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segunda-feira, fevereiro 10, 2025

TERESA CÁRDENAS, LOUISA LAWSON, MARIE CORELLI & ARMANDO LÔBO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum Nascentes (Recorded in Berlin, 2020), da flautista, saxofonista, compositora e arranjadora Mariana Zwarg: “Quando nasci, meu pai já tocava com ele (Hermeto), e a minha música é muito ligada à estética da música universal... São muitas lembranças. Foram muitos anos frequentando os ensaios, viajando junto e convivendo.

 

Se houver fim será sempre recomeço... - A ribalta é o amanhecer diferente de outros raiares de dias nublados ou fulgurantes, mesmo que se pareçam iguais de ontens, quando abri o olho à ventania da vida. Ao sair da cama nem sabia direito o que se tinha pra fazer, só depois de algum tempo, caiu a ficha abrindo a porta aos umbrais e limiares, pés no mundo. Voo e você vai, caminhos opostos – sem que saibamos sequer quando e pra onde. Onde estou muita gente à espera e o tempo passa, isolados pelas calçadas. Consequências de decisões tomadas no fôlego do instante e a vida pelo avesso, de pernas pro ar, como quem fez um gol contra e correu pra torcida, sem saber a razão para tanta hostilidade: o que se fez brincadeira foi levada a sério. É aí que sou levado a indagar a razão pela qual saí da cama e botei o pé fora de casa: a culpa de não ter escolhido as outras opções, por que não, tarde demais: os esfíncteres à desventura, como quem procura e não sabe o quê e nunca encontra o que supostamente deseja, ou botando tudo a perder com a flatulência inesperada, malditos borborigmos! Aí bate aquela sensação horrível do fracasso de Beckett, parecendo mais perdido estrangeiro de Camus, no passeio a cruzar com os rinocerontes encarnados de Ionesco pelas ruas. Entre riscos e desafios, as ínfimas futilidades para que seu coração não esmague nem mate: o ressentimento é o cúmulo da mediocridade. Mas o passado cobra seu preço, a corrupção é nossa, decadente! Somos todos tristonhos disfarçando risadas para brincar de viver. Aí é melhor puxar uma conversa com a barata invasora e sentir a moral escrava do subsolo, enquanto ouve-se o estrondo dos que se deixaram levar pela dança dos redemoinhos, com seus múltiplos disfarces de dores ocultas. Confesso: só queria escrever meu livro, como quem descobre o roteiro da própria vida enfrentando meus vazios com seus fantasmas insones, quase estoico conhecedor catando palavras entre algaravias. Sei: é preciso estar louco para enxergar o óbvio. Espírito livre pergunto e não preciso de respostas, o resto é silêncio. Existir é muito pouco: há muito mais! Até mais ver.

 

Judy Blume: Qualquer um que diga: “Minha infância foi completamente feliz” é uma pessoa que não está se lembrando da verdade... Veja mais aqui.

Sarojini Naidu: A vida é uma peregrinação de aprendizado, uma viagem de descoberta... Veja mais aqui & aqui.

Eleanor Farjeon: O amor não tem ápice, assim como as estrelas não têm número e o mar não tem descanso... Veja mais aqui & aqui.

 

O AMOR DE UMA MULHER

Imagem: Acervo ArtLAM.

Não me importava com quais eram suas falhas, \ Suas faltas eu não queria ver.\ Eu só sabia que te amava muito,\ E pensava que eras fiel a mim.\ Eu evitava em meio à multidão ocupada da vida,\ Aqueles que te difamavam.\ Pois, oh, doía a um coração confiante\ Ouvir homens culparem preguiçosamente.\ Eu não daria ouvidos quando amigos intrometidos\ Sussurrassem algo sobre ti.\ Eu achava que ninguém tão aparentemente verdadeiro\ Poderia ser um traidor.\ E então eles não sabiam do teu tom\ De amor e carinho carinhoso\ Que moveria minha alma responsiva\ Com sua grande ternura.\ Nem como meu coração faminto e dolorido\ Ansiava pela palavra gentil ou sorriso\ Que fez meus pensamentos, desanimados,\ Da minha vida triste enganarem.\ Eles não sabiam, e nem os mortais saberão,\ Tudo o que tu foste para mim.\ Mas eu te perdoo porque\ uma vez foste fiel a mim.

