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segunda-feira, junho 02, 2025

ROM FRESCHI, MARTHA GABRIEL, LETICIA WIERZCHOWSKI & PALMARES

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Anoushka (1998), Anourag (2000), Live at Carnegie Hall (2001), Rise (2005), Breathing Under Water (2007), Traveller (2011) e Traces of You (2013), da sitarista e compositora britânica-indiana Anoushka Shankar. Veja mais aqui.

 

Um rio corre em mim... – Assim, como se diz: uma palavra e outra são folhas nos galhos dos versos. E aqui revivo o meu umbigo ancestral pelos arredores do lago Rudolf, lá no vale do rio Omo, na Etiópia. Há quanto tempo e não é fácil ter que lidar com a cara lisa dos algozes forjados no 8&31, essa gente da caquistocracia coisonária, com sua xenofilia extremista de sabotadores temperamentais, caricatos liberais conservadores com seu Jesus do dente de ouro e carro blindado, suas longas respostas que me cansam e não dizem nada, porque ruminam coisas e situações adversas nas suas graves sobrancelhas hipócritas! As faces ardem além dos infernos. São monólogos de rio e voo a vau pelas louquidões dagora. As coisas existem pelo tempo que as medem e é movediço em minhas mãos: biografias esmagadas entre delírios e mentiras, heranças putrefatas entre pausas e hesitações, alertas túrgidos entre cinzas e hostilidades, os que vacilam desolados entre soçobro e êxodo, súplicas pesam sobre os ombros e as facas fatídicas selam calvícies e barbas brancas, com as hirsutas guerras imundas e todos os pressentimentos de órbitas foragidas. Sou luzeiro solitário entre a vigília e o insondável, os sigilos rasteiros entre culpas e punições, um só instante na noite e as desavenças enlutadas. E os olhos rastejam sina de poeta, a face abolida pelas avenças e glórias das prévias curvas intermináveis. Eis-me e até exulto quase recomposto. É hoje agora e não sei o que fazer sozinho: o poema na rua do outro dia, coração aberto para imensidão cósmica, voz galáxia afora, paixão pela vida e se faz sempre viva e fecunda, um poema inacabado, porque um rio corre em mim e aonde vai dar, até mais ver.

 

Marie NDiaye: Uma pessoa que está totalmente concentrada em si mesma é um pacote muito pequeno... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Gayle Forman: A maioria de nós tem dias, semanas ou meses tão terríveis que gostaríamos de nunca ter nascido... Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

Paulina Chiziane: Um sopro de silêncio dando à luz o mundo... Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

I - As pessoas têm medo do seu próprio poder. \ A questão é: o que fazer, \ que interesse servir, \ como continuar vivendo \ depois de uma invenção \ sem problemas \ esperando \ o tempo passar. \ Pombos são partículas \ e patos giram em um disco de água. \ Nós que estamos comigo naquele disco de água \ somos todos órfãos; \ perdemos aquela parte do passado \ em que o mundo era finito \ e seu caminho era uma estação de retransmissão \ para outros. Este planeta \ pacífico parece \ um jardim \ de crueldade, apenas \ uma reminiscência de \ um sonho maligno distante \ de perdê-los.

II - Daquele amor rosa, rosa, \ pouco parece restar, exceto esta \ proximidade míope e microscópica, ferida \ mas perene, violeta, \ raiz viva e rosada. \ Prevê-se chuva, sente-se precipitação \ sonhos, raios, realidade, \ uma seca insondável de vento e areia \ que já nos petrificou. \ Fomos belos representantes do rock \ em um anfiteatro que parecia natural, \ clássico, perfeito, maciço \ , rígido como pedras, fizemos a tentativa \ vendemos o vintage, \ acreditamos que era o cartão-postal daquele monumento. \ Jóias como escamas endurecem o chão \ somos donos do óleo, que conhecemos \ mas quebrado, enfim, as estátuas \ como vasos finos e rotacionados \ procuramos sob nosso cobertor \ aquela carne pequena e rosada, \ bebê do amor.

