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terça-feira, fevereiro 07, 2017

OS BOROROS, LUTOSLAWSKI & EWA KUPIEC, LAURA TEDESCHI & SELENE

A VIDA É LINDA, APESAR DOS ENRUSTIDOS & DOS CHATOS DE GALOCHA! - Imagem: Il lago di Lucerna, da artista plástica italiana Laura Tedeschi. - A vida é muito mais que a tragédia diária do noticiário no café da manhã, entre o bocejo e o queixo caído com a espetacularização dos acontecimentos de ficar vidrado com o glamour voyeurista das últimas ofertas promocionais das modas e grifes pras festinhas e baladas do final de semana, durante os intervalos da programação enquanto não arreda o pé pra não perder nenhum close das séries dubladas e com alto teor de violência pro prazer mais obscuro do telespectador. Ou no almoço às pressas dos pegue-pague das comidas rápidas, com as mastigadas do umbigo empinado e com deus na barriga, pra cair na tarde do trânsito louco com os atropelamentos dos desavisados e acidentes pela imperícia e imprudência com a morte dos outros nas enfermarias, ou com o alarme das rebeliões nas infectas celas das penitenciárias que são mais covis fabricantes de bandidos que sequer reintegra qualquer um ali sacudido e ninguém quer sabe do que se passa por ali. Ou no jantar com as cenas da novela no desfile das mazelas para entretenimento e nenhuma indignação na noite, em meio a bebedeira de vomitar até os bofes e findar arrependido por horas plantado no departamento da vergonha, ao constatar que não tem mais jeito mijando de propósito a tampa da privada como todo macho de respeito faz quando acha que é melhor pra estacionar na vaga de cadeirante sem querer nem saber quem precisa, ou gastar uma fortuna com o aniversário e em compras de adereços pro cão de estimação que equivalem ao sustento de mais de dez crianças dos orfanatos tão detestáveis, quanto os fedorentos abrigos de velhos e prefere ver só coisas boas nos cliques e papos indiferentes com o lixo descartável dos acessórios e utensílios da última moda, ou se estão vendendo aquíferos ou fontes com desmatamento, ou se poluindo ou depredando patrimônio natural ou histórico da humanidade, pouco importa essas coisas alheias que não dizem respeito à vida meritória e perfumada dos que se acham de bem e acima de qualquer suspeita. Ah, Deus não só existe como faz parte de tudo e de todas as coisas, e está além do que vê quem meramente olha no meio de uma oração de joelhos diante dos pregadores com seu templos seculares e a caridade pública garantidora de um paraíso no céu pros timoratos religiosos. A bem da verdade a vida é linda, apesar dos enrustidos e chatos de galocha. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

Curtindo a obra do compositor polonês Witold Lutoslawski (1913-1994), na interpretação da pianista polonesa Ewa Kupiec.

Veja mais sobre:
Aijuna, o mural dos desejos florescidos aqui.