Poema da escritora, sufragista e feminista australiana Louisa Lawson (Louisa Albury – 1848-1920). Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

CACHORRO VELHO - […] O velho não temia o Inferno: tinha vivido nele desde sempre. [...] Não parecia nada do outro mundo, embora, com os brancos, nunca se soubesse. Um dia eles podiam lhe dar a liberdade e, no outro, mandar matar você. Isso era certo. [...]. Trechos extraídos da obra Awon Baba (Pallas, 2022), da escritora cubana Teresa Cárdenas, que a respeito do livro ela própria comenta: No princípio, o universo era todo branco... Até o dia em que que alguém o puxou por uma ponta e o virou, como uma página. Foi o que descobri em meus novos escritos. São contos do início dos tempos, nos quais volto para além da minha ancestralidade e recrio o mundo, reviro os mitos africanos e os demais... Fomos arrancados da África, mesclados, não temos árvore genealógica. Leio muita história colonial atrás de pequenas coisas, pratos que comiam, o que faziam à noite quando o amo permitia. Mas o importante, mesmo, vem de uma força que não está na pesquisa nem no que ouvi de minha mãe. É algo sensorial, até espiritual, ditado pelo coração, através dos símbolos que recebemos e que nele palpitam... O pior tipo de escravidão, hoje, dispensa algemas e cativeiros: é a que impomos a nós mesmos. Eu hoje sou livre em meu país, e vivo do que escrevo. Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

COLEÇÃO DE DELFOS - [...] Meu objetivo ao longo de tudo é deixar os fatos falarem por si mesmos. Se eles parecem estranhos, irreais, até mesmo impossíveis, só posso dizer que as coisas do mundo invisível devem sempre parecer assim para aqueles cujos pensamentos e desejos estão centrados somente nesta vida. [...] Lá, os sublimes e inalcançáveis ​​mistérios do Universo são regateados por pobres mentes finitas que não podem chamar suas vidas de suas. Lá, nação guerreia contra nação, credo contra credo, alma contra alma. Ai, planeta predestinado! Quão cedo tu serás extinto, e teu lugar não te conhecerá mais! [...] Vivemos em uma era de investigação universal, logo, de ceticismo universal. As profecias do poeta, os sonhos do filósofo e cientista, estão sendo realizados diariamente — coisas antes consideradas meros contos de fadas se tornaram fatos — ainda assim, apesar das maravilhas do aprendizado e da ciência que são realizadas a cada hora entre nós, a atitude da humanidade é de descrença. “Não há Deus!”, grita um teórico; “ou se houver, não posso obter prova de Sua existência!” “Não há Criador!”, exclama outro. “O Universo é simplesmente uma junção de átomos.” “Não pode haver imortalidade”, afirma um terceiro. “Somos apenas pó, e ao pó retornaremos.” “O que é chamado pelos idealistas de ALMA”, argumenta outro, “é simplesmente o princípio vital composto de calor e ar, que escapa do corpo na morte e se mistura novamente com seu elemento nativo. Uma vela quando acesa emite chama; apague a luz, a chama desaparece — onde? Não seria loucura afirmar que a chama é imortal? No entanto, a alma, ou princípio vital da existência humana, nada mais é do que a chama de uma vela. [...]. Trechos extraídos da obra Delphi Collected Works of Marie Corelli (Delphi Classics, 2017), da escritora inglesa da Era Vitoriana, Marie Corelli (Isabella Mary Mills, Minnie Mackay, ou ainda, Caroline Cody - 1855-1924). Veja mais aquí.

 

ÓPERA ARTISTA DA FOME, DE ARMANDO LÔBO

Estreou neste final de semana, no Teatro Hermilo Borba Filho, em Recife – PE, a ópera Artista da Fome, do premiado cantor, compositor, arranjador, instrumentista, poeta e professor Armando Lôbo, no projeto Ópera do Claustro, juntamente com a ópera Desachados e Perdidos, de Victor Luiz e a instalação visual do artista Marcelo Coutinho. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

& mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Diário TTTTT aqui.

Literatura Indígena: Cosmovisões & Pela Paz aqui & aqui.

Poemagens aqui.

Cantarau Tataritaritatá aqui.

Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

Faça seu TCC sem traumas – consultas e curso aqui.

VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

&

Crônica de amor por ela aqui.