Poemas da poeta, professora, tradutora e crítica literária argentina Rom Freschi (Romina Freschi), autora de obras como La vergüenza es una fase en la transición de la señora lobo (Caleta Olivia, 2024), Redondel (1998), Incrustaciones en confite (1999), Petróleo (2002), Entremezcales (2000) e Solaris (2008).

 

AMANHÃ SERÁ UM DIA MELHOR - [...] A flecha da paixão teve rumo certeiro, e logo os dois viviam uma grande história de amor. [...]. Trecho extraído da obra Amanhã Será um Dia Melhor (Culturama Plural, 2022), da premiada escritora Leticia Wierzchowski, também autora da obra A casa das sete mulheres (Bertrand Brasil, 2017), no qual expressa que: [...] A gente aprende a não sentir o tempo, meu filho. Senão, acaba enlouquecendo [...] Do mesmo sonho que se vivia, também se podia morrer [...] Muitas outras vezes, nos longos anos que se seguiram, tive oportunidade de me gravar essa estranha frase que ouvi outra vez, algum tempo mais tarde, na voz adorada de meu Giuseppe, e que repetia o que eu mesma já tinha aqui ao ver uma fresta do futuro... talvez tenha sido exatamente nessa noite que tudo começou. [...] A arte de sofrer é inconsciente... E é preciso fingir que se vive, é preciso. [...] Mas a vida tinha lá seus mistérios e suas surpresas: nenhum de nós em casa voltaria a ser o mesmo de antes, nem os risos nunca mais soariam tão leves e límpidos, nunca mais aquelas vozes todas reunidas na mesma sala, nunca mais. [...]. No seu livro Deriva (Planeta, 2022), ela escreve: [...] Sentia-se um pouco dolorida. Era o incômodo mensal que estava por chegar. Às vezes, as cólicas prostravam-na na cama por horas, logo ela que era tão ativa. A mãe dizia-lhe que, depois que tivesse filhos, aquele sofrimento mensal seria amenizado. [...]. Veja mais aqui.

 

FUTURISMO & TECNOLOGIA - [...] Uma das principais habilidades para o futuro, na minha opinião, é o pensamento crítico. Ele se traduz na habilidade que temos de olhar em tudo que está acontecendo e questionar o que é verdade, a fonte e o foco de determinada pesquisa ou assunto. O pensamento crítico começa com questionamento, duvidando dos vieses cognitivos, procura a questão lógica, tenta ver como você argumenta com essas questões e ele requer repertório, muito repertório. Não é uma habilidade que tivemos na escola e ela precisa ser desenvolvida. E o pensamento crítico faz muita falta em um momento que lidamos com tantas novidades. [...]. Trecho da entrevista “Quando o assunto é tecnologia, não podemos desprezar o hype”, (Forbes, 2024), na qual a escritora futurista, professora Ph.D e engenheira, Martha Gabriel, fala sobre o papel da construção de cenários futuros na evolução da sociedade, autora de obras como Liderando o futuro: visão, estratégia e habilidades (DVS, 2023), Inteligência artificial: do zero a superpoderes (GEN-Atas, 2024), Você, eu e os robôs: pequeno manual do mundo digital - como se transformar no profissional digital do futuro (Atlas, 2017), Marketing na era digital: conceitos, plataformas e estratégias (GEN Atlas, 2020) e Educação na era digital (GEN Atlas, 2023).

 

EMANCIPAÇÃO HUMANA E INDÚSTRIA CULTURAL

[...] quanta influência da mentira continua, de forma mais sofisticada e fortalecida pela ideologia dominante, fundamentalmente, num contexto de um mundo globalizado econômica, política e ideologicamente em que se torna mais espoliador, explorador, dominador da dignidade humana. [...].

