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segunda-feira, janeiro 14, 2019

OSMAN LINS, VAULUIZO BEZERRA, FULÔ RASTEIRA, FRB, PADRE BIDIÃO & MARCELO COUTINHO

AS ÚLTIMAS DA FRB & PADRE BIDIÃO ANUNCIA A CHEGADA DE REFORÇOS – Após haver assumido a vice Toda-Poderosidade na Hierarquia Cósmica (veja a celebração aqui), o Padre Bidião revelou detalhes acerca das incomuns FRBs ultimamente detectadas pelos cientistas e imprensa internacional. Ele tratou logo de desclassificar a NASA por completa incompetência referente ao caso, sob a acusação de malversação do erário humano, bem como alguns astrônomos que querem se aproveitar da prestidigitação internacional. Para quem não sabe – ficará sabendo agora nada mais que a mais absoluta verdade –, FRB é a sigla britânica para rajada rápida de rádio recorrente que é um fenômeno astrofísico de alta intensidade energética, manifestada como um pulso de radio transitório e com duração de apenas pouquíssimos milissegundos, para não dizer um cabelinho de sapo de nada, com uma frequência de 400 MHz, melhor dizendo, uma coisinha de nada. Essas rajadas mostram a dispersão dependente da frequência consistente da propagação através de um plasma ionizado, ou seja, quase porranenhuma, só que encerra um dos códigos mais misterioriosos oriundos das ocultas transcomunicações da abissal profundidade universal. Depois de muitas discussões, chegou-se à conclusão de que, a esse respeito, só havia na Terra, em verdade, uma única autoridade capaz de desvendá-la: o Padre Bidião. Por isso mesmo, não se furtando ao assédio da imprensa, ele anunciou recentemente em coletiva realizada nos últimos dias que: - Atenção corriola, macacões & antenas a postos! Estão chegando reforços! Explicou ele nessa entrevista que o mundo anda de pernas pro ar! Enfatiza, então, que um estrupício anda se desenvolvendo entre catabis, golpes & maloqueragens, promovendo a maior crise megaplanetária da história. Especifica ele após enumerar as presepadas do Clone o-10PB (veja detalhes desse malefício aqui), acoloiado com o Trumpetudo & seu aliadíssimo achegado Coiso, afora conluios para as doidices de Kim Jong-il dos sapatos mágicos, o invisível Jose Eduardo dos Santos, as curas paranoicas de Yajya Jammeh, as perversões de Hassanal Bolkiah, a tenda de Muammar Gaddafi, a tirania de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, as transações de Than Shwe, a hediondez de Isaias Afewerki, a dança de Emomali Rahmon, a escravização de Islam Karimov, as viagens de Paul Biya, a adoração do rei Hamad Al-Khalifa, as extravagâncias do rei Abdullah, as jogadas de Omar Hassan al-Bashir, o bigodinho de Aleksander Lukashenko, as insânias do rei Mswati III & outras trepeças, direitismos e pacutias nos quatro cantos do mundo – e olhe que a Terra é redonda, viu? -, assinalou com veemência os devidos esclarecimentos a respeito, traduzindo trechos das supercomunicações e, ao mesmo tempo, evidenciou tratar-se das reuniões resultantes da sua nomeação como segundo e único substituto do Onipotente, com o objetivo de salvar os terráqueos. Pormenorizou que as ondas de rádio são resultantes dos relatórios enviados desde 2002, por planetas e reinos de galáxias lá nos cafundós das imensidões interestelares e há bilhões de anos luz de distância, alertando sobre a trágica situação por que passa o planeta. Revela que essa troca de informações interuniversais são do bem, pode crer; e que não possuem nenhuma ligação com a jactância do clone da pá-virada e seus sequazes fedorentos. Instado sobre as providências a serem tomadas, o pároco foi reticente ao anunciar a sagrada nomeação do professor doutor Marcelo Coutinho, na condição de assessor especial e direto para assuntos extraordinários e, ao mesmo tempo, tornando-o, além disso, o chefe do Comando Ultragaláctico da PorraToda, responsável pela formação da equipe receptora dos reforços para proceder à salvação da humanidade. Procurado por nossa reportagem, o ilustre professor depois de se esconder dos cliques e flashes, apenas acenou pros nossos jornalistas, cochichando fora das câmaras e gravadores que se encontra dedicado na escolha dos integrantes para realização de reuniões incomunicáveis, visando traçar os planos e estratégias para tal empreitada, anunciando futuros esclarecimentos para toda população mundial. Por enquanto, reafirma que tudo será feito para que chegue a bom termo os propósitos pluriuniversais de salvar o destino terráqueo. E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Esta é a verdade: agora eu estou só. Com mais um pouco, chegará a madrugada. As velas ficarão pálidas, os sinos dobrarão em tua homenagem; e, quando o sol vier, não iluminará teus olhos. Mais algumas horas e nossos conhecidos te levarão para o Campo. Estarão um pouco tristes, mas não podem imaginar que imensa perda eu sofri. Dirão entre si: “Tinha de ser. Um deles havia que ir primeiro…” E acharão que já sou muito idoso, que minha capacidade de sofrer se extinguiu e que não tardarei a seguir-te. [...] Quanto aos amigos, tu sabes muito bem que não mais os possuo. Uns morreram; outros acharam na velhice um agradável pretexto para se tornarem brigões ou dementes; e o resto me aborrece pela insistência em me fazer acreditar ser bem mais velho que eles. Só tu me restavas. Junto a ti eu podia ser eu mesmo, sem temor de parecer ridículo. Eras tu quem tinha a chave do meu caráter e do dom de encantar-me. (Mesmo a tua zombaria era uma forma de afeição.) E agora um duro silêncio te envolve e imobiliza. [...] Na minha idade, já não se pode ter pensamentos estranhos nem fazer confissões. Fica-se ridículo, querida. E eu tenho que aproveitar estes últimos momentos em que ainda estamos juntos. É a última oportunidade de falar-te, mesmo sem abrir os lábios, e contar as tolices que não contarei a ninguém. Quero te dizer, por exemplo, uma coisa esquisita, uma coisa que não compreendo: os fatos culminantes de nossas vidas, aqueles que nunca poderíamos chegar a esquecer, perderam hoje esse privilégio. [...] Mas eu não devia estar me lembrando dessas coisas. Talvez alguém tenha visto meu sorriso e julgará que não sinto a tua falta. “Ele não chorou — pensará. E agora, sorri. Está maluco; ou então nem sentiu.” Decerto, minha dor não é violenta. É cansada. Mas é tão vasta, tão desalentada e profunda… E vou ficar tão sozinho, querida…
Trechos do conto Elegíada, extraído da obra Os gestos (José Olympio, 1957), do escritor pernambucano Osman Lins (1924-1978). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A ARTE DE VAULUIZO BEZERRA
A arte do premiado pintor, escultor, curador e crítico de arte sergipano radicado na Bahia, Vauluizo Bezerra. O artista realiza sua arte desde 1970, ingressando na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, em 1976, e realizando sua primeira exposição individual na Galeria Pacce em 1978. Foi selecionado no Concurso para Projetos de Arte Experimental, em Salvador, em 1982 e realizou sua exposição individual em Munique, na Alemanha, em 1991. A partir de então realizou mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior, com obras em diversos museus brasileiros, sendo considerado um dos mais importantes da geração 70 da Bahia. Para conhecer melhor o seu trabalho clique aqui e aqui.

