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segunda-feira, janeiro 09, 2017

ESTRELLA BOHADANA, MARIANA AYDAR, LEONID AFREMOV, NUNO RAMOS & INFÂNCIA & JUVENTUDE


DOS TEMORES DA INFÂNCIA AOS ARROUBOS JUVENIS - Imagem: Bewitched park, do pintor israelense de origem bielorrussa Leonid Afremov - O coração de Jesus no alto da sala era uma lembrança incômoda na memória. Na minha meninice, um coração vivo, sangrando, me perseguia o dia inteiro até assombração no meio dos temores noturnos. Pesadelos numa infância medrosa. Reclamava pra minha mãe e me escondia no cós da saia dela. Ela falava e eu não compreendia. Pra meu alívio, um dia, espatifou-se na sala e ela virou-se pra mim e disse: - Foi você. Não havia como, mas ela disse. Ainda lembro na minha tenra idade os olhos furiosos dela. Pior foi no dia da minha recusa em fazer primeira comunhão e crisma, não aceitava Jesus preso na cruz. Para mim, ele já estava livre disso, nós que carregássemos a nossa, o que, pra mim, tornou-se a própria vida. Foi na transição entre a puerícia e a adolescência que descobri os pré-socráticos e a mitologia grega, dando início às minhas divagações que aprumaram andanças por religiões: Vedas, Alcorão, Mahabharata, a Bíblia, Tanakh, Analectos, Torah, Gita, Upanishades, Talmude, Zend-Avesta, o kardecismo, muitos e, no meio disso, por tantas vezes me ofereceram a Rosa de Lutero tão simpática. Entretanto, menino adolescendo já não me via cristão, um pensador livre. Nunca fui ateu, quase. Ao nutrir simpatia pelos quackers, pelo Taoísmo e pelo zen-budismo, optei pela espiritualidade, não precisava mais professar qualquer fé, nem havia mais necessidade de acreditar, eu sabia – e sei – que existe e onde está: em mim e em tudo, esse o meu panteísmo particular. Outras leituras me fascinaram, uma delas e de um fôlego só: a Tábua de Esmeralda e Corpus Hermeticum. Releituras imprescindíveis. Anos depois retomei os estudos, relendo a História dos Hebreus de Flavio Josefo, o judaísmo-cristão e todos os demais livros já lidos na adolescência, até O Livro dos Mortos, cabala e por aí vai. Nutro profundo respeito por todas as crenças e seus fiéis – cada qual, cabeças e respostas. Entretanto, como não tenho certeza de nada, não sei coisa alguma, mantenh0 postado pela espiritualidade porque sou pleno de dúvidas, carregado de perguntas, graças a Deus! Isso é o que me faz viver! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo o álbum Pedaço duma asa (2015), da cantora e compositora Mariana Aydar. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Fonte no Crônica de amor por ela, Gabriel García Márquez, Paul Éluard, José Paulo Paes, Alan Watts, Carmina Burana de Carl Orff, Michel de Montaigne, Fernando Bonassi, Ingmar Bergman, Birgitta Valberg, Maurice Béjart, Birgitta Pettersson & Rachel Lucena aqui.