 


segunda-feira, janeiro 14, 2019

OSMAN LINS, VAULUIZO BEZERRA, FULÔ RASTEIRA, FRB, PADRE BIDIÃO & MARCELO COUTINHO

AS ÚLTIMAS DA FRB & PADRE BIDIÃO ANUNCIA A CHEGADA DE REFORÇOS – Após haver assumido a vice Toda-Poderosidade na Hierarquia Cósmica (veja a celebração aqui), o Padre Bidião revelou detalhes acerca das incomuns FRBs ultimamente detectadas pelos cientistas e imprensa internacional. Ele tratou logo de desclassificar a NASA por completa incompetência referente ao caso, sob a acusação de malversação do erário humano, bem como alguns astrônomos que querem se aproveitar da prestidigitação internacional. Para quem não sabe – ficará sabendo agora nada mais que a mais absoluta verdade –, FRB é a sigla britânica para rajada rápida de rádio recorrente que é um fenômeno astrofísico de alta intensidade energética, manifestada como um pulso de radio transitório e com duração de apenas pouquíssimos milissegundos, para não dizer um cabelinho de sapo de nada, com uma frequência de 400 MHz, melhor dizendo, uma coisinha de nada. Essas rajadas mostram a dispersão dependente da frequência consistente da propagação através de um plasma ionizado, ou seja, quase porranenhuma, só que encerra um dos códigos mais misterioriosos oriundos das ocultas transcomunicações da abissal profundidade universal. Depois de muitas discussões, chegou-se à conclusão de que, a esse respeito, só havia na Terra, em verdade, uma única autoridade capaz de desvendá-la: o Padre Bidião. Por isso mesmo, não se furtando ao assédio da imprensa, ele anunciou recentemente em coletiva realizada nos últimos dias que: - Atenção corriola, macacões & antenas a postos! Estão chegando reforços! Explicou ele nessa entrevista que o mundo anda de pernas pro ar! Enfatiza, então, que um estrupício anda se desenvolvendo entre catabis, golpes & maloqueragens, promovendo a maior crise megaplanetária da história. Especifica ele após enumerar as presepadas do Clone o-10PB (veja detalhes desse malefício aqui), acoloiado com o Trumpetudo & seu aliadíssimo achegado Coiso, afora conluios para as doidices de Kim Jong-il dos sapatos mágicos, o invisível Jose Eduardo dos Santos, as curas paranoicas de Yajya Jammeh, as perversões de Hassanal Bolkiah, a tenda de Muammar Gaddafi, a tirania de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, as transações de Than Shwe, a hediondez de Isaias Afewerki, a dança de Emomali Rahmon, a escravização de Islam Karimov, as viagens de Paul Biya, a adoração do rei Hamad Al-Khalifa, as extravagâncias do rei Abdullah, as jogadas de Omar Hassan al-Bashir, o bigodinho de Aleksander Lukashenko, as insânias do rei Mswati III & outras trepeças, direitismos e pacutias nos quatro cantos do mundo – e olhe que a Terra é redonda, viu? -, assinalou com veemência os devidos esclarecimentos a respeito, traduzindo trechos das supercomunicações e, ao mesmo tempo, evidenciou tratar-se das reuniões resultantes da sua nomeação como segundo e único substituto do Onipotente, com o objetivo de salvar os terráqueos. Pormenorizou que as ondas de rádio são resultantes dos relatórios enviados desde 2002, por planetas e reinos de galáxias lá nos cafundós das imensidões interestelares e há bilhões de anos luz de distância, alertando sobre a trágica situação por que passa o planeta. Revela que essa troca de informações interuniversais são do bem, pode crer; e que não possuem nenhuma ligação com a jactância do clone da pá-virada e seus sequazes fedorentos. Instado sobre as providências a serem tomadas, o pároco foi reticente ao anunciar a sagrada nomeação do professor doutor Marcelo Coutinho, na