E mais:
Crônica de amor por ela aqui.
O Recife do Galo da Madrugada aqui.
Utopia, Charles Dickens, Alfred Adler, Carybé, Rogério Duprat, Hector Babenco, Sonia Braga & Tchello D’Barros aqui.
A psicanálise de Karen Horney & o papo da tal cura gay aqui.
A hipermodernidade de Gilles Lipovetsky & a trajetória Tataritaritatá aqui.
Três poemetos da festa de amor pra ela aqui.
Poetas do Brasil aqui, aqui e aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
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DESTAQUE: A LENDA BORORO DAS DUAS POMBAS
Vivia sozinha em sua oca uma mulher chamada Birimodo, nome que também é usado para homem, e não tinha ninguém que lhe preparasse um pouco de comida quando voltava cansada da floresta, ou a ajudasse nos seus afazeres domésticos. Certo dia, porém, voltando da mata, teve a feliz surpresa de achar sua panela de barro cozido cheia de um pitéu feito de farinha de milho. – Oh! -, exclamou ela – quem terá preparado a comida para mim? Estava com muita fome e não perdeu tempo em procurar saber quem era, e tratou logo de comer. Nos dias seguintes também encontrou a sua comida pronta e ficou ansiosa por saber quem lhe fazia tal favor. Dos vizinhos só soubera que durante sua ausência, em sua casa ouviam-se barulho e sonoras gargalhadas. Quem poderia fazer isso se com ela, na oca, só havia duas pombas às quais cuidava com todo carinho? Grande era o seu desejo de poder explicar a causa, mas não o conseguia. Por fim, veio-lhe à mente fingir que ia para a mata em busca de frutos. Tomou o seu patuá e saiu. Voltou muito mais cedo do que costumava e, chegando perto de casa, pôs-se a caminhar vagarosamente, parando de espaço a espaço a fim de escutar. Na verdade, devia estar gente lá dentro; ouviu a conversinha de duas vozes suaves e depois sonoras gargalhadas, que era um gosto ouvi-las. Abriu inesperadamente a porta e viu duas meninas ocupadas em preparar a comida. Ao vê-la, as meninas procurar voltar logo ao seu estado natural, mas não tiveram tempo porque Birimodo o impediu e disse: - Não vos transformeis, sereis minhas filhas. E tomou-as amorosamente sobre os joelhos, alisando-as, acariciando-as. Compreendera tudo perfeitamente: as duas pombas transformavam-se em meninas e lhe preparavam a comida;
As duas pombas, lenda recolhida da obra Os Bororos orientais (Companhia Editora Nacional, 1942), de Antônio Colbacchini e Cesar Albisetti. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica italiana Laura Tedeschi.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: hoje é dia de Selene, a deusa da Lua e da Magia.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.

 

domingo, março 22, 2015

RAJNEESH, KUNDERA, KEATS, BEN-JOR, ROSENFELD, LENA OLIN, ENDIMIÃO, DYCK, TECO SEADE, JOÃO LINS, SOCORRO CUNHA & ALVORADINHA NO DIA DA ÁGUA!!!!


AS ÁGUAS DE ALVORADINHA – Tendo em vista a Unesco haver convencionado o dia de hoje como o Dia Mundial da Água, lembrei de uma história que escrevi sob encomenda.  Foi assim: lá pelos idos de 2002 ou por aí, eu havia publicado o livro Alvoradinha: calango verde do mato bom (Nascente, 2001), quando uma amiga carioca – não consigo lembrar o nome dela nem o sítio que ela possui na rede, cabeça essa minha, hem? -, por ocasião da conclusão de seu curso de Comunicação Social numa universidade do Rio de Janeiro, de posse desse meu livro, solicitou uma história do meu personagem com relação às águas. Fiquei surpreso e atendi. Poucos dias depois enviei o texto e ela fez os quadrinhos e transformou em desenho animado, tudo isso num tempo recorde: era o seu trabalho de conclusão de curso na faculdade. Ela foi aprovada com louvor e publicou o resultado num sítio da Internet. Fiquei superfeliz! Ela até me enviou a url e eu divulguei, na época, no Boletim Nascente que eu editava na rede. Confira os detalhes aqui e aqui. E tem mais dicas de livros & artes aqui & aqui

