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quinta-feira, dezembro 10, 2020

JORGE LUÍS BORGES, SOLZHENITSYN, CAMUS, HENFIL, TERESA DE CALCUTÁ, SERGIO LOPEZ, LOURDES NICÁCIO & L7M


  

TRÍPTICO DQC: REINVENÇÃO DO RUMO OU NADA - Ao som de Canon & Gigue In D, do compositor alemão Johann Pachelbel (1653-1706), com a regência de Yip Wing-sie & Hong Kong Sinfonietta (2008). – Lugar distante, acho. E incerto. Ou estou perdido. Andança. Ao me aproximar do que poderia ser uma cidade, tentei ler a placa indicativa quando surgiu uma bela e sensual mulher me dando as boas-vindas: Sou Assistente Social e, cada visitante, é recepcionado, cadastrado e encaminhado para conhecer o local, pois aqui tudo é diferente! Perguntou-me uma série de coisas marcadas num formulário da prancheta apoiada no decote dos seus belos seios. Idade, nome, estado civil, etecetera e tal. Siga-me. O primeiro prédio, o da Educação: os maiores espancavam os menores, os mais velhos torturavam os mais novos; os rapazes às moças, os homens, às mulheres; as mães, aos filhos e filhas. Veja! Sim? Estão sendo educados na lei daqui. Hem? Venha. Entramos numa sala do prédio Governo: uns tomam o que é dos outros e vice-e-versa, todos são roubados e roubam entre si. Viu? Como é? Aqui aprendem a governar. Venha. E me levou a um salão de outro prédio, o Templo da Fé: uma reunião de pessoas completamente despidas e amontoadas, homens e mulheres que fossem idosos, adultos, jovens, todos numa espécie de orgia báquica, uns aos outros encangados libidinosamente e aos louvores. Esta é a religião daqui. Que lugar é este? Diante da minha surpresa, ela encaminhou-me por alguns corredores que, ao final, deram na saída da cidade: Pode ir, o senhor não foi admitido em nossos domínios. E bateu a porta. Desapontado, dei dois passos e, ao voltar-me, nada mais existia, como se tivesse sumido no ar. Ao retomar a caminhada deparei-me com Alain de Benoist: A única coisa que importa é o que as pessoas pensam de uma questão precisa, não importa como eles se posicionam (ou se recusam a) no espectro político tradicional. Vôte! Fiquei intrigado com o que ele disse, enquanto Ahmadou Kourouma me dizia em tom confidencial: Deus dá brincos de ouro a quem não tem orelhas para os usar... quando as infelicidades são muitas, Deus acaba por ficar indiferente... nenhuma oração pode alegrar um homem vazio. Mais surpreso fiquei ao ser advertido por Naguib Mahfuz: Estão querendo apagar a luz da razão e do pensamento. Cuidado! Se rejeitarmos a ciência, rejeitamos o homem comum. Você consegue saber se um homem é inteligente pelas suas respostas. Você consegue saber se um homem é sábio pelas suas perguntas. Que coisa! Parecia um bombardeio inexorável e logo apareceu Rajneesh bastante severo: A verdade não é algo do lado de fora para ser descoberto, é algo dentro para ser realizado. Largue a ideia de se tornar alguém, porque você já é uma obra de arte. Você não pode ser melhorado. Você só precisa se ir em direção a isso, saber disso e realizar isso. Como assim? Estava encurralado. De repente me vi só no descampado: todos os caminhos adiante, mas para onde?... Hei de reinventar o rumo, mesmo que não saiba como.

 


DE IR ALÉM DAS AMARRAS & IMOBILISMO - Imagem: a arte do grafiteiro L7M - Luís Seven Martins, ao som do álbum Finding Gabriel (2019), do pianista estadunidense Brad Mehldau. - O justo, a equidade e a cena: o magistrado ouvia a exposição da defesa, piscando o olho para a promotoria. Resultado: décadas de litígio civil ou quinquênios de cizânia trabalhista, alguém cedeu entre as partes, a requerente-reclamante de direitos; ou condenação penal para todos os perdedores, onde houver o menor prejuízo e a absolvição sob os poderes dos vencedores. Solzhenitsyn esclarece: Justiça é consciência, não uma consciência pessoal mas a consciência de toda a humanidade. Aqueles que reconhecem claramente a voz de suas próprias consciências normalmente reconhecem também a voz da justiça. Estou confuso, que mundo é este? Camus em tom aborrecido me joga na cara: Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo. Não há sossego, impossível conciliar carências e adversidades com consumo escravocrata, ganância hipócrita e obediência acéfala, não há como! Nisso, Jorge Luís Borges se aproxima: Fazer o bem ao teu inimigo pode ser obra de justiça e não é árduo; amá-lo, tarefa de anjos e não de homens. É tudo muito difícil: a sindemia, o superfungo, o desgoverno do Fecamepa. Antes outras eram as indagações, a humanidade e o viver. Agora não mais, sobreviver sem que se saiba como ir cada vez mais longe, ou ficar cada vez mais perto, o horror em qualquer lugar ou tempo, se o meu mundo é todo mundo e o mundo todo, para quem a vida, quaisquer que sejam, importa.

