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terça-feira, dezembro 30, 2014

ESTHER DUFLO, NUSSBAUM, BYUNG-CHUL HAN, PAULO FREIRE, BRECHT & MARY ASTOR

 


O FASCÍNIO DA MAMA KILLA - Nasceu no Titicaca a filha do criador de todas as coisas, ela me vigiava e eu não sabia. Ali perto morava Ka-Ata-Killa, eu sabia, vez em quando a via e seus olhos refletiam uma luz magnífica além de toda imaginação, como se deles emergisse um metal huaca, um artefato letal e divino a iluminar o meu andino céu noturno. Pela luz dela eu navegava até bem longe e da janela dela ela me via pescador errante pelas noites e dias. Numa curva do rio, do nada, ela a mim se revelou. E veio com todo esplendor pra me fazer Endymion na sua nudez Selene de todos os céus e o reino de todas as águas. E na sua boca a delícia da felação de todas as mais gulosas apaixonadas, dos seus seios a oferta e amparo de todos os pomares e jardins, de suas pernas todos os caminhos pra seguir, de suas coxas todas as rotas dos prazeres e da felicidade. Estava assustado porque havia me levado pro templo nas profundezas da selva, mas dali não arredei nem dela quis fugir. Enganou-se comigo porque não resisti nem a rejeitei, ela assim pensou e me sequestrou. Em seu espelho mágico insistia em me perguntar: Você me ama? E não podia mentir nem esconder minha verdadeira natureza. Apesar de temeroso a desejava e temeu que mentisse e enlouquecesse, tão desesperada soltou seus raios e um cataclisma quase me fez sucumbir, como se fosse atacada por um ente celestial ou um espírito maligno e desmaiei. Ao despertar estava no alto do céu diante da Mãe da lua que me fez Inti, irmão e marido, na corte celestial, e compreendia todos os meus desejos e temores. A Tríplice deusa no Templo do Sol, deu-me amparo nas nevadas altitudes do Andes e se fez Mama Killa, a bela mulher, mãe do firmamento a dar-me toda prosperidade do Tawantinsuyu. E se fez Mama Ocllo toda lua cheia e do seu ventre o fervor de todas as mulheres casadas e virgens, viúvas e solitárias, que teciam o destino atravessando o tempo e todos os meus espaços no eclipse da nossa comunhão auspiciosa e temível no festival do meu sacrifício por todos os seus domínios e atributos. E se fez Mama Cocha, a ordem após o caos, e do seu gozo a grandeza dos orgasmos de todas as fiéis seguidoras no culto ao Sapa Inca pelos ciclos de destruição e renascimento do mundo. E feito Capéi me fez Selenito amparado indefeso em seu corpo nu. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui

 


FALEI EQUIDADE: A equidade é o reino do outro na heterogeneidade, porque o outro do outro sou eu, assim comungamos, assim vivermos (LAM). Já dizia Paulo Freire: Se nossa opção é progressista, \ se estamos a favor da vida e não da morte, \ da equidade e não da injustiça, \ do direito e não do arbítrio, \ da convivência com o diferente e não de sua negação, \ não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção. \ (Nossas escolhas). Veja mais aqui e aqui.

 

DITOS & DESDITOS - A pobreza não é apenas uma condição econômica, mas também uma privação de oportunidades. A economia deve centrar-se na melhoria do bem-estar das pessoas e não apenas no crescimento do PIB. A igualdade de gênero é crucial para o desenvolvimento e o progresso económico. A pobreza não é inevitável nem imutável, pode ser erradicada. A educação é a arma mais poderosa para quebrar o ciclo da pobreza. Pensamento da economista francesa Esther Duflo, co-fundadora e diretora do Laboratório de Ação contra a Pobreza Abdul Latif Jameel e professora de Economia da Alívio à Pobreza e Desenvolvimento no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Empatia e compaixão são a base de uma sociedade justa e equitativa. O respeito pelos outros é essencial para uma coexistência pacífica e harmoniosa. O amor e a amizade são elementos fundamentais na vida humana e devemos cuidar deles e cultivá-los. A arte e a literatura nos ajudam a desenvolver nossa imaginação e compreensão dos outros. A educação é o motor do progresso social e pessoal. Pensamento da filósofa estadunidense Martha Nussbaum.