E mais:
Ana Lins, a Revolução Pernambucana de 1817 & Todo dia é dia da mulher aqui.
João Cabral de Melo Neto, Joan Baez, Rigoberta Menchú, Simone de Beauvoir & Eduardo Viana aqui.
A paranoia da paixão por ela aqui.
Manoel Bentevi, Sinhô, Marshal McLuhan, Parafilias, Ópera Maldita, Giulia Gam & Anna Bonaiuto aqui,
Fecamepa: quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
O evangelho segundo padre Bidião & Jesus voltou aqui.
Pra tudo tem jeito, menos pro que não pode ou não quer aqui.
Tantas fazem & a gente é quem paga o pato aqui.
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O trabalho da mulher aqui.
Levando os direitos a sério, de Ronald Dworkin aqui.
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DESTAQUE: ZARATUSTRA & VIDA
[...] Já não havia sol. Por entre as silenciosas árvores de um bosque, caminhava Zaratustra com seus discípulos à procura de uma fonte quando se depara com algumas jovens dançarinas. Reconhecendo Zaratustra, as jovens interrompem a dana. Com gestos amigáveis, Zaratustra pede-lhes para continuarem, pois ele próprio queria acompanhá-las com um canto. E pôs-se Zaratustra a cantar. Cantou o dia em que olhou para Vida e, sentindo-se mergulhado no imperscrutável, ouviu o riso de Vida. essa, zombeteira, dizia, respondendo às indagações do grande sábio: “Eu sou apenas mutável e selvagem e, em tudo, mulher. E não precisamente uma mulher virtuosa...” E logo é Vida quem pergunta: “Que bem a ser a sabedoria?” Responde ele: “Dela tem-se sede, mas jamais se fica saciado. Por entyre véus se esconde, e tenta caçá-la com redes. Mutável, voluntariosa, talvez seja má e falsa, e é em tudo feminina. Mas quando fala mal de si mesma é, então, que mais seduz”. Após ouvir tudo isso, maldosamente Vida riu e, com os olhos semi-cerrados, perguntou-lhe: “De quem estiveste falando? De mim, não é verdade?” [...].
Trecho de A unidade primordial: perda ou fantasia?, da filósofa, professora de educação e dança flamenca, Estrella Bohadana (1950-2015), extraído da obra Feminino/masculino no imaginário de diferentes épocas (Bertrand Brasil, 1998), organizado por Eloá Jacobina & Maria Helena Kühner. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, desenhista, escultor, cenógrafo, ensaísta e videomaker Nuno Ramos.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
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quinta-feira, março 26, 2015

HERMETO, ZARATUSTRA, ADLER, TENNESSEE, FRANKL, CORSO, GUEDY & AURORA.


AURORA: UMA CANÇÃO – Pelos idos de 1977 nasceu essa canção. Eu já tinha pelejado de tudo antes disso, mas nada que prestasse. Até duas outras anteriores que eu havia inscrito numa feira música valiam a pena e não resistiram ao tempo: esqueci, se perderam. Por isso, essa foi a minha primeira composição musical de verdade. Bati o centro e fiquei ancho cantando aqui, ali e acolá. Só ganhou estatuto de vivente mesmo quando a cantora Sonia Mello gravou a canção com o meu poema Minha Voz, juntos. Foi aí que eu percebi a razão dela ter resistido a todas as outras que eu tinha então pelejado e feito. Por isso, taí a letra dela: Eu quero aurora dos meus olhos / viver a eclosão do dia /este parto retratado / no rastro meu que se vadia / pra lá das mãos / pra lá do mar / nas veredas deste céu / que vai além do meu cantar / da minha voz que traz / este céu que desvirgina / as entranhas do meu corpo / que se perde pelos vales / e só me resta seguir, ir / nas veias mornas da manhã / até abrir as comportas do meu coração. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Imagem Young woman wrapped in a fur blanket, do pintor francês Gaston Guedy (1874-1955)

Ouvindo Hermeto Pascoal ao vivo Montreaux Jazz Festival (WEA/Atlantic, 1979) do compositor, arranjador e multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A CIÊNCIA DA NATUREZA HUMANA – O livro A ciência da natureza humana (Companhia Editora Nacional, 1957), do médico, psicólogo e filósofo austríaco Alfred Adler (1870-1937), traz os fundamentos do sistema holístico da Psicologia Individual. Na obra destaco: [...] Desde a mais tenra idade, passa a perceber que existem outros seres humanos capazes de satisfazer completamente suas necessidades mais urgentes, melhor preparados para viver. [...] a criança aprende a dar valor excessivo ao tamanho que habilita uma pessoas a abrir uma porta, ou à força que habilita a transportar objetos pesados, ou ao direito de dar ordens e exigir obediência. Desperta em sua alma um desejo de crescer, de ficar tão forte como os outros, ou mesmo mais forte ainda. Dominar aqueles que vê junto a si faz-se então seu principal propósito de vida. [...] A mente não conhece nenhuma lei natural já que o objetivo está sempre mudando. Se, porém, um indivíduo tem um objetivo constante, nesse caso cada tendência psíquica deve sofrer certa compulsão, como se alguma lei natural a influenciasse. Leis que governam a vida psíquica existem – mas são leis feitas pelo homem. Veja mais aquiaqui, aqui e aqui.