condição de assessor especial e direto para assuntos extraordinários e, ao mesmo tempo, tornando-o, além disso, o chefe do Comando Ultragaláctico da PorraToda, responsável pela formação da equipe receptora dos reforços para proceder à salvação da humanidade. Procurado por nossa reportagem, o ilustre professor depois de se esconder dos cliques e flashes, apenas acenou pros nossos jornalistas, cochichando fora das câmaras e gravadores que se encontra dedicado na escolha dos integrantes para realização de reuniões incomunicáveis, visando traçar os planos e estratégias para tal empreitada, anunciando futuros esclarecimentos para toda população mundial. Por enquanto, reafirma que tudo será feito para que chegue a bom termo os propósitos pluriuniversais de salvar o destino terráqueo. E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS
[...] Esta é a verdade: agora eu estou só. Com mais um pouco, chegará a madrugada. As velas ficarão pálidas, os sinos dobrarão em tua homenagem; e, quando o sol vier, não iluminará teus olhos. Mais algumas horas e nossos conhecidos te levarão para o Campo. Estarão um pouco tristes, mas não podem imaginar que imensa perda eu sofri. Dirão entre si: “Tinha de ser. Um deles havia que ir primeiro…” E acharão que já sou muito idoso, que minha capacidade de sofrer se extinguiu e que não tardarei a seguir-te. [...] Quanto aos amigos, tu sabes muito bem que não mais os possuo. Uns morreram; outros acharam na velhice um agradável pretexto para se tornarem brigões ou dementes; e o resto me aborrece pela insistência em me fazer acreditar ser bem mais velho que eles. Só tu me restavas. Junto a ti eu podia ser eu mesmo, sem temor de parecer ridículo. Eras tu quem tinha a chave do meu caráter e do dom de encantar-me. (Mesmo a tua zombaria era uma forma de afeição.) E agora um duro silêncio te envolve e imobiliza. [...] Na minha idade, já não se pode ter pensamentos estranhos nem fazer confissões. Fica-se ridículo, querida. E eu tenho que aproveitar estes últimos momentos em que ainda estamos juntos. É a última oportunidade de falar-te, mesmo sem abrir os lábios, e contar as tolices que não contarei a ninguém. Quero te dizer, por exemplo, uma coisa esquisita, uma coisa que não compreendo: os fatos culminantes de nossas vidas, aqueles que nunca poderíamos chegar a esquecer, perderam hoje esse privilégio. [...] Mas eu não devia estar me lembrando dessas coisas. Talvez alguém tenha visto meu sorriso e julgará que não sinto a tua falta. “Ele não chorou — pensará. E agora, sorri. Está maluco; ou então nem sentiu.” Decerto, minha dor não é violenta. É cansada. Mas é tão vasta, tão desalentada e profunda… E vou ficar tão sozinho, querida…
Trechos do conto Elegíada, extraído da obra Os gestos (José Olympio, 1957), do escritor pernambucano Osman Lins (1924-1978). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A ARTE DE VAULUIZO BEZERRA
A arte do premiado pintor, escultor, curador e crítico de arte sergipano radicado na Bahia, Vauluizo Bezerra. O artista realiza sua arte desde 1970, ingressando na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, em 1976, e realizando sua primeira exposição individual na Galeria Pacce em 1978. Foi selecionado no Concurso para Projetos de Arte Experimental, em Salvador, em 1982 e realizou sua exposição individual em Munique, na Alemanha, em 1991. A partir de então realizou mostras individuais e coletivas no Brasil e no exterior, com obras em diversos museus brasileiros, sendo considerado um dos mais importantes da geração 70 da Bahia. Para conhecer melhor o seu trabalho clique aqui e aqui.

