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domingo, março 22, 2015

RAJNEESH, KUNDERA, KEATS, BEN-JOR, ROSENFELD, LENA OLIN, ENDIMIÃO, DYCK, TECO SEADE, JOÃO LINS, SOCORRO CUNHA & ALVORADINHA NO DIA DA ÁGUA!!!!


AS ÁGUAS DE ALVORADINHA – Tendo em vista a Unesco haver convencionado o dia de hoje como o Dia Mundial da Água, lembrei de uma história que escrevi sob encomenda.  Foi assim: lá pelos idos de 2002 ou por aí, eu havia publicado o livro Alvoradinha: calango verde do mato bom (Nascente, 2001), quando uma amiga carioca – não consigo lembrar o nome dela nem o sítio que ela possui na rede, cabeça essa minha, hem? -, por ocasião da conclusão de seu curso de Comunicação Social numa universidade do Rio de Janeiro, de posse desse meu livro, solicitou uma história do meu personagem com relação às águas. Fiquei surpreso e atendi. Poucos dias depois enviei o texto e ela fez os quadrinhos e transformou em desenho animado, tudo isso num tempo recorde: era o seu trabalho de conclusão de curso na faculdade. Ela foi aprovada com louvor e publicou o resultado num sítio da Internet. Fiquei superfeliz! Ela até me enviou a url e eu divulguei, na época, no Boletim Nascente que eu editava na rede. Confira os detalhes aqui e aqui. E tem mais dicas de livros & artes aqui & aqui

ENDYMION – Imagem: Diana and Endymion surprised by a Satyr (1626), do pintor flamengo Anthony van Dyck (1599-1641) - Segundo a mitologia grega, Endimião era um belo jovem. Em algumas versões da lenda ele é apresentado como um rei e em outras como um simples pastor, o qual, ao dormir sobre o Monte Latmo, impressionou de tal forma o frio coração de Selene, a deusa da Lua (Diana, na mitologia romana), que ela desceu do espaço, beijou-o e recostou-se ao seu lado. Ele acordou e descobriu que ela partira, mas a impressão que Selene lhe causara fora tal, que ele pediu a Zeus que lhe concedesse a imortalidade e lhe permitisse dormir para sempre naquele monte. Outra versão diz que Selene ficou tão presa a ele pelo sortilégio do amor que descia e vinha beijá-lo todas as vezes que queria. O escritor e dramaturgo inglês John Lyly (1553-1606) baseou-se nessa lenda para escrever a sua comédia Endimion, the man in the moon (Endimião, o homem da lua) e o poeta inglês John Keats (1795-1821) se ocupou do mesmo assunto no longo poema Endimião (1, 1-33): Tudo o que é belo é uma alegria para sempre: / O seu encanto cresce; não cairá no nada; / Mas guardará continuamente, para nós, / Um sossegado abrigo, e um sono todo cheio / De doces sonhos, de saúde e calmo alento. / Toda manhã, portanto, estamos nós tecendo / Um liame floral que nos vincule à terra, / Malgrado o desespero, a carestia cruel / De nobres naturezas, os escuros dias, / E todos os sombreados e malsãos caminhos / Abertos para nossa busca: não obstante, / Alguma forma bela afasta essa mortalha / De nossa lúgubre alma. Assim são sol e lua, / As árvores lançando a dádiva da sombra / as ovelhas sem mal; e assim são os narcisos / Com o mundo verde no qual vivem, e os regatos / Que fazem para si uma coberta amena / Contra a quente estação; a moita mato a dentro, / Rica de um jorro em flor de almiscaradas rosas; / E assim também é a majestade dos destinos / Que imaginamos para os mortos poderosos; / Os lindos contos que nós lemos ou ouvimos: / Uma fonte infindável de imortal bebida / Que da fímbria dos céus a nós precipita. / Nem percebemos tão-somente os mortos essas essências / Por uma curta hora; não, tal como as árvores / Que murmuram em torno a um templo logo estão / Preciosas como o próprio templo, assim a lua, / A poesia paixão, infinitos esplendores, / Obsedam-nos até tornar-se luz que incita / Nossa alma, e unem-se a nós de modo tão estreito, / Que existam sobre nós ou trevas ou fulgor, / Devem estar sempre conosco, ou bem morremos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Ouvindo Live in Rio (Warner, 1992) do cantor e compositor Jorge Ben-Jor