A MÚSICA DA FULÔ RASTEIRA
A banda Fulô Rasteira é formada pelos músicos Henrique Teixeira (Vocalista), Gabriel Uberti (Guitarrista, Back Vocal/Vocalista), Eduardo Ferreira (Sanfoneiro), Victor Sabino (Baixista), Jorge Luis (Baterista/Percussionista), Bruno Ferreira (Zabumbeiro) e Ewerton Ribeiro (Trianguleiro/Percussionista). A banda catendense possui um repertório reunindo o melhor do gênero musical nordestino com muita poesia condimentada com repentes notáveis e criativos.
&
Os milagres, gestão e saga do Padre Bidião aqui, aqui, aqui & aqui.
&
A arte de Paul Klee aqui
&
O teatro de Edward Albee aqui
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muito mais na Agenda aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, novembro 13, 2018

AGOSTINHO DE HIPONA, TONINHO HORTA, ALMEIDA JÚNIOR, FARPA, PADRE BIDIÃO & OUMUAMUA


PADRE BIDIÃO & O OUMUAMUA – Imagem: Confederação Intergaláctica dos Mundos Unificados e Livres - Um dia desses Deus estava preocupadíssimo com a condução dada ao planeta pelos humanos, achando por bem, por conta disso, de convocar o Padre Bidião para uma reuniãozinha costumeira para averiguação. Ao chegar diante do Altíssimo, o padre foi ajoelhar-se e logo interrompido pelo Todo-Poderoso: Deixe de seus pantins, você não precisa disso! Venha cá, dê-me um abraço apertado, meu amigo. O vigário então se dirigiu a Ele, abraçando-o afetuosamente. Conversaram animadamente, largaram pilhérias um com o outro, tudo na maior camaradagem, quando o Criador indagou: Como vão as coisas na nossa Amada Terra? Bem, Pai Eterno, os filhos de Caim... Eu sei, meu filho, estão passando da conta. Eu já avisei que o prazo para essas coisas findaria em 2020, correndo o risco dos humanos desaparecem dali em 2050, não foi? Foi, mas os filhos de Caim... Eu sei, vamos convocar uma reunião com todos os seres do Universo para ver o que podemos fazer por esses teimosos humanos. Onde poderíamos nos reunir? Bem, poderíamos... Já sei, no centro da Terra, porque na crosta terrestre corremos o risco de sermos atacados ou mesmo destruídos pelos terráqueos. Vou convocar todos os seres do Universo. E assim se deu. Numa bela manhã, num recanto paradisíaco do interior planetário, reuniram-se as inúmeras comitivas de seres intergalácticos, das mais distantes às mais próximas, que vieram atendendo à convocação do Onipotente. A grande maioria veio representada oficialmente por um ou dois casais, enquanto outras, a exemplo da população oriunda de Oumuamua aos milhares – alegando não ser possível perder a oportunidade de se encontrar diante de figura tão ilustre quanto a do padre - e de outras menos volumosas que se apressavam em participar daquele evento singular. A solenidade de abertura se deu com o anúncio feito pelo Redentor sobre a decisão de nomear o Padre Bidião na condição de substituto dele próprio Onipotente. Foi uma ovação, os milhões de presentes apaludiram por mais de horas a escolha. Por conta disso, a cerimônia de abertura durou uns quinze dias, vez que cada representação universal queria saudar o substituto com discursos de apoio. A mais demorada foi exatamente a dos representantes de Oumuamua que reiteraram continuamente o apoio irrestrito ao padre na sua empreitada de salvar a humanidade. Ao final, o padre foi chamado ao microfone celestial e proferiu um breve discurso: Tenho a honra de assumir o cargo de substituto do Onipresente, mesmo não sendo merecedor de tal deferência. Por outro lado, sei que a minha empreitada em salvar a humanidade será dificílima, mas estou feliz por receber o apoio de todos vocês, obrigado. Deu-se, então, início à reunião prevista na programação cosmogônica, para se encontrar uma saída para os humanos. Muitos debates, discussões, várias propostas foram apresentadas e nenhuma delas conseguiu ter a maioria dos votos e a aquiescência do Onicriador nem do Padre Bidião. A Grandeza Ubíqua então pediu uma sugestão ao nosso representante e Bidião assim se expressou: Como já dizia o nosso sábio Jesus: Pai, perdoai, eles não sabem o que fazem. Então, deixemos que nós, os filhos de Caim, resolvamos por nossa própria conta e risco o destino que quisermos tomar. Tenho dito, obrigado. Deus manifestou-se felicíssimo com a proposta, aplaudindo efusivamente: Assim que se fala! Para finalizar, o Padre Bidião foi convocando para coordenar uma sessão iniciática que durou cerca de três meses e ninguém queria arredar mais o pé dali. Foi preciso que o padre batesse o martelo: Está encerrada a sessão. Pronto, cada qual pro seu canto e fim de papo. Foi saudado por todos que se despediram aos gritos de bravo! E todos discretamente retornaram ao destino de origem, enquanto os integrantes de Oumuamua ficaram passeando sobre o nosso céu, admirando nossas belezas e lamentando o porvir. Por isso foram flagrados por nossas câmaras e tiveram que fugir às pressas, temendo serem capturados e escravizados em nossos domínios e, nessa correria, deixaram cair alguns pertences em nossos mares. Só agora que as tevês e cientistas deram conta do sucedido, tendo o padre Bidião que prestar alguns esclarecimentos para toda população planetária: Acalmem-se todos, não são inimigos, vieram para salvar a humanidade, mas infelizmente, a bronca é nossa e temos que resolver. Ninguém levou a sério, até piadas foram inventadas para escárnio do sucedido. Assim caminha a humanidade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] O que agora parece claro e evidente para mim é que nem o futuro, nem o passado existem, e é impróprio dizer que há três tempos: passado, presente e futuro. Talvez fosse mais correto dizer: há três tempos: o presente do passado, o presente do presente e o presente do futuro. E essas três espécies de tempos existem em nossa mente, e não as vejo em outra parte. O presente do passado é a memória; o presente do presente é a percepção direta; o presente do futuro é a esperança. Se me é lícito falar assim, vejo e confesso que há três tempos. Diga-se também que são três os tempos: presente, passado e futuro, como abusivamente afirma o costume. Não me importo, nem me oponho, nem critico o modo de falar, desde que fique bem entendido o que se diz, e que não se acredite que o futuro já existe e que o passado ainda existe. Uma linguagem que expresse com termos exatos é incomum: com muita freqüência falamos com impropriedade, mas entende-se o que queremos dizer. [...]
Trecho extraído do Capítulo XX – Conclusão das Confissões (Porto, 1981), do filósofo e teólogo latino do cristianismo, Agostinho de Hipona (354-430). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor e desenhista brasileiro Almeida Júnior (1850-1899).
Veja mais aqui.