 


ONDE A POESIA & ÊXTASE OU NADA – Imagem: arte do ilustrador e artista visual estadunidense Sergio Lopez, ao som de Le ruban dénoué for two pianos (1915), do compositor venezuelano Reynaldo Hahn (1874-1947). – A solidão e a noite. Ela chega: Sou Lola, a filha da dor Aurora Maria Nascimento Furtado (1946-1972), psicóloga e bancária, aquela que na manhã daquela quinta-feira, dia 9 de novembro de 1972, fui detida numa blitz policial em Parada de Lucas, no Rio de Janeiro, aprisionada viva dentro de um ônibus e conduzida para a delegacia de Invernada de Olaria. Submetida ao pau de arara com sessões de choques elétricos, espancamentos, afogamentos e queimaduras, aplicaram-me a coroa de cristo e não resisti. Fui encontrada jogada na esquina, com o corpo crivado de balas. Apenas no dia 11 de novembro estampou a manchete dos jornais: De madrugada, Aurora, que fora presa às 9h40m de 9 de novembro, conduzia agentes da polícia carioca a um local do Méier, onde estaria localizado um aparelho, na esquina das ruas Magalhães Couto e Adriano. Aurora pediu para descer, disse que por motivo de segurança queria dirigir-se a pé ao aparelho. Ao descer, Aurora saiu correndo e gritando em direção a um fusca que estava nas proximidades; nesse momento, começou um intenso tiroteio entre os agentes da polícia e os ocupantes do carro; ao terminar o tiroteio, Aurora, baleada, estava morrendo, caída na rua; preocupados em socorrer Aurora, os agentes deixaram o veículo fugir em alta velocidade. A certidão de óbito: mulher branca, de identidade ignorada, tendo como causa mortis dilaceração cerebral. No reconhecimento do seu corpo pela irmã: afundamento craniano, escoriações e cortes profundos nos braços e pernas, o rosto deformado pelo espancamento e coroa de cristo, hematoma nos olhos, no nariz e na boca. Os registros estão detalhados nos livros Em câmara lenta (Alfa Omega, 2000), do cineasta Renato Tapajós; Os anos de chumbo: a memória militar sobre a repressão (FGV/CPDOC, 1994), organizado por Celina D’Araújo, Gláucio Soares e Celso Castro, e Luta, substantivo feminino: mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura – Direito à Memória e à Verdade (Caros Amigos, 2010), organizado por Tatiana Merlino e Igor Ojeda. Ela silenciosa, olhos rasos d’água... Pude apenas recitar Henfil: A minha luta é tentar também ser mulher. É conseguir ser afetivo, é conseguir ser intuitivo, é conseguir sonhar, que é um dos componentes muito grande que eu acho que a mulher tem. Conseguir dar carinho! Esse é um grande problema que eu tenho, eu sou um cara treinado na guerra, eu sei ser soldado, agora não sei muito ser companheiro de uma pessoa e tal. Eu sei ser cirurgião, mas não sei ser enfermeiro. Então esse componente feminino eu realmente gostaria de ter mais. E ela, cada vez mais imensamente bela, mais bela que nunca como as outras filhas da dor, Teresa de Calcutá: Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota. E cantarolamos juntos a Mulher de Geraldo Azevedo & Neila Tavares: Eu sou a mãe da praça de Mayo,sou alma dilacerada... Sou grito que reclama a paz, eu sou a chama datransformação... Até mais ver.

 

A POESIA DE LOURDES NICÁCIO

Para outras terras / transportei a vida. / Busquei então total / a liberdade / em torno do meu ser. / Mas por que mais livre / em derredor a vida / mais dispersa / tornei-me centro de mim / e me perdi?

Poema Espaço em labirinto, extraído da obra Caminho das Águas ao Sol (2018), da escritora e professora Lourdes Nicácio, que é formada e pós-graduada em Letras, co-fundadora da editora Novo Horizonte, membro da Academia Recifense de Letras, da Academia de Letras do Brasil/PE e da UBE/PE. É autora dos livros Sinfonia de Estrelas, Cantos da Ordem do Sol, Ritmo das Águas Vivas, Ocultos na Paisagem, O Lavrador e o Templo, Caminho das águas ao sol, O Rio, Canabrava e os Homens; Os Dois Mundos de Madalena; Sobreviventes, Almeida Cunha; Os Caminhos da Palavra- Gramática e Literatura. Veja mais aqui e aqui.

 