ENDYMION – Imagem: Diana and Endymion surprised by a Satyr (1626), do pintor flamengo Anthony van Dyck (1599-1641) - Segundo a mitologia grega, Endimião era um belo jovem. Em algumas versões da lenda ele é apresentado como um rei e em outras como um simples pastor, o qual, ao dormir sobre o Monte Latmo, impressionou de tal forma o frio coração de Selene, a deusa da Lua (Diana, na mitologia romana), que ela desceu do espaço, beijou-o e recostou-se ao seu lado. Ele acordou e descobriu que ela partira, mas a impressão que Selene lhe causara fora tal, que ele pediu a Zeus que lhe concedesse a imortalidade e lhe permitisse dormir para sempre naquele monte. Outra versão diz que Selene ficou tão presa a ele pelo sortilégio do amor que descia e vinha beijá-lo todas as vezes que queria. O escritor e dramaturgo inglês John Lyly (1553-1606) baseou-se nessa lenda para escrever a sua comédia Endimion, the man in the moon (Endimião, o homem da lua) e o poeta inglês John Keats (1795-1821) se ocupou do mesmo assunto no longo poema Endimião (1, 1-33): Tudo o que é belo é uma alegria para sempre: / O seu encanto cresce; não cairá no nada; / Mas guardará continuamente, para nós, / Um sossegado abrigo, e um sono todo cheio / De doces sonhos, de saúde e calmo alento. / Toda manhã, portanto, estamos nós tecendo / Um liame floral que nos vincule à terra, / Malgrado o desespero, a carestia cruel / De nobres naturezas, os escuros dias, / E todos os sombreados e malsãos caminhos / Abertos para nossa busca: não obstante, / Alguma forma bela afasta essa mortalha / De nossa lúgubre alma. Assim são sol e lua, / As árvores lançando a dádiva da sombra / as ovelhas sem mal; e assim são os narcisos / Com o mundo verde no qual vivem, e os regatos / Que fazem para si uma coberta amena / Contra a quente estação; a moita mato a dentro, / Rica de um jorro em flor de almiscaradas rosas; / E assim também é a majestade dos destinos / Que imaginamos para os mortos poderosos; / Os lindos contos que nós lemos ou ouvimos: / Uma fonte infindável de imortal bebida / Que da fímbria dos céus a nós precipita. / Nem percebemos tão-somente os mortos essas essências / Por uma curta hora; não, tal como as árvores / Que murmuram em torno a um templo logo estão / Preciosas como o próprio templo, assim a lua, / A poesia paixão, infinitos esplendores, / Obsedam-nos até tornar-se luz que incita / Nossa alma, e unem-se a nós de modo tão estreito, / Que existam sobre nós ou trevas ou fulgor, / Devem estar sempre conosco, ou bem morremos. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Ouvindo Live in Rio (Warner, 1992) do cantor e compositor Jorge Ben-Jor

A SEMENTE DA MOSTARDA – No livro A semente da mostarda: discursos sobre as palavras de Jesus segundo o Evangelho de Tomé (Tao, 1979), do filósofo místico Bhagwan Shree Rajneesh (1931-1990), encontrei no sexto discurso (26 de agosto de 1974, Poona – Índia), o seguinte trecho: [...] Seja um revolucionário! Vá além da sociedade, seja corajoso, quebre as correntes, todos os relacionamentos. Esteja só e viva como se fosse o centro do mundo! Então, Deus lançar-se-á em sua direção e nesse lançamento seu ego será perdido, a ilha desaparecerá no Oceano – de rente, você já não estará. Em primeiro lugar, a sociedade tem de ser abandonada, essa é a mecânica interior: porque o seu ego só pode existir com a sociedade. Se você continuar negando a sociedade, chegará um momento em que o ego está só porque a sociedade foi abandonada. Mas então, sem a sociedade, o ego não poderá existir, porque a sociedade reforça o ego [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

TEXTO & CONTEXTO – O livro Texto/Contexto (Perspectiva, 1976) do crítico e teórico de teatro germano-brasileiro Anatol Rosenfeld (1912-1973), trata de reflexões estéticas sobre o fenômeno teatro, o teatro agressivo, a visão grotesca, o romance moderno, a psicologia profunda e crítica, os temas históricas como Shakespeare e o pensamento renascentista, aspectos do romantismo alemão, influências estéticas de Schopenhauer, Mário e o cabotinismo, Thomans Mann: Apolo, Hermes e Dioniso; Kafla e laflianos, a costela de prata de Augusto dos Anjos. Destaco o trecho: [...] As verdades são ficções de que se esquece que o são, metáforas gastas, moedas que perderam a sua imagem. Falar a verdade significa usar as metáforas usuais, isto é, diz a verdade quem mente conforme convenções firmemente estabelecidas [...]. Veja mais aqui, aquiaqui.


A VACA AMARELA & A GALINHA BELISCONA NO TREM DO ABC – A escritora, pedagoga e orientadora educacional alagoana Socorro Cunha é autora de uma série de maravilhosos livros infantis. Algum tempo atrás ela concedeu uma entrevista pro Brincarte do Nitolino. Confira aquiaqui e aqui.


