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sábado, maio 30, 2015

BAKUNIN, PO CHU YI, MURILO LA GRECA, BERTHA LUTZ, BELLINATI, MELINDA, SONIA MELLO, MATA HARI & PSICODRAMA.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA: HOJE É DIA DA CANTORA SONIA MELLO – A cantora pernambucana radicada no Rio de Janeiro, Sonia Mello, foi uma interprete de sucesso das canções de Roberto & Erasmo Carlos. Hoje ela trabalha o seu cd Desejo, no qual tem uma canção inédita da dupla, e seguindo a sua carreira musical lançando novos nomes da música brasileira e outros sucessos que ocorreram na época da Jovem Guarda. Como todo dia é dia da mulher, hoje, especialmente, é dia de Sonia Mello para quem daqui dou salvas de palmas desejando sucesso & felicidade. Parabéns, Sônia, feliz aniversário! E veja mais aqui, aqui e aqui.

Imagens do artista plástico e professor pernambucano Murilo La Greca (1899-1985).

Curtindo The Guitar Works of Garoto (GSP, 1991) do violonista, compositor e arranjador brasileiro Paulo Bellinati, executando obra do também compositor e violonista brasileiro Garoto – Anibal Augusto Sardinha (1915-1955).

DEUS E O ESTADO – A obra Deus e o Estado (1871), do escritor, ativista anarquista e teórico libertário russo Mikhail Bakunin (1814-1876), aborda questões atinentes à temática da autoridade a partir da ideia de Deus e do Estado, liberdade coletiva e do homem, as faculdades morais e materiais humanas, a religião, a fé, dominação e escravidão, Marxismo e autoritarismo. Da obra destaco o trecho inicial: Três elementos ou três princípios fundamentais constituem, na história, as condições essenciais de todo desenvolvimento humano, coletivo ou individual: 1º) a animalidade humana; 2º) o pensamento; 3º) a revolta. À primeira corresponde propriamente a economia social e privada; à segunda, a ciência; à terceira, a liberdade. Os idealistas de todas as escolas, aristocratas e burgueses, teólogos e metafísicos, políticos e moralistas, religiosos, filósofos ou poetas, sem esquecer os economistas liberais, adoradores desmedidos do ideal, como se sabe, ofendem-se muito quando se lhes diz que o homem, com sua inteligência magnífica, suas idéias sublimes e suas aspirações infinitas, nada mais é, como tudo o que existe neste inundo, que um produto da vil matéria. Poderíamos responder-lhes que a matéria da qual falam os materialistas, matéria espontaneamente, eternamente móvel, ativa, produtiva, a matéria química ou organicamente determinada e manifesta pelas propriedades ou pelas forças mecânicas, físicas, animais e inteligentes, que lhe são forçosamente inerentes, esta matéria nada tem de comum com a vil matéria dos idealistas. Esta última, produto de falsa abstração, é efetivamente uma coisa estúpida, inanimada, imóvel, incapaz de dar vida ao mínimo produto, um caput mortuum, uma infame imaginação oposta a esta bela imaginação que eles chamam Deus; em relação ao Ser supremo, a matéria, a matéria deles, despojada por eles mesmos de tudo o que constitui sua natureza real, representa necessariamente o supremo nada. Eles retiraram da matéria a inteligência, a vida, todas as qualidades determinantes, as relações ativas ou as forças, o próprio movimento, sem o qual a matéria sequer teria peso, nada lhe deixando da impenetrabilidade e da imobilidade absoluta no espaço; eles atribuíram todas estas forças, propriedades ou manifestações naturais ao ser imaginário criado por sua fantasia abstrativa; em seguida, invertendo os papéis, denominaram este produto de sua imaginação, este fantasma, este Deus que é o nada, "Ser supremo"; e, por conseqüência necessária, declararam que o Ser real, a matéria, o mundo, era o nada. Depois disso eles vêm nos dizer gravemente que esta matéria é incapaz de produzir qualquer coisa que seja, até mesmo colocar-se em movimento por si mesma, e que por conseqüência deve ter sido criada por seu Deus. [...] Veja mais aqui e aqui.

REFLEXOS OUVINDO INSETOS – Na obra O velho vendedor de carvão, do poeta chinês da dinastia Tang, Po Chu Yi (772-846) – também nomeado como Bai Juyi - que foi várias vezes desterrado de sua terra, autor de poemas didáticos e de protesto, encontrei o poema Reflexos: Envelheço. Estas límpidas águas refletiram já um outro rosto  Ninguém me pode devolver esse fulgor  passado. Para quê turvá-las? Também os poemas Vida em retiro: último outono & Ouvindo insetos, traduzidos por Maurício Arruda Mendonça: vida em retiro: último outono - lugar ermo: nenhuma pegada / de poucos me despeço: na entrada / dedos do poente : medito a sós / o coração rebrota : degustando a paz / jardim pleno: sem varrer: outono / na mão sopeso : galho de glicínias /em retiro : tantas folhas secas /piso minhas lembranças: ecos amarelos. [...] ouvindo insetos - escuto no escuro / ocultos entre rochas / insetos entretecem seu sussurro / envolto em névoa e sombra / promete pura chuva / deseja o céu / outono / o coração desfolha / ardendo / esse silêncio intenso / devo dormir / sem sono / sussurros se insinuam / perto / mais perto / eu permaneço / erva ceifada antes do tempo. Por fim esse belo poema sem título: Não penses nas coisas que se foram e passaram; não penses no que há de suceder; pensar no futuro é impaciência vã. É melhor que de dia sentes como um paletó na cadeira; que de noite deites como uma pedra no leito. Quando vem o jantar abre a boca; fecha os olhos quando vem o sono e o sonho. Veja mais aqui.