Trecho da dissertação de mestrado sob a temática Emancipação Humana e Indústria Cultural: Uma análise crítica a partir do contexto da sala de aula e os produtos das novas mídias sociais (UFPE, 2023), apresentada pelo professor, poeta, compositor e filósofo, Wellington Batista da Silva, com uma análise crítica feita a partir do contexto da sala de aula e os produtos das novas mídias sociais, sob orientação do professor doutor Anderson de Alencar Menezes, tratando sobre a construção da emancipação sob a luz do pensamento de Adorno e o combate das fake News como mediação da indústria cultural, a história da Escola de Frankfurt e o pensamento da razão crítica, a indústria cultural e a globalização, a formação social de educadores e educandos, a desconstrução do conhecimento e a pedagogia das redes sociais, a cultura guiada pelo capitalismo, a ausência da verdade e o caminho do caos, Educação e processo de construção do pensamento, nativos digitais tramas e dramas, o desafio do ensino da Filosofia e a formação docente, diálogo com uma sociedade consciente, o perigo das redes sociais e o mundo real, a barbárie contemporânea, o pensamento protagonista nos dias atuais, entre outros temas. Veja mais aqui, aqui & aqui.

&

PALMARES: 146 ANOS DE HISTÓRIA, ARTE, POESIA & RESISTÊNCIA

Veja mais aqui, aqui & aqui.

 

ITINERARTE – COLETIVO ARTEVISTA MULTIDESBRAVADOR:

Veja mais sobre MJ Produções, Gabinete de Arte & Amigos da Biblioteca aqui.

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Registros Mágicos de Palmares aqui.

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Poemagens aqui.

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Teatro Infantil: O lobisomem Zonzo aqui.

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Crônica de amor por ela aqui.

 



segunda-feira, junho 03, 2024

JUDITH MALINA, RACHEL BLOOM, HAL FOSTER & RIO UNA!

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som do álbum Kiribasáwa Yúri Yí-Itá (“A Força que vem das Águas” - 2021), do grupo de cantoras e artesãs do norte do Pará, Suraras do Tapajós, oriundo da Associação Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, uma organização que reúne integrantes de várias etnias e idades, por meio da música do carimbó e suas raízes sertanejas, africanas e indígenas.

 

AINDA É CEDO E AMANHÃ TARDE DEMAIS... - Era a primeira vez e o amor desafinado respirava a noite intrínseca, a vida erguia o desastre e o que fora soterrado pela areia do tempo. A mutilada chance nas dores partidas pelos pedaços de sonhos súbitos e a mão arruinada levitava a desgraça apodrecida impressa nos muros do Recife. Quase nem deu para ouvir Hélène Cixous: As pessoas não te veem, / Te inventam e te acusam... Eu também transbordo; ... meu corpo conhece músicas inéditas... Quantos prodígios ignorados e o que se toma por inquestionável, os meios precários de tão impacientes: o dia perdeu as horas e a data estômago a dentro. O que tinha lembrado e o esquecido acendendo a distância perdida, um alvo móvel na direção: lugares decadentes e inútil espera, só uma ou outra surpresa pro desânimo, com seus espasmos fustigantes pelo que dizia Paulina Chiziane: O meu vício chama-se questionar, incomodar. Questionem tudo o que vos oferecem como perfeito... Era o lenocínio das mundividências e tudo se escondia no nada. Coisas de nunca. A nervura dos trajetos e o que de palpável se fizera dos gestos erráticos na veemência da ignorância renitente. Ainda deu pra ouvir Anthony Braxton: Aprendi ao longo do tempo que nem todos estão interessados nos tipos de coisas que me fascinam... Só estremecimentos e o que se sucedia do inexplicável tão fútil se parecera. Momentos espalhados e o que importava a indiferença, latejavam esperanças gastando as brechas restantes nas curvas inclinadas das grandes escuridões. Alguém veria e era o amor, aprendia sozinho: os olhos mergulhados no futuro. E mais aprendia o deserto adivinhando clareiras onde sequer existiam. Era o poeta e a metáfora do espelho: quem devia esta vida pra outra, o porquê dos quando. E sonhou perder-se na noite e roubou as estrelas, degelou os polos, inundou a terra, bebeu os rios e evaporou os mares. Findava só vendo o que fez porque ainda era cedo e amanhã será tarde demais. Até mais ver.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

ESPLENDOR - O esplendor nunca é simples. \ Vem à luz \ Quando as 1000 coisas \ se agitam contra a alma, \ Cintilando os arredores\ Para que a mente cega\ possa ver o que está sempre lá, \ Obscurecido pelos costumes. \ O esplendor só ocorre \ quando cada uma das 1000 coisas \ está precisamente no lugar.

