domingo, abril 19, 2026

JENNIFER WONG, JANET EVANOVICH, CARLO ROVELLI, LUZILÁ GONÇALVES & CIBELE SARKIS CARNEIRO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Reencuentros (2023), Lejos de Casa (2023) e Guitar Recital (2016), da violonista espanhola Andrea González Caballero.

 


Gesta do espantalho... - O instante e que dia era, pouco importava: ontamanhães emaranhados e o que desse na telha ignorava o calendário que se perdeu noutras datas. O que via ou vivesse, às enxurradas, davam nos seus trocentos versos pelas suas duas mil e duas vontades adiadas nos milênios de solidão, um fantoche contando o que viveu como se fossem hestórias inventadas no eterno suspense, nada a ver com quem nunca fez uma pirâmide, muito menos biscoitos, ninharias. Quem era, nada. Trôpego bajoujo cheio de esperança pelos pântanos apodrecidos dos que se esfolavam uns aos outros, todos uns dogabobados por extenso, incapazes como ele de discernir entre o erro e o fatal. Escapava badameco a se confrangir com o escarro letal da exclusão, palúrdio cegueta que não distinguia o crível do irônico, as pedras falsas da cama de gato, o blefe da ameaça. Entre sins e nãos, relíquias e macabros, o que havia de escondido por trás da fumaça, ah, deixava pra lá, se o espantoso e o estarrecedor faziam o cotidiano. Dava pé e se ria de oligofrênicos e outros pacóvios, dos taroucos que mantinham o já obsoleto da ideia, dos atoleimados que se esqueciam do recém-acontecido, dos paspalhos que reenterravam equivocadamente seus mortos, de nem sequer lembrar de tão já apagados definitivamente; e dos estafermos marias-vão-com-as-outras porque não havia outra coisa a fazer na sua pálida existência, a não ser torcer pelo horror desgrenhado a disparar o espantoso estarrecedor para bulir no sangue das veias e na tentativa desembaçadora de lembrar do kitsh veemente das hibridizações na recompensa do crástino que restava. Nem era tão tarde e, se vivia, ali era tudo tão mórbido, o passado perdido e o que não fazia o mínimo sentido: e se não fosse, seria outro. Como assim? Tantas que perdeu a conta e dava de cara com o mundo dos simulacros, suas mentiras e soberbas. Restava perguntar-se a si mesmo: por que tanto ódio? Descobria: torpezas, abjeções e indignidades. Mas se aquele que matava também morria, por que, então, matar? E o assassino lia a notícia às gargalhadas. Estava confuso, sentia-se desastrado, quando revolvia toda vitalidade e saiu errante para o mais longe possível: em toda parte a deterioração. Viu-se quase soterrado pelas avalanches das distopias. Não é possível! Era. As crenças invalidadas, os pactos malogrados, as certezas aos farrapos, os laços esgarçados. Lançou mão dos anseios, esbarrou na estupidez. E viu-se um cretino a mais no turbilhão das horas. Foi mais além e onde qualquer, um simples dado biográfico a mais: andejo. Então, deu em Nagoro, na ilha de Shikoku, kakassi no sato, e viu-se à beira do abismo e da extinção. Olhos arregalados e a cena teratológica no quengo: as cabeças embalsamadas, as lápides mortuárias, a Virgem de Nuremberg estarrecedora, os gritos lancinantes de suicidas incógnitos, os brinquedos auditivos, os sabores da língua, a pele dos toques, os cheiros, as paisagens e, enquanto via, inventava pra si o seu mundo: ninguém tinha nome, a maravilha anônima, a ubiquidade inapelável. Aí, a abrupta salvação: deparou-se com sorridente Tsukimi de braços abertos e suas mãos artesãs espalmadas deram-lhe a razão do agora feito para a luz do futuro: ali escreveria sua própria vida antes enovelada e, quase logoteta, desenrolava com as pestanas nos cílios umedecidos. O coração batia, a emoção das lágrimas, as trêmulas mãos: sentia-se, enfim, vivo e não era, estava: memória visceral, segredo intersticial... Até mais ver.