ASSIM FALOU ZARATUSTRA – Hoje se comemora o nascimento do poeta e profeta persa Zaratustra ou Zoroastro que viveu provavelmente em meados do séc. VIIaC. Por sua difusão dos segredos e da verdade suprema de Ahura Mazda, ele foi o criador da religião Masdeísta, tornando-se, por isso, um dos primeiros teólogos da história, que possuía o objetivo de erradicar o politeísmo reinante, possuindo uma dimensão ético-espiritual elevada. Foi o filósofo e poeta alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) que escreveu o livro Assim falou Zaratustra: um livro para todos e ninguém (1883-85), do qual destaco: Zaratustra, porém, olhava para o povo e se admirava. Depois falou assim: O homem é uma corda, atada entre o animal e o além-do-homem – uma corda sobre um abismo. Perigosa travessia, perigoso a-caminho, perigoso olhar-para-trás, perigoso arrepiar-se e parar. O que é grande no homem, é que ele é uma ponte e não um fim: o que pode ser amado no homem, é que ele é um passar e um sucumbir [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

LOGOTERAPIA: EM BUSCA DE SENTIDO – O livro Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração (Vozes, 1991), do neurologista e psiquiatra austríaco Viktor Frankl (1905-1997), traz a experiência do autor vivida no campo de concentração, quando, segundo seu relato, ocorre a sua liberdade interior e passa a definir os conceitos fundamentais da logoterapia e a tese do otimismo trágico. Da obra destaco o trecho O sentido da vida: Duvido que um médico possa responder esta questão em termos genéricos. Isto porque o sentido da vida difere de pessoa para pessoa, de um dia para o outro, de uma hora para outra. O que importa, por conseguinte, não é o sentido da vida de um modo geral, mas antes o sentido específico da vida de uma pessoa em dado momento. Formular esta questão em termos gerais seria compatível a perguntar a um campeão de xadrez: “Diga-me, mestre, qual o melhor lance do mundo?” Simplesmente não existe algo como o melhor lance ou um bom lance à parte de uma situação específica num jogo e da personalidade peculiar do adversário. O mesmo é válido para a existência humana. Não se deveria procurar um sentido abstrato da vida. Cada qual tem sua própria vocação ou missão específica na vida; cada um precisa executar uma tarefa concreta, que está a exigir realização. Nisto a pessoa não pode ser substituída, nem pode sua vida ser representada. Assim, a tarefa de cada um é tão singular como a sua oportunidade específica de levá-la a cabo [...]. Veja mais aqui, aqui, aquiaqui.

GASOLINA & LADY VESTAL – O livro Gasolina & Lady Vestal – Poesia Urbana (L&PM, 1985), do poeta estadunidense da geração beat, Gregory Corso (1930-2001), é a reunião dos primeiros livros do autor, com prefácio do poeta estadunidense Allen Guinsberg que adverte: Abra esse livro como se uma caixa de brinquedos malucos, tenha nas mãos um refinamento de beleza extraído de uma atmosfera destrutiva. Essas combinações são imaginárias e puras, de acordo com o desejo individual (portanto universal) de Corso. Do livro destaco O Sol (poema automático): Sol hipnótico! sagrada quase eterna esfera! taça em chamas! balbuciar do dia! / Sol, solar teia de calor! seca taça tropical! sede de aranha! Sol, não água! / Sol miséria sol ira sol doença sol morte sol podre sol relíquia! / Sol baixo e torto sobre o céu africano, derramado quase vazio, ampola oca, osso do sol, pedra do sol, sol de aço, relógio de sol. / Sol dinossauro do elétrico movimento extinto e fossilizado, balbucie! / Sol, temporada das temporadas, pegar o verdadeiro peixe solar, na verde costa tomando sol como loucura. / Sol eros infernal superreal conglomeração de ira miasmática! / Sol, seres do pôr do sol chocados na desértica vida, cai! / Sol circo! tenda de hélio, apolo, rá, sol, sun, triunfem! / O sol como uma fumegante nave caiu no lago Teliphicci. / O sol como um fumegante disco gelatinoso escorreu pelos alpes Telephiccianos / O sol comanda a noite e segue a noite e comanda a noite. / O sol pode ser conduzido por uma carruagem. / O sol como um fumegante pirulito pode ser chupado. / O sol tem a forma de um dedo curvo que te chama. /O sol gira anda dança foge corre. / O sol favorece a cítrica palmeira de tuberculosos pulmões / O sol engole o lago e alpes de Teliphicci a cada ascensão. / O sol não sabe o que é gostar ou não gostar / O sol toda minha vida caiu no lago Teliphicci. / Ó profundidade constante onde tudo além é a verdadeira Bizancio. Veja mais aqui, aquiaqui.

