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domingo, junho 14, 2026

FRANÇOIS JULLIEN, EILEEN CHONG, STARHAWK & GUEL ARRAES

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Glamorous Life (2017), Very Special (2017), Tea Times (2016), Self Portrait (1997) e Cruisin' (1993), da pianista japonesa Junko Onishi.

 


O sacrifício da heroína & as façanhas acanhadas do mancebo... - Aperturam libra: Zeca Biu já contava com seus 17 castos anos e a mãe dele, dona Adélia, desde que vencida a puerícia dele, se corroía há tempos por preocupações: o alistamento militar e cadê a namoradinha dele? Toda mãe é sagrada, há de se perdoar até as ideias extravagantes dela: Será? O filho até então não se servia pro metier, ou se passasse a desmunhecar e, o pior: a zooerastia, valei-me, afora o risco da peste no pipocar dos furúnculos. Em confidências hesitantes e sucessivas com a Viscondessa, a constatação do pânico: Puxou ao pai? Talqualzinho. O mal-estar angustiante: careciam de providências urgentíssimas. Idas e vindas. Ele lá alheio a tudo: inepto donzelo Príapo, no vice-versa da escola pro oitão da bicharada: seu meio de ganho com estimado gosto, cada dia o seu pão e sequer um sinalzinho dum pé de gente por amizade. Nem se incomodava mais com o desplante dos vizinhos furiosos com o fedor do criatório. A genitora partiu pra cima da vocação hereditária, traquejo da vida, que seja: ou vai ou racha! Inventava todo dia um folguedo pra reunir as amigas e suas filhas, esperançosa de que dali uma que fosse caísse nas graças dele. E inventava pândegas de Príncipe Encantado, levada pela festa do boi do Barão, tudo para destabocar a curiosidade das convidadas, resultando, ao final de cada festejo, num desfile amuado de Zeca Biu, todo sem jeito, só pra que todas vissem a filiação de um bom partido. Não dava cloro. Apelou pro anjo da guarda deles, fez careta com as omissões, a cada batida do coração uma vontade escapulia e quase tudo se perdia, de não desperdiçar outra vez, uma chance, a única, descartada? Nunca. Desenganava: Ele que bote suas astúcias pra fora, lavo as mãos não. O pubescente parecia já ter tirado a catinga do mijo e de tão tabacudo nem aí. Ela fez finca-pé: recorreu à inarredável Viscondessa e lá, na sepultura dela, ajoelhava-se de rezar e orar por horas, pedia permissão e rogava um sinal de seu consentimento. Na hora: uma nuvem larga escureceu e caiu o maior pé d’água, logo o Sol raiou: casamento da raposa. Era o que precisava, saiu efusiva pronta pra deixar tudo nos conformes, louvando seus rogos pro Santoínho. Dissimulada lá e cá, dissuadia: Cadê a paquera? Ele gaguejava retraído, desconversava, tudo vez nada: quão e tão sombra sem voga, pernas e braços cruzados, todo encabulado quanto ao assunto, constrangia-se a qualquer insinuação. Ô meu filho, tá na hora de pensar em casar, num tá não? Casar? Ora, se. O mancebo alesado: Quem? Um espirro, só na babaquice de queijudo. Ô homem sem jeito! Sujeito retraído, abria e fechava os olhos; levantou-se e foi até longe no alto do morro e confidenciou sua indignação: Casar? Foi pra casa dormir que já era breu pra madrugar. Aí ele sonhou com uma cigana jeitosa: Qual a sua missão? Despertou agoniado sem entender patavina. Eis que amanhecera e distraído no quintal, apareceu do nada Dorcelimesia, a Dodô, também afeiçoada a bicho. Ela trouxe pela coleira um gambá de estimação – tipo rato-do-mato. Ele receptivo: Também gosto de cassaco, saruê, mucura, timbu, sariguê, tenho desses não no meu zoo, só uma ticaca perdida por aí. Quer? Pra você eu dou. É macho? Sei lá. Deixe ver: agora temos um casal. E riram-se. É que a mãe dela ralhava: Quero isso aqui não, rouba ovos de galinha. Oxe! E se riam da leseira dela. Assim se viam manhãs, tardes e noites, até foram juntos prum concurso e todo mundo fugiu. Ué! Quem aguentaria a bufa dum da orelha-preta? Nisso a felizarda genetriz benzeu-se, foi ver de perto e um tênue alívio repousara no seu coração: estava ali, naquela menina, a sua redenção. Aproveitou-se achegando-se: aguava o pagode ensinando as manhas pra moça e tudo fez força preles se estreitarem: No dia dos namorados, Almofadinha e Melindrosa, brincava. A menina gostou tanto, da viúva sogra, dela correr antecipada pros pais da afeiçoada: Vamos ajeitar o casório! Como? Está mais do que na hora de juntar os dois pombinhos. E virava os olhos sonhando com epitalâmios no ritual do matrimônio e bruguelos saltando pelo himeneu: Vovó! Voltou pra casa e contou logo pra sua agora suposta nora: Pronto, agora vão brincar no quintal com a Paz de Deus. Oxe! Os dois subiam e desciam pelas árvores, buliam com a bicharada, pulavam muro, escorregavam no pó-de-serra, atravessavam o brejo, viravam cambota, bundacanasca. A cunhã viçava, mais atirada, taluda, destemida, determinada, o instinto materno adotivo; ele tão medroso na estase franzina da ingenuidade, achava dela uma coisa tão chochinha, vixe! Passava. E se empolgaram tanto dele contar um segredo. Havia do que se falar: juntando montes e esburacados, deu numa panela cheia, dinheirama. Mesmo? Uma botija por achado, segredou. E aí? Fez pelos avessos: dividiu em caçarolas menores para semear em pequenas covinhas esparsas pela imensidão. Tais rico, então? Só eu e você, chiiiii. Daí ele pegava o chilreio da passarada para guardá-lo atrevido no bolso da blusinha dela: Pra você, todos! Ela sorria dourada quase tarde ensolarada. E roubavam algodão doce das nuvens baixinhas ao alcance das mãos, botando os pedaços um na boca do outro. Se sentiam como na epopeia do camelo & a zebra, era a amizade deles nascendo escondido, tímida, clandestina, embaixo de 7 capas. Não despregava as vistas da titela dela que cochichava cócegas às suas ouças; o riso, respiração profunda. Trocavam azuis por rosas, roxos por amarelos, verdes por vermelhos. Ela gostava de ver o bando dos bichos, até da criatura com o dobro de braços e pernas. Quem? Oxe, apareceu agora. Deu fé até dum ET. Danou-se tudo! Aí ardiloso pras bandas dela: Vê aquele negócio ali! Ela foi, arreou-se conferente e ele, inadvertidamente, viu-lhe o cofrinho robusto no lance da calcinha. Caiu a ficha, zarolho, empertigado: Fazer o quê, meu Deus? Um inadvertido prurido ventral emergiu com a brejeirice dela sem empecilhos, descobria a polução involuntária, aprendia a função onanista. O zerola lambia os beiços, súbito fugitivo. Dodô virou-se: Cadê-lo. Sumira. Caçou-lo pela redondeza e pegou-lo acuado ensandecido numa touceira escondida. Cobra? Foi ajudá-lo e pegou dum jeito que ele sentiu o efeito na hora: maior meladeiro. O que foi isso? Titubeou desajeitado, mas e nãos e sins. Não é venenosa não, né? Não era. Ela apurou direito dos olhos quase pularem fora: Você tem três pernas ou isso é um aleijão? Tartamudeava lívido, acabrunhado. Deixe ver direito? Um abismo. Não! Ele fugou aos desembestos. Ela no encalço. Cansados da correria, se agacharam esbaforidos à sombra do cajueiro. Tomavam fôlego. Cabeça baixa, olhos fechados, ele não sabia o que dizer, língua enrolada, juízo deu nó. Quando ela olhou pra ele ali acocorado, arregalou-se com o bico da piroca pendurada, escapulindo coxa abaixo. Que bicho é esse? Hum? Não se mexa, vou pegar! E, como a maior de todas as heroínas, encarou destemida. Deu-se a lavação da jega, dele bater forte nos possuídos dela, uma peiada macha, de levá-lo à rebordosa: viciado, via-se logo famélico, olhos fundos, desapaziguado, só os ossos. Qualquer gesto dela e sacudia-se, deseganchado da toleima, atirava-se sobre os seus costados deles esquecerem o almoço depois do meio dia, a janta na boquinha da noite e assaltados pela surpresa de que já era tarde da noite, hora de cada um se recolher-se ao seu domicílio. Não era de reprimenda e apartavam-se meio que desastrados até bufarem sono pesado pela noite folgazã, cada qual na sua cama. No outro dia Zeca Biu, todo ancho, procurou Dodô. O canto mais limpo. Cadê-la? Os pais se mudaram. Pra onde? Quem sabe! O seu mundo pipocou esfarelado e, na mais espessa escuridão, piongos, mãe e filho, desconsoláveis: fazer o quê dali pra diante. Dias depois bateram à porta. Duas envelopes por baixo da porta. Inadvertida a mãe as apanhou: É pra você! Escolheu logo a da caligrafia dela estampada no bilhete: Vou fugir de casa praí! Ele alvoroçou-se todo. Contudo, conteve-se: os olhos maternos chorosos: Que foi? Entendeu-lhe o papel: era hora de servir a uma das forças armadas. Acta est fabula. Até mais ver.