A MÚSICA DA FULÔ RASTEIRA
A banda Fulô Rasteira é formada pelos músicos Henrique Teixeira (Vocalista), Gabriel Uberti (Guitarrista, Back Vocal/Vocalista), Eduardo Ferreira (Sanfoneiro), Victor Sabino (Baixista), Jorge Luis (Baterista/Percussionista), Bruno Ferreira (Zabumbeiro) e Ewerton Ribeiro (Trianguleiro/Percussionista). A banda catendense possui um repertório reunindo o melhor do gênero musical nordestino com muita poesia condimentada com repentes notáveis e criativos.
&
Os milagres, gestão e saga do Padre Bidião aqui, aqui, aqui & aqui.
&
A arte de Paul Klee aqui
&
O teatro de Edward Albee aqui
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muito mais na Agenda aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, abril 03, 2018

GAUTIER, AGOSTINHO DA SILVA, MARTIN DU GARD, MARLENE DUMAS, MARCELO COUTINHO, STOCKHAUSEN & JOCY OLIVEIRA

A CATITA NÃO TEM O QUE FAZER – Imagem: arte da artista sul-africana Marlene Dumas. - Na manhã os passos dos transeuntes pra lá e pra cá, suas culpas, dores e anseios. Quando muito olham pros lados, se entretem com um cão que luta por seu osso ou escarram bons dias, uns aos outros, sem se importarem com a natureza do catarro, se de bem ou por males nunca dantes revelados. Sabem apenas que vão com seus umbigos para onde eu não sei, seus interesses, preços e olê olás. Depois do meio-dia, a tarde é quase a mesma de outros e tantos dias, se sobem ou descem, os passantes seguem à risca suas cartilhas de fé, esperteza e competição, sem se dar conta do escorpião que saiu de um buraco e tira fino nas canelas e calcanhares que estão absortos com o bom que é de quem chegar primeiro, besta que cochile, o milagre da sorte demorada é só para um, o resto que se dane. E se chegou a vez, quem quiser que morra de inveja, trancelins, etiquetas e brebotes foram feitos pra soberba. Quem quiser que guarde o seu e, vez em quando, se bater o remorso, obre caridade pra mostrar que também é filho de Deus. À boquinha da noite, todos se benzem à Hora do Angelus, correm pra ceia, suor do dia na catinga do sovaco, trocados que sobraram nos bolsos, compras pra felicidade do lar, e umas lorotas na ponta língua pra comerem a hora, enquanto uma lagartixa espreita uma barata que se insinua à toa sem saber do bote pra devorá-la. Os que chegaram, vencedores ou vencidos, se não roncam impunes, zanzam insones pelo assoalho, mastigando arrependimentos, estratagemas ou camas de gato pro dia seguinte, e riem porque alguém chorará, não se sabe quem, problema do vacilo e da leseira, só ganha quem é esperto, essa a lei absoluta, que venha a madrugada pros sonhos ou pesadelos, eu à janela com o calor da hora chuvosa, às baforadas e uma catita rouba minha atenção, passeando em um dos fios de eletricidade. Ela vem às pressas e em frente da minha janela, para e olha pros lados, se vira olhando pra baixo, gira novamente como se quisesse pular, a altura parece deixá-la sem saber o que fazer, segue adiante, acompanho, vai determinada fio acima e segue a um rolo de fios enrolados no poste, o seu labirinto, de perder sua presença. Pra onde terá ido? O que lhe acontecera? Será que ela conseguiu descer tal como subiu, não sei, ela se foi, sumiu e eu aqui preocupado com o seu destino. Ah, ela não está nem aí, eu querendo saber o que será dela, se predador ou choque elétrico suspendendo o fornecimento de energia, eu na escuridão, temeroso com o céu plácido com previsões sinistras no centro dos meus temores, que pra ela pouco importa se escapará do algoz ou não, se seguirá adiante até uma ratoeira aplacar-lhe as invasões, se comeu ou morreu de fome pra festa dos vermes, não sei. Esperei um pouco para ver se lhe descobria esquina afora, nem sinal. Ora, ora, a catita não tem mesmo o que fazer. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor alemão de música contemporânea Karlheinz Stockhausen (1928-2007): Oktophonie, Mantra & Sonatine; da a compositora, pianista e escritora Jocy Oliveira: Ouço vozes que se perdem nas veredas que encontrei, A música do século XX & Medea Ballade; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA –[...] a palavra amor, rota pelo uso, irreconhecível pelo pó acumulado, trinchada pelas conveniências, dividida pelas práticas, ainda poderia deter em si alguma carne, e significar algo do que sempre quis significar: amor. [...] os diminutivos costumam ser carinhosos. E que mesmo rotos, irreconhecíveis pelo pó acumulado, perdidos por entre as práticas, permanecem o que sempre foram e que nunca deveriam ter deixado de ser: carinhosos. Mesmo sendo diminutivos, costumam ser bem maiores. São capazes, por exemplo, de dar maior peso e carne ao amor abstrato. “Meu amorzinho” é um amor bem maior que “meu amor”. [...]. Pensamento extraído da dissertação de mestrado Antão, o Insone: estudo sobre as relações dialógicas entre a visão e a cegueira (UFPE, 2003), do poeta, professor, quadrinista, ilustrador e artista visual Marcelo Coutinho. Veja mais aqui.

INVOCAÇÃO DA ESPERANÇA - [...] capacidade de contemplação e de criação do homem, aproveitando tudo aquilo que foi feito com o sacrifício dos trabalhadores durante séculos e séculos. [...] esperança de que se estabeleça na Terra um paraíso terreal, de que, pela meditação, os homens cheguem a um tempo em que o paraíso terreal e o espiritual, o do Céu, sejam exatamente a mesma coisa [...] em que o homem deixa que brote de si tudo quanto é de possibilidade divina ao mesmo tempo que não perde nada da sua humanidade [...]. Trecho extraído da obra Ir à Índia sem abandonar Portugal, considerações, outros textos (Assírio & Alvim, 1994), do filósofo, poeta e ensaísta português Agostinho da Silva (1906-1994). Veja mais aqui e aqui.

O DRAMA – [...] Olha de longe aquele seio túmido que não conhece, no qual os dedos minúsculos se crispam como donos. Olha aquele pequeno ser de carne, que se apressa, ávido por viver. Olha Cécile, e esse semblante novo, pálido, um pouco mais gordo, rejuvenescido: seu rosto de outrora. Depois, por um gesto que ela faz, a fim de amparar a pequena, vê-lhe na mão a aliança.... Eram noivos: ele chegava de Paris, com o estojo no bolso; encontrara Cécile sozinha: ajoelhara-se, corpo e alma, diante dela, a fim de enfiar-lhe no dedo aquele anel, o elo, a cadeia... Todo um passado de mocidade e de ternura... Ah!R esse desejo sincero e tresloucado que tinha de dar e de colher a felicidade!... Soergue um sudário: viola o sepultamento dos dois que eles foram. Sente-se outro. Ela também.... ambos, tão diferentes! E que fazer? [...]. Trecho extraído da obra O drama de Jean Barois (Delta, 1964), do escritor francês Roger Martin du Gard (1881-1958), Prêmio Nobel de Literatura de 1937.