AGENDA:
Festival de Artes Psicodélicas & Astrais (FARPA) – de 1 a 6 março de 2019, às 18hs, no Sítio Macuca – Correntes – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
Livros Infantis pras crianças neste final ano aqui.
&
A saga do Padre Bidião aqui.
&
A canção do poema que não fiz, Carl Gustav Jung, Erica Jong, Rémy de Gourmont, Johannes Itten & Maria Blanchard, São Benedito do Sul, Palmares & Adriano Sales, Moacir Santos, Érica Garcia, Jacob de Haan & Mawaca aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música do compositor, arranjador, produtor musical e guitarrista Toninho Horta: Terra dos Pássaros, Diamond Land, Minas Tókyo & com Orquestra Fantasma & muito mais nos mais de 2 milhões & 800 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.
 

segunda-feira, outubro 16, 2017

PRIMO LEVI, ALTHUSER, OSCAR WILDE, FERNANDA MONTENGRO, SÉRGIO AUGUSTO DE ANDRADE, NEUZA PARANHOS, APOLLONIA SAINTCLAIR & PADRE BIDÃO

OS MILAGRES DO PADRE BIDIÃO - Muito se tem falado a respeito dos milagres praticados pelo Padre Bidião. Eu mesmo nunca vi um sequer, mas que falam, falam. E muito! Pois bem. Certo dia o pároco adentra meu escritório e me pede uma bebida. Qual? Pode ser uísque mesmo, vá. Abri a portinhola da estante, peguei um copo e um litro do uísque que dispunha, coloquei sobre a mesa e me levantei para ir buscar gelo no frigobar. Precisa não, vou tomar caubói mesmo, podexá. Retornei e ele me fez pegar outro copo pra mim. Vamos brindar! Brindar o quê, padre? Seguinte: você é escritor e eu estou meio enganchado com o meu Evangelho, preciso de você para concluí-lo, acertado? Padre, ora, o senhor dispõe de gente da melhor cepa, não precisa de mim reles contador de história pra isso, ainda não sou escritor gabaritado para uma empreitada dessas, é muita responsabilidade. Deixe de conversa mole, vá, encha o copo, vamos brindar e virar duma vez. Assim fiz. Brindamos, vira, vira, vira, vira, vira, vira, virou! Pronto, engoli seco, minha garganta queimou. O da batina nem careta fez. Outra, vamos lá. O mesmo ritual. Viramos e ele após ingerir a segunda dose, me puxou mais pra perto e me disse: Preciso de você antes do livro. Como assim? Seguinte: quando falei com Deus pela primeira vez, pedi poderes para curar as pessoas. Ele então me mandou pro Tibet e, chegando lá, disse que eu fosse pra Shangri-lá. Três meses enclausurado, curso intensivo, aprendi. Voltei ao mundo e consegui curar gente de todo tipo, botar cego pra enxergar, mudo pra falar, aleijado andar, enfim, tudo me era possível nisso. Porém, nunca consegui ressuscitar ninguém. Invoquei Deus e disse: Quero ressuscitar as pessoas. Jesus fazia isso, eu também quero fazer. Quero ressuscitar as pessoas, desencantar as árvores encantadas, os pássaros amaldiçoados, tudo que for possível para tonar a vida das pessoas e de todos os seres de volta ao normal. Deus então me disse: Você tem que encontrar Gô-noêno-hôdi. Vixe! E onde é que eu acho esse? Você tem que ir lá pras bandas do sul matogrossense , procurar a tribo Cadiuéu. Quando encontrar a tribo, encontrará quem estou falando. Está certo. Só tem um detalhe. Qual, Deus? Não aceite nada que ele lhe der nem olhe pra filha dele, está ouvindo? Não posso aceitar nada que ele me oferecer nem posso olhar pra filha dele. Isso mesmo. Posso perguntar por quê? Não, apenas faça o que eu mando e pronto! Certo, vou anotar isso pra não esquecer. Daí preciso de você antes do livro. Pra quê? Pra ir comigo. Ora. Ora, nada, já que você vai ser o escritor do meu Evangelho, terá de ir comigo pro Amazonas. Oxe, padre! Ora, cadê seus clones? Não importa, você será o escritor, tem que viajar comigo para poder saber tudo que faço. Além do mais, tem que me lembrar do que Deus me disse: eu não posso olhar pro... sei lá mais o nome... como é mesmo? Gô-noêno-hôdi. Isso, tá vendo? Você já aprendeu. Então, vamos tomar outra talagada desse uísque e vamos embora. Mas, padre. Mas, nada, vamos lá: virando? Slept! Isso é que é uísque bom. Agora vamos. E saímos, ele amontou no disco voador e fomos pro Amazonas. Chegando lá: Onde é que fica a tribo dos Cadiuéu? Ah, é só ir direto aqui que vai bater lá. Seguimos o indicado, uns cento e cinqüenta quilômetros depois, avistamos uma tribo. Ele aterrissou e perguntou pros assustados índios: É aqui a tribo Cadiuéu? É, sim. Onde mora Gô-noêno-hôdi? Ah, é naquela casa ali. Ainda bem que é perto, vamos. Chegando lá. Ô de casa? Sim? É você que é Gô-noêno-hôdi? Não, eu sou o cabelo dele. Ele mora lá naquela casa lá longe, está vendo? Estou. Vamos lá. E lá, ao sermos atendidos pelo morador, o padre perguntou: É você Gô-noêno-hôdi? Não, eu sou a testa dele. Ele mora lá naquela casa na colina, está vendo? Estou. Vamos lá. E fomos. Ao chegarmos: É você Gô-noêno-hôdi? Não, sou o nariz dele! Ele mora lá naquela casa ali na beira do rio, está vendo? Estou. Vamos lá. E assim fomos de casa em casa. Já tínhamos passado pela casa do queixo dele, do pescoço dele, da mão direita dele, da mão esquerda dele, do bucho dele, do umbigo dele, das catotas dele, do rego da bunda, das costas, dos colhões dele, do furico dele, da bimba dele, das coxas, pernas, andamos que só a má notícia, horas sem descanso, enfim, quando chegamos nos pés dele, um chulé da porra, foi aí que o último disse: Ah, ele mora aí em frente, pode ir que ele está lá. Aí ele se virou, bateu palmas e de lá dentro uma voz grave e potente disse: Pode entrar. Quem é? Sou padre Bidião. Ah, pode sentar. E o seu amigo? Ah, é o escritor que acompanha as minhas façanhas para concluir o meu Evangelho. Ah, tá.  