terça-feira, janeiro 15, 2019

RAJNEESH, MOZART GUERRA, DOCUMENTÁRIO DE TORITAMA & ALAGOINHANDUBA


A GESTÃO PÚBLICA EM ALAGOINHANDUBA - Olhando bem, a gestão pública de Alagoinhaduba é exemplar. Quer dizer, assim como é lá é em qualquer municipío do território brasileiro. Por exemplo: o prefeito Zé Peiúdo chegou na ciadde puxando uma gata que era só pelanca de tão magra e esfomeada, sem ter onde cair morto; levou todo mundo no papo e lavou a jega, não ganhou, mas elegeu-se: usou de escusa artilharia pesada, engalobou todo mundo, passou a perna, comprou e passou troco, tomou posse sob as mais extravagantes promessas e tome macacada e tralalá. Quais? Salário mínimo de 5 mil reais para todos os servidores! Danou-se, não deu. Culpou o atual Coiso Presidente de reduzir para a mixaria de sempre, mesmo tendo sido cabo eleitoral dele na campanha. Premiou-se com pontos simpáticos, por isso, alvoroço na mundiça. E meteu bronca prometendo o de sempre: acabar com a violência, erradicar a deseducação, promover o progresso, enricar todo mundo, melhorar a água e despoluir o rio, cuidar das praças e da periferia miserável, limpar o eixo do Sol, botar a lua mais brilhante de noite, fazer a Terra girar ao contrário para corrigir as coisas desagradáveis, dar fim aos coprólitos e lixo com o estalo dos dedos, enretar o desinretado, fazer isso e aquilo, pei bufe, etc e coisa e tal. Pois é, pintou e bordou com o que dizia e desdizia, maior enrolação. Promessas e escusas, tome lábia pra cima, valendo-se de todos os artifícios possíveis para sair bem na fita, invocando palavreado rebuscado e imbróglios, maior blábláblá. Ao tomar ciência que o juiz Teje Preso promoveu uma intervenção para remover o magistrado anterior e todo Judiciário local por conta da leniência reprovável e outras práticas antijurídicas, o Zé Peiúdo não perdeu tempo: embolsou a módica quantia de 280 milhões em espécie e moeda vigente, juntou os panos de bunda e arribou, tudo porque na posse da magistratura, o tal bufador de anel no dedo tinha dito em alto e bom som no Fórum: Vou pegar esse salafrário. Ninguém espera por tempo ruim, né? Oxe, quem é besta de ficar pra ver o circo pegar fogo, ora. Ao chegar à prefeitura o justiceiro encontrou o lugar mais limpo. Aí aproveitou e impugnou o vice, dissolveu a Câmara de Vereadores e destronou o bispo, autoelegendo-se Imperador com as mãos absolutas sobre o Executivo, Legislativo, Judiciário e religiosidade geral, colocando todas as demais seitas na clandestinidade: a lei e a fé só dele. Maior carreira de pé na bunda dos espíritas, pais e mães de santos, protestantes e afins. Com isso, transformou cada casa da cidade num presídio domiciliar já que não cabiam todos presos por coisa de pouca monta na cadeia local; isso sem contar alguns abusos para botar moral: degolou uns quatro, aleijou uns 15, matou uns 30 de choque elétrico e outros tantos do coração: não aguentaram o pipoco da ameaça e babau. Fez construir uma muralha maior que a da China nos limites do território: Daqui ninguém sai, daqui ninguém me tira. E aos poucos deixou a cidade mais isolada, sem que se soubesse o que acontecia nem na vizinhança, nem no país inteiro. Pelo menos o povo tinha o que falar dele mesmo: vivem de escalpelar uns aos outros, arreiam a lenha, descascam a ponto de se autodilacerarem com o dedo na ferida, todos na guilhotina alheia, não escapando ninguém, nem os próprios e, assim, tudo vai correndo na maior normalidade e como se não houvesse nada por consertar ou corrigir. Enquanto uns acham certo, outros acham errado, mas nada fazem além de arengar, se indignar e apontar soluções nas suas carradas de razões assim assado, afora só se esculhambarem entre si e ficar tudo por isso mesmo até o dia em que o deus deles dê cabo de dar jeito no que tiver troncho ou desacertado, ou ficar tudo assim mesmo até quando deus quiser. Eta vida besta, Deus meu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] O corpo possui muitas rotas. É um grande mundo em si mesmo. Você pode trabalhar com a respiração e através da respiração dar o salto. Você pode trabalhar com o sexo e através do sexo dar o salto. Você pode trabalhar com o estado de alerta – isto é, diretamente com a consciência – e dar o salto. Esse trabalho direto com a consciência tem sido uma das rotas mais profundas. Uma única rota pode ser usada de muitos modos. [...] Para o mundo vindouro e também para o mundo de hoje, apenas os métodos flexíveis podem ser usados, porque há muitos tipos de gente agora. [...] Agora isso é muito difícil. As mentes estão confusas. Não existe apenas mais de um tipo, mas cada indivíduo em si mesmo já é múltiplo. Existem muitas influências, influências contraditórias. [...] Se muitos métodos forem experimentados, nenhum será usado completamente. Mas ahora todo mundo está confuso e não há nada que possa ser feito para se evitar isso. Não há nenhum tipo único para ser protegido da confissão assim, necessitamos agora de novos métodos que não pertençam a nenhum tipo e que possam ser usados por todos. [...].
Trechos de Meditação: Uma morte sutil, extraído da obra Eu sou a porta: o sentido da iniciação e do aprendizado (Pensamento, 1975), do filósofo místico hindu Bhagwan Shree Rajneesh (1931-1990). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

ESTOU ME GUARDANDO PARA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR
O documentário Estou me guardando para quando o carnaval chegar, do diretor Marcelo Gomes e produção da Carnaval Filmes, narra a história de uma cidade que viu sua população ser multiplicada de forma desordenada e desumana, sob o alvoroço de produzir e se tornar a capital do jeans, demonstrando o regime que os próprios trabalhadores impõem, com uma pausa apenas para o Carnaval. Foi gravado mostrando os bastidores da produção de mais de 20 milhões de jeans anualmente na cidade pernambucana de Toritama, em fábricas caseiras. O documentário será exibido no Festival Internacional de Cinema de Berlim, na Alemanha, entre os dias 7 a 17 de fevereiro de 2019. Veja mais aqui e aqui.