TRÊS POEMAS – ANACREÔNTICA: Poeta! Sofreia os ímpetos! / Não faças que o meu amor / fuja e evole-se – ave tímida - / ao róseo céu do pudor. / O amor é medroso e alígero; ]pomba, que treme e que arruulha... / sê cauteloso; ela espanta-se / e foge à mínima bulha... / Mudo, como Hermes de mármore / da árvore ao pé; hás de ver, / aos poucos, sem sustos, da árvore / a pomba descer, descer... / Sentirás nas fontes, flácido, / um sopro de alma frescura, / e um palpitar de asas, trêmulo, / num turbilhão de brancura... / E em teu ombro a ave selvática, / já mansa, hás de ver pousar; / e o seu róseo bico, sôfrego, / nos beijos teus se fartar. A DOIS BELOS OLHOS : Sois dona de um olhar misterioso e atraente... / tal no fundo de um lago a lua refletida, / em vossos olhos rola a pupila, indolente, onde estranha palheta esplende umedecida... / Ele tem do diamante o fogo, a intensa vida, / e são de água melhor que a pérola do Oriente! / E os cílios no agitar da pálpebra tremida, / longos velam a meio o seu fulgor veemente. / Dois espelhos de chama, onde, em voejos infindos, / cupidos vão mirar-se e ainda se acham mais lindos! / Neles se inflamam sempre os desejos, sem clama... / E tão nítidos são, que deixam ver nossa alma, / como celeste flor de cálice ideal / que se visse através de um límpido cristal. COERULEI OCULI: Certa mulher misteriosa, / que m,e alucina, costuma / manter-se em pé, silenciosa, / junto ao mar, que ferve e espuma... / No olhar, onde o céu se pinta, / que palheta singular, / ao amargo azul, a tinta / glauca mistura do mar?! / Na langorosa pupila / bóia uma trsiteza vaga, / e a lágrima que vacila / e rola, o seu lume apaga. / A palpitar, branca e exul, / lembram-me os cílios suaves / tribo de aquáticas aves / sobre o indefinido azul... / Qual dágua no transparente / prisma, do olhar se devassa / no fundo, nitidamente, / do rei de Tule a áurea taça; / e, entre a alga e o sargaço, a gema / mais rara deslumbra e estão / de Cleópatra o diadema / e o anel do rei Salomão; / e irradiação irisada / das pedrarias se acende; / e a coroa da balada / de Schiller fulge e resplende. / Mago prestigio me enleia / e ao fundo abismo de luz / me arrasta, como a sereia, / que a Harald Harfagar seduz; / Me arrasta à ignota voragem, / até que eu nela me arroje / trás da impalpável imagem, / que, aérea a flátua, me foge... / Nágua esconde a ninfa bela / a cauda argêntea; e o brancor / da espádua lisa revela, / corando, da espuma à flor.... / Incha e, como um seio, arqueja / a vaga; em mórbido acento, / na cava concha solfeja, / soluça, ressona o vento... / “Vem reclinar-te em meu leito / de âmbar, e o saibo de fel / das ondas verás, desfeito, / manar-te da boca, em mel; / “O pélago estoura e zune / por cima; e a paz aqui mora, / sem que o rumor a importune / das tempestades de fora... / “Vem, sem tédio, nem bocejos. / O esquecimento imortal / bebamos juntos, dos beijos / pelo copo de coral”. / Assim é que a voz me fala, / desse olhar, que me extasia: / e no fundo dágua, a escutá-la, / desço... e o himeneu principia... Poemas do escritor, jornalista, dramaturgo e crítico literário Théophile Gautier (1811-1872). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista sul-africana Marlene Dumas.
Veja mais aqui.


O Título provisório de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
Daqui pracolá pelas calçadas & zis caminhos, As memórias de Wangari Maathai, a música de Anja Rupel, a fotografia de Nick Ut, a arte de Karina Sarkissova, Ramon Martinez & Lu Franzin aqui.