FUNÇÃO EDUCATIVA DOS MUSEUS – A obra A função educativa dos museus (Museu Nacional, 2008), organizado por Guilherme Gantois de Miranda, Maria José da Costa Santos, Silvia Ninita de Moura Estevão e Vítor Manoel Marques da Fonseca, destaca o trabalho da bióloga e advogada brasileira Bertha Lutz (1894-1976), especialista em anfíbios e pesquisadora do Museu Nacional, foi uma das figuras mais representativos da Educação e do Feminismo do século XX. Mulher polivalente, Bertha Lutz participa em vários campos do conhecimento com a sua excepcional formação cientista e fluência em várias línguas, depois de um período de estudos na França retorna ao Brasil para fundar a Liga para Emancipação Intelectual da Mulher, no Rio de Janeiro, atuando como tradutora do Instituto Oswaldo Cruz e no trabalho de pesquisa do seu pai, Adolpho Lutz na Medicina Tropical e Zoologia Médica, sendo, ainda, a principal autora da obra Lutz's Rapids Frog, ao descrever o Paratelmatobius lutzii (Lutz and Carvalho, 1958), além de fundar a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). Veja mais aqui.

TEATRO ESPONTÂNEO E PSICODRAMA – O livro Teatro espontâneo e psicodrama (Ágora, 1998), de Moysés Aguiar, trata de temas como o campo do teatro espontâneo, o papel do diretor, os atores: protagonista, aquecimento: a caminho da criação, dramaturgia: a produção do texto, encenação e comunicação cênica, a construção da teoria, círculos de giz, marco teórico, conceito de co-transferência, processamento em psicodrama, entre outros assuntos. Da obra destaco os trechos: [...] O teatro espontâneo introduz no pensamento psicológico uma forma nova de encarar o comportamento humano. Em primeiro lugar, porque se propõe a investiga-lo por meio da criação artística. A representação da vida no palco, atuada pelos próprios autores do relato, permite revelar os aspectos mais importantes do aqui-e-agora concreto de pessoas concretas. A singularidade dos ângulos pelos quais a vida é observada é um dos elementos mais valiosos que compõe a abordagem artística. Como ciência, estabelece um novo objeto, diferente dos que ocupam, respectivamente, tanto a psicologia como a sociologia. Na tentativa de compreender o homem, privilegia a intersecção entre o individual e o coletivo. Nem o psiquismo individual nem os macrofenomenos sociais lhe interessam como campo de pesquisa (embora não seja todo em negar a importância das investigações que se fazem nessas áreas fronteiriças). O que instiga sua atenção é o relacionamento concreto entre pessoas concretas e a inserção desse particular no geral, considerado em amplitude tanto mais amplas quanto possível. O terapeuta é, nesse caso, um misto de artista e cientista. [...] Veja mais aqui, aqui e aqui.

MATA HARI – A dançarina exótica e símbolo da ousadia feminina holandesa Mata Hari (1876-1917) foi acusada de espionagem e condenada à morte por fuzilamento durante a I Guerra Mundial. Sua vida foi levada pela primeira ao cinema, no longa metragem Mata Hari: The Dancer Red, pelas mãos do diretor austríaco Friedrich Feher (1889-1950), em 1927, estrelado pela atriz tcheca Magda Sonja (1886-1974). Em 1931, novo filme contando seus últimos dias de vida, levou a atriz sueca Greta Garbo (1905-1990) a interpretá-la, com direção de George Fitzmaurice (1885-1940). Em 1985, foi a vez da atriz, modelo e diretora holandesa Sylvia Kristel (1952-2012) viver o personagem da dançarina, com direção de Curtis Harrington. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
A arte da desenhista estadunidense Melinda Gebbie, autora do livro Fresca Zizis (1977) e parceria de Alan Moore nos quadrinhos Cobweb e da publicação erótica Lost Girls.


Veja mais sobre:
História Universal da Temerança, La Divina Increnca de Juó Bananére, Savarasti, Ator e estranhamento de Eraldo Pera Rizzo, a música de Mônica Feijó, a poesia de Colombina, a pintura de Alfred Pellan & Kellie Day aqui.

E mais:
Vamos aprumar a conversa, a poesia de Mario Quintana, a música de Iancu Dumitrescu, o ativismo anarquista de Maria Lacerda de Moura, Toda América de Ronald de Carvalho, Aventuras galantes de Rabelais, Pele de lobo de Artur Azevedo, o cinema de Mario Monicelli & Faith Minton, a pintura de Alfred Pellan & Pierre-Paul Prud'Hon aqui.
Do individualismo ao umbigocentrismo, o pensamento de Gianni Vattimo, A mulher no Diário de um sedutor de Kierkegaard, O poema do haxixe de Baudelaire, Tribo Ik, Antípodas Tropicais de Adriano Nunes aqui.
As delícias do pomar dela, Abre-te Sésamo: Monstesquieu, Declaração de amor de Michael Moore, Imprensa Brasileira & Big Shit Bôbras: o Big Bode aqui.
Princípios de retórica aqui.
A educação na sociologia de Max Weber aqui.
Quem desiste jamais saberá o gosto de qualquer vitória, A ciência da linguagem de Roman Jakobson, Caminhos de Swan de Marcel Proust, a música de Secos & Molhados & Luiza Possi, a pintura de Henry Asencio, a fotografia de Thomas Karsten, a arte de Regina José Galindo & Tortura é crime aqui.
Tudo em mim, mestiço sou, O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, A história da vida de Helen Keller, O anarquismo de Emma Goldman. a música de Guilhermina Suggia, Viviane Madu & Os Fofos Encenam, a escultura de Luiz Morrone, a fotografia de Pisco Del Gaiso & a pintura de Martin Eder aqui.
Educação, professor-aluno, gestão escolar & neuroeducação, Livro dos sonhos de Jorge Luis Borges, Neurociência & Educação, Ciência psicológica de Michael Gazzaniga, a música de Ayako Yonetan, a fotografia de Anton Giulio Bragaglia, a pintura de Jean Metzinger & Anthony Gadd aqui.
Cantarau Tataritaritatá, a literatura de John dos Passos, O teatro pobre de Jerzy Grotowski, a música de Carlos Careqa, Estética teatral de José Oliveira Barata, a coreografia de Xavier Le Roy, a arte de Alex Mortensen & Vesselin Vassilev aqui.
Manchetes do dia: ataca o noticiário matinal, Folclore pernambucano de Pereira da Costa, Filosofia da Linguagem, Vinte vezes Cassiano Nunes, a música de Fabian Almazan, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Nicolai Fechin & a arte de Roberto Prusso aqui.
Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Art by Ísis Nefelibata
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
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terça-feira, fevereiro 24, 2015