A ESCULTURA DE MOZART GUERRA
O premiado escultor Mozart Guerra estudou Arquitetura na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), trabalhou como cenógrafo para teatro, cinema e televisão e, desde 1992, está radicado em Paris, tendo participado de exposições individuais e coletivas em galerias da França, Luxemburgo, Itália, Portugal, Canadá, Holanda, Áustria, Suiça, Espanha e Costa Rica. O artista é representado pela Sérgio Gonçalves Galeria do Rio de Janeiro e São Paulo, e foi parceiro do renomado designer japonês Yasumichi Morita por três anos em Hong Kong, Tóquio e Osaka. Para conhecer o seu trabalho confira aqui. E veja mais aqui
&
A história da mulher & Crônica de amor por ela aqui
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Outras de Alagoinhanduba aqui.
&
Simpósio Internacional de Linguística, Cognição e Cultura (LCC) & muito mais na Agenda aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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sábado, janeiro 13, 2018

LYGIA FAGUNDES TELLES, JOHN DONNE, BUÑUEL, RAJNEESH, PAULO BRUSCKY, YES, VALENTINA PLISHCHINA & DATAÍSMO

SEGREDO DAS VOZES INDIZÍVEIS – Imagem: Fantasy, da artista plástica e ilustradora estadunidense Valentina Plishchina.- Quem foi, tanto fui, nunca encontrei o caminho de volta, ou sequer saí de onde estou, essa a impressão que tenho. Nunca tive nada por tanto que quisera, ambicionei talvez, êxito algum. Não me queiram mal, nem me vejam de soslaio. E mais tivesse, tudo perderia na bifurcação da surpresa: o amor e situações aversivas, pêndulos sucessivos. Vi de tudo: um templo luminoso inatingível entre estrelas cadentes na minha solidão – coisa só minha -, a saudade de trilhas misturadas no labirinto da lonjura, o Sol das manhãs incendiando a pradaria do meu riso, a mula no cio da noite sem cabeça rondando minha solidão com seus terrores mais ignotos, o brejo cheio inundando o quintal para expulsar os fantasmas brincando com planetas feitos de chimbras, o lobisomem zonzo teimando artista circense pra morrer de chorar no riso, a Lua enamorada e nua soltando beijos nas minhas quimeras empacotadas de tesão, cavalo de pau a se arvorar enfrentando moinhos de folhas e flores lendárias, mané-gostoso preso na acrobacia do elástico pelo brinquedo da cambalhota e vira a virar, equilibrista no arame farpado e o rio contando história na correnteza da tarde mormaçada, os repentistas nas feiras de lama e pilhéria soltando fuxicos e a maior boataria - inverdades, salvo engano, todas acontecidas no pino do meio dia, coincidências inevitáveis pelas semelhanças de uns e outros. Apenas lembranças que saltam e se dissolvem na parede fria, esvaem-se umas às outras na perda da aventura por subidas lesivas e descidas sombrias. Prevalecem por remissão o sorriso sensual das mulheres com suas apetecidas formas e gestos, vivenciadas no anoitecer de minhas fantasias resvaladas pelo tobogã das horas, pela mão nua das linhas perdidas e apagadas pelos dedos cegos, o braço esquálido e roto, o peito de zis cicatrizes purulentas, olhos de noite a fio, lábios de sede agreste. A vontade é questão adiada e a noite desinventada é menor que o instante do vexame violentado. Sei das coisas contrárias quando menos se espera, motejo da vida pra quem nunca soube a maldição das ruínas no perde e ganha e dá volta por cima, poeira, solado e bunda no chão. Ah, se eu tivesse dobrado lá trás, seria diferente, apenas isso e eu não saberia. Quem me chamou, não ouvi, não sei, soubesse seguia assim mesmo até o reconhecimento. Outra seria, não assim ou assado. Longe o que se fez sábio caído na ignorância. Sem assombro, todo tumulto às vitrines é só o ermo do coração com tudo de novo e outra vez todo dia, tarde e noite intermináveis. E todos apostam na desgraça, torcem pelo algoz, a carne desesperada do recalcitrante desafiador, torcida pende prum lado contra a vantagem e vai pro outro se parecer desfavorável. Essa gente não sabe o que quer, se sabe é só cara ou coroa da vez e a insensatez, a favor do leão e o circo pega fogo, sem importar quem pintou a zebra ou arrancou os olhos do assum preto. Afinal, ele só canta bonito se cego. O artista só obra milagre completamente embriagado de vida e de álcool. Ah, nada demais, sei que sabem melhor que eu de mim mesmo. Amanhã estarei morto, muito provavelmente, e serei apenas um raio de memória pro esquecimento. Tudo é efêmero até sonhar na eternidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá é dia de especial com a banda britânica de rock progressivo Yes, formada por Jon Anderson (vocal), Chris Squire (baixo), Steve Howe (guitarra), Alan White (bateria), Rick Wakeman (teclados), Tony Kaye (teclados), Peter Banks (guitarra) e Bill Bruford (bateria), com apresentações de concertos e shows ao vivo & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Quando estiver com raiva, não se concentre napessoa que despertou sua ira. Deixe-a ficar na periferia. Você apenas ficaria com mais raiva. Sinta a ira em seu todo, deixando que aconteça interiormente. Não racionaliza, não diga: “Este homem me irritou e me fez ficar com ódio”. Não condene o homem. Ele apenas se tornou a situação. Sinta gratidão por ele ter feito com que algho que estava fechado se abrisse às claras. Ele bateu em certo lugar onde uma ferida estava oculta. Agora você sabe tudo. O ódio se dissolverá. [...]. Extraído da obra Tantra, sexo & espiritualidade (Ágora, 1977), do filósofo místico Bhagwan Shree Rajneesh (1931-1990). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A REVOLUÇÃO DATAÍSTA - [...] A revolução dataísta provavelmente vai durar algumas décadas, se não um século ou dois. Mas a revolução humanista não aconteceu da noite para o dia. No inicio, os homanos continuaram a acreditar em Deus e alegavam que eram sagrados porque foram criados por Deus com algum propósito divino. Só muito mais tarde algumas pessoas ousaram dizer que humanos são sagrados por direito próprio e que Deus não existe. Similarmente, a maioria dos dataístas afirma hoje que a internet de todas as coisas é sagrada porque humanos a criaram para servir a necessidades humanas. Porém, eventualmente, ela pode se tornar sagrada por direito próprio. A mudança de uma visão de mundo antropocêntrica para uma datacêntrica não será meramente uma revolução filosófica. Será uma revolução prática. Todas as revoluções realmente importantes são práticas. A ideia humanista de que “humanos inventaram Deus” foi significativa porque teve implicações práticas de longo alcance. Da mesma forma, a ideia dataísta de que “organismos são algoritmos” é significativa devido a suas conseqüências prátricas no dia a dia. Ideias só mudam o mundo quando mudam nosso comportamento. [...] Mas se realmente adotarmos uma visão realmente ampla da vida, todos os outros problemas e desenvolvimentos serão ofuscados por três processos interconectados: 1 A ciência está convergindo para um dogma que abrange tudo e que diz que organismos são algoritmos, e a vida, processamento de dados. 2 A inteligência está se desacoplando da consciência. 3. Algoritmos não conscientes mas altamente inteligentes poderão, em brevem nos conhecer melhor do que nós mesmos. Esses três processos suscitam três questões-chaves, que espero que fiquem gravadas em sua mente muito depois de você ter terminado a leitura deste livro: 1. Será que os organismos são apenas algoritmos, e a vida apenas processamento de dados? 2. O que é mais valioso – a inteligência ou a consciência? 3. O que vai acontecer à sociedade, aos políticos e à vida cotidiana quando algoritmos não conscientes mas altamente inteligentes nos conhecerem melhor do que nós nos conhecemos? Trechos extraídos da obra Homo Deus: uma breve história do amanhã (Companhia das Letras, 2016), do escritor israelense e professor ph.D em História, Yuval Noah Harari.