 

SOCIEDADE DO CANSAÇO - [...] A reclamação do indivíduo depressivo “Nada é possível” só pode ocorrer numa sociedade que pensa: “Nada é impossível”. [...] A aceleração da vida contemporânea também desempenha um papel nesta falta de ser. A sociedade do trabalho e da realização não é uma sociedade livre. Gera novas restrições. Em última análise, a dialética entre senhor e escravo não produz uma sociedade onde todos sejam livres e também capazes de lazer. Pelo contrário, conduz a uma sociedade de trabalho em que o próprio senhor se tornou um escravo trabalhador. Nesta sociedade de compulsão, todos carregam dentro de si um campo de trabalho. Este campo de trabalho é definido pelo facto de se ser simultaneamente prisioneiro e guarda, vítima e perpetrador. A pessoa se explora. Significa que a exploração é possível mesmo sem dominação. [...] A sociedade de hoje não é mais o mundo disciplinar de Hospitais, hospícios, prisões, quartéis e fábricas de Foucault. Há muito que foi substituído por outro regime, nomeadamente uma sociedade de estúdios de fitness, torres de escritórios, bancos, aeroportos, centros comerciais e laboratórios genéticos. A sociedade do século XXI já não é uma sociedade disciplinar, mas sim uma sociedade de realizações [Leistungsgesellschaft]. Além disso, seus habitantes não são mais “sujeitos de obediência”, mas “sujeitos de realização”. Eles são empreendedores de si mesmos. [...] Nas redes sociais, a função dos “amigos” é principalmente aumentar o narcisismo, concedendo atenção, como consumidores, ao ego exibido como uma mercadoria. [...] Se o sono representa o ponto alto do relaxamento corporal, o tédio profundo é o auge do relaxamento mental. Um Rush puramente agitado não produz nada de novo. Reproduz e acelera o que já está disponível. [...] A violência da positividade não priva, ela satura; não exclui, esgota [...] A depressão – que muitas vezes culmina em esgotamento – decorre de uma autorreferência excessiva, superexcitada e excessiva que assumiu características destrutivas. O sujeito exausto e depressivo da realização se desgasta, por assim dizer. Está cansado, exausto por si mesmo e em guerra consigo mesmo. Totalmente incapaz de dar um passo para fora, de ficar fora de si mesmo, de confiar no Outro, no mundo, ele trava suas mandíbulas sobre si mesmo; paradoxalmente, isso leva o eu ao vazio e ao esvaziamento. Ele se desgasta em uma corrida desenfreada que corre contra si mesmo. [...]. Trechos extraídos da obra Müdigkeitsgesellschaft - The Burnout Society (Matthes & Seitz Berlin, 2010), do filósofo e ensaísta sul-coreano Byung-Chul Han. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

UMA VIDA NO CINEMA - [...] Admiro a nudez e gosto de sexo, assim como muitas pessoas na década de trinta. Mas, para mim, a superexposição embota a diversão... O sexo como algo belo pode desaparecer em breve. Uma vez que era uma faca tão finamente afiada, o fio ficava invisível até ser tocado e então cortar profundamente. Agora é tão rombudo que apenas machuca e deixa marcas feias. A nudez é aceitável na privacidade do meu quarto com o parceiro apropriado. Ou para um modelo em aula de vida na escola de artes. Ou conforme retratado em pedra e tinta. Mas não gosto que seja usado como piada ou para excitar. Ou seja tão franco sobre isso. [...]. Trecho extraído da obra A Life On Film (Bantam Doubleday Dell, 1972), da atriz estadunidense Mary Astor (Lucile Vasconcellos Laghanke - 1906-1987), que também se expressa: Nunca admita nada para ninguém. Honestidade não é a melhor política... Veja mais aqui e aqui.