HÁ TEMPO - Porque somos mortais. Existe \ Morte porque não somos \ Nada. Existe amor \ Porque somos loucos \ E queremos ser felizes para sempre.

Poemas da atriz, dramaturga e escritora alemã Judith Malina (1926-2015). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

QUERO ESTAR ONDE AS PESSOAS NORMAIS ESTÃO – [...] A depressão, por exemplo, não se parece com esta palavra estéril da sala de espera do hospital: depressão. Parece que meu interior está ficando cinza, o que faz as árvores ficarem cinzentas, o que faz toda a vida ficar cinza, que é a cor que todos nós eventualmente nos tornamos, porque tudo leva ao nada. [...] Minha mãe sempre comparou pensamentos ruins a um pássaro em um celeiro. Se um pássaro voar para dentro do celeiro, você pode reconhecer que há um pássaro no celeiro, mas não precisa fazer um ninho para ele de repente. “Basta deixar o pássaro voar e ele eventualmente voará para fora.” Que é, em essência, terapia cognitivo-comportamental [...] Eu sou um garoto do teatro. Isso significa que estou desesperado para ser o melhor, desesperado para agradar, desesperado para nunca decepcionar ninguém. Não há espaço para fracasso, porque fracasso é igual a fraqueza, o que é igual a morte [...] O que eu mais amava no teatro era que ser um garoto do teatro era uma explicação fácil para o motivo pelo qual eu não me encaixava. [...]. Trechos extraídos da obra I Want to Be Where the Normal People Are (Grand Central Publishing, 2020), da atriz, humorista, cantora e compositora estadunidense Rachel Bloom. Veja mais aqui.

 

O QUE VEM DEPOIS DA FARSA? - [...] Uma política da pós-verdade é com certeza um enorme problema, mas uma política da pós-vergonha também é. [...] Se tudo isso parece terrivelmente sombrio, é porque é mesmo. Em muitos aspectos, olhamos para um mundo que fugiu ao nosso controle – não só política como também tecnologicamente. E essa situação extrema provocou formulações extremas por parte de artistas e críticos. [...] O padrão da tragédia seguida pela farsa tem, ainda, certa lógica: a história preserva uma narrativa mesmo que anticlimática. No entanto, talvez essa coerência fosse uma ilusão e, mais uma vez: o que poderia vir depois da farsa, afinal? Necessariamente nada. Paliativos como “o arco do universo moral se inclina em direção à justiça” ou “devemos trabalhar para uma união mais perfeita da nação” já não tranquilizam ninguém. Nada está garantido; tudo é luta. De novo, de um ponto de vista particular, já não está claro se a arte pode depender de seu passado, e seu presente também parece institucionalmente tênue. [...] Tal é a oportunidade no período presente de convulsão política: transformar a emergência disruptiva em mudança estrutural ou, pelo menos, pressionar as brechas na ordem social em que é possível resistir ao poder e reelaborá-lo. [...] Há muito a ser debatido em termos de táticas e efeitos. Contudo, um resultado desses desdobramentos é decerto uma volta inesperada do museu e da universidade como possíveis locais de resgate da esfera pública, em que, ao menos em princípio, podem-se expressar críticas e se propor alternativas. Eles emergiram como pontos de pressão para artistas ou críticos ativistas que têm se empenhado em explorar as tensões entre os compromissos públicos dessas instituições e os interesses privados que as dirigem. [...]. Trechos do prefácio da obra O que vem depois da farsa? (Ubu, 2021), do crítico de arte e historiador estadunidense Hal Foster (Harold Foss Foster) que trata sobre terror e transgressão, vestígio traumático, O kitsch de Bush, Estilo paranoico, Coisas selvagens, Conspiradores, Plutocracia e exibição, Deuses-fetiche, Belo hálito, Greve humana, Exibicionistas, Caixas cinza, Underpainting, Mídia e ficção, A pianola, Olho-robô, Telas estilhaçadas, Imagens de máquina, Mundos-modelo, Ficções reais, entre outros assuntos. Ele também é autor das obras What Comes After Farce? Art and Criticism at a Time of Debacle (2020), O retorno do real (Cosac Naify, 2014) e O complexo arte-arquitetura (Cosac Naify, 2015), entre outras. Veja mais aqui.

