o criminoso, estando assegurados constitucionalmente os direitos fundamentais do indivíduo, partindo da premissa, apesar das controvérsias tanto na doutrina como na jurisprudência, admitindo-se somente quando for para beneficiar a defesa, e por uma razão muito simples, é melhor ver um direito constitucional violado do que ceifar a liberdade de um inocente. Já segundo Luiz Francisco Torquato Avolio, uma outra questão controversa é a da inadmissibilidade das provas ilícitas por derivação que é adotada pela Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada, segundo a qual a obtenção ilícita da informação se projeta sobre as diligências subseqüentes, aparentemente legais, maculando-as e elas transmitindo o estigma da ilicitude penal. Há que se observar, portanto, que são admissíveis no direito, todas as provas, desde que não sejam ilegais ou imorais, conforme reza o art. 332 do nosso Código de Processo Penal. Desta forma, com base em Ferando Capez, Magalhães Noronha, Paulo Rangel e Adalberto Aranha, a prova ilícita é toda aquela que ofende o direito material, necessitando distinguir que a prova ilícita fere o direito material enquanto a prova ilegítima o direito processual. Vê-se, pois, que as correntes são diversas e, dentre elas, existem as que admitem a prova ilícita, colhida com ofensa a norma de direito material desde que ela não seja, também, ilegítima ou produzida com ofensa ao direito processual, defendidas por Carnelutti e Franco Cordero; as que inadmitem as provas obtidas por meios ilícitos atenta a uma visão unitária do Direito que não tolera a ilicitude e a imoralidade, defendidas por Nuvolone e Vescovi; a que rejeita as provas ilícitas com fundamento em princípios constitucionais, defendidas por Comoglio e Bauer; a que não aceita as provas ilícitas, como princípio geral, mas admite exceções, quando se destinar a combater o crime organizado, dentre outras. Pelo visto, sistema brasileiro se filiou à terceira corrente, já que optou pela vedação clara das provas ilícitas que traduzem violação a direitos fundamentais do cidadão. Contudo, até o momento não cuidou o legislador ordinário de disciplinar a matéria e a lacuna existente tem gerado polêmica acerca da aplicabilidade dessa disposição constitucional. Conforme os autores anteriormente mencionados, os meios de prova ordinariamente utilizados são: o interrogatório do acusado, a busca e apreensão, a inquirição de testemunhas, as declarações da vítima, as perícias, dentre outras modalidades. E como a finalidade precípua da prova, entretanto, é a apuração da verdade dos fatos objeto do processo, poderá o magistrado, a requerimento ou de ofício, utilizar-se de outros meios, não expressamente admitidos em lei, desde que moralmente legítimos. Nesse ponto, é perfeitamente admissível a aplicação subsidiária do disposto no artigo 332 do CPC, já que a analogia é admitida pelo artigo 3º do CPP. Desse modo, poderá o magistrado valer-se de meios de prova não previstos expressamente em lei, tais como gravações fonográficas, fotografias, filmes, inspeção judicial, dentre outras. Assim, todas as provas devem ser avaliadas em conjunto do bojo probatório, do qual insurgirá a convicção do magistrado, inexistindo hierarquização entre os meios de prova. CONCLUSÃO: Partindo do princípio que provar é, antes de tudo, estabelecer a existência da verdade; e as provas são os meios pelos quais se procura estabelecê-la, entende-se, também, por prova, os elementos produzidos pelas partes ou pelo próprio Juiz, visando estabelecer, dentro do processo a existência de certos fatos. Mediante isso, entende-se que provar é, antes de tudo, estabelecer a existência da verdade; e as provas são os meios pelos quais se procura estabelecê-la. Entende-se, também, por prova, os elementos produzidos pelas partes ou pelo próprio juiz, visando estabelecer, dentro do processo a existência de certos fatos. A Constituição Federal considera, de maneira taxativa, serem inadmissíveis as provas obtidas por meios ilícitos. Mas não estabelece qual a conseqüência que deriva da circunstância de apesar da proibição, a prova ter sido admitida, vinda a ingressar no processo. A noção de inadmissibilidade está ligada à questão da validade e eficácia dos atos processuais. Atua de forma antecipada, impedindo o ingresso, no processo, do ato irregular. Razão pela qual deve abranger, não só o ingresso jurídico da prova no processo, mas também sua introdução material nos autos, evitando-se, com isso, influências indesejáveis sobre o convencimento do julgador. Já, a nulidade visa a retirar os efeitos de um ato irregularmente praticado. Há que se observar que os Tribunais Superiores têm sustentado que a prova vedada não gerará a nulidade do processo, se a condenação não estiver fundada exclusivamente na prova ilícita. Desta forma, os debates doutrinários persistem e há, pois, a tendência de que deva admitir a prova ilícita em casos que requeiram tal expediente sem ferir o garantismo penal. Veja mais aqui e aqui.
REFERÊNCIAS
ARANHA, Adalberto José Q.T de Camargo. Da Prova no Processo Penal. São Paulo: Saraiva, 1994.
AVOLIO, Luiz Francisco Torquato. Provas ilícitas: interceptações telefônicas e gravações clandestinas. São Paulo, RT, 1995.
CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. São Paulo: Editora Saraiva, 1999.
MIRABETE, Julio Fabrini. Processo Penal. São Paulo: Atlas, 2005.
NORONHA, E. Magalhães. Curso de Direito Processual Penal. São Paulo: Saraiva, 1997.
RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003.
TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Processo penal. São Paulo: Saraiva, 2000.
VILAS BOAS, Marco Antônio. Processo Penal Completo: doutrina, formulários, jurisprudência e pratica. São Paulo. Saraiva, 2001.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz britânica Teresa Ann Savoy.


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