Ele, então, acendeu um cachimbo: Quer uma cachimbada? Não, obrigado. Não me faça desfeita, dê uma cachimbada! Não, obrigado. Então, vamos fumar um pascaio do bom. Vamos, dê uma tragada aí no meu pascaio. Não, obrigado, não fumo. Vamos, padre, tome uma tragada que você vai ver estrelas e o céu todo, vamos! Não, obrigado. Hummmm. Você é esperto, já sei quem mandou você aqui. Diga o que quer! Quero ressuscitar as pessoas! Como? As pessoas quando morrerem, eu quero chegar nelas e ressuscitá-las! Ah, sim. Ô minha filha, traga aquele pente especial. A filha veio, o padre baixou a cabeça, olhos no chão e bateu no meu joelho para não vê-la: Está lembrado? Estou padre. Não olhe pra ela! A moça veio, entregou o pente ao padre. Ele de olhos baixos permaneceu: Obrigado. Quando ela saiu, ele agradeceu ao Gô-noêno-hôdi. O que você quer mais? Ah, quero desencantar todas as coisas encantadas, árvores, pássaros, rios, tudo! Ah, você quer desencantar tudo? Sim. Ô minha filha, traga aquela resina especial que mandei você guardar. A moça reapareceu, baixamos as vistas, ela entregou a resina ao padre Bidião e agradecemos. Certo, Gô-noêno-hôdi, obrigado. Mas tem uma coisa! Diga, padre. Como eu sei que está me dando as coisas certas? Vamos fazer um teste? Vamos. Ô minha filha, mande buscar aquele morto que morreu agorinha lá na esquina. A moça foi, daqui a pouco volta com vários índios trazendo um homem morto. Pronto, aí está o morto, penteie o cabelo dele pra testar. O padre foi, penteou os cabelos do defunto e logo ele abriu os olhos e os índios pularam de alegria. Está satisfeito, Bidião? E como eu sei que vou poder desencantar as coisas? Tá certo. Ô minha filha, mande buscar aquela pedra grande que está lá no meio da rodagem que quero ela aqui agora. A moça saiu, daí a pouco, voltou com um bocado de índio carregando uma enorme pedra. Pronto, está aí, passe a resina para ver o que acontece. O padre levantou-se, passou a resina e a pedra começou a se mexer, virou uma árvore que cresceu, cresceu tanto no meio da sala que arrombou o teto não parando de crescer até sumir lá nas alturas da nuvem. Pronto, Bidião, está satisfeito? Agora estou. Muito obrigado, agora preciso cumprir minhas missões. Inté mais ver. Inté. Quando saímos, ouvimos Gô-noêno-hôdi rgitar: Ô minha filha, corra atrás do padre e entregue isso a ele. Aí corremos mais, pé na bunda da poeira levantar atrás, a moça gritando, a gente mais depressa, ela mais ainda, até que o padre tropicou e viu o pé da moça: Pronto, fodeu. Ela, então, disse: Todo mundo que olha pra mim me deixa grávida e morre. E como desfaço isso? Você só se salvará se fizer amor comigo. Oxe! É mesmo? É. De verdade? É. Então, peraí. Virou-se pra mim, agora fodeu Maria-preá, vai mais pra lá que vou emprenhar de verdade essa moça lindíssima, não se vire, nem veja, viu? Certo, padre, mande ver. Aí ele foi se chegando à moça, levantou a batina, encostou-la numa árvore e mandou ferro nela, no maior gemido de ais e uis, dela gritar, berrar, se esfolar e gozar ruidosamente, dele cair duro no chão. Nessa hora corri pra socorrê-lo. Estou bem, estou bem. Foi um gozo da porra. Agora ela está prenha de verdade. É, agora você tem que morar comigo. Sim, vou morar, só que agora vou cumprir minhas missões, final do mês estarei aqui pra gente se casar de verdade e criar nossa prole. Está certo. Assim, entramos no disco voador, ele me deixou em casa e perguntei: Agora o senhor vai cumprir suas missões, boa sorte! Nada, agora não, vou voltar lá, dou outra peiada na linda cadiuéu pra depois cumprir as misssões. E assim foi. Ele ressuscitava e corria na tribo, trepava e voltava; desencantava um, retornava lá pra índia adorada, dava bimbada nela e retomava com as missões, indo e vindo, de instante em instante, a ponto de parar sobre o meu telhado e gritar: Ô meu escritor! Quando eu enjoar da indiazinha linda, eu venho aqui pra você trabalhar no meu Evangelho viu? Faz tempo que ele não aparece, deve estar salvando muita gente e se aproveitando pra dar uma sapecada boa na sua nova paixão. (Recriada a partir da lenda Gô-noêno-hôdi, extraída da obra Religião e mitologia cadiuéu (SPI, 1950), do antropólogo e escritor Darcy Ribeiro). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do pianista, maestro e compositor Marlos Nobre: Various pianoworks & Concerto Armorial n 2, op. 98; da cantora e compositora Leila Pinheiro: Meu segredo mais sincero, Leila Pinheiro do Brasil & álbum com seus grandes sucessos; do cantor, compositor, maestro e arranjador Francis Hime: Concerto para violão Modinha, Concerto para violão Ponteio, Fantasia para harpa e orquestra e Sinfonia para o Rio de Janeiro de São Sebastião; e da cantora Clara Redig interpretando Embarcação, Frevo nº 2 do Recife, Valsa Rancho, O amor e a rosa, Trocando em miúdos & Preconceito. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – Falta sexo. As pessoas têm levado tudo tão a sério que a maioria já se esqueceu como o cinema talvez tenha sido inventado simplesmente para que possamos assistir melhor – e mais vezes – a nossos wet dreams prediletos. Será que o máximo que merecemos é brincar de vestir Halle Barry de Mulher Gato? Por favor. Trecho do artigo Sexo (Bravo, out/2004), do jornalista Sérgio Augusto de Andrade. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO PÚBLICA - [...] até uma criança sabe que se uma formação social não reproduz as condições da produção ao mesmo tempo em que produz não conseguirá sobreviver um ano que seja. A condição última da produção é, portanto a reprodução das condições da produção. Trecho extraído da obra Aparelhos ideológicos de Estado (Graal, 1998), do filósofo francês Louis Althuser (1918-1990), que na sua obra Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado (Presença 1970), reafirma que: [...] Designamos por Aparelhos Ideológicos de Estado um certo numero de realidades que se apresentam ao observador imediato sob a forma de instituições distintas e especializadas...(a ordem pela qual as enunciamos não tem qualquer significado particular): O AIE religioso (o sistema das diferentes Igrejas), o AIE escolar (o sistema das diferentes escolas públicas e particulares), o AIE familiar, o AIE jurídico, o AIE político (o sistema político de que fazem parte os diferentes partidos), o AIE sindical, o AIE da informação (imprensa, rádio-televisão, etc.) [...] Ora, é através da aprendizagem de alguns saberes práticos (savoir-faire) envolvidos na inculcação massiva da ideologia da classe dominante, que são em grande parte reproduzidas as relações de produção de uma formação social capitalista, isto é, as relações de explorados com exploradores e de exploradores com explorados. Os mecanismos que reproduzem este resultado vital para o regime capitalista são naturalmente envolvidos e dissimulados por uma ideologia da Escola universalmente reinante, visto que é uma das formas essenciais da ideologia burguesa dominante: uma ideologia que representa a Escola como um meio neutro [...]. Veja mais aqui e aqui.