VERSOS: MARIA MULHER – O professor, advogado e poeta pernambucano João Lins (que eu conheço de longa data e que se assina João Batista Lins de Oliveira, o amigirmão João Patinhas) é autor do livro Maria Mulher (Outras Palavras, 1995), do qual destaco Versos: Faço versos soltos, / versos loucos; / versos que me fundem a cuca / e me entortam o cerebelo; / versos que ao saírem / se perdem em meus delírios / e me encaracolam os cabelos. / Faço versos que nem sei se são versos: / versos nascidos no corre-corre do dia, / perdidos na angustia da noite / e achados no silêncio da madrugada. Veja mais aqui e aqui.


VIOLA EMPRENHADA – Agora estou curtindo uma obra indescritivelmente maravilhosa do meu amigo, cantor, músico e compositor Teco Seade: Viola Emprenhada. Quer curtir e comprovar? Clique aqui. E veja mais desse excelente talento aqui e aqui.

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER – O livro A insustentável leveza do ser (Rio Gráfica, 1983), do escritor tcheco Milan Kundera, eu ganhei do meu amigo Gilberto Melo. Livro que li avidamente e do qual destaco esse trecho: O eterno retorno é uma ideia misteriosa, e Nietzsche, com essa ideia, colocou muito filósofos em dificuldade: pensar que um dia tudo vai se repetir tal como foi vivido e que essa repetição ainda vai se repetir indefinidamente! O que significa esse mito insensato? O mito do eterno retorno nos diz, por negação, que a vida que vai desaparecer de uma vez por todas, e que não mais voltará, é semelhante a uma sombra, que ela é sem peso, que está morta desde hoje, e que, por mais atroz, mais bela, mais esplendida que seja, essa beleza, esse horror, esse esplendor, não têm o menor sentido. Essa vida não deve ser considerada mais importante do que uma guerra entre dois reinos africanos do século XIV, que não alterou em nada a face do mundo, embora trezentos mil negros tenham encontrado nela a morte através de indescritíveis suplícios. Será que essa guerra entre dois reinos africanos do século XIV se modifica pelo fato de se repetir um número incalculável de vezes no eterno retorno? Sim, certamente: ela se tornará um bloco que se forma e perdura, e sua tolice será sem remissão [...]. Essa extraordinária obra foi adaptado para o drama cinematográfico The undearable lightness of being (1988), pelo diretor e roteirista estadunidense Philip Kaufman, com roteiro do autor do livro e também do diretor com Jean-Claude Carrière, música de Mark Adler e um elenco maravilhoso, do qual, neste momento destaco o papel desempenhado pela linda atriz sueca Lena Olin na personagem Sabina. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.



Veja mais sobre:
Alguma coisa assim..., a música de Ken Burns, a pintura de Jules Joseph Lefebvre, O cinema de Esmir Filho & poemiudinho aqui.

