Ao
som dos álbuns Reencuentros (2023), Lejos de Casa
(2023) e Guitar
Recital (2016), da violonista espanhola Andrea González Caballero.
Gesta do espantalho... - O instante e que dia era, pouco importava: ontamanhães emaranhados e o
que desse na telha ignorava o calendário que se perdeu noutras datas. O que via
ou vivesse, às enxurradas, davam nos seus trocentos versos pelas suas duas mil
e duas vontades adiadas nos milênios de solidão, um fantoche contando o que
viveu como se fossem hestórias inventadas no eterno suspense, nada a ver com quem
nunca fez uma pirâmide, muito menos biscoitos, ninharias. Quem era, nada. Trôpego
bajoujo cheio de esperança pelos pântanos apodrecidos dos que se esfolavam uns
aos outros, todos uns dogabobados
por extenso, incapazes como ele de discernir entre o erro e o fatal. Escapava badameco
a se confrangir com o escarro letal da exclusão, palúrdio cegueta que não
distinguia o crível do irônico, as pedras falsas da cama de gato, o blefe da
ameaça. Entre sins e nãos, relíquias e macabros, o que havia de escondido por
trás da fumaça, ah, deixava pra lá, se o espantoso e o estarrecedor faziam o cotidiano.
Dava pé e se ria de oligofrênicos e outros pacóvios, dos taroucos que mantinham
o já obsoleto da ideia, dos atoleimados que se esqueciam do recém-acontecido, dos
paspalhos que reenterravam equivocadamente seus mortos, de nem sequer lembrar de
tão já apagados definitivamente; e dos estafermos marias-vão-com-as-outras
porque não havia outra coisa a fazer na sua pálida existência, a não ser torcer
pelo horror desgrenhado a disparar o espantoso estarrecedor para bulir no
sangue das veias e na tentativa desembaçadora de lembrar do kitsh veemente das
hibridizações na recompensa do crástino que restava. Nem era tão tarde e, se vivia,
ali era tudo tão mórbido, o passado perdido e o que não fazia o mínimo sentido:
e se não fosse, seria outro. Como assim? Tantas que perdeu
a conta e dava de cara com o mundo dos simulacros, suas mentiras e soberbas. Restava
perguntar-se a si mesmo: por que tanto ódio? Descobria: torpezas, abjeções e
indignidades. Mas se aquele que matava também morria, por que, então, matar? E o
assassino lia a notícia às gargalhadas. Estava confuso, sentia-se desastrado,
quando revolvia toda vitalidade e saiu errante para o mais longe possível: em
toda parte a deterioração. Viu-se quase soterrado pelas avalanches das distopias.
Não é possível! Era. As crenças invalidadas, os pactos malogrados, as certezas
aos farrapos, os laços esgarçados. Lançou mão dos anseios, esbarrou na
estupidez. E viu-se um cretino a mais no turbilhão das horas. Foi mais além e onde
qualquer, um
simples dado biográfico a mais: andejo. Então, deu em Nagoro, na ilha de
Shikoku, kakassi no sato, e viu-se à beira do abismo e da extinção. Olhos
arregalados e a cena teratológica no quengo: as cabeças embalsamadas, as lápides
mortuárias, a Virgem de Nuremberg estarrecedora, os gritos lancinantes de
suicidas incógnitos, os brinquedos auditivos, os sabores da língua, a pele dos
toques, os cheiros, as paisagens e, enquanto via, inventava pra si o seu mundo: ninguém tinha nome, a maravilha anônima, a
ubiquidade inapelável. Aí, a abrupta salvação: deparou-se com sorridente Tsukimi de
braços abertos e suas mãos artesãs espalmadas deram-lhe a razão do agora feito para
a luz do futuro: ali escreveria sua própria vida antes enovelada e, quase
logoteta, desenrolava com as pestanas nos cílios umedecidos. O coração batia, a
emoção das lágrimas, as trêmulas mãos: sentia-se, enfim, vivo e não era, estava:
memória visceral, segredo intersticial... Até mais ver.