DE PROFUNDIS - [...] Chamamos a época em que vivemos de utilitária, mas a verdade é que não sabemos usar praticamente nenhuma das coisas de que dispomos. Esquecemos que a água limpa, o fogo purifica e que a Terra é a mãe de todos nós. Em consequência, nossa arte é da lua e brinca com as sombras, enquanto que a arte grega é do sol e trata diretamente com as coisas. Tenho certeza de que há pureza nas forças mais elementares e quero voltar a elas e viver em sua presença. Todos os julgamentos julgam a nossa vida, assim como todas as sentenças são sentenças de morte – e eu já fui julgado três vezes. Na primeira, saí do banco dos réus para a prisão, na segunda para retornar à prisão, na terceira para passar ainda dois anos no cárcere. A sociedade, tal como a fizemos, não tem nenhum espaço para me oferecer, mas a natureza cuja doce chuva cai tanto sobre o justo quanto sobre o injusto terá covas nos rochedos onde poderei ocultar-me e vales secretos em cujo silêncio poderei chorar sem ser perturbado. Ela encherá a noite de estrelas para que eu possa caminhar na escuridão sem tropeçar e fará com que o vento apague as minhas pegadas para que ninguém possa ferir-me. Ela me purificará em suas águas claras e curará meus males com suas ervas amargas [...]. Trecho extraído da obra De profundis & outros escritos do cárcere (L&PM, 1982), do escritor e dramaturgo britânico Oscar Wilde (1854-1900). Veja mais aqui, aqui e aqui.