O ÚLTIMO SUSPIRO DE BUÑUELPassei horas deliciosas nos bares. O bar para mim é um local de meditação e de recolhimento, sem o qual a vida é inconcebível. Hábito antigo que se fortaleceu com o passar dos anos. [...] Grande parte da atividade surrealista se desenvolveu no café Cyrano, na praça Balnche. [...] O bar é, ao contrário, um exercício de solidão. [...] Os que não se interessem por isto – infelizmente eles existem – que pulem algumas páginas. [...] Como certamente compreenderam, não sou um alcoólatra. É verdade que, durante toda a minha vida, em determinadas ocasiões, aconteceu que bebesse até cair. Mas a maior parte do tempo trata-se de um ritual delicado, que não proporciona uma verdadeira embriaguez, mas sim uma espécie de zonzeira, bem-estar tranqüilo que talvez se assemelhe ao efeito de uma droga leve. Isso me ajuda a viver e a trabalhar. [...] elaboramos a ideia de abrir um bar que se chamaria Au coup de Canon e que seria escandalosamente cato, o mais caro do mundo. Só haveria lá bebidas especiais, incrivelmente refinadas, vindas dos quatro cantos do mundo. Seria um bar íntimo,muito confortável, de perfeito bom gosto, é claro, com apenas umas dez mesas. Em frente à porta, a justificar o nome do estabelecimento, haveria uma antiga bombarda, com estopim e pólvora, que daria um tiro violento, a qualquer hora do dia ou da noite, cada vez que um cliente tivesse gasto mil dólares. Esse projeto sedutor, mas muito pouco democrático, nunca se realizou. Fica consignada a ideia. É interessante imaginar um modesto empregado, num prédio vizinho, acordado às quatro da manhã por um tiro de canhão, e dizendo à sua mulher, deitada ao seu lado: “Mais um patife que acaba de pagar mil dólares!”. [...]. Extraido da obra Meu último suspiro (Nova Fronteira, 1982), do controvertido cineasta espanhol Luis Buñuel (1900-1983). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

AS HORAS NUAS – [...] Cravo o olhar no baixo-relevo da parede onde há um jovem seminu montado num touro, agarrando-o pelos chifres. Mais próximo o ruído das suas sandálias no mármore polido. Não me volto nem mesmo quando sua mão afasta o pano que me cobre o ombro. Beija esse ombro, me toma pela cintura e colado ao meu corpo ele vai me levando adiante feito um escudo. Tombo de joelhos no leito, os cotovelos fincados no coxim. Agora ele me agarra pelos cabelos e puxa minha cabeça. Vou cedendo, o pescoço distendido em arco. Ainda não posso vê-lo colado assim às minhas costas nem me esquivar quando sua boca voraz mordeu minha nuca, devo ter gemido porque em seguida a boca procurou suavemente a minha orelha, contornou a orelha com a língua. Levantei-me de um salto mas ele me tomou com a mesma ferocidade do jovem do baixo-relevo domindo pelos chifres o touro esgazeado. Minhas pernas vão vergando submissas, escorregadias. Deixei cair a túnica e agora estamos nus e calmos, o suor correndo e se misturando. É a primeira vez, eu quis dizer para justificar minha inexperiência. Não consegui falar, inundado de um gozo tão profundo que em meio do tumulto fui tomado por um sentimento de paz. Nossas mãos se buscaram e se entrelaçaram ao longo dos corpos num aperto forte. E de novo sua voz turbilhonada e os meus soluços explodindo sem motivo, desencontradas as falas mas os corpos se encontrando e se ajustando. Eu te amo. [...]. Trecho extraído da obra As horas nuas (Nova Fronteira, 1989), da escritora premiada e membro da Academia Brasileira de Letras do Brasil e de Lisboa, Lygia Fagundes Telles. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