 

É PRECISO AGIR - Primeiro levaram os negros \ Mas não me importei com isso\ Eu não era negro\ Em seguida levaram alguns operários\ Mas não me importei com isso\ Eu também não era operário\ Depois prenderam os miseráveis\ Mas não me importei com isso\ Porque eu não sou miserável\ Depois agarraram uns desempregados\ Mas como tenho meu emprego\ Também não me importei\ Agora estão me levando\ Mas já é tarde.\ Como eu não me importei com ninguém\ Ninguém se importa comigo. Poema do dramaturgo, encenador e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

SACADOUTRAS

 

A LIÇÃO DO OLHAR DE NIETZSCHE – [...] Eu apresento a partir de agora, para não perder o meu jeito afirmativo, este jeito que só tem a ver mediada e involuntariamente com a contradição e a crítica, as três tarefas em virtude das quais se precisa de educadores. Tem-se de aprender a ver, tem-se de aprender a pensar, tem-se de aprender a falar e escrever: o alvo em todas as três é uma cultura nobre. Aprender a ver: acostumar os olhos à quietude, à paciência, a aguardar atentamente as coisas; protelar os juízos, aprender a circundar e envolver o caso singular por todos os lados. Esta é a primeira preparação para a espiritualidade: não reagir imediatamente a um estímulo, mas saber acolher os instintos que entravam e isolam. Aprender a ver, assim como eu o entendo, é quase isso que o modo de falar não-filosófico chama de a vontade forte: o essencial nisso é precisamente o fato de poder não "querer", de poder suspender a decisão. Toda ação sem espiritualidade, bem como toda vulgaridade repousa sobre a incapacidade de sustentar uma oposição a um estímulo - o "precisa-se reagir" segue-se a cada impulso. Em muitos casos, uma tal necessidade já é prova de um caráter doentio, de decadência, de um sintoma de esgotamento. – Quase tudo que a rudeza não-filosófica denomina com o nome de "vício" é meramente aquela incapacidade fisiológica de não reagir. Uma aplicação do ter-aprendido-a-ver: à medida que nos tornamos um destes que aprende, nos tornamos em geral lentos, desconfiados e resistentes. Deixa-se inicialmente advir todo tipo de coisa estranha e nova com uma quietude hostil - se retirará a mão daí. O ter todas as portas abertas, o deitar de bruços submisso diante de todo e qualquer pequeno fato, o inserir-se e o lançar-se sempre pronto para o salto no diverso, em resumo a célebre "objetividade moderna" é de mau gosto, é não-nobre par excellence. (Friedrich Nietzsche, Crepúsculo dos ídolos). Veja mais aqui, aqui e aqui.

Imagem: A seated female nude, possibly Mademoiselle Marie-Gabrielle Capet, 1815, do pintor francês François-André Vincent (1746-1816).



Ouvindo Concerto nº 1 para piano, do compositor russo Dmitriy Borisovich Kabalevskiy (1904-1987).

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiogo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá Especial de Ano Novo com muita festa e a apresentação da querida Meimei Corrêa. E com as seguintes atrações na programação: Egberto Gismonti, Pat Metheny, Quinteto Armorial, Sonia Mello, Clara Redig, Meimei Corrêa, Rosana Simpson, Katya Chamma, Tatiana Cobbett & Marcoliva, Ricardo Machado, João Pinheiro & Hermila Guedes, Auri Viola, Lyara Velloso, Dery Nascimento & Paulinho Pedra Azul, Alex Rios, Wilson Monteiro, Mazinho, Cikó, Zé Linaldo, Ozi dos Palmares, Paulinho Natureza & Sandra Regina Alves Moura, JB, Tirso Florence de Biasi & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Ano Novo
Quando? Hoje, terça, 30 de dezembro, a partir das 21hs (horário de Brasília)
Onde? No MCLAM -
Apresentação: Meimei Corrêa



SACADAS DO CASCUDO – O historiador, antropólogo, advogado e jornalista Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), além de uma personalidade das mais maravilhosas da cultura brasileira, também tirava das suas: “O Brasil não tem problemas, só soluções adiadas”, “Não se assombre, em Natal eu sou o único pecador profissional. Os outros são amadores” e mais essa: “Não me interessei por nada no mundo. Daí a minha fidelidade mental ao meu trabalho. Sou um brasileiro feliz, diz Diógenes. Vivia minha vida e não a vida indicada pelos outros. Não fui o que quiseram, fui o que senti, a volição de ser. Hoje, sou um resto de idade, estou fora do ar, tenhos dias eufóricos, compreendeu? O trabalho para mim não era maldição. Era como o trabalho gostoso de fazer um filho. Prazer”. E vamos aprumar a conversa e tataritaritatá! Veja mais aqui.