É ISTO UM HOMEM? – [...] Pois imaginem agora um homem a quem, além de suas pessoas amadas, roubem-lhe também a casa, os costumes, as roupas, tudo, literalmente tudo o que possui: será um homem vazio, reduzido ao sofrimento e à necessidade, vazio de dignidade e de juízo, porque àqueles que perderam tudo ocorre que se perdem a si mesmos [...] Pois imaginem agora um homem a quem, além de suas pessoas amadas, roubem-lhe também a casa, os costumes, as roupas, tudo, literalmente tudo o que possui: será um homem vazio, reduzido ao sofrimento e à necessidade, vazio de dignidade e de juízo, porque àqueles que perderam tudo ocorre que se perdem a si mesmos [...]. Trechos extraídos da obra É isto o homem (Rocco, 1988) do químico e escritor italiano Primo Levi (1919-1987). Veja mais aqui.

A FOME & SUAS CONSEQUENCIAS - [...] Minha alma desceu fuindo no buraco negro de seus olhos. Eu e meus convidadeos. Eu e minha falta de assentos. Eu e minhas aspirinas. Nos meus quarenta em madeira de lei, escondida selva onde ninguém pudesse tocar. Tomaram a voltar. A cada visita, meu coração se aquietava vendo-os entrar sem licença, mas submissos. Uma noite tentei perceber se ficavam nos mesmos lugares. Não havia como, eram muito parecidos e se confundiam em uma só entidade, mas sabia, sem que ninguém tivesse me avisado. Jamais lhes dirigir a palavra, nem procurar em seus olhos sinais de humaniadde. Deveria fechar o corpo, precaver a alma, andar como um domador entre feras. Via em um conta uma mulher a enterrar bebês, outra a entregar os filhos em orfanatos. Adiante, um enforcado, um tuberculoso, um suicida, uma desonrada. E a companhia vinha espumando ódio. Indignada, nos meus quarenta anos em madeira de lei sem regra, eu mal dava conta das aspirinas. Quanto mais da marca do vinho [...]. Trecho do conto A fome (Cult, janeiro 2003), da escitora, jornalista e tradutora Neuza Paranhos.

A ARTE DE FERNANDA MONTENEGRO
Todo dia é dia da atriz Fernanda Montengro. Veja mais aqui.


Veja mais:
A arte & a entrevista de Clara Redig aqui e aqui.
A saga do Padre Bidião aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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Agenda de Eventos aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
INK IS MY BLOOD, APOLLONIA SAINTCLAIR
Imagens da trilogia Ink is my blood (Tinta é o meu sangue) publicada da artista, ilustradora e desenhista erótica Apollonia Saintclair. Veja mais aqui & aqui.
  

quinta-feira, outubro 27, 2016

WITTGENSTEIN, ALAN WATTS, D’ESPAGNET, MARIANA IANELLI, MOZART & LARROCHA, CUNNINGHAM, DON ROSS, COCO CHANEL, SHARON SIEBEN, BOSSCHART, ANA STARLING, MAILLOL, VALQUIRIA LINS, LUIZ CUNHA, RODRIGO BRANCO, TEATRO & PADRE BIDIÃO