RITA JOE, ELIF SHAFAK, KAKÁ WERÁ & CATHERINE DENEUVE

 


NELA, O TRÂMITE: O QUE É DA VIDA SENÃO AMOR... - Não tenho asas e nem sei onde estou. Ela Boadicea me sorria para que não me sentisse recusado Manet no Le Havre et Guadaloupe, nem levado pelos mares tenebrosos de Conrad. Seu abraço de Ninfa surpresa juntou meus pedaços e vivi em suas feições marcantes o apaziguamento da minha perdição: era o afeto mais real que vinha de sua contumaz transparência, como quem caísse do telhado nua de céu. Jogava-me suas cartas como Aura de Fuentes e dos seus olhos escuros quão tardia indômita Melodia de Backer. Era Morisot elegantemente refinada entre violetas, com sua boca de véspera e eu mais que assíduo no seu jeito entreaberto. Insinuava-se tal gata de Nise no fio de Bastet: um olhar faminto na boca sedenta. Deu-me o sistro com a mão direta e, com a outra, a efígie com cabeça de leoa coroada pelo disco solar e serpente uraues: era a filha de Rá desvelando os segredos piramidais. E me fez Anúbis amante na assimetria das horas em plena madrugada, com sua nudez iluminada e o surpreendente nascia do quase impossível. Tudo nela onírica Dama do Lago de Cocaigne, no reino de Anaitis. E nela adormecia e sonhava tantas noites de outras vezes: a salvação era ela inopinada cheia de luz, fogos de artifícios nas minhas veias, trovões no meu coração. Desse no meio da solidão seria outro dia e mesmo que não tivesse para onde ir era nela: o amor valia a vida. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - Pare de correr atrás das ondas. Deixe o mar vir até você... Todo amor e amizade verdadeiros são uma história de transformação inesperada. Se somos a mesma pessoa antes e depois de amar, isso significa que não amamos o suficiente... Pensamento da escritora turca Elif Shafak, que no seu livro The Forty Rules of Love: The magical tale of love and self-discovery from the bestselling author of The Island of Missing Trees (Penguin, 2009), expressa que: […] Aconteça o que acontecer em sua vida, não importa o quão preocupantes as coisas possam parecer, não entre na vizinhança do desespero. Mesmo quando todas as portas permanecerem fechadas, Deus abrirá um novo caminho somente para você. Seja grato! [...] Se somos a mesma pessoa antes e depois de amar, isso significa que não amamos o suficiente. [...] Não vá com o fluxo. Seja o fluxo [...] Como o amor pode ser digno de seu nome se alguém seleciona somente as coisas bonitas e deixa de fora as dificuldades? É fácil aproveitar o bom e não gostar do ruim. Qualquer um pode fazer isso. O verdadeiro desafio é amar o bom e o ruim juntos, não porque você precisa aceitar o áspero com o suave, mas porque você precisa ir além dessas descrições e aceitar o amor em sua totalidade. [...] Paciência não significa suportar passivamente. Significa ser clarividente o suficiente para confiar no resultado final de um processo. O que paciência significa? Significa olhar para o espinho e ver a rosa, olhar para a noite e ver o amanhecer. Impaciência significa ser tão míope a ponto de não conseguir ver o resultado. Os amantes de Deus nunca perdem a paciência, pois sabem que é preciso tempo para que a lua crescente fique cheia. [...] Como vemos Deus é um reflexo direto de como nos vemos. Se Deus traz à mente principalmente medo e culpa, significa que há muito medo e culpa acumulados dentro de nós. Se vemos Deus como cheio de amor e compaixão, nós também somos. [...].

 

ALGUÉM FALOU: É preciso ter liberdade e confiança absolutas para se expressar verdadeiramente. Eu me esforço para ser autêntica e fiel a mim mesmo, em vez de me conformar com as expectativas da sociedade. Eu encontro consolo e alegria na solidão. Ela me permite conectar com meu eu interior. Eu sei quem eu sou, como eu era. Eu não quero saber como eu serei porque ninguém sabe disso... É melhor não se preparar, porque o que você preparar sempre estará errado... Fortaleça sua mente em qualquer lugar e a qualquer hora. Acredito no poder do silêncio. Às vezes, as palavras podem diluir a essência de um momento. Gentileza e empatia são as verdadeiras medidas de caráter. Pensamento da atriz francesa Catherine Deneuve. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

 

PERDI MINHA FALA - Perdi minha fala \ A fala que você levou embora. \ Quando eu era uma garotinha \ Na escola Shubenacadie. \ Você a arrebatou: \ Eu falo como você \ Eu penso como você \ Eu crio como você \ A balada embaralhada, sobre meu mundo. \ Duas maneiras de falar \ Ambos os caminhos eu digo, \ Seu jeito é mais poderoso. \ Então gentilmente ofereço minha mão e peço, \ Deixe-me encontrar minha fala \ Para que eu possa lhe ensinar sobre mim. Poema da escritora indígena canadense Rita Joe (1932-2007), membro da tribo Mi’kmaq, tendo aos 10 anos tornado-se órfã e aos 12 anos, entrado para uma escola indígena, onde as críticas destrutivas quanto à sua cultura de origem constantemente a incentivaram a começar a escrever como forma de resistência. O poema escrito em 1989, I Lost My Talk, foi destacado em uma entrevista que ela concedeu mencionando: Meu maior desejo é que haja mais escrita do meu povo, e que os nossos filhos a leiam. Eu já disse repetidas vezes que a nossa história seria diferente se tivesse sido expressa por nós mesmos...