segunda-feira, abril 02, 2018

BORGES, RICHARD HOGGART, JOSÉ DUDA DO ZUMBI, MARCELO COUTINHO, LEO BROUWER & MARLUI MIRANDA

MOER A ESCURIDÃO - Imagem: arte do poeta, professor, quadrinista, ilustrador e artista visual Marcelo Coutinho. - Os olhos no escuro, a distância de nada existir, acho, apenas a chuva, chiados na noite, o silêncio do resto. Em algum lugar estava, não sei onde, apenas vivo, mais nada. Se havia desembarcado, não havia ninguém, nem sei de onde vim, o que estou fazendo aqui, nem para onde vou. Parecia-me um triz, espaço sem tempo, vórtice paralisado. Na verdade, se era vida ou sonho, ignorava. Sei que um coração pulsava nalgum lugar, vivia-o, isso sim. Não havia simetria, equilíbrio não há, nem podia, harmonizo o caos em mim, noitedia, mortevida, amanhojontem. Era ermo, só restava o delírio de inventar o inexistente com zis perguntas, e entre a vigília e a vertigem nenhuma resposta na insônia do imponderável. Voo ao antes: à face da natureza coberta de trevas. E ouço uma voz perdida, alguém me chama, viro-me e identifico apenas sua silhueta diáfana. Duvido, talvez reinventando a mim mesmo. Giro e ao redor assimilo alguém insinuando falar o incompreensível, como se palíndromos repetidos e quase me levando a entender ser Raar e que sou Arra e não sei de mim, ainda não sou, ou nunca deveria ter sido. Nem sei quem age e quem vê, uma semente germinada, apenas, ou talvez eu-outro, outridade. Esfrego os olhos, quase nada vejo, sinto. Percebo que gesticula mansa e suavemente, fala como um canto, mantras do porvir, parecia, no encontro do incomunicável. Aos poucos sua presença se torna mais nítida, os olhos vivos e ternos, as mãos espalmadas como um convite ao calor do abraço na rosa cálida emergente do seu coração. Hesitantes, titubeamos um pouco até o abraço que me envolveu inteiro. Abraçamos-nos novamente e o seu sorriso amanheceu tudo ao redor. Mostrou-me a Terra escorrendo entre os dedos, o Ar alisando nossas faces, a Água corrente lavando nossos pés, e o Fogo formando um círculo com labaredas saudando o Sol. Estendeu-me uma das mãos sem que lhe distinguisse a voz e deu-me um pergaminho, pareceu-me, à primeira vista, a versão de Alcuíno do livro de Jasher. Passei as vistas e tentei indagar quantas vezes havia acontecido e se repetira? Deu de ombros, pouco importa, nem sei se entendeu o que eu disse. Alma e ser desnudos, recitava repetidamente: arra olo raar, raar olo arra, arraraar. E no abraço, a vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do violonista, compositor e regente da Orquestra de Cuba, Leo Brouwer: La obra guitarristica 1 e 3 & de Bach aos Beatles; da compositora, cantora e pesquisadora da cultura indígena brasileira, Marlui Miranda: IHU Todos os sons, Fala de bicho, fala de gente & Rio acima; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – Fui moço, hoje estou velho! / Pois o tempo tudo muda! / Já fui um dos cantadores / chamado Deus nos acuda... / Este que estão vendo aqui / foi Zé Duda do Zumbi! / Hoje Zumbi do Zé Duda! Poema de sete pés do poeta popular segipano, Mestre José Duda do Zumbi (José Galdino da Silva Duda – 1866-1931).

VIDA REAL & COISAS DE HOJE EM DIA - [...] O fato de tudo isto não ter ainda exercido um efeito mais deplorável sobre a vida das pessoas deve-se à capacidade que elas têm de viver em compartimentos estanques — e é este um dos pontos que sublinho no meu ensaio - de manter uma separação entre a vida do lar e a vida exterior, entre a vida ‘real’ e a vida no mundo das diversões. ‘Faz-nos pensar noutras coisas’; ‘Distrai, é uma diversão’. Enquanto se distraem com essas coisas, as pessoas podem identificar-se com elas; mas no fundo sabem que não são coisas ‘reais’; a vida ‘real’ é outra coisa [...] Esta dieta regular, constante e quase exclusiva de sensacionalismo incorpóreo contribui para que aqueles que a consomem se tornem incapazes de encarar a vida de frente e de forma responsável, e ainda para despertar nos leitores a sensação de que a vida não tem qualquer objetivo, para além da satisfação de alguns apetites imediatos. Essas almas que não tiveram oportunidade para desabrochar continuarão fechadas, viradas para dentro, olhando ‘com olhos vazios, semelhantes a janelas escancaradas’ para um mundo que é em grande medida uma fantasmagoria de espetáculos transitórios e de estímulos falsificados. O fato de não ser essa hoje em dia a situação de todos os membros das classes trabalhadoras, deve-se à capacidade de resistência que caracteriza o espírito humano; resistência no sentido do reconhecimento de que há outras coisas que são importantes e que contam, se bem que esse sentimento nem sempre seja consciente [...] Trechos extraídos da obra As utilizações da cultura: aspectos da vida da classe trabalhadora, com especiais referenciais a publicações e divertimentos – Vol. 2 (Presença, 1973), do sociólogo e crítico literário britânico Richard Hoggart (1918-2014).