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História do Feminismo, Feminino/Masculino, Pluralidade da Família, Psicologia Escolar & Educacional aqui.
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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sexta-feira, setembro 24, 2010

EYVIND JOHNSON, COVENTRY PATMORE, MAX NORDAU, SALLY STRUTHERS, FRANÇOIS-ANDRÉ VINCENT & IGREJA BIDIÔNICA DO FINAL DOS TEMPOS

 
A arte do pintor francês François-André Vincent (1746-1816).

DITOS & DESDITOSA banalidade é apenas originalidade embotada pelo uso excessivo. O artista escreve, pinta, canta ou dança a carga de alguma ideia ou sentimento fora de sua mente. É bom ficar sozinho pois fertiliza o impulso criativo. Pensamento do físico e escritor húngaro Max Nordau (1849-1923).

ALGUÉM FALOU: Se um homem é visto cortando o peito de uma mulher, ele recebe apenas uma classificação R; mas se, Deus proibir, um homem ser fotografado beijando o seio de uma mulher, ele recebe uma classificação X. Por que a violência é mais aceitável que a ternura? Indagação da atriz e ativista estadunidense Sally Struthers.

O TEMPO ATUAL DE SEMPRE - No mundo de hoje, no nosso tempo, sentimos que o sofrimento, a angústia, os tormentos do corpo e da alma, são maiores do que nunca foram na história da humanidade. Percepção do escritor sueco e Prêmio Nobel de Literatura de 1974, Eyvind Johnson (1900-1976);

REALIDADE DO AMOR - Eu ando, confio, com os olhos abertos; / Eu andei metade do deserto terrestre; / Esconde-se atrás dos meus passos / Muita vaidade e algum remorso; / Eu vivi para sentir o orgulho dos espíritos, / Ancorados um ao outro como a mão na luva; / Eu corei do castelo do amor, / Eu nunca acreditei nele, mesmo sem meu coração, / Eu nunca neguei o amor, a única coisa mortal / Cujo valor é eterno, imortal; / Eu nunca levei em conta erros, / Resíduos que cantam terrores, / Indigno de uma canção grave; / E o amor é minha recompensa, por enquanto, / Quando a maioria dos espectros reclama, / Murta floresce na minha testa, / E seu perfume se enraíza em minha mente. Poema do poeta e crítico britânico Coventry Patmore (1823-1896).


IGREJA BIDIÔNICA DO FINAL DOS TEMPOS – REVELATUM, A HIEROFANIA: Era uma manhã ensolarada de terça-feira de junho de um ano lá de não sei quando, quando ele, o então menino sapeca e treloso estava todo engomado do gogó à braguilha, atacado de todos os botões nas casas da gola aos punhos, e alinhado num vinco da cintura aos pés engraxados da botina e roupas domingueiras, tudo isso na brancura do tecido para a primeira comunhão. Estava impando de satisfação. Eita! Uma alegria incontida. Logo organizou-se a fila e lá ele com seus pares para o momento de sua introdução eclesiástica. Era o sonho dele. De já coroinha, era sempre levado por fantasias de ser o maioral da paróquia, efetuando batizados, casamentos, exorcismos, extrema-unção, cumprindo seus deveres de pároco só para servir aos desejos de sua fé inabalável. Era. De tão convicto, sabia seu futuro: uma autoridade católica, seja padre, bispo, arcebispo, cardeal, ou até mesmo papa, quem sabe? A cada passo da caminhada, ele aumentava de grau na hierarquia. E não via limites. Agora, o único desejo dele, era comungar e receber o sacramento católico para seguir sua vida.