 

A TERRA DOS MIL POVOS – [...] A palavra tem espírito [...] E nesse contar eu sou o espírito de cada folha, cada planta, cada brisa pronunciada. Eu sou cada pedra no caminho e cada vento, cada dia de sol e cada dia noite de lua e cada brisa; e cada brilho de cada estrela. Nesse contar eu sou o fluxo límpido da cachoeira e do rio, e de toda água que preenche o grande mar [...]. Trechos extraídos da obra A terra dos mil povos: história do Brasil contada por um índio (Peirópolis, 1998), do escritor, ambientalista e conferencista indígena tapuia, Kaká Werá Jecupé (Carlos Alberto dos Santos), que no livro Oré awé roiru’a ma - Todas as vezes que dissemos adeus (TRIOM, 2002), Kaká expressa:[...] É entre o sul e o norte que Mãe Terra expira as almas. Por estes quatro cantos flui a grande vida. Por estes quatro cantos os nomes descem à Terra. Por estes Quatro cantos as palavras encarnam, tornando-se gente. Apontava-me o Leste, o Norte, o Sul, o Oeste. - Por esta respiração sagrada o ‘espírito-nomeado’ contempla seu último desdobrar, indobrando-se na terra virando semente, depois é que a pequena mãe terrena concebe o corpo do nome na barriga. Quando Pai e Mãe abraçam o abraço de criar. Quando dois viram um. No abraço do ‘fogo-amor’, recomeça a magia do desdobrar da semente: vira música, vira dança, vira voo e passa a caminhar pelo chão da vida terrena. [...]. Já no livro Tupã Tenondé: a criação do Universo, da Terra e do Homem segundo a tradição oral Guarani (Peirópolis, 2001), Kaká traz esse belíssimo momento poético: Os fundamentos do ser foram concebidos \ Na origem da futura linguagem humana,\ Tecida da sabedoria contida em sua própria divindade\ E em virtude de sua sabedoria criadora\ Concebeu como primeiro fundamento o Amor.\ Antes de existir a terra,\ Em meio à Noite Primeira\ E antes de ter-se conhecimento das coisas,\ O amor era [...] O ser humano é percebido como “alma-palavra” – é o que se expressa mediante a linguagem e por meio do pensamento. Ser e som têm o mesmo sentido. Para essa percepção é necessário ampliar o nosso conceito de som para além da vibração sonora, percebê-lo como corpo-vida, princípio dinâmico da luz cuja forma denominamos “consciência” [...] uma tonalidade da Grande Música Divina colocada em pé, encarnada, dentro de um assento chamado corpo-carne, para entoar a criação no mundo terreno, para ser na Terra o que sua essência sagrada é no céu – escultor, tecelão, cantor e transformador da vida [...].  O grande movimento da vida é qualificado como Amor incondicional e Sabedoria. É com base na qualidade do amor e na sabedoria que o universo torna-se supraconsciente, consciente e subconsciente de si mesmo. Equilibra os mundos, sustenta as dimensões, gera o Cosmos. O Grande Espírito torna-se Música Celeste, ritmo e movimento. Desdobra-se em Espíritos Co-Criadores, chamados também de Seres-Trovões. Sonha e manifesta a morada terrena. Os Seres-Trovões estabelecem moradas espirituais nas quatro direções e agora recebem a responsabilidade de gerarem palavras-almas, tonalidades de suas essências, para encarnarem na Terra [...].

 

O MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA – No livro Psicologia Social crítica como prática de libertação (EdiPucRS, 2009), o filósofo, sociólogo, professor e doutor em Psicologia Social, Pedrinho Guareschi, aborda no segundo capítulo a questão acerca do Mistério da consciência, expressando que: Somos seres limitados, em processo, não apenas imortais, mas eternos, em busca do infinito. O mistério é sempre invisível, intocável, inefável [...] Chega-se a ele através da contemplação, da meditação profunda, onde nossos olhos se fecham, nossos ouvidos se cerram, nossas mãos descansam, onde não necessitamos pronunciar palavras. Quem experimentou, sabe. [...] a consciência é a resposta que conseguimos dar às perguntas: quem sou eu: que são as coisas que me rodeiam? A consciência seria o quanto de resposta conseguimos dar a essas perguntas. Quando mais resposta, mais consciência. A consciência é, portanto, um processo infinito, de busca e de construção de respostas. Vamos crescendo em consciência na medida em que conseguimos respostas. [...] É a consciência que leva à liberdade. Isto é, que só é livre quem tem consciência. Através do processo de descoberta, investigação, reflexão meditação, contemplação, vamos identificando a r5azão de nós sermos o que somos e de por que as coisas que nos rodeiam são do modo que são. Esse seria o caminha para a liberdade, processo também infinito. [...] só é livre quem tem consciência; a consciência é um pressuposto indispensável para que alguém possa ser considerado livre. E a responsabilidade? [...] passa pelo caminho da consciência e da liberdade. Poderíamos então afirmar: a consciência conduz à liberdade; e a consciência e a liberdade conduzem à responsabilidade. O especifico do conceito de responsabilidade é que ele implica uma ação de resposta, um incentivo à ação: responsabilidade vem de resposta [...]. Veja mais aqui e aqui.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aqui Logo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá, com muita festa e a apresentação da querida Meimei Corrêa, com as seguintes atrações na programação: Egberto Gismonti, Duofel, Nando Lauria, Gal Costa & Caetano Veloso, Djavan, Geraldo Azevedo, Chico Buarque, Chico César, Sônia Mello, Roberto Toledo, Mazinho, Julia Crystal & Monica Brandão, Elisete Retter & Edward Brown, Irina Costa & Mácleim, Ricardo Machado, Ely Camargo & Reisado de Alagoas, Frederico Amitrano, Zé Linaldo & Ramanir, Zé Ripe & Paulo Profeta, Tirso Florence de Biasi & Banda Tres, Sóstenes Lima, Jan Cláudio & Eduardo Proffa, Ju Mota, Rusty Young, David Sylvian, Pedro Abrunhosa, Wilson Simonal, Daniel & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá
Quando? Hoje, terça, 24 de fevereiro, a partir das 21hs
Onde? No MCLAM - blog do Programa Domingo Romântico
Apresentação: Meimei Corrêa

Imagem do pintor norueguês Johan Christian Dahl (1788-1857)

Ouvindo Pablo Milanés ao vivo no Brasil (Philips, 1984) do cantor cubano Pablo Milanés. Veja mais aqui.