A SEMENTE DA MOSTARDA – No livro A semente da mostarda: discursos sobre as palavras de Jesus segundo o Evangelho de Tomé (Tao, 1979), do filósofo místico Bhagwan Shree Rajneesh (1931-1990), encontrei no sexto discurso (26 de agosto de 1974, Poona – Índia), o seguinte trecho: [...] Seja um revolucionário! Vá além da sociedade, seja corajoso, quebre as correntes, todos os relacionamentos. Esteja só e viva como se fosse o centro do mundo! Então, Deus lançar-se-á em sua direção e nesse lançamento seu ego será perdido, a ilha desaparecerá no Oceano – de rente, você já não estará. Em primeiro lugar, a sociedade tem de ser abandonada, essa é a mecânica interior: porque o seu ego só pode existir com a sociedade. Se você continuar negando a sociedade, chegará um momento em que o ego está só porque a sociedade foi abandonada. Mas então, sem a sociedade, o ego não poderá existir, porque a sociedade reforça o ego [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

TEXTO & CONTEXTO – O livro Texto/Contexto (Perspectiva, 1976) do crítico e teórico de teatro germano-brasileiro Anatol Rosenfeld (1912-1973), trata de reflexões estéticas sobre o fenômeno teatro, o teatro agressivo, a visão grotesca, o romance moderno, a psicologia profunda e crítica, os temas históricas como Shakespeare e o pensamento renascentista, aspectos do romantismo alemão, influências estéticas de Schopenhauer, Mário e o cabotinismo, Thomans Mann: Apolo, Hermes e Dioniso; Kafla e laflianos, a costela de prata de Augusto dos Anjos. Destaco o trecho: [...] As verdades são ficções de que se esquece que o são, metáforas gastas, moedas que perderam a sua imagem. Falar a verdade significa usar as metáforas usuais, isto é, diz a verdade quem mente conforme convenções firmemente estabelecidas [...]. Veja mais aqui, aquiaqui.


A VACA AMARELA & A GALINHA BELISCONA NO TREM DO ABC – A escritora, pedagoga e orientadora educacional alagoana Socorro Cunha é autora de uma série de maravilhosos livros infantis. Algum tempo atrás ela concedeu uma entrevista pro Brincarte do Nitolino. Confira aquiaqui e aqui.


VERSOS: MARIA MULHER – O professor, advogado e poeta pernambucano João Lins (que eu conheço de longa data e que se assina João Batista Lins de Oliveira, o amigirmão João Patinhas) é autor do livro Maria Mulher (Outras Palavras, 1995), do qual destaco Versos: Faço versos soltos, / versos loucos; / versos que me fundem a cuca / e me entortam o cerebelo; / versos que ao saírem / se perdem em meus delírios / e me encaracolam os cabelos. / Faço versos que nem sei se são versos: / versos nascidos no corre-corre do dia, / perdidos na angustia da noite / e achados no silêncio da madrugada. Veja mais aqui e aqui.


VIOLA EMPRENHADA – Agora estou curtindo uma obra indescritivelmente maravilhosa do meu amigo, cantor, músico e compositor Teco Seade: Viola Emprenhada. Quer curtir e comprovar? Clique aqui. E veja mais desse excelente talento aqui e aqui.