 

Jürgen Habermas: Somente quem assume o controle da própria história de vida pode enxergar nela a realização de si mesmo. A responsabilidade de assumir o controle da própria biografia significa ter clareza sobre quem se quer ser... Veja mais aqui, aqui & aqui.

Joyce Carol Oates: Somos todos regionalistas em nossas origens, por mais 'universais' que sejam nossos temas e personagens, e sem nossas queridas cidades natais e paisagens infantis para nos nutrir, seríamos como plantas colocadas em solo raso. Nossas almas devem criar raízes - quase literalmente... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Salman Rushdie: Sociedades livres... são sociedades em movimento, e com o movimento vêm a tensão, a dissidência, o atrito. Pessoas livres produzem faíscas, e essas faíscas são a melhor prova da existência da liberdade... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

BÚSSOLA

Imagem: Acervo ArtLAM.

EU - Minha mãe me colocou na água. \ Ela me deitou de costas. Algum instinto \ manteve meu pescoço rígido e minha cabeça erguida. \ A fotografia se perdeu. No álbum \ da minha mente, vejo o pânico nos meus punhos cerrados. \ Ainda sinto o frio da água ao meu redor.

II - Ele disse que iríamos jogar um jogo. \ Todos nós pulamos de susto. Ele segurou minha mão com força. \ No fundo, contamos. Bolhas \ prateadas subiram à superfície. Então, eu saí correndo. \ de ar. Eu não conseguia me soltar. Ao \ subir, ele me chutou. A água: tão pesada.

III - À tarde, eu tinha muita alegria \ em encher a pequena chaleira e levá-la \ para o meu avô na sala de estar. \ Ele colocava a chaleira na chapa quente e deixava \ a água ferver. Folhas de chá na chaleira. \ O aroma de bambu. A infusão amarga.

IV - Meu pai sempre dizia: onde há água, \ há chineses; onde há chineses, \ há hakka. Tenho cinco frases: \ comer, dormir, tomar banho, cagar, não entendo. \ Para contar os inhames: descascamos os inhames. \ Cozinhamos, amassamos, adicionamos farinha e amassamos \ até virar massa. As mulheres em fila, moldando \ as bolinhas com covinhas. Nunca entendi toda essa confusão. \ Óleo cobre meus lábios, meus dentes e minha língua.

V - Sinto muita falta da banheira. \ Nas manhãs de inverno, eu acordava e preparava \um banho quente. Um calor insuportável, escaldante. \ Vapor subindo da água. Sal dissolvendo-se \ instantaneamente. A imersão sublime — \ um retorno ao útero, ou a um caixão.

VI - Às três horas da manhã, \ minha avó resolveu esfregar \ o chão do banheiro. \ Ela escorregou, cortou a testa \ num cano e caiu de cara no chão. \ Sangue e dois olhos roxos. \ Essa mulher lutou a vida inteira. \ À noite, trava uma batalha consigo mesma. \ O suor encharca seus lençóis.

VII - Nunca soube que tinha um gosto doce. \ Como mel da rocha— \ Sermões monótonos ecoavam pelo meu teto \ enquanto eu lia o Cântico em silêncio. \ De cânticos, salmos e provérbios. \ Versículos como as marés. Meu primeiro \ Poema, o oceano da minha ruína.  \ No fundo: uma bússola de lata, \ sua agulha selvagem e inquisitiva.

Poema da poeta singapuriana Eileen Chong (Eileen Chong Pei Shan), radicada na Austrália e autora dos livros Burning Rice (2012), Peony (2014), Painting Red Orchids (2016) e Rainforest (2018).

 

CIDADE DE REFÚGIO - […] Que o vento carregue seu espírito suavemente, que o Fogo liberte sua alma, que a Água a purifique, que a Terra a acolha, que a Deusa a tome em seus braços e a guie para o renascimento. [...] Mesmo uma gota de felicidade poderia colorir um poço inteiro de miséria. [...] Trabalhamos muito, estávamos conseguindo nos manter — aí eles aumentaram as taxas de juros, ou fecharam as escolas, ou mudaram as leis... [...]. Trechos extraídos da obra City of Refuge: The Fifth Sacred Thing (Califia Press, 2016), da escritora e ecofeminista estadunidense Starhawk (Miriam Simos), que no seu livro The Earth Path: Grounding Your Spirit in the Rhythms of Nature (HarperCollins, 2004), ela expressou que: […] A energia se move em ciclos, círculos, espirais, vórtices, redemoinhos, pulsações, ondas e ritmos — raramente, ou nunca, em linhas retas simples. [...] Como tudo é interdependente, não existem causas e efeitos simples e isolados. Cada ação cria não apenas uma reação igual e oposta, mas uma teia de consequências que se propagam. [...] Uma relação real com a natureza é vital para o nosso desenvolvimento mágico e espiritual e para a nossa saúde psíquica e espiritual. É também uma base vital para qualquer trabalho que façamos para curar a Terra e transformar os sistemas sociais e políticos que a atacam diariamente. [...] Mas um quebra-vento também é um grande professor, para mim, sobre não-violência. Como respondemos a forças intensas — raiva, fúria, até mesmo ataques físicos — sem nos tornarmos violentos em resposta? Como reagimos a críticas bem-intencionadas, porém duras (sejam elas bem-intencionadas ou intencionalmente ofensivas)? Se nos tornarmos uma muralha, bloqueando as energias que nos atingem, podemos, na verdade, fortalecer a raiva da oposição. Por outro lado, se simplesmente ignorarmos ou rejeitarmos as críticas, a oposição pode expandir suas críticas para incluir nossas reações. Mas há uma terceira alternativa: se aprendermos com as árvores, podemos absorver e transformar a energia que nos atinge. Fazemos isso mantendo a calma, o equilíbrio e o centramento, ouvindo em vez de responder, balançando com o vento e deixando-o dissipar-se. [...] Não acredito que tudo em nossas vidas seja uma questão de escolha. Em círculos da Nova Era, ouço frequentemente pessoas dizerem: "Criamos nossa própria realidade". Essa é uma compreensão simplista e míope de como a realidade funciona. Não escolhemos todas as nossas circunstâncias, nem todas as nossas opções. Os pobres geralmente não escolhem morrer de fome, nem os oprimidos escolhem a opressão, e as vítimas da guerra não escolhem morrer. Mas podemos escolher como reagir às circunstâncias que nos são apresentadas. [...]. Ela também é autora de outros livros como Webs of Power: Notes from the Global Uprising (2002), Walking to Mercury (1997), The Pagan Book of Living and Dying: Practical Rituals, Prayers, Blessings, and Meditations on Crossing Over (1997), The Fifth Sacred Thing (1993), Truth or Dare: Encounters with Power, Authority, and Mystery – Creative Alternatives for Positive Change in Our Lives and World (1987), Dreaming the Dark : Magic, Sex, and Politics (1982) e The Spiral Dance: A Rebirth of the Ancient Religions of the Great Goddess (1979).