A ISCAVem viver comigo, sê o meu amor / E alguns novos prazeres provaremos / De areias douradas e regatos de cristal / Com linhas de seda e anzóis de prata. / Aí o rio correrá murmurando, aquecido / Mais por teus olhos do que pelo sol; / E aí os peixes enamorados ficarão / Suplicando a si próprios poder trair. / Quando tu nadares nesse banho de vida / Cada peixe, dos que todos os canais possuem, / Nadará amorosamente para ti, / Mais feliz por te apanhar, que tu a ele. / Se, sendo vista assim, fores censurada / Pelo Sol, ou Lua, a ambos eclipsarás; / E se me for dada licença para olhar / Dispensarei as suas luzes, tendo-te a ti. / Deixa que outros gelem com canas de pesca / E cortem as suas pernas em conchas e algas; / Ou traiçoeiramente cerquem os pobres peixes / Com engodos sufocantes, ou redes de calado. / Deixa que rudes e ousadas mãos, do ninho limoso / Arranquem os cardumes acamados em baixios; / Ou que traidores curiosos, com moscas de seda / Enfeiticem os olhos perdidos dos pobres peixes, / Porque tu não precisas de tais enganos, / Pois que tu própria és a tua própria isca, / E o peixe que não seja por ti apanhado, / Ah!, é muito mais sensato do que eu. Poema do poeta, prosador e clérigo inglês John Donne (1572-1631). Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE PAULO BRUSCKY
A arte do artista multimídia Paulo Bruscky. Veja mais aqui.

Veja mais:
Os véus dos céus & o prazer do amor, a música de Djavan, a arte de Luciah Lopez, o cinema de Christine Jeffs & Kirsty Gunn aqui.
Entrega na Crônica de amor por ela, Cesare Pavese, Theodor Adorno, Antonio Vivaldi, Ítalo Calvino, Ledo Ivo, Chiquinha Gonzaga, Luchino Visconti, Anne-Sophie Mutter, Maria Adelaide Amaral, Julião Sarmento, William Etty, Rosamaria Murtinho, Annie Girardot, Marize Sarmento & Grupo Carochinha – Maceió aqui.
Paul Feyerabend, Gilberto Mendes, Chaim Soutine, Sandra Scarr, Brian de Palma, Edwin Torres & Penelope Ann Miller aqui.
Indagorinha: Educação Brasileira, Reino dos Mamoeiros, Arranca-rabo & a batida Teibei aqui.
Quando Tomé mostrou ao que veio aqui.
O poeta chora aqui.
A menina do sorriso ensolarado aqui.
O que tiver de ser será aqui.
Todo dia é dia da criança aqui.
O equilíbrio mortevida do malabarista aqui.
Marilda Iamamoto & o Serviço Social, Marilena Cahí, Nise da Silveira, Guiomar Namo de Mello & Arriete Vilela aqui.
A cidade das torres & Antônio Cândido aqui.
Proclamação da República aqui.
A Era Vargas & a República aqui.
A Monarquia Brasileira aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
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Agenda de Eventos 35 anos de arte cidadã aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica e ilustradora estadunidense Valentina Plishchina.
Veja mais aqui.

domingo, março 22, 2015

RAJNEESH, KUNDERA, KEATS, BEN-JOR, ROSENFELD, LENA OLIN, ENDIMIÃO, DYCK, TECO SEADE, JOÃO LINS, SOCORRO CUNHA & ALVORADINHA NO DIA DA ÁGUA!!!!


AS ÁGUAS DE ALVORADINHA – Tendo em vista a Unesco haver convencionado o dia de hoje como o Dia Mundial da Água, lembrei de uma história que escrevi sob encomenda.  Foi assim: lá pelos idos de 2002 ou por aí, eu havia publicado o livro Alvoradinha: calango verde do mato bom (Nascente, 2001), quando uma amiga carioca – não consigo lembrar o nome dela nem o sítio que ela possui na rede, cabeça essa minha, hem? -, por ocasião da conclusão de seu curso de Comunicação Social numa universidade do Rio de Janeiro, de posse desse meu livro, solicitou uma história do meu personagem com relação às águas. Fiquei surpreso e atendi. Poucos dias depois enviei o texto e ela fez os quadrinhos e transformou em desenho animado, tudo isso num tempo recorde: era o seu trabalho de conclusão de curso na faculdade. Ela foi aprovada com louvor e publicou o resultado num sítio da Internet. Fiquei superfeliz! Ela até me enviou a url e eu divulguei, na época, no Boletim Nascente que eu editava na rede. Confira os detalhes aqui e aqui. E tem mais dicas de livros & artes aqui & aqui