A MULHER QUE ESPERAVA O AMOR – A peça teatral Um bonde chamado desejo (A Streetcar Named Desire – ganhadora do Prêmio Politzer de 1948) do dramaturgo estadunidense Tennessee William (1911-1983) conta a história da protagonista, Blanche Dubois, e a aversão dela pelo marido grosseiro e ignorante da irmã, Stella. Após a ruína da família, cada uma das irmãs seguira destino próprio. Stella adaptou-se ao mundo de seu marido e Blanche manteve a postura aristocrática de gestos finos e sensibilidade exacerbada. Entretanto, a personagem principal foi muito infeliz na sua vida amorosa: seu marido homossexual cometeu suicídio, provocando-lhe profunda depressão. Acusada de seduzir um aluno adolescente, Blanche acaba demitida como imoral, recorrendo à casa da irmã, decepcionando o marido dela. Mas eis que a irmã grávida dará a luz, o cunhado Stanley, completamente embriagado a violenta provocando o seu enlouquecimento e consequente internação num hospício. A peça foi adaptada para o cinema em 1951, dirigido pelo cineasta greco-americano Ilias Kazantzóglu (1909-2003), garantindo o Oscar de melhor atriz para a atriz britânica Vivien Lweigh – a Lady Olivier (1913-1967) - e de atrizes coadjuvantes para Kim Hunter e Karl Maden. Em 1999, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar faz a sua adaptação da peça para o drama All About My Mother (Todo sobre mi madre), ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro. No filme de Almodóvar, destaque para Penélope Cruz. Também merece destaque a interpretação de Leona Cavalli. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.








Veja mais sobre:
O doce voo no sangue das andorinhas invisíveis do canavial, o pensamento de Padre Antônio Vieira, a coreografia de Ekaterina Krysanova, a pintura de Iryna Yermolova, a arte visual de Arthur Brouthers, a poesia de Vera Salbego, a música de Silvério Pessoa & Jacinto Silva aqui.