AS RUÍNAS CIRCULARES – [...] No sonho do homem que sonhava, o sonhado despertou. [...]. Em geral, eram-lhe felizes os dias; ao fechar os olhos pensava: Agora estarei com meu filho. Ou, mais raramente: O filhe que gerei me espera e não existirá se eu não for. [...] Percebia com certa palidez os sons e formas do universo: o filho ausente se nutria dessas diminuições de sua alma. O proposito de sua vida fora atingido; o homem persistiu numa espécie de êxtase. [...] Temeu que seu filho meditasse nesse privilégio anormal e descobrisse de alguma maneira sua condição de mero simulacro. Não ser um homem, ser a projeção do sonho de outro homem, que humilhação incomparável, que vertigem! A todo pai interessam os filhos que procriou (que permitiu) numa simples confusão ou felicidade; é natural que o mago temesse pelo futuro daquele filho, pensado estranha por estranha e traço por traço, em mil e umas noites secretas. [...] Caminhou contra as línguas de fogo. Estas não morderam sua carne, estas o acariciaram, e o inundaram sem calor e sem combustão. Com alívio, com humilhação, com terror, compreendeu que ele também era uma aparência, que outro o estava sonhando. Trechos de As ruinas circulares, extraído de Ficções (Globo, 1976), do escritor, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino Jorge Luis Borges (1899-1986). Veja mais aqui.

ELE MOIA A ESCURIDÃO – [...] Arra olo raar - arra. pron. pess. da 1ª pessoa singular. 1. algo de funcionamento intenso destinado a reter e reconduzir as várias retenções e reconduções vindas de outros algos. 2. algo que balbucia através de outro algo que também balbucia. 3. algo que é fruto de uma matriz perdida, e que, por sua vez, será uma matriz perdida para outro algo. [...] olo. prep. 1. Partícula gramatical usada para pôr em movimento de devir palavras e outros fragmentos da língua. Quando juntas a esta preposição, verbos, adjetivos, pronomes, adverbios passam a ter seus sentidos desfeitos para tornarem-se, junto com o que se unem, uma terceira coisa. 2. Para além de um elemento conectivo puro, olo destitui de sentido particular os termos gramaticais envolvidos em uma sentença para fazer surgir uma terceiro sentido. Diz-se p. ex. “arra olo raar”, “mavio olo africo”, etc. [...] raar. pron. pess. da 2ª pessoa singular. 1. Enodamento fibroso geralmente momentâneo, cujas inúmeras fibras organizam-se em forma de bola, postado um palmo abaixo do pescoço, mais precisamente entre os dois mamilos. Este enodamento ganha a forma de inúmeros brotos que estendem-se por entre os membros, cabeça, nuca e genitália, ultrapassando a epiderme em busca de floração. 2. Elemento que instaura a ligação orgânica entre duas temporalidades, lançando sobre a presente uma suspensão e sobre a futura um chamado inexato. [...] 13.12.2002 – Acredito que a arte não pode tomar o lugar de centro organizador da vida de uma pessoa. Acho, ao contrário, que o centro deve ser a vida. Ou ainda, usando o infinitivo, o viver. E nas periferias, orbitando em torno do viver, o resto. Esta centralidade da arte me incomoda muito. Acho, por exemplo, que as relações humanas são muito mais importantes do que uma obra de arte. [...]. Trechos extraídos de Ele moía a escuridão (Santander Cultural, 2012), da exposição realizada entre 15 de agosto a 30 de setembro de 2012, do poeta, professor, quadrinista, ilustrador e artista visual Marcelo Coutinho.

A ARTE DE MARCELO COUTINHO
A arte do do poeta, professor, quadrinista, ilustrador e artista visual Marcelo Coutinho, que trabalha com várias linguagens, de performance à instalações e intervenções em paisagens. É autor de Antão, O Insone (Documento Areal/Zouk, 2008) e Isso (Documento Areal/Confraria do Vento, 2016). As imagens foram extraídas da exposição Ele moía a escuridão (Santander Cultural, 2012).

  


CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista plástica & visucal Cyane Pacheco. Veja mais aqui & aqui & muito mais na Agenda aqui.
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O Doro e a maldição do Pinóquio, a literatura de Nikolai Gogol, a música de Tori Amos & Gracy Gausmann, a arte de Georges Lévis & a pintura de Roberto Ferri aqui.

GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...