 

NÃO HÁ IDENTIDADE CULTURAL – […] tratar a diversidade das culturas em termos de diferença levará a querer isolá-las e fixá-las na sua identidade. [...]. Trecho extraído da obra No hay identidad cultural (Taurus, 2017), do filósofo francês François Jullien, que em sua outra obra The Silent Transformations (Seagull Books, 2009), ele expressa que: [...] O que resta, de fato? O que mais nos resta além da grama que cresce e das montanhas que se erodem, corpos que se tornam pesados e rostos que se emaciam, a vida que fecunda, ou se exaure, ou melhor, que, enquanto fecunda, já começa a se exaurir? E vagas expectativas que se cristalizam em paixão febril, ou então em encontros que se tornam menos frequentes. Ou cumplicidades amorosas que, sem serem confessadas, se transformam em relações de poder? Ou revoluções heroicas que (sem que possamos precisar quando) se transformam em privilégios do Partido? Ou então as feridas de ontem que são deslocadas, enterradas e condensadas, e então se transcrevem em representações criptografadas de sonhos – e obras que amadurecem em silêncio? [...]. No livro La china da que pensar (Anthropos, 2005), ele reflete que: [...] ao que foi aprendido, enquanto se continua aprendendo. [...], acrescentando noutra obra, The Propensity of Things: Toward a History of Efficacy in China (Zone Books, 1995), que: […] No estágio mais embrionário, a tendência à plenitude da atualização já está latente. [...]

 


O UNIVERSO DE MACHADO DE ASSIS - Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito... Pensamento do escritor Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis – 1839-1908). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

A ARTE DE GUEL ARRAES

[...] Eu entrei em cinema no começo dos anos 70, bem por acaso. Na época, todo mundo fazia um pouco de Super-8, que corresponde ao vídeo de hoje em dia. Na Universidade de Paris VII, eu fazia um curso de antropologia e havia umas cadeiras de cinema. Como eu já fazia filme em Super-8, optei por cadeiras relacionadas a cinema, etnologia e etnofilmes. Foi quando comecei a ver os filmes de Jean Rouch e fiquei fascinado [...] Eu cheguei no Brasil em dezembro de 79. Cheguei no Rio em abril de 80 e seis meses depois eu estava na televisão, já na Globo, já em novela. Eu comecei como estagiário e uns seis meses depois comecei a dirigir. Minha ida para a Globo também foi por acaso. [...] O que eu faço no cinema é comédia maluca. Gosto do cinema burlesco, da comédia, da farsa mas nesse gênero de filme não se explora a paisagem, planos em contra-luz. Não dá tempo para se ter muitas panorâmicas, por exemplo. O cinema que eu faço não tem a pretensão de ser um cinema de arte. Não precisa ser julgado dentro dessa regras. Há eixos nos meus trabalhos e são eles que precisam ser analisados: há essa mistura de ficção e realidade, há o apelo à metalinguagem, o burlesco, por exemplo. [...] O Auto surgiu quando a gente já estava começando a cansar de novo da TV. [...] Na maioria das histórias, a gente teria que cortar muito para colocar tudo em um único episódio; não haveria como aproveitar mais cenas difíceis e caras de produzir, foi quando então a gente propôs o formato seriado, em capítulos. Foi o que fizemos com o Auto da Compadecida, Luna Cliente e, mais tarde, com Caramuru. [...] Com a transformação do Auto da Compadecida em filme, ficou bem claro que a leitura no cinema é mesmo outra, permite um grau de sofisticação maior. [...] Mas, para muita gente o Auto, no cinema, foi uma coisa inteiramente nova. Isso só mostra que, na televisão, às vezes, a gente “vê e não vê”. Se ficasse só na TV, teria sido só mais um excelente programa; no cinema, virou uma interpretação clássica de um clássico de Ariano Suassuna. No entanto, era a mesma coisa. O cinema cria uma outra relação. [...] Parecia ser possível então educar um público pra ver diferente: se o programa tem equilíbrio, desperta curiosidade, desperta interesse, o espectador começa a sentir que pra ver aquilo ele tem que prestar atenção, e ele começa a prestar atenção porque se ele virar, piscar, pode perder uma piada. Isso eu acho que, de alguma maneira, começou a acontecer com os programas que a gente fez [...].

Trechos recolhidos da entrevista Subvertendo as fórmulas, reiventando os formatos: entrevista com Guel Arraes (Galáxia, 2002), dos jornalistas Alexandre Figueirôa e Yvana Fechine, concedida pelo cineasta, roteirista e diretor Guel Arraes (Miguel Arraes de Alencar Filho), diretor de filmes como Doris para maiores (1991), A comédia da vida privada (1997), O auto da compadecida (2000), Caramuru – a invençãodo Brasil (2001), Lisbela e o prisioneiro (2003), O bem amado (2010), Grande sertão (2024) e Fábrica de sonhos (2024), entre outros. Veja mais aqui.

 

E veja mais gente de Pernambuco aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 




sexta-feira, junho 19, 2020

LOUISE GLÜCK, MÓNICA LAVÍN, LÍDIA JORGE, JORGE MACCHI & EZTER LIU



DIÁRIO DE QUARENTENA – UM SENTIMENTO DO CORAÇÃO: Quem à procura, metade do poema, parece pouco. Para chegar, qualquer lugar, distância a vencer. Estou no caminho, nunca é tarde. Caos e efeito, ontem e hoje, não seria um filme, nem sonhos: é vida. Ouço longe a Gota d’água do Chico Buarque: Deixe em paz meu coração que ele é um pote até aqui de mágoas e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d’água! Não é o fim da linha, nem tão cedo será. Não terminou a sessão, nem dá para repetir, talvez reiterar muito que andar, muito pra saber. Se noite ou dia, conte comigo, vamos viver.

DOIS DEDINHOS DE PROSA – Ando meio à toa. Sim, mesmo com a gravidade do capitalicídio, inseticida na cabeleira, dificuldade de respirar, mãos postas e olhar sem saber pra onde. O mundo não parou, quase; as pessoas e os seus em câmara lenta entre ruínas e incertezas. Querem na marra o sorriso amarelo de que tudo volte à loucura do senso normal; por fim da força que todos saiam de casa, comprem e se danem na pandemia, façam o dinheiro e os lucros circularem de qualquer jeito. Não só querem, exigem com as leis dos desgovernos; e muitos sucumbem, outros para nunca mais. Cato um verso torto quando a poesia se perdeu. Há que sobrepujar tais agruras, o tempo passa demorado. Salman Rushdie alerta: É a função do poeta: nomear o inominável, apontar as fraudes, tomar partido, despertar discussões, dar forma ao mundo e impedir que adormeça. Mesmo a voz rouca, das tripas coração, talhos e remoques, ensaio o canto sangue de todos não será demais.

TRÊS QUE NÃO VÃO QUATRO – Essa a minha clausura: afastado de todos e sem querer ver ninguém, não posso, nem deve. Sozinho no meu tugúrio, tolices e ninharias, juntando os trapos, aos farrapos, e a franzir o cenho com o eco de William Golding: Nós somos todos loucos, toda esta raça maldita. Estamos envolvidos em ilusões, delírios, confusões, estamos todos loucos e em confinamento solitário. Não é para menos, aprendi com a solidão recomeçar todo dia. Até segunda. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Confesso que não foi fácil. Aquilo que se aproximava de Sor Juana, sua vida, seu tempo, seu desejo de saber acima de tudo e tentar dar a vida dela, parecia ousado para mim. Mas a ousadia valeu a pena. Com medo, aproximei-me do cemitério das luzes mexicanas; meu sonho era tocar o inatingível. Eu queria ficar atrás dos olhos de Juana Inés, em sua pele, em seus ouvidos, para ouvir sua respiração [...]. Trecho da obra Yo, la peor (Planeta, 2007), da escritora mexicana Mónica Lavín,  é uma autora mexicana de seis livros de contos, entre os quais Ruby Tuesday no ha muerto; Uno no sabe; e sua coleção mais recente, La corredora de Cuemanco e aficionado por Schubert. Além disso, recebeu o prêmio ibero-americano de romances Elena Poniatowska por seu trabalho Yo, la peor.