E mais:
A lenda do açúcar e do álcool, A educação de Anísio Teixeira, a História da Filosofia de Wil Durant, a música de Yasushi Akutagawa, a pintura de Madison Moore, Cumade Fulôsinha & Menelau Júnior, a coreografia de João Pirahy & Oração da Cabra Preta aqui.
Salmo da cana, Os doze trabalhos de Peisândro de Rodes, Os trabalhos e os dias de Hesíodo, O informe de Brodie de Jorge Luis Borges, a escultura de Auguste Rodin, a música de Chico Buarque, a literatura de Émile Zola, O operário em construção de Vinicius de Moraes, o Teatro de Nelson Rodrigues, Tempos Modernos de Charlie Chaplin, a arte de Magda Mraz, Heracleia & Hércules, Monteiro Lobato, Psicologia Social & Formação Huamana aqui & aqui.
A cana dos coronéis aos mamoeiros aqui.
A cana, os caetés & Sardinha aqui.
A cana & a escravaria toda, Hegel, Mário Quintana, Debret & Pauley Perrette aqui.
A cana & o século XVI aqui.
A cana & o Brasil holandês aqui.
O Brasil na festa do Fecamepa, a literatura de Anna Bolecka, a música de Marlos Nobre com Leonardo Altino & Ana Lúcia Altino, a pintura de Sophia Monte Alegre & a arte de Adriana Varejão aqui.
A literatura de Adolfo Bioy Casares, a poesia de Guillaume de Poictiers, a música de Charles Mingus, a pintura de Pierre Bonard, Cabra marcado para morrer, a fotografia de John Watson, Estética Teatral & a arte de Louise Cardoso aqui.
A biblioteca nossa de cada dia, História do Amor de Nicole Krauss, a poesia de Carles Riba, o pensamento de Lloyd Motz, o cinema de Yasujirō Ozu & Shima Iwashita, a música de Carla Bruni, a pintura de Mauro Soares, Notícias Cariocas, Aprendizagem, Tributo & Imposto aqui.
Psicologia Infantil, a música de Béla Bartók, o teatro de Gerd Bornheim, a literatura de Nilto Maciel, a poesia de Leila Diniz & Clotilde Tavares, a pintura de Gutzon Borglum o cinema de David Lean & Sarah Miles aqui.
A lágrima de Neruda & prelúdio, A divisão do mundo de Jiddu Krishnamurti, O destino do homem de Goethe, Elogio ao amor de Alain Badiou, a entrevista de Márcio Borges, a música de Tchaikovsky & Elena Bashkirova, a pintura de Pierre Alechinsky & Roy Lichtenstein, o teatro de Clarice Niskier, o cinema de Neville de Almeida & Christiane Torloni, a arte de Debra Hurd, a poesia de Alvaro Posselt, a fotografia de Harrison Marks, as gravuras de Jerzy Drużycki & Palavra Mínima aqui.
A solidão de Toulouse, A mulher celta, a literatura de Elfriede Jelinek, a entrevista de Gilberto Mendonça Teles, a música de Jonatha Broke, a pintura de Henri Toulouse-Lautrec, a arte de Paulo Mendes da Rocha & Michael Aaron Williams, a fotografia de Marcos Vilas Boas, Salgadinho & Psicologia Ambiental aqui.
Lavratura, O pensamento de Antonio Quinet, Os megálitos de Orens, a música de Bach & Hilary Hahn, A maternidade de Francisca Praguer Fróes, a pintura de Joan Miró & Peggy Bjerkan, a arte de Mário Zanini & Luciah Lopez, Por um novo dia, A vida começa no final de semana & O que sei de mim é só de você aqui.
Lasciva da Ginofagia aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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sábado, agosto 04, 2012

MONIQUE WITTIG, FRANK HERBERT, MICHAEL MCCLURE, ATHOS BULCÃO, MARILYN, HUNDERTWASSER, VIEIRA, JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES

 

A arte do escultor e pintor Athos Bulcão (1918-2008).

 