E mais:
A divina encrenca de Juó Bananére, a Personologia de Murray, O sexo na história de Reay Tannahill, o teatrod e Borná de Xepa, a música de Zeca Baleiro, a pintura de Adélaide Labille-Guiard, Brenda Starr de Dale Messick, Brooke Shields & a poesia de Marcia Lailin aqui.
Gestão Tributária aqui.
Ensino Público no Brasil, Dificuldades de aprendizagem, Teoria e técnica em Arte-Terapia, O capital intelectual, a fotografia de Joe Wehner & a poesia de Chagas Lourenço aqui.
Falange, falanginha, falangeta, a literatura de Lou Andres-Salomé, O voto da mulher na Nova Zelândia & Kate Wilson Sheppard, a música de Arthur Honegger, Dafne & Chloe & a pintura de Louis Hersent, Olivia Wilde, as crônicas de Luiz Eduardo Caminha & o Programa Tataritaritatá aqui.
Fecamepa, a literatura de Georges Bataille, a poesia de Torquato Tasso & Viviane Mosé, a música de Ástor Piazzolla, o cinema de Bernardo Bertolucci, & Dominique Sanda, a arte de Wanda Gág & Mary Louise Brooks aqui.
Crença, a canção, a poesia de Gabrielle D´Annunzio, a literatura de Jack Kerouac, a música de Al Jarreau, A princesa que amava insetos, o desenho de Benício, Kristen Stewart, a pintura de José Antônio da Silva & Edgar Rice Burroughs aqui.
Big Shit Bôbras, a psicanálise de Carl Gustav Jung, a poesia de Giórgos Seféris & Cacaso, a música de Fito Páez, Anne Rice & Dana Delany, a pintura de Alexej von Jawlensky, Antônio Conselheiro & Canudos aqui.
Aventureiros do Una, Maurice Merleau-Ponty, Castro Alves & Eugênia Câmara, a literatura de Carlos Heitor Cony,a música de Sergei Rachmaninoff & Yara Bernette, a pintura de Jules Joseph Lefebvre & a arte deDiane Kruger aqui.
O brinde do amor, Paulo Freire, A música de Vanessa da Mata, Luciah Lopez & Havia mais que desejo na paixão feita do amor aqui.
Sexta postura, a poesia de Manuel Bandeira, a música de Al Di Meola, a escultura de Ambrogio Borghi, a arte de Juli Cady Ryan & Quando amor premia o sábado aqui.
Desencontros de ontem, reencontros amanhã, a música de Gonzaguinha, a poesia de William Blake & Gleidstone Antunes, a pintura de Duarte Vitória & Alô, Congresso Nacional, ouça quem o elegeu aqui.
O que é ser brasileiro, Hannah Arendt, a pintura de Alex Grey, a música de Carol Saboya & Quem faz e não sabe o que fez é o mesmo que melar na entrada e na saída e nem se lembrou de limpar, que meladeiro aqui.
Pra quem nunca foi à luta, está na hora de ir, a música do Duo Graffiti, a escultura de Phillip Piperides, a pintura de Tracey Moffatt & a arte de Tanise Carrali aqui.
A lição de cada amanhecer, a música de Anne Schneider, a lenda da origem do Solimões, a pintura de Alice Soares, a escultura de Lorenzo Quinn, O Lobisomem Zonzo & Edla Fonseca aqui.
O cordão dos a favor & os do contra, a música de Jorge Ben Jor, a arte de Hélio Oiticica, Vampirella & Forrest J. Ackerman, a poesia de Eliane Queiroz Auer & Lia Kosta aqui.
O certo & o errado no reino das ideologias, a poesia de Hélio Pellegrino, a música de Nobuo Uematsu, a pintura de Raoul Dufy, a arte de Mat Collishaw & Danicleci Matias Souza aqui.
Versos à flor da pele na prosa de um poema, o cinema de Jean-Luc Godard, a escultura de Bertel Thorvaldsen, a música de Sharon Corr, a poesia de Elke Lubitz & a arte de Luciah Lopez aqui.
Vivo & a vida com tudo e todos, Helena Antipoff, a música de Dominguinhos, a pintura de Angel Otero, a escultura de Gutzon Borglum, a fotografia de Roman Pyatkovka & Nayana Andrade aqui.
História da mulher: da antiguidade ao século XXI aqui.
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quarta-feira, dezembro 31, 2014

PAULA SIMONETTI, LAUREN KATE, MARIANNE WILLIAMSON, JORDAN PETERSON, BASUKI & LITERÓTICA


 


CAPÉI, A DEUSA SELENE – A noite saiu do coco de Tucumã e a moça das águas da cachoeira, sozinha no fundo dos bosques, acendeu os vaga-lumes e à beira do lago sua imagem influenciou a natureza e regulou as marés, a germinação das sementes, o fluxo das mulheres, o nascimento das crianças e dos bichos e o brilho de certas pedras de cor. E a moça branca das águas da cachoeira vivia sozinha no fundo dos bosques, o meu amor proibido. Sua lágrima se fez Amazonas e alumiou meus versos de ermitão. E eu a segui até o terminadouro, navegante solitário, seguindo seus passos até me envolver em seu breu para nunca mais raiar o dia. Nela eu virei tetéu e se fez eterna guardiã para cantá-la: quero-quero e pra vigiar a volta do sol. E cantando comigo me fez Selenito, andejo da noite em que a coruja segura o ponta do céu como se o meu amor tivesse ido e se foi, o meu amor já se foi, já foi, foi... Era ela nua aos meus pés pagãos, um discípulo que dela se apropriou: ela diz que sou seu amor, ninguém sabe, desde então ela sempre me amou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aquiaqui e aqui.