INEDITORIAL: TUDO TEM SEU LADO BOM & RUIM & VICE-VERSA! – Tudo não só tem um lado bom! Inevitavelmente tem outro ruim. Posto que tanto pode o malfazejo agora ser benéfico depois, como o péssimo do passado ser relativamente tido por excelente amanhã. Sim. Não? Talvez. Fica claro, então, que em tudo não há só um lado como querem os sectários, muito menos apenas dualista como defendem os maniqueístas. Além do mais, não só depende de quem olha, mas até de onde e como se dá o olhar. Admito que exista quem não enxergue lá um palmo além do nariz, ou nada além do que professe suas convicções, ou mesmo até o que possa caber a sua compreensão. Não obstante, tudo vai além de tridimensional e pode ter diversas expressões, múltiplos sentidos, infinitos olhares e interpretações, gnosiológica ou epistemologicamente falando. Cada qual, cada qual. Respeito todas as diferenças e me completo com o contradito: não sou, nunca fui e nem tenho o propósito de ser o dono da verdade – todos temos muito que aprender na vida! O que possa eu defender hoje, posso não achar mais graça nenhuma daqui a pouco, malgrado os conservadores que temem o novo; nem sou de apagar o passado com a primeira veleidade do presente, como teima vanguardista. A gente se equivoca até com o que é tido por inequívoco! Já me enganei muitas e tantas vezes, nunca perdi o aprendizado. Muitas vezes me vi sensato quando incoerente, ou congruente na parvulez: rio de mim mesmo, tenho cá meus pantins e, vez por outra, removo meus paradoxos dos ombros. Sei, tudo tem sua razão de ser: uma semente plantada que desabrochou e tomou corpo até desaparecer; um dia lá, do esquecido, volta e recomeça o ciclo e, assim, sucessivamente, de geração em geração. Assim é a vida. E vamos aprumar a conversa pras novidades do dia:  na edição de hoje destaque para a filosofia de Hermes Trismegistos, a linguagem de Ludwig Wittgenstein, o pensamento de Alan Watts, a música de Alicia Del Larrocha, a poesia de Mariana Ianelli, a coreografia de Merce Cunningham, o teatro de Maria Adelaide Amaral e Marília Pêra, o cinema de Don Ross & Christina Ricci, o Congresso Internacional de Pedagogia, a escultura de Aristide Maillol, a pintura de Vanessa Bell, Johfra Bosschart & Sharon Sieben; a fotografia de Luiz Cunha, a ilustração de Ana Starling, a Flor do Una de Juarez Carlos, a entrevista de Valquíria Lins, Brincar para Aprender com a Criança, Vygotsky & o Teatro, a arte de Rodrigo Branco & O evangelho segundo Padre Bidião. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Ingresia dum chato de galocha, Graciliano Ramos, Dylan Thomas, Vanessa-Mae, Piero della Francesca, Maria Della Costa, Antonio Carlos Fontoura, Maria Zilda Bethlem, Zizi Smail & Humor e alegria na educação aqui.

E mais:
Propriedade industrial no Código Civil aqui.
A poesia de Suzana Mafra aqui.
Erich Fromm, Teste da Goma & outras loas aqui.
A graviola do Padre Bidião aqui.
A poesia de Manoel Benetvi aqui.

DESTAQUE: O TRÍPLICE FOGO HERMÉTICO
Imagem: Esoteric, do pintor holandês Johfra Bosschart (1919-1998).
Aquele que ignorar os graus e os pontos no sistema do fogo externo, que não se decida pela obra filosófica. Porque jamais irá tirar a luz das trevas, se não souber conduzir tão bem os calores, a fim de que não passem inicialmente pelos do meio, conforme se dá com os elementos, cujos extremos não se convertem senão quando passam pelos do meio.
Trecho extraído de A obra secretada da filosofia de Hermes Trismegistos (L. Oren, 1976), do polímata da renascença francesa Jean D’Espagnet(1564-1637). Veja mais aqui e aqui.

O EVANGELHO SEGUNDO PADRE BIDIÃO: E JESUS VOLTOU!! – Naquela manhã o Padre Bidião invadiu minha casa exultante e aos gritos: Sim, Jesus voltou! Ele voltou! Eu tive um sonho em que ele me dizia que havia voltado. E quando acordo, veja, recebi esse bilhete que botaram por baixo da minha porta: Voltei. Assinado: Jesus. PS: Enviei esse com cópia para o papa. Não é só coincidência, eu sei que é verdade, ele falou comigo no meu sonho! Você acredita? Acredite, é verdade. É verdade mesmo! E saiu para caçar o paradeiro do seu mestre. Ele fez tanto alarde nos quatro cantos do mundo, que todos, ao saberem da notícia, já festejavam com salvas e vivas a sua chegada. E cadê ele? Nada do padre dar sinal da presença dele. Oxe, foi aí que ele rodou o mundo todo como a praga na sua nave e nada de localizar o paradeiro do seu idolatrado. De norte a sul, de leste a oeste, nos quatro cantos do planeta não teve um só pedaço de chão que ele não procurasse o seu salvador. Já estava desanimando, quando começou a me contar tintim por tintim: já estava triste e desenganado da busca, abandonando já de vez a causa, justo quando chegaram notícias de que numa favela lá nos cafundós do fim do mundo, havia nascido uma criança iluminada. Era ele, tinha certeza. Era mais um sinal e zarpou com mais de mil pro tal lugar e, lá chegando, soube que não havia sido numa manjedoura, nem uma estrela havia brilhado mostrando o caminho. Não havia reis magos, nem incenso, nem mirra, nem ouro. Apenas, era um dia chuvoso numa rua bastante emporcalhada no meio da miséria, dentro de uma lata de lixo revirada por um guenzo faminto, uma criança com ar angelical, choramingou. Era ele, sabia, outro sinal. Sim, sim. Um desabrigado da rua que ia passando embaixo do maior toró, viu quando o cachorro sarnento começou a ronronar lambendo a pele da criança. Ainda embriagado, afastou o animal e sumiu com a criança nos braços. Pra onde? Ninguém sabe. Deduz-se apenas que o pai dessa criança, José, um pedreiro que fora assassinado ao ser confundido nunca guerra de bandos, com o traficante Zé Pedreiro que se encontra foragido e que, por represália, os inimigos haviam aprisionado a mulher dele, Maria lavadeira, grávida de nove meses e que, ao dar a luz, o bebê fora jogado no lixo, mantendo-a refém para forçar o reaparecimento do fugido. Onde está ela? Pra onde levaram a criança? Ninguém sabe, nem quer saber. Apenas sabiam agora que Jesus voltou. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui e aqui.

 Curtindo o álbum Mozart (London Records, 1983), da pianista Alicia De Larrocha com a Wiener Symphoniker, regência de Uri Segal.

LINGUAGEM & VIDA  – [...] Ser-nos-á frequentemente útil se dissermos quando filosofamos: denominar algo é semelhante a colocar uma etiqueta numa coisa. [...] Pode-se representar facilmente uma linguagem que consiste apenas de comandos e informações durante uma batalha. – Ou uma linguagem que consiste apenas de perguntas e de uma expressão de afirmação e de negação. E muitas outras. – E representar uma linguagem significa representar-se uma forma de vida. [...]. Trechos extraídos da obra Investigações filosóficas (Abril, 1979), do filósofo austríaco naturalizado britânico Ludwig Wittgenstein (1889-1951). Veja mais aqui.