ALGUÉM FALOU DE AMOR - É plural, o amor. Só uma visão antiga, antes de se saber que somos construídos por camadas sucessivas, podia imaginar o amor como um instrumento monolítico. Essa concepção priva as pessoas da alegria e amarra o amor à idade. De facto, não existe essa amarra se formos cultos do ponto de vista psicológico. O amor é um estado de alma que evolui até à morte. Expressão textual da escritora portuguesa Lídia Jorge.

A POESIA DE LOUISE GLÜCK
VITA NOVA: Você me salvou, deveria se lembrar de mim. / A primavera do ano; rapazes comprando passagens para as balsas. / Gargalhadas, porque o ar está repleto de macieiras floridas. / Quando eu acordei, percebi que era capaz de sentir a mesma coisa. / Eu me lembro de sons assim na minha infância, / gargalhadas sem motivo, simplesmente porque o mundo é belo, / ou algo assim. / Lugano. Mesas sob as macieiras. / Tripulantes subindo e descendo as bandeiras coloridas. / E na beira do lago, um jovem joga o seu chapéu na água; / quem sabe sua amada o tenha aceitado. / Sons ou / gestos decisivos como / um trilho assentado diante dos grandes temas / e não utilizado, sepultado. / Ilhas ao longe. Minha mãe / segurando um prato com bolinhos — / tanto quanto eu me lembro, em nenhum / detalhe diferente, o momento / vívido, intacto, jamais tendo sido / exposto à luz, portanto eu acordei jubilosa, na minha idade / sedenta por vida, absolutamente confiante — / Junto às mesas, pedaços de grama nova, o verde opaco / espalhado pelo escuro solo que havia. / É certo que a primavera voltou para mim, desta vez / não como um amante, mas como uma mensageira da morte, mesmo / que ainda seja primavera, que ainda signifique doçura.
LOUISE GLÜCK - Poema da premiada poeta e ensaísta estadunidense Louise Gluck, cultuada pela limpidez, o intimismo e o lirismo de seus versos. Veja mais aqui, aquiaqui.

A ARTE DE JORGE MACCHI
Concordo absolutamente com o fato de que toda arte é política. Então, por que o termo arte política existe tão florescente hoje em dia? Eu sou contra essa concepção. Prefiro os menores movimentos, os deslocamentos mínimos da realidade cotidiana, movimentos que não buscam nenhum propósito específico além daquele que envolve a criação de uma nova percepção do que nos rodeia. É isso que busco e, portanto, imagino que haja outras pessoas que o compartilhem. Há um componente de vaidade na arte supostamente política, como se o artista se considerasse portador de verdades para o resto dos mortais. Repito, acredito que um artista pode efetivamente mudar algo na estrutura política que o contém, desde que não pretenda. Penso que a partir da individualidade, da satisfação de suas próprias pesquisas, é como você pode estar presente no resto das pessoas e, talvez, dessa maneira, produzir uma mudança.
JORGE MACCHI - A arte do artista argentino Jorge Macchi, que atua em diversos suportes, desde aquarelas e situações surrealistas, como esculturas, colagens e criação de objetos reimaginados e tridimensionais refletindo diferentes estados psicológicos. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
NÓS(SA): Devíamos ser mais amargos / e continuar andando sem olhar escombros / Devíamos esperar ansiosos / as paredes de vidro / o verniz / as pedras polidas / e o alumínio esmaltado / Devíamos esquecer a brisa, / a vista, / o desenho no mapa / Devíamos não ter essa fratura exposta / essa tela velha chamada passado / Devíamos / Mas temos nos ossos o mesmo metal enferrujado / E na memória e no peito o galpão de paredes rachadas / Temos na pele o mesmo cheiro das marés e das baratas / Somos os pontos de fuga desse painel desbotado / A beleza oculta no vitral empoeirado.
A arte poética de Ezter Liu, graduada em Letras e autora do livro Vermelho alcalino (Porta Aberta, 2015) e Das tripas coração (Cepe, 2018).
&
A música do artista e músico Antônio Nóbrega aqui.
Memórias e contos de J. Borges, do artista cordelista J. Borges (José Francisco Borges) aqui.
A arte da coreógrafa, dançarina, pesquisadora, professora e produtora cultural Maria Paula Costa Rego aqui.
A arte da atriz Geninha da Rosa Borges aqui.
A arte de Tereza Costa Rego aqui.
Amarelo Manga, de Claudio Assis aqui.
Palmarinalidades poéticas, do escritor Bhasílio Santtos aqui.
&
São José da Coroa Grande aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


sexta-feira, janeiro 19, 2018

BOOTSTRAP DE CHEW, LEMINSKI, SALMAN RUSHDIE,MAGDA TAGLIAFERRO, TURÍBIO SANTOS, VILMA CACCURI, LEWIS THOMAS, COACHING, SEVERINO, GIL & JUIZ.