Quando chegou lá, na sua vez, o padre, na frente de todo mundo disse:

- Você não pode comungar porque seu pai não é casado com a sua mãe. Sai fora.

O mundo caiu. Como é?

- Bora, bora, se avie! Ainda têm muitos outros para comungar. Arreda!!!

Ele não enxergava nada, não ouvia nada, não entendia nada. Nessa hora, justo no momento mais agudo da mais repressiva humilhação, ele teve a revelação. Quem sou eu? Onde estou? Todas as interrogações levaram ao toque divino, oriundo não sei de onde. Virou lobisomem, saci-pererê, a perna cabeluda, salaminguê! Virou gente, virou bicho, vira virou. O barco, ora mar, ora rio, acolá. Teve toda verdade desvelada!




Num átimo soube de tudo. Quem era? Já estava certo. Onde estava? Ali era o templo dos fariseus, precisava libertar o mundo da mentira. Toda metamorfose fez presente, depois pietista, vuduísta, animista, manista, totemista e se envultou. Quando desencarnou, a vida desfez cinza, nada. Foi quando re-encarnou, jejuou por 99 dias e no centésimo aprendeu que o sexo é o êxtase místico de retorno ao paraíso. Teve, então, a catarse! E com a consciência quântica, lavrou o Evangelho segundo Padre Bidião para que a humanidade seja salva da mentira e possa redimir de todos os equívocos dos filhos de Caim.




Foi aí que se viu unívoco e começou a questionar o fato de que Deus não criou o mundo no dia 23 de outubro de 4004ª.C, às 9hs. Era mentira. Tanto é que debateu com Copérnico, Darwin, Freud e Nietzsche e botou todo mundo no bolso. Mais tivesse para engalobar. Até Einstein virou seu adepto. Foi aí que ele saiu para resolver a questão e desancar o criacionismo ou sobrenaturalismo: eu sou deus e deus sou eu, e não criei nada.




Colocou, então, deus no seu devido lugar: onisciente, onipotente e onipresente. Depois, foi ter com a deusa Nammu que deu à luz na Suméria ao céu e a terra. Deu-lhe uma bimbada dela gozar eternamente. Deixou-la lá absorta, foi-se. E de lá até a deusa Inanna para semear a terra: outra gozada de deixar tudo florido. Mas, teco. E assim fez entre todos os mitos indígenas e de todas as povoações primitivas, premiando sempre e, deixando prevalecer, a todo momento, só o matriarcado. Iconoclasta, voltou-se pra si mesmo e se achou desencaminhado quando esteve nos Jardins do Éden. Tudo muito lindo até no paraíso perdido, na Terra Santa, na sua caminhada. Seu passeio planetário dava conta de tudo entre as populações de Sodoma e Gomorra, uma festa! Nunca trepou tanto na vida para exorcizar seus demônios. De lá até Danares, nas margens do Ganges; indo pras torres do tempo de Kandariya Mahalev, em Khujarao; por toda dinastia Ming, até mergulhar no Pólo Norte e ter seu batismo solitário no centro da terra. Depois de consagrado a si mesmo, percorreu mais até descer num mandado-de-deus para se amasiar com a viúva Khadidja e depois presenteá-la para Maomé. E daí fez a trajetória da fuga de Meca para Medina; e visitou eunucos velhos no suntuoso refúgio de Pa Pao Shan Golf Club onde findou carregado de poderes supramundanos e teve a certidão de que ele realmente é deus e deus é ele.




O CISMA, A CONVERSÃO – Estava ele só no mundo quando se encontrou com purusa, o homem primevo, antes mesmo do de Pequim e de apascentar os antropóides e os Ramapithecus. Nessa hora ele disse: evoluirás e crescerás! Tua semana semeará a terra! Foi aí que deu, mais adiante com Adão e Eva e devolveu para eles o paraíso com a naturalidade da vida: sexo, brigas & rock´nroll. Aí tiveram muitos filhos e a coisa quase findou como Romeu e Julieta. Agora era com eles, nem se tocou, a natureza humana que se virasse.