PARÊNTESIS LUXURIOSOS - I - (entre eu e eu, um homem e um animal. Um homem que se inicia, ilumina, transcende e comunga imanente com tudo e todas as coisas. Um animal lobo sedento e insaciável, soturno e insone. Quando equilibra o ser, domando e apascentando a fera indômita de si próprio, o eflúvio místico da sabedoria se insinua e eis que, na calmaria dos sentidos, surge do inopinado uma mulher linda e nua, olhos manhosos, rosto belo, boca sedutora, cabelos sedosos ao ombro, seios de fruta deliciosa, braços convidativos, ancas arredondadas, ventre palpitante, coxas e pernas bem delineadas. Esconde-se, então, o homem e se pronuncia o animal indomável que arde perante a imagem carnal mais cobiçada, até alcançar o lado extremo do prazer que ela proporciona. É nisso que assimilo Zaratustra, no momento em que "o homem é uma corda atada entre o animal e o além do homem, uma corda sobre o abismo". E essa rede abissal se forma desde remota infância, menininho miúdo, bolinha risonha, arrodeado e paparicado por mulheres e por todos os lados: tias, primas, sobrinhas, madrinhas, afilhadas, enteadas, vizinhas. Tudo cheirando meu ventre miúdo e acendendo minha incipiente satisfação. Havia até uma delas que cochilava com meu pingulizinho na boca de manhã, ou de tarde, ou de noite. Eu quietinho, nem chorava. Só esperneava com fome ou por falta de uma mulher ao meu lado. Assim fui crescendo, deitando no chão só para ver o segredo embaixo das saias. Minha tia se aperreava quando saía do banheiro enrolada numa toalha que eu me escondia embaixo. Aprontava das muitas. Fechadura de portas de quarto de fêmea, era o meu predileto passatempo. Até meus quatro anos quando conheci a professora peituda e bunduda, dela nascia meu gosto felliniano pelas desproporções, a ponto de colocar um espelhinho no sapato só para flagrar suas intimidades. Quanto mais peituda, mais se acentuava minha paixão infantil. Mesmo, e uma coisa curiosa ocorreu alguns anos atrás quando uma amiga minha, Cleonice, uma daquelas pessoas que a gente tem afinidade parecendo mais que já foi íntima da gente noutra encarnação, e eu gozava de sua estreita amizade.; até o dia em que, anos e anos no meio de tantas e tantas transparências confidenciais trocadas na maior cumplicidade de amigos, entreguei minha fantasia sexual: volumosos seios e carnes excedentes. Ao término do almoço no restaurante, ela saiu muda, acompanhando meu palavreado, eu nem me tocando que algo havia desgostado nela. Não havia como eu perceber que a anatomia que havia descrito, batia de cara com o seu ser. Eu não possuía essa maledicência. Não, Cleo, eu nunca cantei uma mulher. Minha timidez nunca permitiu e nunca, jamais fui possuído por tal ousadia. Sempre usei de outras mais sutis alternativas - abordagens com uma olhada tímida e persistente, provocando esbarrar na pessoa, deixando a coisa fluir com naturalidade, em tempo algum com uma cantada - para conseguir as mulheres que me deram a graça dos meus braços e provando de meu corpo. Cleo não entendera isso, e eu perdera uma linda amizade. Mas eu não vou aqui fazer um relato como a da Thérèse Philosophe, muito menos um diário como o de Kierkegaard porque voo pelo que persuade a não amar apenas uma, mas muitas e que deus fique com o céu, que eu fico com ela, nem uma pregação do hedonismo sofista de que nada é mais importante que o prazer. Não. Devo dizer que sempre ambicionei encontrar o Eldorado, não pela busca da riqueza ou outros louros, mas pela justiça e equidade social.; sempre procurei Canãa nalgum lugar, alhures; sempre invoquei Shangri-lá, a Cidade do Sol de Campanela, a L"an 2440 de Mercier, a Nova Atlântida de Francis Bacon, a Utopia de Thomas Moore, e todos esses lugares inatingíveis, só foram reunidos para mim, no corpo de uma mulher. Esta sim, a minha busca real, onde sou todo em minha pequenez; inteiro com meus pedaços; forte com as minhas fraquezas; adulto com minhas infantilidades; perfeito com todas as minhas imperfeições. Nela eu me completo com a sua compreensão e com a minha descarga animal da tensão biológica como a chuva que cai do espírito do universo para fertilizar a terra. É nela que me realizo, considerando o que mencionara Jung que "o animal humano sempre viceja quando não é premido pela dura necessidade" e aprendendo com ele que "é no coração onde reside todo drama e toda excentricidade". E a quem nascera com o coração capaz de amar a mulher, restaria não só a sede da volubilidade erroneamente detectada, mas a de amá-las todas, fielmente, em sua beleza e em sua razão de ser. Parece que foi Vinícuis de Moraes quem dissera que amava muitas mulheres mas que era fiel a cada uma. É neste sentido que deixo a minha imaginação viajar ao doce enleio do jeito feminino...).... ©Luiz Alberto Machado. Direitos Reservados. Veja mais aqui e aqui,

 


DITOS & DESDITOS - Não há males na Natureza, há apenas males do Homem. O teu direito de janela – o teu dever de árvore. Homens e mulheres criativos, tens o direito de enfeitar a teu gosto, e tão longe quanto teu. Devemos, finalmente, acabar com o fato de as pessoas se mudarem para seus aposentos como galinhas e coelhos em seus galinheiros. A linha reta é ímpia e imoral. Pensamento do artista austríaco Friedensreich Hundertwasser (Friedrich Stowasser – 1928-2000).