ENDYMION – Imagem: Diana and Endymion surprised by a Satyr (1626), do pintor flamengo Anthony van Dyck (1599-1641) - Segundo a mitologia grega, Endimião era um belo jovem. Em algumas versões da lenda ele é apresentado como um rei e em outras como um simples pastor, o qual, ao dormir sobre o Monte Latmo, impressionou de tal forma o frio coração de Selene, a deusa da Lua (Diana, na mitologia romana), que ela desceu do espaço, beijou-o e recostou-se ao seu lado. Ele acordou e descobriu que ela partira, mas a impressão que Selene lhe causara fora tal, que ele pediu a Zeus que lhe concedesse a imortalidade e lhe permitisse dormir para sempre naquele monte. Outra versão diz que Selene ficou tão presa a ele pelo sortilégio do amor que descia e vinha beijá-lo todas as vezes que queria. O escritor e dramaturgo inglês John Lyly (1553-1606) baseou-se nessa lenda para escrever a sua comédia Endimion, the man in the moon (Endimião, o homem da lua) e o poeta inglês John Keats (1795-1821) se ocupou do mesmo assunto no longo poema Endimião (1, 1-33): Tudo o que é belo é uma alegria para sempre: / O seu encanto cresce; não cairá no nada; / Mas guardará continuamente, para nós, / Um sossegado abrigo, e um sono todo cheio / De doces sonhos, de saúde e calmo alento. / Toda manhã, portanto, estamos nós tecendo / Um liame floral que nos vincule à terra, / Malgrado o desespero, a carestia cruel / De nobres naturezas, os escuros dias, / E todos os sombreados e malsãos caminhos / Abertos para nossa busca: não obstante, / Alguma forma bela afasta essa mortalha / De nossa lúgubre alma. Assim são sol e lua, / As árvores lançando a dádiva da sombra / as ovelhas sem mal; e assim são os narcisos / Com o mundo verde no qual vivem, e os regatos / Que fazem para si uma coberta amena / Contra a quente estação; a moita mato a dentro, / Rica de um jorro em flor de almiscaradas rosas; / E assim também é a majestade dos destinos / Que imaginamos para os mortos poderosos; / Os lindos contos que nós lemos ou ouvimos: / Uma fonte infindável de imortal bebida / Que da fímbria dos céus a nós precipita. / Nem percebemos tão-somente os mortos essas essências / Por uma curta hora; não, tal como as árvores / Que murmuram em torno a um templo logo estão / Preciosas como o próprio templo, assim a lua, / A poesia paixão, infinitos esplendores, / Obsedam-nos até tornar-se luz que incita / Nossa alma, e unem-se a nós de modo tão estreito, / Que existam sobre nós ou trevas ou fulgor, / Devem estar sempre conosco, ou bem morremos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Ouvindo Live in Rio (Warner, 1992) do cantor e compositor Jorge Ben-Jor

A SEMENTE DA MOSTARDA – No livro A semente da mostarda: discursos sobre as palavras de Jesus segundo o Evangelho de Tomé (Tao, 1979), do filósofo místico Bhagwan Shree Rajneesh (1931-1990), encontrei no sexto discurso (26 de agosto de 1974, Poona – Índia), o seguinte trecho: [...] Seja um revolucionário! Vá além da sociedade, seja corajoso, quebre as correntes, todos os relacionamentos. Esteja só e viva como se fosse o centro do mundo! Então, Deus lançar-se-á em sua direção e nesse lançamento seu ego será perdido, a ilha desaparecerá no Oceano – de rente, você já não estará. Em primeiro lugar, a sociedade tem de ser abandonada, essa é a mecânica interior: porque o seu ego só pode existir com a sociedade. Se você continuar negando a sociedade, chegará um momento em que o ego está só porque a sociedade foi abandonada. Mas então, sem a sociedade, o ego não poderá existir, porque a sociedade reforça o ego [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

TEXTO & CONTEXTO – O livro Texto/Contexto (Perspectiva, 1976) do crítico e teórico de teatro germano-brasileiro Anatol Rosenfeld (1912-1973), trata de reflexões estéticas sobre o fenômeno teatro, o teatro agressivo, a visão grotesca, o romance moderno, a psicologia profunda e crítica, os temas históricas como Shakespeare e o pensamento renascentista, aspectos do romantismo alemão, influências estéticas de Schopenhauer, Mário e o cabotinismo, Thomans Mann: Apolo, Hermes e Dioniso; Kafla e laflianos, a costela de prata de Augusto dos Anjos. Destaco o trecho: [...] As verdades são ficções de que se esquece que o são, metáforas gastas, moedas que perderam a sua imagem. Falar a verdade significa usar as metáforas usuais, isto é, diz a verdade quem mente conforme convenções firmemente estabelecidas [...]. Veja mais aqui, aquiaqui.


A VACA AMARELA & A GALINHA BELISCONA NO TREM DO ABC – A escritora, pedagoga e orientadora educacional alagoana Socorro Cunha é autora de uma série de maravilhosos livros infantis. Algum tempo atrás ela concedeu uma entrevista pro Brincarte do Nitolino. Confira aquiaqui e aqui.


VERSOS: MARIA MULHER – O professor, advogado e poeta pernambucano João Lins (que eu conheço de longa data e que se assina João Batista Lins de Oliveira, o amigirmão João Patinhas) é autor do livro Maria Mulher (Outras Palavras, 1995), do qual destaco Versos: Faço versos soltos, / versos loucos; / versos que me fundem a cuca / e me entortam o cerebelo; / versos que ao saírem / se perdem em meus delírios / e me encaracolam os cabelos. / Faço versos que nem sei se são versos: / versos nascidos no corre-corre do dia, / perdidos na angustia da noite / e achados no silêncio da madrugada. Veja mais aqui e aqui.


VIOLA EMPRENHADA – Agora estou curtindo uma obra indescritivelmente maravilhosa do meu amigo, cantor, músico e compositor Teco Seade: Viola Emprenhada. Quer curtir e comprovar? Clique aqui. E veja mais desse excelente talento aqui e aqui.