 

Hilda Hilst: Estou convencida de que o amor é a única coisa a se viver. Minha infraestrutura é completamente amorosa. Eu queria viver sempre na paixão. Isso pode custar anos de vida, esse ‘viver’ unicamente em função da paixão … Eu daria com muito prazer anos da minha vida para só conhecer esse estado... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Rachel Corrie: Siga seus sonhos, acredite em si mesmo e não desista... A morte tem cheiro de purê de maçã caseiro cozinhando no fogão. Não é a sensação sufocante da doença. Não é medo. É liberdade... Veja mais aqui & aqui.

Malalai Joya: Eu não temo a morte, eu temo ficar calada frente à injustiça... Veja mais aqui.

 

CHAMANDO OS MORTOS

Imagem: Acervo ArtLAM.

Em certas noites eles voltam, \ Fragmentos de histórias de fantasmas alojados na minha cabeça \ de corridas de táxi à meia-noite. Quase sempre \ uma mulher de vestido vermelho, riso oco \ e uma bola quicando em um parquinho, \ almas perdidas atravessando o rio enevoado onde Meng \ Oferece-lhes sopa para esquecerem, antes de sua próxima vida. \ E naquelas tardes em que minha mente divagava \ Com histórias sinistras, cada escola em Hong Kong \ um cemitério. Imploramos para que nos chegassem a nossa vez. \ ir ao banheiro juntos, acreditavam mãos fantasmagóricas \ brotariam das torneiras para nos trazer de volta \ para uma colônia em tempos de guerra onde soldados japoneses \ competiam entre si para ver quem decepava mais cabeças. \ A menina da minha turma tinha um álbum de recortes. \ de histórias de fantasmas: aprendi que vampiros \ Na dinastia Qing, as vestes não se movem lateralmente; \ Alguns atores nunca voltaram das filmagens. \ E crianças descuidadas desaparecem a cada OVNI. \ Nos reunimos em volta de um prato de molho de soja que tremia. \ ver a carta se mover pelo tabuleiro Ouija. Seria difícil... \ fazer os espíritos da comida irem embora.  E outros mitos da terra. \ dos desaparecidos; meu primeiro amigo no ensino médio, \ Nossos aniversários eram com um dia de diferença, costumava me mostrar \ As linhas da palma da mão dela, uma linha mais curta que as outras. \ O que você acha do lugar onde você está agora? \ Seremos amigos em nossas próximas vidas?

Poema da escritora honconquesa Jennifer Wong, autora das obras Letters Home (Nine Arches Press, 2020), Goldfish (Chameleon Press, 2013) e Summer Cicadas (Chameleon Press, 2006). Ela possui mestrado em escrita criativa pela Universidade de East Anglia e o doutorado em escrita criativa sobre poesia da diáspora chinesa pela Universidade Oxford Brookes.

 

JOGANDO A TENTAÇÃO - [...] Meu trabalho não é perfeito porque é um reflexo da vida. A vida não é perfeita. [...] A gente nunca sabe o que esperar das pessoas. Num minuto elas são a rainha do baile e no minuto seguinte já são completamente malucas. [...]. Trechos extraídos da obra Game On: Tempting Twenty-Eight (Simon & Schuster, 2021), da escritora estadunidense Janet Evanovich, autora das obras Fortune & Glory Tantalizing Twenty-Seven (2020), Plum Spooky (2008), Eleven on Top (2005), Hard Eight (2002), Seven Up (2001), Three to Get Deadly (1997) e One for the Money (1994). Ela também se expressa: O melhor que podemos fazer é priorizar nossas necessidades e tomar decisões de acordo com elas... Existem homens que entram na vida de uma mulher e a arruínam para sempre... É possível superar situações muito sérias, às vezes horríveis, embaraçosas e extremamente desconfortáveis ​​com humor. Ele nos dá uma saída...