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER – O livro A insustentável leveza do ser (Rio Gráfica, 1983), do escritor tcheco Milan Kundera, eu ganhei do meu amigo Gilberto Melo. Livro que li avidamente e do qual destaco esse trecho: O eterno retorno é uma ideia misteriosa, e Nietzsche, com essa ideia, colocou muito filósofos em dificuldade: pensar que um dia tudo vai se repetir tal como foi vivido e que essa repetição ainda vai se repetir indefinidamente! O que significa esse mito insensato? O mito do eterno retorno nos diz, por negação, que a vida que vai desaparecer de uma vez por todas, e que não mais voltará, é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje, e que, por mais atroz, mais bela, mais esplendida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor, não têm o menor sentido. Essa vida não deve ser considerada mais importante do que uma guerra entre dois reinos africanos do século XIV, que não alterou em nada a face do mundo, embora trezentos mil negros tenham encontrado nela a morte através de indescritíveis suplícios. Será que essa guerra entre dois reinos africanos do século XIV se modifica pelo fato de se repetir um número incalculável de vezes no eterno retorno? Sim, certamente: ela se tornará um bloco que se forma e perdura, e sua tolice será sem remissão [...]. Essa extraordinária obra foi adaptado para o drama cinematográfico The undearable lightness of being (1988), pelo diretor e roteirista estadunidense Philip Kaufman, com roteiro do autor do livro e também do diretor com Jean-Claude Carrière, música de Mark Adler e um elenco maravilhoso, do qual, neste momento destaco o papel desempenhado pela linda atriz sueca Lena Olin na personagem Sabina. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.



Veja mais sobre:
Alguma coisa assim..., a música de Ken Burns, a pintura de Jules Joseph Lefebvre, O cinema de Esmir Filho & poemiudinho aqui.

E mais:
A divina encrenca de Juó Bananére, a Personologia de Murray, O sexo na história de Reay Tannahill, o teatrod e Borná de Xepa, a música de Zeca Baleiro, a pintura de Adélaide Labille-Guiard, Brenda Starr de Dale Messick, Brooke Shields & a poesia de Marcia Lailin aqui.
Gestão Tributária aqui.
Ensino Público no Brasil, Dificuldades de aprendizagem, Teoria e técnica em Arte-Terapia, O capital intelectual, a fotografia de Joe Wehner & a poesia de Chagas Lourenço aqui.
Falange, falanginha, falangeta, a literatura de Lou Andres-Salomé, O voto da mulher na Nova Zelândia & Kate Wilson Sheppard, a música de Arthur Honegger, Dafne & Chloe & a pintura de Louis Hersent, Olivia Wilde, as crônicas de Luiz Eduardo Caminha & o Programa Tataritaritatá aqui.
Fecamepa, a literatura de Georges Bataille, a poesia de Torquato Tasso & Viviane Mosé, a música de Ástor Piazzolla, o cinema de Bernardo Bertolucci, & Dominique Sanda, a arte de Wanda Gág & Mary Louise Brooks aqui.
Crença, a canção, a poesia de Gabrielle D´Annunzio, a literatura de Jack Kerouac, a música de Al Jarreau, A princesa que amava insetos, o desenho de Benício, Kristen Stewart, a pintura de José Antônio da Silva & Edgar Rice Burroughs aqui.
Big Shit Bôbras, a psicanálise de Carl Gustav Jung, a poesia de Giórgos Seféris & Cacaso, a música de Fito Páez, Anne Rice & Dana Delany, a pintura de Alexej von Jawlensky, Antônio Conselheiro & Canudos aqui.
Aventureiros do Una, Maurice Merleau-Ponty, Castro Alves & Eugênia Câmara, a literatura de Carlos Heitor Cony,a música de Sergei Rachmaninoff & Yara Bernette, a pintura de Jules Joseph Lefebvre & a arte deDiane Kruger aqui.
O brinde do amor, Paulo Freire, A música de Vanessa da Mata, Luciah Lopez & Havia mais que desejo na paixão feita do amor aqui.
Sexta postura, a poesia de Manuel Bandeira, a música de Al Di Meola, a escultura de Ambrogio Borghi, a arte de Juli Cady Ryan & Quando amor premia o sábado aqui.
Desencontros de ontem, reencontros amanhã, a música de Gonzaguinha, a poesia de William Blake & Gleidstone Antunes, a pintura de Duarte Vitória & Alô, Congresso Nacional, ouça quem o elegeu aqui.
O que é ser brasileiro, Hannah Arendt, a pintura de Alex Grey, a música de Carol Saboya & Quem faz e não sabe o que fez é o mesmo que melar na entrada e na saída e nem se lembrou de limpar, que meladeiro aqui.
Pra quem nunca foi à luta, está na hora de ir, a música do Duo Graffiti, a escultura de Phillip Piperides, a pintura de Tracey Moffatt & a arte de Tanise Carrali aqui.
A lição de cada amanhecer, a música de Anne Schneider, a lenda da origem do Solimões, a pintura de Alice Soares, a escultura de Lorenzo Quinn, O Lobisomem Zonzo & Edla Fonseca aqui.
O cordão dos a favor & os do contra, a música de Jorge Ben Jor, a arte de Hélio Oiticica, Vampirella & Forrest J. Ackerman, a poesia de Eliane Queiroz Auer & Lia Kosta aqui.
O certo & o errado no reino das ideologias, a poesia de Hélio Pellegrino, a música de Nobuo Uematsu, a pintura de Raoul Dufy, a arte de Mat Collishaw & Danicleci Matias Souza aqui.
Versos à flor da pele na prosa de um poema, o cinema de Jean-Luc Godard, a escultura de Bertel Thorvaldsen, a música de Sharon Corr, a poesia de Elke Lubitz & a arte de Luciah Lopez aqui.
Vivo & a vida com tudo e todos, Helena Antipoff, a música de Dominguinhos, a pintura de Angel Otero, a escultura de Gutzon Borglum, a fotografia de Roman Pyatkovka & Nayana Andrade aqui.
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terça-feira, dezembro 30, 2014