 

ALGUÉM FALOU: Estou com fogo entre os dentes e ainda nada além da minha página em branco. É bem possível que uma obra de literatura funcione como uma máquina de guerra em sua época. Pensamento da escritora francesa Monique Wittig (1935-2003), autora das obras L'opoponax (1964) e Les Guérillères (1969), entre outras.

 

OUTRA QUE FALOU... - A vida é o que acontece conosco enquanto estamos ocupados fazendo planos... Pensamento da atriz estadunidense Marilyn Monroe (Norma Jeane Mortenson – 1926-1962). Veja mais aqui,

 

A POESIA – [...] Em todos os tempos, a poesia será sempre um lance de dados, um jogo de azar entre paixão e razão. por isso, a linha em que elas se inserem será permanente mesmo diante de eventual desfavor crítico, para além das alternativas, que definem, hoje como ontem, o sentido dinâmico da criação. [...]. Trecho extraído da obra A tempestade engarrafada – ensaios (EGBA, 1995), do escritor, jornalista e professor João Carlos Teixeira GomesVeja mais aqui e aqui.

 

ENGENHO – [...] Que coisa já na confusão deste mundo mais semelhante ao inferno, que qualquer desses vossos engenhos? Por isso foi tão bem recebida aquela bela e discreta definição de quem chamou a um engenho de açúcar doce inferno [...] as caldeiras ou lagos ferventes vomitando espumas, exalando nuvens de vapores, o ruído das rodas, das cadeias, da gente toda da cor da mesma noite, trabalhando vivamente, e gemendo tudo ao mesmo tempo, sem momentos de trégua, nem de descanso; quem vir enfim toda a máquina, não poderá duvidar que é uma semelhança do inferno [...]. Trecho do Sermão XIV extraído de Os Sermões do Padre Antônio Vieira (1608-1697). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

DUNE – [...] Em tempos, os homens entregavam o pensamento às máquinas, na esperança de que isso os libertasse. Mas só permitiu que outros homens com máquinas os escravizassem [...] O mistério da vida não é um problema para resolver, mas uma realidade para experimentar. [...] Nas profundezas do inconsciente humano há uma necessidade generalizada de um universo lógico que faça sentido. Mas o universo real está sempre um passo além da lógica. [...]. Trechos extraídos da obra Dune (Ace, 1990), do escritor e jornalista estadunidense Frank Herbert (1920-1986).

 