SE EU FOSSE PINTOR... – No livro Ilusões do mundo (Nova Aguilar, 1976), a escritora, pintora, professora e jornalista Cecília Meireles (1901-1964) traz a crônica Se eu fosse pintor, na qual ela se expressa assim: Se eu fosse pintor começaria a delinear este primeiro plano de trepadeiras entrelaçadas, com pequenos jasmins e grandes campânulas roxas, por onde flutua uma borboleta cor de marfim, com um pouco de ouro nas pontas das asas. Mas logo depois, entre o primeiro plano e a casa fechada, há pombos de cintilante alvura, e pássaros azuis tão rápidos e certeiros que seria impossível deixar de fixa-los, para dar alegria aos olhos dos que jamais os viram ou verão. Mas o quintal da casa abandonada ostenta uma delicada mangueira, ainda com moles folhas cor de bronze sobre a cerrada fronde sombria, uma delicada mangueira repleta de pequenos frutos, de um verde tenro, que se destacam do verde-escuro como se estivessem ali apenas para tornar a árvore um ornamento vivo, entre outros brancos, os pios vermelhos, o jogo das escadas e dos telhados em redor. E que faria eu, pintor, dos inúmeros pardais que pousam nesses muros e nesse telhados, e aí conversam, namoram-se, amam-se, e dizem adeus, cada um com seu destino, entre floresta e os jardins, o vento e a névoa? Mas por detrás estão as velhas casas, pequenas e tortas, pintadas de cores vivas, como desenhos infantis, com seus varais carregados de toalhas de mesa, saias floridas, panos vermelhos e amarelos, combinados harmoniosamente pela lavadeira que ali os colocou. Se eu fosse pintor, como poderia perder esse arranjo, tão simples e natural, e ao mesmo tempo de tão admirável efeito? Mas depois disso, aparecerem várias fachadas, que se vão sobrepondo umas às outras, dispostas entre palmeiras e arbustos vários, pela encosta do morro. Aparecem mesmo dois ou três castelos, azuis e brancos, e um deles tem até, na ponta da torre, um galo de metal verde. Eu, pintor, como deixaria de pintar tão graciosos motivos? Sinto, porém, que tudo isso por onde vão meus olhos, ao subirem do vale à montanha, possui uma riqueza invisível, que a distância abafa e desfaz: por detrás dessas paredes, desses muros, dentro dessas casas pobres e desses castelinhos de brinquedo, há criaturas que falam, discutem, entendem-se e não se entendem, amam, odeiam, desejam, acordam todos os dias com mil perguntas e não sei se chegam à noite com alguma resposta. Se eu fosse pintor, gostaria de pintar esse último plano, esse último recesso da paisagem. Mas houve jamais algum pintor que pudesse fixar esse móvel oceano, inquieto, incerto, constantemente variável que é o pensamento humano? Veja mais aqui, aquiaqui.


O PERU DA FESTA COM AS HISTÓRIAS QUE AS NOSSAS BABÁS NÃO CONTAVAM - Entre os humoristas brasileiros que mais apreciei, um deles foi o memorável humorista e ator Lírio Mário da Costa (1923-1995), mais conhecido como Costinha. Tive a oportunidade de adquirir quatro dos sete elepês que ele lançou com o título O Peru da Festa, como tive acesso as duas edições das Proibidas do Costinha, ler os livros As melhores do Costinha e O Humor de Costinha, bem como de assistir uma penca de filmes com participação dele na década de 1970, principalmente o Histórias que as nossas babás não contavam e o impagável Costinha, o Rei das Selvas, entre outros. Uma coisa posso dizer: morria de rir só com a cara dele. Uma maravilha! Daí a minha homenagem. Veja mais aqui.

CONQUISTA DO VOTO FEMININO NO BRASIL – O voto feminino no Brasil passou a ser garantido a partir da edição do Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932. Entretanto, o primeiro direito foi garantido cinco anos antes, quando a professora potiguar Celina Guimarães Viana adquiriu na Comarca de Mossoró (RN), o direito do registro para votar, tornando-a primeira mulher eleitora do país. O movimento tomou corpo por iniciativa da bióloga e ativista Bertha Maria Julia Lutz (1894-1976) que acompanhou os movimentos feministas na Europa e nos Estados Unidos, participando no Brasil da criação da Liga para Emancipação Intelectual da Mulher e representar a Liga das Mulheres Eleitoras, criando a Federação Brasileira Pelo Progresso Feminino, instituindo o movimento sufragista que conseguiu o grande êxito em 1932. Veja mais aqui


JE VOUS SALUE MARIE – Um dos inesquecíveis filmes que assisti foi indubitavelmente o polêmico filme Je vous salue, Marie (1985), do não menos polêmico e provocador cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard que tem um elenco de peso, notadamente a participação das atrizes Juliette Binoche e Myriem Roussel nas duas estórias paralelas narradas na película, a primeira que conta a história de uma estudante Maria que trabalha num posto de gasolina do pai, e de um jovem taxista José que descobre que sua namorada está grávida e ele a acusa de traição exigindo a separação, recendo aconselhamento e convencimento do anjo Gabriel a aceitar os planos divinos dela. Na segunda, envolve um professor de história que se envolve com uma das suas alunas. Ambas histórias mostram a difícil convivência entre o espírito e o corpo. Veja mais aqui, aquiaqui

Veja mais sobre:
A vida é uma canção de amor & Milo Manara aqui.