 

VIDA, DE JAYME GRIZ

Olores do cosmos \ música das esferas \ loucura do infinito \ E enquanto isto, \ a vida \ nas suas secretas e misteriosas fontes, \ vibra \ estremece, \ se agita, \ e continua... \ largando cada alfar do peito antigo, \ um soturno grito! \ Brado velho, antigo, imemorial, \ cheio de estranha e absurda finalidade: \ Eternidade! \ Eternidade! \ Eternidade!

Poema Vida, extraído da obra Rio Una – poemas (Diário da Manhá, 1951), do poeta, jornalista, economista e folclorista Jayme Griz (1900-1981). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

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Palmares conta a sua história... – Semana Palmares de 03 a 07/06 – E no próximo dia 06 de junho, na Biblioteca Pública Fenelon Barreto – Palmares – PE, acontecerá a palestra Arte em Palmares: do Club Litterario ao século XXI, que ministrarei para o público em geral, especialmente nos horários: 9h – para alunos da Escola Municipal Jayme de Castro Montenegro; 14h – para alunos do Ginásio Municipal dos Palmares; e às 19h – para alunos da Escola Estadual Galtemir Lins. Promoção da Biblioteca Fenelon Barreto & Amigos da Biblioteca, com apoio da Semed-Palmares, Observatório de Linguagens, IbaValeUna & Academia Palmarense de Letras (APLE). Estão todos convidados.

 

UM OFERECIMENTO:

NNILUP CROCHETERIA

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SANTOS MELO LICITAÇÕES

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Tem mais:

Livros Infantis Brincarte do Nitolino aqui.

Curso: Arte supera timidez aqui.

Poemagens & outras versagens aqui.

Diário TTTTT aqui.

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VALUNA – Vale do Rio Una aqui.

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segunda-feira, junho 04, 2018