Hilda Hilst: Estou convencida de que o amor é a única coisa a se viver. Minha infraestrutura é completamente amorosa. Eu queria viver sempre na paixão. Isso pode custar anos de vida, esse ‘viver’ unicamente em função da paixão … Eu daria com muito prazer anos da minha vida para só conhecer esse estado... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Rachel
Corrie:
Siga seus sonhos,
acredite em si mesmo e não desista... A morte tem cheiro de purê de maçã
caseiro cozinhando no fogão. Não é a sensação sufocante da doença. Não é medo.
É liberdade... Veja mais aqui
& aqui.
Malalai
Joya:
Eu
não temo a morte, eu temo ficar calada frente à injustiça... Veja mais aqui.
CHAMANDO
OS MORTOS
Imagem:
Acervo ArtLAM.
Em certas noites
eles voltam, \ Fragmentos de histórias de fantasmas alojados na minha cabeça \ de
corridas de táxi à meia-noite. Quase sempre \ uma mulher de vestido vermelho,
riso oco \ e uma bola quicando em um parquinho, \ almas perdidas atravessando o
rio enevoado onde Meng \ Oferece-lhes sopa para esquecerem, antes de sua
próxima vida. \ E naquelas tardes em que minha mente divagava \ Com histórias
sinistras, cada escola em Hong Kong \ um cemitério. Imploramos para que nos
chegassem a nossa vez. \ ir ao banheiro juntos, acreditavam mãos
fantasmagóricas \ brotariam das torneiras para nos trazer de volta \ para uma
colônia em tempos de guerra onde soldados japoneses \ competiam entre si para
ver quem decepava mais cabeças. \ A menina da minha turma tinha um álbum de
recortes. \ de histórias de fantasmas: aprendi que vampiros \ Na dinastia Qing,
as vestes não se movem lateralmente; \ Alguns atores nunca voltaram das
filmagens. \ E crianças descuidadas desaparecem a cada OVNI. \ Nos reunimos em
volta de um prato de molho de soja que tremia. \ ver a carta se mover pelo
tabuleiro Ouija. Seria difícil... \ fazer os espíritos da comida irem
embora. E outros mitos da terra. \ dos
desaparecidos; meu primeiro amigo no ensino médio, \ Nossos aniversários eram
com um dia de diferença, costumava me mostrar \ As linhas da palma da mão dela,
uma linha mais curta que as outras. \ O que você acha do lugar onde você está
agora? \ Seremos amigos em nossas próximas vidas?
Poema
da escritora honconquesa Jennifer Wong, autora das obras Letters Home (Nine Arches Press, 2020),
Goldfish (Chameleon Press, 2013) e Summer Cicadas (Chameleon Press, 2006). Ela
possui mestrado em escrita criativa pela Universidade de East Anglia e o doutorado
em escrita criativa sobre poesia da diáspora chinesa pela Universidade Oxford
Brookes.
JOGANDO
A TENTAÇÃO - [...] Meu trabalho não é perfeito porque é um reflexo da vida. A vida não é
perfeita.
[...] A gente nunca
sabe o que esperar das pessoas. Num minuto elas são a rainha do baile e no
minuto seguinte já são completamente malucas. [...]. Trechos extraídos
da obra Game On: Tempting
Twenty-Eight (Simon & Schuster, 2021), da
escritora estadunidense Janet Evanovich, autora das obras Fortune
& Glory Tantalizing Twenty-Seven (2020), Plum Spooky (2008), Eleven
on Top (2005), Hard Eight (2002), Seven Up (2001), Three to Get Deadly (1997)
e One for the Money (1994). Ela também se expressa: O melhor que podemos fazer é priorizar nossas
necessidades e tomar decisões de acordo com elas... Existem homens que entram na vida de uma
mulher e a arruínam para sempre... É possível superar situações muito sérias, às vezes horríveis,
embaraçosas e extremamente desconfortáveis com humor. Ele nos dá uma saída...