A VIDA E A SORTE POR DOIS TOSTÕES - Imagem: arte da artista plástica e professora Vilma Caccuri. - A vida segue e tudo passa por um fio. Fé em Deus, pé no mundo. Dois tostões, apenas: um pra ida, outro pra volta. Mais nada. Em frente. Pra onde? Trapos todos, restinho de sobra à beira do precipício. Pra onde mesmo? Sei lá, seja o que Deus quiser. O centro é longe, bote lonjura nisso. Tenho de ir. Como? Vou. A ida, já era, só conta agora com o da volta. E foi: gente como a praga, pra lá e pra cá, vitrines, esbarrões, buzinadas, tá cego, é? Ah, meu, olha por onde anda! Pra lá ou pra cá, tanto faz. Na sorte: prali! Direção da venta. Um pé na frente, outro atrás, contando casa, passadas. Anda que só a má notícia. Volta. Não, melhor retornar. Pra onde é que eu vou, hem? Dobra esquina, apruma meio feio, uma topada, um safanão, na corda bamba, escorrega, mas não cai, se ajeite, vai e agora? Deu numa praça, ah, inda bem, um banco, melhor sentar pra aprumar as ideias. Sal na moleira, cheio de nó pelas costas. A existência toda revista, o que fez e o que deixou de fazer, os erros muitos, acertos, ah, isso é outra coisa, o que fazer agora é que é outra coisa, de mesmo não sabe, só que vai acertar em cheio, ah, se vai, tudo vai dar certo, não fosse um bêbado aparecer, atrapalhar tudo, sentar do lado e começar a falar num idioma estranhíssimo, coisa sem coisa, blábláblá, ih, só faltava essa, e tome lero de conversa oca, entendia nada, miolo de pote, até que passou uma bêbada com charminho provocante, dois ou três laralá e ele foi atrás, graças a Deus, agora podia retomar seus pensamentos e endireitar as ideias roubadas pelo intruso, ah, esqueceu um jornal amassado no banco, peguei, folheei, notícias, manchetes, fatos e páginas, ah, os classificados, deixe ver, hum, precisam disso, nada, aquilo, nada, mais isto, nada, vira a página, ah, tem vagas para isso, precisa-se de quê mesmo? Ah, vou nesse. Ei, moço, onde fica isso? Ei, sabe onde é isso aqui? Um, dois, quinze, vinte, muitos e uma alma perdida para, olha, pensa, imagina e diz: Tá de carro? Não. Vai de ônibus? Não posso, só tenho a volta, nada mais. Sabe onde é o fim do mundo? Sei, onde eu moro. É mais longe. Mesmo? Você pega ali, dobra acolá, depois pra direita, em frente, pega a esquerda, daqui mais ou menos umas duas horas indo reto, você chega lá. Duas horas? Sim, mais ou menos, talvez três. Eu vou. Obrigado. E foi mesmo. Léguas pra quem não sabe pronde ir é muito mais longe, a dobra de um beiço: ali. Andou, bote pé gastando solado, um dia chega. E tome chão. Meio dia em ponto, é ali, pronto, chegou, mais de duas horas e meia de caminhada, Sol na testa, o corpo lavado. Moça, é aqui que é aqui? É. Como faço? Tem hora marcada? Não. Trouxe currículo? Não. O que veio fazer aqui? Pelo anúncio. Tá, me dê os documentos dessa lista. Não trouxe. Volte amanhã. Não posso. Ah, meu senhor, assim não posso fazer nada. O senhor está vendo essa tuia de gente todinha aí sentada e aqueles todos lá fora em pé? Estou. É a fila que vai ser atendida. Eu topo. Topa o quê? Ir pra fila. Mas todos estão já agendados, com documentos acertados e prontos para serem testados. Estou pronto. O senhor não trouxe nada. Olhe eu aqui, estou pronto? Ah, meu senhor... Pelo amor de Deus, moça, me deixe ir pro final da fila, eu espero. Ah, vai lá, te vira! Obrigado. Fim da fila, trocentos na frente, 1, 2, 3, melhor não contar, deixa o barco correr, um dia chega a minha vez. Um por um, a vida toda, o primário, o ginasial, a merda que fez, o casório, as broncas, os negócios atrapalhados, o fim da picada, pegar o bonde, apostar o que tinha e o que não tinha, fé em Deus, pé na vida, e a tarde toda indo embora, lá pras tantas, chegou sua vez, a psicóloga: Cadê seu currículo? Não trouxe. Documentos da lista, não tenho, o que veio fazer aqui? Pelo anúncio. Tá, o que você sabe fazer disso aí, aprendi na escola. Experiência? Nenhuma. Tá. Pode ir. E o emprego? Vamos avaliar e a gente entra em contato. Mas sem anotar nada meu? A gente lhe encontra. Como? A gente usa o satélite, gravei sua cara e a gente lhe encontra e avisa o resultado. Mas dona psicóloga... o próximo... sou o último. Então, passe bem e até. Saiu e teve de sair, também. E agora? Já na rua, parou na calçada, a volta pronta no bolso, uma mão na frente e outra atrás. Futuro nenhum, desculpa nenhuma. O que vou dizer em casa? Oxe! Vou nada. Voltou, chegou à secretária: O senhor de novo? Minha senhora, por favor, deixe eu falar com o chefe! Você foi pra psicóloga? Fui. E ela não disse quando voltar? Disse. Então, atenda. Não, por favor, deixe eu falar com o chefe, é só uma pergunta e não lhe importuno mais. Eu tenho o que fazer. Eu sei, é só uma pergunta, não importuno mais, não posso, pelo amor de Deus, uma só, só essa vez, não posso, pelo amor dos seus pais, filhos, parentes ou aderentes que a senhora tiver, não posso, só dessa vez, mais nunca, só dessa, que peitica, é só dessa vez, por favor, tá. E discou: ã-ram, sim, hum, certo, sim, não, ok. Desligou e virou-se pra ele: ele virá. Aguarde. Chá de cadeira. Um tempo depois e bote tempo, um senhor de idade finalmente apareceu, tranquilamente: Quem quer falar comigo? Ele olhou pra recepcionista e perguntou: É ele? É. Sou eu. Pois não. Sabe, meu senhor, eu cheguei por esse anúncio, sou do Nordeste e estou em São Paulo sem saber o que fazer da vida e blábláblá. Tá. O que você sabe fazer? Bem, o que sei aprendi na escola. Tem experiência? Não. O senhor sabe que muitos foram testados, uma fila enorme, todos dispensados, não serviam. Sei, eu era o último da fila. E aí? Estou aqui. Â-rã! E o que você quer? O emprego. E não sabe nada, nem tem experiência. Sim. Venha cá, como é mesmo seu nome? Severino. Ah, tá, vamos tomar um cafezinho. Agora mesmo. Foram pra lanchonete do lado, sentaram numa mesa, o senhor de branco pediu dois cafezinhos, olhou pra ele: Como é mesmo seu nome? Severino. Ah, mais um dos de João Cabral. Hem? Nada. Vá, me conte a sua história. Ah, tá, eu sou e blábláblá, mais dois cafezinhos e blábláblá, o senhor com a maior paciência, ouviu tudo, rosário debulhado, vida toda contada, situações toda mostrada e ele com a maior paciência disse: Fui com a sua cara. Vamos ali. Braço sobre os ombros do solicitante, seguiram por um corredor, dois, três, dobraram, contornaram, retomaram, seguiram e chegaram a um local depois de passar por onde Judas perdeu as botas e o diabo esqueceu de voltar, no qual outras dúzias de pessoas estavam todas ocupadas, quando o senhor de idade disse: Atenção todos! Este aqui é Severino, não sabe nada, não tem experiência e quer trabalhar! O emprego é dele, ensinem a ele o que fazer! E virou-se pro Severino: Bem, são 18:30hs, pode ficar até às 20 horas? Ajoelhou-se, ergueu as mãos pros céus e disse: Posso, o senhor manda. Ficou até às 23 horas. Até amanhã. Usou a volta, contou as novas, ninguém acreditou. Às 6 da matina, embecou-se, pegou o dinheiro emprestado que lhe deram os parentes, pegou a condução e foi trabalhar. Até hoje e a sensação de que Deus e também pessoas boas ainda existem nesse mundão arrevirado e de porteira escancarada. Eita, bicho cagado de sorte! É a vida e vale mais que dois tostões, hem? (Homenagem do Severino pro doutor Biaggio Rivellino). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com o violonista Turíbio Santos Violão Sinfônico & Orquestra de Violões, a pianista Magda Tagliaferro com recitais da obra de Heitor Villa Lobos; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - Dentre todas as criaturas existentes na Terra, somos, talvez, o único animal que sente preocupação. Passamos a vida temendo o futuro, descontentes com o presente, incapazes de aceitar a morte, incapazes de descansar. Pensamento do médico, poeta, etimologista, ensaista, administrador, educador, conselheiro de política, e investigador estadunidense Lewis Thomas (1913-1993).

BOOTSTRAP: FILOSOFIA DE REDE – [...] dada a longa tradição da ciência ocidental, a concepção bootstrap ainda não goza de boa reputação entre os cientistas, não sendoreconhecida como ciência precisamente por sua falta de uma base firme. Toda a ideia de ciência, num certo sentido, está em conflito com a abordagem bootstrap, pois a ciência quer perguntas expressas com clareza e que possam ter uma verificação experimental isenta de ambighuidades. Faz parte da concepção bootstrap, no entanto, que nenhum conceito seja considerado absolito, havendo sempre a expectativa de eencontrarmos falhas nos conceitos antigos. Estamos a todo instante rebaixando ou desacreditando conceitos que no passado recente teriam sido considerado fundamentais e usados como linguagem para a formulação de perguntas. [...] quando formulamos uma pergunta, estamos aceitando conceitos básicos para podermos formulá-la. No entanto, na abordagem bootstrap, em que o sistema todo representa uma rede de relações sem nenhum fundamento firme, a descriçãode akgo pode começar numa enorme variedade de pontos diferentes. Não há ponto de partida claro e definido. E da maneira como nossa teoria vem se desenvolvendo nesses últimos anos, é muito comum nãos abermos quais perguntas fazer. Orientamo-nos pela consistência do sistema; cada aumento dessa consistência sugere algho que ainda está incompleto, embora isso raramente assuma a forma de uma pergunta bem definida. Estamos indo além de toda estrutura de perguntas e respostas [...]. Pensamento do professor e físico teórico PhD estadunidense Geoffrey Chew, extraído da obra Sabedoria incomum: conversa com pessoas notáveis (Cultrix, 1995), do físico e escritor austríaco Fritjof Capra. Veja mais aqui e aqui.