ESTHER DUFLO, NUSSBAUM, BYUNG-CHUL HAN, PAULO FREIRE, BRECHT & MARY ASTOR

 


O FASCÍNIO DA MAMA KILLA - Nasceu no Titicaca a filha do criador de todas as coisas, ela me vigiava e eu não sabia. Ali perto morava Ka-Ata-Killa, eu sabia, vez em quando a via e seus olhos refletiam uma luz magnífica além de toda imaginação, como se deles emergisse um metal huaca, um artefato letal e divino a iluminar o meu andino céu noturno. Pela luz dela eu navegava até bem longe e da janela dela ela me via pescador errante pelas noites e dias. Numa curva do rio, do nada, ela a mim se revelou. E veio com todo esplendor pra me fazer Endymion na sua nudez Selene de todos os céus e o reino de todas as águas. E na sua boca a delícia da felação de todas as mais gulosas apaixonadas, dos seus seios a oferta e amparo de todos os pomares e jardins, de suas pernas todos os caminhos pra seguir, de suas coxas todas as rotas dos prazeres e da felicidade. Estava assustado porque havia me levado pro templo nas profundezas da selva, mas dali não arredei nem dela quis fugir. Enganou-se comigo porque não resisti nem a rejeitei, ela assim pensou e me sequestrou. Em seu espelho mágico insistia em me perguntar: Você me ama? E não podia mentir nem esconder minha verdadeira natureza. Apesar de temeroso a desejava e temeu que mentisse e enlouquecesse, tão desesperada soltou seus raios e um cataclisma quase me fez sucumbir, como se fosse atacada por um ente celestial ou um espírito maligno e desmaiei. Ao despertar estava no alto do céu diante da Mãe da lua que me fez Inti, irmão e marido, na corte celestial, e compreendia todos os meus desejos e temores. A Tríplice deusa no Templo do Sol, deu-me amparo nas nevadas altitudes do Andes e se fez Mama Killa, a bela mulher, mãe do firmamento a dar-me toda prosperidade do Tawantinsuyu. E se fez Mama Ocllo toda lua cheia e do seu ventre o fervor de todas as mulheres casadas e virgens, viúvas e solitárias, que teciam o destino atravessando o tempo e todos os meus espaços no eclipse da nossa comunhão auspiciosa e temível no festival do meu sacrifício por todos os seus domínios e atributos. E se fez Mama Cocha, a ordem após o caos, e do seu gozo a grandeza dos orgasmos de todas as fiéis seguidoras no culto ao Sapa Inca pelos ciclos de destruição e renascimento do mundo. E feito Capéi me fez Selenito amparado indefeso em seu corpo nu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui

 


FALEI EQUIDADE: A equidade é o reino do outro na heterogeneidade, porque o outro do outro sou eu, assim comungamos, assim vivermos (LAM). Já dizia Paulo Freire: Se nossa opção é progressista, \ se estamos a favor da vida e não da morte, \ da equidade e não da injustiça, \ do direito e não do arbítrio, \ da convivência com o diferente e não de sua negação, \ não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção. \ (Nossas escolhas). Veja mais aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOS - A pobreza não é apenas uma condição econômica, mas também uma privação de oportunidades. A economia deve centrar-se na melhoria do bem-estar das pessoas e não apenas no crescimento do PIB. A igualdade de gênero é crucial para o desenvolvimento e o progresso económico. A pobreza não é inevitável nem imutável, pode ser erradicada. A educação é a arma mais poderosa para quebrar o ciclo da pobreza. Pensamento da economista francesa Esther Duflo, co-fundadora e diretora do Laboratório de Ação contra a Pobreza Abdul Latif Jameel e professora de Economia da Alívio à Pobreza e Desenvolvimento no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Empatia e compaixão são a base de uma sociedade justa e equitativa. O respeito pelos outros é essencial para uma coexistência pacífica e harmoniosa. O amor e a amizade são elementos fundamentais na vida humana e devemos cuidar deles e cultivá-los. A arte e a literatura nos ajudam a desenvolver nossa imaginação e compreensão dos outros. A educação é o motor do progresso social e pessoal. Pensamento da filósofa estadunidense Martha Nussbaum.

 

SOCIEDADE DO CANSAÇO - [...] A reclamação do indivíduo depressivo “Nada é possível” só pode ocorrer numa sociedade que pensa: “Nada é impossível”. [...] A aceleração da vida contemporânea também desempenha um papel nesta falta de ser. A sociedade do trabalho e da realização não é uma sociedade livre. Gera novas restrições. Em última análise, a dialética entre senhor e escravo não produz uma sociedade onde todos sejam livres e também capazes de lazer. Pelo contrário, conduz a uma sociedade de trabalho em que o próprio senhor se tornou um escravo trabalhador. Nesta sociedade de compulsão, todos carregam dentro de si um campo de trabalho. Este campo de trabalho é definido pelo facto de se ser simultaneamente prisioneiro e guarda, vítima e perpetrador. A pessoa se explora. Significa que a exploração é possível mesmo sem dominação. [...] A sociedade de hoje não é mais o mundo disciplinar de Hospitais, hospícios, prisões, quartéis e fábricas de Foucault. Há muito que foi substituído por outro regime, nomeadamente uma sociedade de estúdios de fitness, torres de escritórios, bancos, aeroportos, centros comerciais e laboratórios genéticos. A sociedade do século XXI já não é uma sociedade disciplinar, mas sim uma sociedade de realizações [Leistungsgesellschaft]. Além disso, seus habitantes não são mais “sujeitos de obediência”, mas “sujeitos de realização”. Eles são empreendedores de si mesmos. [...] Nas redes sociais, a função dos “amigos” é principalmente aumentar o narcisismo, concedendo atenção, como consumidores, ao ego exibido como uma mercadoria. [...] Se o sono representa o ponto alto do relaxamento corporal, o tédio profundo é o auge do relaxamento mental. Um Rush puramente agitado não produz nada de novo. Reproduz e acelera o que já está disponível. [...] A violência da positividade não priva, ela satura; não exclui, esgota [...] A depressão – que muitas vezes culmina em esgotamento – decorre de uma autorreferência excessiva, superexcitada e excessiva que assumiu características destrutivas. O sujeito exausto e depressivo da realização se desgasta, por assim dizer. Está cansado, exausto por si mesmo e em guerra consigo mesmo. Totalmente incapaz de dar um passo para fora, de ficar fora de si mesmo, de confiar no Outro, no mundo, ele trava suas mandíbulas sobre si mesmo; paradoxalmente, isso leva o eu ao vazio e ao esvaziamento. Ele se desgasta em uma corrida desenfreada que corre contra si mesmo. [...]. Trechos extraídos da obra Müdigkeitsgesellschaft - The Burnout Society (Matthes & Seitz Berlin, 2010), do filósofo e ensaísta sul-coreano Byung-Chul Han. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