  


DITOS & DESDITOS - Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente esperando resultados diferentes. Não há progresso sem mudança de atitude. É melhor se arrepender de algo que você fez do que se arrepender de algo que não fez. O que define você é o que você faz quando se sente mais entediado... Pensamento do psicólogo, escritor e professor canadense Jordan Peterson, autor da obra Maps of Meaning: The Architecture of Belief (Routledge, 2000). Veja mais aqui.

 

ALGUÉM FALOU: O amor é com o que nascemos. O medo é o que aprendemos. A jornada espiritual é o desaprendizado do medo e dos preconceitos e a aceitação do amor de volta em nossos corações. O amor é a realidade essencial e nosso propósito na terra. Estar consciente disso, experimentar o amor em nós mesmos e nos outros, é o sentido da vida. O significado não está nas coisas. O significado está em nós... Pensamento da escritora estadunidense Marianne Williamson. Veja mais aqui.

 

QUEDA - [...] A confiança é, na melhor das hipóteses, uma busca descuidada. Na pior das hipóteses, é uma boa maneira de morrer. [...] A única maneira de sobreviver à eternidade é poder apreciar cada momento [...] Você sabe que todo mundo adora odiar um casal feliz de pombinhos. [...]. Trechos extraídos da obra Fallen (Galera, 2010), da escritora estadunidense Lauren Kate, que na obra Torment (Ember, 2011), expressou que: [...] Às vezes, coisas bonitas surgem em nossas vidas do nada. Nem sempre conseguimos entendê-los, mas temos que confiar neles. Eu sei que você quer questionar tudo, mas às vezes vale a pena ter um pouco de fé. [...] O amor nunca morre [...] A solidão no meio de uma multidão era o pior tipo de solidão, mas ela não conseguia evitar. [...]. Já na obra Rapture (Delacorte, 2014), expressou que: [...] Quero que você saiba que eu faria tudo de novo. Eu escolherei você todas as vezes. [...]. E na Passion (Ember, 2012), expressou que: […] Amarei você de todo o coração, em cada vida, em cada morte. EU não estarei vinculado a nada além do meu amor por você [...]. Além disso é autora de frases como: A sabedoria segura uma vela para a experiência, mas você tem que pegar a vela e caminhar sozinho... O passado é importante por todas as informações e sabedoria que contém. Mas você pode se perder nisso. Você precisa aprender a manter o conhecimento do passado com você enquanto busca o presente...

 

EU NÃO VOU FALAR - vou falar sobre outra coisa \ nunca é isso \ não vou te falar \ Suficiente \ Eu vou te desenhar assim sutil \ paraíso de papel \ sem te contar sobre os piolhos ou os sonhos \ o olhar que se abre para uma breve infância \ vou falar \ sobre as redes \ os rosários \ talvez você não reze \ que você não balançou \ ontem \ Manhã \ nunca \ Não vou retomar a conta \ hematomas que desaparecem, mas para dentro \ explodir novamente no gesto das crianças \ de seus filhos e ad eternum \ Vou esquecer mais tarde quando estiver falando \ a ninguém \ por Picasso \ isso \ machuca \ não sua mão firme como \ a rigidez de um louco \ você virou o rosto e outro voltou \ de uma só vez, seu filho se tornou um homem \ Você não vai me dizer que eles são crianças \ vou falar sobre outra coisa \ embora eu volte \ para este alfabeto \ que só fala de você e da minha infância \ nada mais \ não diz o suficiente \ Não foi feito para dizer o suficiente \ Não vou falar do golpe e da marca \ a maneira como sua mão esmaga o gesto \ do seu filho como se ele fosse uma mosca de verão \ Vou falar sobre a maneira como sua mão \ surge de dentro do poema \ e desfaz. Poema extraído da obra En la boca de los tristes (Editorial Lo que Vendrá, 2014), da poeta e professora Paula Simonetti.