A CORRUPÇÃO DE UM JUIZFosse o Brasil um país sério, e, livros como este, não seriam apresentados em edição, por existir honorabilidade o homem e seriedade no Juiz, função que faz do homem um ser inatacável. Mas, o Brasil que, também, é o país mais sem memória deste mundo, está precisando que mais se escreva assim, para se mostrar que nem tudo é retidão na magistratura brasileira [...]. Trecho da obra A corrupção de um juiz (Patativa, 1998), do controvertido advogado criminalista Gil Teobaldo de Azevedo (1932-2017). Veja mais aqui.

HAROUMEra uma vez, no país de Alefbey, uma triste cidade, a mais triste das cidades, uma cidade tão arrasadoramente triste que tinha esquecido até o seu próprio nome. Fica va à margem de um mar sombrio, cheio de peixes — peixes queixosos e pesarosos, tão horrí veis de se comer que faziam as pessoas arrotarem de pura melancolia, mesmo quando o céu estava azul. [...] Haroun costumava pensar que seu pai era um malabarista, pois cada história era, na verdade, uma porção de histórias diferentes entremeadas uma na outra, e Rashid as mantinha todas sob controle, numa espécie de rodamoinho estonteante, e nunca se atrapalhava. [...] de onde vinham essas histórias todas? Parecia que bastava a Rashid abrir a boca, com um sorriso rosado e rechonchudo, e lá vinha uma saga novinha em folha, completa, com bruxarias, inte resses amorosos, princesas, tios malvados, tias gordas, gângsteres de bigodinho e calça xadrez amarela, lugares fantásticos, covardes, heróis, batalhas, e meia dúzia de canções cativantes, fáceis de cantar. “Tudo vem de algum lugar”, raciocinava Haroun, “portanto, não é possível que essas histórias sejam feitas assim, só de ar...” [...] Haroun, esforçando-se para ouvir pela janela, resolveu que não gostava do Sr. Sengupta, esse homem que odiava histórias e contadores de histórias; não gostava dele nem um pouquinho mesmo. Pra que servem essas histórias que nem sequer são verdade? [...] “Mas porque você odeia tanto as histórias? As histórias são divertidas...”. O Mestre do Culto responde: “O mundo não é feito para ninguém se divertir. O mundo é para se Controlar”. [...] “Todos os mundos existem para serem Dominados. E dentro de cada história, dentro de cada Fio do Mar de Histórias, existe um mundo, um mundo de histórias, que eu não consigo dominar. Esta é a razão”. [...].Trechos extraídos da obra Haroun e o Mar de Histórias (Companhia das Letras, 1998), do escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie. Veja mais aqui.

TRES POEMASCarrego o peso da lua: Carrego o peso da lua, / Três paixões mal curadas, / Um saara de páginas, / Essa infinita madrugada.Viver de noite / Me fez senhor do fogo. / A vocês, eu deixo o sono. / O sonho, não. / Esse, eu mesmo carrego. 2: à noite / fantasmas das coisas não ditas / sombras das coisas não feitas / vêm / pé ante pé / mexer em seus sonhos. 3: Dor elegante / Um homem com uma dor / É muito mais elegante / Caminha assim de lado / Com se chegando atrasado / Chegasse mais adiante / Carrega o peso da dor / Como se portasse medalhas / Uma coroa, um milhão de dólares / Ou coisa que os valha / Ópios, édens, analgésicos / Não me toquem nesse dor / Ela é tudo o que me sobra / Sofrer vai ser a minha última obra. Poemas do poeta, critico literário, tradutor e professor Paulo Leminski (1944-1989). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

ATITUDES SIMPLES, RESULTADOS EXTRAORDINÁRIOS
A psicóloga Lia Helena Giannechini & outros escritores da área de Coaching apresentam o e-book Atitudes Simples Resultados Extraordinários, trazendo ações práticas para resolver os problemas cotidianos e alcançar o sucesso na vida. O livro fala sobre oito áreas para uma existência feliz: Saúde e bem estar, Relacionamento, Financeiro, Profissional, Desenvolvimento pessoal, Espiritualidade e Realizações e propósitos. São artigos que falam de finanças através de personagens, mostrando fraquezas, como o pica-pau que se mete em confusão o tempo todo ou o Popeye que aprende a dar os passos certos para conquistar vitórias, propondo oferecer ferramentas que possibilitem encarar o crescimento como pessoa e profissão, ligando o motor do navio rumo aos sonhos onde quer navegar, além de tratar sobre resiliência, a profundidade do ser e do se portar, potencialidade, espiritualidade, sucesso, relacionamento, sentido da vida, liderança, negociação e administração de conflitos, entre outros assuntos. Veja detalhes aqui.

Veja mais:
Com a perna na vida foi ser feliz como podia, Anastasia Eduardivna Baburova, a música de Rachel Kolly d’Alba, a pintura de Rui Carruço & Alina Percovich aqui.
Cobiça na Crônica de amor por ela, Buda, Miguel de Cervantes y Saavedra, Montesquieu, Magda Tagliaferro, Ciro Alegría, Lucrécio, Charles Robert Leslie, Emerico Imre Toth, Millie Perkins & Jussanam Dejah aqui.
Edgar Allan Poe, Paul Cézanne, Magda Tagliaferro, Jacques Lacan, Nara Leão, Janis Joplin & Miguel Paiva aqui.
As trelas do Doro aqui.
Émile Durkheim, Paul Niebanck, Mauro Cappelletti, Juliette Binoche, Rodolfo Ledel, Samburá, Intrépida Trupe, Micahel Haneke, Ernesto Bertani, Janaína Amado, O direito como linguagem e decisão aqui.
Quando Ciuço Pacaru embarcou no maior revestrés aqui.
Pra vida ofereço a outra face aqui.
Canto paródia de mim aqui.
Candidato faz tudo cara de pau na maior responsa aqui.
Alagoas e o império colonial português aqui.
A viagem de Joan Nieuhof & Pernambuco nos séculos XVI e XVII aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
&
Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

SEVERINO MANOEL DA SILVA FILHO
Recepcionando o palmarense historiador e servidor público em São Paulo, Severino Manoel da Silva Filho, na Biblioteca Fenelon Barreto, em Palmares (PE).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

sexta-feira, junho 19, 2015

RUSHDIE, PASCAL, UHLAND, McCARTNEY, OBEID, PAULINA, DERAIN & DORO NO BIG SHIT BÔBRAS.


VAMOS APRUMAR A CONVERSA? BIG SHIT BÔBRAS: Doro queria ser presidente. Diz ele: depois de Lula, qualquer tem essa ambição. – É só... -, melhor falar dele: fez trejeitos, se amostrou como pôde, esgoelou-se, estrebuchou, estertorou e nada. Percebeu que umbigo não tem ouvidos, tudo só vinga na base da telinha e das vitrines. Foi na TV, os cegos deram-no por invisível; foi pras rádios, tudo mouco. Armou-se dum megafone no meio da feira, nada. Encheu o mundo de pernas, secou os cambitos. O que fazer? Criatividade: jogou um vídeo na rede com suas lorotas; seis meses depois só um acesso, o dele. Nem um mais pra remédio. Insistiu por anos, persistiu. Inovou e botou banca: um sonso com as manguinhas de fora. Perseverou, mas prevalecia condições aversivas. Bateu com a cabeça no muro, entrou na contramão. Restou ficar nu e dar uma de doido: comeu merda e rasgou dinheiro. Ganhou uma camisa de força, uma pecha de lelé e depois do diagnóstico são, mais nada. E como mais nada havia por tentar, questionou-se: que fazer? Desistiu. A indiferença dos outros venceu. Veja mais aqui.

Imagem: The beautiful model, do pintor francês Andre Derain (1880-1954)

Curtindo o álbum duplo e ao vivo Back in the World (Parlophone/EMI, 2003), do cantor e compositor inglês Paul McCartney.