UMA VIDA NO CINEMA - [...] Admiro a nudez e gosto de sexo, assim como muitas pessoas na década de trinta. Mas, para mim, a superexposição embota a diversão... O sexo como algo belo pode desaparecer em breve. Uma vez que era uma faca tão finamente afiada, o fio ficava invisível até ser tocado e então cortar profundamente. Agora é tão rombudo que apenas machuca e deixa marcas feias. A nudez é aceitável na privacidade do meu quarto com o parceiro apropriado. Ou para um modelo em aula de vida na escola de artes. Ou conforme retratado em pedra e tinta. Mas não gosto que seja usado como piada ou para excitar. Ou seja tão franco sobre isso. [...]. Trecho extraído da obra A Life On Film (Bantam Doubleday Dell, 1972), da atriz estadunidense Mary Astor (Lucile Vasconcellos Laghanke - 1906-1987), que também se expressa: Nunca admita nada para ninguém. Honestidade não é a melhor política... Veja mais aqui e aqui.

 

É PRECISO AGIR - Primeiro levaram os negros \ Mas não me importei com isso\ Eu não era negro\ Em seguida levaram alguns operários\ Mas não me importei com isso\ Eu também não era operário\ Depois prenderam os miseráveis\ Mas não me importei com isso\ Porque eu não sou miserável\ Depois agarraram uns desempregados\ Mas como tenho meu emprego\ Também não me importei\ Agora estão me levando\ Mas já é tarde.\ Como eu não me importei com ninguém\ Ninguém se importa comigo. Poema do dramaturgo, encenador e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

SACADOUTRAS

 

A LIÇÃO DO OLHAR DE NIETZSCHE – [...] Eu apresento a partir de agora, para não perder o meu jeito afirmativo, este jeito que só tem a ver mediada e involuntariamente com a contradição e a crítica, as três tarefas em virtude das quais se precisa de educadores. Tem-se de aprender a ver, tem-se de aprender a pensar, tem-se de aprender a falar e escrever: o alvo em todas as três é uma cultura nobre. Aprender a ver: acostumar os olhos à quietude, à paciência, a aguardar atentamente as coisas; protelar os juízos, aprender a circundar e envolver o caso singular por todos os lados. Esta é a primeira preparação para a espiritualidade: não reagir imediatamente a um estímulo, mas saber acolher os instintos que entravam e isolam. Aprender a ver, assim como eu o entendo, é quase isso que o modo de falar não-filosófico chama de a vontade forte: o essencial nisso é precisamente o fato de poder não "querer", de poder suspender a decisão. Toda ação sem espiritualidade, bem como toda vulgaridade repousa sobre a incapacidade de sustentar uma oposição a um estímulo - o "precisa-se reagir" segue-se a cada impulso. Em muitos casos, uma tal necessidade já é prova de um caráter doentio, de decadência, de um sintoma de esgotamento. – Quase tudo que a rudeza não-filosófica denomina com o nome de "vício" é meramente aquela incapacidade fisiológica de não reagir. Uma aplicação do ter-aprendido-a-ver: à medida que nos tornamos um destes que aprende, nos tornamos em geral lentos, desconfiados e resistentes. Deixa-se inicialmente advir todo tipo de coisa estranha e nova com uma quietude hostil - se retirará a mão daí. O ter todas as portas abertas, o deitar de bruços submisso diante de todo e qualquer pequeno fato, o inserir-se e o lançar-se sempre pronto para o salto no diverso, em resumo a célebre "objetividade moderna" é de mau gosto, é não-nobre par excellence. (Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos ídolos). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Imagem: A seated female nude, possibly Mademoiselle Marie-Gabrielle Capet, 1815, do pintor francês François-André Vincent (1746-1816).