PEIOTEI - Livre – sentidos claros – sentado na cadeira preta – De balanço – / paredes brancas refletindo a cor de nuvens / movendo sobre o sol. Intimidades! Os quartos / sem importância — mas como divisões de todo espaço / de toda hediondez e graça. Eu ouço / a música de mim e a anoto / sem esperar leitor. Eu passo fantasias como / Me são cantadas em Vozes-de-Circe. Eu vago / entre os povos de mim mesmo e sei de tudo / Que preciso saber. / EU SEI DE TUDO! EU PASSO PARA O QUARTO / uma cama dourada se põe a radiar a luz inteira / o ar enche de linhas e borrões de prata. / Eu rio pra mim mesmo. Sei de tudo / que há para saber. Eu vejo tudo que há / para sentir. Fiz as pazes com a dor / na minha barriga. A resposta / pro amor é minha voz. O tempo não existe! / Nem resposta nenhuma. Ao sentimento, meu sentir é a resposta. / À alegria, resposta é alegria sem sentir. / O quarto é um querubim de muitas cores / feito de ar e reluzentes tons. A dor no meu estômago / é quente e terna. Estou sorrindo. A dor / em mil pontadas, sem angústia. / A luz altera o quarto de amarelo a roxo! / O espaço amarronzado atrás da porta é o ouro / íntimo, silencioso e calmo. Terra natal / de Brahms. Sei tudo / que é preciso que eu saiba. Não há pressa. / Eu leio os sensos dos muros riscados, tetos pensos. / Estou à parte. Os olhos fecho em divindade e dor. / Solenemente eu pisco à insolente alegria. / Sorrio pra mim mesmo em movimentos. Andando / apresso o passo com cuidado. Preencho / o espaço com meu ser. Eu sei o segredo e os distintos / traços da fumaça que vem de minha boca. / Eu sou, sem atenção, parte de tudo. À parte / estou do que é triste e belo. Eu sei de tudo. / (VASTIDÃO / E dura intensidade — dentro de mim. Não mais / uma nuvem / mas carnal feito pedra. Como Herácles / de primevos vigor e substância. / Não temendo sequer o fim do encanto / mas aceitando. / As coisas belas não são pra nós, / mas miro. Estando entre elas. /E a coisa indígena. É à vera! / Aqui no apê é mais tribal minha mente.) / ESTÔMAGO!!! / O tempo não existe. Eis que visita um cara / que é deus das raposas / traz sujeira nas unhas de sua pata / recente do covil. / Sorrimos um ao outro em reconhecimento. / Estou livre do tempo. Aceito sem triunfo /— um fato. / Se fecho os olhos há clarões de luz. / Meus olhos já não focam, saltam. Eu vejo que tenho três pés. / Eu vi de uma só vez sete lugares! / Inclina o assoalho – o quarto oblíqua / coisas derretem / dentro de outras coisas. Clarões / de luz / e fusões. Eu espero / olhando a coisa física passar. / Estou numa mesa de tempo e espaço. /! ES-TÔMA-GO! / Escrevendo a música da vida / em versos. / Ouvindo os bons sons da guitarra / em cores. / Sentindo a carne a me tocar. / Enxergo o caos liberto das palavras / na página. / (suprema graça) / (O doce Yeats de esferais haxixes.) /Minha barriga e eu somos dois caras / unidos pela / vida. / ESTE É O PODEROSO CONHECIMENTO / sorrimos com ele. / Da janela eu olho pra melancolia azul-cinzenta / da lugubridade. / Tô aquecido. No dragão do espaço. / Eu fito as nuvens vendo /  suas convoluções brumosas. / Os turbilhões do vapor / Pequenarei as nuvens 'té que sumam. / Elas se tornam peixe e comem uma à outra. / E mudam como espíritos de Dante / a se tornar no céu mais alto imóvel garça / pra me desafiar. Poema do escritor, dramaturgo e compositor estadunidense Michael McClure (1932-2020). Veja mais aqui.



EITA, PORRA!
– Mandando ver na campanha, o Doro estava cheio das nove horas, castigando nos imbróglios num comício relâmpago, quando um macobeba insolente gritou lá no meio da mundiça:


- Aprume a cunversa, ocê, seu fidapeste, pruquê votá num corno dum canidato probe, é o mermo que pidi esmola pra dois.

Nessa hora, a cônjuge do amolestado candidato, Marcialita, estava toda ancha alisando sua mão de pilão e resmungando:

- Toma, cachorro, todo castigo pra corno é pouco!


E BOTE FÉ NA VERA!!! – A Vera Indignada estava injuriada com uma boataria mais sem graça que estava rolando adoidado pelas línguas maldizentes. É que a mesma, no apagar das luzes, resolveu depois duma manguaçada boa de esborrar o pote, se candidatar a vereadora. Não contava ela com a desfeita dum juiz eleitoral rejeitando a proposta. Não deu outra, ela deu uma de Andressa Mendonça, invadiu o gabinete do magistrado, sapecou sedução fatal e se enrolou numa foda ruidosa que virou escândalo pelos quatro cantos do mundo. Não deu outra, ela de nariz empinado arrotou soberba:

- Também, pudera, o pinto dele é menor e mais fino que dum japonês. Destá, eu sou eu e nenhum fidaputa deita desaforo na minha cara. Tenho dito!

E nem aí, mostrou os peitos...


COMO É QUE É? FODEU!!! – Quando o sol nasce todo dia, o cara já acorda atolado na merda do Fecamepa. O brabo é comer a merda dos outros no montura da sua própria bosta.


CARTESIANISMO DO FECAMEPA – Cago, logo, existo! Ué, também contribuo fabricando coprólitos pra merdaria toda, ora.


POIS É, TUD´IN RIBA?! – Se tem um cara chato da porra pior que dor de dente em noite de insônia, é um tal do fidapeste chato de galocha dum evangélico metido a Eric Cartman, explicando tintim por tintim, porque ele está coberto de razão.  Sai-te, sectário duma figa! No boga: é tchá, é tché, é tchu, e vá tomar no cu!





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