KAFKA, AUDEN, PAULINA CHIZIANE, HERMETO, LUKÁCS, ALAIN RESNAIS, FLÁVIO DE CARVALHO & VITAL CORRÊA DE ARAÚJO


É CADA UMA QUE DÁ DEZ – Imagem: arte do arquiteto, pintor, teatrólogo e escritor Flávio de Carvalho (1899-1973). - Toda madrugada na janela eu converso com ela, a estrela libertária que me guia e ouve, falo pelos cotovelos todos os meus ais e paradoxos. Foi ela quem me ensinou a rir da minha loucura e admirar a dos outros, escondida – cada um esconde como pode; eu escancaro das tripas, coração. Daqui dá pra vê-la a me mostrar o pêndulo das pessoas no agito das vitrines e vidraças, rolês e danças, rodoviárias e aeroportos; ah, sou levado pros invisíveis nos antros dos guetos, abrigos, hospitais, presídios, quanta devastação e o meu coração dói. Vivemos, quer queira quer não, pelo apreço e sofrimento do que tenha ou não, do querem às mãos, braços dados e o que possa a imaginação dos quereres, quanta calamidade nos sentimentos arrebatados. Ninguém é poupado, vassalos da poção do amor na inquietude da paixão e o álibi luzente, as armadilhas dos amantes ancestrais e a vida é a vida, nada e nada mais. Do inopinado sempre o desaviso: o alerta dos sentidos no flerte e o prelúdio, tudo se mistura entre a mira e o alvo, prevalece o frêmito carnal, a chama eletrizante que pulsa na pele e veias, carecimentos e dissipações, clamores e entregas. Nesse torvelinho a razão é o estorvo, seja lá o que Deus quiser, príncipes encantados e donzelas imaculadas que sempre estiveram à espera do amor, o verdadeiro; e o sorvedouro idílico vai na valsa onírica de rosas e nuvens, nada pras ameaças que assomam tácitas entre passos e piruetas. No desfecho, quase impossível sobreviver à provação, quase se morre de tão obcecado e rendido. E em cada um os seus tenebrosos porões e sótãos, entre o que enobrece e o que aflige, o que ama e odeia. Até que a fera ruge, a luz se apaga no coração, quanta fúria e crueldade de sobra e por troco. Aprendi a domar meus monstros com as palavras suaves: o segredo da poesia. Ninguém merece nossos esturros, somos nós mesmos que pagamos o pato, ora. Isso eu sei, guardo comigo. Conquanto, soluções de plantão: é só passar a bronca pro outro, pronto, livrou-se, lavou as mãos, resolvido. No final, luzes e sombras, o casulo se esvai no escuro da solidão e silêncio. Contudo, quem aprende a lição, hem, na verdade olvida, como eu: fazendo uma merda atrás da outra. Porquanto tenha só abusado da sorte na areia da praia, lazer domingueiro ou de feriadão, o castelo de areia, lá vem o mar subindo manso, a maré e não, a onda, não, lá vem, não, pelo amor de Deus não, a água nem aí, não, acabou-se o que era doce. Pra quem vive na corda bamba qualquer sopapo é crucial e haja catabi entrando pela perna de pinto e saindo pela perna de pato. É a vida e lá se vão os ventos omnidirecionais com seus encantos e desamores no fortuito embalo das paixões. É cada uma que dá dez! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor e multi-instrumentista Hermeto Pascoal: Live in Montreaux, Zumbumbê bum-á, Slave Mass, Cérebro Magnético, Natureza Universal ao Vivo & Live in Jazz Sous Les Pommiers; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Ah, aprende-se o que é preciso que de aprenda! Aprende-se quando se quer uma saída; aprende-se a qualquer custo. Fiscaliza-se a si mesmo com o chicote; à menor resistência flagela-se a própria carne. A natureza do macaco escapou de mim frenética, dando cambalhotas, de tal modo que com isso meu primeiro professor quase se tornou ele próprio um símio, teve de renunciar às aulas e ser internado em um sanatório. Felizmente saiu logo de lá. [...] Seja como for, no conjunto eu alcanço o que queria alcançar. Não se diga que o esforço não valeu a pena. No mais, não quero nenhum julgamento dos homens, quero apenas difundir conhecimentos; [...]. Pensamentos extraídos de Um relatório para uma Academia (Companhia das Letras, 1999), do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). Veja mais aqui.

ONTOLOGIA – [...] No trabalho estão contidas in nuce todas as determinações que, como veremos, constituem a essência do novo dentro do ser social. O trabalho pode ser considerado, pois, como fenômeno originário [Urphänomen], como modelo do ser social; o esclarecimento destas determinações proporciona já, portanto, uma imagem tão clara acerca de suas características essenciais, que parece metodologicamente vantajoso começar com sua análise [...] A posição do fim se origina numa necessidade humano-social; mas, a fim de que chegue a uma posição autêntica do fim, a investigação dos meios (isto é, o conhecimento da natureza) deve ter alcançado um determinado nível, coerente com esses meios; se esse nível ainda não foi alcançado, a posição do fim permanece como projeto meramente utópico, uma espécie de sonho [...]. O ponto, pois, no qual o trabalho se relaciona, desde o ponto de vista da ontologia do ser social, com o surgimento do pensamento científico e sua evolução, é precisamente o âmbito por nós denominado investigação dos meios [...] quando os resultados do reflexo não existente se cristalizam numa práxis estruturada em termos de alternativa, a partir daquilo que existe somente de maneira natural, pode surgir algo existente no marco do ser social – por exemplo, uma faca ou um machado –, isto é, surge uma forma de objetividade desse ser existente total e radicalmente nova. Pois, a pedra, na sua existência e em seu ser-em-si natural, nada tem a ver com a faca ou o machado [...] Enquanto ser biológico, o ser humano é um produto da evolução natural. Com sua autorrealização, que, naturalmente, também nele mesmo pode significar um retrocesso dos limites naturais, mas nunca o desaparecimento, a plena superação desses limites, o ser humano ingressa num novo ser e por ele mesmo fundado: o ser social [...] todas as representações ontológicas dos seres humanos, independentemente do grau de consciência em que isso ocorre, são amplamente influenciadas pela sociedade, e não vem ao caso se o componente dominante é o da vida cotidiana, o da fé religiosa etc. Essas representações cumprem um papel extremamente influente na práxis social dos seres humanos, condensando-se com frequência em um poder social real [...] superação da mudez meramente orgânica do gênero, sua continuação no gênero articulado, em desenvolvimento, do ser humano que se forma enquanto ente social, é – considerada desde um ponto de vista ontológico-genético – o mesmo ato que o do surgimento da liberdade [...]. Trechos extraídos da obra Ontología del ser social: el trabajo (Herramienta, 2004), do filósofo, crítico literário e teórico marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971). Veja mais aqui e aqui.