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER – O livro A insustentável leveza do ser (Rio Gráfica, 1983), do escritor tcheco Milan Kundera, eu ganhei do meu amigo Gilberto Melo. Livro que li avidamente e do qual destaco esse trecho: O eterno retorno é uma ideia misteriosa, e Nietzsche, com essa ideia, colocou muito filósofos em dificuldade: pensar que um dia tudo vai se repetir tal como foi vivido e que essa repetição ainda vai se repetir indefinidamente! O que significa esse mito insensato? O mito do eterno retorno nos diz, por negação, que a vida que vai desaparecer de uma vez por todas, e que não mais voltará, é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje, e que, por mais atroz, mais bela, mais esplendida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor, não têm o menor sentido. Essa vida não deve ser considerada mais importante do que uma guerra entre dois reinos africanos do século XIV, que não alterou em nada a face do mundo, embora trezentos mil negros tenham encontrado nela a morte através de indescritíveis suplícios. Será que essa guerra entre dois reinos africanos do século XIV se modifica pelo fato de se repetir um número incalculável de vezes no eterno retorno? Sim, certamente: ela se tornará um bloco que se forma e perdura, e sua tolice será sem remissão [...]. Essa extraordinária obra foi adaptado para o drama cinematográfico The undearable lightness of being (1988), pelo diretor e roteirista estadunidense Philip Kaufman, com roteiro do autor do livro e também do diretor com Jean-Claude Carrière, música de Mark Adler e um elenco maravilhoso, do qual, neste momento destaco o papel desempenhado pela linda atriz sueca Lena Olin na personagem Sabina. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.



Veja mais sobre:
Alguma coisa assim..., a música de Ken Burns, a pintura de Jules Joseph Lefebvre, O cinema de Esmir Filho & poemiudinho aqui.

E mais:
A divina encrenca de Juó Bananére, a Personologia de Murray, O sexo na história de Reay Tannahill, o teatrod e Borná de Xepa, a música de Zeca Baleiro, a pintura de Adélaide Labille-Guiard, Brenda Starr de Dale Messick, Brooke Shields & a poesia de Marcia Lailin aqui.
Gestão Tributária aqui.
Ensino Público no Brasil, Dificuldades de aprendizagem, Teoria e técnica em Arte-Terapia, O capital intelectual, a fotografia de Joe Wehner & a poesia de Chagas Lourenço aqui.
Falange, falanginha, falangeta, a literatura de Lou Andres-Salomé, O voto da mulher na Nova Zelândia & Kate Wilson Sheppard, a música de Arthur Honegger, Dafne & Chloe & a pintura de Louis Hersent, Olivia Wilde, as crônicas de Luiz Eduardo Caminha & o Programa Tataritaritatá aqui.
Fecamepa, a literatura de Georges Bataille, a poesia de Torquato Tasso & Viviane Mosé, a música de Ástor Piazzolla, o cinema de Bernardo Bertolucci, & Dominique Sanda, a arte de Wanda Gág & Mary Louise Brooks aqui.
Crença, a canção, a poesia de Gabrielle D´Annunzio, a literatura de Jack Kerouac, a música de Al Jarreau, A princesa que amava insetos, o desenho de Benício, Kristen Stewart, a pintura de José Antônio da Silva & Edgar Rice Burroughs aqui.
Big Shit Bôbras, a psicanálise de Carl Gustav Jung, a poesia de Giórgos Seféris & Cacaso, a música de Fito Páez, Anne Rice & Dana Delany, a pintura de Alexej von Jawlensky, Antônio Conselheiro & Canudos aqui.
Aventureiros do Una, Maurice Merleau-Ponty, Castro Alves & Eugênia Câmara, a literatura de Carlos Heitor Cony,a música de Sergei Rachmaninoff & Yara Bernette, a pintura de Jules Joseph Lefebvre & a arte deDiane Kruger aqui.
O brinde do amor, Paulo Freire, A música de Vanessa da Mata, Luciah Lopez & Havia mais que desejo na paixão feita do amor aqui.
Sexta postura, a poesia de Manuel Bandeira, a música de Al Di Meola, a escultura de Ambrogio Borghi, a arte de Juli Cady Ryan & Quando amor premia o sábado aqui.
Desencontros de ontem, reencontros amanhã, a música de Gonzaguinha, a poesia de William Blake & Gleidstone Antunes, a pintura de Duarte Vitória & Alô, Congresso Nacional, ouça quem o elegeu aqui.
O que é ser brasileiro, Hannah Arendt, a pintura de Alex Grey, a música de Carol Saboya & Quem faz e não sabe o que fez é o mesmo que melar na entrada e na saída e nem se lembrou de limpar, que meladeiro aqui.
Pra quem nunca foi à luta, está na hora de ir, a música do Duo Graffiti, a escultura de Phillip Piperides, a pintura de Tracey Moffatt & a arte de Tanise Carrali aqui.
A lição de cada amanhecer, a música de Anne Schneider, a lenda da origem do Solimões, a pintura de Alice Soares, a escultura de Lorenzo Quinn, O Lobisomem Zonzo & Edla Fonseca aqui.
O cordão dos a favor & os do contra, a música de Jorge Ben Jor, a arte de Hélio Oiticica, Vampirella & Forrest J. Ackerman, a poesia de Eliane Queiroz Auer & Lia Kosta aqui.
O certo & o errado no reino das ideologias, a poesia de Hélio Pellegrino, a música de Nobuo Uematsu, a pintura de Raoul Dufy, a arte de Mat Collishaw & Danicleci Matias Souza aqui.
Versos à flor da pele na prosa de um poema, o cinema de Jean-Luc Godard, a escultura de Bertel Thorvaldsen, a música de Sharon Corr, a poesia de Elke Lubitz & a arte de Luciah Lopez aqui.
Vivo & a vida com tudo e todos, Helena Antipoff, a música de Dominguinhos, a pintura de Angel Otero, a escultura de Gutzon Borglum, a fotografia de Roman Pyatkovka & Nayana Andrade aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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