E mais:
Marquês de Sade, Karen Horney, Chico Buarque, Maria Clara Machado, Günter Grass, Larry Vincent Garrison, Angela Winkler, Luiz Edmundo Alves, Monica & Monique Justino aqui.
A saga do Padre Bidião aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando a língua dá no dente do alcaguete, sai de riba que lá vem o enterro voltando aqui.
Pode até ser, mas se não for, nunca será, Lina Cavalieri, Chris Maher & Eloir Amaro Júnior aqui.
A desmedida correria para perder o bom da vida, Heitor Villa Lobos, Francis Bacon & Fúlvio Pennnacchi aqui.
O maravilhoso mistério da vida, Ana Torroja, Rebecca West, Alan Bridges, Marie-Louise Garnavault & Julie Christie aqui.
Quem quer diferente tem que fazer diferente, Cândido Portinari, Xiomara Fortuna, Marcus Garvey & Emmanuel Villanis aqui.
O prazer de amar e de ser amado, Joyce, Bigas Luna, Aitana Sánchez-Gijón & Luciah Lopez aqui.
Todo dia um novo ano, Egberto Gismonti, John Poppleton, Sy Miller & Jill Jackson aqui.
Betinho, Augusto de Campos, SpokFrevo Orquestra, Alan Parker, Graça Carpes, Rinaldo Lima, Bader Burihan Sawaya & Tempo de Morrer aqui.
Galileu Galilei & Bertolt Brecht, Nise da Silveira, Egberto Gismonti, Michelangelo Antonioni, Irena Sendler, Glória Pires, Anna Paquin & Charles André van Loo aqui.
Imre Madách & A tragédia humana, Pierre Rode, Robert Joseph Flaherty, Franz West, Vera Ellen, Anne Chevalie & Sarah Clarke aqui.
Adolfo Bécquer, Paulo Moura, Pedro Onofre, Antônio Miranda & Gárgula – Revista de Literatura, Marcos Rey & Marta Moyano, Mihaly von Zick, Associação de Blogs Literários do Nordeste (ABLNE), Virna Teixeira & Programa Tataritaritatá aqui.
Marlos Nobre, André Breton, Nikos Kazantzákis, Toni Morrison, Milos Forman & Natalie Portman, Adolf Ulrik Wertmüller & Tanussi Cardoso aqui.
Nicolau Copérnico, Carson McCullers, Alberto Dines & Observatório da Imprensa, Rogério Tutti, Capinam, István Szabó, Krystyna Janda & Max Klinger aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá
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domingo, fevereiro 27, 2011

HENRY MILLER, FRANK ZAPPA, O HOMEM CÓSMICO DE JUNG, TIRESIAS, FÉLIX LABISSE, BERTHA LUTZ, ALDEMAR PAIVA, ORAÇÃO DA CABRA PRETA & TURISMO RELIGIOSO

Logo estarei em meu jardim de rosas. Logo. Estou esperando. Rosas cheias de espinhos. Aromas falsos. Melhores que os verdadeiros. O original é vulgar. Por seu passado. Foi só uma tentativa, uma tentativa. A ilusão não é o real. A cópia é perfeita. A cópia é perfeita... Como a vejo. Como a sinto. De volta ao meu jardim esta noite. Novamente rosas. Mesmo que só haja uma... Um lindo dia. Se você ao menos soubesse o que eu fiz para ser bonita...
Trecho extraído do drama Tiresia (2003), dirigido por Bertrand Bonello, baseado na lenda de Tiresias, conta uma mulher transexual que é sequestrada por um homem e deixada para morrer na floresta. Ela é salva por uma família e recebe o presente de contar o futuro. Pretende o filme uma releitura contemporânea do mito grego de Tirésias, o que coloca sua narrativa cinematográfica em relação a uma história exterior a ela. Tirésias era um profeta com dons adivinhatórios dados por Zeus como recompensa pelo fato de sua cegueira advir de um castigo de Hera. Certa vez, ao escalar o monte Citerão, deparou-se com duas cobras em cópula e separou-as. Conta-se ainda que teria matado a fêmea. Nas diversas variações do mito, mantém-se a separação das serpentes por Tirésias, o que teria lhe transformado em mulher. Passados sete anos, voltou ao mesmo monte Citerão e novamente encontrou duas cobras acasalando-se e mais uma vez as separou, o que lhe devolveu sua condição masculina.

A SOLIDÃO DE TIRÉSIAS – Nada mais me resta além da sina tebana e solitária. Depois do fato, eram duas cobras em cópula no monte de Citerão. Ao matar uma delas, a fêmea, fui transformado em mulher, disso me fiz prostituta famosa, do lar ao lupanar. Não me bastou, restituída a masculinidade, a cegueira por flagrar a nudez de Atena. Primeiro me veio a ninfa Liríope, a me interrogar sobre Narciso: a maldição dele em vê-lo a si próprio. As mulheres tebanas não me enfeitiçaram, mas a paixão pelos rituais báquicos trouxeram as bacantes para o monte Citéron com as serpentes em seus cabelos, amamentando gazelas e lobos selvagens, promovendo a fartura do vinho, do mel, do leite e água que brotavam do solo. Não previa que a prisão do deus Dioniso traria a punição com o gigante terremoto e o incêndio devastador contra a repressão de Penteu que foi vestido de mulher pelo deus, para ganhar um tirso e peles de cervo. Por isso veria embriagado dias Tebas e dois touros para levá-lo. Nada adiantaria a fama pela Acaia, recolhi-me ao Hades e recepcionei Ulisses no canto 11 da Odisseia homérica e adverti Édipo sobre sua própria sentença, e tomei parte da Divina Comédia de Dante, minhas tetas surrealistas de Apollinaire e me tornar Orlando para Virginia Wolf, inspirar o filme de Bertrand Bonello, de reinar nas Bacantes de Zé Celso Martinez Correa e ser cantado no Sermão do fogo na Terra inútil de Eliot: Eu, Tiresias, cego embora, palpitando entre duas vidas, / Um anciao de enrugados peitos femininos, posso ver / Na hora violeta, a hora crepuscular que se empenha / A caminho de casa, e faz voltar do mar o marinheiro, / E a datilografia, a hora do cha, tira a mesa do cafe, / Acende o fogo, e prepara a sua refeicao de conservas... Eu, Tiresias, um ancião de tetas enrugadas...  (E eu, Tiresias, como que sofri de antemão / Tudo o que se cumpriu nesse diva ou cama; / Tambem eu aguardava a esperada visita. / Ei-lo que chega, o carbunculoso moco, / Observada a cena, predisse o resto... Não sou nada mais que um adivinho e sábio cego no meu próprio inferno, capaz apenas de ver coisas invisíveis. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui & aqui.