 Imagem: Na ponta verde, arte do fotógrafo, professor e jornalista Luiz Cunha.

PENSAMENTO DO DIA: O HOMEM CRIADOR E SENSATO - [...] O homem para ser criador e sensato precisa de ter, ou pelo menos sentir, um relacionamento e união significativos com a vida, com a própria realidade. Não basta que se relacione com um grupo humano ou um ideal humano, pois sabe que homens e povos morrem e que, além deles, há uma realidade mais permanente – a realidade do Universo natural, e que, além desta, há ainda deuses ou Deus. [...]. Trecho extraído da obra A vida contemplativa: um estudo sobre a necessidade da religião mística, pelo guia espiritual da juventude moderna (Record, 1971), do filósofo e escritor inglês Alan Wilson Watts (1915-1973). Veja mais aqui, aqui e aqui.


Imagem: a arte da ilustradora, designer & artista multimídia Ana Starling.

TREVA ALVORADA - Absurda leveza que te faz afundar / E não é a morte. / Cumpres tua descida calado / (Uma palavra por descuido / Seria amputar a verdade). / Náufrago do tempo, / Tuas horas transbordam. / Dentro da lágrima, / Imensidão, já não choras. / Estrelas e estrelas, / Copulam a sede e o engenho / De que te alimentas / Como nunca te alimentou / O gosto da carne. / Tua face atônita / Se existisse uma face, / Tuas costas nuas, / Se a nudez fosse do corpo. / Um sorvedouro / Onde a paz dos contrários, / Treva alvorada. / ecundado, flutuas. / É a lei da graça. Poema extraído do livro Treva alvorada (Iluminuras, 2010), da poeta, ensaísta, cronista e crítica literária Mariana Ianelli.


Imagem: do espetáculo de dança RainForest, do bailarino e coreóografo estadunidense Merce Cunningham (1919-2009) - (Foto: Tony Dougherty).. Veja mais aqui.

MADEMOISELLE CHANEL - A peça teatral Mademoiselle Chanel, da dramaturga luso-brasileira Maria Adelaide Amaral, conta a história da notável estilista francesa Gabrielle Coco Chanel, que ensinou elegância simples à alta burguesia do mundo e ainda criou um mito em torno de si. A montagem que assisti em 2004, no Teatro Faap, em São Paulo, foi com a saudosa Marília Pêra, dirigida por Jorge Takla. Veja mais aqui e aqui.


THE OPPOSITE OF SEX – A comédia romântica The Opposite of Sex (1998), escrita e dirigida por Don Ross, conta a história das sórdidas aventuras de uma jovem determinada a ter um caso com o namorado de seu irmão gay, envolvendo uma campanha contra ela promovida pela melhor amiga dele. O filme satiriza as idéias erradas a respeito da vida homo e heterossexual, com um dialogo hilariante. O destaque fica por conta da atuação da atriz estadunidense Christina Ricci. Veja mais aqui.


AGENDA: CONGRESSO INTERNACIONAL DE PEDAGOGIA – Acontecerá entre os dias 30 de janeiro e 03 de fevereiro de 2017, em Havana – Cuba, o Congresso Internacional de Pedagogia, organizado pelo Ministério da Educação de Cuba, UNESCO, UNICEF, Organização dos Estados Ibero Americanos e Associação de Educadores da América Latina e Caribe, sobre os temas que envolvem a formação em valores e educação para a cidadania, o professor e seu desempenho profissional, formação inicial e contínua de educadores, educação científica através dos desafios atuais, educação ambiental, arte e saúde; atenção integral à infância, conduta no processo de ensino e aprendizagem; formação profissional de acordo com a demanda social, entre outros. Informações http://www.lionstours.com.br/pedagogia_cuba_332.html. Veja mais aqui e aqui.


ENTREVISTA: VALQUÍRIA LINS – A poeta paraibana Valquiria Lins é licenciada em Letras pela UFPB e autora dos livros Outono (1997), Húmus (1998) e Velas de Abril (2006). Ela foi destacada entre os Poetas da Paraíba no meu blog Varejo Sortido. Agora, nessa primeira parte conheça mais da poesia da autora. A autora agora faz sua incursa na ficção, lançando o livro Acais. Por conta disso, ela concedeu uma entrevista exclusiva pra gente, contando sobre a sua trajetória, o lançamento de seu mais recente livro e de duas perspectivas e projetos artísticos. Confira a entrevista aqui e mais aqui.


Imagens: a arte do escultor e pintor francês Aristide Maillol (1861-1944).

REGISTRO: A CRIANÇA, VYGOTSKY & O TEATRO
Em 2014, durante as atividades desenvolvidas na disciplina Psicologia do Desenvolvimento, ministrada pela professora Msc Fátima Pereira, apresentei o trabalho acadêmico Contribuição do teatro no desenvolvimento da linguagem infantil: uma abordagem acerca da teoria de Vygotsky, que, por consequência, foi apresentado no IV Congresso Brasileiro de Psicologia – Ciência e Profissão, na Uninove, em São Paulo, oriundo dos trabalhos efetuados com crianças dos mais diversos educandários alagoanos da Educação Infantil e 1º Ciclo do Ensino Fundamental, que corroboraram os resultados da pesquisa no artigo que escrevi A criança, Vygotsky e o Teatro. Foi desses trabalhos que comecei a realizar palestras sobre a temática Brincar para Aprender. Veja mais aqui, aqui e aqui.  

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Reclining nude, by Sharon Sieben.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: arte de Rodrigo Branco.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...