 

AS MULHERES DE BASUKI ABDULLAH

A arte do pintor e professor indonésio Fransiskus Xaverius Basuki Abdullah (Muhammad Basuki Abdullah - 1915- 1993), espancado até a morte por três agressores durante a invasão de sua casa em Jacarta.

 

SACADOUTRAS

 


Ouvindo Alô, Alô, Marciano, de Rita Lee (1947-2023), na voz da inesquecível Elis Regina.

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
Alô, alô, marciano
A crise tá virando zona
Cada um por si todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down the high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
Alô, alô, marciano
A coisa tá ficando ruça
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá pra atola, Alá
Tá cada vez mais down the high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Ui, gente fina é outra coisa, entende?
Down, down, down
High society
Down, down, down, down, down
High society
Hoje não se fazem mais countries como antigamente, não é?
High society, high society, high society, high society
Down, down, down
High society
Down, down, down, down down
High society
Ai que chique é o jazz, meu Deus
Down, down, down
High society
Down, down, down
Ah, Deus
(Alô, Alô, Marciano, Rita Lee e Roberto de Carvalho), Veja mais aqui.


Imagem: Nu allongé, do pintor francês Henri Matisse (1869-1954)

O SENTIMENTO TRÁGICO DE UNAMUNONão basta pensar, é preciso sentir nosso destino [...] A filosofia é um produto humano de cada filósofo, e cada filósofo é um homem de carne e osso que se dirige a outros homens de carne e ossos como ele. Faça o que fizer, filosofa, não apenas com a razão, mas com a vontade, com o sentimento, com a carne e com os ossos, com toda a alma e todo o corpo. Filosofa o homem. [...] A fé, a vida e a razão se necessitam mutuamente. O anseio vital não é propriamente problema, não pode adquirir estado lógico, não pode formular-se em proposições racionalmente discutíveis, mas se coloca a nós, como a nós se coloca a fome. Um lobo que se lança sobre a sua presa para devorá-la ou sobre a loba para fecundá-la também não pode colocar-se racionalmente, e como problema lógico, seu impulso. [...] Por minha parte, não quero celebrar a paz entre meu coração e minha cabeça, entre minha fé e minha razão; quero que combatam entre si. [...] Não faltará a tudo isso quem diga que a vida deve submeter-se à razão, ao que responderemos que ninguém deve o que não pode, e a vida não pode submeter-se à razão. “Deve, logo pode”, replicará algum kantiano. E contra-replicaremos: “Não pode, logo não  deve.” E não pode porque a finalidade da vida é viver, não compreender. [...] Aumentando o amor, esta ânsia ardorosa de ir mais longe e mais fundo vai-se estendendo a tudo o que se vê, a tudo o que se vai compadecendo de tudo. À medida que vais penetrando em ti mesmo, e mais fundo desces em ti mesmo, vais descobrindo a tua própria futilidade, que não és tudo o que não és, que não és o que gostarias de ser, que, em suma, não és mais do que uma ninharia. E ao tocares no teu próprio nada, ao não sentires o teu fundo permanente, ao não atingires nem a tua própria infinitude nem, mesmo, a tua eternidade, tendo lástima de todo o coração a ti próprio, inflamas-te em doloroso amor por ti mesmo, matando o que se chama amor-próprio, e não é mais do que uma espécie de deleite sensual de ti mesmo, algo assim como a carne da tua alma a gozar-se a si mesma. O amor espiritual a si mesmo, a compaixão que uma pessoa adquire para consigo própria, poderá, porventura, chamar-se de egotismo; mas é o que de mais oposto existe ao vulgar egoísmo. Porque deste amor ou compaixão de ti próprio, deste intenso desespero, porque, do mesmo modo que não eras antes de nasceres, também depois de morreres não serás, passas a ter compaixão, isto é, a amar todos os teus semelhantes e irmãos, em aparência miseráveis sombras que desfilam do seu nada ao seu nada, chispas de consciência que brilham um momento nas infinitas e eternas