RADICAL
PERSPECTIVA
– [...] Minha pergunta
central sempre foi: como o mundo funciona? Temos duas teorias principais que
funcionam incrivelmente bem em diferentes áreas: a relatividade geral e a
mecânica quântica. Quando aprendi sobre essas teorias na faculdade, fiquei
impressionado com o quão radicais elas eram. Ambas desafiam concepções muito
fundamentais que temos sobre o mundo ao nosso redor [...] Todas as tentativas de refutar a mecânica
quântica e a relatividade geral falharam. [...] Creio que o desafio da ciência é encontrar o
esquema conceitual correto para melhor compreender a natureza como a vemos. [...] E para isso, precisamos da filosofia. Os
filósofos nos ajudam não a encontrar as respostas certas para perguntas
específicas, mas a encontrar as perguntas certas para melhor conceituar a
realidade.
[...]. Trechos extraídos da entrevista Carlo Rovelli’s Radical Perspective on Reality (Quanta Magazine, 2025), concedida
pelo físico e cosmólogo italiano Carlo Rovelli, que na sua obra Sette brevi lezioni di fisica
(Adelphi, 2014), expressou que: [...] Somos feitos da mesma poeira estelar da qual todas as coisas são feitas,
e quando estamos imersos no sofrimento ou quando experimentamos uma alegria
intensa, não somos nada além daquilo que não podemos deixar de ser: parte do
nosso mundo.
[...]. Veja mais aqui & aqui.
MUITO
ALÉM DO CORPO, DE LUZILÁ GONÇALVES FERREIRA
[...]
Urgia aprender a
conviver com a tua ausência, fazer dela um elemento de vida, algo tranquilo,
suave, presença e não imagem dolorida de uma falta. Era preciso transforma tua
ausência num dado passado embora luminoso, a lançar sua incandescência sobre um
presente turvo. Chorava, o lápis à mão. As lágrimas escorriam pelo rosto que eu
não pensava esconder, algumas caíram sobre o texto que eu nem enxuguei. Continuei
a ler, a anotar, vez em quando as letras dançavam na página, eu perseguindo a
leitura. Então, me senti olhada [...] Uma mão pousou sobre a minha, compassiva, e outra mão acariciou os
cabelos, deteve-se nas faces. Levantei a cabeça e vi. Um rosto. Ou antes: um
olhar.
[...] Aquele olhar
falar você só face, eu estou vendo. E dizia: eu estou aqui [...].
Trechos
extraídos do romance Muito
além do corpo
(Nestlé/Scipione, 1988/Cepe, 2016), da escritora, pesquisadora, feminista e
professora Luzilá Gonçalves
Ferreira, autora de obras
como A Anti-Poesia de Alberto Caeiro (1990), Os rios turvos (1993), A
Garça Malferida (1995), Em Busca de Thargélia (1996), Humana,
Demasiado Humana (2000), Voltar a Palermo (2002) e No Tempo
Frágil das Horas (2004), entre outros. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui
& aqui.
&
A ARTE DE CIBELE SARKIS CARNEIRO
A arte da artista visual Cibele Sarkis Carneiro,
que atua como professora de Artes em diversas escolas da rede pública e privada,
integra o grupo Gentamiga Ateliê (SP), participa da plataforma Ubqub (SP) e participou
com seus trabalhos da publicação Dareladas (CriaArt, 2024) e no zineblog
Tataritaritatá. Veja a entrevista dela aqui & mais aqui.
Fernando Monteiro aqui & aqui.
Alice Amorim aqui.
Alceu Valença aqui, aqui, aqui, aqui, aqui,
aqui, aqui & aqui.
Ladjane Bandeira aqui, aqui & aqui.
Miró da Muribeca aqui.
Dona Duda da
Ciranda aqui.
Ronildo Maia
Leite aqui, aqui, aqui & aqui.
Marisa Lacerda de
Andrade aqui.
Mestre Noza (Inocêncio Medeiros da Costa - 1897-1983) aqui.
Nathalia Protazio
aqui.






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