 

RADICAL PERSPECTIVA – [...] Minha pergunta central sempre foi: como o mundo funciona? Temos duas teorias principais que funcionam incrivelmente bem em diferentes áreas: a relatividade geral e a mecânica quântica. Quando aprendi sobre essas teorias na faculdade, fiquei impressionado com o quão radicais elas eram. Ambas desafiam concepções muito fundamentais que temos sobre o mundo ao nosso redor [...] Todas as tentativas de refutar a mecânica quântica e a relatividade geral falharam. [...] Creio que o desafio da ciência é encontrar o esquema conceitual correto para melhor compreender a natureza como a vemos. [...] E para isso, precisamos da filosofia. Os filósofos nos ajudam não a encontrar as respostas certas para perguntas específicas, mas a encontrar as perguntas certas para melhor conceituar a realidade. [...]. Trechos extraídos da entrevista Carlo Rovelli’s Radical Perspective on Reality (Quanta Magazine, 2025), concedida pelo físico e cosmólogo italiano Carlo Rovelli, que na sua obra Sette brevi lezioni di fisica (Adelphi, 2014), expressou que: [...] Somos feitos da mesma poeira estelar da qual todas as coisas são feitas, e quando estamos imersos no sofrimento ou quando experimentamos uma alegria intensa, não somos nada além daquilo que não podemos deixar de ser: parte do nosso mundo. [...]. Veja mais aqui & aqui.

 

MUITO ALÉM DO CORPO, DE LUZILÁ GONÇALVES FERREIRA

[...] Urgia aprender a conviver com a tua ausência, fazer dela um elemento de vida, algo tranquilo, suave, presença e não imagem dolorida de uma falta. Era preciso transforma tua ausência num dado passado embora luminoso, a lançar sua incandescência sobre um presente turvo. Chorava, o lápis à mão. As lágrimas escorriam pelo rosto que eu não pensava esconder, algumas caíram sobre o texto que eu nem enxuguei. Continuei a ler, a anotar, vez em quando as letras dançavam na página, eu perseguindo a leitura. Então, me senti olhada [...] Uma mão pousou sobre a minha, compassiva, e outra mão acariciou os cabelos, deteve-se nas faces. Levantei a cabeça e vi. Um rosto. Ou antes: um olhar. [...] Aquele olhar falar você só face, eu estou vendo. E dizia: eu estou aqui [...].

Trechos extraídos do romance Muito além do corpo (Nestlé/Scipione, 1988/Cepe, 2016), da escritora, pesquisadora, feminista e professora Luzilá Gonçalves Ferreira, autora de obras como A Anti-Poesia de Alberto Caeiro (1990), Os rios turvos (1993), A Garça Malferida (1995), Em Busca de Thargélia (1996), Humana, Demasiado Humana (2000), Voltar a Palermo (2002) e No Tempo Frágil das Horas (2004), entre outros. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

&

A ARTE DE CIBELE SARKIS CARNEIRO

A arte da artista visual Cibele Sarkis Carneiro, que atua como professora de Artes em diversas escolas da rede pública e privada, integra o grupo Gentamiga Ateliê (SP), participa da plataforma Ubqub (SP) e participou com seus trabalhos da publicação Dareladas (CriaArt, 2024) e no zineblog Tataritaritatá. Veja a entrevista dela aqui & mais aqui.

 

Fernando Monteiro aqui & aqui.

Alice Amorim aqui.

Alceu Valença aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Ladjane Bandeira aqui, aqui & aqui.

Miró da Muribeca aqui.

Dona Duda da Ciranda aqui.

Ronildo Maia Leite aqui, aqui, aqui & aqui.

Marisa Lacerda de Andrade aqui.

Mestre Noza (Inocêncio Medeiros da Costa - 1897-1983) aqui.

Nathalia Protazio aqui.

 


JENNIFER WONG, JANET EVANOVICH, CARLO ROVELLI, LUZILÁ GONÇALVES & CIBELE SARKIS CARNEIRO

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos álbuns Reencuentros (2023), Lejos de Casa (2023) e Guitar Recital (2016), da v iolonista espanho...