La fille de Tirésias, 1973, do pintor, ilustrador e designer surrealista francês Félix Labisse (1905-1982)

DITOS & DESDITOS - A legislação civil vigente a nenhuma mulher dispensa justiça: nem à mulher fraca que se entrega ao homem sem a sanção da lei, nem à mulher forte da Bíblia, reduzindo-a pelo casamento a situação de menor. Pensamento da bióloga e advogada brasileira Bertha Lutz (1894-1976). Veja mais aqui.


ALGUÉM FALOU: Se você acabar com uma vida tediosa e miserável porque você ouviu seus pais, seus professores, seu padre ou alguma pessoa na televisão, dizendo para você como conduzir a sua vida, então a culpa é só sua e você merece. Droga não é o mal. A droga é um composto químico. O problema começa quando pessoas tomam drogas como se fosse uma licença para poderem agir como babacas. Sem um desvio do normal, progresso é impossível. A mente é como um paraquedas. Só funciona se abri-lo. Pensamento do compositor e multi-instrumentista estadunidense Frank Zappa (1940-1993). Veja mais aqui.

O HOMEM CÓSMICO – [...] O homem cósmico não significa apenas o começo da vida, mas também o seu alvo final, a razão de ser de toda criação [...]. Trechos da obra O homem e seus símbolos (Nova Fronteira, 1968), do psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), observando o ser humano acima dos instintos isolados e dos mecanismos intencionais. Veja mais do autor aqui & sobre a raça cósmica de José Vasconcelos aqui.

A HORA DOS ASSASSINOS – [...] Dá-lhe um nome feio: traição. Mas é justamente essa índole traiçoeira que o diferencia do resto do rebanho. É sempre traiçoeiro e sacrílego, se não literalmente pelo menos em espírito. Comporta-se, no fundo, como um traidor porque tem medo de sua própria humanidade, que aproximaria de seu semelhante. [...]. Trecho extraído da obra A hora dos assassinos (L&PM, 2004), do escritor estadunidense Henry Miller (1891-1980). Veja mais aqui e aqui.

CAFONETOSMinha amada exuberante / de alegria, coisa e tal / às vezes fica implicante / por um motivo banal. / Sua atitude petulante / nesse grilo pega mal / mas, como sou tolerante / fica na minha legal. / Ela bebe e ameaça / uma tragédia medonha / que eu sei entender de graça / no outro dia, risonha / pede perdão e me abraça / - Quem ama não tem vergonha. Poema extraído da obra Monólogos e outros poemas (Recife, 1987), do saudoso poeta, cordelista, radialista, compositor, produtor e publicitário Aldemar Paiva (1925-2014), com prefácio de Chico Anysio. Veja mais aqui.


A arte do pintor, ilustrador e designer surrealista francês Félix Labisse (1905-1982).


ORAÇÃO DA CABRA PRETA - Imagem: ilustração de J. Lanzellotti. História recolhida por João Climaco Bezerra. -Nesta encruzilhada eu me ajoelho agoniado e aflito chamando todos os cães e a Cabra Maldita. Na lombada da serra negra tem uma cabra amarrada; dá 7 litros de leite para alimentar todos os diabos, eles tem 3 cavaleiros fortes que são: Ferrabrás, Satanás e Caifás, eles 3 eu chamo à minha presencia que eu não terei medo que eu sei que eles vem mandados da Cabra Preta maldita; ainda Caifás, anda Satanás, anda Ferrabrás, trazei-me à minha presencia o animal e a milhar que tem de dar amanhã na loteria do Rio de Janeiro, com todos os pontos grandes e pequenos, que tu não trazendo eu te amarrarei com as forças do credo debaixo do meu pé direito. Observação: Deve ser rezada despido, à noite, numa encruzilhada deserta com uma vela acesa. De preferência em companhia de outra pessoa. Uma fica no centro da encruzilhada e a outra vai para o braço esquerdo da cruz de estradas. Uma puxa a reza e a outra segura a vela. Observação2: As cópias dessa oração são distribuídas às escondidas, que o pecado mortal é muito grande. E para que ela tenha toda a sua força, desenha-se no mesmo papel uma cabra com uma estrela vermelha na testa, quatro chifres e as patas dianteiras levantadas e com garras enormes. Oração muito corrente no interior do Ceará, segundo Caio Carneiro Porfirio. 
FONTE:
BEZERRA, João Climaco. Não há estrelas no céu. Rio de Janeiro: José Olympio, s/d.
DANTAS, Paulo (Org.). Estórias e lendas do norte e nordeste. São Paulo: Edigraf, s/d.