Foi aí que dominou o fogo para dar aos deuses, ensinou o cultivo aos agricultores do neolítico, inventou a roda e esteve com Gilgamesh aprendendo a como dar trato às mulheres. De lá, praticou hábitos zoofilíacos entre os mongóis, brigou com Ghazali por causa do “Conselho para os reis”, aprendeu a tábua da árvore da consangüinidade de Isidoro, contou prostitutas no templo com Hesíodo, humilhou com putarias sábias os pecados da carne de São Jerônimo e Santo Agostinho, abominando o Penitencial Cumeano e brigando com Santo Tomaz de Aquino por causa da “Declaração sobre certas questões concernentes à ética social”, alegando que não há sacanagem maior que a lei do levirato. Isso é um vitupério! – reclamou ele, dizendo: porque toda sodomia é a maior alegria do mundo e são saudáveis as práticas de zoofilia, incesto, onanismo, aborto e parafilias outras. Cada qual que faça o que lhe aprouver, ora!




Empunhando uma estatueta de Vênus, ele seduziu as mulheres de Bushman, do Kalahari, e foi atrás da índias Carrier menstruadas nas regiões ermas. Era o seu segundo batismo. Nisso, foi ter com Ishtar na Babilonia quando colocou um peixe quente no umbigo dela. O terceiro batismo. De lá, Isis no Egito, e mais danou peiada em Madalena, Nefertiti, Cleópatra, Medéia, até desembocar entre as tríbades na ilha de Leucas quando encontrou Safo que teve uma recaída fêmea e o levou para Lesbos. Foi a sua consagração. Lá teve acesso à Tábua de Esmeralda e o Corpus Hermeticum, aprendendo a mexer com o planeta e atravessar paredes. Foi quando se tornou trimegistos e teve entre as mãos a pedra filosofal. A revelação final. Aí se encontrou numa esquina com Zaratustra e aprendeu a ficar invisível. A evolução da maestria iniciática. Achando pouco, se envolveu com harimtus e ishtaritus na Babilonia, tendo contato com a doutrina Tao, o Caminho e a Senda Suprema da Natureza: “Se, em uma noite, ele puder ter intercurso com mais de dez mulheres, tanto melhor”. U-hu!! Estava feito, lavou a jega! Ué, melhor que isso só outro disso junto com uma carrada dessa em cima. Estava no apogeu da sua evolução mística. Nisso foi conduzido por uma amante insaciável hindu pela “Arte da Câmara de Dormir”, aprendendo os mínimos detalhes do uso da Haste de Jade na Fenda Dourada e tomando afrodisíacos como a droga da galinha calva, a poção do chifre do veado, a bílis do macaco preto e Mingau de Cachorro. Virou deus e Príapo e esteve no culto dos prostitutos homens de Judá, quando botou a venta pra Grécia numa competição com Heracles, saindo vencedor ao violar duma só vez e numa mesma noite 51 virgens. Era o deus de todos os deuses. Foi daí que encontrou com Jesus Cristo e este encaminhou para as servas de Afrodite, as hetairas insaciáveis que na verdade eram adeptas do mestre Tsung-hsuan e o iniciaram nas sendas de Ishtar, a deusa do amor. Cristo o batizou finalmente, nomeando-o o maior de todos. Virou, então, promiscuo entre as dançarinas de Bagdá, gozando das delícias de mais de 3 mil concubinas nas mil e uma noites dos haréns onde aprendeu todas as canções de amor árabe. Era a glória!