BALADA DE AMOR AO VENTO - [...] Meu pai, minha mãe, meus avós e todos os defuntos. Aceitei esta oferta, esta humilhação, que é o testemunho da minha partida. Vou agora pertencer à outra família, mas ficam estas vacas que me substituem1. Que estas vacas lobolem mais almas, que aumentem o número da nossa família, que tragam esposas para este lar, de modo que nunca falte água, nem milho, nem lume [...] É como vos digo, cada mundo tem a sua beleza. No campo é mais belo o rosto queimado de sol. São belas as pernas fortes e musculosas, os calcanhares rachados que galgam quilómetros para que em casa nunca falte água, nem milho, nem lume. São mais belas as mãos calosas, os corpos que lutam ao lado do sol, do vento e da chuva para fazer da natureza o milagre de parir a felicidade e a fortuna [...] venceu-me a carne, venceu-me o coração, sou apenas a escrava do sentimento que é mais forte do que eu [...]. Trechos extraídos da obra Balada de amor ao vento (Ndjira, 2010), da escritora moçambicana Paulina Chiziane. Veja mais aqui e aqui.

DOS POEMAS BREVES E DOS POEMAS BREVES - I - Receio haja muitos caixa-d’óculos filisteus / que preferem o museu Britânico ao próprio Deus. II - Honremos, como ideal, / o homem vertical, / embora valorizemos / só o horizontal, mesmo. III - Rostos particulares em lugares públicos / É coisa mais gentil e mais sensata / Do que, em lugares particulares, rostos públicos. IV - a esperança de um poeta: ser, / Como os queijos de certos vales, / Local, mas estimado alhures. V - Quem poderá jamais imaginar / Calvino, Pascal ou Nietzsche / Como um róseo garoto rechonchudo? VI - sem mãe capaz de amá-lo / Descartes divorciou / a mente da matéria. Poemas do poeta, dramaturgo e editor britânico Wystan Hugh Auden (1907-1973). Veja mais aqui.

A ARTE DE ALAIN RESNAIS
Já destaquei aqui On connaît la chanson (Amores Parisienses, 1997) e o premiado documentário Noite e Neblina (Nuit et brouillard, 1955), do cineasta francês Alain Resnais (1922-2014). Poderia ter muitos outros destaques, a exemplo do polêmico e belíssimo drama-romance Hiroshima mon amour (1959), com roteiro da Marguerita Duras; o drama romântico Mélo (Melodia infiel, 1986), baseado na peça homônima de Henri Bernstein de 1929; o drama ficção científica Je t’aime, je t’aime (Eu te amo, eu te amo, 1968), contando uma viagem no tempo de um suicida que pode reviver; e o drama Muriel ou o Tempo de um Regresso (1963), e muitos tantos outros da lavra. Veja mais aqui e aqui.


O livro Ora pro nobis Scania Vabis, de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do arquiteto, pintor, teatrólogo e escritor Flávio de Carvalho (1899-1973).
Veja mais aqui.
&
Devoção de amor, a literatura de Philip Roth, o teatro de Maria Clara Machado & a arte de Luciah Lopez aqui.
 

MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...