A MISÉRIA DO HOMEM – No livro Pensamentos (Pensées, 1670), do filósofo, físico e teólogo francês Blaise Pascal (1623-1662) encontro o capítulo XXI que trata sobre a miséria do homem: [...] Nada é mais capaz de nos fazer entrar no conhecimento da miséria dos homens do que considerar a causa verdadeira da agitação perpétua na qual passam a vida. A alma é lançada no corpo para ai fazer uma estadia de pouca duração. Sabe que é apenas uma passagem a uma viagem eterna e que só dispõe do pouco tempo que dura a vida para se preparar. Às necessidades da natureza lhe arrebatam uma parte muito grande dela. Só lhe resta muito pouco de que possa dispor. Mas, esse pouco que lhe resta a incomoda tanto e a embaraça de modo tão estranho que ela só pensa em perdê-la. É, para ela, uma pena insuportável ser obrigada a viver consigo e a pensar em si. Assim, todo o seu cuidado consiste em se esquecer de si mesma e deixar correr esse tempo tão curto e tão precioso sem reflexão, ocupando-se com coisas que a impedem de pensar nisso. Eis a origem de todas as ocupações tumultuárias dos homens e de tudo o que se chama de divertimento ou passatempo, nos quais, de fato, não se tem por fim senão deixar neles passar o tempo sem o sentir, ou antes, sem se sentir a si mesmo, e evitar, perdendo essa parte da vida, a amargura e o desgosto interior que acompanhariam necessariamente a atenção que se prestasse a si mesmo durante esse tempo. A alma não acha nada em si que a contente; não vê nada que não a aflija quando medita. É o que a constrange a transbordar-se e a procurar, na aplicação às coisas exteriores, perder a lembrança do seu estado verdadeiro. Sua alegria consiste nesse esquecimento, e basta, para torná-la miserável, obrigá-la a se ver e a estar consigo. Encarregam os homens, desde a infância, do cuidado de sua honra, do seu bem, e ainda do bem é da honra dos seus amigos Atormentam-nos com negócios, com a aprendizagem das línguas e das ciências, e fazem-nos entender que não poderiam ser felizes sem a sua saúde, a sua honra, a sua fortuna e a dos seus amigos estarem em bom estado, e que uma só coisa que falte os tornaria infelizes. Assim, dão-lhes cargos e negócios que os fazem labutar desde o despontar do dia. Eis, direis, uma estranha maneira de torná-los felizes; que se poderia fazer de melhor para torná-los infelizes? Como! que se poderia fazer? Bastaria tirar-lhes todas as suas preocupações: e, então, eles se veriam, pensariam no que são, de onde vêm, para onde vão; e, assim, não se pode ocupá-los e desviá-los tanto; e eis porque, depois de lhes terem preparado tantos negócios, se eles têm algum tempo de folga, aconselham-nos a empregá-lo exclusivamente em diversões, passatempos e ocupações. [...] Daí resulta que os homens gostem tanto do barulho e do reboliço; daí resulta que a prisão seja um suplício tão horrível; daí resulta que o prazer da solidão seja uma coisa incompreensível E, finalmente, que o maior motivo de felicidade da condição dos reis consista em procurar diverti-los sem cessar e proporcionar-lhes todas as variedades de prazeres. Eis tudo o que os homens puderam inventar para tornarem-se felizes. E os que assim se fazem de filósofos, e que acreditam que o mundo seja bem pouco razoável para passar o dia inteiro a correr atrás de uma lebre que não desejassem comprar, não conhecem a nossa natureza. Essa lebre não nos preservaria da visão da morte e das misérias que nos desviam dela, mas a caça nos preserva. E assim, quando acusados de que o que procuram com tanto ardor não poderia satisfazê-los, se respondessem, como deveriam fazê-lo se meditassem bem, que procuram tão somente uma ocupação violenta e impetuosa que os desvie de pensar em si, e que é por isso que se propõem um objeto atraente que os encante e os atraia com ardor, deixariam seus adversários sem resposta. Mas, não respondem isso, porque não se conhecem a si mesmos; não sabem que é somente a caça e não a presa o que procuram. [...] Veja mais aqui.

OS VERSOS SATÂNICOS – O livro Os versos satânicos (Companhia das Letras, 1998), do escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie, conta em sua história de dois indianos muçulmanos que sobreviveram a um atentado a bomba de separatistas sikh em um avião e faz referências a alguns versículos Gharanigh, que são versos do Corão. Da obra destaco o trecho inicial: "Para nascer de novo", cantava Gibreel Farishta despencando do céu, "é preciso morrer primeiro. Ho ji! Ho ji! Para pousar no seio da terra, é preciso voar primeiro. Tat-taa! Taka-thun! Como sorrir de novo, se não se chorou primeiro? Como conquistar o coração da amada, mister, sem um suspiro? Baba, se você quer nascer de novo..." Pouco antes do amanhecer de uma manhã de inverno, no dia de Ano-Novo, ou por aí, dois homens de verdade, adultos, vivos, caíram de grande altura, vinte e nove mil e dois pés, em direção ao canal da Mancha, sem a garantia de pára-quedas nem de asas, caíram do céu limpo. "Tem de morrer, estou dizendo, tem de morrer, tem de morrer", e assim foi, sob uma lua de alabastro, até que um grito alto atravessou a noite: "Pro inferno com essa música", as palavras suspensas, cristalinas, na branca noite gelada. "Nos filmes você usava playback e só mexia a boca, portanto me poupe desse barulho infernal." Gibreel, o solista desafinado, brincava ao luar, cantando seu gazal improvisado, nadando no ar, borboleta, de peito, se enrolava numa bola, abria braços e pernas no quase-infinito do quase alvorecer, adotava posturas heráldicas, rampante, agachado, opondo leveza à gravidade. Ele rolou, feliz, na direção da voz sardônica. "Alô-alô, Salad baba, é você, que bom. Que tal, Chumch?" Ao que o outro, uma sombra meticulosa caindo de cabeça, o terno cinzento com todos os botões do paletó abotoados, braços colados ao corpo, confiante na improbabilidade do chapéu-coco na cabeça, fez uma careta de quem não gosta de apelidos. "E aí, Spoono", Gibreel gritou, provocando uma segunda careta de ponta-cabeça, "A Própria Londres, bhai! Lá vamos nós! Aqueles filhos da puta lá embaixo não vão nem saber o que foi que caiu em cima deles. Se foi meteoro ou raio ou a ira de Deus. Saído do nada, baby. Drrraaammm! Rrram, na? Que chegada, yaar. É ou não é: splat." Saindo do nada: um big bang, seguido de estrelas cadentes. Um começo universal, um eco em miniatura do nascer do tempo... o jato jumbo Bostan, vôo AI-420, desintegrou-se sem aviso prévio, muito acima da grande, podre, bela, branca de neve, iluminada cidade, Mahagonny, Babilônia, Alphaville. Mas Gibreel já a batizou, não devo interferir: Própria Londres, capital de Vilayet, cintilando, piscando, acenando na noite. Enquanto nas alturas himalaias um sol breve e prematuro explodia no ar empoeirado de janeiro, um bip desaparecia das telas de radar, e o ar rarefeito se enchia de corpos, despencando do Evereste da catástrofe para a palidez leitosa do mar. Quem sou eu? Quem mais está aí? [...] Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

A COROA SUBMERSA NA NOITE DAS NUVENS– Dois poemas do poeta do Romantismo alemão Ludwig Uhland (1787-1862) merecem destaque, o primeiro deles A coroa submersa: No alto daquele monte / Há uma casa pequenina, / Panorama deslumbrante / Da porta se descortina; / Livre e justo lavrador / Lá mora, que ao fim do dia / Cânticos ergue ao Senhor / E o gume da foice afia. / Embaixo um pântano existe / Sombrio, onde jaz no fundo / Coroa, em que já se viram / A glória e o poder do mundo; / Carbúnculos e safiras / Lá estão à noite a brilhar; / Ali ela vive há séculos, / Ninguém ainda foi a buscar. Também o seu Noite Nuvens merece ser mencionado: Nuvens / Completamente mergulhado no mais puro brilho, / Nuvens em luz completamente, / Tinha tão sufocante escurecido.  / Sim! suspeitando meu coração me diz:  / Uma vez que desligá-lo é se tão tarde,  / Quando o sol se põe,  / Me esclarece alma de sombra. Veja mais aqui.