TURISMO RELIGIOSO - Conceito de Turismo Religioso: De acordo com Andrade (1991, p. 77): “Conjunto de atividades com utilização parcial ou total de equipamentos e a realização de visitas a lugares ou regiões que despertam sentimentos místicos ou suscitam a fé, a esperança e a caridade nos fiem de qualquer tipo ou em pessoas vinculadas a religião.” Isso mostra que para se praticar o turismo, seja ele em qualquer de sua segmentação e preciso ter motivação. O turismo religioso teve inicio quando os povos começaram a cultivar o habito de viagens de caráter religioso, no século III e IV na era cristã, visitavam mosteiros e conventos da síria, do Egito e de Belém a fim de encontrar-se com os “servos de Deus”para pedir-lhes conselhos, orações, bênçãos e curas. Foi também o inicio de visitas a igrejas e santuários onde nos terrenos se encontravam os restos mortais de mártires celebres e aos locais por onde Cristo seus apóstolos e discípulos passaram, viveram e morreram, alem de outros lugares celebrizados por eventos importantes do Antigo Testamento. No ano 333, há um registro dotado de um roteiro com itinerários bem detalhados para as viagens de devotos e fieis que partiram de Bordeus, na França rumo a Jerusalém. As indicações assemelham-se as utilizadas nos modernos roteiros técnicos. Atualmente a historia se repete e os destinos religiosos se multiplicam, à medida que surgem boatos ou fatos de aparições ou de realizações de milagres e curas efetuadas por algum religioso ou místico. As noticias e o marketing direto ou indireto nos locais onde acontecem os “feitos extraordinários” atraem os agentes turísticos, que em geral, se antecipam a qualquer medida ou manifestação de autoridades religiosas. O grande nó desta modalidade de turismo se encontra nas estruturas de conceituação que antepõe a perspectiva da necessidade enraizada na vivência religiosa contra a perspectiva da liberdade pelo fazer( lazer)  do turismo.  (Oliveira 2000) O turismo se utiliza da religiosidade, da fé, de crenças, de superstições ou mesmo da simples curiosidade popular para atrair pessoas a lugares que se não fossem pela motivação espiritual não seriam um destino atrativo como em outro segmento do turismo, o turismo religioso tem seus pros e contras. A massificação, congestionamentos, poluição, super lotação de igrejas e templos são alguns efeitos negativos, desse tipo de turismo, pois as cidades em sua maioria, não possuem uma estrutura para receber visitantes, são localidades simples, de comunidades humildes que com o tempo vão tomando dimensões maiores com a exploração turística. Por outro lado, este segmento é uma possibilidade de diversificação de renda e movimentação da economia local nas localidades receptoras. Localidades Religiosas mais visitadas: MECA- é a cidade santa do mundo árabe, berço de Maomé, onde a base econômica esta no comércio resultante da grande movimentação dos peregrinos. Todos os mulçumanos esperam ir em peregrinação. VATICANO- atrai uma multidão de fieis para receber a bênção do Papa na Praça São Pedro e é considerado o centro de fé cristã. SANTIAGO DE COMPOSTELA- chamada rota da fé na Espanha, as pessoas em peregrinação  buscam a cura, esperança e paz. A historia e o misticismo se confundem ao longo da rota medieval, com marcas por toda a paisagem. Atualmente é reconhecida pela Unesco como o primeiro Itinerário Cultural Europeu da Humanidade, com todos os monumentos históricos tombados. LOURDES- é dedicada a Bernadete, a Santa para quem a mesma Nossa Senhora teria aparecido em 1958. FÁTIMA- localizado em 130 quilômetros e duas horas de Lisboa, é acidade onde a Santa de mesmo nome teria aparecido para três crianças portuguesas em 1917. Se tornando em um dos maiores centros de peregrinação religiosa do mundo, comparável a Santiago, que também fica na Península Ibérica.  BASILICA NACIONAL DE APARECIDA- localizada a 170 quilômetros de São Paulo, considerada a capital brasileira da fé, apresentam, nos feriados religiosos, uma programação de eventos que estimula os visitantes a permanecerem na cidade.  É considerada a segunda maior do mundo, fica tomada de romeiros. Padroeira do Brasil, data do século XVIII, quando os pescadores lançaram as redes junto ao porto de Itaguaçú, no rio Paraíba do Sul, pescando a imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e, 1717. Era uma imagem esculpida em madeira escura com anjos aos seus pés. Em 1953 o dia 12 de outubro oficializou-se o Dia de Nossa Senhora Aparecida. JUAZEIRO DO NORTE- o nordeste brasileiro os devotos buscam a satisfação espiritual junto ao Padre Cícero, conhecido e venerado por romeiros da região. Como vimos em vários lugares do mundo e do Brasil existem localidades próprias para a realização do turismo religioso. No entanto, vimos que essas localidades são todas voltadas a religião dos “brancos”, ou seja, as maiorias desses lugares são de religião católica, onde na antiguidade os negros não podiam fazer suas orações, devido a repressão de seus senhores ao entrar em suas capelas e igrejas, pois não era vistos como filhos de Deus e sim do “demônio” . Com esse impedimento, os negros sentiram a necessidade de alternativas para realizar suas orações sem que fossem castigados por isso. Criando assim, sua própria religião, onde eles através de outros nomes cultuavam o mesmo Deus. Apesar da maioria dos brasileiros terem descendência negra ainda existe muito preconceito com relação a sua raça, cultura, religião, neste ultimo caso, muitas vezes serem mal interpretados pela falta de conhecimento geral, já que a população não procura conhecer sua cultura e acredita somente no que houve. 
REFERÊNCIAS
ACERENZA, Miguel Angel. Promoção Turística: um enfoque metodológico. São Paulo: Pioneira, 1991.
ANDRADE, José Vicente de Andrade. Turismo – Fundamentos e dimensões. São Paulo: Ática, 1999.
ANSARAH, Marilia Gomes. Turismo Segmentação de Mercado. São Paulo. Edtora Futura, 2000.
CARVALHO, J. J. de. Cantos Sagrados do Xangô de Recife. Brasília: Fundação Cultural Palmares/MEC, 1993.
DIAS, Reinaldo; AGUIAR, Maria Rodrigues. Fundamentos do Turismo: conceitos, normas e definições. Campinas:Alínea, 2002.
BARRETTO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do turismo. Campinas; Papirus, 2000.
BENI, Mário Carlos. Análise Estrutural do Turismo. 5  ed., São Paulo: Editora SENAC, 2001.
MENDONÇA, Rita. Turismo ou Meio Ambiente: Uma falsa oposição. Amália Innês G. de Lemos (Org.). São Paulo: Hucitec, 1996.
MOTA, Keila Cristina Nicolau. Marketing turístico: promovendo uma atividade sazonal. São Paulo: Atlas, 2001.
RUSCHMANN, Doris. Turismo e Planejamento Sustentável: a proteção do meio ambiente. 8. ed. Campinas: Papirus, 1997.
TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi; NETTO, Alexandre Panosso. Reflexões sobre um novo turismo: política, ciência e sociedade. Série turismo. São Paulo. Aleph, 2003.
TRIGUEIRO, Carlos Meira. Marketing e turismo: como planejar e administrar o marketing turístico para  uma localidade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

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