trevas. E dos demais homens, teus semelhantes, passando pelos que são mais semelhantes a ti, pelos que contigo convivem, vais-te compadecer de todos os que vivem, e até daquilo que, porventura, não vive, mas existe. Aquela longínqua estrela que brilha durante a noite, lá no alto, há-de apagar-se algum dia, e tornar-se-á pó, e deixará de brilhar e de existir. E, como ela, todo o céu estrelado. Pobre céu! E se é doloroso ter de deixar de ser algum dia, mais doloroso seria, talvez, continuar a ser sempre o mesmo, e só o mesmo, sem poder ser outro ao mesmo tempo, sem poder ser ao mesmo tempo tudo o resto, sem poder ser tudo. Se olhares para o universo do modo mais próximo e profundo que puderes olhar, que é em ti próprio; se sentires, e não só comtemplares, todas as coisas na tua consciência, onde todas elas deixaram a sua dolorosa marca, atingirás as profundezas do tédio da existência, o poço da vaidade das vaidades. E é assim como chegarás, a compadecer-te de tudo, ao amor universal. Para amares tudo, para teres compaixão de tudo, do humano e extra-hunamo, do que vive e não vive, é necessário que sintas tudo dentro de ti mesmo, que personalizes tudo. Porque o amor personaliza tudo quanto ama, tudo aquilo de que se compadece. Só nos compadecemos, isto é, só amamos, o que se nos assemelha, e assim aumenta a nossa compaixão, e com ela o nosso amor pelas coisas, à medida que descobrimos as semelhanças que têm conosco. Ou, melhor, é o nosso próprio amor, que por si só tende a crescer, o que nos revela essas semelhanças. Se consigo compadecer-me e amar a pobre estrela que um dia desaparecerá do céu, é porque o amor, a compaixão, me faz sentir nela uma consciência, mais ou menos obscura, que a leva a sofrer por não ser mais do que uma estrela e por ter de deixar de o ser, um dia. Pois toda a consciência o é de morte e de dor. Consciência, conscientia, é conhecimento partilhado, é consentimento, e con-sentir é con-padecer. O amor personaliza tudo o que ama. Só é possível apaixonarmo-nos por uma ideia personalizando-a. E quando o amor é tão grande e tão vivo e tão forte e transbordante que tudo ama, então, ele tudo personaliza, e descobre que o Todo total, o Universo, também é Pessoa. Tem uma Consciência, Consciência que, por sua vez, sofre, se compadece e ama, isto é, é consciência. E esta Consciência do Universo, que o amor descobre personalizando tudo o que ama, é o que chamamos Deus. E assim a alma compadece-se de Deus e sente que Ele se compadece dela, ama-o e sente-se amada por Ele, dando abrigo à sua miséria no seio da miséria eterna e infinita, que é, ao eternizar-se e tornar-se infinita, a própria felicidade. Deus é, pois, a personalização do Todo, é a Consciência eterna e infinita do Universo. Consciência presa da matéria e esforçando-se por se libertar dela. Personalizamos o Todo para nos salvarmos do Nada, e o único mistério verdadeiramente misterioso é o mistério da dor. A dor é o caminho da consciência, e é por ela que os seres vivos atingem a consciência de si. Porque ter consciência de si mesmo, ter personalidade, é saber-se e sentir-se distinto dos outros seres, e só se consegue sentir essa distinção com o choque, com a dor maior ou menor, com a sensação do próprio limite. A consciência de si mesmo não é mais do que a consciência da própria limitação. Sinto-me eu mesmo ao sentir que não sou os outros; saber e sentir até onde sou é saber onde deixo de ser, e a partir de onde não sou. E como saber que se existe não sofrendo nem muito nem pouco? Como voltar sobre si, lograr consciência reflexa, senão através da dor? Quando se tem prazer, esquecemo-nos de nós próprios, de que existimos, entramos noutra coisa, alienamo-nos. E só nos ensimesmamos, voltamos a nós próprios, a sermos nós, na dor. (Miguel de Unamuno y Jugo [1864-1936], O sentimento trágico da vida. São Paulo: Martins Fontes, 1996). Veja mais aqui.


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