TEATRO CORDEL – Um trabalho meritório de todos os aplausos possíveis é o do escritor, educador e contador de histórias Cesar Obeid, com as atividades de recriação do cordel e do repente na educação, teatro, eventos e literatura. Tenho acompanhado sua trajetória há alguns anos, podendo constatar que ele é autor de diversos livros voltados para o universo infanto-juvenil e, também para as mais diversas faixas etárias, desenvolvendo ainda atividades na União dos Cordelistas e Repentistas do Nordeste (UCRAN), afora escrever regulamente para jornais e revistas sobre a temática, bem como participar de gravações de programas de rádio e televisão. Seu trabalho indubitavelmente é duma relevância ímpar, fato que me legou, algum tempo atrás, a procurá-lo para conceder uma entrevista exclusiva pra gente e que, nada melhor, trazê-la aqui para o conhecimento do excelente material dele. Confira aqui.

 
BLADE RUNNER – O filme de ficção científica Blade Runner (Blade Runner, o caçador de androides, 1982), dirigido pelo diretor e produtor inglês Ridley Scott, baseado no romance Do androids dream of electric sheep?, do escritor de ficção científica estadunidense Philip K. Dick, conta uma história que se passa duma futurista, poluída e decadente cidade no ano de 2019, povoada pelo consumismo exacerbado e num processo de colonização que envolve a aventura de exploração de outros planetas em razão do colapso material e moral da civilização humana. Descreve um futuro em que a humanidade inicia a colonização espacial, para o que cria seres geneticamente alterados - replicantes - utilizados em tarefas pesadas, perigosas ou degradantes nas novas colônias. Esses replicantes são banidos da terra depois de um motim, usados em trabalhos perigosos nas colônias extraterrestres. Alguns deles escapam e retornam à terra para exigir mais tempo de vida. No final, as questões que afligem os replicantes acabam se tornando as mesmas que afligem os humanos. Como diz a personagem de Edward James Olmos (Gaff), quase ao término do filme: "[...] que pena que ela não viverá... mas quem é que vive?" Trata-se de um final catastrófico, deprimente e melancólico do processo de globalização, com clonagem de animais extintos e replicantes humanos que dividem a convivência sombria e desanimadora de uma profusão credos, culturas, costumes e etnias. O destaque do filme é o trabalho da atriz estadunidense Sean Young. Veja mais aqui.

AGENDA DE EVENTOS: EXPOSIÇÃO DE POESIA VISUAL – Acontecerá neste domingo, 21 de junho, no espaço cultural Taller Siglo XX Yolnada Hurtado en Santiago de Chile , a La Exposición Poesía Visual dos artistas Pamela Galleguillos, Hernán Paravic, Carolina André e Leo Lobos, apresentando uma série de trabalhos criativos e de talento nas áreas de desenho, pintura e escultura em metal. II – CONFRARIA: NÓS POETAS - Acontecerá no próximo dia 23 de junho, as comemorações dos 150 anos da Biblioteca Pública Estadual, de Maceió, com uma programação que vai de Varal de Poesias & Confraria: Nós Poetas, bate papo informal com escritores alagoanos, vendas de livros, leituras de poesias, cordel e prosa. A programação se estenderá até o dia 26 de junho na Biblioteca Pública Estadual. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
 
Imagem: Venus Victrix (1805-1808) – A princesa do prazer Paulina Bonaparte -, do escultor, pintor, desenhista e arquiteto italiano Antonio Canova (1757-1822). Estátua que traz a primeira princesa reinante da Guastalla, da França e consorte de Sulmona e Rossano, Maria Paola Buonaparte (1780-1825), em mármore, que causou uma série de escândalos na França e na Itália por sua fama de predadora sexual e por sua promiscuidade na coleção de amantes das mais diversas classes sociais.

Veja mais sobre:
Uma coisa quando outra, A aventura da modernidade de Marshall Berman, a poesia de Adolfo Casais Monteiro, a música de Tom Jobim & Maucha Adnet, Arquiteturas líquidas de Marcos Novak, Renie Britenbucher & Adriana Garambone, a arte de Alyssa Monks & Luciah Lopez aqui.

E mais:
Os vexames dum curau no sul, O absurdo & viver para quê de Thomas Nagel, Voragem de Junichiro Tanizaki, Eu mesmo de Emílio de Meneses, Mão na luva de Oduvaldo Vianna Filho, a deusa Pax, a música de Rosalia de Souza, o cinema de Olivier Assayas & Maggie Cheung, a pintura de Pierre-Auguste Renoir & Suzanne Frie aqui.
Doro & a copa do mundo, a música de Astor Piazzola, a poesia de Adolfo Casais Monteiro, Adriana Garambone, A arte de Roberto Burle Marx & Antônio Miranda aqui.
Desenvolvimento psicossocial de Erik Erikson & Justiça à poesia com Simone Moura Mendes, o ator Chico de Assis e a cantora Wilma Araújo & o violonista Marcão, entre poetas e outros participantes aqui.
Vamos aprumar a conversa,O eu profundo & os outros eus de Fernando Pessoa, Culto da feminilidade de André Van Lysebeth, Psicologia social & Lev Vygotsky, o cinema de Philippe Blasband, as gravuras de Lasar Segall, a música de Guinga & Quinteto Villa-Lobos, a pintura de Luciano Freire & a xilogravura de Manassés Borges aqui.
O espelho de João Guimarães Rosa aqui.
Brincarte do Nitolino & festejos juninos, Guerra & paz de Cândido Portinari, a música de Egberto Gismonti, Platero e eu de Juan Ramón Jiménez, Menino antigo de Carlos Drummond de Andrade, Família composta de Domingos Pellegrini, a pintura de Jamilton Barbosa Correia, Contador de histórias & Maria de Medeiros aqui.
Vamos aprumar a conversa,Simulacro & simulações de Jean Baudrillard, a música de Patricia Glatzl & Lígia Moreno, Um estado muito interessante de Zulmira Ribeiro Tavares. O rato no muro de Hilda Hilst, o cinema de Roger Vadin & Brigitte Bardot,Composição humana de Manabu Mabe, a pintura de Theodore Roussel & Nicolas Poussin aqui.
A rodagem de Badalejo & a bodega de Água Preta, O analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo, a música de Meredith Monk, Iniciação ao teatro de Sábato Magaldi, Narração & narrativas de Samira Nahid Mesquita, o cinema de Hector Babenco, a arte de Vanice Zimermam, a pintura de Robert Luciano & Vlaho Bukovac aqui.
O dono da razão, Canção do exílio de Murilo Mendes, Identidade & etnia de Carlos Rodrigues Brandão, Socioantropologia da educação de Maria Sérgio Michaliszyn, a arte de Francisco Zúñiga, a pintura de Mônica Alves Torres & Jules Pascin, Peace in earth & a música de Jú Martins aqui.
Não era pra ser, nem foi, Entre a vida e a morte de Nathalie Sarraute, a música de Galina Ustvolskaya, Aquarium World de Takashi Amano, o ativismo de Emmeline Parnkhurst, o cinema de Sarah Gravon & Carey Mulligan, as gravuras de Jean-Frédéric Maximilien de Waldeck, a pintura de Paul-Émile Chabas & Carlos Alberto Santos aqui.
A esperança equilibrista, O espaço da cidadania de Milton Santos, Admirável mundo novo de Aldous Huxley, Saberes necessários de Edgar Morin, a música de Vivaldi & Michala Petri, a fotografia de Andreas Feininger, a pintura de Gianluca Mantovani & Jose De la Barra, a arte de Daniele Lunghin & Dave Stevens aqui.
Eita! Vou por ali no que vem e que vai, a literatura de Ítalo Calvino, Os tempos da Praieira de Costa Porto, O efêmero de Louise Glück, a música de Edson Zampronha, Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva, Betina Muller, a arte de Laszlo Moholy-Nagy & Anke Catesby aqui.
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