Ouvindo Concerto nº 1 para piano, do compositor russo Dmitriy Borisovich Kabalevskiy (1904-1987).

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiogo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá Especial de Ano Novo com muita festa e a apresentação da querida Meimei Corrêa. E com as seguintes atrações na programação: Egberto Gismonti, Pat Metheny, Quinteto Armorial, Sonia Mello, Clara Redig, Meimei Corrêa, Rosana Simpson, Katya Chamma, Tatiana Cobbett & Marcoliva, Ricardo Machado, João Pinheiro & Hermila Guedes, Auri Viola, Lyara Velloso, Dery Nascimento & Paulinho Pedra Azul, Alex Rios, Wilson Monteiro, Mazinho, Cikó, Zé Linaldo, Ozi dos Palmares, Paulinho Natureza & Sandra Regina Alves Moura, JB, Tirso Florence de Biasi & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Ano Novo
Quando? Hoje, terça, 30 de dezembro, a partir das 21hs (horário de Brasília)
Onde? No MCLAM -
Apresentação: Meimei Corrêa



SACADAS DO CASCUDO – O historiador, antropólogo, advogado e jornalista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), além de uma personalidade das mais maravilhosas da cultura brasileira, também tirava das suas: “O Brasil não tem problemas, só soluções adiadas”, “Não se assombre, em Natal eu sou o único pecador profissional. Os outros são amadores” e mais essa: “Não me interessei por nada no mundo. Daí a minha fidelidade mental ao meu trabalho. Sou um brasileiro feliz, diz Diógenes. Vivia minha vida e não a vida indicada pelos outros. Não fui o que quiseram, fui o que senti, a volição de ser. Hoje, sou um resto de idade, estou fora do ar, tenhos dias eufóricos, compreendeu? O trabalho para mim não era maldição. Era como o trabalho gostoso de fazer um filho. Prazer”. E vamos aprumar a conversa e tataritaritatá! Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Fecamepa, Torquato Tasso, Georges Bataille, Ástor Piazzolla, Viviane Mosé, Bernardo Bertolucci & Dominique Sanda, Mary Louise Brooks & Wanda Gág aqui.

E mais:
Heleieth Saffioti: O poder do macho & gênero, patriarcado & violência, Ari Lins Pedrosa, Ana Paula Fumian, Frederico Spencer, Suzana Jardim & Marta Nascimento aqui.
História do Feminismo, Feminino/Masculino, Pluralidade da Família, Psicologia Escolar & Educacional aqui.
Jacques Lacan, A Família & Relacionamentos afetivos pós-modernos aqui.
A aprendizagem de Albert Bandura, Propriedade & Direito Autoral aqui.
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Apesar de tudo que já foi feito, somos todos mínimos aqui.
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Das quedas, perdas & danos aqui.
Entrevista com a costureira Jaqueline, de Minas Gerais aqui.
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...