Imagem: Giuliano Romano


Quando deu por si, estava praticando a Sultana Valideh entre um bocado de assanhadas do harém otomano. Nem pestanejou e já estava enrabichado com Dama Pan Chao com quem dividiu noites libidinosas com a leitura do “Livro dos Ritos” de Confúcio, até que entediado se arretou com o puritanismo das “Tábuas de Méritos e Deméritos”. Deu o fora e se envolveu com cortesãs chinesas que o levaram para Shen te-fu na sala dos Budas Joviais. Daí foi ter no menir de Kerkloas onde uma jovem casadoura se escorregava nuínha da silva aos seus passos. Agarrou e fodeu até 600 dias encarreados. Insatisfeito, foi até a fonte sagrada de Besné, em Loire-Atlantique, onde uma sacerdotisa sexy passeou sua cheba nua pela venta dele e alinhou todos os planetas. Tacada de mestre! Não demorou muito e já era a profetiza Véleda se enroscando safada com ele, escondendo tudo na sua túnica negra, sua carne branca, olhos azuis, lábios rosados, longos cabelos louros, num teitei medonho de esbaldar nas pedras-do-diabo pelo dólmen de Potangis, em Marne. Ele perdeu-se dentro dela e só se achou quando chafurdou com Otávia, irmã do imperador Augusto. Por troco, foi buliçoso nas intimidades de Julia, filha do imperador Tito. E, de lambuja, enrabou uma ornatriz ninfomaníaca que recitava a Ars Amatória de Ovidio. Na saída, uma rameira romana enredou-lhe num prazer báquico de aprender a teoria da roleta do Vaticano numa noite de esbanjar em plena vigência da lei Oppiana. Tudo era seu.




Depois disso, nem 10% de tudo que ocorreu estava pronto para ser revelado duma vez só, mas foi quando teve com o mestre Tung-hsuan, com quem teve acesso ao Kamasutra de Vatsyayana, assimilando o hindu indiano, para quem o sexo é um dever religioso. Nessa hora estava por debaixo das vestes e nudez de Pavarti, a inacessível de muitas formas, num ritual da sati, quando aprendeu todos os ritos básicos tântricos hindus e do Mahabharata, entoando o mantra “A jóia está no lótus”, para ficar uno com o Mundo do Espírito em si.



A partir daí sua odisséia não teve mais fim.



Imagem: Giuliano Romano


Só para ter uma idéia, por exemplo, foi ele quem enquanto mordia a pele duma mourisca doida de pedra, ensinava Marco Polo a navegar. Foi ele quem satisfez Heloisa nas noites solitárias depois da castração de Abelardo. Foi ele quem se lambuzou nas carnes nuas da Madame de Pompadour que lhe ensinou política. Foi ele quem, depois de uma aventura descabelada com Ema, a fez presente para Flaubert. E por aí vai. Entre tantas outras, depois de um furunfado bom numa galega de 2 metros de altura, ensinou Donizetti a como fazer o Elixir do Amor. Também depois de se enfiar noites a fio nas carnes de Carlota Corday, preparou a jovem para assassinar Marat, quando escapuliu e deu uma cobra domesticada pro Goethe. Foi por aí que teve um affair com uma adepta da Eubiose, quando esteve com São João Bosco e deu um toque para que ele antevisse a criação de Brasília, se acochando num fumo-de-Angola com uns tapas bem dado no braquearo até fugir com uma madrasta fogosa inglesa que foi bater nua enrolada num morim na ilha da Máfia, no Índico. Lá acasalou com uma negona do cabelo-mal-com-cristo, todo Mané-gostoso se banhando em maceiós até chegar na Bahia, bater bombo no xangô e se engalfinhar com uma Maria Bonita noite a dentro nas umbigadas de uis e ais, todo capaz de mamar-em-onça e ensinando sanfona a Luis Gonzaga e puxando maior rastapé até levar um lero com o ET de Varginha e de lá bater com uma frochosa mineira em Copacabana, enquanto ensinava poesia pra Chico Buarque. São só pouquíssimos exemplos, nem o,10% do tanto que se pode contar do padre Bidião, principalmente quando ele amalucou e resolveu criar o seu templo bidiônico.


OS SÍMBOLOS BIDIÔNICOS:



A instalação da igreja deu-se quando ele recebeu Ankh, a cruz ansata.


O símbolo da igreja é o santo bode Frederiko. E todos seguem o Evangelho Segundo Padre Bidião.



Amparo do Céu, columba, principal vestal e guardiã do umbral.


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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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